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| Caderno de Economia do Expresso |
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
31/05/2020
CASE STUDY: «A única função das previsões económicas é tornar respeitável a astrologia» (4)
Continuando a coleccionar previsões do impacto na economia portuguesa das medidas de combate à pandemia, depois do primeiro post e do segundo post ,aqui vão mais previsões de 16-luminárias-16 citadas pelo semanário de reverência.
No vosso lugar não lhes daria muito crédito, não apenas pelas razões gerais de natureza astrológica, mas porque também, vim agora a saber, a FocusEconomics considerou que o melhor analista nas previsões para a economia portuguesa em 2019 não foi nenhum português. Foi a maltesa Melanie Debono da Capital Economics. That's it.
Mitos (304) - As falhas americanas no combate à pandemia são grandemente exageradas pelo jornalismo de causas
Quem lê a imprensa portuguesa é induzido a pensar que o combate à pandemia nos EUA está nas mãos de um louro louco a twitar sentado na Resolute Desk do Oval Office. É certo que há uma criatura loura que parece louca e consome o seu tempo a twitar, mas não está nas suas mão o combate à pandemia, como se pode confirmar pelo testemunho da portuguesa Rita Carreira que anda por lá há 25 anos.
«Fico constantemente impressionada com a rapidez com que as coisas podem acontecer nos EUA. Iniciámos o lockdown em 16 de Março e em 25 de Março a lei CARES (Coronavirus Aid, Relief, and Economic Security) foi aprovada no Senado e dois dias depois foi assinada pelo presidente. Os subsídios começaram a ser pagos em Abril e hoje, 28 de Maio, a Federal Reserve de Chicago divulgou um documento de trabalho analisando a propensão marginal ao consumo de uma amostra de indivíduos que os receberam.
Podemos ver como o FED acompanha de perto a economia, sem dúvida essa velocidade foi influenciada pela recuperação longa e moderada da Grande Recessão e pela timidez do Congresso em gastar o suficiente em política fiscal para responder a esse desafio. Desta vez, o presidente do FED fez as suas rondas de relações públicas e aproveitou todas as oportunidades para encorajar o Congresso a não relaxar.
A Europa ainda está a debater o que fazer. A política monetária não é um obstáculo, mas os governos arrastam os pés e mostram completa falta de solidariedade. Cada país seguiu sua própria resposta à crise médica, mesmo que o fracasso em um país acabasse a influenciar outros países. Mesmo agora, não existe uma única entidade na UE dirigindo a resposta médica.
Estou um pouco enojada com a obsessão portuguesa de apontar as falhas dos EUA ao lidar com o Covid-19. Nova York tornou-se um ponto de foco porque a Itália era um ponto de foco: 75% dos casos nos EUA vieram da Itália e a maioria acabou em Nova York. E se somarmos todos os dados da União Europeia, isso envergonhará os EUA? Eu acho que não. Os europeus afirmam que seus cuidados de saúde são muito melhores do que os americanos e, no entanto, não apenas não conseguiram conter a pandemia em seus próprios países, mas também acabaram sendo a causa de grande parte do problema para os Estados Unidos.»
Alguns números actualizados até hoje:
Infectados Óbitos Infectados(/1M) Mortos(/1M)
EU/EEA & UK . 1.391.619 .. 164.236 ... 2.681.3 ...... 316,5
USA ......... 1.803.135 .. 104.910 ... 5.450,3 ...... 317,1
«Fico constantemente impressionada com a rapidez com que as coisas podem acontecer nos EUA. Iniciámos o lockdown em 16 de Março e em 25 de Março a lei CARES (Coronavirus Aid, Relief, and Economic Security) foi aprovada no Senado e dois dias depois foi assinada pelo presidente. Os subsídios começaram a ser pagos em Abril e hoje, 28 de Maio, a Federal Reserve de Chicago divulgou um documento de trabalho analisando a propensão marginal ao consumo de uma amostra de indivíduos que os receberam.
Podemos ver como o FED acompanha de perto a economia, sem dúvida essa velocidade foi influenciada pela recuperação longa e moderada da Grande Recessão e pela timidez do Congresso em gastar o suficiente em política fiscal para responder a esse desafio. Desta vez, o presidente do FED fez as suas rondas de relações públicas e aproveitou todas as oportunidades para encorajar o Congresso a não relaxar.
A Europa ainda está a debater o que fazer. A política monetária não é um obstáculo, mas os governos arrastam os pés e mostram completa falta de solidariedade. Cada país seguiu sua própria resposta à crise médica, mesmo que o fracasso em um país acabasse a influenciar outros países. Mesmo agora, não existe uma única entidade na UE dirigindo a resposta médica.
Estou um pouco enojada com a obsessão portuguesa de apontar as falhas dos EUA ao lidar com o Covid-19. Nova York tornou-se um ponto de foco porque a Itália era um ponto de foco: 75% dos casos nos EUA vieram da Itália e a maioria acabou em Nova York. E se somarmos todos os dados da União Europeia, isso envergonhará os EUA? Eu acho que não. Os europeus afirmam que seus cuidados de saúde são muito melhores do que os americanos e, no entanto, não apenas não conseguiram conter a pandemia em seus próprios países, mas também acabaram sendo a causa de grande parte do problema para os Estados Unidos.»
Alguns números actualizados até hoje:
Infectados Óbitos Infectados(/1M) Mortos(/1M)
EU/EEA & UK . 1.391.619 .. 164.236 ... 2.681.3 ...... 316,5
USA ......... 1.803.135 .. 104.910 ... 5.450,3 ...... 317,1
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trumpologia
30/05/2020
Dúvidas (307) - Alguém pode explicar-me porque precisaram os mídia de dois meses e meio para perceber isto?
«Graças ao confinamento, a pandemia de covid-19 acabou por ser menos mortal do que algumas epidemias de gripe dos últimos anos. Houve mais mortes do que o normal neste período, mas Portugal evitou a tragédia de outros países europeus, onde a mortalidade chegou a triplicar face a anteriores epidemias gripais.»
Pois se numa época gripal morrem em Portugal entre 3 a 5 mil pessoas com gripe ou doenças relacionadas, e desde 17 de Março até agora morreram "por" ou "com" Covid 1.396 pessoas assim distribuídos por idades:
| Expresso |
O diagrama seguinte com dados do Reino Unido mostra que o risco de morte por Covid apenas é superior ao risco normal de morte para idades acima dos 60 anos nas mulheres e acima dos 70 nos homens.
| Spectator |
Mais do que a diferença entre Trump e Xi Jinping isto mostra a diferença entre a democracia liberal e a autocracia
BREAKING NEWS
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Twitter said President
Trump violated its rules against glorifying violence by posting a tweet
suggesting that Minneapolis protesters could be shot.
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Friday, May 29, 2020 4:18 AM EST
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Sendo quase certo que Donald Trump poderia fazer o lugar de Xi Jinping, não parece que este pudesse fazer o lugar do outro.
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29/05/2020
Uma pessoa honesta e inteligente não deve dizer coisas desonestas ou estúpidas
Uma revista holandesa publica a capa acima e um artigo onde escreve «os países do sul da Europa não são, de forma nenhuma, pobres e têm dinheiro suficiente. Eles também podem melhorar facilmente as suas economias através de reformas como as que foram implementadas no Norte.» (Observador)
O que pode dizer uma pessoa não totalmente desonesta nem completamente estúpida? Sei lá! Talvez coisas como: teríamos dinheiro suficiente se não esbanjássemos em auto-estradas vazias e para engordar um Estado ineficaz e ineficiente ou ainda que é difícil fazer reformas em países com elites extractivas e um Estado capturado por partidos não reformistas.
Ou, vá lá, poderíamos dizer que a imagem na capa da revista não é muito realista e propor a sua substituição pela foto seguinte tirada na praia de S. João da Caparica no dia 24 de Maio em pleno confinamento.
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| Fonte |
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Um Estado a quem o país serve
«O eleitorado precisa de o compreender, sabendo que acabará sempre por pagar um custo tanto mais elevado quanto mais persistir em acreditar que poderes superiores resolverão todos os problemas, poupando-o à "austeridade". Aí, porém, estamos perante a exigência da mais difícil das reformas - a cultural - num país que há séculos depende de um Estado hegemónico, que se habituou a servir e, quando possível, iludir.»
Teodora Cardoso, no Jornal de Negócios
Teodora Cardoso, no Jornal de Negócios
ESTÓRIA E MORAL: E porque não o Dr. Centeno no BdP, se no Portugal dos Pequeninos a tradição é o que sempre foi?
Estória
Falhada a candidatura ao FMI e à CE, é justo que ao Dr. Mário Centeno seja atribuído um lugar de prestígio e devidamente remunerado (*) para que ele possa repousar dos seus 5 anos de ministro das Finanças.
(*) Há uns anos, quando foi governador o Dr. Constâncio, a tença anual era 250 mil euros, o dobro do salário de Bernard Bernanke, o presidente do FED na época, ou mais de 4 vezes, se tomarmos em conta o nível médio de salários em Portugal e nos EU. Como o BdP é cada vez mais uma mera sucursal do BCE, digamos que se trata de uma tença principesca.
Espíritos maldosos e mentes retorcidas dizem que, tendo sido ministro das Finanças e nessa qualidade uma espécie de chefe do governador do Banco de Portugal, a que acrescentam o facto de enquanto ministro «não avançou com a lei que lhe retiraria poderes caso mudasse de cadeira», existe um conflito de interesses entre o Dr. Centeno ministro e o Dr. Centeno putativo governador.
Há mesmo quem defenda que um governador deverá ter um perfil puramente técnico e ser independente e o Dr. Centeno fez, dizem os detractores, uma gestão política das Finanças públicas e foi um fiel executor da estratégica de poder do PS, privilegiando as despesas com o pessoal (et pour cause), engordando os efectivos de funcionários públicos (a que alguns maldosos chamam a freguesia eleitoral do PS) e cortando no investimento e nas despesas de capital. Há até quem lembre que ele garantiu que a redução para as 35 horas não teria impacto orçamental.
Além de maldade e retorcedura mental, há nesses detractores uma imensa ignorância da História Pátria. Ora passemos em revista os antecessores do Dr. Centeno (socorro-me da informação do BdP, que não inclui o actual governador, nem a parte mais política do currículo do Dr. Constâncio que aditei a vermelho):
António Augusto Pereira de Miranda
Conflito de interesses? Qual conflito de interesses? No Portugal dos Pequeninos não há conflito de interesses. Só há interesses em conflito.
Falhada a candidatura ao FMI e à CE, é justo que ao Dr. Mário Centeno seja atribuído um lugar de prestígio e devidamente remunerado (*) para que ele possa repousar dos seus 5 anos de ministro das Finanças.
(*) Há uns anos, quando foi governador o Dr. Constâncio, a tença anual era 250 mil euros, o dobro do salário de Bernard Bernanke, o presidente do FED na época, ou mais de 4 vezes, se tomarmos em conta o nível médio de salários em Portugal e nos EU. Como o BdP é cada vez mais uma mera sucursal do BCE, digamos que se trata de uma tença principesca.
Espíritos maldosos e mentes retorcidas dizem que, tendo sido ministro das Finanças e nessa qualidade uma espécie de chefe do governador do Banco de Portugal, a que acrescentam o facto de enquanto ministro «não avançou com a lei que lhe retiraria poderes caso mudasse de cadeira», existe um conflito de interesses entre o Dr. Centeno ministro e o Dr. Centeno putativo governador.
Há mesmo quem defenda que um governador deverá ter um perfil puramente técnico e ser independente e o Dr. Centeno fez, dizem os detractores, uma gestão política das Finanças públicas e foi um fiel executor da estratégica de poder do PS, privilegiando as despesas com o pessoal (et pour cause), engordando os efectivos de funcionários públicos (a que alguns maldosos chamam a freguesia eleitoral do PS) e cortando no investimento e nas despesas de capital. Há até quem lembre que ele garantiu que a redução para as 35 horas não teria impacto orçamental.
Além de maldade e retorcedura mental, há nesses detractores uma imensa ignorância da História Pátria. Ora passemos em revista os antecessores do Dr. Centeno (socorro-me da informação do BdP, que não inclui o actual governador, nem a parte mais política do currículo do Dr. Constâncio que aditei a vermelho):
António Augusto Pereira de Miranda
- Governador (1887-1891) - ... político, deputado, ..., Ministro da Fazenda.
- Governador (1891-94) - Político, Deputado (Ponta-Delgada), ...
- Governador (1895-1907) - Político (Partido Regenerador), ... Juiz do Supremo Tribunal Administrativo e Presidente da Liga Naval.
- Governador (1907-1910) - Comerciante e Financeiro, Presidente da Associação Comercial de Lisboa, Deputado por Arganil, .... Pertencia ao Partido Regenerador Liberal.
- Governador (1911-36) - Político, ... Ministro das Finanças, Deputado. Colaborador de "A Luta" e "A Pátria".
- Governador (1957-63) - Advogado, Político, Ministro da Agricultura, Ministro da Economia e Ministro do Comércio e Indústria (interino).
- Governador (1966-74) - Economista, Professor Universitário, Ministro das Finanças (1955-65), ...
- Vice-Governador (1960-1974), Governador interino (1963-66) e Governador (1974-1975, 1980-85) - ... Ministro das Finanças e do Plano. ...
- Governador (1975-80) - Economista, Ministro das Finanças e do Plano (1978), ...
- Governador durante o período de 1985-86 e de fevereiro de 2000 a maio de 2010. Foi Vice-Presidente do Banco Central Europeu durante o período de 2010-2018. ... Antes da sua nomeação era Administrador do Banco Português de Investimento (1995-2000) e Administrador não executivo da Electricidade de Portugal (1998-2000). ... Secretário de Estado do Orçamento e do Plano no VI Governo Provisório em 1976. Eleito deputado à Assembleia da República em 1976, voltou a ser membro do Parlamento nos períodos 1980-81 e 1987-88. ... Foi Ministro das Finanças e do Plano do II Governo Constitucional em 1978. [Secretário-geral do Partido Socialista, de 1986 a 1989, e candidato derrotado a primeiro-ministro, em 1987].
- Governador (1986-1992) - Economista, Diretor e Vogal do Conselho de Gestão do BPSM (1973-1976), Administrador da Caixa Geral de Depósitos (1979-1981), Secretário de Estado do Tesouro (1980-1981), Secretário de Estado do Ministro das Finanças e do Tesouro (1985-1986).
- Técnico Assessor e Técnico Consultor (1979-87), Administrador (1987-90) e Governador (1992-94) - ... , Ministro das Finanças (1990-91), Economista do FMI (1984-87), ...
- Foi Governador de junho de 1994 a fevereiro de 2000. ... Antes da sua nomeação ocupava o cargo de Secretário de Estado-Adjunto e das Finanças (1993-94), tendo sido Secretário de Estado-Adjunto e do Comércio Externo (1991-93), Administrador do Banco Totta & Açores (1989-91), Secretário de Estado da Indústria (1987-89) e Administrador do IPE (1986-87). ...
Moral
Conflito de interesses? Qual conflito de interesses? No Portugal dos Pequeninos não há conflito de interesses. Só há interesses em conflito.
De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (22) - O que teria acontecido sem confinamento? (5)
Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é continuação de "O que teria acontecido sem confinamento?" (1), (2), (3) e (4) onde se concluiu que os idosos têm uma letalidade muito mais elevada, os acolhidos em lares de idosos representam uma percentagem muito significativa do total de vítimas e os países que não adoptaram o confinamento generalizado e compulsivo tiveram mais óbitos (mas muitos menos do que vários dos países mais confinados) em contrapartida de mais imunidade que limitará os óbitos futuros. Por tudo isto, a única justificação aceitável para o confinamento seria evitar o colapso dos sistemas de saúde.
E, no post anterior desta série também se concluiu que o sistema português de saúde nunca esteve perto da rotura e que existiu, mesmo durante o pico, um excesso de confinamento de que resultou um impacto desnecessariamente elevado na economia, sem que daí tivesse resultado uma diminuição dos óbitos.
E, no post anterior desta série também se concluiu que o sistema português de saúde nunca esteve perto da rotura e que existiu, mesmo durante o pico, um excesso de confinamento de que resultou um impacto desnecessariamente elevado na economia, sem que daí tivesse resultado uma diminuição dos óbitos.
Em revisão
28/05/2020
De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (21) - E se o confinamento não servir para nada?
Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.
«A Noruega está a reconstituir o que aconteceu antes do lockdown usando dados observados - estatísticas dos hospitais, números de infecções e assim por diante - para avaliar a situação no país em Março. Na época, ninguém realmente sabia. Temia-se que Covid fosse galopante com cada pessoa infectando duas ou três outras - e apenas o bloqueio poderia parar esse crescimento exponencial reduzindo o número R para 1 ou menos. Mas a autoridade de saúde pública do país publicou um relatório com uma conclusão impressionante: o vírus nunca se espalhou tão rápido quanto se temia e já estava a desaparecer quando se iniciou o lockdown. "Parece que a taxa de reprodução efectiva já havia caído para cerca de 1,1 quando as medidas mais abrangentes foram implementadas em 12 de Março, e não seria preciso muito para empurrá-la para menos de 1 ... Vimos em retrospectiva que a infecção estava a desaparecer".
Isso levanta uma questão embaraçosa: o lockdown foi necessário? Só o distanciamento social voluntário poderia ter alcançado o mesmo resultado? Camilla Stoltenberg, directora da agência de saúde pública da Noruega, deu uma entrevista em que é sincera sobre as implicações dessa descoberta. "A nossa avaliação agora, e eu acho que existe um amplo consenso em relação à reabertura, foi que provavelmente seria possível obter o mesmo efeito - e evitar parte das repercussões infelizes - sem o lockdown. Mas, em vez disso, continuarmos abertos com precauções para impedir a disseminação." É importante admitir isso, diz ela, porque se os níveis de infecção subirem novamente - ou uma segunda onda ocorrer no inverno - precisaremos de ser brutalmente honesto sobre se o lockdown foi eficaz.
A agência estatística norueguesa também foi a primeira no mundo a calcular os danos permanentes infligidos pelo fecho das escolas: cada semana de educação em sala de aula negada aos alunos, concluiu-se, prejudica as oportunidades de vida e reduz permanentemente o potencial de rendimentos. Portanto, um país só deveria aplicar esta medida draconiana se tivesse certeza de que a base académica para o lockdown era sólida. E na opinião de Stoltenberg, desta vez "a base académica não foi suficientemente boa" para o lockdown.»
(De uma newsletter da revista The Spectator)
Tomemos nota que estas conclusões não provêm de Trumps ou Bolsonaros mas de uma agência governamental de um país com elevados padrões científicos e de serviço público. É claro que não é matéria de fé, fé que não é para aqui chamada, mas food for the brain.
(Continua)
«A Noruega está a reconstituir o que aconteceu antes do lockdown usando dados observados - estatísticas dos hospitais, números de infecções e assim por diante - para avaliar a situação no país em Março. Na época, ninguém realmente sabia. Temia-se que Covid fosse galopante com cada pessoa infectando duas ou três outras - e apenas o bloqueio poderia parar esse crescimento exponencial reduzindo o número R para 1 ou menos. Mas a autoridade de saúde pública do país publicou um relatório com uma conclusão impressionante: o vírus nunca se espalhou tão rápido quanto se temia e já estava a desaparecer quando se iniciou o lockdown. "Parece que a taxa de reprodução efectiva já havia caído para cerca de 1,1 quando as medidas mais abrangentes foram implementadas em 12 de Março, e não seria preciso muito para empurrá-la para menos de 1 ... Vimos em retrospectiva que a infecção estava a desaparecer".
Isso levanta uma questão embaraçosa: o lockdown foi necessário? Só o distanciamento social voluntário poderia ter alcançado o mesmo resultado? Camilla Stoltenberg, directora da agência de saúde pública da Noruega, deu uma entrevista em que é sincera sobre as implicações dessa descoberta. "A nossa avaliação agora, e eu acho que existe um amplo consenso em relação à reabertura, foi que provavelmente seria possível obter o mesmo efeito - e evitar parte das repercussões infelizes - sem o lockdown. Mas, em vez disso, continuarmos abertos com precauções para impedir a disseminação." É importante admitir isso, diz ela, porque se os níveis de infecção subirem novamente - ou uma segunda onda ocorrer no inverno - precisaremos de ser brutalmente honesto sobre se o lockdown foi eficaz.
A agência estatística norueguesa também foi a primeira no mundo a calcular os danos permanentes infligidos pelo fecho das escolas: cada semana de educação em sala de aula negada aos alunos, concluiu-se, prejudica as oportunidades de vida e reduz permanentemente o potencial de rendimentos. Portanto, um país só deveria aplicar esta medida draconiana se tivesse certeza de que a base académica para o lockdown era sólida. E na opinião de Stoltenberg, desta vez "a base académica não foi suficientemente boa" para o lockdown.»
(De uma newsletter da revista The Spectator)
Tomemos nota que estas conclusões não provêm de Trumps ou Bolsonaros mas de uma agência governamental de um país com elevados padrões científicos e de serviço público. É claro que não é matéria de fé, fé que não é para aqui chamada, mas food for the brain.
(Continua)
27/05/2020
BREIQUINGUE NIUZ: Com este governo foi alcançada a igualdade entre homens e mulheres
Para Françoise Giroud, jornalista, escritora, política francesa e feminista, a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres seria alcançada quando uma mulher incompetente fosse preferida a um homem competente.
Se ainda fosse viva, conhecesse o nosso Portugal dos Pequeninos e o desempenho d@s noss@s ministr@s, Mme Giroud não diria, apesar de ser verdade, les portugais sont toujours gais, porque isso já tinha sido dito por Charles Lecocq. Diria antes
Se ainda fosse viva, conhecesse o nosso Portugal dos Pequeninos e o desempenho d@s noss@s ministr@s, Mme Giroud não diria, apesar de ser verdade, les portugais sont toujours gais, porque isso já tinha sido dito por Charles Lecocq. Diria antes
«Mme Fonseca et Mme Temido sont la preuve vivante que les femmes portugaises ont déjà atteint l'égalité, dans ce gouvernement pour l'instant.»Ditosa Pátria que tais filh@s tem. Longa vida ao Dr. Costa.
Pro memoria (402) - Agora que o Dr. Costa mudou o hashtag de #EuFicoEmCasa para #EuVouParaARua vamos começar a esquecer a SARS-CoV-2 como esquecemos a gripe de Hong Kong
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| Visual Capitalist |
Seja como for, num ano em que tivemos o Maio de 68 e la plage sous les pavés!, e no ano seguinte Woodstock, sex and drugs and rock and roll, quem é que queria saber de pandemias? e, sobretudo, quem é queria saber de confinamento?
Agora andamos acagaçados (anda a maioria dos portugueses e S. Ex.ª, o PR), a toque de caixa com o batuque do jornalismo de causas, espevitado pela esquerdalhada outra vez a anunciar amanhãs que cantam e já a ver-se a ocupar o Leviatã pós-pandemia. Acagaçados por uma pandemia "boazinha" que poupa praticamente quase toda a gente e apenas antecipa a morte de velhotes adoentados que já estavam na fila de espera da Ceifeira. So much ado for nothing, diria o Bardo que viveu pelo menos três pestes bubónicas: 1563-4, 1592-3 e 1603.
26/05/2020
CASE STUDY: Trumpologia (64) - A freguesia eleitoral de Trump muda-se mais, compra mais e perde menos empregos
Mais trumpologia.
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| Fonte |
A ser assim, temos de concluir que Hilary Clinton estava completamente enganada quando designou a base eleitoral de Trump como "basket of deplorables". Pelos vistos, são mais uma box of honorables,
Etiquetas:
Desfazendo ideias feitas,
é muito para um homem só,
trumpologia
Jerónimo contra Jerónimo
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| Vladimir Ilitch de Sousa / Jerónimo Ulianov |
Das duas, uma. Ou o Senhor Jerónimo deputado não é o mesmo Senhor Jerónimo secretário-geral, ou temos um caso de esquizofrenia.
25/05/2020
Chávez & Chávez, Sucessores (75) - O socialismo torna escasso o que é abundante (2)
Outras obras do chávismo.
«A Venezuela recebeu, na noite de sábado, o primeiro carregamento de combustível do Irão, ao abrigo da cooperação bilateral entre ambos os países para atender à escassez local de combustível, anunciou o ministro do Petróleo venezuelano (...) "como símbolo de fraternidade e da fortaleza da nossa união", escreveu Tareck El Aissami, na sua conta do Twitter.» (DN)
Quase exactamente há um ano escrevi este post onde dava conta de que Caracas e pelo menos 11 dos 24 estados da Venezuela estão sem gasolina.
Lembretes:
Lembretes:
- A Venezuela dispõe das maiores reservas mundiais de petróleo e importa petróleo da «irmã República Islâmica do Irão»
- A Venezuela tem uma elevada precipitação e dispõe de muitos rios, incluindo o rio Orinoco, o quarto maior caudal do mundo, e, não obstante, raciona frequentemente a electricidade e a água e 5,3 milhões de caraquenhos não têm abastecimento regular de água. Depois de terem sido gastos nos últimos anos 10 mil milhões de dólares, Caracas tem menos água do que há 20 anos e a infraestrutura está em ruínas. Apenas funcionam 20 das 400 equipas de manutenção.
- O regime chávista é apoiado entre nós por comunistas e berloquistas e um antecessor do Dr. Costa, o Eng. Sócrates, foi um grande amigo do Coronel Chávez.
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Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (34) - Em tempo de vírus (XI)
Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias
Para os amigos tudo, para os inimigos nada, para os outros cumpra-se a lei
«Não adianta estar a promover a leitura de jornais se não fizermos simultaneamente a promoção da literacia mediática, isto é, da capacidade de qualquer cidadão, seja de que idade for, poder descodificar, compreender e ler de maneira clara os sinais do seu tempo».
O pensamento supra é do Dr. Nuno Artur Silva, secretário de Estado do Estado do Cinema, Audiovisual e Media - o equivalente ao Winston Smith do ministério da Verdade do Dr. Costa - e proprietário das Produções Fictícias, empresa que ficticiamente vendeu ao sobrinho (estória contada aqui, ali e acolá). Traduzindo em português corrente, a literacia mediática será atingida quando o discurso do Dr. Costa chegar aos eleitores pela sua palavra ou pela pena e boca de mediadores autorizados. E como se promove a literacia mediática? Vai-se promovendo, passo a passo. Por agora distribuindo dinheiro a quem está mais habilitado para essa promoção.
Para os amigos tudo, para os inimigos nada, para os outros cumpra-se a lei
«Não adianta estar a promover a leitura de jornais se não fizermos simultaneamente a promoção da literacia mediática, isto é, da capacidade de qualquer cidadão, seja de que idade for, poder descodificar, compreender e ler de maneira clara os sinais do seu tempo».
O pensamento supra é do Dr. Nuno Artur Silva, secretário de Estado do Estado do Cinema, Audiovisual e Media - o equivalente ao Winston Smith do ministério da Verdade do Dr. Costa - e proprietário das Produções Fictícias, empresa que ficticiamente vendeu ao sobrinho (estória contada aqui, ali e acolá). Traduzindo em português corrente, a literacia mediática será atingida quando o discurso do Dr. Costa chegar aos eleitores pela sua palavra ou pela pena e boca de mediadores autorizados. E como se promove a literacia mediática? Vai-se promovendo, passo a passo. Por agora distribuindo dinheiro a quem está mais habilitado para essa promoção.
Orchestral Manoeuvres in the Dark / Abriu a caça ao Centeno
Talvez haja um propósito nisto tudo. Ou não, escrevi a semana passada, Ou sim, escrevo hoje. Segundo a Dr.ª Ana Gomes, Pasionaria do PS e profissional da indignação, «esta crise indica que Centeno está a prazo e admito que boa parte deste esquema seja para inviabilizar a sua ida para o Banco de Portugal. Porquê? Eles quererão garantir aí alguém mais maleável». Quem sou eu para discordar, sobretudo no que respeita a procurar "maleabilidade", qualidade indispensável na governação socialista.
No Estado Sucial não há conflito de interesse. Há interesses em conflito. Centeno contra Centeno
Não foi preciso esperar que o Dr. Centeno tirasse o chapéu de ministro das Finanças e o substituísse pelo de governador do Banco de Portugal, por ele tutelado enquanto ministro, para se confirmar o conflito de interesses que num Estado não ocupado por uma nomenclatura seria motivo impeditivo para a "transferência". Para usar as palavras inusitadamente desassombradas do semanário de reverência, «o ministro não avançou com a lei que lhe retiraria poderes caso mudasse de cadeira».
No Estado Sucial não há conflito de interesse. Há interesses em conflito. Centeno contra Centeno
Não foi preciso esperar que o Dr. Centeno tirasse o chapéu de ministro das Finanças e o substituísse pelo de governador do Banco de Portugal, por ele tutelado enquanto ministro, para se confirmar o conflito de interesses que num Estado não ocupado por uma nomenclatura seria motivo impeditivo para a "transferência". Para usar as palavras inusitadamente desassombradas do semanário de reverência, «o ministro não avançou com a lei que lhe retiraria poderes caso mudasse de cadeira».
24/05/2020
Há quem lhe chame jornalismo de referência (3) - A arte de fazer títulos
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| Expresso |
Diferentemente da ideia que o título pretende injectar nas meninges dos leitores distraídos, na Parvalorem, nem em nenhuma outra empresa, o salário não depende do sexo (a que estes militantes chamam "género"), o que, de resto, seria ilegal. Por isso, o título mais adequado seria
«Dezoito das 83 pilas são pilas directores e entre as 68 vaginas só há duas vaginas directoras»
Não, isto não é apenas uma piada, como pode confirmar na série de posts Diferenças salariais entre homens e mulheres (1), (2), (3), (4), (5) e (6).
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semanário de reverência
CAMINHO PARA A SERVIDÃO: O Processo em Curso de Promoção da Literacia Mediática
«Em primeiro lugar, não vejo grande diferença na subtileza de ambos os caciques. Vejo diferença na eficácia. Falo por mim, e não, por exemplo, por Manuela Moura Guedes. Atravessei os anos “socráticos” a escrever num jornal e numa revista (de grupos distintos), disse o que me apeteceu acerca da miséria moral do “animal feroz” e nunca, nunca, nunca, sofri o mais leve reparo dos meus directores. Suspeito, e é apenas uma suspeita, de que os meus directores sofriam reparos de certas instâncias, a que não ligavam. Nesse período, eu até recebia convites ocasionais dos canais televisivos, que recusava porque raramente trabalho de borla. Certo é que 13 ou 14 meses após o dr. Costa tomar conta disto e iniciar o processo de venezuelização, em curso hoje acelerado, fui corrido de ambas as publicações, ignoro se por pressão externa, se por sabujice interna. Os directores em causa, bastante mais amestrados, não eram evidentemente os mesmos, e sim serviçais que não caíram do céu. O “eng.” Sócrates berrava às vezes em vão; o dr. Costa, espécime similar, berra e é escutado.
Em segundo lugar, os critérios de atribuição dos subsídios são claros. Há oito dias, o indivíduo que preenche a secretaria de Estado do “audiovisual” ou lá o que é, declarou: “Não adianta estar a promover a leitura de jornais se não fizermos simultaneamente a promoção da literacia mediática, isto é, da capacidade de qualquer cidadão, seja de que idade for, poder descodificar, compreender e ler de maneira clara os sinais do seu tempo”. Vinda de quem vem, a conversa fiada é inequívoca: o governo iria patrocinar as televisões, as rádios, os jornais e as revistas que transmitem diligentemente a propaganda oficial. Sempre que alguém se acha no direito de estabelecer o padrão ideal de os demais “descodificarem, compreenderem e lerem”, está a falar, de maneira escancarada, de fiscalização, manipulação e censura. Os “sinais do tempo” não enganam.»
Alberto Gonçalves no Observador
23/05/2020
Os mídia ao serviço do governo pela mão do Winston Smith do Dr. Costa
«Há dois meses, André Ventura disse que gostava de continuar a ser comentador de futebol na CMTV. A CMTV sempre o tratou com — digamos — generosa simpatia. Agora foi despedido. O que aconteceu?», pergunta-se o Público.
João Marcelino, que já foi director do Record e do Correio da Manhã, ambos da Cofina, e do DN, o que o qualifica para falar deste tema num artigo com o título Produção nada fictícia, uma piada ao nome da empresa de Nuno Artur Silva, actual secretário de Estado do Estado do Cinema, Audiovisual e Media que a vendeu ao sobrinho antes de tomar posse (estória contada aqui, ali e acolá), artigo onde escreve sobre os dinheiros atribuídos às empresas de comunicação social (ver este e aquele posts), dá a seguinte resposta:
«O terceiro caso de suspeita, por estes dias, surgiu com a dispensa de André Ventura da Cofina, grupo que irá receber 1,691 milhões de euros. A terceira contribuição mais importante. Uma empresa de comunicação tem todo o direito de contratar e dispensar colaboradores. É tão legítima uma ação como a outra. O problema está no timing, que na leitura mais benigna é muito pouco inteligente e se presta a estabelecer relações de causa e efeito com a circulação do dinheiro do Estado. Mais uma vez, e em época de um governo de ‘esquerda’, o problema passa-se ‘à direita’.»
João Marcelino, que já foi director do Record e do Correio da Manhã, ambos da Cofina, e do DN, o que o qualifica para falar deste tema num artigo com o título Produção nada fictícia, uma piada ao nome da empresa de Nuno Artur Silva, actual secretário de Estado do Estado do Cinema, Audiovisual e Media que a vendeu ao sobrinho antes de tomar posse (estória contada aqui, ali e acolá), artigo onde escreve sobre os dinheiros atribuídos às empresas de comunicação social (ver este e aquele posts), dá a seguinte resposta:
«O terceiro caso de suspeita, por estes dias, surgiu com a dispensa de André Ventura da Cofina, grupo que irá receber 1,691 milhões de euros. A terceira contribuição mais importante. Uma empresa de comunicação tem todo o direito de contratar e dispensar colaboradores. É tão legítima uma ação como a outra. O problema está no timing, que na leitura mais benigna é muito pouco inteligente e se presta a estabelecer relações de causa e efeito com a circulação do dinheiro do Estado. Mais uma vez, e em época de um governo de ‘esquerda’, o problema passa-se ‘à direita’.»
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