Avarias da geringonça e do país seguidas de
asfixias
Para os amigos tudo, para os inimigos nada, para os outros cumpra-se a lei
À primeira vista não há nada em comum entre uma cerimónia religiosa, como o 13 de Maio em Fátima, e uma cerimónia sindical, como a comemoração do 1.º de Maio na Alameda, ou um evento partidário, como a Festa do Avante no Seixal. Contudo, se considerarmos que o Partido Comunista é uma seita quase religiosa com hierarcas, sacerdotes e fiéis, rituais e escrituras, há bastante em comum.
Seja como for, a verdade é que do ponto de vista da prevenção da infecção por uma pandemia os diferentes eventos são rigorosamente equivalentes, com as diferenças inerentes aos privilégios de que desfrutam as entidades organizadoras. Por exemplo, muitos fiéis dirigem-se a Fátima percorrendo longos caminhos a pé, enquanto os fiéis que participam no Primeiro de Maio se deslocam nos autocarros das câmaras municipais.
É por isso difícil perceber que
um católico praticante facilite a realização da manif do 1.º de Maio e fique indiferente à celebração mais importante da sua igreja e assista sem um sobressalto de consciência à
GNR com 3.500 guardas a impedir o acesso ao santuário.
Mais fácil é perceber que um ateu socialista ajude à realização da manif ou da festa de comunistas introduzindo, como jurista não praticante, a subtileza só ao alcance dos destituídos de inteligência ou de vergonha de que não se trata de festivais mas de
actividades políticas, obviamente. Esta distinção do ponto de vista da saúde pública é relevantíssima, sobretudo se houver um preço a pagar à entidade organizadora, pelo que fez ou se espera virá a fazer.
E porque estamos no capítulo dos amigos, inimigos e os outros, registemos que, mais uma vez, o PS não abandona os seus amigos e colocou
118 deles nos 145 concursos da CReSAP para cargos públicos. A CReSAP, uma entidade criada pelo governo de Passos Coelho para avaliar os candidatos a nomeações para cargos públicos, que os cépticos anteciparam que iria desmantelada e não foi. Foi substituída a direcção por amigos, o que mostra, uma vez mais, a mestria com que os socialistas gerem a coisa pública.
A família socialista tem imenso jeito para o negócio
A urgência é sempre uma excelente ocasião para ajudar os amigos e foi o que fez o ministério da Saúde com as
compras de vários milhões por adjudicação directa. Comparada com estes milhões a indicação pelo SE do Desporto de uma empresa de um ex-sócio para testes à Covid-19 tem pouca importância porque, explicou ele, não adjudicou nada,
só sinalizou.
O Estado Sucial como máquina de extorsão
Fazendo talvez parte dos exercícios de aquecimento para o que aí está a chegar, «
fisco está a reter indevidamente reembolsos de IRS e há penhoras que não foram suspensas», segundo a Provedoria de Justiça.