Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
12/04/2020
Até parece um Estado Social
Como parte do pacote de estímulo de US$ 2 biliões, os contribuintes elegíveis que apresentaram declarações fiscais para 2019 ou 2018 receberão reembolsos de até US$ 1.200 para pessoas individuais ou US$ 2.400 para casais. Aqueles que se qualificarem para o reembolso recebem um extra de $500 para cada filho qualificado com menos de 17 anos. Os pagamentos serão feito por transferência bancária ou enviados pelo correio e terão lugar automaticamente para a maioria das pessoas a partir da próxima semana, informou a Receita Federal. (Washington Post)
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bons exemplos,
Desfazendo ideias feitas
11/04/2020
Não foi a banca que foi salva e não foi o Estado que salvou. A banca não vai salvar-nos e o plano Marshall é um delírio ou outro nome para os ricos que paguem a crise
Percebo que Dona Catarina Martins grite salvámos a banca, agora a banca tem de salvar-nos. Afinal ela é uma artista do teatro independente, o teatro a quem o estado diz «toma lá dinheiro e faz qualquer coisa», como em tempos o caracterizou António Feio, um artista do teatro dependente do público.
Percebo que o Dr. Louçã mande o pelotão berloquista gritar que devemos evitar que a banca tenha lucros. Ele sabe perfeitamente que uma banca sem lucros, como qualquer empresa sem lucros, está destinada a falir... ou a ser nacionalizada. Percebo perfeitamente que o Sr. Jerónimo diga coisas parecidas porque ele também sabe do mesmo.
Percebo perfeitamente que o Dr. Costa diga coisas parecidas em modo "solidário", como os bancos «já contaram com a comunidade nacional no suporte à sua actividade. Agora é a fase de os bancos ajudarem». Para o caso é indiferente se ele acredita ou não, porque o Dr. Costa não tem convicções, só tem conveniências.
Já tenho mais dificuldade em perceber que o Dr. Rio diga também o mesmo, porque ele tem obrigação de saber que as parcelas mais significativas do activo e do passivo dos bancos são os créditos a clientes e os depósitos de clientes, respectivamente. De onde, numa crise, como aquela em que acabámos de entrar, o crédito malparado só pode aumentar e os depósitos de clientes só podem diminuir, por isso ele poderia ter ficado calado porque só por milagre a banca aumentaria os lucros. Como deveria saber que a banca portuguesa não está adequadamente capitalizada.
E todos deveriam ter percebido que o dinheiro dos contribuintes para salvar a banca na crise de 2011 não foi bem para salvar a banca. Foi para salvar os credores da banca que entraram em incumprimento e para salvar os accionistas, como os Espírito Santo que usaram o dinheiro do banco em proveito próprio e em proveito da tentativa de domínio da banca pela clique socialista liderada pelo Sr. Eng. José Sócrates. E também deveriam percebido que a maioria desses credores inadimplentes eram empresas do complexo político-empresarial socialista que na sua maioria parasitavam o Estado Sucial.
E o Estado não salvou essa gente, o Estado usou o dinheiro dos contribuintes e mais dívida, ou seja o dinheiro futuro dos contribuintes, pelo que, segundo a lógica das supracitadas luminárias, seria essa gente quem teria o dever de salvar os contribuintes. Por isso, é melhor os contribuintes darem corda aos sapatos porque terão de ser eles próprios a salvar-se, como habitualmente..
E quanto ao plano Marshall proposto pelo Dr. Poiares Maduro - uma proposta surpreendente para uma criatura que até aqui não parecia desprovida de senso, proposta que no mínimo é um outro nome para os Corona bonds e no máximo um perfeito disparate - devemos começar por recordar algumas coisas: (1) os beneficiários do Plano Marshall foram países europeus destruídos por uma guerra que arrasou as suas indústrias e as infraestruturas em geral; (2) por muito que o Dr. Costa e outros políticos chamem guerra às medidas para debelar a pandemia, a única coisa que esta destruiu foram as fantasias; (3) o doador de então foi um Estado que ele próprio precisa agora de se ajudar nesta crise e para tal já mobilizou 1.800 mil milhões de euros, isto é, 3,6 vezes os 500 mil milhões de euros de uma União Europeia ou mais de 5 vezes considerando as respectivas populações; (4) o presidente em exercício do dador não é um Harry Truman, mas um Donald Trump que foi eleito a prometer Make America Great Again e não Make Europe Great Again.
Percebo que o Dr. Louçã mande o pelotão berloquista gritar que devemos evitar que a banca tenha lucros. Ele sabe perfeitamente que uma banca sem lucros, como qualquer empresa sem lucros, está destinada a falir... ou a ser nacionalizada. Percebo perfeitamente que o Sr. Jerónimo diga coisas parecidas porque ele também sabe do mesmo.
Percebo perfeitamente que o Dr. Costa diga coisas parecidas em modo "solidário", como os bancos «já contaram com a comunidade nacional no suporte à sua actividade. Agora é a fase de os bancos ajudarem». Para o caso é indiferente se ele acredita ou não, porque o Dr. Costa não tem convicções, só tem conveniências.
Já tenho mais dificuldade em perceber que o Dr. Rio diga também o mesmo, porque ele tem obrigação de saber que as parcelas mais significativas do activo e do passivo dos bancos são os créditos a clientes e os depósitos de clientes, respectivamente. De onde, numa crise, como aquela em que acabámos de entrar, o crédito malparado só pode aumentar e os depósitos de clientes só podem diminuir, por isso ele poderia ter ficado calado porque só por milagre a banca aumentaria os lucros. Como deveria saber que a banca portuguesa não está adequadamente capitalizada.
E todos deveriam ter percebido que o dinheiro dos contribuintes para salvar a banca na crise de 2011 não foi bem para salvar a banca. Foi para salvar os credores da banca que entraram em incumprimento e para salvar os accionistas, como os Espírito Santo que usaram o dinheiro do banco em proveito próprio e em proveito da tentativa de domínio da banca pela clique socialista liderada pelo Sr. Eng. José Sócrates. E também deveriam percebido que a maioria desses credores inadimplentes eram empresas do complexo político-empresarial socialista que na sua maioria parasitavam o Estado Sucial.
E o Estado não salvou essa gente, o Estado usou o dinheiro dos contribuintes e mais dívida, ou seja o dinheiro futuro dos contribuintes, pelo que, segundo a lógica das supracitadas luminárias, seria essa gente quem teria o dever de salvar os contribuintes. Por isso, é melhor os contribuintes darem corda aos sapatos porque terão de ser eles próprios a salvar-se, como habitualmente..
E quanto ao plano Marshall proposto pelo Dr. Poiares Maduro - uma proposta surpreendente para uma criatura que até aqui não parecia desprovida de senso, proposta que no mínimo é um outro nome para os Corona bonds e no máximo um perfeito disparate - devemos começar por recordar algumas coisas: (1) os beneficiários do Plano Marshall foram países europeus destruídos por uma guerra que arrasou as suas indústrias e as infraestruturas em geral; (2) por muito que o Dr. Costa e outros políticos chamem guerra às medidas para debelar a pandemia, a única coisa que esta destruiu foram as fantasias; (3) o doador de então foi um Estado que ele próprio precisa agora de se ajudar nesta crise e para tal já mobilizou 1.800 mil milhões de euros, isto é, 3,6 vezes os 500 mil milhões de euros de uma União Europeia ou mais de 5 vezes considerando as respectivas populações; (4) o presidente em exercício do dador não é um Harry Truman, mas um Donald Trump que foi eleito a prometer Make America Great Again e não Make Europe Great Again.
10/04/2020
Será o Dr. Costa uma espécie de Churchill? Sim, se trocarmos as convicções pelas conveniências
«É óbvio que os políticos têm direito a mudar de opinião – Churchill mudou de partido duas vezes –, mas a história dos estadistas mostra-nos que estes mudavam de lado para melhor protegerem as suas convicções. Costa, por seu turno, muda de convicções para melhor proteger o seu lado.».
"Mr Winston Spencer Costa", Sebastião Bugalho no Observador
Não me tinha apercebido que na imprensa amiga havia jornalistas de causas a insinuarem que o Dr. Costa seria uma espécie de Churchill. É uma maneira de ver coisas, mas requer algumas trocas: o combate na frente francesa durante a 1.ª Guerra Mundial depois do desastre de Dardanelos pela recruta em Tavira, Downing Street por S. Bento, os nazis pelo Covid-19 e, sobretudo, as convicções pelas conveniências.
"Mr Winston Spencer Costa", Sebastião Bugalho no Observador
Não me tinha apercebido que na imprensa amiga havia jornalistas de causas a insinuarem que o Dr. Costa seria uma espécie de Churchill. É uma maneira de ver coisas, mas requer algumas trocas: o combate na frente francesa durante a 1.ª Guerra Mundial depois do desastre de Dardanelos pela recruta em Tavira, Downing Street por S. Bento, os nazis pelo Covid-19 e, sobretudo, as convicções pelas conveniências.
DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (27) - O "sucesso" na guerra contra a pandemia
Outros portugueses no topo do mundo.
Fazendo o costume, a imprensa do costume celebra as referências elogiosas de vários jornais estrangeiros o modo como os portugueses estão a combater na guerra contra o Covid-19, para usar a linguagem bélica do Dr. Costa e dos seus ministros que a imprensa adoptou com entusiasmo.
«Le mystère portugais face au covid-19», «Le Portugal, exception latine face au coronavirus», «Das portugiesische Wunder», «Pourquoi le Portugal semble épargné ?» são alguns dos títulos que celebram o sucesso dos portugueses na guerra contra o Covid-19, para citar outra vez o Dr. Costa e sua referência elogiosa à sua suposta disciplina («Os portugueses são tão disciplinados que a repressão é inútil»).
Peço desculpa por discordar e pelo aparente anti-patriotismo que, em rigor, é mais um patriotismo desalinhado que entende ser um insulto à inteligência dos portugueses que têm alguma as patetices como o «somos muito bons, somos dos melhores dos melhores» de S. Ex.ª. E entende que, em vez disso, as elites deveriam exortar os portugueses a aproveitar as oportunidades para fazer o melhor que podem, um melhor que muitas vezes não é suficientemente bom. E é aqui, nas elites, que está o maior problema, porque essas elites são predominantemente medíocres e engraxam o povo como forma de se enaltecerem a si próprias.
E discordo porque, em minha opinião, neste caso, o aparente sucesso resulta de várias causas, umas que não dominamos, e por isso não temos que celebrar, e uma, provavelmente a causa determinante, que resulta da nossa atitude medrosa que levou muitos de nós ao confinamento, ainda antes do estado de emergência, e no confinamento continuar com uma aparente disciplina que na verdade resulta do medo. Sim, porque os portugueses não são nem nunca foram disciplinados. E também não são nem nunca foram prudentes porque a prudência resulta de uma ponderação racional dos riscos e uma antecipação das suas indesejáveis consequências. Se fossemos disciplinados e prudentes seriam uma espécie de alemães desenrascados do sul, coisa que estamos longe de ser e não estaríamos onde estamos.
Em conclusão, o "sucesso" resulta do medo irracional instrumentalizado pelos mídia infectados de esquerdalhada com sonhos húmidos com pandemias e catástrofes em geral. Não apenas do medo inscrito no ADN humano por centenas de milhares de anos de selecção natural (os psicólogos evolucionistas explicam que os medrosos sobrevivem mais do que os corajosos), mas do processo de selecção social dos últimos cinco séculos que fez sair os inconformados de Portugal nos Descobrimentos e os fez e faz sair pela emigração.
Fazendo o costume, a imprensa do costume celebra as referências elogiosas de vários jornais estrangeiros o modo como os portugueses estão a combater na guerra contra o Covid-19, para usar a linguagem bélica do Dr. Costa e dos seus ministros que a imprensa adoptou com entusiasmo.
«Le mystère portugais face au covid-19», «Le Portugal, exception latine face au coronavirus», «Das portugiesische Wunder», «Pourquoi le Portugal semble épargné ?» são alguns dos títulos que celebram o sucesso dos portugueses na guerra contra o Covid-19, para citar outra vez o Dr. Costa e sua referência elogiosa à sua suposta disciplina («Os portugueses são tão disciplinados que a repressão é inútil»).
Peço desculpa por discordar e pelo aparente anti-patriotismo que, em rigor, é mais um patriotismo desalinhado que entende ser um insulto à inteligência dos portugueses que têm alguma as patetices como o «somos muito bons, somos dos melhores dos melhores» de S. Ex.ª. E entende que, em vez disso, as elites deveriam exortar os portugueses a aproveitar as oportunidades para fazer o melhor que podem, um melhor que muitas vezes não é suficientemente bom. E é aqui, nas elites, que está o maior problema, porque essas elites são predominantemente medíocres e engraxam o povo como forma de se enaltecerem a si próprias.
E discordo porque, em minha opinião, neste caso, o aparente sucesso resulta de várias causas, umas que não dominamos, e por isso não temos que celebrar, e uma, provavelmente a causa determinante, que resulta da nossa atitude medrosa que levou muitos de nós ao confinamento, ainda antes do estado de emergência, e no confinamento continuar com uma aparente disciplina que na verdade resulta do medo. Sim, porque os portugueses não são nem nunca foram disciplinados. E também não são nem nunca foram prudentes porque a prudência resulta de uma ponderação racional dos riscos e uma antecipação das suas indesejáveis consequências. Se fossemos disciplinados e prudentes seriam uma espécie de alemães desenrascados do sul, coisa que estamos longe de ser e não estaríamos onde estamos.
Em conclusão, o "sucesso" resulta do medo irracional instrumentalizado pelos mídia infectados de esquerdalhada com sonhos húmidos com pandemias e catástrofes em geral. Não apenas do medo inscrito no ADN humano por centenas de milhares de anos de selecção natural (os psicólogos evolucionistas explicam que os medrosos sobrevivem mais do que os corajosos), mas do processo de selecção social dos últimos cinco séculos que fez sair os inconformados de Portugal nos Descobrimentos e os fez e faz sair pela emigração.
09/04/2020
ACREDITE SE QUISER: “Human kind cannot bear very much reality.”
A "oposição" de Rui Rio ao governo foi elogiada pelo Podemos, um dos partidos da coligação que governa Espanha, originário de um movimento radical esquerdista que nasceu do Centro de Estudos Políticos e Sociais, uma organização financiada pela clique chávista em mais de 7 milhões de euros entre 2003 e 2011 «para criar forças políticas bolivarianas em Espanha».
Uma das poucas afirmações de Donald Trump sobre a pandemia que até agora pareciam estar sustentadas pelo factos era que o coronavirus «it came from China». No more. Estudos por duas equipas independentes de investigadores concluíram que as "assinaturas" genéticas dos vírus que estão a infectar os americanos mostram que «the majority is clearly European».
Uma das poucas afirmações de Donald Trump sobre a pandemia que até agora pareciam estar sustentadas pelo factos era que o coronavirus «it came from China». No more. Estudos por duas equipas independentes de investigadores concluíram que as "assinaturas" genéticas dos vírus que estão a infectar os americanos mostram que «the majority is clearly European».
As luminárias das esquerdas têm sonhos húmidos com pandemias e catástrofes em geral
Entre as esquerdas, mais numas do que noutras, vive-se um momento de excitação com a pandemia. Como paradigma, cito o jornalista de causas / militante / comentador / analista, ex-comunista, ex-Plataforma de Esquerda, ex-Política XXI, ex-bloquista, ex-Livre, ex-Tempo de Avançar, ufa!, Daniel Oliveira, que até recentemente desempenhou o papel de bactéria diligente-mor da fossa séptica socialista, papel que abandonou desgostoso com o fim da geringonça.
E porque aplaudem em geral as esquerdas uma maior intervenção do Estado procurando ocupar o Estado proporcionalmente ao seu grau de radicalismo? A explicação geral é porque a esquerda é um credo que sacrifica a liberdade em nome da igualdade, na dúvida (esquerda «democrática») ou sempre (a «outra» esquerda) e a igualdade só pode ser conseguida coercivamente, o que requer a ferramenta adequada - o Estado controlado pela esquerda evidentemente. Por isso, sonha Daniel de Oliveira com os amanhãs que cantarão.
E será que os amanhãs vão mesmo cantar? Talvez não, lamenta Ricardo Paes Mamede, um economista académico e mediático da Mouse School of Economics, com um poucochinho mais de sofisticação do que o padrão dessa escola, num artigo cujo título é, só por si, uma lamentação: «Não, o vírus (ainda) não trouxe o socialismo de volta».
Comparando a actual crise da pandemia com a crise financeira de 2008, Paes Mamede lembra que «os Estados foram chamados a intervir em força, é certo», mas nem por isso o socialismo chegou. «Também agora a crise do covid-19 põe muitas pessoas a defender coisas inesperadas. Mas apesar do volume inaudito de socialização dos riscos e do papel activo dos Estados no combate ao vírus, há pouco de socialismo na situação actual». Porque, explica «não há socialismo numa sociedade onde a participação democrática e a representação dos trabalhadores estão suspensas.»
Temo, como agora se diz a propósito de tudo, que Paes Mamede esteja equivocado. Dependendo da modalidade de socialismo, onde há socialismo costuma haver pouca ou nenhuma participação democrática e costumam estar ausentes ou serem meramente formais os mecanismos e as instituições próprias de uma democracia liberal.
«Pressinto, pressentimos quase todos, a grandeza fundadora deste momento. Ele será recordado como o momento em que muitas coisas mudaram. (...) marca mesmo a História. Provoca ruturas.»Assim escreveu a criatura em tom apologético, falando, imagina ele, em nome de quase todos. Repare-se grandeza fundadora, marca a História, provoca rupturas. E porquê essa excitação? Simplesmente porque todos os cataclismos, ou eventos que as esquerdas considerem como tais, como é o caso desta pandemia, obrigam geralmente, ou acham as esquerdas que obrigam, a uma maior intervenção do Estado, intervenção que as esquerdas sempre aplaudem. Evidentemente que o cataclismo que mais excita a esquerda das esquerdas é a revolução social, culminando com a tomada de um palácio de Inverno. Nesse sentido, esta pandemia é apenas um pálido ersatz, mas quem não tem cão caça com gato.
E porque aplaudem em geral as esquerdas uma maior intervenção do Estado procurando ocupar o Estado proporcionalmente ao seu grau de radicalismo? A explicação geral é porque a esquerda é um credo que sacrifica a liberdade em nome da igualdade, na dúvida (esquerda «democrática») ou sempre (a «outra» esquerda) e a igualdade só pode ser conseguida coercivamente, o que requer a ferramenta adequada - o Estado controlado pela esquerda evidentemente. Por isso, sonha Daniel de Oliveira com os amanhãs que cantarão.
E será que os amanhãs vão mesmo cantar? Talvez não, lamenta Ricardo Paes Mamede, um economista académico e mediático da Mouse School of Economics, com um poucochinho mais de sofisticação do que o padrão dessa escola, num artigo cujo título é, só por si, uma lamentação: «Não, o vírus (ainda) não trouxe o socialismo de volta».
Comparando a actual crise da pandemia com a crise financeira de 2008, Paes Mamede lembra que «os Estados foram chamados a intervir em força, é certo», mas nem por isso o socialismo chegou. «Também agora a crise do covid-19 põe muitas pessoas a defender coisas inesperadas. Mas apesar do volume inaudito de socialização dos riscos e do papel activo dos Estados no combate ao vírus, há pouco de socialismo na situação actual». Porque, explica «não há socialismo numa sociedade onde a participação democrática e a representação dos trabalhadores estão suspensas.»
Temo, como agora se diz a propósito de tudo, que Paes Mamede esteja equivocado. Dependendo da modalidade de socialismo, onde há socialismo costuma haver pouca ou nenhuma participação democrática e costumam estar ausentes ou serem meramente formais os mecanismos e as instituições próprias de uma democracia liberal.
08/04/2020
O coronavírus no agitprop do Novo Império do Meio (4) - Estatísticas de causas, a tradição ainda é a mesma coisa
Continuação de outros posts.
Não há nada de novo sobre a terra. Haver há, mas não em matéria de dados estatísticos produzidos por regimes autocráticos. O que se passa na China a este respeito é apenas uma reedição com sabor local do comportamento das autoridades dos Estados que fizeram parte do Império Soviético. A China, apesar de ter abandonado o comunismo, substituindo por um capitalismo do Partido Comunista, manteve e refinou a tradição de tratar a estatística como a arte de torturar os números até que eles confessem. E eles, os dados e os traidores ao Partido, acabam sempre por confessar.
É claro que os admiradores do sistema chinês sempre poderão concluir que a coincidência dos "saltos" que os gráficos mostram com eventos políticos é apenas aleatória e que a correlação não é causalidade. Não adiantará tentar mostra-lhes que a probabilidade de isso ser puramente aleatório cai no domínio da impossibilidade prática. Não há nada a fazer a esse respeito, é uma profissão de fé, credo quia absurdum
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| China’s data reveal a puzzling link between covid-19 cases and political events |
«Há uma suspeita crescente de que não se pode confiar nas estatísticas oficiais da China sobre a pandemia do Covid-19. Em 24 de Março, o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, chegou perto de admitir que os números haviam sido incorrectos quando alertou as autoridades de que "não deve haver ocultação ou comunicação incompleta". Relatórios classificados ao Congresso das agências de inteligência americanas concluíram que o número de casos e mortes por doenças na China é muito maior do que os números oficiais do governo sugerem.
Tal cepticismo pode ser merecido. Uma análise do The Economist dos dados relatados pela Comissão Nacional de Saúde da China revela duas características peculiares. Primeiro, os dados são voláteis. Nas nove províncias chinesas com surtos graves, identificamos 15 episódios nos quais os novos casos de Covid-19 aumentaram mais de 20% em um único dia, antes de retornar rapidamente aos níveis anteriores. Embora esses picos possam ocorrer em qualquer conjunto de dados - por causa da manutenção errática de registos, por exemplo -, descobrimos que outros países e regiões com surtos de Covid-19, de dimensão semelhante a essas províncias, tiveram menos. Segundo, quando ocorrem picos, eles geralmente são acompanhados por decisões importantes de entidades do governo. Dos 15 episódios observados nos dados, dois terços ocorrem no dia seguinte a ter sido demitido um funcionário da província ou outro evento político significativo.»
DIÁRIO DE BORDO: Clowning for a cause (2) - Isto é gozar com quem vê o programa
Depois de ver a entrevista de Ricardo Araujo Pereira no «Isto é gozar com quem trabalha» a Cotrim de Figueiredo, pensei escrever sobre o exercício de irremediável imbecilidade de um comediante que, sendo inteligente, na circunstância pareceu um apparatchik obediente a fazer perguntas extraídas da cassete do PCP. A intenção ficou esquecida até ler este post de Helena Matos e recordar o que escrevi há quase cinco anos totalmente aplicável a esta entrevista.
Concluí então, e confirmo agora, que deveríamos acrescentar mais uma área de causas na actividade humana: o humor de causas, em que o humor não tem graça e está ao serviço de uma agenda mal disfarçada. Se o jornalismo praticado por muitos jornalistas é jornalismo de causas, o humor de RAP no seu pior, como agora, é um paradigma do humor de causas.
Ao longo dos tempos, inventariámos no (Im)pertinências várias áreas de causas: o jornalismo de causas, as estatísticas de causas, a ciência de causas, a justiça de causas e a tradução de causas. Todas estas áreas partilhando das características identificadas pelo falecido Armando Baptista-Bastos a respeito do «jornalismo de indignação» que ele praticava e exaltava, jornalismo em que «não há factos. Os factos correspondem à visão do mediador, do repórter». Num certo sentido B-B foi um percursor de Kellyanne Conway, consultora de Trump, e dos seus «alternative facts» - les bons esprits se rencontrent.
Concluí então, e confirmo agora, que deveríamos acrescentar mais uma área de causas na actividade humana: o humor de causas, em que o humor não tem graça e está ao serviço de uma agenda mal disfarçada. Se o jornalismo praticado por muitos jornalistas é jornalismo de causas, o humor de RAP no seu pior, como agora, é um paradigma do humor de causas.
E que causas? Certamente não por coincidência, há algumas semanas no seu actual programa, RAP acolheu numa entrevista Jerónimo de Sousa, como então há cinco anos tinha acolhido, outra vez com visível ternura e respeitinho, tentando disfarçar sem sucesso a falta de independência em relação aos temas e a atitude servil face ao entrevistado. Isto é gozar com quem vê o programa.
07/04/2020
ACREDITE SE QUISER: Fazer a festa, apanhar os foguetes e ir a correr atrás das canas
«André Ventura apresenta demissão da liderança do partido Chega
Atual presidente do partido convocou uma convenção nacional para setembro.» (CM)
Sem a esquerdalhada, ocupada a coçar-se com o Covid-19, a apontar-lhe o foco e dar-lhe palco, o Dr. Ventura sonha uma conspiração ameaçando a sua liderança e toma uma medida urgentíssima: convocando para Setembro (sim, leu bem, Setembro) uma convenção para o reeleger por unanimidade e aclamação.
Uma oposição como esta de que faz parte o Dr. Ventura poderia oferecer ao Dr. Costa um cágado para criar em S. Bento e levá-lo depois para Belém.
Contava-se que teriam oferecido um cágado ao Dr. Salazar e ele teria prometido cuidar dele em S. Bento até que o cágado morresse (um cágado-de-carapaça-estriada pode viver em cativeiro até aos 100 anos).
Atual presidente do partido convocou uma convenção nacional para setembro.» (CM)
Sem a esquerdalhada, ocupada a coçar-se com o Covid-19, a apontar-lhe o foco e dar-lhe palco, o Dr. Ventura sonha uma conspiração ameaçando a sua liderança e toma uma medida urgentíssima: convocando para Setembro (sim, leu bem, Setembro) uma convenção para o reeleger por unanimidade e aclamação.
Uma oposição como esta de que faz parte o Dr. Ventura poderia oferecer ao Dr. Costa um cágado para criar em S. Bento e levá-lo depois para Belém.
Contava-se que teriam oferecido um cágado ao Dr. Salazar e ele teria prometido cuidar dele em S. Bento até que o cágado morresse (um cágado-de-carapaça-estriada pode viver em cativeiro até aos 100 anos).
06/04/2020
ARTIGO DEFUNTO: O patriotismo tudológico a cavalo da ignorância pesporrente (ADITAMENTO)
Quanto ontem preparei apressadamente o post sobre as tolices tudológicas de MST, esqueci alguns factos relacionados com os Países Baixos (sim, é este actualmente o seu nome oficial) que tornam ainda mais ridícula a ignorância da criatura.
Esqueci por exemplo que quase todos os dias uso uma Philishave, uma máquina de barbear produzida pela Philips NV, uma multinacional holandesa de electrónica, com mais de um século, 80 mil empregados e vendas de 20 mil milhões de euros, com uma presença muito forte em Portugal, que não apenas criou a primeira máquina de barbear, como introduziu inúmeras inovações no Raio-X, rádio, iluminação, televisão, gravação de som e imagem, iluminação e inventou o disco óptico, o CD (com a Sony) e o DVD (com a Sony e a Toshiba).
E tive de ser lembrado da DAF Trucks NV por um leitor. A DAF é desde os anos 20 fabricante de camiões, veículos militares e, até ao princípio dos anos noventa, veículos ligeiros, dos quais vários modelos circularam em Portugal no final dos anos 50 e princípios de 60. O mais popular foi o DAF 600 com uma transmissão inovadora (e também problemática).
Em 1996 a DAF foi comprada pela americana Paccar Inc.
Se no Portugal dos Pequeninos existisse uma Philips ou uma DAF, provavelmente Portugal não seria dos Pequeninos e dificilmente MST teria criado uma reputação na área da comentadoria tudológica.
Esqueci por exemplo que quase todos os dias uso uma Philishave, uma máquina de barbear produzida pela Philips NV, uma multinacional holandesa de electrónica, com mais de um século, 80 mil empregados e vendas de 20 mil milhões de euros, com uma presença muito forte em Portugal, que não apenas criou a primeira máquina de barbear, como introduziu inúmeras inovações no Raio-X, rádio, iluminação, televisão, gravação de som e imagem, iluminação e inventou o disco óptico, o CD (com a Sony) e o DVD (com a Sony e a Toshiba).
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| Dedicado a MST que ainda o deve ter visto quando andava na primária |
Em 1996 a DAF foi comprada pela americana Paccar Inc.
Se no Portugal dos Pequeninos existisse uma Philips ou uma DAF, provavelmente Portugal não seria dos Pequeninos e dificilmente MST teria criado uma reputação na área da comentadoria tudológica.
Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (26) - Em tempo de vírus (IV)
Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias
Mestres do ilusionismo
É preciso reconhecer que há coisas que o Dr. Costa e a sua equipa fazem muito bem. A prestidigitação, nomeadamente.
Veja-se o à-vontade com que ele actua em qualquer palco - por exemplo no palco de uma Cristina aos gritinhos. Palco que os invejosos dirão ser uma anfitriã pouco respeitável para falar de coisas sérias como a pandemia. Veja-se como a criatura consegue fazer passar a ideia de que tem liderado o grupo dos pedintes contra os ricos e confira-se o relato do El País das horas de reunião à volta do tema coronavírus e onde não se menciona uma única vez o grande estradista Costa.
Ou leia-se como o semanário de reverência garante que «o governo quer responder à crise com investimento». O mesmo governo que orçamentou o ano passado, nos tempos das vacas gordas - ou voadoras, se preferirem -, 4.853 milhões de investimento público e executou menos 900 milhões, vai agora buscar dinheiro onde? Só se fosse à Óropa, mas os ricos não se mostram muito disponíveis a pagar a crise, por muito que o Dr. Costa invoque solidariedade e ameace o fim da UE.
«Estamos preparados»
Depois das diversos volteios sobre o impacto da pandemia que começou por ser nada, passou por ser o fim do mundo e agora não sabemos bem o que vai ser, o mesmo se passou com as medidas: os testes que criavam falsa sensação de segurança e as máscaras que não eram para usar, que talvez fosse, para usar e agora são para alargar a mais grupos.
Até a aritmética falhou na contagem dos casos em que houve duplicações e os médicos dizem que o sistema de registo «é um pesadelo burocrático». A trapalhada é tão óbvia que até o director do Público, até aqui um paladino da DGS, viu-se obrigado a reconhecer que «temos um problema». É verdade, mas é só um dos muitos outros problemas.
E o material, claro. No site MATERIAL EM FALTA criado pelo pessoal da saúde listam-se mais de 400 itens.
Com tudo isto não admira que o dinheiro também esteja em falta. É o que acontece com a linha de crédito Capitalizar Covid-19 (uns míseros 365 milhões), destinada às empresas em dificuldades por causa da pandemia, que está quase esgotada.
Cuidando da freguesia eleitoral, sempre
Mesmo quando as vacas se despenham, o governo não abandona a sua clientela e, em pleno estado de emergência e início do lay-off e despedimento de centenas de milhar de trabalhadores das empresas, actualizou a base remuneratória e o valor das remunerações base mensais da Administração Pública.
Mestres do ilusionismo
É preciso reconhecer que há coisas que o Dr. Costa e a sua equipa fazem muito bem. A prestidigitação, nomeadamente.
Veja-se o à-vontade com que ele actua em qualquer palco - por exemplo no palco de uma Cristina aos gritinhos. Palco que os invejosos dirão ser uma anfitriã pouco respeitável para falar de coisas sérias como a pandemia. Veja-se como a criatura consegue fazer passar a ideia de que tem liderado o grupo dos pedintes contra os ricos e confira-se o relato do El País das horas de reunião à volta do tema coronavírus e onde não se menciona uma única vez o grande estradista Costa.
Ou leia-se como o semanário de reverência garante que «o governo quer responder à crise com investimento». O mesmo governo que orçamentou o ano passado, nos tempos das vacas gordas - ou voadoras, se preferirem -, 4.853 milhões de investimento público e executou menos 900 milhões, vai agora buscar dinheiro onde? Só se fosse à Óropa, mas os ricos não se mostram muito disponíveis a pagar a crise, por muito que o Dr. Costa invoque solidariedade e ameace o fim da UE.
«Estamos preparados»
Depois das diversos volteios sobre o impacto da pandemia que começou por ser nada, passou por ser o fim do mundo e agora não sabemos bem o que vai ser, o mesmo se passou com as medidas: os testes que criavam falsa sensação de segurança e as máscaras que não eram para usar, que talvez fosse, para usar e agora são para alargar a mais grupos.
Até a aritmética falhou na contagem dos casos em que houve duplicações e os médicos dizem que o sistema de registo «é um pesadelo burocrático». A trapalhada é tão óbvia que até o director do Público, até aqui um paladino da DGS, viu-se obrigado a reconhecer que «temos um problema». É verdade, mas é só um dos muitos outros problemas.
E o material, claro. No site MATERIAL EM FALTA criado pelo pessoal da saúde listam-se mais de 400 itens.
Com tudo isto não admira que o dinheiro também esteja em falta. É o que acontece com a linha de crédito Capitalizar Covid-19 (uns míseros 365 milhões), destinada às empresas em dificuldades por causa da pandemia, que está quase esgotada.
Cuidando da freguesia eleitoral, sempre
Mesmo quando as vacas se despenham, o governo não abandona a sua clientela e, em pleno estado de emergência e início do lay-off e despedimento de centenas de milhar de trabalhadores das empresas, actualizou a base remuneratória e o valor das remunerações base mensais da Administração Pública.
05/04/2020
ARTIGO DEFUNTO: O patriotismo tudológico a cavalo da ignorância pesporrente
Vou dar-me ao trabalho, mais uma vez, de comentar outro exercício de tudologia de Miguel Sousa Tavares (tudólogo foi como um leitor agrónomo o apelidou a propósito dos disparates que escreveu sobre agricultura). Nos comentários anteriores comentei a ignorância pesporrente que lhe permite avançar asneiras sobre matérias que desconhece sem se dar ao incómodo de procurar primeiro ilustrar-se. Desta vez é diferente porque se trata de ignorância em matéria de cultura geral que se esperava estar no âmbito da tudologia.
Eis o que escreveu na sua coluna habitual no semanário de reverência um MST ressabiado porque «os holandeses, os novos-ricos da Europa, actuando como gauleiters da Alemanha» não parecerem disposto a subsidiar a prodigalidade greco-latina através dos coronabonds:
O "Século de Oiro" foram vários séculos, em que encontramos Bosch, Brueghel o Velho, Hals, Rembrandt, Vermeer e muitos outros. Depois disso, para além de van Gogh (e não Van Gogh), com projecção internacional, lembro assim de repente Escher, Mondrian e de Kooning.
No futebol, além de Cruyff, lembro assim de repente Marco van Basten, Dennis Bergkamp, Ruud Gullit e Ronald Koeman.
«E, já agora, tirando o “Século de Oiro” da pintura holandesa, abrangendo o último quartel do século XVI e a primeira metade do século XVII, o que deu a Holanda à Europa? Van Gogh, na pintura, e Johan Cruyff, no futebol, são as únicas excepções. De resto, e sobretudo comparando com a Espanha e a Itália, nos últimos quase 400 anos, eles não deram à Europa um escritor, um músico, um compositor, um arquitecto, um estadista, um economista, um cientista, um automóvel, um desenho de sapatos, um filme inesquecível, uma marca de vinho, uma receita de cozinha, uma nova borboleta...»Começo por «novos-ricos» que me parece pouco ajustado a um povo que, desde pelo menos o século XVII, quando aqui abundava a pobreza mais absoluta fora da corte, tem um nível de riqueza muito acima dos habitantes da jangada de pedra.
O "Século de Oiro" foram vários séculos, em que encontramos Bosch, Brueghel o Velho, Hals, Rembrandt, Vermeer e muitos outros. Depois disso, para além de van Gogh (e não Van Gogh), com projecção internacional, lembro assim de repente Escher, Mondrian e de Kooning.
No futebol, além de Cruyff, lembro assim de repente Marco van Basten, Dennis Bergkamp, Ruud Gullit e Ronald Koeman.
É certo que a literatura holandesa não produziu grandes escritores. Em contrapartida produziu Erasmo e Espinoza. Ah, e produziu vinte Prémios Nobel, a maioria em Física e Química, mas também dois em Economia (Jan Tinbergen e Tjalling Koopmans).
É certo que, para além do contemporâneo Gustav Leonhardt, a Holanda também não produziu grandes nomes na música. Em contrapartida, é sede para dez das 500 maiores empresas globais, como Royal Dutch Shell, EXOR, Airbus, ING, Randstad, Heineken, Rabobank. Por acaso, também por lá têm sede fiscal várias empresas portuguesas do PSI-20 (que por acaso só tem 18 empresas cotadas).
Em matéria de arquitectos de topo também só me estou a lembrar de Rem Koolhaas. E quanto a estadistas não recordei nenhum além de Johan De Witt,
É certo que além dos seus 17 Nobel em Física, Química e Medicina, não se encontram grandes cientistas. Em contrapartida é o 9.º país com mais patentes, Portugal é o 39.º (World Intellectual Property Indicators 2019).
Concedo que não me ocorre automóvel, desenho de sapatos, filme inesquecível, marca de vinho, receita de cozinha e borboleta que possa ser atribuída a holandeses e nestas matérias encontramos do lado português o vinho do Porto (que até pode ter sido inventado pelos ingleses...), o bacalhau à Gomes de Sá e as ameijoas à Bolhão Pato.
E queixa-se MST das redes sociais.
É certo que, para além do contemporâneo Gustav Leonhardt, a Holanda também não produziu grandes nomes na música. Em contrapartida, é sede para dez das 500 maiores empresas globais, como Royal Dutch Shell, EXOR, Airbus, ING, Randstad, Heineken, Rabobank. Por acaso, também por lá têm sede fiscal várias empresas portuguesas do PSI-20 (que por acaso só tem 18 empresas cotadas).
Em matéria de arquitectos de topo também só me estou a lembrar de Rem Koolhaas. E quanto a estadistas não recordei nenhum além de Johan De Witt,
É certo que além dos seus 17 Nobel em Física, Química e Medicina, não se encontram grandes cientistas. Em contrapartida é o 9.º país com mais patentes, Portugal é o 39.º (World Intellectual Property Indicators 2019).
Concedo que não me ocorre automóvel, desenho de sapatos, filme inesquecível, marca de vinho, receita de cozinha e borboleta que possa ser atribuída a holandeses e nestas matérias encontramos do lado português o vinho do Porto (que até pode ter sido inventado pelos ingleses...), o bacalhau à Gomes de Sá e as ameijoas à Bolhão Pato.
E queixa-se MST das redes sociais.
De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (4) - Os dados podem não reflectir adequadamente o impacto do Covid-19 (II)
Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.
Pelo menos o Reino Unido e a Alemanha vão aumentar o número de testes e ponderaram emitir certificados de imunidade para permitir às pessoas curadas voltar ao trabalho. Outros países, como a Suécia e Suiça, não estão em estado de emergência com confinamento e optaram por medidas mais leves, em nalguns casos voluntárias.
Se é duvidoso que as estratégias da Suécia e da Suiça sejam socialmente viáveis em Portugal, o que, só por si, não deve ser um álibi para prolongar o estado de emergência, o aumento dos testes e os certificados de imunidade fazem todo o sentido, mesmo em Portugal.
Na opinião de John Lee em How to understand – and report – figures for ‘Covid deaths’, a taxa de letalidade real do Covid-19 pode não ser muito diferente da gripe comum. Essa taxa que é a relação n.º de óbitos causados pelo Covid-19 / n.º de pessoas contaminadas parece estar sobrestimada por estarem a ser considerados todos os óbitos em que existe infecção por Covid-19, independentemente deste ser a causa da morte, isto é contam-se as mortes “com Covid” e não apenas com “por Covid”, o que faz tanto sentido como classificar como morte por gripe comum os casos em que um doente terminal morre constipado. Em Portugal isso foi confirmado na conferência de imprensa da DGS de 3.ª- feira.
Por outro lado, porque não estão ainda a ser feitos testes em grande escala como recomenda a OMS, o número real de infectados é superior, ou mesmo muito superior. porque só se fazem testes a quem já tem sintomas e há inúmeros casos assintomáticas. No Reino Unido, por exemplo, Patrick Vallance, o consultor científico principal do governo, estima que o número real de infectados possa ser 10 a 20 vezes superior ao dos identificados.
Entretanto, a equipa de Neil Ferguson do Imperial College COVID-19 Response Team, que começou por estimar em 0,9% a taxa real de mortalidade do Covid-19 na China, reviu essa estimativa para 0,66% no estudo publicado na Lancet,
Todos os dados apontam para que o impacto é sobretudo nos idosos, também na Suiça onde só 15% dos testados são positivos e as idades médias de falecimentos e hospitalização são 82 anos e 70 anos, respectivamente.
Se é duvidoso que as estratégias da Suécia e da Suiça sejam socialmente viáveis em Portugal, o que, só por si, não deve ser um álibi para prolongar o estado de emergência, o aumento dos testes e os certificados de imunidade fazem todo o sentido, mesmo em Portugal.
04/04/2020
CASE STUDY: Suécia - "É uma questão de liberdade, não de epidemiologia"
«Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas». É um retrato deste país por Alçada Baptista que está há mais de uma dúzia de anos a servir de epígrafe deste blogue.
Sabemos que os portugueses como povo apreciam pouco a liberdade e estão dispostos facilmente a dela abdicar em benefício de um Estado Sucial extorsionário que lhes dê colo e os oprima. Mas, que diabo!, não é obrigatório que todos nos babemos com a "eficácia" do Estado totalitário chinês a combater a pandemia que ele próprio tentou esconder e deixou propagar. Olhemos, por exemplo, para a resposta sueca à pandemia como nos é descrita por Fredrik Erixon no artigo «No lockdown, please, we’re Swedish» na Spectator.
«Who would have thought that Sweden would end up being the last place in Europe where you could go for a beer? We have, in our normalcy, suddenly become an exotic place. Other countries are closing their cities, schools and economies, but life in our corner of the world is surprisingly ordinary. Last weekend I went to the gym, met up with friends, and sat in the spring sun at outdoor cafés.
My foreign friends are stunned. They can’t fathom that there are still people enjoying the fruits of civilisation, as if the natural reaction to pandemics is to embrace totalitarianism. And they wrestle with another conundrum: how on earth did Sweden end up being the final bastion of liberty? How did this country of mild-mannered conformists end up rebelling against lockdown culture?
Sabemos que os portugueses como povo apreciam pouco a liberdade e estão dispostos facilmente a dela abdicar em benefício de um Estado Sucial extorsionário que lhes dê colo e os oprima. Mas, que diabo!, não é obrigatório que todos nos babemos com a "eficácia" do Estado totalitário chinês a combater a pandemia que ele próprio tentou esconder e deixou propagar. Olhemos, por exemplo, para a resposta sueca à pandemia como nos é descrita por Fredrik Erixon no artigo «No lockdown, please, we’re Swedish» na Spectator.
«Who would have thought that Sweden would end up being the last place in Europe where you could go for a beer? We have, in our normalcy, suddenly become an exotic place. Other countries are closing their cities, schools and economies, but life in our corner of the world is surprisingly ordinary. Last weekend I went to the gym, met up with friends, and sat in the spring sun at outdoor cafés.
My foreign friends are stunned. They can’t fathom that there are still people enjoying the fruits of civilisation, as if the natural reaction to pandemics is to embrace totalitarianism. And they wrestle with another conundrum: how on earth did Sweden end up being the final bastion of liberty? How did this country of mild-mannered conformists end up rebelling against lockdown culture?
03/04/2020
O coronavírus no agitprop do Novo Império do Meio (3) - A celebração da vitória do Grande Irmão
Continuação de outros posts.
Se fosse necessário demonstrar a natureza opressiva e tirânica do regime chinês e o inerente culto da personalidade, esta página de publicidade paga numa grande revista internacional seria só por si suficiente.
Um amigo explicou-me a razão de Donald Trump ter uma indisfarçável inveja de Xi Jinping: ele Donald só tem o espelho e meia dúzia de palhaços para o venerarem, contra os 90 milhões de apparatchiks do PCC do Camarada Presidente Xi.
Se fosse necessário demonstrar a natureza opressiva e tirânica do regime chinês e o inerente culto da personalidade, esta página de publicidade paga numa grande revista internacional seria só por si suficiente.
Um amigo explicou-me a razão de Donald Trump ter uma indisfarçável inveja de Xi Jinping: ele Donald só tem o espelho e meia dúzia de palhaços para o venerarem, contra os 90 milhões de apparatchiks do PCC do Camarada Presidente Xi.
Pro memoria (400) - E agora uma evocação clandestina dos tempos pré-censura PC. A pandemia segue dentro de momentos
Por inacreditável que hoje nos pareça, nos tempos anteriores ao regime do Politicamente Correcto, instituído pela Horda do Grande Irmão, era permitido produzir vídeos de publicidade com "mulheres-objecto", como este com a polaca Katrin.
Etiquetas:
a memória dos povos é curta,
Ridendo castigat mores
02/04/2020
Mitos (303) - Milagres do dinheiro caído do helicóptero ou derramado das rotativas de Frankfurt (ACTUALIZADO)
Quem só tem um martelo vê todos os problemas como pregos é o título de uma série de posts deste blogue que talvez explique a fé de inúmeras luminárias nos efeitos miraculosos de «ligar as rotativas em Frankfurt 24-sobre-24 horas, imprimir moeda e distribuí-la pelos países» para responder a uma crise que consiste essencialmente numa quebra da produção de bens e serviços resultante do confinamento obrigatório e da suspensão da maioria das actividades e, no caso português, em que o turismo representa directa e indirectamente mais de um quinto do PIB, de uma quebra da procura externa que não se resolve dando dinheiro aos turistas para visitarem Portugal.
Ou dito de outro modo, é difícil entender a fé em medidas, como o helicopter money, que talvez pudessem ser eficazes em resposta a uma recessão provocada por uma queda da procura mas que de pouco servem para aumentar a oferta, nem mesmo a oferta externa pois trata-se de uma pandemia que afecta todos os nossos parceiros comerciais. De que serve o dinheiro se não houver onde o gastar?
Quereis uma medida eficaz? Multiplicai os testes, aceitai uma letalidade mais elevada da pandemia (ou talvez apenas mais concentrada no tempo) limitando o confinamento aos infectados não curados e às pessoas com maior risco. É difícil? Sim e exige coragem cuja oferta também é escassa. Ainda assim, iria doer.
Quando não se dispõe das rotativas de Frankfurt e à pala da pandemia se tenta a mutualização da dívida, chutando o problema para Bruxelas ou Frankfurt, pode dizer-se o que escreveu a Economist:
«Manter as pessoas seguras é, afinal, a principal preocupação de um Estado. A saúde é da competência dos governos nacionais, de acordo com os tratados da UE . (...) Neste caso, a responsabilidade é clara. As acções dos governos nacionais determinarão quantos vivem ou morrem. Reclamar que a UE está a falhar em ajudar em questões de saúde é como comprar um gato e queixar-se que ele não corre para apanhar o pau.»ACTUALIZAÇÃO (Sugestão ao governo português, em alternativa a andar pedinchar dinheiro)
A ministra da Saúde britânica anunciou o objectivo de 100 mil testes por dia no final deste mês e confirmou que o governo está a ponderar emitir «certificados de imunidade», permitindo aos seus detentores comprovar que estiveram infectados e estão imunizados e, portanto, podem voltar a trabalhar.
CASE STUDY: Trumpologia (62) - É demasiado, até para ele
Mais trumpologia.
Não vou insistir nos delírios do Sr. Trump a respeito da pandemia e das medidas de combate. Remeto apenas para esta colectânea que começa por «we have it totally under control» e termina com «we are doing great, our country is doing so great» e acrescento que em mais um flic-fac disse no briefing de terça-feira «we lose more here, potentially, than you lose in world wars», ou seja algo como mais de meio milhão (116 mil na WWI e 405 mil na WWII).
Não vou insistir nos delírios do Sr. Trump a respeito da pandemia e das medidas de combate. Remeto apenas para esta colectânea que começa por «we have it totally under control» e termina com «we are doing great, our country is doing so great» e acrescento que em mais um flic-fac disse no briefing de terça-feira «we lose more here, potentially, than you lose in world wars», ou seja algo como mais de meio milhão (116 mil na WWI e 405 mil na WWII).
Vou apenas acrescentar que o Make America Great Again do Sr. Trump parece ser compatível com aceitar uma «ajuda humanitária» do Sr. Putin, czar vitalício de um país que tem a sétima taxa de mortalidade mais alta, uma esperança de vida "africana" e um exército de hackers a infectar as redes sociais americanas e europeias, e agradecer-lhe com um «Russia sent us a very, very large planeload of things, medical equipment, which was very nice.»
Pareceu-me ouvir os Founding Fathers a agitarem-se nas suas sepulturas.
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