Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
05/03/2020
Dúvidas (293) - Só 20 mulheres?
«Após seis meses de investigação, concluiu-se que Plácido Domingo assediou sexualmente 20 mulheres (...). Mas até que ponto esta mancha prejudica o seu legado?»
A dúvida não é minha, é do Expresso. Por mim penso que o legado de um tenor tão extraordinário como Plácido Domingo não tem nada a ver com assédios. Não tenho essa dúvida, mas tenho outras duas.
A primeira dúvida é, dependendo do que chamam assédio e assumindo que Plácido não é acusado de estupro, o que seria criminoso, como seria possível um cantor bem sucedido, solteiro, charmoso e atractivo para qualquer mulher não lésbica, durante uma longa carreira de mais de 60 anos, dos quais pelo menos 55 anos antes da histeria do metoo, não ter feito em cada temporada meia dúzia de aproximações, algumas delas talvez com um beijinho no pescoço ou uma palmadinha no traseiro, e muitas dessas aproximações provavelmente encorajadas? O que daria várias centenas, o que me leva à segunda dúvida: só 20 mulheres?
04/03/2020
CASE STUDY: Trumpologia (57) - O candidato democrata de Trump está em segundo lugar
Mais trumpologia.
Infelizmente para Trump, a Super Tuesday não lhe trouxe boas notícias porque Joe Biden saiu das trevas e passou para a frente no número de delegados e ainda ganhou o apoio de alguns desistentes como Pete Buttigieg e Amy Klobuchar,
Qual o melhor candidato democrata para Trump ganhar um segundo mandato? Para responder concluindo que Bernie Sanders é o melhor, por razões que radicam no seu radicalismo - admirador de Cuba e da União Soviética, onde passou a sua lua-de-mel - excessivo para o eleitorado moderado que poderá preferir abster-se ou mesmo votar Trump, não será talvez indispensável construir um modelo estatístico para tratar os dados dos mercados de apostas políticas do PredictIt.com. Em todo o caso foi o que fez a Economist no gráfico abaixo (se alguém não o perceber o gráfico, faça um favor a si próprio e não escreva que o gráfico é estúpido).
Infelizmente para Trump, a Super Tuesday não lhe trouxe boas notícias porque Joe Biden saiu das trevas e passou para a frente no número de delegados e ainda ganhou o apoio de alguns desistentes como Pete Buttigieg e Amy Klobuchar,
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03/03/2020
SERVIÇO PÚBLICO: "A coisa mais perigosa sobre o coronavírus é a histeria" e a segunda coisa mais perigosa é a irresponsabilidade do pessoal político e dos mídia
[Continuação do post "A coisa mais perigosa sobre o coronavírus é a histeria"]
No próprio dia em que foi publicada a entrevista que o Expresso anunciou na primeira página (*), a Dr.ª Graça Freitas negou completamente em conferência de imprensa o que havia dito: «Afasto completamente. Já vamos no quarto cenário e os dados são cada vez mais favoráveis e o grau de incerteza é cada vez menor».
Por essa altura, a China, onde tudo começou há dois meses, com 1.400 milhões de habitantes - 140 vezes a população de Portugal -, tinha menos de 80 mil infectados e havia menos de 10 mil no resto do mundo.
Uns dias antes, na quinta-feira anterior, a ministra da Saúde garantia: «estamos preparados para que um cenário semelhante àquele que está a acontecer em Itália possa acontecer também no nosso país. (...) Temos já 10 hospitais preparados para entrar, se for necessário, em modo de acolhimento de doentes».
Ontem, segunda-feira, havia 2-casos de possíveis infectados-2 em Portugal e a Directora-Geral da Saúde anunciou que os hospitais de Santo António e de São João, no Porto, «esgotaram a capacidade». Esgotaram a capacidade? Dois casos?
(*) Foi uma espécie de repetição ao contrário da célebre primeira página de 5 de Fevereiro de 2011 onde se anunciava «O FMI já não vem». E não, não se trata de "engano", trata-se de enganar.
ACREDITE SE QUISER: A "senhora lá de casa" e a senhora jornalista
Há uns dois meses a jornalista Judite Sousa publicou uma foto da mãe, da irmã e da empregada doméstica com uma legenda em que se referida à empregada como "a senhora cá de casa". Foi o suficiente para a turba de patetas que povoam as redes sociais se indignarem, sabe-se lá porquê.Lembrei-me desta parvoíce ao colidir com um acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa de 11-12-2019 que se derrama por 76 (setenta e seis) páginas A4 para confirmar a decisão da primeira instância, condenando por ofensas à honra de uma jornalista uma criatura que lhe disse «A senhora devia tomar mais banho, cheira mal!» e se referiu a ela como «Aquela jornalista com mau aspecto».
No primeiro caso, a senhora jornalista foi insultada por se ter referido à senhora empregada de uma forma invulgarmente respeitosa. No segundo caso, juízes condenaram uma criatura a indemnizar 8 mil euros a título de danos morais a uma senhora jornalista, sem cuidarem de saber se a senhora cheirava de facto mal e tinha realmente mau aspecto.
02/03/2020
Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (21)
Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias
O Dr. Costa pode ser uma vítima das sequelas do Covid-19
É esse o prognóstico do Impertinente que não costuma esperar pelo fim do jogo. Tenho dificuldade em não concordar.
Por falar em Covid-19, quando a Directora-Geral da Saúde apresenta um cenário tipo cisne negro de um milhão de infectados (na China o número de infectados até agora foi 80 mil, com uma população 140 vezes maior), além de revelar uma grande falta de siso, estará já a preparar o Lehman Brothers do Dr. Costa? Ou então, para avançar uma teoria conspiratória, o Dr. Costa encomendou à Dr.ª Graça uma diversão para os portugueses não se darem conta do relatório da Comissão Europeia «Assessment of progress on structural reforms, prevention and correction of macroeconomic imbalances» acabado de publicar que no habitual dialecto eufemístico bruxelense mostra um retrato da situação do país que o Dr. Costa não deve ter apreciado.
O multiplicador socialista existe mesmo
Os multiplicadores da Mouse School of Economics existem mesmo. Já eram conhecidos vários casos, sendo mais notáveis a multiplicação da Ota, o investimento em autoestradas que multiplicou a dívida em vez do PIB, o multiplicador de pinhais, o multiplicador dos custos das PPP, o multiplicador de ASPON (Assessores de Porra Nenhuma), o multiplicador eléctrico.
A semana passado ficou conhecido um outro. A antiga estação desactivada de Miramar da RTP foi vendida em 2016 por 600 mil euros e está agora anunciada a sua venda pelo comprador de então por 12,3 milhões, ou seja um multiplicador de 20, superior ao célebre multiplicador de autoestradas de Marvão Pereira que detinha o recorde (18).
Pior do que um passado comunista é um presente socialista
Abafado pela exaltação de um crescimento em 2019 0,2% pp superior ao previsto foi o facto de ser o crescimento mais baixo dos 15 países chamados da Coesão, e de Portugal ter sido ultrapassado por mais uma vítima do comunismo soviético: a Polónia.
O Dr. Costa pode ser uma vítima das sequelas do Covid-19
É esse o prognóstico do Impertinente que não costuma esperar pelo fim do jogo. Tenho dificuldade em não concordar.
Por falar em Covid-19, quando a Directora-Geral da Saúde apresenta um cenário tipo cisne negro de um milhão de infectados (na China o número de infectados até agora foi 80 mil, com uma população 140 vezes maior), além de revelar uma grande falta de siso, estará já a preparar o Lehman Brothers do Dr. Costa? Ou então, para avançar uma teoria conspiratória, o Dr. Costa encomendou à Dr.ª Graça uma diversão para os portugueses não se darem conta do relatório da Comissão Europeia «Assessment of progress on structural reforms, prevention and correction of macroeconomic imbalances» acabado de publicar que no habitual dialecto eufemístico bruxelense mostra um retrato da situação do país que o Dr. Costa não deve ter apreciado.
O multiplicador socialista existe mesmo
Os multiplicadores da Mouse School of Economics existem mesmo. Já eram conhecidos vários casos, sendo mais notáveis a multiplicação da Ota, o investimento em autoestradas que multiplicou a dívida em vez do PIB, o multiplicador de pinhais, o multiplicador dos custos das PPP, o multiplicador de ASPON (Assessores de Porra Nenhuma), o multiplicador eléctrico.
A semana passado ficou conhecido um outro. A antiga estação desactivada de Miramar da RTP foi vendida em 2016 por 600 mil euros e está agora anunciada a sua venda pelo comprador de então por 12,3 milhões, ou seja um multiplicador de 20, superior ao célebre multiplicador de autoestradas de Marvão Pereira que detinha o recorde (18).
Pior do que um passado comunista é um presente socialista
Abafado pela exaltação de um crescimento em 2019 0,2% pp superior ao previsto foi o facto de ser o crescimento mais baixo dos 15 países chamados da Coesão, e de Portugal ter sido ultrapassado por mais uma vítima do comunismo soviético: a Polónia.
01/03/2020
E se o Covid-19 vier a ser para o Dr. Costa o que o Lehman Brothers foi para o Eng. Sócrates?
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| Há uma luz no fundo do túnel: é o comboio a chegar |
Do ponto de vista da saúde pública, não é provável que o impacto do Covid-19 seja catastrófico. O número de novos contágios, depois de ter aumentado durante os primeiros dois meses, está há semanas a diminuir na China. Previsivelmente o mesmo acontecerá fora da China onde o Covid-19 chegou mais tarde.
Também do ponto de vista económico não me parece que os impactos do Covid-19 sejam catastróficos para as economias em bom estado. Desaceleração e mesmo recessão certamente, como mostram os sinais (ver este esclarecedor artigo de Inês Domingos), daí a uma crise mundial vai uma certa distância.
Porém, do mesmo modo que todos podemos ser infectados com o Covid-19 mas só os organismos debilitados sucumbirão, também impactos económicos serão muito diferentes entre os países. Integrado numa UE, ainda a lamber as feridas da crise anterior, em que as maiores economias já não estão a crescer e a Itália à beira da recessão, com as medidas não convencionais do BCE (taxas próximas de zero e alívio quantitativo) que foram usadas na crise anterior praticamente esgotadas, em risco de enfrentar uma nova crise de imigração criada pela Turquia a empurrar imigrantes, Portugal com uma dívida pública gigantesca de 250 mil milhões, praticamente o dobro de antes da falência do Lehman Brothers, com uma despesa pública corrente superior em mais de 10% à anterior à crise, uma economia descapitalizada, metade da produtividade média da UE e praticamente estagnada, fortemente dependente do turismo (um sexto do PIB e 10% do emprego) que será fortemente atingido pelo Covid-19, tem uma economia extremamente vulnerável.
De onde, o Covid-19 pode estar mais cedo do que seria previsível a limitar campo de manobra das habilidades do Dr. Costa e da engenharia orçamental do Dr. Centeno. Dou-lhes até ao fim do 1.º semestre de 2021 em que será portuguesa a Presidência do Conselho da UE.
29/02/2020
Pro memoria (399) – O choque com a realidade do carro eléctrico de Sócrates (VI) - O PS vive da falta de memória dos cidadãos
[Mais choques com a realidade do carro eléctrico de Sócrates]
Segundo os planos do governo socialista de José Sócrates, até 2020 existiriam 25 mil locais de carregamento e 180 mil veículos eléctricos.
Chegados a 2020, a CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, disse há dias que ambicionaria ter no final deste ano 300 postos de carregamento público e 750 pontos de carregamento privado. Evidentemente que não é só a EDP a instalar pontos de carregamento. Vejamos então a evolução do número total de pontos segundo os dados do European Alternative Fuels Observatory.
Temos outra vez o multiplicador socialista do planeamento, neste caso 3,3 = 25.000 / 8.000. (*)
Já que estamos com a mão na massa, vejamos a evolução do número de veículos eléctricos segundo a mesma fonte:
Aqui o multiplicador socialista do planeamento multiplicou-se ele próprio e atingiu 12 = 180.000 / 15.000.
Se quando o Dr. Costa abandonar S. Bento para ir estudar para Paris, a exemplo do seu mestre, ou entrar na fila de espera para Belém, como deve ser o seu desígnio, fizermos o balanço dos seus planos milagrosos comparando-os com a dura realidade, muito provavelmente veremos outra vez o multiplicador socialista do planeamento em acção (socialista).
(*) Corrigido 3,3 em vez de 8,3 (não foi a aritmética foi o dedo).
Segundo os planos do governo socialista de José Sócrates, até 2020 existiriam 25 mil locais de carregamento e 180 mil veículos eléctricos.
Chegados a 2020, a CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, disse há dias que ambicionaria ter no final deste ano 300 postos de carregamento público e 750 pontos de carregamento privado. Evidentemente que não é só a EDP a instalar pontos de carregamento. Vejamos então a evolução do número total de pontos segundo os dados do European Alternative Fuels Observatory.
Temos outra vez o multiplicador socialista do planeamento, neste caso 3,3 = 25.000 / 8.000. (*)
Já que estamos com a mão na massa, vejamos a evolução do número de veículos eléctricos segundo a mesma fonte:
Aqui o multiplicador socialista do planeamento multiplicou-se ele próprio e atingiu 12 = 180.000 / 15.000.
Se quando o Dr. Costa abandonar S. Bento para ir estudar para Paris, a exemplo do seu mestre, ou entrar na fila de espera para Belém, como deve ser o seu desígnio, fizermos o balanço dos seus planos milagrosos comparando-os com a dura realidade, muito provavelmente veremos outra vez o multiplicador socialista do planeamento em acção (socialista).
(*) Corrigido 3,3 em vez de 8,3 (não foi a aritmética foi o dedo).
28/02/2020
Pro memoria (398) - Perseguido pelo passado (continuação)
Interroga-se um leitor neste comentário ao post anterior se o aumento da emigração para o Reino Unido se deve ao Brexit. A resposta é provavelmente sim. O próprio artigo do Público refere que de 22.622 em 2017 a emigração para o RU desceu para 18.871 em 2018 e apenas em 2019 aumentou para 24.593.
Contudo, o que persegue Costa não é a emigração para o Reino Unido em especial. É a emigração em geral que ele atribuía aos malefícios do governo PSD-CDS tutelado pela troika durante o resgate, governo que tentou em condições dificílimas consertar o desconserto herdado dos dois governos PS de Sócrates (no primeiro dos quais Costa foi ministro).
A um mês das eleições de 2015 Costa dizia aos jovens emigrantes: «E é por isso que no próximo dia 04 [de outubro] vamos ter de escolher entre os que apostam em votar para voltar ou aqueles que apostam em votar para continuar a emigrar».
Vejamos a evolução da emigração total (fonte de 2011 até 2018: PORDATA) estimando que em 2019 (dados ainda não disponíveis) a emigração para os restantes países se manteve e no total aumentou os cerca de 5.700 do Reino Unido.
2011.....100.978
2012.....121.418
2013.....128.108
2014.....134.624
2015.....101.203
2016......97.151
2017......81.051
2018......81.754
2019......87.400
É este o milagre socialista do Dr. Costa em quatro anos provavelmente irrepetíveis de bonança, para a qual nada contribuiu, virada a página da austeridade?
Contudo, o que persegue Costa não é a emigração para o Reino Unido em especial. É a emigração em geral que ele atribuía aos malefícios do governo PSD-CDS tutelado pela troika durante o resgate, governo que tentou em condições dificílimas consertar o desconserto herdado dos dois governos PS de Sócrates (no primeiro dos quais Costa foi ministro).
A um mês das eleições de 2015 Costa dizia aos jovens emigrantes: «E é por isso que no próximo dia 04 [de outubro] vamos ter de escolher entre os que apostam em votar para voltar ou aqueles que apostam em votar para continuar a emigrar».
Vejamos a evolução da emigração total (fonte de 2011 até 2018: PORDATA) estimando que em 2019 (dados ainda não disponíveis) a emigração para os restantes países se manteve e no total aumentou os cerca de 5.700 do Reino Unido.
2011.....100.978
2012.....121.418
2013.....128.108
2014.....134.624
2015.....101.203
2016......97.151
2017......81.051
2018......81.754
2019......87.400
É este o milagre socialista do Dr. Costa em quatro anos provavelmente irrepetíveis de bonança, para a qual nada contribuiu, virada a página da austeridade?
Pro memoria (398) - Perseguido pelo passado
Números divulgados esta quinta-feira apontam para aumento de 30% na emigração de portugueses para o Reino Unido, antes do Brexit
Sete anos antes perorava na câmara de Paris o Dr. Costa, à época presidente da câmara de Lisboa, que «o futuro de Portugal não está na saída dos melhores para o estrangeiro.
Pelo contrário, acho que precisamos deles, da geração muito qualificada que temos, é um desperdício deixá-los sair, precisamos deles. O futuro não está na emigração.»
Sete anos antes perorava na câmara de Paris o Dr. Costa, à época presidente da câmara de Lisboa, que «o futuro de Portugal não está na saída dos melhores para o estrangeiro.
Pelo contrário, acho que precisamos deles, da geração muito qualificada que temos, é um desperdício deixá-los sair, precisamos deles. O futuro não está na emigração.»
27/02/2020
SERVIÇO PÚBLICO: "A coisa mais perigosa sobre o coronavírus é a histeria"
«Se você acabou de cancelar sua viagem a Veneza e encomendou sua máscara de US $ 19,99 da Amazon, que tal uma visão aterradora: em Abril, 50.000 britânicos terão sucumbido a uma combinação de doenças infecciosas e condições climáticas adversas. Assustado? Se está, não se preocupe: você sobreviveu. Foi há dois anos. Em 2017-18, o Office for National Statistics registou 50.100 'excess winter deaths'. A explicação, de acordo com o ONS, foi provavelmente 'a estirpe predominante da gripe, a eficácia da vacina contra influenza e temperaturas abaixo da média no inverno'.
O coronavírus (Covid-19) é um vírus bastante virulento, mas não da maneira que você pode imaginar. Infecta menos as nossas vias respiratórias do que nosso sentimento íntimo de angústia. Na última segunda-feira, havia 79.331 casos confirmados em todo o mundo, todos na China salvo 2.069. Houve 2.595 mortes na China e 23 em outras partes do mundo. E a gripe sazonal? De acordo com uma estimativa do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, causa entre 291.000 e 646.000 mortes globalmente por ano. Dito de outra forma, se o número de mortes por coronavírus aumentar cem vezes nas próximas semanas ou meses, apenas atingirá o limite inferior da estimativa para as estirpes de gripe existentes.
Quantos de nós usam máscaras por causa da gripe no inverno? Quantos aviões e comboios são cancelados? O mercado de acções cai? Há alguma razão para ser mais cauteloso com o Covid-19 do que com a gripe. A primeira é uma quantidade desconhecida e ainda não temos uma vacina. Mas sabemos mais sobre isso a cada dia. Sua taxa de mortalidade está agora em torno de 1% ou menos e vitimando principalmente pessoas com problemas de saúde pré-existentes; qualquer outra pessoa teria azar se morrer disso.
A histeria pelo coronavírus ocorre porque confundimos precaução com risco. Vemos cidades chinesas sendo isoladas, pessoas em quarentena, fábricas fechadas, ruas vazias (excepto algumas pessoas com máscaras) e interpretamos isso como um sinal de perigo grave e iminente. Se a China não tivesse tomado medidas tão drásticas para parar a doença, não estaríamos nem um pouco preocupados.
Parece haver uma variedade diferente de sinofobia na nossa atitude em relação às doenças infecciosas. Qualquer doença nova originária da China parece ganhar instantaneamente a descrição de 'pandemia' - mesmo quando doenças como a gripe aviária SARS e H5N1 dificilmente justificam ser chamadas de 'epidemia'. O Covid-19 parece encaixar-se perfeitamente nos nossos medos sobre a espionagem da Huawei nos nossos telefones e os fabricantes chineses que roubam os nossos empregos. Doenças de outros lugares não excitam tanto a imaginação. Houve uma breve onda de preocupação em 2014 quando o Ebola, muito mais letal que o Covid-19, surgiu na África Ocidental (desde então, matou 11.310 pessoas em todo o mundo). Mas se nos queremos preocupar com uma qualquer doença infecciosa, deve ser tuberculose. A Organização Mundial da Saúde relata que havia dez milhões de novos casos em todo o mundo em 2018, 1,45 milhão de mortes e 4.672 casos na Inglaterra. Mas ninguém nunca comprou uma máscara facial por causa disso. Quantas pessoas sabem que o epicentro da tuberculose é a Índia, com 27% dos casos em todo o mundo?
Há algo mais no pânico do Covid-19. É o fenómeno mais recente a satisfazer um apetite estranho e crescente pelas catástrofes entre as populações dos países desenvolvidos. Vivemos o tempo mais saudável e pacífico da história, mas não conseguimos aceitá-lo. Temos constantemente de inventar fantasmas, desde o alarmismo climático, a guerra nuclear e o colapso financeiro até as doenças mortais. O Covid-19 alcançou essa tracção porque surgiu no momento certo. No final de Janeiro, o Brexit havia sido concluído sem incidentes. O impasse entre os EUA e o Irão - que levou absurdamente o 'Relógio do Dia do Juízo Final' a aproximar-se da meia-noite do que durante a crise dos mísseis cubanos - acabou em nada. Os incêndios nos matos australianos, que causaram uma explosão do catastrofismo ambiental (apesar da incidência global de incêndios florestais ter descido nas últimas duas décadas) já quase se esfumou. O que mais havia para nos preocupar?
Então surgiu uma nova variedade de doenças e o ciclo de pânico recomeçou. Mas já existem fortes sinais de que ele atingiu o pico. Nos sete dias anteriores a 24 de Fevereiro, a OMS registou 6.398 novas infecções na China - abaixo das 13.002 da semana anterior. Na segunda-feira, eram 415. Muito em breve teremos que encontrar outra coisa para nos apavorar. Asteróides? O próximo incidente climático ´freak', agora que as tempestades desapareceram? Quem sabe, mas certamente encontraremos algo.»
The most dangerous thing about coronavirus is the hysteria, Ross Clark na Spectator
O coronavírus (Covid-19) é um vírus bastante virulento, mas não da maneira que você pode imaginar. Infecta menos as nossas vias respiratórias do que nosso sentimento íntimo de angústia. Na última segunda-feira, havia 79.331 casos confirmados em todo o mundo, todos na China salvo 2.069. Houve 2.595 mortes na China e 23 em outras partes do mundo. E a gripe sazonal? De acordo com uma estimativa do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, causa entre 291.000 e 646.000 mortes globalmente por ano. Dito de outra forma, se o número de mortes por coronavírus aumentar cem vezes nas próximas semanas ou meses, apenas atingirá o limite inferior da estimativa para as estirpes de gripe existentes.
Quantos de nós usam máscaras por causa da gripe no inverno? Quantos aviões e comboios são cancelados? O mercado de acções cai? Há alguma razão para ser mais cauteloso com o Covid-19 do que com a gripe. A primeira é uma quantidade desconhecida e ainda não temos uma vacina. Mas sabemos mais sobre isso a cada dia. Sua taxa de mortalidade está agora em torno de 1% ou menos e vitimando principalmente pessoas com problemas de saúde pré-existentes; qualquer outra pessoa teria azar se morrer disso.
A histeria pelo coronavírus ocorre porque confundimos precaução com risco. Vemos cidades chinesas sendo isoladas, pessoas em quarentena, fábricas fechadas, ruas vazias (excepto algumas pessoas com máscaras) e interpretamos isso como um sinal de perigo grave e iminente. Se a China não tivesse tomado medidas tão drásticas para parar a doença, não estaríamos nem um pouco preocupados.
Parece haver uma variedade diferente de sinofobia na nossa atitude em relação às doenças infecciosas. Qualquer doença nova originária da China parece ganhar instantaneamente a descrição de 'pandemia' - mesmo quando doenças como a gripe aviária SARS e H5N1 dificilmente justificam ser chamadas de 'epidemia'. O Covid-19 parece encaixar-se perfeitamente nos nossos medos sobre a espionagem da Huawei nos nossos telefones e os fabricantes chineses que roubam os nossos empregos. Doenças de outros lugares não excitam tanto a imaginação. Houve uma breve onda de preocupação em 2014 quando o Ebola, muito mais letal que o Covid-19, surgiu na África Ocidental (desde então, matou 11.310 pessoas em todo o mundo). Mas se nos queremos preocupar com uma qualquer doença infecciosa, deve ser tuberculose. A Organização Mundial da Saúde relata que havia dez milhões de novos casos em todo o mundo em 2018, 1,45 milhão de mortes e 4.672 casos na Inglaterra. Mas ninguém nunca comprou uma máscara facial por causa disso. Quantas pessoas sabem que o epicentro da tuberculose é a Índia, com 27% dos casos em todo o mundo?
Há algo mais no pânico do Covid-19. É o fenómeno mais recente a satisfazer um apetite estranho e crescente pelas catástrofes entre as populações dos países desenvolvidos. Vivemos o tempo mais saudável e pacífico da história, mas não conseguimos aceitá-lo. Temos constantemente de inventar fantasmas, desde o alarmismo climático, a guerra nuclear e o colapso financeiro até as doenças mortais. O Covid-19 alcançou essa tracção porque surgiu no momento certo. No final de Janeiro, o Brexit havia sido concluído sem incidentes. O impasse entre os EUA e o Irão - que levou absurdamente o 'Relógio do Dia do Juízo Final' a aproximar-se da meia-noite do que durante a crise dos mísseis cubanos - acabou em nada. Os incêndios nos matos australianos, que causaram uma explosão do catastrofismo ambiental (apesar da incidência global de incêndios florestais ter descido nas últimas duas décadas) já quase se esfumou. O que mais havia para nos preocupar?
Então surgiu uma nova variedade de doenças e o ciclo de pânico recomeçou. Mas já existem fortes sinais de que ele atingiu o pico. Nos sete dias anteriores a 24 de Fevereiro, a OMS registou 6.398 novas infecções na China - abaixo das 13.002 da semana anterior. Na segunda-feira, eram 415. Muito em breve teremos que encontrar outra coisa para nos apavorar. Asteróides? O próximo incidente climático ´freak', agora que as tempestades desapareceram? Quem sabe, mas certamente encontraremos algo.»
The most dangerous thing about coronavirus is the hysteria, Ross Clark na Spectator
Nunca digas jamé
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| Expresso |
26/02/2020
Fact checking ao Fact Check do Observador, seguido de self fact checking
Há uma semana publiquei o post Multiplicador socialista: o dobro do tamanho do governo, metade do PIB per capita usando uma imagem que me foi enviada via WhatsApp que ilustrava o contraste entre o pantagruélico governo do Dr. Costa com o frugal governo finlandês. Não contei as figuras, que aliás não eram todas do governo, nem estavam todos os elementos dos governos, porque apenas me interessava a alegoria e não a aritmética.
Volto ao tema por ter lido o Fact Check. Portugal tem 61 ministros e a Finlândia 15? a propósito de um post no Facebook com a mesma imagem que usei. O veredicto do Observador foi ERRADO porque «O actual Governo finlandês tem na realidade 19 ministros» e o «XXII Governo Constitucional de Portugal conta com 20 elementos ministeriais».
Resolvi fazer um fact checking ao Fact Check do Observador e concluí:
Resolvi fazer um fact checking ao Fact Check do Observador e concluí:
- O governo finlandês tem 19 ministros, incluindo a primeira-ministra, e cada ministro tem um secretário de Estado, o que faz um total de 38 «elementos ministeriais» a governarem o país;
- O governo português tem 20 ministros, incluindo o primeiro-ministro, e 50 secretários de Estado, o que faz um total de 70 «elementos ministeriais» a governarem o país.
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a nódoa cai em qualquer pano,
Ridendo castigat mores
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Pendurados no Estado Sucial e na Boa Imprensa
«Tudo isto funciona assim por uma razão simples: A generalidade destas organizações não dependem dos seus sócios mas do Estado, Estado esse que não lhes exige, como condição básica para qualquer apoio –- directo, sob a forma de projectos, ou indirecto, sob a forma de acesso a tratamentos fiscais favoráveis -– que sejam associações democráticas, com actividade escrutinável, e não grupos de amigos que não precisam de prestar contas a ninguém.
Em Portugal, muito mais valioso que ter sócios, o que verdadeiramente conta é a capacidade dos dirigentes de cada associação influenciarem as decisões do Estado a seu favor, seja o Estado central, seja o Estado local, o que depois se reflecte no seu reconhecimento por parte das empresas.
Ter boa imprensa e boas relações com decisores é, por isso, muito mais importante que ter boas relações com os sócios, o que faz de muitas destas associações -– incluindo muitos outro tipo de instituições, de Fundações a sindicatos, passando por partidos e confederações patronais –- instituições muito pouco representativas e muito pouco enraizadas socialmente.»
As elites das nossas organizações, Henrique Pereira dos Santos a propósito da Quercus e da sua spin off ZERO
Em Portugal, muito mais valioso que ter sócios, o que verdadeiramente conta é a capacidade dos dirigentes de cada associação influenciarem as decisões do Estado a seu favor, seja o Estado central, seja o Estado local, o que depois se reflecte no seu reconhecimento por parte das empresas.
Ter boa imprensa e boas relações com decisores é, por isso, muito mais importante que ter boas relações com os sócios, o que faz de muitas destas associações -– incluindo muitos outro tipo de instituições, de Fundações a sindicatos, passando por partidos e confederações patronais –- instituições muito pouco representativas e muito pouco enraizadas socialmente.»
As elites das nossas organizações, Henrique Pereira dos Santos a propósito da Quercus e da sua spin off ZERO
25/02/2020
Dúvidas (292) - A eutanásia é a reforma socialista para garantir a sustentabilidade da Segurança Social? Sim! E também para garantir a capacidade de resposta do SNS
(Como que uma continuação desta outra dúvida)
Porquê esperar 6 meses pelo exercício de um direito que o Estado Sucial garante e que «o Serviço Nacional de Saúde, aqui como noutras áreas, está preparado para responder»?
Porquê esperar 6 meses pelo exercício de um direito que o Estado Sucial garante e que «o Serviço Nacional de Saúde, aqui como noutras áreas, está preparado para responder»?
24/02/2020
ARTIGO DEFUNTO: O primeiro tem "motivações de extrema-direita" e o segundo tem o quê? (ACTUALIZADO)
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| Expresso de 19-02 / Expresso de 24-02 |
Como se pode ver no vídeo cujo link está no segundo comentário (obrigado) a este post, a criatura a quem foram atribuídas "motivações de extrema-direita" é um maluquinho que avisou os americanos estar o seu país «sob controlo de sociedades secretas invisíveis» ao qual, portanto, poderiam igualmente ser atribuídas motivações de extrema-esquerda ou simplesmente paranóia, se não fosse o caso de à esquerdalhada dar sempre jeito atribuir estas coisas à extrema-direita.
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Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (20)
Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias
Para os amigos tudo, para os inimigos nada, para os outros cumpra-se a lei
A jornalista de causas Maria Flor Pedroso já foi objecto da nossa atenção em várias ocasiões (como aqui) e nunca por boas razões. Chamei-lhe prima, mas ela é apenas filha do padrasto do Dr. Costa, o que é indiferente - estamos sempre a falar da família socialista ou dos seus amigos. Maria Flor, que se havia demitido depois de tentar intervir no programa "Sexta às 9", em sinal de reconhecimento foi promovida pela Administração da RTP, segundo o jornal SOL, não uma, não duas, não três mas quatro vezes de uma assentada.
Se, para os amigos, o Dr. Costa é homem para telefonar para os promoverem, para os inimigos o Dr. Costa telefona para os despedirem, como fez à jornalista Ana Leal quando era ministro da Administração Interna.
As mulheres dos césares não precisam de ser sérias, nem mesmo de o parecerem
Como em tempos escrevi numa das crónicas, com a venda à família da sua empresa Produções Fictícias, com uma cláusula de reversão que lhe permite recuperar a sua posição, terminou o conflito de interesses de Nuno Artur Silva - um amigo do peito do Dr. Costa - que tirou o chapéu de administrador da RTP e colocou o de secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media. Liberta do conflito de interesses, a RTP adjudicou às Produções Fictícias dois "projectos" um de 20 mil e outro de 390 mil euros.
A esperança é a última a morrer
A minha esperança é a eutanásia aprovada em 5 (cinco) projectos de lei venha a jazer no Diário da República sem aplicação. E porquê essa desesperada esperança? perguntareis vós que me aturais todas as semanas. Porque a ministra da Saúde garantiu em relação à execução da eutanásia (nunca a palavra execução foi tão adequada) que «o Serviço Nacional de Saúde, aqui como noutras áreas, está preparado para responder». As palavras-chave são como noutras áreas.
O Dr. Centeno é (mais) um grande ilusionista
A semana passada a imprensa amiga louvaminhou a evolução dívida pública e do endividamento da economia. O Impertinente entende que a louvaminha é mais exagerada do que a notícia da morte de Mark Twain, e concluiu:
Para os amigos tudo, para os inimigos nada, para os outros cumpra-se a lei
A jornalista de causas Maria Flor Pedroso já foi objecto da nossa atenção em várias ocasiões (como aqui) e nunca por boas razões. Chamei-lhe prima, mas ela é apenas filha do padrasto do Dr. Costa, o que é indiferente - estamos sempre a falar da família socialista ou dos seus amigos. Maria Flor, que se havia demitido depois de tentar intervir no programa "Sexta às 9", em sinal de reconhecimento foi promovida pela Administração da RTP, segundo o jornal SOL, não uma, não duas, não três mas quatro vezes de uma assentada.
Se, para os amigos, o Dr. Costa é homem para telefonar para os promoverem, para os inimigos o Dr. Costa telefona para os despedirem, como fez à jornalista Ana Leal quando era ministro da Administração Interna.
As mulheres dos césares não precisam de ser sérias, nem mesmo de o parecerem
Como em tempos escrevi numa das crónicas, com a venda à família da sua empresa Produções Fictícias, com uma cláusula de reversão que lhe permite recuperar a sua posição, terminou o conflito de interesses de Nuno Artur Silva - um amigo do peito do Dr. Costa - que tirou o chapéu de administrador da RTP e colocou o de secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media. Liberta do conflito de interesses, a RTP adjudicou às Produções Fictícias dois "projectos" um de 20 mil e outro de 390 mil euros.
A esperança é a última a morrer
A minha esperança é a eutanásia aprovada em 5 (cinco) projectos de lei venha a jazer no Diário da República sem aplicação. E porquê essa desesperada esperança? perguntareis vós que me aturais todas as semanas. Porque a ministra da Saúde garantiu em relação à execução da eutanásia (nunca a palavra execução foi tão adequada) que «o Serviço Nacional de Saúde, aqui como noutras áreas, está preparado para responder». As palavras-chave são como noutras áreas.
O Dr. Centeno é (mais) um grande ilusionista
A semana passada a imprensa amiga louvaminhou a evolução dívida pública e do endividamento da economia. O Impertinente entende que a louvaminha é mais exagerada do que a notícia da morte de Mark Twain, e concluiu:
- a dívida pública líquida continuou a aumentar em 2019, tendo o Ronaldo das Finanças escamoteado o aumento da dívida bruta à custa da redução da almofada financeira;
- o endividamento das empresas manteve-se, trocando dívida interna por externa, ou seja aumentando-se a dependência financeira face ao exterior.
23/02/2020
CASE STUDY: Trumpologia (56) - Cada vez mais perto do segundo mandato
Mais trumpologia.
Com a vitória no Nebraska, Bernie Sanders melhora a suas hipóteses de ser o candidato democrata contra Trump, ainda que essa vitória somada à de Nevada e de New Hampshire não seja muito diferente do que Sanders conseguiu nas primárias de 2016 em que veio a perder para Hillary Clinton.
Sanders melhora as hipóteses de ser o candidato democrata e Trump melhora as suas de ter um segundo mandato derrotando um Sanders que se declara socialista, num país em que o socialismo é visto como aquilo que é: o melhor caminho para o empobrecimento.
A gente de Trump já percebeu quem é o candidato democrata que mais lhe convém e é natural que a Rússia, como fez e fará com Trump, já esteja ajudar Sanders a quem evidentemente esse apoio é a última coisa que deseja e por isso chama «autocratic thug» ao Czar Vladimiro.
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COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (33) - P'ra mentira ser segura... (V)
Outras botas para descalçar
Este post é uma continuação de (I), (II), (III) e (IV)
Em retrospectiva:
Quando há um ano o governo anunciou 104 milhões de euros (três quartos dos quais destinados à área metropolitana de Lisboa) para permitir reduzir o preço dos passes sociais, justificou que daí resultariam mais 100 mil pessoas por ano nos transportes públicos, mais 63 milhões de viagens e menos 72 mil toneladas de dióxido de carbono, escrevi aqui que se tratava de mais um exercício de planeamento milagroso porque as famílias com menores rendimentos já então privilegiavam o transporte público e tinham um passe social.
Os meses foram passando e os resultados milagrosos não aparecerem ou só apareceram do lado dos passes que têm vindo a aumentar, o que se explica pelo acréscimo da procura induzido pela redução dos preços de quem não é passageiro regular, nomeadamente as centenas de milhar de reformados nas zonas metropolitanas.
Já no post anterior se mostrou que os dados apontam para uma redução de apenas cerca de 13 mil dos 370 mil veículos que diariamente entram em Lisboa, inferior a 4%. O inquérito recente Automóvel 2020 do Observador Cetelem, citado pelo Jornal Económico, concluiu que mais de 1/3 dos portugueses têm intenção de comprar carro este ano e nas cidades de Lisboa e Porto essa intenção sobe para 47%.
É claro que é apenas uma declaração de intenção mas mostra que os urbanitas alfacinhas e tripeiros não levam a sério o pensamento milagroso do Dr. Costa e do seu sucessor Medina que os vê a deixarem os seus popós à porta de casa para usarem os poucos, sujos, irregulares e dessincronizados transportes urbanos, transportes que não existem para transportar comodamente e rapidamente os clientes (a quem chamam "utentes") mas para proporcionarem um emprego vitalício aos funcionários das respectivas empresas.
Também é claro que o insucesso destas políticas não é um problema para o governo socialista e dele não retirarão nenhuma consequência. O propósito destas políticas não é terem sucesso e melhorar a vida dos portugueses. O propósito esgota-se em anunciar e retirar os supostos benefícios de imagem e, subsidiariamente, criar mais uns lugares para a clientela eleitoral.
Este post é uma continuação de (I), (II), (III) e (IV)
Em retrospectiva:
Quando há um ano o governo anunciou 104 milhões de euros (três quartos dos quais destinados à área metropolitana de Lisboa) para permitir reduzir o preço dos passes sociais, justificou que daí resultariam mais 100 mil pessoas por ano nos transportes públicos, mais 63 milhões de viagens e menos 72 mil toneladas de dióxido de carbono, escrevi aqui que se tratava de mais um exercício de planeamento milagroso porque as famílias com menores rendimentos já então privilegiavam o transporte público e tinham um passe social.
Os meses foram passando e os resultados milagrosos não aparecerem ou só apareceram do lado dos passes que têm vindo a aumentar, o que se explica pelo acréscimo da procura induzido pela redução dos preços de quem não é passageiro regular, nomeadamente as centenas de milhar de reformados nas zonas metropolitanas.
Já no post anterior se mostrou que os dados apontam para uma redução de apenas cerca de 13 mil dos 370 mil veículos que diariamente entram em Lisboa, inferior a 4%. O inquérito recente Automóvel 2020 do Observador Cetelem, citado pelo Jornal Económico, concluiu que mais de 1/3 dos portugueses têm intenção de comprar carro este ano e nas cidades de Lisboa e Porto essa intenção sobe para 47%.
É claro que é apenas uma declaração de intenção mas mostra que os urbanitas alfacinhas e tripeiros não levam a sério o pensamento milagroso do Dr. Costa e do seu sucessor Medina que os vê a deixarem os seus popós à porta de casa para usarem os poucos, sujos, irregulares e dessincronizados transportes urbanos, transportes que não existem para transportar comodamente e rapidamente os clientes (a quem chamam "utentes") mas para proporcionarem um emprego vitalício aos funcionários das respectivas empresas.
Também é claro que o insucesso destas políticas não é um problema para o governo socialista e dele não retirarão nenhuma consequência. O propósito destas políticas não é terem sucesso e melhorar a vida dos portugueses. O propósito esgota-se em anunciar e retirar os supostos benefícios de imagem e, subsidiariamente, criar mais uns lugares para a clientela eleitoral.
22/02/2020
DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.
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21/02/2020
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