Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

30/04/2019

ACREDITE SE QUISER: Para os cépticos que pensavam que Guterres não faria diferença nenhuma na ONU (4)

Outras diferenças que Guterres não fez.

Não obstante todos os esforços do nosso picareta falante mais internacional (enquanto o outro de Belém não o alcançar em internacionalizações), há sempre detractores a apontarem-lhe o dedo, injustamente, será preciso acrescentar?

Desta vez foi Kenneth Roth, director da Human Rights Watch, que acusou o nosso Guterres de «preocupante silêncio» sobre os direitos humanos num artigo do Washington Post. Ora se há coisas que ninguém pode acusar Guterres é de silêncio seja sobre o que for - será preciso recordar o merecido epíteto de picareta falante que lhe foi prantado por Vasco Pulido Valente?

Num estilo mais cínico e não menos detractivo, o antigo primeiro-ministro francês Jean-Pierre Raffarin, põe em dúvida que o nosso Guterres, «homem corajoso, com muita experiência», esteja à altura do difícil desafio. Não passa de inveja do Jean-Pierre que secretamente acalentava a ideia de ser o «homem mais poderoso do mundo», como lhe chamaram os nossos mais encomiásticos opinion dealers e a única coisa que conseguiu foi fundar a ONG Leaders pour la Paix.

SERVIÇO PÚBLICO: A lição das eleições espanholas

«A lição das transições de poder em Madrid e na Andaluzia em 2018 é que nunca o PSOE ou o PP deixarão de ir para o governo se tiverem votos para isso, venham esses votos de onde vierem. Como António Costa provou em Portugal, todos os votos valem agora o mesmo. O luxo de excluir partidos ditos de “extrema-direita” ou “extrema-esquerda” durou, após a Guerra Fria, apenas enquanto os outros partidos não precisaram deles para disputarem o poder. A extrema-esquerda, por exemplo, exalta-se muito com a extrema-direita. Mas na Grécia, o Syriza governou durante quatro anos com um partido, o Anel, que se por acaso estivesse no poder em coligação com a direita, todos os dias seria denunciado como racista e fascista. A regra é simples: só os “extremistas” que ajudarem os nossos inimigos é que são maus. Não  vale a pena fingir que não é assim.»

Três avisos por causa das eleições espanholas, Rui Ramos no Observador

29/04/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (185)

Outras avarias da geringonça e do país.

Começam a ser visíveis para o exterior os sinais de decomposição da geringonça como mostra o episódio das PPP da Saúde, que a ministra da Saúde aceitou, com o aval de Costa, fossem proibidas no futuro no documento em discussão com o BE para revisão da Lei de Bases da Saúde. Proibição que Costa, pressionado, resolveu deixar cair, desculpando-se ser um documento de trabalho, para poucos dias depois ser desmentido publicamente pelo BE que mandou para as redacções dos jornais a proposta do governo que continha essa proibição. Pressionado por fora e muito por dentro, essa é a novidade, por dirigentes socialistas como Carlos César que se demarcaram desse passo colectivista - «isto não é a União Soviética» disse um anónimo do grupo parlamentar do PS. Passo colectivista que ainda não se percebeu se era apenas fruto da necessidade de manter a cama quente para os berloquistas ou também reflexo da costela soviética de Costa.

Uma palavra para a ministra da Saúde, um óbvio erro de casting, dirão os distraídos, De todo, pelo contrário. Escreveu João Vieira Pereira no Expresso, «é a pessoa certa na altura certa. Uma ministra fraca, numa pasta que ser quer fraca pois toda a política de Saúde, além de ser feita na sede do Bloco de Esquerda, está condicionada pela insistente recusa de Mário Centeno em passar cheques».

28/04/2019

ACREDITE SE QUISER: E há quem diga que os comunistas não são democratas...

Claro que são democratas. Em rigor, depende do que se entenda por democracia, já explicou o chefe deles.

Faltava dizer que os comunistas não têm «uma visão da democracia como podendo ser imposta aos povos contra a sua vontade». Faltava mas já não falta. Acabou de ser dita em entrevista ao Expresso por João Ferreira, o apparatchik nomeado para chefe da lista da CDU às eleições europeias,

Assim se vê a diferença entre a fortíssima convicção democrática dos comunistas que respeitam a vontade do povo e os fascistas como o general Figueiredo, o último dos chefes da ditadura militar que governou o Brasil, que em 1978, ao ser questionado sobre o anúncio da democratização do regime, não querendo saber da vontade do povo, declarou «É para abrir mesmo. E quem quiser que não abra, eu prendo. Arrebento.»

E como se sabe qual é a vontade do povo? Perguntarão os cépticos. E a resposta é, pergunta-se ao partido. De que outra forma poderia ser?

O milagre dos cravos transforma vigaristas em incompreendidos, ditadores em democratas e o governo em oposição

Os cravos apareceram após 64 anos e ainda por aí
andam cada vez mais murchos (Créditos)
«Não há incredulidade ou cepticismo que não se rendam diante do milagre dos cravos: em Portugal, basta colocar um cravo ao peito para os terroristas passarem a combatentes pela liberdade; os vigaristas a incompreendidos; os ditadores a democratas; os medíocres a intelectuais e os parasitas a solidários.

Mas a esta transfiguração que já estávamos mais ou menos habituados acresceu este ano um mistério que a teologia não explica mas a política esclarece: os ministros e os parceiros do Governo puseram cravo ao peito e de imediato deixaram de ser Governo para se tornarem oposição. Na avenida da Liberdade, cravo na mão, a ministra da Saúde já não é a ministra que tem de explicar como foram retirados nomes das listas de espera para se tornar numa manifestante defensora do mesmo SNS que deixa degradar a níveis nunca vistos.  Já o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes transfigurou-se em jovem e desfilou com os manifestantes da Juventude Socialista que gritavam: “Queremos revolução, socialistas em acção“. Sendo certo que a única revolução que está  por fazer em Portugal é precisamente a que derrube a ditadura fiscal presidida pela secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais, cabe perguntar se o senhor secretário de Estado dos Assuntos Fiscais quando miraculado em jovem manifestante nos toma por parvos ou se faz parvo? Por fim o ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, desembaraçado do Porsche, além do cravo muniu-se de calças de ganga, o que para o caso faz do seu um milagre  ainda mais promissor.»

O milagre dos cravos, Helena Matos no Observador

27/04/2019

ESTADO DE SÍTIO: E o que são cinco minutos depois de dois meses de espera?

«Novo sistema em Espaços do Cidadão permite renovar cartão de cidadão em cinco minutos»

O Redondo Vocábulo, o contraponto a um 25 de Abril impertinente

Aqui no (Im)pertinências somos fanáticos do pluralismo e, por isso, em contraponto a este nosso post reaccionário, derrotista, hipercrítico, super-pessimista, acolhemos a peça progressista, visionária, laudatória, antecipatória dos amanhãs que cantam, do jornalista Valdemar Cruz no Expresso Curto, a newsletter do semanário de reverência.

O Redondo Vocábulo

«Abril. Os equívocos e ditames do novo Acordo Ortográfico apoucaram-lhe a ortografia. Não lhe diminuíram a grandeza. Abril. Em abril nos queremos. Em abril nos vemos. Em abril nos revemos. Abril não é sonho, nem utopia. Abril não é um estado de espírito. E, ainda assim, não há abril sem a dimensão do sonho. Não há abril sem o desejo de utopia. Não há abril sem esse imenso e solidário espírito de entrega. De dádiva. Abril não é um estado de exceção. É uma forma de ser. E de estar. É a normalidade adquirida de um país reencontrado com um povo sedento de liberdade. A ansiar democracia.

Abril é um estado em construção. Não é um ponto de chegada. É tão só um início de viagem. Cada um terá o seu próprio abril. Cada um esboçará a sua própria representação de abril. Cada um terá as suas próprias frustrações. A cada um as suas muito particulares revoltas e devoções. Pelo abril que (não) se cumpriu. Em cada rosto se idealiza um percurso. Em cada rosto se narra uma história. Em cada história se desvenda um mundo. São muitos e infinitos os mundos de abril. Às vezes contraditórios. Às vezes incompatíveis. Às vezes conflituais.

Em cada instante abril nasce de novo. Reformula-se. Reequaciona-se. Interpela-nos. Desafia-nos. Abala certezas adquiridas. Questiona verdades tidas por intocáveis. Absolutas. Essa a grandeza de uma data. Essa a glória derramada pela memória do tempo vivido e construído. Em abril. Por abril. E pelo abril sem o qual jamais seríamos o país que somos. Com todas as suas fragilidades. Com todas as suas grandezas. 25 de Abril foi ontem. 25 de Abril é hoje. 25 de Abril será sempre. Se soubermos lutar. Se o soubermos defender. Se o soubermos preservar . Se o soubermos continuar.

Liberto. Sem amarras. Sem donos. Abril é o absoluto e redondo vocábulo

Depois deste banho de ilusionismo utópico, talvez convenha regressar ao mundo real com uma citação do artigo «25A: viver no passado, evitar o presente, fugir do futuro» do "estrangeirado" Nuno Garoupa:
«Sejamos sinceros. As coisas são assim porque os eleitores gostam, a sociedade civil não existe e a comunicação social demitiu-se de escrutinar o regime.»

26/04/2019

E assim se vê por que temos de ter um banco público prosseguindo infatigavelmente o interesse nacional...

... ainda que isso nos custe os olhos da cara (e do cu).


Campanha de crédito “imbatível” está a chegar por email a clientes. Banco justifica com metas “extremamente exigentes”. E diz que não está a promover o endividamento, pois clientes acederiam na mesma a outras opções de financiamento do mercado

É claro que há outras razões também de interesse nacional, como por exemplo os empréstimos a Berardo e ao Vasconcelos para comprar acções do BCP e ajudar a colocar na administração os amigos do animal feroz, ou o financiamento dos PIN (Projectos Impossíveis de Negar), e tudo o mais sempre no interesse nacional, para fazer da Caixa «um porto seguro para as poupanças dos portugueses».

Nada se perde, salvo as cabeças guilhotinadas

Lavoisier e sua mulher em 1788,
Metropolitan Museum of Art, NY
No próximo dia 8 de Maio completam-se 225 anos do assassinato de Antoine Laurent de Lavoisier, justamente considerado o pai da química moderna, também economista e filósofo.

Lavoisier enunciou pela primeira vez a lei da conservação da matéria («rien ne se perd, rien ne se crée, tout se transforme»), decompôs a água e identificou e baptizou o oxigénio.

Tudo isso foi feito nos escassos 45 anos de idade que viveu antes de ser guilhotinado depois de um julgamento sumário durante o Terror, acusado de ser inimigo do povo e traficar tabaco adulterado (na verdade podia ter sido qualquer outra coisa).

Antes do Terror tinha sido comissário das finanças da Convenção encarregado de reformar a cobrança de impostos, talvez o verdadeiro motivo por que lhe cortaram a cabeça.

Nas palavras do presidente do tribunal revolucionário que o condenou: «La République n'a pas besoin de savants ni de chimistes; le cours de la justice ne peut être suspendu

25/04/2019

DIÁRIO DE BORDO: Um 25 de Abril impertinente

O meu 25 de Abril foi o dia em que comecei a descobrir que as coisas não eram o que pareciam ser.

Em que comecei a descobrir que o país estava coalhado de democratas, socialistas e comunistas nunca antes vistos, nascidos nos escombros do colapso por vício próprio do edifício decadente do Estado Novo. Pouco a pouco, nos dias e meses seguintes, para minha surpresa, o coalho derramou-se pelo país numa maré do coming out, como lhe chamaríamos hoje. Em cada empregado servil, venerador, de espinha dobrada e mão estendida, havia um heróico sindicalista pronto a lutar pelos direitos dos trabalhadores e pelo «saneamento» do patrão.

Em que comecei a descobrir como tinha sido possível o marcelismo ter-se mantido de pé 6 longos anos, depois do Botas ter caído da célebre e providencial cadeira. Que nunca tinha havido uma oposição digna desse nome. Que a mole imensa do povinho lá tinha feito pela vidinha, esgueirando-se pelas frestas das fronteiras, pelas cunhas da tropa e pelas veredas das guerras do ultramar.

Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama não era uma ditadura suportada por uma direita retrógrada e infinitamente estúpida. Nem era uma ditadura provinciana, bafienta, decadente, de brandos costumes, que mantinha um número de presos políticos que envergonharia qualquer ditadura à séria (112, depois dum mês agitado de prisões).

Em que comecei a perceber que também não era a guerra colonial, que em 25 anos fez o equivalente ao número de mortos de 4 ou 5 anos de guerra rodoviária. Nem a guerra cujo fim foi uma humilhante fuga às responsabilidades (nem mais um só soldado para as colónias, berravam os bloquistas avant la lettre) que desencadeou em Angola, Moçambique e Timor a enorme hecatombe humana dos 20 anos seguintes.

Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama era a resposta à pergunta: como foi possível a uma tal ditadura manter-se quase 50 longos anos sem ter sido seriamente ameaçada?

Em que comecei a perceber que o 25 de Abril foi princípio do fim das nossas desculpas como povo. Que nada adiantaria sacudir a água do capote, e mandar a coisa para cima dos eles que escolhemos para nos desgovernarem.

E foi neste 25 de Abril que descobri que já não me restava pachorra para aturar, mais um ano, as comemorações do gang do esquerdismo senil que se julga proprietário da data.

[Este post foi publicado no trigésimo aniversário da chamada revolução dos cravos. Hoje poderia escrever o mesmo, mas não foi preciso porque já estava escrito.]

Os cenários do Ronaldo caiem por terra porque não têm nada que os segure


Foi o título escolhido pelo DN para um artigo onde explica que Nazaré Costa Cabral, a presidente do Conselho das Finanças Públicas (CFP), na Comissão de Orçamento e Finanças, no Parlamento, considerou que as previsões do Programa de Estabilidade 2019-2023 apresentadas pelo Ronaldo das Finanças «não são prudentes» devido ao arrefecimento da economia alemã e ao risco de declínio do turismo.

Tendo em conta que o crescimento da economia portuguesa, ainda que pífio e em queda, durante o mandato deste governo apoiado pela geringonça se ficou a dever exclusivamente ao puxanço das economias europeias e ao turismo, um título mais rigoroso seria «Alemanha e turismo podem deixar de segurar os cenários de Centeno», mas percebe-se a dificuldade de um jornal que vai para quatro anos atribui ao governo a obra da conjuntura internacional.

24/04/2019

Lost in translation (321) - Tenho esperança que ele transforme a acusação numa solução homeopática, quis o animal feroz significar

«Há um juiz que respeito e que considero independente», disse em entrevista à TVI José Sócrates, o alegado criminoso preferido dos mídia que lhe concedem mais tempo de antena desde pelo menos D. João II, referindo-se a Ivo Rosa o juiz da Operação Marquês a quem saiu na rifa dirigir a fase de instrução onde o ex-primeiro-ministro socialista é «acusado de 31 crimes e de acumular 24 milhões de euros na Suíça».

SERVIÇO PÚBLICO: As raízes do Brexit


Talvez pelo seu passado de causas fracturantes, quando já tinha idade para ter juízo, não tenho levado muito a sério Sérgio Sousa Pinto. Por isso, foi com alguma surpresa que li no Expresso do fim de semana o seu texto «Os ingleses na sua ilha», uma visão lúcida sobre as raízes do Brexit que aqui transcrevo em benefício dos leitores que não frequentam o semanário de reverência.

«A confusão e caos em que o 'Brexit' se transformou têm sido um bálsamo para inúmeras famílias no continente. A esquerda arcaica, a esquerda cosmopolita e globalista, a direita liberal, os beatos da Europa, os seus senhores, e, por todos, a picareta falante Guy Verhofstadt, escondem mal o seu íntimo regozijo com a débâcle britânica, e sobretudo inglesa. Infelizmente, não há razões para festejos. A saída do Reino Unido representa muito mais do que uma perda quantitativa para a Europa, medida em PIB, comércio, orçamento, influência. A saída do Reino Unido terá um impacto qualitativo na Europa pós-'Brexit', no sentido em que a Europa sairá modificada na sua natureza, resultará numa qualquer outra coisa, ainda impossível de antecipar, transformada a um nível muito mais profundo do que a mera amputação de uma ilha. O que o futuro reserva ao Reino Unido não é problema nosso. O impacto da sua saída no projeto de integração continental, no seu desenho e no seu. destino, não pode deixar de o ser. A Europa é tributária de um núcleo de valores políticos e históricos, que são o legado cultural britânico à nossa civilização comum, e de que o Reino Unido tem sido, à sua maneira, guardião. O espírito da integração europeia repousa, em não pequena medida, na adesão de todos a esse tronco central, à tradição da liberdade e às suas instituições, que, devidamente testadas pelo tempo, a garantem. Uma parte importante da Europa que saiu de si para ir ao encontro do mundo, a Europa pós-colonial, separa-se do conjunto, deixando-nos num plano inclinado, que adorna em direção ao centro europeu, germânico, eslavo, de tradição e cultura mais comunitarista que liberal.

23/04/2019

Olha que grande novidade... Tiremos daí as consequências

«Em 2016 havia 6.109 filiais estrangeiras no país, o que representava 0,73% do universo empresarial (excluindo o sector financeiro e segurador). Esta percentagem era a sexta mais baixa entre todos os 28 países da União Europeia (UE) e ficava bem abaixo da média da UE, que atingia 1,2%. E Portugal também ficava aquém da média da UE em termos do peso das filiais estrangeiras no emprego - 13,1% versus 15,3% - e no valor acrescentado bruto a custo de fatores - 24% contra 25%. (...)

Em 2016, a produtividade por trabalhador (valor acrescentado bruto por pessoa empregada) atingia 45,4 mil euros, em média, nas filiais estrangeiras em Portugal, o que comparava com 24,9 mil euros no conjunto do tecido empresarial. Tradução: um diferencial de 82,3%, o nono maior entre os 28 países da UE. 

Quanto aos custos médios com pessoal atingiam, em 2016 (valor anual), 24,6 mil euros nas filiais estrangeiras e 17,5 mil euros no conjunto de todas as empresas no país. Ou seja, em média, nas filiais estrangeiras os salários eram 40,6% superiores, colocando Portugal na sétima posição entre os 13 países da UE para os quais há dados disponíveis no que toca a este diferencial.»

(Dados do Eurostat citados pelo Expresso Diário)

E porquê? Pelas razões do costume: (1) o capital por trabalhador nas filiais estrangeiras é mais elevado o que permite um nível de automação maior; (2) a qualificação dos trabalhadores é mais alta e (3) a qualidade da gestão dessas filiais é melhor.

O que é preciso para se chegar lá? Mais desses ingredientes e tempo (muito tempo). E como se chega lá? Não se chega com o complexo político-empresarial socialista nem com a fórmula preferida da esquerdalhada que é aumentar os salários e esperar que isso aumente a produtividade. Isso é seguro. O resto podemos discutir.

Um palhaço-presidente é a mesma coisa que um presidente-palhaço?

Os ucranianos elegeram este fim de semana como presidente Volodymyr Zelensky, um comediante cuja experiência política se resume a ter protagonizado na série «O Servo do Povo» um professor de História que se tornou presidente.

Há quem diga que os ucranianos elegeram um palhaço para presidente o que até pode ser verdade, mas não é original.

22/04/2019

Os extremismos são todos iguais, mas há uns mais iguais do que outros

Qual a diferença entre um atentado bombista por fanáticos cristãos e um atentado bombista por fanáticos islâmicos?

Ao contrário do primeiro, no segundo Não há ódio. Não há autor. Não há motivo. As explosões explodem e as pessoas morrem.

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (184)

Outras avarias da geringonça e do país.

Um estudo sobre Segurança Social patrocinado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos tornou público um segredo de Polichinelo: a longo prazo o sistema de pensões é insustentável. Depois de várias reformas "definitivas" da Segurança Social da iniciativa de governos socialistas, o ministro socialista do pelouro desvalorizou as conclusões com os truques habituais que fazem soar a campainha de milhões de idiotas atribuindo ao estudo o propósito de «abrir o mercado aos privados», aproveitando para anunciar um novo aumento real das pensões em 2020, a que se seguiu o recado de Costa na imprensa amiga de taxar os lucros para financiar as pensões. É a reacção lógica de quem mede o interesse nacional pelo impacto nos seus resultados nas eleições deste ano.

Um dos exemplos mais notáveis, e eles não faltam, do desinteresse pelos conflitos de interesse da casta socialista, dos novos situacionistas, como lhes chamou com propriedade Helena Matos, é o bonzo jurídico do regime, Eduardo Paz Ferreira, que na sua qualidade de especialista em Finanças Públicas facturou quase 600 mil euros a organismos públicos durante o governo em que sua mulher é ministra da Justiça. Mais notável do que ter facturado - já o tinha feito quase à mesma escala no governo anterior - é ele não ter visto nisso qualquer problema ético, mesmo quando actua como advogado para contestar o Tribunal de Contas.

21/04/2019

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos

A propósito da divulgação a semana passada do estudo sobre a Segurança Social da Fundação Francisco Manuel dos Santos, pensei comentar outra vez o tema mas descobri depois de 15 anos de posts do (Im)pertinências sobre este tema (por exemplo este, este ou este sobre como para tapar o défice se alargou o buraco da Segurança Social), não me lembrava, assim de repente, nada que não tivesse já dito. Só para encher tempo de antena, resolvi desenterrar da minha Torre do Tombo privada um post com quase quatro anos que republico esperando a vossa benevolência.

Onde estamos depois das reformas do sistema de segurança social que nos foram prometidas garantir a sustentabilidade para os próximos 50 anos ou até durante o século XXI? Mais próximo da insustentabilidade, bem entendido.

Fonte: Economist
Também podemos assobiar para o lado e dizer que isso é um problema europeu, o que nada resolve porque, como diz o povo, com os problemas dos outros podemos nós bem. Ainda assim, do ponto de vista demográfico o nosso problema é maior do que a média: o nosso rácio de dependência dos idosos está e estará acima da média da Zona Euro e a população activa terá uma redução 6 pontos percentuais acima da redução média da Zona Euro até 2030. Ou seja mais pensionistas e menos contribuintes.

Qual a solução? Reduzir as prestações e/ou aumentar as contribuições, diria Monsieur de La Palice, não sendo socialista.

20/04/2019

A maldição da tabuada (50) - A psicologia clínica e forense convive mal com a aritmética mais elementar

«A elevada taxa de suicídio nas forças de segurança é o tema analisado na segunda das duas crónicas bimensais de abril pelo psicólogo clínico e forense Mauro Paulino.

Entre 2000 e 2018 suicidaram-se 71 agentes da PSP e 73 guardas da GNR, um total de 144 mortes noticiadas na comunicação social, mas que não espelham a realidade de um tema tabu que se teima em não querer enfrentar ou que insistentemente se silencia, como se esta postura fosse, por si só, trazer mudanças.»

Excerto de «O suicídio de pessoas que estão para além da farda» no Expresso Diário do dia 15 de Abril.

Analisemos então o tema tabu com base nos dados demográficos disponíveis:
  • Segundo a peça citada, nos 19 anos de 2000 a 2018 suicidaram-se 144 agentes ou 7,6 por ano;
  • Existiam em 2017 em Portugal 21.350 polícias e 22.365 guardas da GNR (fonte PORDATA); admitindo que nesse período existissem em média 40 mil agentes teriam-se suicidado 0,19 por ano;
  • Admitamos para simplificar que todos os polícias eram homens entre os 25 e os 64 anos e comparemos com a população residente masculina;
  • Segundo o Censo 2011 residiam em Portugal cerca de 5.047 mil homens e, segundo as estatísticas do INE, os suicídios causaram 981 mortes em 2016, dos quais cerca de 76% eram homens, ou seja 748 mortes ou o equivalente a 0,15 suicídios por mil homens residentes, uma taxa um pouco inferior à das forças de segurança;
  • Porém, se admitirmos que as taxas de suicídio são muito mais baixas nos jovens e comparamos as 748 mortes por suicídio com a população residente masculina com mais de 25 anos que rondava os 3.964 mil, as 748 mortes corresponderiam a 0,19 por mil homens residentes, ou seja por coincidência a taxa das forças de segurança.
Em conclusão,
  1. de acordo com aquelas premissas aproximadas, não há nenhuma razão para concluir que o suicídio nas forças de segurança seja um problema mais grave do que na população masculina em geral;
  2. de onde poderíamos concluir que a psicologia clínica e forense convive mal com a aritmética mais elementar.

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (81) - Estranha-se e não se deve entranhar ou teremos um Salazar encarnado num Carmona

Outras preces

«Não só é estranho o Presidente, como órgão unipessoal que é, querer proibir-se a si próprio de efectuar nomeações de familiares, que ninguém o obriga a realizar, como também é insólito o Presidente da República assumir junto do Governo uma iniciativa legislativa, o que está ao arrepio de todas as suas competências constitucionais.»

Um Presidente para legislar, Luís Menezes Leitão no Jornal i