Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
31/05/2018
BREIQUINGUE NIUZ: Kim (the other Kim) heads to the White House
«After months of back-channel talks between Kim Kardashian and Jared Kushner, the high priestess of reality television is coming to the White House. By late afternoon on Wednesday, Secret Service agents will wave Kardashian and her attorney through the southwest appointment gate to the West Wing, where they will meet Kushner to discuss prison reform before he walks with them to sit down with President Donald Trump, likely in the Oval Office, along with White House counsel.» (Vanity Fair)
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ACREDITE SE QUISER: Isso pode explicar muita coisa
«Portugueses são os europeus que mais acreditam que Deus fala com eles todos os dias»
Resultados de um inquérito telefónico sobre religião de Abril a Agosto de 2017 do Pew Research Center em 15 países europeus. (fonte)
Resultados de um inquérito telefónico sobre religião de Abril a Agosto de 2017 do Pew Research Center em 15 países europeus. (fonte)
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30/05/2018
Pro memoria (378) - O maior empregador recebe a maior empregadora
| Merkel nos tempos da troika |
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| Liebste Angela |
São cerca de 400 empresas, geram um volume de negócios na ordem dos 10 mil milhões de euros e dão um forte impulso às exportações. Juntas, e a seguir ao Estado, são as que geram mais emprego no país.» (Observador)
«Costa e Merkel juntos em Lisboa para discutirem reforma da UEM e novo quadro financeiro europeu» (Expresso)
29/05/2018
A eutanásia como causa fracturante do esquerdismo ou a morte administrada pelo Estado Sucial
«A eutanásia faz parte do pacote de “causas fracturantes” com que as extrema-esquerdas americana e europeia substituiu o socialismo como arma de ataque contra a “sociedade burguesa”. O esforço é agora usar o Estado, não para nacionalizar as fábricas, mas para reconstruir a moral, erradicando a tradição judaico-cristã, especialmente no que tem a ver com a santidade da vida, a favor de uma ética secular e científica, sem mistério nem transcendência. É claro que os proponentes desta biopolítica não admitem as suas origens ideológicas, preferindo citar, como razão, o exemplo de doentes terminais supostamente mantidos em sofrimento pela medicina. Nada disso faz sentido, quando há cuidados paliativos e a possibilidade de interromper tratamentos. Não é a mesma coisa? Pois não, mas então não falem dos doentes terminais, e falem antes da ideologia da “morte racional”, da tese de que a morte deve ser decidida, e não natural, como um último acto de soberania do indivíduo puramente racional.»
A política da morte, Rui Ramos no Observador
A política da morte, Rui Ramos no Observador
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TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Paraíso fiscal onshore
«Como outras celebridades mais ou menos milionárias (...) Johansson escolheu vir para Portugal para beneficiar das excelentes vantagens que o Estado português oferece aos seus “residentes não habituais”.
Por um período de dez anos, os seus rendimentos gerados noutros países gozam de uma redução nas taxas de IRS que pagam ou, se forem reformados, estarão completamente isentos dessa chatice que, segundo o ditado, seria tão inevitável como a morte (contra esta, nem uma cunha nos partidos do poder pode fazer o que quer que seja). Enquanto isso, o comum “residente habitual” paga cada vez mais impostos todos os anos e, se tiver azar, vê a Autoridade Tributária a abusar do seu poder para lhe cobrar indevidamente ainda mais.
(...)
Por reconhecerem que o sistema fiscal português é um autêntico inferno, os governos portugueses de todas as cores criam um paraíso para aqueles cujo dinheiro ou actividade desejam atrair. Por saberem que precisam de alimentar as extensas clientelas que dependem do Orçamento do Estado e de que eles próprios não dependem menos, os partidos que se vão revezando em São Bento sabem, também, que o tal inferno precisa de ser imposto aos que não têm a sorte de terem amigos no Rato ou na Lapa, nem de terem feito filmes em Hollywood, pois sem isso não terão onde sacar o recheio do festim orçamental que garante a sobrevivência dos que, por sua vez, garantem a sua.
Ao contrário do que infelizmente se tornou moda dizer e pensar, não vejo qualquer mal em que cada vez mais estrangeiros escolham Lisboa para visitar ou viver, muito menos que consigo tragam (e gastem) o dinheiro que muita falta cá faz. Mas vejo mal (e muito) em que, ao mesmo tempo, se mantenha um sistema que só faz com que os que cá nasceram e vivem queiram ir para outro sítio.»
Excerto de «Scarlett no País das Maravilhas», Bruno Alves no Negócios
Por um período de dez anos, os seus rendimentos gerados noutros países gozam de uma redução nas taxas de IRS que pagam ou, se forem reformados, estarão completamente isentos dessa chatice que, segundo o ditado, seria tão inevitável como a morte (contra esta, nem uma cunha nos partidos do poder pode fazer o que quer que seja). Enquanto isso, o comum “residente habitual” paga cada vez mais impostos todos os anos e, se tiver azar, vê a Autoridade Tributária a abusar do seu poder para lhe cobrar indevidamente ainda mais.
(...)
Por reconhecerem que o sistema fiscal português é um autêntico inferno, os governos portugueses de todas as cores criam um paraíso para aqueles cujo dinheiro ou actividade desejam atrair. Por saberem que precisam de alimentar as extensas clientelas que dependem do Orçamento do Estado e de que eles próprios não dependem menos, os partidos que se vão revezando em São Bento sabem, também, que o tal inferno precisa de ser imposto aos que não têm a sorte de terem amigos no Rato ou na Lapa, nem de terem feito filmes em Hollywood, pois sem isso não terão onde sacar o recheio do festim orçamental que garante a sobrevivência dos que, por sua vez, garantem a sua.
Ao contrário do que infelizmente se tornou moda dizer e pensar, não vejo qualquer mal em que cada vez mais estrangeiros escolham Lisboa para visitar ou viver, muito menos que consigo tragam (e gastem) o dinheiro que muita falta cá faz. Mas vejo mal (e muito) em que, ao mesmo tempo, se mantenha um sistema que só faz com que os que cá nasceram e vivem queiram ir para outro sítio.»
Excerto de «Scarlett no País das Maravilhas», Bruno Alves no Negócios
28/05/2018
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (137)
Outras avarias da geringonça.
Até para um amigo de Costa, por ele proposto para assessorar o governo de Macau - o viveiro do PS das negociatas -, é demasiado. Siza Vieira, o «ministro adjunto da EDP» conseguiu destacar-se dentro desse viveiro. Foi sócio de um escritório que assessorou os chineses na OPA à EDP, ajudou a produzir uma alteração da lei que facilitou a OPA, reuniu-se com os chineses antes da OPA, e, ele que é um advogado com 30 anos de experiência, «não tinha noção» da lei que violou, mantendo cargos incompatíveis com a pertença ao governo na Metro Transportes do Sul e na gerência de uma sociedade imobiliária que criou com a mulher na véspera de tomar posse como ministro.
A coisa ameaça tornar-se um hábito, porque o secretário de Estado da Juventude e Desporto foi durante quase dois anos gerente de uma empresa pessoal de exploração de mirtilos. Este disse que só em Janeiro a AR o informou da incompatibilidade. Não é extraordinária a ligeireza desta gente ou o descaramento ou o sentimento de impunidade ou de superioridade moral?
Até para um amigo de Costa, por ele proposto para assessorar o governo de Macau - o viveiro do PS das negociatas -, é demasiado. Siza Vieira, o «ministro adjunto da EDP» conseguiu destacar-se dentro desse viveiro. Foi sócio de um escritório que assessorou os chineses na OPA à EDP, ajudou a produzir uma alteração da lei que facilitou a OPA, reuniu-se com os chineses antes da OPA, e, ele que é um advogado com 30 anos de experiência, «não tinha noção» da lei que violou, mantendo cargos incompatíveis com a pertença ao governo na Metro Transportes do Sul e na gerência de uma sociedade imobiliária que criou com a mulher na véspera de tomar posse como ministro.A coisa ameaça tornar-se um hábito, porque o secretário de Estado da Juventude e Desporto foi durante quase dois anos gerente de uma empresa pessoal de exploração de mirtilos. Este disse que só em Janeiro a AR o informou da incompatibilidade. Não é extraordinária a ligeireza desta gente ou o descaramento ou o sentimento de impunidade ou de superioridade moral?
27/05/2018
ACREDITE SE QUISER: O ministro autocrítico
«Manifesto assinado por 2400 investigadores (e pelo próprio ministro) critica fortemente política científica do Governo»
É apenas mais um exemplo de duas coisas recorrentes: (1) os investigadores portugueses são apenas mais uma corporação pendurada no Estado Sucial e para esse efeito equivalem aos funcionários administrativos que na maior parte são; (2) os ministros deste governo têm os princípios que têm mas, como o Groucho, se nós não gostarmos deles, poderão ter outros.
É apenas mais um exemplo de duas coisas recorrentes: (1) os investigadores portugueses são apenas mais uma corporação pendurada no Estado Sucial e para esse efeito equivalem aos funcionários administrativos que na maior parte são; (2) os ministros deste governo têm os princípios que têm mas, como o Groucho, se nós não gostarmos deles, poderão ter outros.
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A defesa dos centros de decisão nacional (22) - A defesa está a ficar cada dia mais fácil
[Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14), (15), (16), (17), (18), (19), (20) e (21)]
Recordemos os inúmeros manifestos pela defesa dos centros de decisão nacional, alguns deles assinados por empresários que passado algum tempo venderam a estrangeiros as suas empresas. Recordemos também que esta necessidade de vender o país aos retalhos surge pelo endividamento gigantesco de públicos e privados e pela consequente descapitalização da economia portuguesa, consequência de décadas a viver acima das posses.
A construtora Teixeira Duarte, cujos accionistas foram conhecidos activistas dos «centros de decisão nacional», anunciou que vai vender ao fundo europeu Kildare por 25 milhões o Lagoas Park, um complexo de escritórios em Oeiras. Fazem parte do complexo «13 edifícios de escritórios com cerca de 85.000 m2 de espaços verdes, lagos e cascatas e mais de 5.000 lugares de estacionamento, 12 restaurantes, um hotel de 4 estrelas, um centro de congressos, um health club, parque de estacionamento público, um colégio e uma galeria comercial com serviços diversos. (fonte)
Recordemos os inúmeros manifestos pela defesa dos centros de decisão nacional, alguns deles assinados por empresários que passado algum tempo venderam a estrangeiros as suas empresas. Recordemos também que esta necessidade de vender o país aos retalhos surge pelo endividamento gigantesco de públicos e privados e pela consequente descapitalização da economia portuguesa, consequência de décadas a viver acima das posses.
A construtora Teixeira Duarte, cujos accionistas foram conhecidos activistas dos «centros de decisão nacional», anunciou que vai vender ao fundo europeu Kildare por 25 milhões o Lagoas Park, um complexo de escritórios em Oeiras. Fazem parte do complexo «13 edifícios de escritórios com cerca de 85.000 m2 de espaços verdes, lagos e cascatas e mais de 5.000 lugares de estacionamento, 12 restaurantes, um hotel de 4 estrelas, um centro de congressos, um health club, parque de estacionamento público, um colégio e uma galeria comercial com serviços diversos. (fonte)
26/05/2018
DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (55)
Outras preces.
«Para Sua Excelência, o Presidente da República, “devemos a Júlio Pomar a abertura de Portugal ao mundo e a entrada do mundo em Portugal”. O perigo de se produzir cerca de oitocentos obituários semanais é o de esgotar rapidamente os elogios de circunstância e ter de descambar para hipérboles sem rédea. Além disso, toda a gente sabe que o responsável por abrir Portugal ao mundo e tal foi um senhor que tinha uma boîte no Bairro Alto e faleceu há tempos.»
Alberto Gonçalves no Observador
«Para Sua Excelência, o Presidente da República, “devemos a Júlio Pomar a abertura de Portugal ao mundo e a entrada do mundo em Portugal”. O perigo de se produzir cerca de oitocentos obituários semanais é o de esgotar rapidamente os elogios de circunstância e ter de descambar para hipérboles sem rédea. Além disso, toda a gente sabe que o responsável por abrir Portugal ao mundo e tal foi um senhor que tinha uma boîte no Bairro Alto e faleceu há tempos.»
Alberto Gonçalves no Observador
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é muito para um homem só,
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CASE STUDY: O sucesso de hoje não garante o sucesso de amanhã
A indústria portuguesa do calçado foi uma das poucas que sem subsídios, nem colo estatal (possivelmente por isso mesmo), nem jornalismo promocional (falar de sapatos não é muito sexy para os jornalistas que gravitam em torno das luminárias do regime), conseguiu reinventar-se e numa década passar da produção de sapatos baratos sem qualidade para sapatos de boa qualidade e com um preço médio dos mais elevados do mundo ganhando assim uma posição notável no mercado global.
Infelizmente (é uma figura de retórica), o sucesso de hoje não garante o sucesso de amanhã. A indústria de calçado portuguesa fabrica hoje sapatos topo de gama para gente endinheirada (enfim, mais ou menos) e gradualmente a concorrência aumentará num segmento de mercado com uma dimensão limitada.
Talvez percebendo isso, a ECCO, a multinacional dinamarquesa do calçado presente numa centena de países e empregando 20 mil trabalhadores (40% do emprego na indústria portuguesa do calçado), começou a produzir experimentalmente em Amesterdão sapatos personalizados usando a digitalização laser para desenhar as entressolas à medida dos pés do cliente, as quais são de seguida fabricadas numa impressora 3D e inseridas nos sapatos por ele escolhidos. É uma espécie de masstige, a conjugação dos conceitos ainda recentemente inconciliáveis de produção em massa e produção à medida.
Infelizmente (é uma figura de retórica), o sucesso de hoje não garante o sucesso de amanhã. A indústria de calçado portuguesa fabrica hoje sapatos topo de gama para gente endinheirada (enfim, mais ou menos) e gradualmente a concorrência aumentará num segmento de mercado com uma dimensão limitada.
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| Trading Up, Michael Silverstein & Neil Fiske |
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O que tem de ser tem muita força
25/05/2018
CASE STUDY: O Estado Sucial é uma máquina de extorsão
Há alguns meses uma sucursal de uma empresa estrangeira fez um pagamento por engano à Segurança Social de umas centenas de milhares de euros que se destinavam ao pagamento de impostos à Autoridade Tributária e Aduaneira. Note-se que a empresa não deve um cêntimo, nem ao Fisco nem à Segurança Social.
Poucos dias, depois apercebendo-se do erro, a empresa tentou recuperar o montante indevidamente pago à Segurança Social. Resposta: não podemos devolver, terá de ficar para encontro de contas com contribuições futuras.
Nota: não é uma estória em segunda mão; é um facto com conhecimento directo.
Poucos dias, depois apercebendo-se do erro, a empresa tentou recuperar o montante indevidamente pago à Segurança Social. Resposta: não podemos devolver, terá de ficar para encontro de contas com contribuições futuras.
Nota: não é uma estória em segunda mão; é um facto com conhecimento directo.
24/05/2018
Porque não fiquei surpreendido, outra vez?
Já não tinha ficado surpreendido quando o Querido Líder suspendeu as conversações com os Estados Unidos e ameaçou cancelar a cimeira prevista para 12 de Junho. Nem fiquei surpreendido pela reaproximação de Kim ao Imperador Xi.
E, portanto, também não fiquei surpreendido por Trump ir a correr anunciar o cancelamento da cimeira que, se não tivesse sido cancelada, deixaria Trump, cuja sofisticação em jogos não deve ir além das slot machines, a falar sozinho perdido no poker de Kim sem trunfos para fazer face ao bluff do Querido Líder.
ACREDITE SE QUISER: «Não tinha noção», disse ele
«Pedro Siza Vieira disse à SIC Notícias que “não tinha noção” da incompatibilidade entre a gerência de uma empresa imobiliária e o cargo de ministro-adjunto. Respondia à notícia do jornal Eco de que Siza Vieira abriu uma empresa de imobiliário, onde detém 50% do capital, um dia antes de entrar para o Governo da qual chegou a ser gerente. O ministro-adjunto disse que só tomou consciência da incompatibilidade de cargos dois meses depois da posse e renunciou de imediato.» (fonte)
Siza Vieira é advogado há quase trinta anos, foi sócio de várias sociedades de advogados, por último da Linklaters. Ah, já me esquecia, é amigo do peito de Costa, foi por este proposto para assessorar o governo de Macau onde ficou dois anos. Sim, Macau. Leram bem. É mais um.
Siza Vieira é advogado há quase trinta anos, foi sócio de várias sociedades de advogados, por último da Linklaters. Ah, já me esquecia, é amigo do peito de Costa, foi por este proposto para assessorar o governo de Macau onde ficou dois anos. Sim, Macau. Leram bem. É mais um.
23/05/2018
A superioridade moral imobiliária do socialismo (4)
Um amigo enviou o seguinte comentário ao post de ontem:
«O ridículo (e a desfaçatez) não têm limites. Interrogado sobre o mesmo tema, Pablo, que tinha acusado o Luís de especulação pelo porco capitalista ter comprado um casa, disse que no caso dele tratava-se de construir uma vida.
Mais. Este gajo, contra quase tudo, conta financiar grande parte do custo da casa com a herança que um dia receberá. Haverá algo de mais capitalista do que uma herança, que representa nada mais do que o ganho de alguém sem esforço no imaginário esquerdista? Vindo de alguém que afirmou que «onde há propriedade privada, há corrupção…» fica tudo esclarecido.»
O que me suscitou o seguinte aditamento:
Para sermos honestos, devemos reconhecer que a direita e os
não socialistas em geral também praticam este desporto. Há, contudo, duas grandes
diferenças. A primeira é que normalmente não são hipócritas e não se
apresentam com os tiques de superioridade moral com que a esquerda se
apresenta.
Por exemplo, no caso do Costa, muitas criaturas de direita
fariam o mesmo, com a diferença que não se proclamariam indignados com a
especulação imobiliária. Ou, no caso do Pablo, muitas delas comprariam, se tivessem
dinheiro ou crédito, uma moradia luxuosa mas não se armariam em moralistas
criticando os adversários que fizeram o mesmo.
A segunda grande diferença é que a direita pratica muito
menos do que a esquerdalhada a doutrina Somoza, a qual, como se sabe, consiste
em vilipendiar nos adversários aquilo que se silencia nos correligionários, ou,
pior ainda, vê o vício nos outros e onde entre os seus vê a virtude.
22/05/2018
A superioridade moral imobiliária do socialismo (3)
Tratámos aqui da superioridade imobiliária do Héron Castilho em Lisboa e do Passy, 16ème em Paris ambos de José Sócrates e da Avenida da Liberdade em Lisboa de Costa, face à Rua Milharada em Massamá de Passos Coelho.
Evocámos aqui o jeito para o negócio imobiliário de Fernando Medina, o herdeiro de Costa na câmara de Lisboa.
Hoje é a vez de celebrar o mesmo jeito para o negócio imobiliário de Costa, o mesmo Costa que se indigna com a especulação imobiliária a que chama «drama social» e que comprou em Março de 2016 uma casa no Rato por 55 mil euros a uns velhotes que lha venderam mais barato (valeria à época 120 mil euros) por se destinar a alojar a filha do mesmo Costa para «morar perto do café do irmão». Menos de um ano depois, em Abril de 2017, o Costa das indignações pela especulação vendeu a casa pelo dobro do preço. (fonte)
Pablo Iglesias, líder do Podemos, outro indignado pela especulação imobiliária e pelo luxo a que se entrega a nomenclatura do PP, twitou há meia dúzia de anos a propósito de uma compra de um apartamento por Luis de Guindos, antigo ministro espanhol da Economia e actual vice-presidente do Banco Central Europeu: «Entregarias a política económica de um país a alguém que gasta 600 mil euros num apartamento de luxo?»
Nem de propósito e com um azar maior do que o dos Távoras, seis anos depois Iglesias comprou com a sua namorada Irene Montero, também deputada, por 615 mil euros um luxuoso chalé que pode ser visto aqui, na Serra de Guadarrama de Madrid, com «268 metros quadrados de luxo com três quartos, duas casas de banho, uma lareira, um jardim, uma piscina e uma pequena casa de hóspedes.»
Evocámos aqui o jeito para o negócio imobiliário de Fernando Medina, o herdeiro de Costa na câmara de Lisboa.
Hoje é a vez de celebrar o mesmo jeito para o negócio imobiliário de Costa, o mesmo Costa que se indigna com a especulação imobiliária a que chama «drama social» e que comprou em Março de 2016 uma casa no Rato por 55 mil euros a uns velhotes que lha venderam mais barato (valeria à época 120 mil euros) por se destinar a alojar a filha do mesmo Costa para «morar perto do café do irmão». Menos de um ano depois, em Abril de 2017, o Costa das indignações pela especulação vendeu a casa pelo dobro do preço. (fonte)
Pablo Iglesias, líder do Podemos, outro indignado pela especulação imobiliária e pelo luxo a que se entrega a nomenclatura do PP, twitou há meia dúzia de anos a propósito de uma compra de um apartamento por Luis de Guindos, antigo ministro espanhol da Economia e actual vice-presidente do Banco Central Europeu: «Entregarias a política económica de um país a alguém que gasta 600 mil euros num apartamento de luxo?»
Nem de propósito e com um azar maior do que o dos Távoras, seis anos depois Iglesias comprou com a sua namorada Irene Montero, também deputada, por 615 mil euros um luxuoso chalé que pode ser visto aqui, na Serra de Guadarrama de Madrid, com «268 metros quadrados de luxo com três quartos, duas casas de banho, uma lareira, um jardim, uma piscina e uma pequena casa de hóspedes.»
21/05/2018
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (136)
Outras avarias da geringonça.
A semana que passou foi pródiga em episódios demonstrativos do estado do regime sob a administração da gerigonça. Não foi o mais ruidoso, foi talvez o mais vergonhoso: o sucesso da chantagem de Costa e de Marcelo "por razões de Estado" sobre a justiça levou esta a deixar cair com grande sentido de oportunidade o caso Manuel Vicente.
Depois de quatro anos a clamar que devemos deixar à política o que é da política, à justiça o que é da justiça, para justificar a passividade perante a Operação Marquês, os socialistas e os seus amigos de ocasião concluíram numa curta semana, no caso Sócrates e no caso Manuel Vicente, que afinal política e justiça se podem misturar nas proporções que forem convenientes.
A semana que passou foi pródiga em episódios demonstrativos do estado do regime sob a administração da gerigonça. Não foi o mais ruidoso, foi talvez o mais vergonhoso: o sucesso da chantagem de Costa e de Marcelo "por razões de Estado" sobre a justiça levou esta a deixar cair com grande sentido de oportunidade o caso Manuel Vicente.Depois de quatro anos a clamar que devemos deixar à política o que é da política, à justiça o que é da justiça, para justificar a passividade perante a Operação Marquês, os socialistas e os seus amigos de ocasião concluíram numa curta semana, no caso Sócrates e no caso Manuel Vicente, que afinal política e justiça se podem misturar nas proporções que forem convenientes.
20/05/2018
Pro memoria (377) - Cinquenta anos depois, no lugar dos soixante-huitards, os seus netos
| La plage sous la pavée |
Tudo começou no dia 2 de Maio de 1968 na universidade de Nanterre, num subúrbio de Paris, propagou-se no dia seguinte à Sorbonne no Quartier Latin, no coração de Paris. A partir daí incendiou a França durante todo o mês.
A causa próxima foi o descontentamento que lavrava nas universidades atulhadas de alunos, com anfiteatros com capacidade para algumas centenas cheios de milhares, um ensino massificado sem qualidade, intoxicado de política, focado nas humanidades, sociologias, sem qualquer selecção, onde todos os alunos com um bac (diploma do secundário) em qualquer área de qualquer lycée se podiam inscrever em qualquer curso de qualquer universidade - no limite um aluno de la Terminale littéraire - Langues anciennes poderia inscrever-se num curso de física - e onde a maioria dos alunos desistia após meia dúzia de ano sem aproveitamento. Tudo isto em contraste com as Grandes Écoles altamente elitistas onde eram formada a nomenclatura de la République - para dar um exemplo, os Énarques da École nationale d'administration (ENA) constituem desde sempre o núcleo duro da maior parte dos governos.
Cinquenta anos depois, é difícil encontrar diferenças significativas nas universidades franceses de 2018. O foco actual da luta estudantil contra as tímidas reformas de Macron é a égalité pour l'accès à l'université, ou seja, qualquer aluno com um qualquer bac poderá continuar inscrever-se em qualquer curso de qualquer universidade sem quaisquer condições de selecção e frequentá-la por quantos anos lhe aprouver. Ou seja, manter a receita para o insucesso por via de regra e para o desastre ocasional.
ACREDITE SE QUISER: Há vida para além de Alcochete?
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E o primeiro prémio vai para...
Estranhamente, a notícia seguinte do JN passou quase despercebida
19/05/2018
Chávez & Chávez, Sucessores (65) - Se a Venezuela fosse uma democracia...
Outras obras do chávismo.
«Se a Venezuela fosse uma democracia, a tentativa do presidente Nicolás Maduro de ganhar a reeleição no domingo fracassaria. A comida está em falta. Os preços estão duplicam quase todos os meses. Pelo menos um milhão de pessoas deixaram o país nos últimos quatro anos. No entanto, quase ninguém acha que o presidente perderá.» (Newsletter da Economist)
É por estas e por outras que a Venezuela não é uma democracia e Maduro é o sucessor do caudilho de uma ditadura comunista tropical.
«Se a Venezuela fosse uma democracia, a tentativa do presidente Nicolás Maduro de ganhar a reeleição no domingo fracassaria. A comida está em falta. Os preços estão duplicam quase todos os meses. Pelo menos um milhão de pessoas deixaram o país nos últimos quatro anos. No entanto, quase ninguém acha que o presidente perderá.» (Newsletter da Economist)
É por estas e por outras que a Venezuela não é uma democracia e Maduro é o sucessor do caudilho de uma ditadura comunista tropical.
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18/05/2018
Incapazes de financiar Capazes
Já nesta crónica tinha aludido ao caso da associação feminista Capazes, animada pela filha do antigo secretário-geral do PS e actual presidente do Parlamento, que recebeu um subsídio de 73 mil euros para 18 criaturas, incluindo a incontornável Mariana Mortágua, fazerem conferências sobre a «igualdade de género» em quatro concelhos alentejanos.
Acabo de ler o artigo de opinião «Mulher incapaz de financiar Capazes» de Alexandra Almeida Ferreira a quem cumprimento pela coragem de afrontar o dogma da Cruzada do Género promovido pelo politicamente correcto.
À laia de teaser cito o último parágrafo:
«Gastar 74 mil euros num mau projeto que faz um mau serviço ao desígnio louvável da igualdade de género é insultuoso para todos os bons projetos que deixam de ser visados nos apoios públicos, provavelmente porque são menos “fancy”. Faz-nos questionar que critérios são usados para atribuir os milhões que chegam de Bruxelas, financiados parcialmente pelo orçamento nacional. O caso da Capazes relembra isso mesmo mas, acima de tudo, deve servir de mote para um escrutínio sério do que andamos a apoiar.»
Acabo de ler o artigo de opinião «Mulher incapaz de financiar Capazes» de Alexandra Almeida Ferreira a quem cumprimento pela coragem de afrontar o dogma da Cruzada do Género promovido pelo politicamente correcto.
À laia de teaser cito o último parágrafo:
«Gastar 74 mil euros num mau projeto que faz um mau serviço ao desígnio louvável da igualdade de género é insultuoso para todos os bons projetos que deixam de ser visados nos apoios públicos, provavelmente porque são menos “fancy”. Faz-nos questionar que critérios são usados para atribuir os milhões que chegam de Bruxelas, financiados parcialmente pelo orçamento nacional. O caso da Capazes relembra isso mesmo mas, acima de tudo, deve servir de mote para um escrutínio sério do que andamos a apoiar.»
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