Dizer, como parece que Rui Rio disse no Conselho Nacional do PSD, «as eleições não se ganham, perdem-se» não será um pensamento muito original, porque já foi dito por vários outros há muito tempo. O que não impede de ser uma inferência razoavelmente sustentada pela história política das últimas décadas no Portugal dos Pequeninos.
Se lida à letra, essa inferência tem um pequeno problema: significa que qualquer apparatchik poderia ocupar o lugar de líder da oposição o que teria como consequência a inutilidade do lugar, ocupado desde há um mês precisamente pelo mesmo Rui Rio.
Se lida no contexto histórico, que é a queda dos governos por desgaste, quando deixam de poder satisfazer os fregueses a que têm de atender por esgotamento do combustível que os mantinha a flutuar, essa inferência significa que o governo socialista e a geringonça cairão quando acabar o dinheiro, para dizer a coisa de uma forma simplista.
De onde, o líder da oposição terá de governar com as medidas de austeridade que os credores impuserem e, nessas circunstâncias, talvez o líder mais adequado a essa situação não seja Rui Rio.
De onde...
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
09/04/2018
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (130)
Outras avarias da geringonça.
Na semana passada o país assistiu a mais um número de prestidigitação do mago Costa a pretexto do financiamento do «teatro independente» que, como se sabe, é o teatro que depende do estado. De caminho, Costa, apertado pelos «artistas», começou por cornear o ministro e o secretário de Estado e acabou a abrir os cordões à bolsa dos contribuintes para pagar espectáculos que não têm espectadores.
Se Costa é um experimentado prestidigitador, o Ronaldo das Finanças não lhe fica atrás, como se ficou a saber pela hermenêutica do termo «carga fiscal» versus «esforço fiscal» com que nos tentou atirar poeira para os olhos iludindo o facto dos 67 mil milhões extorquidos o ano passado representarem 34,7% do PIB e representarem o rácio mais alto desde 1995 (ou antes, porque foi este o primeiro ano que o INE o divulgou). E fazendo que se esquecia que quando apresentou o OE 2017 propôs-se reduzir ... a «carga fiscal», pois claro. Para que não haja dúvidas aí vem um novo imposto pudicamente baptizado de taxa de rotatividade e aplicável às empresas com utilização de contratos a prazo superior à média.
Na semana passada o país assistiu a mais um número de prestidigitação do mago Costa a pretexto do financiamento do «teatro independente» que, como se sabe, é o teatro que depende do estado. De caminho, Costa, apertado pelos «artistas», começou por cornear o ministro e o secretário de Estado e acabou a abrir os cordões à bolsa dos contribuintes para pagar espectáculos que não têm espectadores.Se Costa é um experimentado prestidigitador, o Ronaldo das Finanças não lhe fica atrás, como se ficou a saber pela hermenêutica do termo «carga fiscal» versus «esforço fiscal» com que nos tentou atirar poeira para os olhos iludindo o facto dos 67 mil milhões extorquidos o ano passado representarem 34,7% do PIB e representarem o rácio mais alto desde 1995 (ou antes, porque foi este o primeiro ano que o INE o divulgou). E fazendo que se esquecia que quando apresentou o OE 2017 propôs-se reduzir ... a «carga fiscal», pois claro. Para que não haja dúvidas aí vem um novo imposto pudicamente baptizado de taxa de rotatividade e aplicável às empresas com utilização de contratos a prazo superior à média.
08/04/2018
Mitos (272) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (8)
Outros mitos: (1), (2), (3), (4), (5), (6) e (7)
Foram há poucos dias publicados os resultados de mais um estudo sobre o celebrado gender gap, baseado nos inquéritos que as empresas britânicas com 250 ou mais empregados são obrigadas a divulgar sobre os salários horários de homens e mulheres.
Segundo a Economist, as 10 mil empresas que responderam mostram uma diferença salarial média de 12%, e o grupo a que pertence a revista - um bastião da não discriminação sexual no trabalho - apresenta uma diferença salarial de quase 30%.
Uma vez mais, estes dados não levam em conta os postos de trabalho, isto é as funções desempenhadas e os níveis, e por isso, como a própria Economist reconhece, os executivos são comparados directamente com as suas secretárias.
Outro exemplo são as companhias de aviação onde 94% dos pilotos são homens (os pilotos têm um salário médio de £ 92 mil) enquanto 69% do pessoal de cabine são mulheres (o salário médio do pessoal de cabine é um quarto dos pilotos). Daí que, ainda segundo a Economist, não existe neste caso um problema de discriminação mas um problema de recrutamento.
Chegada a esta conclusão, a Economist não explica como se resolve este problema de recrutamento, que na verdade é mais um problema de preferências femininas na escolha da profissão baseada em estereótipos do mesmo tipo que levam os rapazes a preferirem brincar com carros e as raparigas com bonecas. Talvez administrando testosterona nas meninas e estrogéneo aos rapazes e, já agora, manipulando a uns e outros o hipotálamo em escolas onde se ensine o newspeak.
Mas então a verdadeira discriminação sexual nos salários não existe?
Existe sim e tem a importância que a própria Economist já conclui ter.
Foram há poucos dias publicados os resultados de mais um estudo sobre o celebrado gender gap, baseado nos inquéritos que as empresas britânicas com 250 ou mais empregados são obrigadas a divulgar sobre os salários horários de homens e mulheres.
Segundo a Economist, as 10 mil empresas que responderam mostram uma diferença salarial média de 12%, e o grupo a que pertence a revista - um bastião da não discriminação sexual no trabalho - apresenta uma diferença salarial de quase 30%.
Uma vez mais, estes dados não levam em conta os postos de trabalho, isto é as funções desempenhadas e os níveis, e por isso, como a própria Economist reconhece, os executivos são comparados directamente com as suas secretárias.
Outro exemplo são as companhias de aviação onde 94% dos pilotos são homens (os pilotos têm um salário médio de £ 92 mil) enquanto 69% do pessoal de cabine são mulheres (o salário médio do pessoal de cabine é um quarto dos pilotos). Daí que, ainda segundo a Economist, não existe neste caso um problema de discriminação mas um problema de recrutamento.
Chegada a esta conclusão, a Economist não explica como se resolve este problema de recrutamento, que na verdade é mais um problema de preferências femininas na escolha da profissão baseada em estereótipos do mesmo tipo que levam os rapazes a preferirem brincar com carros e as raparigas com bonecas. Talvez administrando testosterona nas meninas e estrogéneo aos rapazes e, já agora, manipulando a uns e outros o hipotálamo em escolas onde se ensine o newspeak.
Mas então a verdadeira discriminação sexual nos salários não existe?
Existe sim e tem a importância que a própria Economist já conclui ter.
07/04/2018
DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (53)
Outras preces.
Com bastante atraso, registo um retrato de Marcelo Rebelo de Sousa pelo seu amigo (?) José Miguel Júdice na TVI de há 3 semanas, com um sumário no Jornal Eco («Marcelo, é difícil vencer a natureza profunda»), que evoca muito justamente a fábula do escorpião e do sapo (que Júdice troca pelo boi) para caracterizar Marcelo.
Vale a pena ler esse retrato do qual, à laia de teaser, respigo algumas passagens, começando por uma que explica porque razão quando leio o semanário de reverência fico com a impressão que têm um correspondente residente na área de Broca do cérebro presidencial:
«As mais recentes informações que o Presidente da República quis fazer circular (e ele afirmou que seria o único porta-voz de Belém…), sobretudo como é habitual em notícias de Ângela Silva do Expresso, mostram a outra face da moeda.
Basicamente, o Presidente continua (e agora de forma descarada, o que me parece institucionalmente grave) a ter como principal objetivo impedir a maioria absoluta do PS, e só tem estado mais calado para dar espaço a que Rui Rio se afirme como líder forte da oposição.
[...]
Infelizmente, estou a convencer-me que a história do escorpião (que no meio do rio pica o boi e acaba a morrer afogado com ele) não é de recusar como hipótese explicativa. É pena que assim seja, dirão os seus verdadeiros amigos? É verdade. A um homem que se aproxima dos 70 anos “nada se recusa”, como disse Mário Sá Carneiro a outro propósito? Claro que sim.
Mas o que mais lamento é que isto me faz lembrar demasiado o famoso “Super-homem” da minha infância: tinha tudo para salvar o mundo e dedicou-se a ajudar velhinhas a atravessar as ruas. Hoje, dir-se-ia que seria recordado pelos milhares de “selfies” com que encheria o Instagram dos portugueses e não por aquilo que realmente a longo prazo é essencial.»
Com bastante atraso, registo um retrato de Marcelo Rebelo de Sousa pelo seu amigo (?) José Miguel Júdice na TVI de há 3 semanas, com um sumário no Jornal Eco («Marcelo, é difícil vencer a natureza profunda»), que evoca muito justamente a fábula do escorpião e do sapo (que Júdice troca pelo boi) para caracterizar Marcelo.
Vale a pena ler esse retrato do qual, à laia de teaser, respigo algumas passagens, começando por uma que explica porque razão quando leio o semanário de reverência fico com a impressão que têm um correspondente residente na área de Broca do cérebro presidencial:
«As mais recentes informações que o Presidente da República quis fazer circular (e ele afirmou que seria o único porta-voz de Belém…), sobretudo como é habitual em notícias de Ângela Silva do Expresso, mostram a outra face da moeda.
Basicamente, o Presidente continua (e agora de forma descarada, o que me parece institucionalmente grave) a ter como principal objetivo impedir a maioria absoluta do PS, e só tem estado mais calado para dar espaço a que Rui Rio se afirme como líder forte da oposição.
[...]
Infelizmente, estou a convencer-me que a história do escorpião (que no meio do rio pica o boi e acaba a morrer afogado com ele) não é de recusar como hipótese explicativa. É pena que assim seja, dirão os seus verdadeiros amigos? É verdade. A um homem que se aproxima dos 70 anos “nada se recusa”, como disse Mário Sá Carneiro a outro propósito? Claro que sim.
Mas o que mais lamento é que isto me faz lembrar demasiado o famoso “Super-homem” da minha infância: tinha tudo para salvar o mundo e dedicou-se a ajudar velhinhas a atravessar as ruas. Hoje, dir-se-ia que seria recordado pelos milhares de “selfies” com que encheria o Instagram dos portugueses e não por aquilo que realmente a longo prazo é essencial.»
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é muito para um homem só,
incorrigível,
picareta falante
06/04/2018
Vivemos num estado policial? (15) - Sim, vivemos. E talvez por isso os polícias nunca são suficientes
Outros casos de polícia.
Recapitulando:
Segundo o relatório da OCDE divulgado há um ano, Portugal «tem 432 polícias por 100 mil habitantes, um valor que torna a polícia portuguesa 36% mais bem equipada do que as polícias na média dos países europeus» (jornal Eco). Note-se que os GNR são polícias com outro nome e são contados como tais nas estatística da OCDE. Acrescente-se que na Europa só somos ultrapassados por Malta e a Irlanda do Norte.
Novos desenvolvimentos:
«Há um "Vertical", outro "Independente", outro "Autónomo", outro "Livre" e até um dos "Polícias do Porto". Já resta pouca imaginação para dar nomes a tantos sindicatos na PSP, que atingem o número recorde, inigualável noutro setor, de 16. O mais recente - Organização Sindical dos Polícias - nasceu em fevereiro e conta com 459 dirigentes e delegados para 451 associados. [...]
Segundo o regime em vigor, cada dirigente tem direito a quatro folgas por mês para atividade sindical. Os delegados têm 12 horas. Tudo somado, de acordo com os dados da Direção Nacional da PSP, em 2017 o total de 3680 dirigentes e delegados tiveram mais de 36 mil dias de folga.»
Recapitulando:
Segundo o relatório da OCDE divulgado há um ano, Portugal «tem 432 polícias por 100 mil habitantes, um valor que torna a polícia portuguesa 36% mais bem equipada do que as polícias na média dos países europeus» (jornal Eco). Note-se que os GNR são polícias com outro nome e são contados como tais nas estatística da OCDE. Acrescente-se que na Europa só somos ultrapassados por Malta e a Irlanda do Norte.
Novos desenvolvimentos:
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| Diário de Notícias |
Segundo o regime em vigor, cada dirigente tem direito a quatro folgas por mês para atividade sindical. Os delegados têm 12 horas. Tudo somado, de acordo com os dados da Direção Nacional da PSP, em 2017 o total de 3680 dirigentes e delegados tiveram mais de 36 mil dias de folga.»
Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (81) - O «teatro independente» 153 anos depois
Registemos as palavras da actriz-encenadora Maria João Luís, demonstrativas do direito divino dos «artistas independentes» ao subsídio dos contribuintes, que à SIC disse não poder preencher o formulário a pedir o subsídio porque não sabe «como é que vai ser o espectáculo [...] daqui a dois ou três anos. Como é que posso dizer quais são os actores que vão entrar, o porquê daqueles actores, se eu ainda não sei o que vou fazer? Tenho a ideia do projecto, mas não tenho de saber o que é que vai ser».
E passemos a um episódio de há 153 anos recordado por Pedro Sousa Carvalho no Jornal Eco:
«A discussão a que estamos a assistir sobre o financiamento da Cultura e do Teatro faz lembrar uma outra, tida em 1866, e contada por Camilo Castelo Branco.
“A Queda dum Anjo” de Camilo Castelo Branco conta a história de Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, um deputado da província que chegou à capital para ser deputado no Parlamento. Um dia, em Lisboa, Calisto foi à ópera ver Lucrécia Bórgia e ficou chocado com o espetáculo que qualificou de tripúdio. E mais chocado ficou quando descobriu que o Estado subsidiava o Teatro de S. Carlos com vinte contos de réis anuais.
No dia seguinte, quando chegou ao Parlamento, estava um deputado do Porto a discursar e a reclamar mais um subsídio para o lírico Teatro de S. João. Foi então que Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda resolveu pedir a palavra para fazer um daqueles discursos, cheios de arrebiques de retórica, para explicar a sua tese de que o Teatro não deveria ter dinheiros públicos. Este é um excerto da intervenção de Calisto:
E passemos a um episódio de há 153 anos recordado por Pedro Sousa Carvalho no Jornal Eco:
«A discussão a que estamos a assistir sobre o financiamento da Cultura e do Teatro faz lembrar uma outra, tida em 1866, e contada por Camilo Castelo Branco.
“A Queda dum Anjo” de Camilo Castelo Branco conta a história de Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, um deputado da província que chegou à capital para ser deputado no Parlamento. Um dia, em Lisboa, Calisto foi à ópera ver Lucrécia Bórgia e ficou chocado com o espetáculo que qualificou de tripúdio. E mais chocado ficou quando descobriu que o Estado subsidiava o Teatro de S. Carlos com vinte contos de réis anuais.
No dia seguinte, quando chegou ao Parlamento, estava um deputado do Porto a discursar e a reclamar mais um subsídio para o lírico Teatro de S. João. Foi então que Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda resolveu pedir a palavra para fazer um daqueles discursos, cheios de arrebiques de retórica, para explicar a sua tese de que o Teatro não deveria ter dinheiros públicos. Este é um excerto da intervenção de Calisto:
“Eu sou de um país, Sr. presidente, em que se pede ao povo o subsídio literário para pagar com ele as tramoias da Lucrécia Bórgia. Eu sou de um país pobríssimo em que a vaia da Nação exangue sofre cada ano a sangria de algumas dúzias de contos para sustentar comediantes, farsistas, funâmbulos e dançarinas impudicas!”»Após 153 anos, os Calistos actualmente estacionados no parlamento ficaram incapazes de tomar as suas distâncias em relação ao «teatro independente» e o governo socialista, secundado por comunistas e berloquistas, transforma-se no público que os artistas são incompetentes para atrair, borra-se de medo e cede às chantagens dos agentes cólturais com o dinheiro dos contribuintes.
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05/04/2018
QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (60) Unintended consequences (XX)
Outras marteladas.
Em retrospectiva:
Têm-se multiplicado as advertências sobre os efeitos das políticas não convencionais dos bancos centrais poderem desencadear a próxima crise financeira, algo para o qual temos vindo à chamar a atenção há uns cinco anos, pelo menos desde este post de 2012 (duas semanas antes do «whatever it takes» de Draghi): «ainda não saímos de uma e já estamos a trabalhar para criar a próxima. Vai acabar mal.»
Nesta altura, depois da Fed e o BoE há dez anos a bombarem dólares e libras, o BCE e o BoJ há 6 anos a bombarem euros e ienes, ninguém sabe bem como descalçar a bota das dezenas de biliões despejados sobre as economias que multiplicaram os activos dos bancos centrais por cinco em relação ao início da crise.
Entretanto, ficámos a saber que o BCE em três anos comprou quase 2 biliões de dívida pública. Para que não haja a dúvida de Mário Soares, que confundia os biliões com os milhões e os milhares de milhão, estamos a falar de quase dois milhões de milhões, algo como 10 vezes o PIB português.
Em retrospectiva:
Têm-se multiplicado as advertências sobre os efeitos das políticas não convencionais dos bancos centrais poderem desencadear a próxima crise financeira, algo para o qual temos vindo à chamar a atenção há uns cinco anos, pelo menos desde este post de 2012 (duas semanas antes do «whatever it takes» de Draghi): «ainda não saímos de uma e já estamos a trabalhar para criar a próxima. Vai acabar mal.»
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| The Economist |
Entretanto, ficámos a saber que o BCE em três anos comprou quase 2 biliões de dívida pública. Para que não haja a dúvida de Mário Soares, que confundia os biliões com os milhões e os milhares de milhão, estamos a falar de quase dois milhões de milhões, algo como 10 vezes o PIB português.
Et voilà!
«Ronaldo é o talento sustentado por uma inquebrável, e inquebrantável, ética de trabalho incomum num país que se entrega facilmente ao desenrasca.»
Pedro Candeias no Expresso Curto
Pedro Candeias no Expresso Curto
04/04/2018
A mentira como política oficial (41) - A arte de furtar o corpo à indignação dos «artistas»
Há mais de uma década que aqui no (Im)pertinências definimos «teatro independente» como o teatro que depende do estado; o teatro a quem o estado diz «toma lá dinheiro e faz qualquer coisa» (A. Feio). Por extensão, o conceito pode aplicar-se a qualquer outra arte «independente» cujo público é um qualquer júri a quem pagam para dar pareceres.
O rigor desta definição já foi muitas vezes confirmado e está a sê-lo uma vez mais com esta manifs de «artistas» cobrando de Costa o seu oportuno e interessado apoio durante a caminhada para S. Bento.
Vem a propósito relevar mais uma das costumeiras mentiras de Costa furtando o corpo à reacção dos «artistas» e tirando o tapete ao seu secretário de Estado da Cultura que em conferência de imprensa se descoseu assim:
O rigor desta definição já foi muitas vezes confirmado e está a sê-lo uma vez mais com esta manifs de «artistas» cobrando de Costa o seu oportuno e interessado apoio durante a caminhada para S. Bento.
Vem a propósito relevar mais uma das costumeiras mentiras de Costa furtando o corpo à reacção dos «artistas» e tirando o tapete ao seu secretário de Estado da Cultura que em conferência de imprensa se descoseu assim:
«Desde que anunciou o reforço de 1,5 milhões de euros no Museu Nacional de Arte Antiga o primeiro-ministro está completamente a par daquilo que se passa. Portanto, não percebo porque é que ele possa ter ficado surpreendido».
03/04/2018
A mentira como política oficial (40) - A arte de bem preparar orçamentos
«1 – Faz do orçamento uma arma de combate partidário. Esquece isso da estratégia a prazo
2 – Faz o orçamento que garante o apoio do Parlamento, não o que prevês executar
3 – Promete tudo o que é bom. Depois faz o que tens mesmo que fazer
4 – Não faças nunca um Orçamento Rectificativo. Vai rectificando mês a mês
5 – Aumenta os impostos indirectos que são mais discretos
6 – Quando os números desmentem a tua narrativa diz que são eles que estão errados»
«Uma cartilha orçamental para totós», Paulo Ferreira no jornal Eco
2 – Faz o orçamento que garante o apoio do Parlamento, não o que prevês executar
3 – Promete tudo o que é bom. Depois faz o que tens mesmo que fazer
4 – Não faças nunca um Orçamento Rectificativo. Vai rectificando mês a mês
5 – Aumenta os impostos indirectos que são mais discretos
6 – Quando os números desmentem a tua narrativa diz que são eles que estão errados»
«Uma cartilha orçamental para totós», Paulo Ferreira no jornal Eco
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Cada país tem as elites que merece. Nós temos a tribo do Lux
«A estranheza está na desproporção das reacções, e na capacidade que uma certa elite lisboeta tem de transformar o particular em universal. Manuel Reis não transformou o país, nem sequer Lisboa. Manuel Reis – sobretudo para aqueles que lhe chamavam Manel – transformou as vidas da elite artística, jornalística e cultural de Lisboa, e de todos os que fazem da noite burguesa, intelectual, endinheirada e libertina (não é uma crítica) uma primeira casa. Foram estes, e só estes, que reagiram na semana passada como uma tribo que acabou de perder o seu xamã. Não há mal nisso. É até muito compreensível – desde que a tribo saiba que é apenas uma tribo. Ou, para citar a mais famosa frase da carreira de Mário de Carvalho, desde que não confunda o género humano com o Manuel Germano.
Infelizmente, esta tribo em particular, até por estar muito habituada a pôr-se ao lado dos “excluídos”, tem nítidas dificuldades em admitir o quão elitista é o seu mundo. Ela nunca teve de esperar nas filas do Lux, e pode chamar Guida Gorda a Margarida Martins sem ser acusada de body shaming, mas não percebe que o elogio exorbitante a Manuel Reis é também uma autocongratulação pelos seus próprios privilégios. O texto mais emblemático que li sobre Reis foi escrito por José Couto Nogueira no Sapo24, e é muito revelador quanto a isso: “E os que não conseguiam passar da porta [do Frágil]? Uma amiga que viveu esses tempos contou-me o que era passar a franquia da zona dos comuns para o espaço lá dentro – e como, ao entrar, se sentia a validação de fazer parte do clube exclusivo da elite cultural.”»
Excerto de «Nós, os que esperámos à porta do Lux», João Miguel Tavares no Público
Estas, como outras elites merdosas que nos parasitam, vivem numa espécie de huis clos sartriano imaginando que o inferno são os outros que ficam do lado de fora da porta... do Lux.
Infelizmente, esta tribo em particular, até por estar muito habituada a pôr-se ao lado dos “excluídos”, tem nítidas dificuldades em admitir o quão elitista é o seu mundo. Ela nunca teve de esperar nas filas do Lux, e pode chamar Guida Gorda a Margarida Martins sem ser acusada de body shaming, mas não percebe que o elogio exorbitante a Manuel Reis é também uma autocongratulação pelos seus próprios privilégios. O texto mais emblemático que li sobre Reis foi escrito por José Couto Nogueira no Sapo24, e é muito revelador quanto a isso: “E os que não conseguiam passar da porta [do Frágil]? Uma amiga que viveu esses tempos contou-me o que era passar a franquia da zona dos comuns para o espaço lá dentro – e como, ao entrar, se sentia a validação de fazer parte do clube exclusivo da elite cultural.”»
Excerto de «Nós, os que esperámos à porta do Lux», João Miguel Tavares no Público
Estas, como outras elites merdosas que nos parasitam, vivem numa espécie de huis clos sartriano imaginando que o inferno são os outros que ficam do lado de fora da porta... do Lux.
02/04/2018
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (129)
Outras avarias da geringonça.
Os deputados da geringonça, menos os comunistas que nestas coisas das causas fracturantes do politicamente correcto se resguardam e empurram para a frente os camaradas verdes por fora, estão prestes a dar um grande salto civilizacional: reconhecer que qualquer gaiato(a) com 16 anos pode escolher para o cartão de cidadão o sexo género que entender (em breve poderá ser uma das variedades de entre o número que já vai nos dez de LGBTQQIAAP) e com 18 anos poderá exigir aos contribuintes que lhe paguem uma operação para mudar o sexo género.
O «diálogo», preconizado pelo Bourdieu de província que gosta de malhar na direita, para reagir ao assassinato com uma arma biológica proibida a mandado do putinismo, assassinato que teve como resposta da maioria dos países da UE com as excepções do costume a expulsão de espiões russos travestidos de diplomatas, é mais um exemplo do carinho com que o PS e os seus governos costumam tratar a Rússia de Putin, a somar às visitas de Sócrates com dormida no Kremlin e jogging na praça Vermelha.
Os deputados da geringonça, menos os comunistas que nestas coisas das causas fracturantes do politicamente correcto se resguardam e empurram para a frente os camaradas verdes por fora, estão prestes a dar um grande salto civilizacional: reconhecer que qualquer gaiato(a) com 16 anos pode escolher para o cartão de cidadão o O «diálogo», preconizado pelo Bourdieu de província que gosta de malhar na direita, para reagir ao assassinato com uma arma biológica proibida a mandado do putinismo, assassinato que teve como resposta da maioria dos países da UE com as excepções do costume a expulsão de espiões russos travestidos de diplomatas, é mais um exemplo do carinho com que o PS e os seus governos costumam tratar a Rússia de Putin, a somar às visitas de Sócrates com dormida no Kremlin e jogging na praça Vermelha.
01/04/2018
SERVIÇO PÚBLICO: As redes sociais como instrumentos do bem ou do mal (cortar como mais convier)
Agora que o Tweeter e o Facebook, em tempos ferramentas de eleição intensamente usadas em boas causas como as duas campanhas de Barack Obama, deixaram de ser instrumentos do bem e se transformaram em instrumentos do mal, como a campanha de Trump, conviria prestar atenção ao estudo de Soroush Vosoughi sobre a propagação de histórias no Tweet citado no artigo «A lie is halfway round the world while the truth is still putting on its shoes» da Economist.
«No interior da França, no verão de 1789, surgiram rumores sobre aristocratas vingativos empenhados na destruição da propriedade dos camponeses. Não era verdade. O Grande Medo, como é agora conhecido, levou a França à revolução com uma enxurrada de boatos e rumores sem fundamento.
Dois séculos depois, os métodos para espalhar o absurdo foram muito melhorados. Num paper publicado na Science em 8 de março, Soroush Vosoughi e outros investigadores do MIT demonstraram que, pelo menos no Twitter, as histórias falsas espalham-se mais rapidamente e vão mais longe do que as verdadeiras.
O estudo, realizado no Laboratory for Social Machines do MIT, concluiu isso examinando tweets enviados entre 2006 e 2017. Os investigadores usaram modelos estatísticos para classificar os tweets como falsos ou verdadeiros, aplicando dados de seis organizações independentes de fact-checking. Isso permitiu que eles categorizassem mais de 4,5 milhões de tweets sobre 126.000 histórias diferentes. Essas histórias foram classificadas de acordo com a forma como se espalharam entre os utilizadores do Twitter.
Os resultados foram claros. As informações falsas foram retweetadas por mais pessoas do que as verdadeiras, e mais rapidamente acedidas. As histórias verdadeiras levaram, em média, seis vezes mais tempo do que falsidades para atingir pelo menos 1.500 pessoas. Apenas cerca de 0,1% das histórias verdadeiras foram compartilhadas por mais de 1.000 pessoas, mas 1% das histórias falsas foram partilhadas entre 1.000 e 100.000 vezes.
A razão pela qual a informação falsa se espalha melhor do que a verdadeira é simples, dizem os investigadores. As coisas espalham-lhe pelas redes sociais porque são atraentes, não porque são verdadeiras. Uma maneira de tornar a notícia atraente é torná-la nova. Quando os investigadores verificaram o quão novo era um tweet (ao compará-lo, estatisticamente, com outros tweets), descobriram que os tweets falsos eram significativamente mais novos do que os verdadeiros. Histórias falsas também eram mais propensas a inspirar emoções como medo, repulsa e surpresa, enquanto as genuínas provocavam antecipação, tristeza, alegria e confiança, levando à conclusão bastante deprimente de que as pessoas preferem compartilhar histórias que geram fortes reacções negativas. Talvez não por acaso, as notícias políticas falsas foram as mais prováveis de se tornarem virais.
O paper também faz luz sobre o impacto de "bots" - contas automáticas que se apresentam como pessoas reais. A ideia de que os bots, em particular russos, ajudaram a influenciar a eleição presidencial dos EUA instalou-se firmemente na opinião pública. No entanto, o artigo conclui que, pelo menos no Twitter, a presença de bots não parece aumentar a disseminação de falsidades em relação à verdade.»
«No interior da França, no verão de 1789, surgiram rumores sobre aristocratas vingativos empenhados na destruição da propriedade dos camponeses. Não era verdade. O Grande Medo, como é agora conhecido, levou a França à revolução com uma enxurrada de boatos e rumores sem fundamento.
Dois séculos depois, os métodos para espalhar o absurdo foram muito melhorados. Num paper publicado na Science em 8 de março, Soroush Vosoughi e outros investigadores do MIT demonstraram que, pelo menos no Twitter, as histórias falsas espalham-se mais rapidamente e vão mais longe do que as verdadeiras.
O estudo, realizado no Laboratory for Social Machines do MIT, concluiu isso examinando tweets enviados entre 2006 e 2017. Os investigadores usaram modelos estatísticos para classificar os tweets como falsos ou verdadeiros, aplicando dados de seis organizações independentes de fact-checking. Isso permitiu que eles categorizassem mais de 4,5 milhões de tweets sobre 126.000 histórias diferentes. Essas histórias foram classificadas de acordo com a forma como se espalharam entre os utilizadores do Twitter.
Os resultados foram claros. As informações falsas foram retweetadas por mais pessoas do que as verdadeiras, e mais rapidamente acedidas. As histórias verdadeiras levaram, em média, seis vezes mais tempo do que falsidades para atingir pelo menos 1.500 pessoas. Apenas cerca de 0,1% das histórias verdadeiras foram compartilhadas por mais de 1.000 pessoas, mas 1% das histórias falsas foram partilhadas entre 1.000 e 100.000 vezes.
A razão pela qual a informação falsa se espalha melhor do que a verdadeira é simples, dizem os investigadores. As coisas espalham-lhe pelas redes sociais porque são atraentes, não porque são verdadeiras. Uma maneira de tornar a notícia atraente é torná-la nova. Quando os investigadores verificaram o quão novo era um tweet (ao compará-lo, estatisticamente, com outros tweets), descobriram que os tweets falsos eram significativamente mais novos do que os verdadeiros. Histórias falsas também eram mais propensas a inspirar emoções como medo, repulsa e surpresa, enquanto as genuínas provocavam antecipação, tristeza, alegria e confiança, levando à conclusão bastante deprimente de que as pessoas preferem compartilhar histórias que geram fortes reacções negativas. Talvez não por acaso, as notícias políticas falsas foram as mais prováveis de se tornarem virais.
O paper também faz luz sobre o impacto de "bots" - contas automáticas que se apresentam como pessoas reais. A ideia de que os bots, em particular russos, ajudaram a influenciar a eleição presidencial dos EUA instalou-se firmemente na opinião pública. No entanto, o artigo conclui que, pelo menos no Twitter, a presença de bots não parece aumentar a disseminação de falsidades em relação à verdade.»
31/03/2018
Dúvidas (218) – Qual a fiabilidade das sondagens amigas da Eurosondagem? (II)
Definitivamente não faço parte da Lisboa política. Na verdade nem da Lisboa propriamente dita e muito menos da política. Isso, contudo, não me impediu de escrever há uns anos um post onde questionava a fiabilidade das sondagens amigas da Eurosondagem, fiabilidade agora posta em causa por quem tem muito melhor informação do que este vosso escriba. Aqui vai um excerto do artigo «A fraude das sondagens» de João Marques de Almeida no Observador, onde segundo Costa, um dos beneficiários das sondagens amigas, se entrincheira a direita inorgânica, diferentemente, digo eu, da esquerda inorgânica que não precisa de se entrincheirar porque está comodamente instalada em quase todas redacções - em boa companhia da esquerda orgânica, acrescente-se.
«A Lisboa política sabe que a Eurosondagem favorece sistematicamente o PS mas o Expresso e a SIC continuam a trabalhar com a empresa. Tudo isto diz muito sobre o modo como se faz política em Portugal.
(...)
Pelos dados de 2011 e de 2015, a Eurosondagem não só erra sistematicamente, como os seus erros favorecem sempre o mesmo partido, o PS, e prejudicam invariavelmente os partidos de direita. Como é possível que ainda se leve a sério as sondagens da Eurosondagem? O Expresso e a SIC não se preocupam com os erros da empresa com quem colaboram? Será que em Portugal a sucessão de erros não afecta a credibilidade de uma empresa? Nada disto espanta ou admira os portugueses?
Os erros sistemáticos de uma empresa de sondagens e sempre a favor do mesmo partido deturpam a democracia. Qualquer pessoa envolvida na política sabe que as sondagens servem propósitos políticos. Mobilizam o eleitorado dos partidos que estão na frente e desmobilizam aqueles com sondagens fracas. A Lisboa política sabe que a Eurosondagem favorece sistematicamente o PS mas o Expresso e a SIC continuam a trabalhar com a empresa e a publicar os resultados. Tudo isto diz muito sobre o modo como se faz política em Portugal e sobre o desrespeito com que as elites políticas tratam os portugueses.»
«A Lisboa política sabe que a Eurosondagem favorece sistematicamente o PS mas o Expresso e a SIC continuam a trabalhar com a empresa. Tudo isto diz muito sobre o modo como se faz política em Portugal.
(...)
Pelos dados de 2011 e de 2015, a Eurosondagem não só erra sistematicamente, como os seus erros favorecem sempre o mesmo partido, o PS, e prejudicam invariavelmente os partidos de direita. Como é possível que ainda se leve a sério as sondagens da Eurosondagem? O Expresso e a SIC não se preocupam com os erros da empresa com quem colaboram? Será que em Portugal a sucessão de erros não afecta a credibilidade de uma empresa? Nada disto espanta ou admira os portugueses?
Os erros sistemáticos de uma empresa de sondagens e sempre a favor do mesmo partido deturpam a democracia. Qualquer pessoa envolvida na política sabe que as sondagens servem propósitos políticos. Mobilizam o eleitorado dos partidos que estão na frente e desmobilizam aqueles com sondagens fracas. A Lisboa política sabe que a Eurosondagem favorece sistematicamente o PS mas o Expresso e a SIC continuam a trabalhar com a empresa e a publicar os resultados. Tudo isto diz muito sobre o modo como se faz política em Portugal e sobre o desrespeito com que as elites políticas tratam os portugueses.»
30/03/2018
SERVIÇO PÚBLICO: Keynes não era keynesiano e, se ainda fosse vivo, morreria de tédio ao ouvir os seus seguidores (4)
Uma espécie de continuação de (1), (2) e (3)
Retomando uma antiga série com um excerto de «Keynes é de esquerda?» de Vítor Bento no DN sobre o keynesianismo de martelo (aquele que vê todos os problemas como pregos).
«Muitos dos que se reclamam das suas ideias, conhecem-nas mal e usam-nos como o homem que, tendo um martelo na mão, tudo lhe parece um prego. É uma espécie de keynesianismo de martelo, em que a intervenção do Estado e o aumento da despesa pública é a receita para todos os males. E é daqui que vem a associação implícita no título. Mas este "keynesianismo de martelo" - que conduz à insustentabilidade das finanças públicas - tem muito pouco de Keynes e de económico e muito mais de político e de ideológico. É a expressão de uma preferência política, ideologicamente fundada, de um Estado intervencionista e dominador, e que conduz inevitavelmente a um de dois caminhos - crises de dívida ou inflação acelerada (se for usado o financiamento monetário) -, terminando ambos em austeridade, para debelar as crises que originam.
Tão errada estará, pois, a esquerda em invocar o patrocínio de Keynes, como a direita em recusar as suas ideias.»
Retomando uma antiga série com um excerto de «Keynes é de esquerda?» de Vítor Bento no DN sobre o keynesianismo de martelo (aquele que vê todos os problemas como pregos).
«Muitos dos que se reclamam das suas ideias, conhecem-nas mal e usam-nos como o homem que, tendo um martelo na mão, tudo lhe parece um prego. É uma espécie de keynesianismo de martelo, em que a intervenção do Estado e o aumento da despesa pública é a receita para todos os males. E é daqui que vem a associação implícita no título. Mas este "keynesianismo de martelo" - que conduz à insustentabilidade das finanças públicas - tem muito pouco de Keynes e de económico e muito mais de político e de ideológico. É a expressão de uma preferência política, ideologicamente fundada, de um Estado intervencionista e dominador, e que conduz inevitavelmente a um de dois caminhos - crises de dívida ou inflação acelerada (se for usado o financiamento monetário) -, terminando ambos em austeridade, para debelar as crises que originam.
Tão errada estará, pois, a esquerda em invocar o patrocínio de Keynes, como a direita em recusar as suas ideias.»
29/03/2018
Popular pelas razões erradas
Não conheço, nem sequer nunca me cruzei com Adolfo Mesquita Nunes, o vice-presidente do CDS, ex-secretário de Estado do Turismo e actual vereador da Covilhã. Apesar de já antes disso ser uma figura mais ou menos pública, era para mim um completo desconhecido até chegar ao governo de Passos Coelho onde fez um excelente papel no turismo.
Tudo isto para dizer que tenho dele uma boa impressão que é completamente alheia às suas preferências sexuais. Apesar de não ter ficado espantado - porque sei bem o que a casa gasta -, achei uma completa parolice o destaque que o jornalismo de causas gay e o lóbi gay deram ao seu coming out na primeira página do Expresso. É como se fosse uma declaração discriminatória ao contrário e a esse tipo de discriminação pode adaptar-se a mesma anedota que dizia que o capitalismo é a exploração do homem pelo homem e o comunismo é o seu contrário.
Talvez num Portugal do passado cada vez mais remoto estas cerimónias do coming out tivessem alguma utilidade para colocar em causa a discriminação efectivamente existente em relação à homossexualidade. A meu ver, não mais. Nos tempos actuais, quanto mais se exaltam estas manifestações mais se acentua a sua anormalidade no sentido estatístico e, nas mentes mais retrógradas, a anormalidade no sentido sociológico. Como seria vista uma declaração de heterossexualidade de uma criatura pública?
Sem falar da instrumentalização que a esquerdalhada faz desse folclore transformando os homossexuais em idiotas úteis e figuras de circo, instrumentalização que, por vezes, nas entrelinhas deixa transparecer o que verdadeiramente pensa a esquerda radical a este respeito - escutem-se ou leiam-se por exemplo os comentários da abencerragem berloquista, ex-comunista, ex-maoísta e ex-trotskista, Fernando Rosas a respeito da sexualidade de Mesquita Nunes.
Tudo isto para dizer que tenho dele uma boa impressão que é completamente alheia às suas preferências sexuais. Apesar de não ter ficado espantado - porque sei bem o que a casa gasta -, achei uma completa parolice o destaque que o jornalismo de causas gay e o lóbi gay deram ao seu coming out na primeira página do Expresso. É como se fosse uma declaração discriminatória ao contrário e a esse tipo de discriminação pode adaptar-se a mesma anedota que dizia que o capitalismo é a exploração do homem pelo homem e o comunismo é o seu contrário.
Talvez num Portugal do passado cada vez mais remoto estas cerimónias do coming out tivessem alguma utilidade para colocar em causa a discriminação efectivamente existente em relação à homossexualidade. A meu ver, não mais. Nos tempos actuais, quanto mais se exaltam estas manifestações mais se acentua a sua anormalidade no sentido estatístico e, nas mentes mais retrógradas, a anormalidade no sentido sociológico. Como seria vista uma declaração de heterossexualidade de uma criatura pública?
Sem falar da instrumentalização que a esquerdalhada faz desse folclore transformando os homossexuais em idiotas úteis e figuras de circo, instrumentalização que, por vezes, nas entrelinhas deixa transparecer o que verdadeiramente pensa a esquerda radical a este respeito - escutem-se ou leiam-se por exemplo os comentários da abencerragem berloquista, ex-comunista, ex-maoísta e ex-trotskista, Fernando Rosas a respeito da sexualidade de Mesquita Nunes.
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O Ronaldo das Finanças é um aprendiz de alquimista
«Os números de 2017 ajudam a dissipar quaisquer dúvidas sobre esta alquimia das Finanças Públicas que permitiu acabar com a austeridade e reduzir o défice para níveis nunca antes vistos. As pensões, os salários e as carreiras dos funcionários públicos foram (parcialmente) repostos à custa da maior carga fiscal de sempre e de níveis de investimento público baixíssimos. Tal como o Cristiano Ronaldo do futebol não viola as leis da Física, também o Cristiano Ronaldo das Finanças não viola as leis da Economia.
É perfeitamente legítimo o argumento de que a receita fiscal aumentou porque houve crescimento. O crescimento económico gera receitas fiscais sem que tal envolva aumento de taxas. Mas para a carga fiscal aumentar, tal quer dizer que as receitas fiscais aumentaram ainda mais do que o rendimento. É como se a taxa média de imposto tivesse aumentado.»
Excerto de «A vitória da TINA ou a ditadura da matemática», Luís Aguiar-Conraria no Observador
Repetindo-me, é uma análise objectiva e factual, parecendo ter prevalecido o Conraria sem hífen, pontualmente libertado dos seus complexos de esquerda e do ideologismo que lhe costuma estar associado. Estou quase a promover Conraria (sem hífen) à categoria de esquerda inteligente.
É perfeitamente legítimo o argumento de que a receita fiscal aumentou porque houve crescimento. O crescimento económico gera receitas fiscais sem que tal envolva aumento de taxas. Mas para a carga fiscal aumentar, tal quer dizer que as receitas fiscais aumentaram ainda mais do que o rendimento. É como se a taxa média de imposto tivesse aumentado.»
Excerto de «A vitória da TINA ou a ditadura da matemática», Luís Aguiar-Conraria no Observador
Repetindo-me, é uma análise objectiva e factual, parecendo ter prevalecido o Conraria sem hífen, pontualmente libertado dos seus complexos de esquerda e do ideologismo que lhe costuma estar associado. Estou quase a promover Conraria (sem hífen) à categoria de esquerda inteligente.
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28/03/2018
ESTADO DE SÍTIO: A liberdade de imprensa está manifestamente a incomodar Costa
A nova liderança do PSD está «está manifestamente a incomodar grande parte do PSD e da chamada direita inorgânica, aquilo que alguns costumam designar a direita do Observador».
António Costa em entrevista à revista VisãoUma vez mais, para Costa como para toda a esquerdalhada, a liberdade de imprensa é boa quando usada para enaltecer a «obra feita» e espalhar a fé nos amanhãs que cantam. É má e convivem dificilmente com ela quando a imprensa desalinhada noticia factos inconvenientes ou transmite opiniões divergentes.
Já vimos isto várias vezes, a última das quais quando o animal feroz esteve estacionado em S. Bento. De caminho, Costa, agora como o animal feroz no passado recente, mostra a sua mente rasteira e pequenina a enviar recados aos desalinhados. Nisso está bem acompanhado por Belém que até avia mensagens para os jornais através de jornalistas amigos.
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DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (52)
Outras preces.
«Aqui está também o Comandante Supremo das Forças Armadas, aquele que, além de se orgulhar dos portugueses porque são portugueses, se orgulha dos militares portugueses porque são militares portugueses, que são os melhores militares do mundo, foram sempre, mas são cada vez mais».Garantiu Marcelo Rebelo de Sousa na República Centro-Africana ao contingente que lá se encontra estacionado. Passando ao lado de vários factos, como os melhores militares do mundo deixarem que lhes roubem as armas (Tancos, remember?), esquecendo as dificuldades de Marcelo com os adjectivos, perdoando o Ti Célinho que se descontrola mais do que o costume no clima africano (até dança, remember?), passando ao lado de Marcelo ser o Comandante "Supremo" desta tropa fandanga, ainda assim, mesmo para ele, melhores do mundo não será um bocadinho exagerado?
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Concedo: finalmente uma grande realização de Costa
Só as mentes frágeis podem acreditar que o governo de Costa e a geringonça trazem os turistas para Portugal e exportam produtos. Mas agora essas mentes têm algo de sólido a acrescentar à sua obra de reposições e restituições, a saber:
![]() |
| Do semanário de reverência, na sua versão diária |
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27/03/2018
O que estava certo para o Banif, está errado para a Caixa diz o Ronaldo das Finanças
| Expresso Diário |
Em retrospectiva:
Malhar é na direita, com o putinismo ele defende o diálogo
| A linguagem gestual do Bourdieu de província, segundo o Expresso Diário |
26/03/2018
ESTADO DE SÍTIO: A justiça sucialista
«Investigação TVI: Cândida Almeida levou em caixotes processos da operação Fizz para casa»
Recorde-se que Cândida Almeida foi uma amiga do peito de Almeida Santos e mandatária de Mário Soares. Durante os seus doze anos à frente do DCIAP e nessa qualidade arquivou o processo Freeport e vários outros em que estava envolvido José Sócrates e outras eminências socialistas ou conexas. Graças a Joana Marques Vidal, em 2013 Cândida Almeida não foi reconduzida no DCIAP.
Em concordância com o arquivamento dos processos envolvendo figuras de cera do regime garantiu um dia que «o nosso país não é um país corrupto, os nossos políticos não são políticos corruptos, os nossos dirigentes não são dirigentes corruptos. Portugal não é um país corrupto.» Viu-se e vê-se.
Pela sua acção no DCIAP, Cândida Almeida esteve várias vezes sob o olho do (Im)pertinências.
Como noticia a tvi24, ficou agora a conhecer-se a versão integral do relatório da inspecção feita durante o mandato de Cândida Almeida no DCIAP e o que ficou a saber-se confirma por excesso tudo aquilo que se poderia esperar de uma criatura enfeudada à protecção do bas fond do regime.
Recorde-se que Cândida Almeida foi uma amiga do peito de Almeida Santos e mandatária de Mário Soares. Durante os seus doze anos à frente do DCIAP e nessa qualidade arquivou o processo Freeport e vários outros em que estava envolvido José Sócrates e outras eminências socialistas ou conexas. Graças a Joana Marques Vidal, em 2013 Cândida Almeida não foi reconduzida no DCIAP.
Em concordância com o arquivamento dos processos envolvendo figuras de cera do regime garantiu um dia que «o nosso país não é um país corrupto, os nossos políticos não são políticos corruptos, os nossos dirigentes não são dirigentes corruptos. Portugal não é um país corrupto.» Viu-se e vê-se.
Pela sua acção no DCIAP, Cândida Almeida esteve várias vezes sob o olho do (Im)pertinências.
Como noticia a tvi24, ficou agora a conhecer-se a versão integral do relatório da inspecção feita durante o mandato de Cândida Almeida no DCIAP e o que ficou a saber-se confirma por excesso tudo aquilo que se poderia esperar de uma criatura enfeudada à protecção do bas fond do regime.
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (128)
Outras avarias da geringonça.
Regresso a dois temas já tratados nestas crónicas, ambos exemplificativos de uma governação opaca e focada na manipulação do lobo límbico dos portugueses que, lamento dizê-lo, é muito absorvente.
Da governação opaca são exemplo as orchestral manoeuvres in the dark com vista em fazer passar pela porta do cavalo as ligações de alta velocidade a Madrid, o celebrado TGV, que Costa ainda recentemente classificava de tema «tabu». Os mídia, com excepção do jornal SOL, têm dado pouca atenção a este tema. À pala do TGV lá voltará a terceira travessia do Tejo e tutti quanti como factos consumados indiscutíveis e indiscutidos.
Regresso a dois temas já tratados nestas crónicas, ambos exemplificativos de uma governação opaca e focada na manipulação do lobo límbico dos portugueses que, lamento dizê-lo, é muito absorvente.Da governação opaca são exemplo as orchestral manoeuvres in the dark com vista em fazer passar pela porta do cavalo as ligações de alta velocidade a Madrid, o celebrado TGV, que Costa ainda recentemente classificava de tema «tabu». Os mídia, com excepção do jornal SOL, têm dado pouca atenção a este tema. À pala do TGV lá voltará a terceira travessia do Tejo e tutti quanti como factos consumados indiscutíveis e indiscutidos.
25/03/2018
CASE STUDY: A doutrina Somoza como modo de vida (2)
Miguel Monjardino escreveu na sua coluna Guerra e Paz no Expresso, um texto «Tecnologia e Política» que por coincidência é uma continuação perfeita do post de ontem onde citei Helena Matos. Aqui vai o excerto mais directamente relacionado com a doutrina Somoza:
«A campanha eleitoral recorreu a dados disponíveis no Facebook e identificou milhões de eleitores suscetíveis de serem persuadidos a votar no seu candidato à presidência dos Estados Unidos, através de anúncios televisivos direcionados. O candidato apoiou a ideia, mas exigiu cuidado no modo como os dados pessoais dos eleitores seriam utilizados politicamente.
Os técnicos do Facebook aperceberam- se da utilização que estava a ser feita dos dados dos seus utilizadores. contactaram a campanha, mas consideraram que a privacidade dos mesmos não estava a ser afetada. O candidato ganhou a eleição e, como é natural, membros da sua campanha não resistiram a informar os jornalistas de que os dados recolhidos e a tecnologia disponível lhes tinham permitido, pela primeira vez, caracterizar cada um dos 15 milhões de eleitores indecisos nos EUA pelo nome, morada, rendimento, sexo e raça.
Tudo isto aconteceu em 2012, na campanha presidencial de Barack Obama contra Mitt Romney, e é público. Nada disto foi considerado controverso na altura. Jim Rutenberg, por exemplo, escreveu um longo artigo sobre o assunto no diário “The New York Times”: “Data you can believe in” [Dados em que pode acreditar] a 20 de Junho de 2013.
A conclusão de que o Facebook, um dos gigantes empresariais no centro da utopia tecnológica e progressista de Silicon Valley, esteve de alguma forma envolvido na vitória de Donald Trump tem vindo a gerar uma verdadeira tempestade política.»
«A campanha eleitoral recorreu a dados disponíveis no Facebook e identificou milhões de eleitores suscetíveis de serem persuadidos a votar no seu candidato à presidência dos Estados Unidos, através de anúncios televisivos direcionados. O candidato apoiou a ideia, mas exigiu cuidado no modo como os dados pessoais dos eleitores seriam utilizados politicamente.
Os técnicos do Facebook aperceberam- se da utilização que estava a ser feita dos dados dos seus utilizadores. contactaram a campanha, mas consideraram que a privacidade dos mesmos não estava a ser afetada. O candidato ganhou a eleição e, como é natural, membros da sua campanha não resistiram a informar os jornalistas de que os dados recolhidos e a tecnologia disponível lhes tinham permitido, pela primeira vez, caracterizar cada um dos 15 milhões de eleitores indecisos nos EUA pelo nome, morada, rendimento, sexo e raça.
Tudo isto aconteceu em 2012, na campanha presidencial de Barack Obama contra Mitt Romney, e é público. Nada disto foi considerado controverso na altura. Jim Rutenberg, por exemplo, escreveu um longo artigo sobre o assunto no diário “The New York Times”: “Data you can believe in” [Dados em que pode acreditar] a 20 de Junho de 2013.
A conclusão de que o Facebook, um dos gigantes empresariais no centro da utopia tecnológica e progressista de Silicon Valley, esteve de alguma forma envolvido na vitória de Donald Trump tem vindo a gerar uma verdadeira tempestade política.»
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doutrina Somoza,
esquerdalhada
24/03/2018
CASE STUDY: A doutrina Somoza como modo de vida
«Quando a pertença política do utilizador determina se estamos perante um escândalo ou perante um notável progresso» ou de como a internet e as redes sociais são meios virtuosos quando usados pelos prosélitos de Barack Obama e se transformam em meios malignos quando são usados pelos prosélitos de Donald Trump - e pelo próprio, já agora.
É apenas mais um exemplo de como a esquerdalhada não tem o menor escrúpulo (é por uma boa causa, dizem-nos) em adoptar e praticar intensamente o que aqui no (Im)pertinências baptizámos como doutrina Somoza.
É apenas mais um exemplo de como a esquerdalhada não tem o menor escrúpulo (é por uma boa causa, dizem-nos) em adoptar e praticar intensamente o que aqui no (Im)pertinências baptizámos como doutrina Somoza.
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23/03/2018
Notícia é o jornalista morder o cão, o que, sendo raro, acontece (2)
Especulando a propósito do artigo «Mulher morre depois de ter sido atropelada por carro autónomo da Uber» escrevi há dois dias este post. Neste comentário um leitor escreveu «Não esperava esta desonestidade da sua parte! Quantos carros em condução autónoma há por 1.000 habitantes?»
Esse comentário obriga-me, desde logo, a agradecer ao leitor por não esperar desonestidades da minha parte. Obriga-me também e em consequência a esclarecer que o propósito do meu post não era demonstrar coisa nenhuma, mas simplesmente colocar em perspectiva os factos alternativos e os histerismos que contaminam os mídia e as redes sociais a propósito de qualquer tema, incluindo os veículos alternativos.
Esse comentário obriga-me, desde logo, a agradecer ao leitor por não esperar desonestidades da minha parte. Obriga-me também e em consequência a esclarecer que o propósito do meu post não era demonstrar coisa nenhuma, mas simplesmente colocar em perspectiva os factos alternativos e os histerismos que contaminam os mídia e as redes sociais a propósito de qualquer tema, incluindo os veículos alternativos.
Tratando o assunto de uma forma ultra-simplificada (falando por exemplo como se houvesse apenas um tipo de autonomia, quando há 3 ou 4, e como se as condições de circulação dos autónomos e convencionais fossem as mesmas, que não são), eis o que posso acrescentar:
1. Não conheço o número de veículos que circulam em condução autónoma. Sei que:
- Só na Califórnia já foram concedidas 50 licenças a fabricantes de veículos autónomos;
- Uma dezena de fabricantes de vários países, incluindo os dois maiores VW e Toyota, e ainda BMW, Honda e Mercedes, estão a testar e nalguns casos também já a produzir veículos autónomos;
- Até 2017 21 estados americanos tinham introduzido legislação para regular os veículos autónomos;
- O ano passado o Congresso americano autorizou que os fabricantes testassem este ano 25 mil veículos autónomos nas vias públicas;
- Em várias grandes cidades americanas e chinesas circula regularmente um número significativo de veículos autónomos.
3. Segundo as estatísticas da Association for Safe International Road Travel, ocorrem por ano 1,3 milhões de mortes em acidentes de viação;
4. O número total mundial de veículos convencionais em circulação segundo a OICA era cerca de 1.300 milhões em 2015;
5. De 3 e 4 resulta que em média ocorre 1 morte por ano por cada 1.000 veículos convencionais;
6. Os veículos autónomos em teste circulam em média alguns milhares de km por semana, muitas vezes mais do que em média um veículo convencional;
7. De 4, 5 e 6 resulta que para a "taxa de mortalidade" dos veículos autónomos não ser superior à dos veículos comuns seria apenas necessário que em dois anos tivessem circulado em média 1.000 veículos autónomos.
De onde, permito-me concluir, classificar o meu post como «desonestidade» poderia ser classificado como... desonesto, se não fosse o caso de eu considerar isso uma desonestidade.
21/03/2018
Notícia é o jornalista morder o cão, o que, sendo raro, acontece
«Mulher morre depois de ter sido atropelada por carro autónomo da Uber»
Que me lembre, esta é a segunda morte causada por um veículo autónomo, neste caso de um peão que atravessava a rua fora da passadeira. A primeira morte foi resultante de uma colisão com um camião em circunstâncias de contra-luz que o computador do carro não interpretou correctamente.
Estas duas mortes depois de vários anos e de milhões de km percorridos por veículo autónomos comparam com as mais de 100 mortes por dia nos Estados Unidos em acidentes com veículos convencionais.
Que me lembre, esta é a segunda morte causada por um veículo autónomo, neste caso de um peão que atravessava a rua fora da passadeira. A primeira morte foi resultante de uma colisão com um camião em circunstâncias de contra-luz que o computador do carro não interpretou correctamente.
Estas duas mortes depois de vários anos e de milhões de km percorridos por veículo autónomos comparam com as mais de 100 mortes por dia nos Estados Unidos em acidentes com veículos convencionais.
Pro memoria (373) - Os universos paralelos do Estado Sucial socialista
«Todos os agrupamentos de centros de saúde vão ter dentistas em 2019
Dos 55 agrupamentos de centros de saúde do país, apenas 24 possuem atualmente consultas de medicina dentária. Governo quer colocar “mais de metade dos [dentistas] que faltam” durante este ano e os restantes no primeiro semestre do próximo ano.» (Semanário de reverência)
O que o secretário de Estado da Saúde, Fernando Araújo, disse aos jornalistas em Leiria foi que o governo está a trabalhar "activamente" nesse sentido o que em politiquês significa: para já está anunciado e isso é que conta, depois logo se vê. A coisa foi transformada em notícia pelo agitprop socialista e pressurosamente publicada pelo semanário de reverência que não cuidou de perguntar ao secretário como é que um governo que está a deixar o SNS a rebentar pelas costuras e em piores condições do que o governo dito neoliberal vai tratar dos dentes podres do povo ignaro.
Dos 55 agrupamentos de centros de saúde do país, apenas 24 possuem atualmente consultas de medicina dentária. Governo quer colocar “mais de metade dos [dentistas] que faltam” durante este ano e os restantes no primeiro semestre do próximo ano.» (Semanário de reverência)
O que o secretário de Estado da Saúde, Fernando Araújo, disse aos jornalistas em Leiria foi que o governo está a trabalhar "activamente" nesse sentido o que em politiquês significa: para já está anunciado e isso é que conta, depois logo se vê. A coisa foi transformada em notícia pelo agitprop socialista e pressurosamente publicada pelo semanário de reverência que não cuidou de perguntar ao secretário como é que um governo que está a deixar o SNS a rebentar pelas costuras e em piores condições do que o governo dito neoliberal vai tratar dos dentes podres do povo ignaro.
20/03/2018
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: «A educação como paixão perdida»
Costumo dizer que devo tudo o que sou aos meus professores. Mas, pré-adolescente ou adolescente, sabia que tinha de estudar a sério pois o meu futuro dependia disso; e que se não me preparasse com seriedade podia chumbar no liceu público onde estudava. E sabia que se tivesse uma má nota, a minha Mãe não ia protestar com os professores, mas castigava-me a mim.
Hoje teriam dado cabo do meu futuro.
Sem faltas, iria jogar bilhar ou futebol; sabendo que não podia chumbar, iria viver dos rendimentos gerados com alguma atenção nas aulas e algumas leituras de sinopses coladas com cuspo.
Nos anos formativos tornar-me-ia num analfabeto cultural, um preguiçoso preparado para viver de expedientes, uma besta-quadrada a aprender reivindicações a ver a mãezinha a berrar com os professores, até que estes já fartos disso e quantos deles também “analfabetizados”, nos dessem a todos as notas que sossegariam a sua vida e destruiriam as nossas.
Quando vejo Mário Nogueira e as suas tropas — disse-o no tempo de Maria de Lurdes Rodrigues, e repito agora — descubro que não quero os meus netos entregues a estes sindicalistas do berro, que nunca gritam exigindo rigor, estudo, trabalho aos estudantes, que nunca reivindicam o direito a chumbar, a fazer provas, a censurar duramente os disparates e as bestialidades dos seus alunos.
E não me venham com as dificuldades sociais para legitimar a bandalheira. Estudei numa escola primária pública na zona mais pobre de Coimbra. Quase todos os meus colegas ao fim da 4ª classe foram trabalhar e roubaram-lhes a infância. E no liceu alguns dos meus colegas vinham de longe, em casa tinham pais analfabetos ou — como se dizia então — capazes de ler as letras gordas e que trabalhavam mais do que seria razoável para dar aos filhos um futuro melhor.
É por isso muito ofensivo comparar os desfavorecidos de hoje com os desses tempos de miséria, pobreza extrema, abusos, insalubridade, casas sem água corrente, com uma cama onde tinham de dormir num quarto sem janela pais e irmãos. E, apesar disso, o ensino público exigia-lhes trabalho e esforço e com isso colocava-os num ascensor social que era muito imperfeito, mas que não era pior do que hoje.»
José Miguel Júdice, no comentário no Jornal das 8 da TVI (fonte)
Hoje teriam dado cabo do meu futuro.
Sem faltas, iria jogar bilhar ou futebol; sabendo que não podia chumbar, iria viver dos rendimentos gerados com alguma atenção nas aulas e algumas leituras de sinopses coladas com cuspo.
Nos anos formativos tornar-me-ia num analfabeto cultural, um preguiçoso preparado para viver de expedientes, uma besta-quadrada a aprender reivindicações a ver a mãezinha a berrar com os professores, até que estes já fartos disso e quantos deles também “analfabetizados”, nos dessem a todos as notas que sossegariam a sua vida e destruiriam as nossas.
Quando vejo Mário Nogueira e as suas tropas — disse-o no tempo de Maria de Lurdes Rodrigues, e repito agora — descubro que não quero os meus netos entregues a estes sindicalistas do berro, que nunca gritam exigindo rigor, estudo, trabalho aos estudantes, que nunca reivindicam o direito a chumbar, a fazer provas, a censurar duramente os disparates e as bestialidades dos seus alunos.
E não me venham com as dificuldades sociais para legitimar a bandalheira. Estudei numa escola primária pública na zona mais pobre de Coimbra. Quase todos os meus colegas ao fim da 4ª classe foram trabalhar e roubaram-lhes a infância. E no liceu alguns dos meus colegas vinham de longe, em casa tinham pais analfabetos ou — como se dizia então — capazes de ler as letras gordas e que trabalhavam mais do que seria razoável para dar aos filhos um futuro melhor.
É por isso muito ofensivo comparar os desfavorecidos de hoje com os desses tempos de miséria, pobreza extrema, abusos, insalubridade, casas sem água corrente, com uma cama onde tinham de dormir num quarto sem janela pais e irmãos. E, apesar disso, o ensino público exigia-lhes trabalho e esforço e com isso colocava-os num ascensor social que era muito imperfeito, mas que não era pior do que hoje.»
José Miguel Júdice, no comentário no Jornal das 8 da TVI (fonte)
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Quem fala assim não é gago
ACREDITE SE QUISER: Quem melhor para falar sobre o pós-crise do que o maior responsável pela crise?
«José Sócrates vai falar sobre a crise económica, na próxima quarta-feira, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
O ex-primeiro-ministro será o orador de uma conferência sobre “o projeto europeu depois da crise económica”. Um evento promovida pelo Núcleo de Estudantes de Economia da Associação Académica.» (jornal SOL)
Repare-se a diferença: a direcção do ISCSP convidou o sucessor de Sócrates para debitar umas lérias sobre qualquer coisa que ninguém sabe bem o que seja. Os alunos do ISCSP - e ao que parece muitos outros e várias luminárias académicas - indignaram-se muito justamente e produziram uma petição pública onde consideram que a «referida nomeação configura em si mesma uma ofensa à dignidade dos profissionais da ciência e do ensino em Portugal.
Agora que foram os alunos a escolher alguém para falar sobre a crise económica não tiveram dúvidas, passaram ao lado de Passos Coelho e foram directamente à maior autoridade do Portugal dos Pequeninos nesta matéria: o licenciado em engenharia civil (incluindo a cadeira de Inglês Técnico) pela Universidade Independente e mestre pela Sciences Po.
O ex-primeiro-ministro será o orador de uma conferência sobre “o projeto europeu depois da crise económica”. Um evento promovida pelo Núcleo de Estudantes de Economia da Associação Académica.» (jornal SOL)
Repare-se a diferença: a direcção do ISCSP convidou o sucessor de Sócrates para debitar umas lérias sobre qualquer coisa que ninguém sabe bem o que seja. Os alunos do ISCSP - e ao que parece muitos outros e várias luminárias académicas - indignaram-se muito justamente e produziram uma petição pública onde consideram que a «referida nomeação configura em si mesma uma ofensa à dignidade dos profissionais da ciência e do ensino em Portugal.
Agora que foram os alunos a escolher alguém para falar sobre a crise económica não tiveram dúvidas, passaram ao lado de Passos Coelho e foram directamente à maior autoridade do Portugal dos Pequeninos nesta matéria: o licenciado em engenharia civil (incluindo a cadeira de Inglês Técnico) pela Universidade Independente e mestre pela Sciences Po.
19/03/2018
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (127)
Outras avarias da geringonça.
Costa, que na sua juventude talvez tenha estado próximo do marxismo na versão Karl, à medida que foi envelhecendo foi adoptando o marxismo na versão Groucho. Não faltam exemplos e o mais recente são as suas juras de fidelidade a Bruxelas, ao equilíbrio orçamental e à redução da dívida pública, depois de anos a verberar o império da austeridade. Se não gostarmos ou não resultarem estes princípios, Costa estará sempre disponível para adoptar outros.
Outro exemplo do marxismo grouchista de Costa é o TGV que tudo indica estar a ser desenterrado às escondidas, um mês depois de Costa ter declarado que é «um tabu e vai sê-lo por muito tempo». É também um exemplo da opacidade da governação social-costista. Sem falar das miudezas de todos os dias, como o ultimato para limpeza das matas com um prazo inadiável que poucas semanas depois foi adiado três meses.
Costa, que na sua juventude talvez tenha estado próximo do marxismo na versão Karl, à medida que foi envelhecendo foi adoptando o marxismo na versão Groucho. Não faltam exemplos e o mais recente são as suas juras de fidelidade a Bruxelas, ao equilíbrio orçamental e à redução da dívida pública, depois de anos a verberar o império da austeridade. Se não gostarmos ou não resultarem estes princípios, Costa estará sempre disponível para adoptar outros.Outro exemplo do marxismo grouchista de Costa é o TGV que tudo indica estar a ser desenterrado às escondidas, um mês depois de Costa ter declarado que é «um tabu e vai sê-lo por muito tempo». É também um exemplo da opacidade da governação social-costista. Sem falar das miudezas de todos os dias, como o ultimato para limpeza das matas com um prazo inadiável que poucas semanas depois foi adiado três meses.
ESTÓRIA E MORAL: Um Bourdieu de província
Estória
«Em 2005, farta de presidir a júris académicos, reformei-me. Continuei a fazer a vida de sempre, embora com menos atenção ao que os meus colegas iam publicando na "Análise Social". Eis senão quando me deparei, no seu último número, com um artigo de Augusto Santos Silva, intitulado "Sociologia e Política Pública: sobre avanços recentes em Portugal". A prosa é suficientemente confusa para dela afastar qualquer leitor, mas temo que o jargão ali utilizado possa vir a influenciar os jovens que por aí andam a tentar ser sociólogos. O artigo procura inculcar nas mentes indefesas a ideia de que há "uma epistemologia do Sul", a qual nos permitiria debater o papel do "intelectual activista". Não contente com isto, louva uma das unidades de investigação mais nefastas do país, o Observatório do CES da Universidade de Coimbra que, sob a batuta de Boaventura Sousa Santos, por aí anda a pregar "as crises e as alternativas".
Em tempos lera uma pequena obra de Santos Silva intitulada "Oliveira Martins, Ensaio de Leitura Crítica", um chorrilho de disparates, o que não impediu a Associação Portuguesa de Autores de lhe atribuir o Prémio Revelação de Ensaios. Uns anos mais tarde, comprei outro livro seu, "Palavras Para um País", equiparável à primeira em mediocridade. Tal não impediu este Bourdieu de província de subir na carreira universitária e agora na vida política. Admito que o actual ministro dos Negócios Estrangeiros tenha passado uma vista de olhos por algumas obras de Max Weber, mas tenho a certeza de que a sua cabecinha ex-trotskista não entendeu o que o sociólogo alemão defende em "A Ciência como Vocação e A Política como Vocação''. Se o Adérito estivesse vivo, teria desmaiado ao ler o nº 225 da "Análise Social".»
«Um ministro que se julga sociólogo», Maria Filomena Mónica no Expresso
Moral
The truest characters of ignorance are vanity and pride and arrogance.
Samuel Butler
«Em 2005, farta de presidir a júris académicos, reformei-me. Continuei a fazer a vida de sempre, embora com menos atenção ao que os meus colegas iam publicando na "Análise Social". Eis senão quando me deparei, no seu último número, com um artigo de Augusto Santos Silva, intitulado "Sociologia e Política Pública: sobre avanços recentes em Portugal". A prosa é suficientemente confusa para dela afastar qualquer leitor, mas temo que o jargão ali utilizado possa vir a influenciar os jovens que por aí andam a tentar ser sociólogos. O artigo procura inculcar nas mentes indefesas a ideia de que há "uma epistemologia do Sul", a qual nos permitiria debater o papel do "intelectual activista". Não contente com isto, louva uma das unidades de investigação mais nefastas do país, o Observatório do CES da Universidade de Coimbra que, sob a batuta de Boaventura Sousa Santos, por aí anda a pregar "as crises e as alternativas".
Em tempos lera uma pequena obra de Santos Silva intitulada "Oliveira Martins, Ensaio de Leitura Crítica", um chorrilho de disparates, o que não impediu a Associação Portuguesa de Autores de lhe atribuir o Prémio Revelação de Ensaios. Uns anos mais tarde, comprei outro livro seu, "Palavras Para um País", equiparável à primeira em mediocridade. Tal não impediu este Bourdieu de província de subir na carreira universitária e agora na vida política. Admito que o actual ministro dos Negócios Estrangeiros tenha passado uma vista de olhos por algumas obras de Max Weber, mas tenho a certeza de que a sua cabecinha ex-trotskista não entendeu o que o sociólogo alemão defende em "A Ciência como Vocação e A Política como Vocação''. Se o Adérito estivesse vivo, teria desmaiado ao ler o nº 225 da "Análise Social".»
«Um ministro que se julga sociólogo», Maria Filomena Mónica no Expresso
The truest characters of ignorance are vanity and pride and arrogance.
Samuel Butler
18/03/2018
BREIQUINGUE NIUZ: Surpreendentemente, Putin ganha as eleições...
... com apenas 75% dos votos.
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é muito para um homem só,
Ridendo castigat mores
Pro memoria (372) - A derrota humilhante do marxismo-leninismo colombiano
Durante mais de 40 anos, as FARC-EP (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia-Ejército del Pueblo), uma organização colombiana terrorista inspirada na vulgata marxista-leninista e financiada pelo narcotráfico, perpetraram inúmeros atentados, assaltos e assassinatos até aos acordos 2016 da iniciativa do governo colombiano que levaram ao desarmamento e à possibilidade de participarem nas eleições com o partido Fuerza Alternativa Revolucionaria del Común.
Nas eleições do dia 11, o partido FARC obteve 0,5% dos votos (85.094) ficando com os 10 deputados no parlamento de 280 que os acordos de paz lhe concederam. Sem isso não teria um único lugar.
Certamente por razões de agenda do jornalismo de causas português, esta derrota humilhante das FARC quase não foi noticiada. Talvez porque faria lembrar a derrota dos grupúsculos esquerdistas que pululavam no PREC, cujos dirigentes e militantes fazem hoje parte da nomenclatura do regime alojados em órgãos do poder frequentemente via o PS, o partido hospedeiro.
Nas eleições do dia 11, o partido FARC obteve 0,5% dos votos (85.094) ficando com os 10 deputados no parlamento de 280 que os acordos de paz lhe concederam. Sem isso não teria um único lugar.
Certamente por razões de agenda do jornalismo de causas português, esta derrota humilhante das FARC quase não foi noticiada. Talvez porque faria lembrar a derrota dos grupúsculos esquerdistas que pululavam no PREC, cujos dirigentes e militantes fazem hoje parte da nomenclatura do regime alojados em órgãos do poder frequentemente via o PS, o partido hospedeiro.
ACREDITE SE QUISER: Ser mas não ser e o esperma sagrado
«Dos estudos que publicou, destaco “Ser mas não ser, eis a questão. O problema persistente do essencialismo estratégico”; “A teoria queer e a contestação da categoria ‘género’” e “O esperma sagrado: algumas ambiguidades da homoparentalidade em contextos euro-americanos contemporâneos”. Cito um resumo do último, escarrapachado na página “Ciência-IUL – A excelência da investigação e ciência no ISCTE”: “Igualmete (sic), quanto menos provisâo (sic) legal exista, menos parece haver una cultura de como fazer e proceder em situaçoes (sic) de disputa de paternidade entre gays e lésbicas, assistindo-se ao recurso ou à normativade (sic) legal, ou à normatividade moral (e necessariamente heteronormativa (sic), androcêntrica e patrilinear) a ela associada.”»
Alberto Gonçalves no Observador, sobre Vale de Almeida, uma luminária socialista que fez de uma sexualidade desviante uma forma de vida política e académica
Alberto Gonçalves no Observador, sobre Vale de Almeida, uma luminária socialista que fez de uma sexualidade desviante uma forma de vida política e académica
17/03/2018
As escolhas de Rui Rio. Cada tiro, cada melro
«Barreiras Duarte tinha casa em Lisboa, mas recebeu subsídio do Parlamento como se vivesse no Bombarral.»
O que se pode esperar de um líder que se apresenta como um campeão da ética e escolhe como seus lugares-tenentes um Barreiras Duarte, uma Elina Fraga e um Salvador Malheiro?
16/03/2018
SERVIÇO PÚBLICO: Se a informação dos mídia é de má qualidade, que qualidade tem a de António Costa?
«Um dos maiores problemas do país é a péssima qualidade da nossa informação, que só acorda para os problemas a meio das tragédias, esquecendo-se habitualmente do problema na hora certa de prevenir que a tragédia possa vir a ocorrer.»António Costa, ontem no parlamento
«Este primeiro-ministro que acha o jornalismo péssimo — porque acorda a meio das tragédias e se esquece da hora de prevenir –, é o mesmo primeiro-ministro que não acordou para o problema a meio da primeira tragédia. Que não preveniu a segunda tragédia. Que manteve contra a sua própria vontade e sabe-se lá em que condições pessoais uma ministra sem capacidade para prevenir a tragédia seguinte. E que só agiu depois da tragédia se repetir, com mais de 100 mortos no currículo, com um conselho de ministros especial marcado e a demissão da ministra forçada pelo Presidente da República.»
Excerto de «Crónica. Este texto é um exemplo da “péssima qualidade da informação”», Vítor Matos no Observador
15/03/2018
Pro memoria (371) - 3.620 (três mil seiscentos e vinte) quilómetros
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| Diário do Semanário de reverência |
Tomai nota: três mil seiscentos e vinte quilómetros ou mais de duas vezes e meia de Melgaço a Vila Real de Santo António ida e volta. É obra! Bendita geringonça.
SERVIÇO PÚBLICO: A contratação de Passos Coelho como professor convidado explicada às criancinhas
«A ideia de que alguém deve ter um percurso académico para ser convidado é um total disparate. Se eu contratasse Passos Coelho para dar aulas na minha escola e descobrisse que ele andava a dar matérias que tivesse estudado num qualquer mestrado ou doutoramento, despedia-o imediatamente. Para isso, já tinha à disposição mais de 80 professores doutorados, que fizeram do estudo a sua carreira. De um ex-primeiro-ministro, eu esperaria um relato tão vivo, pessoal e detalhado quanto possível do que foi o seu mandato, em especial se esse mandato coincidisse com um dos períodos mais difíceis da nossa história recente. (...)
O outro argumento dos alunos do ISCSP é o salário obsceno de catedrático que Passos Coelho vai receber. Vamos com calma! Em primeiro lugar, é verdade que os catedráticos têm um bom salário. Um Catedrático em exclusividade ganha entre 4.665€ (1º escalão) e 5.400€ (4º escalão). Mas um convidado, evidentemente, não recebe como se estivesse em exclusividade. Recebe apenas uma percentagem do salário base do catedrático que não esteja em exclusividade. Esse salário é de 3100€. Se PPC for contratado a 50%, o seu salário bruto será de 1550€. Se for a 30%, então receberá pouco mais de 900€. Ou seja, muito provavelmente (e digo provavelmente porque os detalhes ainda não são públicos), o seu ordenado líquido andará entre os 700 e os 1.100€. É uma questão de opinião, claro, mas não considero obsceno. (...)
Basta procurar no Diário da República para ver que há dezenas (senão centenas) de nomeações de Professores Catedráticos Convidados. Logo no ISCSP, encontramos dois ex-ministros (Luís Amado e Paulo Macedo), além de lá estar António José Seguro (este como Auxiliar convidado). Não consigo, de todo, entender como se argumentar que a contratação de PPC é um atropelo ao ECDU.»
Excertos de «O ex-primeiro-ministro que nada tem para ensinar», Luís Aguiar-Conraria no Observador.
É uma análise objectiva e factual, parecendo ter prevalecido o Conraria sem hífen, pontualmente libertado dos seus complexos de esquerda e do ideologismo que lhe costuma estar associado.
O outro argumento dos alunos do ISCSP é o salário obsceno de catedrático que Passos Coelho vai receber. Vamos com calma! Em primeiro lugar, é verdade que os catedráticos têm um bom salário. Um Catedrático em exclusividade ganha entre 4.665€ (1º escalão) e 5.400€ (4º escalão). Mas um convidado, evidentemente, não recebe como se estivesse em exclusividade. Recebe apenas uma percentagem do salário base do catedrático que não esteja em exclusividade. Esse salário é de 3100€. Se PPC for contratado a 50%, o seu salário bruto será de 1550€. Se for a 30%, então receberá pouco mais de 900€. Ou seja, muito provavelmente (e digo provavelmente porque os detalhes ainda não são públicos), o seu ordenado líquido andará entre os 700 e os 1.100€. É uma questão de opinião, claro, mas não considero obsceno. (...)
Basta procurar no Diário da República para ver que há dezenas (senão centenas) de nomeações de Professores Catedráticos Convidados. Logo no ISCSP, encontramos dois ex-ministros (Luís Amado e Paulo Macedo), além de lá estar António José Seguro (este como Auxiliar convidado). Não consigo, de todo, entender como se argumentar que a contratação de PPC é um atropelo ao ECDU.»
Excertos de «O ex-primeiro-ministro que nada tem para ensinar», Luís Aguiar-Conraria no Observador.
É uma análise objectiva e factual, parecendo ter prevalecido o Conraria sem hífen, pontualmente libertado dos seus complexos de esquerda e do ideologismo que lhe costuma estar associado.
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eu diria mesmo mais
14/03/2018
CASE STUDY: Trumpologia (29) - O contributo de Donald para a igualdade de oportunidades
Mais trumpologia.
Depois de ter despachado o secretário de Estado Tex Tillerson e nomeado em sua substituição Mike Pompeo, Donald Trump acaba de nomear director da CIA pela primeira vez na história americana uma pessoa do género feminino - a que as pessoas normais costumam chamar mulher.
Gina Haspel, assim se chama a criatura, é uma operacional veterana da CIA envolvida nas operações de contra-terrorismo e com responsabilidades directas na supervisão dos programas de interrogatórios sob tortura com utilização do waterboarding dos membros da Al Qaeda.
Prevê-se uma confirmação turbulenta pelo Senado de Gina Haspel que será confrontada com o seu papel nas actividades da CIA hoje geralmente condenadas. Vamos ver o que as feministas e a tropa do politicamente correcto têm para nos dizer sobre este contributo do Donald para a igualdade de oportunidades dos géneros - igualdade de oportunidades a que as pessoas normais costumam chamar dos sexos.
Depois de ter despachado o secretário de Estado Tex Tillerson e nomeado em sua substituição Mike Pompeo, Donald Trump acaba de nomear director da CIA pela primeira vez na história americana uma pessoa do género feminino - a que as pessoas normais costumam chamar mulher.
Gina Haspel, assim se chama a criatura, é uma operacional veterana da CIA envolvida nas operações de contra-terrorismo e com responsabilidades directas na supervisão dos programas de interrogatórios sob tortura com utilização do waterboarding dos membros da Al Qaeda.
Prevê-se uma confirmação turbulenta pelo Senado de Gina Haspel que será confrontada com o seu papel nas actividades da CIA hoje geralmente condenadas. Vamos ver o que as feministas e a tropa do politicamente correcto têm para nos dizer sobre este contributo do Donald para a igualdade de oportunidades dos géneros - igualdade de oportunidades a que as pessoas normais costumam chamar dos sexos.
13/03/2018
No melhor pano cai a pior nódoa ou a fé desperdiçada (2) - Depois do pai, o filho e agora o espírito santo
Continuação daqui.
Primeiro foi o pai Alexandre Soares dos Santos a querer reformar o Estado com uma «comissão de sábios», depois foi o filho Pedro que confessou «acreditar muito no dr. António Costa».
Primeiro foi o pai Alexandre Soares dos Santos a querer reformar o Estado com uma «comissão de sábios», depois foi o filho Pedro que confessou «acreditar muito no dr. António Costa».
Agora parece que o espírito santo encarnado no filho mitiga a sua fé de há duas semanas em entrevista ao Público, esclarecendo que a sua admiração por Costa se funda na sua «capacidade de negociação, de construção de consensos, talvez única em Portugal neste momento» e, animado com o que parece ser uma epifania pontual, manifesta a sua crença num Estado liberal.
Passando por cima do facto de a admiração por aquelas competências de Costa para se manter a flutuar são algo incompatíveis com uma inclinação para um Estado liberal, percebe-se que está a tentar jogar em dois tabuleiros, coisa para a qual se duvida tenha o talento suficiente e coisa supérflua para a sua condição de empresário que deveria jogar em tabuleiro próprio.
EU DIRIA MESMO MAIS: Passos Coelho é culpado? Pois é, a esquerdalhada tem razão
«Não há qualquer espanto nisto. As faculdades de ciências sociais viraram muito à esquerda, e o ressentimento de professores e alunos, em vez de se dirigir àqueles que transformaram a universidade num coio de amiguismo e endogamia, apontou antes para o famoso “neoliberalismo português”, o peluche político da esquerda nacional, que ocupa um lugar bonito ao lado das fadas e dos unicórnios. Não admira que surjam abaixo-assinados de alunos, e que outros declarem (Sérgio Lavos, candidato do Livre, no Twitter): “Se a maioria dos alunos do ISCSP decidir que não quer Passos como professor, a direcção do instituto só tem de acatar a decisão.”
As grandoladas, como se vê, continuam, e a pergunta que importa fazer é esta: de onde vem tanto ódio a Passos Coelho? É um corrupto? Afundou o país? Impôs sacrifícios inúteis? Falhou a saída limpa? Tentou controlar a justiça? Silenciou a comunicação social? Não, ele não fez nada disso. Mas fez pior: refreou o Estado gargantuesco e propôs mais liberdade aos cidadãos. Tudo ideias tão perigosas para certa esquerda que a simples visão de Passos a ensinar numa universidade pública é mais do que aquilo que conseguem suportar.»
O ódio ao professor Passos Coelho, João Miguel Tavares no Público
As grandoladas, como se vê, continuam, e a pergunta que importa fazer é esta: de onde vem tanto ódio a Passos Coelho? É um corrupto? Afundou o país? Impôs sacrifícios inúteis? Falhou a saída limpa? Tentou controlar a justiça? Silenciou a comunicação social? Não, ele não fez nada disso. Mas fez pior: refreou o Estado gargantuesco e propôs mais liberdade aos cidadãos. Tudo ideias tão perigosas para certa esquerda que a simples visão de Passos a ensinar numa universidade pública é mais do que aquilo que conseguem suportar.»
O ódio ao professor Passos Coelho, João Miguel Tavares no Público
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12/03/2018
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (126)
Outras avarias da geringonça.
É difícil acreditar mas continua a saga do roubo das armas de Tancos com o adiamento uma vez mais da entrega do relatório no parlamento passados nove meses do roubo, que afinal pode ser ou não roubo.
Entretanto, ficámos a saber que a factura da resolução do BES continua a crescer. Segundo a estimativa da CE, as injecções de capital após a resolução já vão em 9,2 mil milhões and counting. Perguntarão: mas o que tem isso a ver com ao governo? Respondo: tem imenso. Um antecessor de Costa na liderança do PS está acusado de ter sido um notório cúmplice do DDT Ricardo Salgado e o governo de Costa tem a bordo meia dúzia de membros de um ou dos dois governos de Sócrates, incluindo o próprio Costa.
É difícil acreditar mas continua a saga do roubo das armas de Tancos com o adiamento uma vez mais da entrega do relatório no parlamento passados nove meses do roubo, que afinal pode ser ou não roubo.Entretanto, ficámos a saber que a factura da resolução do BES continua a crescer. Segundo a estimativa da CE, as injecções de capital após a resolução já vão em 9,2 mil milhões and counting. Perguntarão: mas o que tem isso a ver com ao governo? Respondo: tem imenso. Um antecessor de Costa na liderança do PS está acusado de ter sido um notório cúmplice do DDT Ricardo Salgado e o governo de Costa tem a bordo meia dúzia de membros de um ou dos dois governos de Sócrates, incluindo o próprio Costa.
11/03/2018
A violação do segredo de justiça como condição para haver justiça no Portugal dos Pequeninos
Entendamo-nos, num Portugal Ideal o segredo de justiça seria um mecanismo processual importante para preservar o princípio da presunção de inocência, essencial num Estado de Direito. Acontece que o Portugal dos Pequeninos não é o Portugal Ideal, é o Portugal Possível, colectivista, com maus costumes e com uma nomenclatura corrupta, abusadora e marxista (do Groucho, não do Karl) que tem os maus princípios que tem e pode ter outros se estes não resultarem.
Por isso, o (Im)pertinências que vive no Portugal Possível faz vários anos que no Glossário se incluiu a seguinte definição:
Segredo de justiça (Juridiquês)
Mecanismo processual que obriga o putativo arguido a comprar jornais ou a ver televisão para tomar conhecimento da acusação.Também por isso, pergunto: alguém acredita que, se as investigações dos suspeitos de corrupção não vazassem para os jornais, essas investigações prosseguiriam e a nomenclatura instalada no aparelho do Estado Sucial não travaria a acusação formal dos seus membros?
E não me digam que a violação do segredo de justiça prejudica os inocentes, os pobres e os remediados porque esses não são notícia e ninguém está interessado nos seus putativos crimes de corrupção. Esses não praticam crimes de colarinhos brancos, porque têm os colarinhos sujos.
Dúvidas? Veja-se quem se indigna com a violação do segredo de justiça que muito naturalmente são os que se vêem ou aos seus correlegionários como potenciais visados.
Em conclusão, no Portugal dos Pequeninos a violação do segredo de justiça é provavelmente uma condição para haver justiça no Portugal dos Pequeninos.
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um país talvez normal mas rançoso
10/03/2018
CONDIÇÃO FEMININA / CONDIÇÃO MASCULINA: Quanto mais os querem fazer iguais mais eles se revelam diferentes
Este é o terceiro post a propósito da efeméride Dia da Mulher (ou será Dia da Pessoa do Sexo Género Feminino?). Aproveito para registar a minha indignação e o meu mais veemente protesto por não haver um Dia do Homem.
Uma equipa de investigadores composta por duas mulheres (Ann Mari May e Mary McGarvey da Universidade de Nebraska-Lincoln) e um homem (David Kucera da OIT) - em conformidade, portanto, com o cânone - publicou recentemente um paper concluindo que até na economia os sexos, perdão os géneros, se dividem (ver o diagrama aqui ao lado).
A equipa inquiriu economistas de 18 países europeus e observou diferenças importantes relativamente a vários temas, nomeadamente:
Uma equipa de investigadores composta por duas mulheres (Ann Mari May e Mary McGarvey da Universidade de Nebraska-Lincoln) e um homem (David Kucera da OIT) - em conformidade, portanto, com o cânone - publicou recentemente um paper concluindo que até na economia os sexos, perdão os géneros, se dividem (ver o diagrama aqui ao lado).A equipa inquiriu economistas de 18 países europeus e observou diferenças importantes relativamente a vários temas, nomeadamente:
- A frequência de homens economistas que preferem o mercado à intervenção estatal é muito superior à das mulheres economistas;
- Os homens economistas são mais cépticos do que as mulheres economistas em relação à necessidade de políticas ambientais;
- As mulheres economistas tendem mais a considerar que não são iguais as oportunidades no mercado de trabalho.
Poderia pensar-se que entre os economistas americanos seria diferente, mas um outro estudo de uma equipa de que fez parte um das referidas investigadoras (Ann Mari May) chegou também à primeira conclusão e ainda concluiu que os economistas homens eram mais propensos a pensar que salários mínimos mais elevados aumentam o desemprego. Diferentemente, economistas mulheres defendem muito mais frequentemente que a abertura americana ao comércio externo deve depender do respeito de padrões laborais mais elevados dos parceiros comerciais.
Já agora, um outro estudo de Zubin Jelveh da Universidade de Chicago, Suresh Naidu da Universidade de Columbia e de Bruce Kogut Columbia Business School, concluiu que os economistas homens de direita tendem a produzir previsões que confiam os seus pontos de vista não intervencionistas e que as economistas mulheres tendem mais a usar uma linguagem de esquerda.
(Fonte: Male economists are both more right-wing and more senior, Economist)
09/03/2018
LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: E porque não dotar as mulheres com um cromossoma Y?
«Swedish embassies around the world are today hosting events aimed at increasing gender equality on the internet. The embassies’ “edit-a-thons” will take steps to redress the imbalance of Wikipedia, on which 80% of biographies are of men (and 90% of whose contributors are men). A more gender-equal Wikipedia—indeed a more gender-equal internet—should help create a more gender-equal world, goes the Swedish thinking.»
Estas engenharias sociais em vez de se focarem em eliminar os obstáculos à igualdade de oportunidades das mulheres (que muito naturalmente têm prioridades diferentes dos homens), obcecam-se na discriminação positiva que é uma forma de continuar a discriminação por outros meios, até ao ponto que um dia será preciso discriminar positivamente os homens brancos heterossexuais, entretanto transformados numa tribo de atrasados mentais pelo vudu politicamente correcto/marxismo cultural e por escolas onde predomina o estereotipo comportamental feminino.
E porque não dotar as mulheres com um cromossoma Y? Ou, em alternativa, retirar os genes que restam no cromossoma Y dos homens.
Estas engenharias sociais em vez de se focarem em eliminar os obstáculos à igualdade de oportunidades das mulheres (que muito naturalmente têm prioridades diferentes dos homens), obcecam-se na discriminação positiva que é uma forma de continuar a discriminação por outros meios, até ao ponto que um dia será preciso discriminar positivamente os homens brancos heterossexuais, entretanto transformados numa tribo de atrasados mentais pelo vudu politicamente correcto/marxismo cultural e por escolas onde predomina o estereotipo comportamental feminino.
E porque não dotar as mulheres com um cromossoma Y? Ou, em alternativa, retirar os genes que restam no cromossoma Y dos homens.
08/03/2018
Mitos (271) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (7)
Outros mitos: (1), (2), (3), (4), (5) e (6)
Trata-se de um artigo do semanário de reverência na versão diária onde, além das vacuidades e confusões habituais que passam por cima das diferenças de função que explicam quase todas as diferenças salariais, ainda acrescenta um título baseado no sofisma de que tendo as mulheres um salário médio mais baixo do que os homens é como se ficassem 79 dias "sem remuneração". Apreciem-se as aspas para justificar a manipulação mais grosseira, assente no princípio de que uma mentira repetida mil vezes se torna verdade.
Não se encontra uma linha naquela prosa que permita concluir que existam diferenças salariais relevantes por sexo para a mesma função e nível. Todos os estudos conhecidos, que referi, aqui citados, apontam para que essas diferenças sejam pouco significativas. Ou, dito de outro modo, não há suporte estatístico para pôr em causa a adopção nas economias modernas do princípio de para trabalho igual, salário igual.
Trata-se de um artigo do semanário de reverência na versão diária onde, além das vacuidades e confusões habituais que passam por cima das diferenças de função que explicam quase todas as diferenças salariais, ainda acrescenta um título baseado no sofisma de que tendo as mulheres um salário médio mais baixo do que os homens é como se ficassem 79 dias "sem remuneração". Apreciem-se as aspas para justificar a manipulação mais grosseira, assente no princípio de que uma mentira repetida mil vezes se torna verdade.
Não se encontra uma linha naquela prosa que permita concluir que existam diferenças salariais relevantes por sexo para a mesma função e nível. Todos os estudos conhecidos, que referi, aqui citados, apontam para que essas diferenças sejam pouco significativas. Ou, dito de outro modo, não há suporte estatístico para pôr em causa a adopção nas economias modernas do princípio de para trabalho igual, salário igual.
07/03/2018
Um dia como os outros na vida do estado sucial (36) - Falsificação hi-tech no Portugal dos Pequeninos
«Fiquei a pensar: ‘Como é que hei de cumprir isto’. Nunca tinha cumprido um despacho assim”, recordou Isabel Conceição (ex-funcionária do DCIAP diz que recebeu um despacho de Orlando Figueira a ordenar que o nome de Manuel Vicente fosse retirado dos autos do processo Portmill) perante os juízes. “Se passasse corretor branco, notava-se. Se usasse um marcador preto, também se ficava a notar. Experimentei de várias formas, tirei fotocópias, e a única hipótese foi cortar com um x-ato”, acrescentou a antiga funcionária judicial.» Fonte
SERVIÇO PÚBLICO: Para que não fique perdido na caixa de comentários...
... deste post:
«Existe uma espécie de “teste de realidade” às ideias políticas: consiste em inverter o sentido da frase e verificar se ela continua a fazer sentido. Por exemplo “privatizar a produção energética / nacionalizar a produção energética” – são duas possibilidades, concorde-se ou não com elas.
Nada disto faz qualquer sentido, e por aqui se pode avaliar também a qualidade das medidas propostas por Rui Rio.»
(Stonefield)
«Existe uma espécie de “teste de realidade” às ideias políticas: consiste em inverter o sentido da frase e verificar se ela continua a fazer sentido. Por exemplo “privatizar a produção energética / nacionalizar a produção energética” – são duas possibilidades, concorde-se ou não com elas.
Se aplicarmos o mesmo teste às propostas de Rui Rio, segundo o artigo do JMT, temos o seguinte: apoiar a disseminação da pobreza; apoiar a fraca natalidade; combater a terceira idade; apoiar a desertificação do interior; promover a insustentabilidade da Segurança Social; combater a solidariedade intergeracional; combater os princípios do Estado social; apoiar a deterioração do Serviço Nacional de Saúde; impedir cuidados hospitalares domiciliários; diminuir a rede nacional de cuidados integrados e de cuidados paliativos; garantir um SNS insustentável e ultrapassado; piorar as escolas e as condições de ensino e aprendizagem; dificultar a ascensão social; abandonar uma política para a infância que promova a igualdade de oportunidades; dificultar o acesso ao ensino superior; desinvestir numa sociedade do conhecimento e inovação; desinvestir numa economia mais competitiva; desistir da ligação das empresas às universidades; levar a cabo políticas públicas inimigas do investimento, da poupança, do emprego de qualidade e capazes de travar o crescimento económico; proporcionar aos portugueses um nível de vida distante do da média da União Europeia; centralizar; ignorar as franjas mais abandonadas do interior.
Nada disto faz qualquer sentido, e por aqui se pode avaliar também a qualidade das medidas propostas por Rui Rio.»
(Stonefield)
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06/03/2018
ACREDITE SE QUISER: Eles devem saber do que falam e isso diz muito sobre o que é a "iniciativa privada" em Portugal
«Os governos de esquerda sempre foram melhores para os empresários (...) se o Costa tiver a maioria absoluta despeja rapidamente o PCP e o BE. E joga sozinho.»
Francisco Van-Zeller, ex-presidente da CIP
«Acredito muito no Dr. António Costa»
Pedro Soares dos Santos, líder da Jerónimo Martins
Ambos citados por José Miguel Júdice
Francisco Van-Zeller, ex-presidente da CIP
«Acredito muito no Dr. António Costa»
Pedro Soares dos Santos, líder da Jerónimo Martins
Ambos citados por José Miguel Júdice
Revendo o casting dos clássicos à luz da inclusion rider
O discurso de Frances McDormand na cerimónia de entrega dos Oscares e a cláusula inclusion rider (*) que ela propôs passasse a ser incluída nos contratos dos actores, por um lado, e a extraordinária actriz que ela é, por outro, são uma demonstração prática do carácter enganador do halo effect que faz os ingénuos e/ou ignorantes imaginar que tudo o que uma pessoa extraordinária faz ou diz é extraordinário em outros domínios para além daquele em que é extraordinária. Ou, ao contrário, faz pensar que uma pessoa que é medíocre ou mesmo tonta ou incompetente num domínio é igualmente incompetente em todos os outros.
Vejamos alguns exemplos do que poderia ter acontecido em alguns grandes clássicos se a cláusula inclusion rider fizesse parte dos contratos:
Quanto à subrepresentação das minorias, tomemos como exemplo a minoria homossexual que se estima representar 2 a 5% da população e comparemos com a percentagem de filmes produzidos nos últimos anos em que um ou mais dos protagonistas são homossexuais ou de sexo indefinido ou mesmo o filme inteiro é dedicado à minoria LGBTQQIAAP, minoria que acabará a ser maioria quando todo o alfabeto lhe for acrescentado.
Vejamos alguns exemplos do que poderia ter acontecido em alguns grandes clássicos se a cláusula inclusion rider fizesse parte dos contratos:
- Casablanca de Michael Curtiz - Humphrey Bogart e Ingrid Bergman substituídos por Sidney Poitier e Juanita Moore
- Lolita de Stanley Kubrick - James Mason e Shelley Winters substituídos por Sammy Davis Jr. e Diana Ross
- E Tudo o Vento Levou de Victor Fleming - Butterfly McQueen substituída por Shelley Winters
- Tempos Modernos de Charles Chaplin - Charlot protagonizado por Mantan Morley
- Carmen Jones de Otto Preminger - Harry Belafonte e Dorothy Dandridge substituídos por Gene Kelly e Doris Day
Quanto à subrepresentação das minorias, tomemos como exemplo a minoria homossexual que se estima representar 2 a 5% da população e comparemos com a percentagem de filmes produzidos nos últimos anos em que um ou mais dos protagonistas são homossexuais ou de sexo indefinido ou mesmo o filme inteiro é dedicado à minoria LGBTQQIAAP, minoria que acabará a ser maioria quando todo o alfabeto lhe for acrescentado.
05/03/2018
DIÁRIO DE BORDO: Uma indignação biblicamente estúpida
«Poder-se-ia entrar no debate e explicar que ter ex-políticos de relevo a dar aulas numa universidade é uma prática comum no contexto internacional. Ou até esclarecer a ignorância de quem não sabe que o estatuto de catedrático-convidado, que Passos Coelho terá no ISCSP, não equivale a professor catedrático em termos de carreira académica. Mas o ponto não está nesta argumentação. A questão que realmente importa tem raízes mais profundas: a contratação de Passos Coelho nunca poderia ser bem-recebida num sistema universitário alheio ao mérito, alimentado por compadrios e redes de influência. Isto é, um sistema que aclama a endogamia – e que é, portanto, arbitrariamente precário para uns e generoso para outros.»
«A Universidade que temos», Alexandre Homem Cristo no Observador
Biblicamente estúpido
Diz-se de comentários bisonhamente estúpidos, que «envergonham um morto» e mostram «a má-fé e a obnubilação da esquerda», usando as palavras de Vasco Pulido Valente.
«A Universidade que temos», Alexandre Homem Cristo no Observador
Biblicamente estúpido
Diz-se de comentários bisonhamente estúpidos, que «envergonham um morto» e mostram «a má-fé e a obnubilação da esquerda», usando as palavras de Vasco Pulido Valente.
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Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (125)
Outras avarias da geringonça.
Não faltam exemplos de que a coexistência do governo com a verdade está muito longe de ser pacífica. As declarações do ministro do trabalho Vieira da Silva de que a solução encontrada para a creche da Autoeuropa abrir todos os dias era comum - depois de muito esgravatar só existe mais o caso da Fundação Pão de Açúcar Auchan -, é apenas mais um.
Desmentir como o secretário de Estado das Finanças Mourinho Félix que o governo precisaria de enfiar mais dinheiro para a recapitalização do Novo Banco «se o Fundo de Resolução não tiver os meios financeiros» para o fazer, sabendo de ginjeira que não os tem, é apenas mais outro.
Não faltam exemplos de que a coexistência do governo com a verdade está muito longe de ser pacífica. As declarações do ministro do trabalho Vieira da Silva de que a solução encontrada para a creche da Autoeuropa abrir todos os dias era comum - depois de muito esgravatar só existe mais o caso da Fundação Pão de Açúcar Auchan -, é apenas mais um.Desmentir como o secretário de Estado das Finanças Mourinho Félix que o governo precisaria de enfiar mais dinheiro para a recapitalização do Novo Banco «se o Fundo de Resolução não tiver os meios financeiros» para o fazer, sabendo de ginjeira que não os tem, é apenas mais outro.
04/03/2018
Mitos (270) - O contrário do dogma do aquecimento global (XVIII)
Outros posts desta série.
Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.
Um paper recente ("Climate Impacts From a Removal of Anthropogenic Aerosol Emissions") publicado em Janeiro, confirma as conclusões de um outro de Abril de 2016 ("Amplification of Arctic warming by past airpollution reductions in Europe") no sentido de a redução da poluição atmosférica poder ter o efeito indesejado de aumentar o aquecimento global. Citando em linguagem simples o resumo do primeiro paper:
Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.
Um paper recente ("Climate Impacts From a Removal of Anthropogenic Aerosol Emissions") publicado em Janeiro, confirma as conclusões de um outro de Abril de 2016 ("Amplification of Arctic warming by past airpollution reductions in Europe") no sentido de a redução da poluição atmosférica poder ter o efeito indesejado de aumentar o aquecimento global. Citando em linguagem simples o resumo do primeiro paper:
«Para manter o aquecimento global no intervalo 1,5 a 2° C, precisamos de reduções maciças de emissões de gases de efeito estufa. Ao mesmo tempo, as emissões de aerossóis serão fortemente reduzidas. O estudo demonstra como a limpeza de aerossóis, predominantemente sulfatos, pode adicionar meio grau de aquecimento global adicional, com impactos que aumentam o aquecimento proveniente dos gases de efeito estufa. O hemisfério norte é mais sensível à remoção de aerossóis do que o aquecimento de gases de efeito estufa, devido à origem actual das emissões de aerossóis. Isso significa que importa não só se alcançamos ou não metas climáticas internacionais. Importa igualmente como chegamos lá.»De onde temos mais um exemplo de que é melhor desconfiar das soluções simplistas baseadas na ciência ambiental de causas.
03/03/2018
CASE STUDY: A Alphabet já atingiu a igualdade étnica
«YouTube last year stopped hiring white and Asian males for technical positions because they didn’t help the world’s largest video site achieve its goals for improving diversity, according to a civil lawsuit filed by a former employee.» (WSJ)
Françoise Giroud, jornalista, escritora, política e feminista francesa disse um dia que a igualdade de oportunidades para homens e mulheres seria atingida quando uma mulher incompetente fosse preferida a um homem competente. Se ainda fosse viva reconheceria que a igualdade de oportunidades entre brancos e asiáticos, por um lado, e negros e latinos, por outro, já foi atingida pela Alphabet, a holding da YouTube, da Google, etc.
Françoise Giroud, jornalista, escritora, política e feminista francesa disse um dia que a igualdade de oportunidades para homens e mulheres seria atingida quando uma mulher incompetente fosse preferida a um homem competente. Se ainda fosse viva reconheceria que a igualdade de oportunidades entre brancos e asiáticos, por um lado, e negros e latinos, por outro, já foi atingida pela Alphabet, a holding da YouTube, da Google, etc.
Dúvidas (217) - O que quereria significar o Valdemar?
«A EDP continua a dar lucro. Mas é um lucro que já não reverte a favor dos cofres do Estado português. Isto é, de todos nós.»
Valdemar Cruz, Jornalista (de causas) no Expresso Curto
A maioria esmagadora das empresas públicas acumula prejuízos há décadas e está tecnicamente falida apesar de sucessivos aumentos de capital pagos pelo Estado português. Isto é, de todos nós. O que quereria significar o Valdemar?
Valdemar Cruz, Jornalista (de causas) no Expresso Curto
A maioria esmagadora das empresas públicas acumula prejuízos há décadas e está tecnicamente falida apesar de sucessivos aumentos de capital pagos pelo Estado português. Isto é, de todos nós. O que quereria significar o Valdemar?
02/03/2018
ACREDITE SE QUISER: O lapso freudiano de Costa e o silêncio do jornalismo de causas
«A dificuldade que o senhor primeiro-ministro tem em libertar-se dos últimos quatro anos...» rebéubéu pardais ao ninho, disse ontem no parlamento o actual primeiro-ministro Costa, dirigindo-se a Passos Coelho que há mais de dois anos deixou de ser primeiro-ministro, apesar de ter ganho as eleições.
Se Freud ainda por aí andasse, nem precisaria de deitar Costa no divã para explicar o lapsus linguae. Como não precisaria de deitar no divã as resmas de jornalistas de causas sempre atentos ao mínimo pentelho nas hostes da oposição que assobiaram para o lado neste caso e se dispensaram de o noticiar. É em vão que se procuram referências para além da MSN que publica o vídeo da SIC Notícias que nem na SIC Notícias se consegue encontrar.
Se Freud ainda por aí andasse, nem precisaria de deitar Costa no divã para explicar o lapsus linguae. Como não precisaria de deitar no divã as resmas de jornalistas de causas sempre atentos ao mínimo pentelho nas hostes da oposição que assobiaram para o lado neste caso e se dispensaram de o noticiar. É em vão que se procuram referências para além da MSN que publica o vídeo da SIC Notícias que nem na SIC Notícias se consegue encontrar.
No melhor pano cai a pior nódoa ou a fé desperdiçada
Há duas semanas comentei neste post a visão de Alexandre Soares dos Santos, o patriarca da Jerónimo Martins, sobre a reforma do Estado alavancada por uma comissão de sábios.
Ontem, o seu filho Pedro Soares dos Santos confessou em conferência de imprensa coisas tocantes em matéria de fé, como «acredito muito no dr. António Costa, mas não acredito muito na coligação» e «acredito mais em António Costa do que em Rui Rio». Se a falta de fé na geringonça e em Rui Rio se pode compreender sem dificuldade, já a fé em dose reforçada («acredito muito») ou bem é do domínio do maquiavelismo na versão comercial, se falsa, ou bem, se verdadeira, é do domínio do credo quia absurdum.
Por isso, se já sabíamos que um grande político ou uma sumidade em ciência política não é necessariamente um grande empresário, e também sabíamos que ser um grande empresário não o qualifica para construir uma visão para o País nem desenhar as reformas capazes de induzir as mudanças indispensáveis para sair do atavismo e da tutela de um Estado castrador, ficámos agora ainda a saber que ser filho de um grande empresário também não, ou, em alternativa, na melhor hipótese, o qualifica como um grande mentiroso.
Ontem, o seu filho Pedro Soares dos Santos confessou em conferência de imprensa coisas tocantes em matéria de fé, como «acredito muito no dr. António Costa, mas não acredito muito na coligação» e «acredito mais em António Costa do que em Rui Rio». Se a falta de fé na geringonça e em Rui Rio se pode compreender sem dificuldade, já a fé em dose reforçada («acredito muito») ou bem é do domínio do maquiavelismo na versão comercial, se falsa, ou bem, se verdadeira, é do domínio do credo quia absurdum.
Por isso, se já sabíamos que um grande político ou uma sumidade em ciência política não é necessariamente um grande empresário, e também sabíamos que ser um grande empresário não o qualifica para construir uma visão para o País nem desenhar as reformas capazes de induzir as mudanças indispensáveis para sair do atavismo e da tutela de um Estado castrador, ficámos agora ainda a saber que ser filho de um grande empresário também não, ou, em alternativa, na melhor hipótese, o qualifica como um grande mentiroso.
01/03/2018
COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (15) Geringonça alternativa? Só se for uma relação poliamorosa
Primeiro Rio propôs-se «a parceiro de Costa, em substituição do PCP e do Bloco de Esquerda» e Costa mandou Pedro Marques dizer que acordos sim, mas com «todos os partidos e por maioria de razão com os que têm apoiado esta solução política».
Como se Rio não tivesse percebido, Costa mandou Carlos César dizer «nós não viabilizamos um Governo minoritário do PSD. Não viabilizámos agora [nesta legislatura], porque haveríamos de viabilizar em 2019?»
Continuando Rio a não perceber, o mesmo Pedro Marques, ministro do Planeamento, depois de uma reunião sobre o tema fundos comunitários em que o emissário de Rio, exultante de felicidade, confidenciou que saiu «de braço dado com o Governo», esclareceu «se eu tivesse de dar o braço ao PSD, faltavam-me braços para dar aos parceiros de coligação. Só tenho dois braços neste momento».
Até agora a única ideia clara e original de Rio foi propor uma geringonça alternativa, a que no passado se teria chamado Bloco Central, isto é uma espécie de relação monogâmica entre o seu PS-D e o PS de Costa. A isso Costa respondeu que só se fosse uma relação poliamorosa e os outros parceiros correram a declarar que a ménage à trois ainda vai, mas ménage à quatre seria contra a religião deles.
Como se Rio não tivesse percebido, Costa mandou Carlos César dizer «nós não viabilizamos um Governo minoritário do PSD. Não viabilizámos agora [nesta legislatura], porque haveríamos de viabilizar em 2019?»
Continuando Rio a não perceber, o mesmo Pedro Marques, ministro do Planeamento, depois de uma reunião sobre o tema fundos comunitários em que o emissário de Rio, exultante de felicidade, confidenciou que saiu «de braço dado com o Governo», esclareceu «se eu tivesse de dar o braço ao PSD, faltavam-me braços para dar aos parceiros de coligação. Só tenho dois braços neste momento».
Até agora a única ideia clara e original de Rio foi propor uma geringonça alternativa, a que no passado se teria chamado Bloco Central, isto é uma espécie de relação monogâmica entre o seu PS-D e o PS de Costa. A isso Costa respondeu que só se fosse uma relação poliamorosa e os outros parceiros correram a declarar que a ménage à trois ainda vai, mas ménage à quatre seria contra a religião deles.
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