Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

31/01/2018

SERVIÇO PÚBLICO: Duas visões antagónicas do conceito de liberdade

«Isonomia e liberdade», Ricardo Arroja no jornal Eco.

À laia de teaser:

«A tradição que até aqui retratei é a britânica. É aquela que me empolga e na qual me revejo. Mas há uma outra tradição, igualmente marcante, de liberdade na Europa: a tradição francesa. Ora, foi esta que, infelizmente, mais inspirou a política portuguesa nos últimos séculos. Digo infelizmente porque a tradição francesa de liberdade parte do contrato social de Rousseau que degenera na indeterminável vontade comum, abrindo o caminho a uma visão colectivista e construtivista da sociedade – uma formulação pouco defensora da liberdade. Conforme conclui Hayek, a liberdade francesa é deliberadamente doutrinária, é construída a partir do Estado e dele depende; já a liberdade britânica parte do indivíduo, de princípios geralmente aceites (costumes) e da jurisprudência do direito comum. São duas visões antagónicas do conceito de liberdade.»

Chávez & Chávez, Sucessores (63)

Outras obras do chávismo.


Uma em cada oito crianças venezuelanas sofre de desnutrição aguda. Para a combater e a dos pais dessas crianças, o camarada presidente Maduro inventou há uns tempos o Plano Conejo que consistiu em distribuir gaiolas com crias de coelhos nos bairros pobres, esperando que, comendo os coelhos quase tudo, engordassem com os restos de comida dos seus donos, se multiplicassem e fossem por seu turno comidos pelos donos esfomeados pela abundância que o socialismo bolivariano lhes proporciona. (fonte)

Algum tempo depois, Freddy Bernal, o ministro da "agricultura urbana", ao visitar os donos dos coelhos para medir o sucesso do seu programa, verificou que os coelhos não só não tinham sido comidos mas tinham-lhes sido dados nomes, usavam lacinhos, deitavam-se com os seus donos e foram adoptados como animais de estimação.

Em resposta, o governo lançou uma campanha para convencer os pobres venezuelanos a comerem as suas mascotes altamente nutritivas com «dois quilos e meios de carne com elevado teor de proteína e baixo colesterol», acusando os refractários de desrespeitarem o espírito do chávismo. Parece que a coisa não surtiu efeito.

30/01/2018

Pro memoria (368) – Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade

O aforismo que serve de título a este post é atribuído a Joseph Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler. Não sei se é ele o autor, mas está bastante conforme aos seus métodos, indistinguíveis do agitprop soviético inventado nos anos 20, métodos que provavelmente nele se inspiram.

Vem esta evocação a propósito de A mitologia esquerdista do agravamento das desigualdades em Portugal durante o governo PSD-CDS, post que publiquei há três meses e onde citei o paper «The Political Economy of Austerity in Southern Europe». Nessa ocasião republiquei também o post de Junho de 2014 sobre o mito «A crise agravou as desigualdades, teve efeitos mais graves em Portugal e os pobres foram os mais afectados e entre eles os idosos».

É claro que esses posts foram apenas duas gotas de água perdidas no oceano imenso da opinião travestida de factos publicada pelo jornalismo de causas e pelos opinion dealers. É por isso que relevo o artigo «A austeridade gerou desigualdade?» de Avelino de Jesus, economista e professor do ISEG, publicado recentemente no Negócios que, em concordância com o que por aqui temos escrito, conclui que «as políticas ditas de austeridade do pós-crise, em geral, tiveram um efeito de atenuação da desigualdade. Em particular, o efeito foi, em Portugal, dos mais fortes.»

29/01/2018

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (79) - A mente ficou-lhe no PREC

Depois de a ter mandado produzir carros eléctricos, o camarada Arménio Carlos, il capo dei capi dos sindicatos, determina que «Autoeuropa não precisa de trabalhar ao sábado».

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (120)

Outras avarias da geringonça.

Até pode ser que se venha a confirmar, mas a familiaridade de Costa com as meias verdades é tão grande que é melhor esperar para saber o que no final virá a ser o que ele anunciou, com pompa e circunstância perante a selecta plateia de Davos, como sendo um hub tecnológico da Google em Oeiras e que esta diz que será um centro «totalmente dedicado aos fornecedores». (fonte)

Falando de meias verdades, especialidade que o governo de Costa tem na generalidade, a estória das creches abertas aos sábados que seriam  já perto de mil e que se extensivas ao pessoal da Autoeuropa não constituiriam um tratamento de excepção, é mais uma grande peta e, ainda para mais, estupidamente inútil porque ainda que fosse excepção poderia perfeitamente justificar-se.

28/01/2018

BREIQUINGUE NIUZ: Roger FedEx, o melhor de sempre

Melbourne 2018, o 6.º e, tudo por junto, o 20.º
Por ocasião de Wimbledon traduzi o que Alessandro Baricco tinha dito assim: os outros jogam ténis, Roger Federer respira.

Mitos (269) - A promoção das minorias pela acção afirmativa/discriminação positiva

«Fazer todos os dias as mesmas coisas e esperar resultados diferentes é a maior prova de insanidade» (Albert Einstein, Benjamin Franklin ou Rita Mae Brown, um deles disse isso).
Desde o fim dos anos 60 que os Estados Unidos adoptam políticas de affirmative action (acção afirmativa que na Europa por vezes se designam por discriminação positiva) para promover a minoria negra. Nunca até hoje foram adoptadas as mesmas políticas para as minorias latinas ou asiáticas.

Sendo certo que o rendimento não é o único factor para medir o sucesso socioeconómico de uma minoria ou grupo étnico, ainda assim, tenha-se em conta que os rendimentos familiares estimados por grupo étnico (Income and Poverty in the United States: 2015, Bernadette D. Proctor, Jessica L. Semega, and Melissa A. Kollar) eram em milhares de USD: asiáticos 74,4; brancos não latinos 60,3; latinos 42,5; negros 35,4.

Note-se que os asiáticos, que até hoje nunca beneficiaram de nenhum programa de affirmative action são a minoria mais bem sucedida, em contraste com os negros que tiveram praticamente o exclusivo desses programas e são a minoria menos bem sucedida.

27/01/2018

O bom e o mau gosto são muito relativos

Exemplo de mau gosto e reaccionarismo:

Donald Trump foi citado (ele nega) como tendo descrito El Salvador, Haiti e certos países africanos como «shithole countries» durante um encontro com senadores há duas semanas.

Exemplo de bom gosto e progressismo:

Donald Trump pediu emprestado ao Guggenheim de NY um Van Gogh para pendurar no seu apartamento. A resposta do museu, muito celebrada pelos mídia progressistas, foi que o quadro não estava disponível e em troca o museu oferecia uma sanita de ouro com o título America da autoria do italiano Maurizio Catellan. A sanita esteve em exposição durante um ano disponível para os visitantes nela evacuarem e urinarem.

The golden shithole intitulado America de Maurizio Catellan

Exemplo (imaginário) de mau gosto e reaccionarismo:

A Obra imaginária intitulada Italy de John Doe

BREIQUINGUE NIUZ: Ricochete

Hillary Clinton Chose to Shield a Top Adviser Accused of Harassment in 2008

«A senior adviser to Hillary Clinton’s 2008 presidential campaign who was accused of repeatedly sexually harassing a young subordinate was kept on the campaign at Mrs. Clinton’s request, according to four people familiar with what took place.

Mrs. Clinton’s campaign manager at the time recommended that she fire the adviser, Burns Strider. But Mrs. Clinton did not. Instead, Mr. Strider was docked several weeks of pay and ordered to undergo counseling, and the young woman was moved to a new job.»

26/01/2018

CASE STUDY: Um imenso Portugal (37)

[Outros imensos Portugais]

A doutrina Somoza foi pela primeira vez formulada pelo presidente Franklin Delano Roosevelt em 1939 ao explicar o apoio americano ao ditador Somoza: «he may be a son of a bitch, but he's our son of a bitch».

Exemplos contemporâneos da doutrina Somoza:
 «Só o povo será o tribunal de Lula», Marina Mortágua no jornal i
«Partido Comunista Português solidariza-se com a luta das forças democráticas e progressistas brasileiras e do povo brasileiro em defesa da democracia e pelo direito de Lula da Silva se candidatar nas próximas eleições presidenciais no Brasil.»
Na versão luso-brasileira, aplicada à condenação ao caso Lula em segunda instância por unanimidade dos juízes com pena agravada de 9 para 12 anos, esta doutrina foi descrita por Henrique Monteiro assim: «a Justiça é uma coisa boa para atacar o centro e a direita e má para atacar a esquerda».

Henrique Monteiro no Expresso Diário

25/01/2018

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: A ruína do Estado assistencialista falhado e a extorsão dos sujeitos passivos é apenas uma parte do problema...

... a outra parte é a construção de um Estado orwelliano que quer controlar o que dizemos, o que pensamos, o que comemos e até quer usar helicópteros (que faltam para transportar feridos e doentes do interior para os hospitais centrais onde existem recursos) ou drones (que faltam para a vigilância das florestas e a detecção precoce dos incêndios) para controlar a velocidade nas estradas e criar com os operadores “inibições de sinais” com respostas automáticas para chamadas recebidas que indicam que “o condutor está ao volante e não pode atender a chamada”. (fonte)

Global Competitiveness Index 2017-2018

É o mesmo Estado que nos encrenca a vida e faz o possível para encrencar a iniciativa privada praticando o princípio que The Gipper definia assim: «If it moves, tax it. If it keeps moving, regulate it. And if it stops moving, subsidize it.»

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (LXVI)

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

Retrospectiva:

Alguém se lembra da excitação pueril do BE nos idos de 2015 quando o Syriza foi o partido mais votado e formou governo coligado com o Anel (um partido que não fora a coligação com o Syriza seria classificado pela esquerdalhada como neonazi) e das peregrinações que se seguiram de luminárias berloquistas a Atenas?

Não. Ninguém se lembra. É a memória curta que garante que os povos estão sempre disponíveis para serem aldrabados, para terem as meninges massajadas por qualquer vigarista e para correrem atrás de qualquer maluco.

Em menos de 3 anos o Tsipras, o Syriza e o governo grego fizeram o percurso clássico dos doentes terminais nas suas 5 fases: negação, revolta, negociação, depressão e, finalmente, aceitação. Politicamente evoluíram do esquerdismo infantil para a social-democracia colorida e, para responder ao estado comatoso em que os socialistas do Pasok deixaram a Grécia, aplicaram a mesma receita que o governo PSD-CDS teve de aplicar para responder ao estado comatoso em que os socialistas do PS deixaram Portugal.

Compreensivelmente, desde finais de 2015, a Grécia, o Syriza e Tsipras desapareceram do radar do berloquismo. Afinal eles estavam a aceitar e pôr em prática a mesma receita de "austeridade" que as luminárias do BE vilipendiavam em Portugal.

Actualização:

Fonte: ekathimerini
Quem imaginaria que milhares de manifestantes gregos no centro de Atenas protestassem contra o governo do Syriza, cujo primeiro-ministro é o camarada Tsipras idolatrado por berloquistas e modelo de Costa in illo tempore, pelas restrições ao direito de greve que o Parlamento iria aprovar e aprovou poucos dias depois em troca de mais fundos de resgate, como parte das negociações em que agora participa o Mário Centeno, o ministro de Costa e nosso Ronaldo das Finanças.

24/01/2018

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (50)

Outras preces.

«177 horas, sete minutos e 48 segundos. Entre Janeiro de 2016 e Dezembro de 2017, Marcelo Rebelo de Sousa foi o protagonista da informação nos canais generalistas (RTP 1 e 2, SIC e TVI), com mais 16 horas que o primeiro-ministro, o segundo lugar neste ranking elaborado mensalmente pela Marktest. Se as notícias em que foi interveniente passassem consecutivamente, seriam precisos sete dias completos, mais nove horas, cinco minutos e 29 segundos para as ver.» (Público)

Quando um dia, mais tarde ou mais cedo, o motor do rebocador que puxa a economia portuguesa começar a gripar e nos cair outra vez por cima o enorme calhau que vimos acumulando há décadas, a populaça, que hoje aplaude - os mais néscios - ou escuta com benevolência - os mais distraídos - as inanidades desta dupla, babar-se-à de indignação e raiva proporcional ao aplauso e à benevolência de hoje.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O problema dos fundos europeus

«... O problema inerente aos fundos: substitui o mercado da oferta e procura de bens e serviços pelo do acesso aos corredores do poder e da troca de favores. Por muito que o Estado passe a ter prioridades mais sensatas, o simples facto de ser o Estado a defini-las e a distribuir o dinheiro que lhes será destinado faz com que a actividade de quem acabar por obter esses fundos seja, em primeiro lugar, o lobbyismo junto dos decisores políticos, não aquela que o Estado teria considerado prioritária.

O problema dos fundos europeus não está na qualidade da decisão política de quem os distribui. Está no facto de serem distribuídos por decisão de um governo, com todos os riscos (complicações burocráticas, corrupção, etc.) que lhe são inerentes.»

O problema dos fundos, Bruno Alves no Económico

23/01/2018

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (119)

Outras avarias da geringonça.

Esta crónica é a 119.ª a anunciar desde 19 de Novembro de 2015 a avaria irreparável da geringonça. Adivinho que alguns dos leitores poderão pensar que o anúncio é manifestamente exagerado. Mas não, não é. A geringonça está irreparavelmente avariada há algum tempo, desde que uma das suas três pernas (para efeito do notário são quatro, contando com a perna-de-pau de Os Verdes) declarou que só anda se lhe apetecer.

Um sintoma de que a perna comunista da geringonça já anda por ela própria é a profusão de greves marcadas ou ameaçadas, como no caso dos oficiais de justiça, dos professores e dos médicos.

22/01/2018

Lost in translation (301) - Rui, podes ficar com o lugar vago do Jerónimo

«Com o líder parlamentar do PS, Carlos César, a elogiar a eleição interna no PSD e a antever “melhores condições para o diálogo”. Tudo porque, com a escolha do sucessor de Passos Coelho, o PSD deixa de ser “errático, indefinido e ausente das grandes decisões” e os socialistas vão passar a ter um interlocutor mais “seguro, com continuidade e previsibilidade”.» (Observador)

ACREDITE SE QUISER: Quanto mais, mais; quanto menos, mais; ...

Segundo um estudo citado pela Economist, baseado em dados do UK Biobank referentes a meio milhão de pessoas, a correlação entre os componentes genéticos de certos atributos humanos e o número de descendentes de cada pessoa (factor designado como «lifetime reproductive success») deu os seguintes valores (os valores positivos significam uma relação no mesmo sentido - por exemplo, mais descendentes<->maior índice de massa corporal; valores negativos significam o contrário - por exemplo, mais descendentes<->menor nível educacional):


Repare-se que os componentes genéticos do nível educacional (educational attainment) e da capacidade para pensar em abstracto e resolver problemas (fluid-intelligence score) apresentam as correlações mais negativas com o sucesso reprodutivo medido pelo número de descendentes. De onde se poderia concluir que a inteligência média da espécie humana poderá ter tendência a decair visto que são os menos dotados que têm mais descendentes ou os que têm mais descendentes são menos dotados (passo ao lado do distinguo que é muito perigoso) É claro que, uma vez mais, correlação não é causação. Em todo o caso, e uma vez mais, é melhor ligar o desconfiómetro.

21/01/2018

A anti-selecção na educação ou como maus alunos dão maus professores que dão maus alunos que dão...

A  anti-selecção (adverse selection) é um conceito originário das ciências actuariais aplicado principalmente à actividade seguradora e resulta da chamada assimetria da informação. Um exemplo clássico: uma pessoa com uma doença grave sabe que a sua esperança de vida é mais curta do que uma pessoa saudável e as suas despesas médicas e hospitalares serão mais elevadas enquanto viver e terá por isso, em média, uma propensão maior a procurar um seguro de vida ou um seguro de doença; uma seguradora se não tiver essa informação aceitará o seguro com um prémio para um risco "normal"; pior ainda, se essa seguradora tiver uma tarifa mais elevada do que a média do mercado não será atractiva para os clientes de risco "normal" e os clientes com risco agravado para quem o prémio é secundário tenderão por isso a representar uma proporção maior da carteira dessa seguradora.

O que faz uma seguradora para evitar a ruína do seu negócio de risco? Faz a selecção de riscos obtendo mais informação sobre os riscos que lhe são propostos (no exemplo, com questionários e exames médicos) e desincentivando a procura dos clientes que representam "maus riscos" (no exemplo, com agravamento do prémio, limitações do capital seguro, franquias, etc.). Uma seguradora que não contrarie a anti-selecção está condenada a ir à ruína.

O que se passa na "selecção" de professores pelo ministério da Educação proporciona um outro exemplo de anti-selecção. Actualmente o ambiente nas escolas públicas é geralmente mau, as infraestruturas estão frequentemente degradadas, em consequência de décadas de influência esquerdista não existe uma cultura de exigência e de mérito e, inevitavelmente, a profissão de professor é socialmente desprestigiada e relativamente mal-paga. Nada disto atrai a competência e, pelo contrário, constitui uma saída profissional escapista para os menos competentes e menos diligentes que uma vez colocados nas fábricas de inducação produzem maus alunos. Como o governo pode usar os impostos dos sujeitos passivos o ensino público nunca irá à ruína. Está criada a espiral do demérito.


Leia-se o ensaio «Os bons alunos não querem ser professores. E isso é um problema» de Alexandre Homem Cristo no Observador de onde roubo o diagrama acima que mostra os «desempenhos no PISA 2006 a matemática e leitura dos alunos que ambicionam ser professores (azul) e os restantes alunos (castanho), por país.» Repare-se como o desempenho dos alunos que pretendem vir a ser professores só é substancialmente diferente dos restantes em Portugal e é significativamente mais baixo do que os outros países e nomeadamente da Finlândia.

Outro indicador que confirma esta inferência são as notas médias de entrada no ensino superior em 2017 (ver o respectivo quadro no ensaio de Homem Cristo) que mostram a área Professores/ Ciências Educação com as notas mais baixas, a uma distância de quase 30 pontos em 200 das áreas de matemática, saúde e engenharia.

O que fazer? Muitas coisas diferentes e também começar a fazer como as seguradoras e esperar que as coisas melhorem gradualmente. Como sempre, é preciso pouco tempo para estragar e serão precisos muitos anos para recuperar.

20/01/2018

CASE STUDY: Trumpologia (28) - Baixaria do Donaldo, o exercício dos néscios

Mais trumpologia.

Aproveitando o primeiro aniversário da administração Trump (mais parecida com uma trupe de circo do que com uma administração), os jornais encheram-se de flagelações do Donaldo. Quase ninguém escapou ao convencionalismo mais atroz na baixaria da criatura, recorrendo a primarismos que só encontram paralelo nos primarismos do visado. É como se fosse o menor múltiplo comum de que ninguém prescinde desde as diversas facções da esquerdalhada à direita complexada e envergonhada a querer mostrar serviço.

Para citar apenas o semanário de reverência, que se considera a si próprio o lugar geométrico da respeitabilidade, o Expresso online de ontem contém um considerável acervo de patetices a respeito da criatura - são oito manifestações a que só escapa por uma unha negra Henrique Raposo.


Estranhamente, Daniel de Oliveira desta vez esteve ausente do circo. Ainda bem, porque não desfez uma das poucas coisas inteligentes que se escreveram no semanário acerta de Trump e que recordo no recorte acima.