Em consequência da queda histórica da coligação CDU/CSU-SPD nas eleições de domingo passado, várias alterações se irão verificar na política alemã. A primeira é o fim da coligação que governou a Alemanha nos últimos dezasseis anos, dos quais os últimos doze liderada por Merkel. A segunda é que Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças nos últimos oito anos, não é reconduzido e será o líder do CDU no Bundestag.
Com o facelift a que a esquerdalhada submeteu Angela Merkel pela sua decisão de acolher mais de um milhão de migrantes, transmutando-a de hitler de saias em senhora respeitável, Schäuble passou a ter de carregar sozinho a cruz da austeridade. Não espanta por isso que esquerdalhada doméstica se regozijasse pela saída de Schäuble, de pouco lhe servindo o petit nom de Ronaldo das Finanças que ele prantou no nosso alquimista Centeno.
Mais devagar, porque o mais provável sucessor de Schäuble é Christian Lindner, um jovem político com 38 anos líder dos liberais do FDP, que faz parecer Schäuble um ministro das Finanças do Sul da Europa. Isso e o facto de Merkel ficar com pouca margem de manobra numa putativa coligação «jamaica» (com FDP e Verdes) não são boas notícias para Costa-Centeno e Tsipras-Tsakalotos.
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
30/09/2017
29/09/2017
Culture wars. The left is not right and the right is not left
«Que os americanos de esquerda e direita lêem livros diferentes não é novidade nenhuma no que respeita à edição e uma análise das vendas de livros na Amazon confirma-o. Valdis Krebs, um cientista especializado em network analysis e visualisation, tratou dados para a Economist a partir da rubrica «Customers who bought…also bought…» e criou o diagrama de rede acima. Leitores de livros esquerdistas como «What happened» de Hillary Clinton e de «Al Franken, Giant of the Senate» levaram ambos os livros para o topo da lista de Best Sellers da Amazon, mas esses leitores raramente compram livros do outro lado do corredor. E os compradores de livros conservadores como «Understanding Trump» e «Making of the President 2016» são ainda mais facciosos.» (Books aiming to span America’s political divide rarely succeed)
Como muitas outras, esta é uma tendência que está a espirrar dos Estados Unidos para a Europa, com uma diferença: enquanto a direita americana é mais agressiva e muito facciosa, a direita europeia com os seus complexos históricos (além de estúpida) deixa-se intimidar pela esquerda europeia que é ainda mais facciosa (além de estúpida) do que a direita americana. Nesta equação de colectivismos de esquerda e de direita não entram os liberais, uma espécie que nunca foi abundante e hoje é quase tão rara como o lince da serra da Malcata.
Mitos (264) - O racismo branco como "facto alternativo" do agitprop da esquerdalhada p.c.
«Foi criada a ideia de que Trump foi eleito por uma América branca e racista, uma América empenhada em destruir o legado do primeiro presidente negro, empenhada em destruir a coligação politicamente correta das minorias raciais e sexuais. O maniqueísmo da narrativa é total: o império branco, racista e cristão "versus" a multidão das minorias oprimidas. Problema? O lero-lero não bate certo com a realidade. Em primeiro lugar, a participação eleitoral dos brancos não aumentou em relação ao passado; não houve uma intifada branca nas urnas; Trump não despertou da abstenção hordas de racistas adormecidos. Em segundo lugar, Trump subiu a votação do Partido Republicano junto de negros, hispânicos e outras minorias e, nesse sentido, a sua percentagem de voto branco é inferior à de Romney. Estes factos tornaram-se tabus, porque no reino do politicamente correto são equivalentes à suspensão das leis da Física.
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28/09/2017
ACREDITE SE QUISER: Agarrem-se que eu vou-me a ele
Pesquisa «"rui rio avança" site:pt»: Cerca de 6 720 resultados (0,39 segundos)
«Põe-se a hipótese de Rio avançar. Além do que ele próprio já disse sobre os tempos próprios para qualquer ação, remeto para o 'Canto de Ossanhá', de Vinicius, que Elis Regina tão bem interpretou: "O homem que diz "dou" / Não dá! / Porque quem dá mesmo/ Não diz! / O homem que diz "vou" / Não vai! / Porque quando foi / Já não quis!". Parece dedicada a Ruí Rio, mas não é.»
Henrique Monteiro no Expresso Diário
Por mim remeto para o terceiro verso do Fado Toninho.
«Põe-se a hipótese de Rio avançar. Além do que ele próprio já disse sobre os tempos próprios para qualquer ação, remeto para o 'Canto de Ossanhá', de Vinicius, que Elis Regina tão bem interpretou: "O homem que diz "dou" / Não dá! / Porque quem dá mesmo/ Não diz! / O homem que diz "vou" / Não vai! / Porque quando foi / Já não quis!". Parece dedicada a Ruí Rio, mas não é.»
Henrique Monteiro no Expresso Diário
Por mim remeto para o terceiro verso do Fado Toninho.
O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (162) - A difícil convivência de Costa com a liberdade de imprensa
«No final da conferência, os jornalistas questionaram o primeiro-ministro sobre o facto de não apenas o PSD e o CDS-PP, mas também agora o PCP e o Bloco de Esquerda, contestarem os nomes indicados pelo Governo para a administração da TAP, sobretudo a escolha do antigo secretário de Estado socialista e advogado Diogo Lacerda Machado.
"Já disse no domingo que as polémicas de Lisboa são em Lisboa. Cá por mim não há polémica nenhuma, a decisão está tomada", declarou António Costa, sem fazer mais comentários sobre esse tema.»
«Segundo a Renascença, questionado sobre se os socialistas aceitariam dialogar com Rui Moreira caso nenhuma candidatura ganhe a maioria absoluta, António Costa remeteu a resposta para a concelhia do Porto. E, na sequência da insistência dos jornalistas, deu a entrevista por concluída. "Esta entrevista é melhor fazer ao Manuel Pizarro. Está concluída", disse António Costa.»
27/09/2017
ACREDITE SE QUISER: Ti Celito, himselfie
«A passagem do Presidente da República de Portugal por Angola continua a dar que falar, já não por causa do mergulho na Ilha de Luanda, mas pela ruidosa reacção do público à sua presença na cerimónia de investidura de João Lourenço como Chefe de Estado. Para o canal português SIC Notícias, Marcelo Rebelo de Sousa foi vaiado, entendimento que não tardou a ser rebatido pelos internautas angolanos, e pelo próprio. (...)
Mencionado na etapa inicial do evento, quando se procedia à apresentação das figuras de Estado e de Governo que assistiam à tomada de posse, o Presidente luso foi aquele que suscitou a reacção mais audível da plateia, momento que inclui alguns assobios, noticiados pela imprensa lusa como vaias.
À boleia do canal televisivo SIC Notícias - que deixou de ser transmitido em Angola e tem sido acusado pela empresária Isabel dos Santos de mover uma campanha contra o poder angolano -, vários órgãos de comunicação portuguesa deram como certo que Marcelo Rebelo de Sousa foi apupado pelos angolanos.
A má leitura não demorou a "incendiar" as redes sociais, onde se têm multiplicado os apelos contra as "fake news".
"Em Angola o assobio é sinónimo de satisfação, agrado, ovação", lê-se num dos inúmeros comentários publicados do Facebook, em resposta às notícias, entretanto rectificadas para incluir essa explicação.
A rede social transformou-se, aliás, no barómetro mais visível da popularidade de Rebelo de Sousa em terras angolanas.»
Os angolanos, habituados a verem o ZéDu protegido por dezenas de seguranças, ficaram deslumbrados por ver o Ti Celito dos Afectos himselfie a tomar banho na ilha de Luanda e assobiaram-no, o que para eles é um aplauso. Por mim, quando terminar o mandato (esperemos que seja só um) podemos nomeá-lo embaixador honorário vitalício itinerante para as ex-colónias, perdão para a Lusofonia.
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é muito para um homem só,
incorrigível
CASE STUDY: Porque haveria de ser diferente nas universidades?
Um «estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência vem confirmar a existência de endogamia académica nas universidades portuguesas» escreveu o Público num artigo com o sugestivo título «No ensino superior não é o mérito que comanda as contratações». No ensino superior e no resto, poderiam ter acrescentado. Um dos exemplos extremos onde 99% dos docentes são doutorados pela própria faculdade é... a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
Parece que a coisa surpreendeu muita gente. Não se percebe porquê. Pois se estamos num país em que o clientelismo e o nepotismo são endémicos e o inbreeding foi e é o sistema por excelência de reprodução das elites, porque haveria de ser diferente nas universidades?
26/09/2017
Vivemos num estado policial? (13) - Sim, vivemos. E talvez por isso os polícias nunca são suficientes
Outros casos de polícia: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11) e (12).
Recapitulando:
Segundo o relatório da OCDE divulgado em Fevereiro, Portugal «tem 432 polícias por 100 mil habitantes, um valor que torna a polícia portuguesa 36% mais bem equipada do que as polícias na média dos países europeus» (jornal Eco). Acrescente-se que na Europa só somos ultrapassados por Malta e a Irlanda do Norte.
Segundo os números divulgados pelo SOL há três anos, 10% dos então 21 mil polícias eram sindicalistas de 13 sindicatos diferentes e faltaram em 2013 23 mil dias por actividades sindicais. 600 dos 2.100 sindicalistas são dirigentes e cada um tem direito a 4 dias de folga por mês, os restantes 1.500 são delegados sindicais e podem ter 12 horas de folga por mês. As folgas não usadas acumulam-se como «créditos» para o mês seguinte. Dirigentes e delegados sindicais não podem ser transferidos de local de «trabalho» sem acordo expresso.
Não obstante,
Esta abundância de meios não impediu o MAI, o mesmo ministério que sempre se queixa de falta de meios e que falhou rotundamente no combate aos incêndios deste Verão, liderado pela ministra que chora, vai promover três concursos para a PSP e a GNR num total de 950 novos polícias em cima de 400 novos guardas prisionais que foram recrutados em Maio e começam a trabalhar em Novembro.
Recapitulando:
Segundo o relatório da OCDE divulgado em Fevereiro, Portugal «tem 432 polícias por 100 mil habitantes, um valor que torna a polícia portuguesa 36% mais bem equipada do que as polícias na média dos países europeus» (jornal Eco). Acrescente-se que na Europa só somos ultrapassados por Malta e a Irlanda do Norte.
Não obstante,
Esta abundância de meios não impediu o MAI, o mesmo ministério que sempre se queixa de falta de meios e que falhou rotundamente no combate aos incêndios deste Verão, liderado pela ministra que chora, vai promover três concursos para a PSP e a GNR num total de 950 novos polícias em cima de 400 novos guardas prisionais que foram recrutados em Maio e começam a trabalhar em Novembro.
BREIQUINGUE NIUZ: System-Rücksetzung
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| Fonte: The Economist Espresso |
25/09/2017
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (102)
Outras avarias da geringonça.
Como na crónica anterior, comecemos pela celebração da saída do lixo que para Costa representa «a viragem da página da austeridade» e acrescentemos um pormenor convenientemente omitido: Passos Coelho cancelou em 2014 o contrato com a Standard & Poor's pelo que esta agência deixou desde então de poder facturar ao governo português as notações que vem atribuindo à dívida portuguesa; não obstante, a S&P antecipou-se apressadamente à Fitcht e à Moody's no upgrade da notação.
Confirmando a reclamação do PS de que as suas políticas criam mais emprego, ficámos a saber pelo jornal SOL que, até agora, o governo socialista nomeou 1.439 boys como assessores ou adjuntos, batendo irremediavelmente o governo neoliberal que por esta altura tinha pouco mais de um terço. A procura tem sido tão intensa que está a ser difícil encontrarboys com canudo. Só na Protecção Civil, além do seu presidente que obteve uma licenciatura pelo método Relvas e se demitiu recentemente, há mais dois comandantes com licenciaturas suspeitas de irregularidades.
Como na crónica anterior, comecemos pela celebração da saída do lixo que para Costa representa «a viragem da página da austeridade» e acrescentemos um pormenor convenientemente omitido: Passos Coelho cancelou em 2014 o contrato com a Standard & Poor's pelo que esta agência deixou desde então de poder facturar ao governo português as notações que vem atribuindo à dívida portuguesa; não obstante, a S&P antecipou-se apressadamente à Fitcht e à Moody's no upgrade da notação.Confirmando a reclamação do PS de que as suas políticas criam mais emprego, ficámos a saber pelo jornal SOL que, até agora, o governo socialista nomeou 1.439 boys como assessores ou adjuntos, batendo irremediavelmente o governo neoliberal que por esta altura tinha pouco mais de um terço. A procura tem sido tão intensa que está a ser difícil encontrarboys com canudo. Só na Protecção Civil, além do seu presidente que obteve uma licenciatura pelo método Relvas e se demitiu recentemente, há mais dois comandantes com licenciaturas suspeitas de irregularidades.
Um governo à deriva (35) - O relatório secreto que não se sabe se existe sobre um assalto que não se sabe se houve
Por um lado, pode ter havido um assalto a Tancos que o ministro da Defesa não sabe se houve e, caso tenha havido, se terá devido a falta de formação. Por outro lado, um dos jornais do regime cita «um documento secreto elaborado pelos serviços de informações militares», documento que, sendo secreto, oficialmente não se sabe se existe, sobre o assalto que não se sabe que houve. Ainda por outro lado, segundo esse jornal, o documento secreto descreve «os 10 cenários sobre o que aconteceu (OU NÃO) em Tancos». Esses (DEZ) cenários têm autores que vão dos jihadistas aos «seguranças privados do mundo da noite do Porto».
Como se fosse pouco, o primeiro-ministro de um país onde se pode ter dado, ou não, um assalto em que foram ou não roubadas armas e munições de um paiol militar, vem a público garantir que o relatório secreto, cuja existência o semanário de referência garante, não existe porque se trata de «algo fabricado e não sobre um documento autêntico».
É isto espantoso? Sem dúvida. Contudo, o mais espantoso é o ruído do silêncio de comunistas, bloquistas e do jornalismo de causas que outrora teriam incendiado os jornais e enchido as ruas com pungentes indignações.
Como se fosse pouco, o primeiro-ministro de um país onde se pode ter dado, ou não, um assalto em que foram ou não roubadas armas e munições de um paiol militar, vem a público garantir que o relatório secreto, cuja existência o semanário de referência garante, não existe porque se trata de «algo fabricado e não sobre um documento autêntico».
É isto espantoso? Sem dúvida. Contudo, o mais espantoso é o ruído do silêncio de comunistas, bloquistas e do jornalismo de causas que outrora teriam incendiado os jornais e enchido as ruas com pungentes indignações.
24/09/2017
ARTIGO DEFUNTO: Jornalismo de "referência" é o jornalismo de causas adoptado pelo jornal que se diz de referência (5)
Continuação de (1), (2), (3) e (4)
Na página 2 do caderno de Economia do Expresso podemos encontrar a "notícia" aqui ao lado, de onde um leitor distraído concluiria que o STJ «recusou» a entrega de documentos pedidos pela CPE, legitimando assim a golpada da geringonça para esconder os podres da Caixa.
Uma leitura do acórdão do STJ esclarece-nos que não houve recusa nenhuma porque este tribunal se limitou a constatar que:
(1) devido à referida golpada, a CPE consumiu o prazo para a sua existência de onde «parece dever concluir-se, em primeira linha, por exigência legal, que a comissão parlamentar de inquérito, requerente neste processo, se encontra extinta»;
e
(2) «A extinção da requerente – não havendo lugar à habilitação desta, nem se devendo prefigurar que a mesma se haja fundido no Plenário -, tornando impossível a continuação da lide, determina a extinção da instância.»
Na página 26 do caderno principal do mesmo semanário já não se trata só de jornalismo de causas, neste caso da causa «barriga de aluguer».
Trata-se da promoção da «colocação de um útero no mercado de arrendamento» por muito que o Expresso escreva o contrário e informe que a renda monetária neste caso é zero.
Na página 2 do caderno de Economia do Expresso podemos encontrar a "notícia" aqui ao lado, de onde um leitor distraído concluiria que o STJ «recusou» a entrega de documentos pedidos pela CPE, legitimando assim a golpada da geringonça para esconder os podres da Caixa.
Uma leitura do acórdão do STJ esclarece-nos que não houve recusa nenhuma porque este tribunal se limitou a constatar que:
(1) devido à referida golpada, a CPE consumiu o prazo para a sua existência de onde «parece dever concluir-se, em primeira linha, por exigência legal, que a comissão parlamentar de inquérito, requerente neste processo, se encontra extinta»;
e
(2) «A extinção da requerente – não havendo lugar à habilitação desta, nem se devendo prefigurar que a mesma se haja fundido no Plenário -, tornando impossível a continuação da lide, determina a extinção da instância.»
Na página 26 do caderno principal do mesmo semanário já não se trata só de jornalismo de causas, neste caso da causa «barriga de aluguer».
Trata-se da promoção da «colocação de um útero no mercado de arrendamento» por muito que o Expresso escreva o contrário e informe que a renda monetária neste caso é zero.
DIÁRIO DE BORDO: a passarada que me visita (30)
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| Rabirruivo-preto também conhecido por carvoeiro ou pisco-ferreiro (Phoenicurus ochruros) Foto de Aves de Portugal, porque os marotos que me visitam pousam mas não gostam de posar |
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23/09/2017
NÓS VISTOS POR ELES: Se queremos perceber para onde vamos é melhor ler a imprensa estrangeira
Durante a semana, três artigos da imprensa financeira internacional foram várias vezes citados pelas câmaras de eco da geringonça como fazendo referências laudatórias aos feitos do governo de Costa a propósito do upgrade da notação da S&P.
Marcus Ashworth da Bloomberg, num artigo com um título («Portugal Is Investment Grade in Name Only») que é um bom resumo, explica que se mantém a «carga insustentável da dívida» principal razão do downgrade de há cinco anos, e que a melhoria dos yields das obrigações «é muito mais devida à sua relativa escassez, do que de qualquer transformação económica súbita». E insinua aquilo que muita gente sabe, mas poucos comentam publicamente: o rating da DBRS, uma agência que «não tem a mesma relevância para os investidores» do que as três maiores, existiu para o BCE poder aplicar o seu programa de alívio quantitativo a Portugal.
Mehreen Khan do FT no artigo «Portugal’s comeback is the eurozone’s socialist success story», cujas partes mais apetitosas foram abundantemente citadas, atribui o sucesso da recuperação principalmente «às perspectivas brilhantes da eurozona e da economia global» e aos «frutos das reformas dolorosas do mercado de trabalho do governo anterior de centro-direita». E conclui que a maior lição que os outros partidos socialistas europeus podem tirar do PS é «Timing is everything».
Tony Barber, o editor para Europa do FT, no artigo com o título igualmente significativo «Portugal reforms not gone far enough to ensure financial solidity», lembra que os enormes desafios que Portugal de enfrentar com «um governo socialista minoritário, apoiado no Parlamento pela extrema esquerda» e acrescenta que para os empresários portugueses «o governo está mais inclinado a satisfazer as medidas de luta contra a austeridade do que a reformas destinadas a melhorar a eficiência do sector público e a incentivar o investimento. A questão é se os problemas de Portugal tornarão inevitável um segundo resgate».
A partir dos trechos citados nos jornais domésticos e dos comentários dos opinion dealers alguém poderia entender o que de facto escreveu esta gente?
Marcus Ashworth da Bloomberg, num artigo com um título («Portugal Is Investment Grade in Name Only») que é um bom resumo, explica que se mantém a «carga insustentável da dívida» principal razão do downgrade de há cinco anos, e que a melhoria dos yields das obrigações «é muito mais devida à sua relativa escassez, do que de qualquer transformação económica súbita». E insinua aquilo que muita gente sabe, mas poucos comentam publicamente: o rating da DBRS, uma agência que «não tem a mesma relevância para os investidores» do que as três maiores, existiu para o BCE poder aplicar o seu programa de alívio quantitativo a Portugal.
Mehreen Khan do FT no artigo «Portugal’s comeback is the eurozone’s socialist success story», cujas partes mais apetitosas foram abundantemente citadas, atribui o sucesso da recuperação principalmente «às perspectivas brilhantes da eurozona e da economia global» e aos «frutos das reformas dolorosas do mercado de trabalho do governo anterior de centro-direita». E conclui que a maior lição que os outros partidos socialistas europeus podem tirar do PS é «Timing is everything».
Tony Barber, o editor para Europa do FT, no artigo com o título igualmente significativo «Portugal reforms not gone far enough to ensure financial solidity», lembra que os enormes desafios que Portugal de enfrentar com «um governo socialista minoritário, apoiado no Parlamento pela extrema esquerda» e acrescenta que para os empresários portugueses «o governo está mais inclinado a satisfazer as medidas de luta contra a austeridade do que a reformas destinadas a melhorar a eficiência do sector público e a incentivar o investimento. A questão é se os problemas de Portugal tornarão inevitável um segundo resgate».
A partir dos trechos citados nos jornais domésticos e dos comentários dos opinion dealers alguém poderia entender o que de facto escreveu esta gente?
22/09/2017
O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: A esquerdalhada e a sua liberdade de expressão
«Ben Shapiro, um jovem jornalista judeu conservador com uma voz extremamente irritante, com posições anti-trump, tendo há anos como desporto preferido bater nos liberais (leia-se, nos EUA, socialistas) foi convidado a fazer um discurso na meca da liberdade de expressão: a universidade de Berkeley.
Foram precisos gastar US$ 600.000 para medidas de segurança (julgo que orçamento anual normal da Berkeley para segurança rondará os US$ 300.000), autorizar a polícia a poder usar spray irritante (primeira vez desde há vinte anos), chamar 700 polícias para manter a ordem, ter bombeiros e ambulâncias de prevenção, levantar barreiras de controle, prender nove manifestantes, quatro dos quais queriam introduzir armas no recinto, etc.
Há cinquenta anos, foram precisas duras manifestações para esquerdistas lançarem, e bem, o movimento para o Free Speech. Agora são preciso polícias para controlar e bloquear esquerdistas que querem impedirem o Free Speech.
A esquerda adora a liberdade de expressão. Só tem uma condição: a expressão tem que ser de esquerda.»
Foram precisos gastar US$ 600.000 para medidas de segurança (julgo que orçamento anual normal da Berkeley para segurança rondará os US$ 300.000), autorizar a polícia a poder usar spray irritante (primeira vez desde há vinte anos), chamar 700 polícias para manter a ordem, ter bombeiros e ambulâncias de prevenção, levantar barreiras de controle, prender nove manifestantes, quatro dos quais queriam introduzir armas no recinto, etc.
Há cinquenta anos, foram precisas duras manifestações para esquerdistas lançarem, e bem, o movimento para o Free Speech. Agora são preciso polícias para controlar e bloquear esquerdistas que querem impedirem o Free Speech.
A esquerda adora a liberdade de expressão. Só tem uma condição: a expressão tem que ser de esquerda.»
(De um email do Agent Provocateur)
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COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (12) - Estes já começaram a descalçá-la, antes que se faça tarde
Outras botas para descalçar.
O trilema de Žižek acima representado é evidentemente apenas tendencial. Haverá sempre alguns socialistas (ou comunistas) que serão honestos e inteligentes. Talvez seja o caso dos economistas Paulo Trigo Pereira, deputado do PS, Ricardo Cabral, Luís Teles Morais e Joana Andrade Vicente, que apresentaram um estudo defendendo premissas orçamentais distintas das do orçamento que governo está a negociar com o PCP e o BE.
À primeira vista (e à segunda) o estudo não se afasta do pensamento dominante na Mouse School of Economics, designadamente no que respeita à fé nas propriedades miraculosas da despesa pública e da sua multiplicação, fé tão profunda que resistiu à constatação do desastre das políticas socialistas: um crescimento anual médio de 1% nos últimos 10 anos culminado pelo resgate de 2011, não obstante o elevado investimento público, que aliás este governo socialista reduziu em 2016 para metade.
Nesse sentido, podemos até concluir que o estudo retoma a "pureza" da doutrina socialista abandonada pelo pragmatismo sem princípios nem rumo da mistela de perdões fiscais, aumento de impostos, redução do investimento e cativações adoptada pela dupla Costa-Ronaldo das Finanças para conseguir a quadratura do círculo da sobrevivência da geringonça, mantendo felizes, até ver, Bruxelas, comunistas e berloquistas.
O que verdadeiramente afasta o estudo da mistela é o vértice inferior esquerdo do trilema de Žižek e a denúncia da «alquimia» orçamental:
O trilema de Žižek acima representado é evidentemente apenas tendencial. Haverá sempre alguns socialistas (ou comunistas) que serão honestos e inteligentes. Talvez seja o caso dos economistas Paulo Trigo Pereira, deputado do PS, Ricardo Cabral, Luís Teles Morais e Joana Andrade Vicente, que apresentaram um estudo defendendo premissas orçamentais distintas das do orçamento que governo está a negociar com o PCP e o BE.
À primeira vista (e à segunda) o estudo não se afasta do pensamento dominante na Mouse School of Economics, designadamente no que respeita à fé nas propriedades miraculosas da despesa pública e da sua multiplicação, fé tão profunda que resistiu à constatação do desastre das políticas socialistas: um crescimento anual médio de 1% nos últimos 10 anos culminado pelo resgate de 2011, não obstante o elevado investimento público, que aliás este governo socialista reduziu em 2016 para metade.
Nesse sentido, podemos até concluir que o estudo retoma a "pureza" da doutrina socialista abandonada pelo pragmatismo sem princípios nem rumo da mistela de perdões fiscais, aumento de impostos, redução do investimento e cativações adoptada pela dupla Costa-Ronaldo das Finanças para conseguir a quadratura do círculo da sobrevivência da geringonça, mantendo felizes, até ver, Bruxelas, comunistas e berloquistas.
O que verdadeiramente afasta o estudo da mistela é o vértice inferior esquerdo do trilema de Žižek e a denúncia da «alquimia» orçamental:
«Não é possível, ao mesmo tempo, descongelar carreiras, aumentar emprego público, fazer actualizações salariais, pagar a fornecedores da Saúde e reduzir impostos. Isto não é possível, é do domínio da alquimia.»
21/09/2017
DIÁRIO DE BORDO: A difícil convivência da esquerdalhada com a realidade
Go, go, go, said the bird: human kind / Cannot bear very much reality.
T. S. Eliot, Burnt Norton (No. 1 of Four Quartets)
«É natural que entre os discursos de fim-de-semana das jovens Mortágua, da líder Catarina e do carismático Jerónimo e a realidade as diferenças se tendam cada vez mais a acentuar. Nesse quadro a única expectativa que me parece razoável é admitir que no campo da evolução da ilusão até à realidade ou da demagogia até à seriedade, a juventude dispõe sempre de algum avanço sobre quantos já levam um tempo de vida mais provecto.»
Excerto de «António Costa vs BE e PCP», Francisco Assis no Público
«A única coisa verdadeiramente grave em tudo isto — e a razão pela qual continuamos sujos mesmo tendo saído do lixo — é o desfasamento entre a realidade e a narrativa sobre essa realidade, que conduz a uma série de avaliações demagógicas sobre aquilo que nos tem acontecido. Sim, as previsões da direita falharam naquilo que ao diabo diz respeito. Só que as previsões da esquerda também falharam quanto à receita para sair da crise. Portugal está a crescer e a baixar o défice em condições que a própria esquerda garantiu que nunca cresceria: com o investimento público mais baixo da História e sem qualquer reestruturação da dívida.»
«Como sair do lixo e continuar sujo», João Miguel Tavares no Público
T. S. Eliot, Burnt Norton (No. 1 of Four Quartets)
«É natural que entre os discursos de fim-de-semana das jovens Mortágua, da líder Catarina e do carismático Jerónimo e a realidade as diferenças se tendam cada vez mais a acentuar. Nesse quadro a única expectativa que me parece razoável é admitir que no campo da evolução da ilusão até à realidade ou da demagogia até à seriedade, a juventude dispõe sempre de algum avanço sobre quantos já levam um tempo de vida mais provecto.»
Excerto de «António Costa vs BE e PCP», Francisco Assis no Público
«A única coisa verdadeiramente grave em tudo isto — e a razão pela qual continuamos sujos mesmo tendo saído do lixo — é o desfasamento entre a realidade e a narrativa sobre essa realidade, que conduz a uma série de avaliações demagógicas sobre aquilo que nos tem acontecido. Sim, as previsões da direita falharam naquilo que ao diabo diz respeito. Só que as previsões da esquerda também falharam quanto à receita para sair da crise. Portugal está a crescer e a baixar o défice em condições que a própria esquerda garantiu que nunca cresceria: com o investimento público mais baixo da História e sem qualquer reestruturação da dívida.»
«Como sair do lixo e continuar sujo», João Miguel Tavares no Público
Mitos (263) - O contrário do dogma do aquecimento global (XVII)
Outros posts desta série.
Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.
O paper «Emission budgets and pathways consistent with limiting warming to 1.5 °C» publicado há dias no nature geoscience por uma equipa internacional de 10 investigadores na maioria europeus, concluiu que, apesar de o aquecimento global ainda se estar a verificar, as previsões do aumento da temperatura global podem ter sido indevidamente exageradas, sendo ainda possível atingir o objectivo do Tratado de Paris de limitar o aumento da temperatura global «bem abaixo» de 2° C acima do nível pré-industrial.
Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.
O paper «Emission budgets and pathways consistent with limiting warming to 1.5 °C» publicado há dias no nature geoscience por uma equipa internacional de 10 investigadores na maioria europeus, concluiu que, apesar de o aquecimento global ainda se estar a verificar, as previsões do aumento da temperatura global podem ter sido indevidamente exageradas, sendo ainda possível atingir o objectivo do Tratado de Paris de limitar o aumento da temperatura global «bem abaixo» de 2° C acima do nível pré-industrial.
20/09/2017
SERVIÇO PÚBLICO: A ideologia do género é a continuação de um projecto totalitário por outros meios
«A Assembleia da República discute um projeto-lei do Bloco de Esquerda que permite a mudança de sexo aos 16 anos e, no caso de os pais se oporem a esta ideia, possibilita que os menores possam intentar judicialmente contra estes. A agenda política do BE é a seguinte: promover a ambiguidade da identidade sexual e considerar normal aquilo que, na maioria dos casos, é patológico. Convém alertar as pessoas para os perigos desta aberração legislativa, pois os deputados não sabem de medicina, nem tão-pouco de psiquiatria. Os casos de perturbação de identidade sexual (disforia de género) são complexos e levam por vezes os jovens ao suicídio, pelo que este assunto deve ser tratado com uma enorme prudência. Considerar que estes casos se resolvem com um pacote legislativo, é uma visão simplista, redutora e perigosa deste problema.
A estratégia por detrás desta mutação social, que agora se pretende implementar pela via legislativa, é fazer crer que a a ideologia de género é cientificamente correta. As teses desta ideologia são apresentadas como um dado científico consensual e indiscutível, mas isto é absolutamente falso. A natureza tem regras, cabe à ciência compreendê-las e descodificá-las. Portanto, compete à ciência elaborar as teorias que ajudem a desvendar a realidade e não o contrário, como acontece na ideologia do género: elaborou-se uma teoria e para a validar procura-se alterar a realidade.
As consequências deste conflito estão à vista. Nunca como hoje se baralhou e confundiu tanto a mente de crianças e adolescentes. E isto não tem nada a ver com liberdade, mas com uma doutrinação promovida por alguns partidos que se apoderaram ideologicamente do Estado e que desejam proceder à reeducação das massas. Neste contexto, esta proposta legislativa não poderia ser mais tirânica: os pais são expulsos do processo educativo, os psiquiatras e psicólogos são totalmente desvalorizados, sendo-lhes retiradas competências, e os menores passam a ser “propriedade” do Estado que, no plano educativo e legislativo, lhes impõe um novo sistema de valores baseado na ideologia do género. »
Excerto de «A estratégia para acabar com os rapazes e as raparigas», Pedro Afonso no Observador
A estratégia por detrás desta mutação social, que agora se pretende implementar pela via legislativa, é fazer crer que a a ideologia de género é cientificamente correta. As teses desta ideologia são apresentadas como um dado científico consensual e indiscutível, mas isto é absolutamente falso. A natureza tem regras, cabe à ciência compreendê-las e descodificá-las. Portanto, compete à ciência elaborar as teorias que ajudem a desvendar a realidade e não o contrário, como acontece na ideologia do género: elaborou-se uma teoria e para a validar procura-se alterar a realidade.
As consequências deste conflito estão à vista. Nunca como hoje se baralhou e confundiu tanto a mente de crianças e adolescentes. E isto não tem nada a ver com liberdade, mas com uma doutrinação promovida por alguns partidos que se apoderaram ideologicamente do Estado e que desejam proceder à reeducação das massas. Neste contexto, esta proposta legislativa não poderia ser mais tirânica: os pais são expulsos do processo educativo, os psiquiatras e psicólogos são totalmente desvalorizados, sendo-lhes retiradas competências, e os menores passam a ser “propriedade” do Estado que, no plano educativo e legislativo, lhes impõe um novo sistema de valores baseado na ideologia do género. »
Excerto de «A estratégia para acabar com os rapazes e as raparigas», Pedro Afonso no Observador
SERVIÇO PÚBLICO: A geringonça pode gripar
«Até agora, a aposta de António Costa em formar governo com o apoio da extrema-esquerda parlamentar tinha--se revelado um enorme sucesso. No parlamento, esses partidos nunca vacilaram no seu apoio ao governo, que em contrapartida os presenteou com a aceitação de medidas radicais de efeitos desastrosos, como o regresso ao congelamento de rendas ou o imposto Mortágua. Por seu lado, Marcelo Rebelo de Sousa abstinha-se de exercer o que quer que se parecesse com um freio ou contrapeso, nunca suscitando sequer a intervenção do Tribunal Constitucional. António Costa conseguia, assim, ter um controlo absoluto do Estado sem ter vencido as eleições.
E esse controlo estendeu-se mesmo à própria sociedade. O PCP paralisou completamente as tradicionais reivindicações sindicais, que constituíam uma dor de cabeça para qualquer governo, e o Bloco também assegurou o apoio das redacções de jornais em que tem influência. O governo não apenas dispunha do apoio de uma maioria e de um Presidente como gozava ainda de uma paz política e social sem precedentes, por muitas asneiras que fizesse. Foi assim que graves descoordenações, como a morte de 65 pessoas num incêndio florestal ou um roubo de material de guerra, passaram praticamente incólumes na imprensa, enquanto uma simples subida do rating da dívida era objecto de manchetes eufóricas.
Mas começam agora a surgir os primeiros sinais de falhanço desta solução de governo».
Excerto de «A geringonça numa encruzilhada», Luís Menezes Leitão no jornal i
E esse controlo estendeu-se mesmo à própria sociedade. O PCP paralisou completamente as tradicionais reivindicações sindicais, que constituíam uma dor de cabeça para qualquer governo, e o Bloco também assegurou o apoio das redacções de jornais em que tem influência. O governo não apenas dispunha do apoio de uma maioria e de um Presidente como gozava ainda de uma paz política e social sem precedentes, por muitas asneiras que fizesse. Foi assim que graves descoordenações, como a morte de 65 pessoas num incêndio florestal ou um roubo de material de guerra, passaram praticamente incólumes na imprensa, enquanto uma simples subida do rating da dívida era objecto de manchetes eufóricas.
Mas começam agora a surgir os primeiros sinais de falhanço desta solução de governo».
Excerto de «A geringonça numa encruzilhada», Luís Menezes Leitão no jornal i
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