Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

25/08/2016

Pro memoria (314) – «Novas oportunidades», a re-posição

Recordam-se do programa socrático «Novas Oportunidades» que até 2011 torrou 1,8 mil milhões de euros para distribuir diplomas que não valem nem o papel em que estão impressos e que nem um empresário analfabeto impressionariam?

Pois bem, no seu afã de re-pôr, a geringonça ressuscita o programa «Novas Oportunidades» mudando-lhe o nome para «Qualifica», propondo-se gastar 50 milhões por ano para emitir diplomas.

Nada surpreendente, na concepção socialista da educação combate-se o analfabetismo funcional atribuindo um diploma ao analfabeto funcional em troca de uma estória da vida dele. De caminho atinge-se «a meta de 40% de diplomados entre 30 e 34 anos» (Expresso).


Se fosse ministro da Educação da geringonça (vade retro satana!), inspirava-me na anedota de Milton Friedman e, em vez de dinheiro, lançaria diplomas a partir dos helicópteros dos bombeiros aproveitando a época morta dos incêndios.

24/08/2016

ACREDITE SE QUISER: Berloquismo defende «mulheres com deficiência de foro mental» pessoas do género feminino com deficiência intelectual da exploração capitalista

O BE tem uma nova causa: a defesa de «quatro mulheres com deficiência de foro mental» contra a sua exploração na «oficina das hóstias, no Instituto Monsenhor Airosa, em Braga. Duas, numa sala, escolhem partículas usadas na eucaristia. Outras duas, noutra sala, partem e separam aparas, iguaria cada vez mais apreciada como aperitivo.»

Uma responsável do Instituto confessou o crime e admitiu que as pessoas do género feminino «além de participar em actividades lúdicas, como natação ou zumba, colaboram nas actividades da casa».

Chamada de atenção politicamente correcta:
O Público, que publicou a referida notícia, deve enviar as suas jornalistas à universidade de Verão do BE para participarem no «comboio de massagens» e aprenderem o newspeak PC, como exemplifico neste post.

Olimpíadas Socialistas

KAL's cartoon, Economist

SERVIÇO PÚBLICO: Impertinências que outros escreveram e nós temos pena de não ter escrito

«O choradinho olímpico» - João Miguel Tavares, no Público, desmistifica a mendicância medalhística.

«10 Erros sobre o turismo em Lisboa» - Tomás Belchior, no Insurgente, desmistifica as teses da ciência de causas de um geógrafo PhD.

23/08/2016

ESTÓRIA E MORAL: A maior prova de insanidade

Estória

«Solução para o "Brexit" é mais integração, defendem Renzi, Merkel e Hollande»


Era uma vez uma sociedade que durante décadas de vacas gordas se foi alargando e integrando novos sócios. Chegaram as vacas magras e a sociedade está em crise. Um dos sócios decidiu sair e outros dividem-se entre os que estão descontentes por receberem de menos e os que estão descontentes por pagarem de mais.

Três sócios fundadores reuniram-se e decidiram que a solução será fazer a mesma coisa mais depressa e com mais intensidade.

Moral

«Fazer todos os dias as mesmas coisas e esperar resultados diferentes é a maior prova de insanidade» (Albert Einstein, Benjamin Franklin ou Rita Mae Brown, um deles disse isso).

A mentira como política oficial (20) – Primeiro estranha-se, depois entranha-se

Com vista a combater a evasão fiscal, a geringonça pretendia meter o bedelho nas contas bancárias dos «ricos», nome que os socialistas aplicam à classe média que não depende do Estado Sucial e paga 3/4 dos impostos. Primeiro a coisa ficou escondida na Lei do Orçamento do Estado para 2016 sob a forma de uma autorização legislativa.

Depois quando o governo se preparava para criar o dispositivo legal necessário mandou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Tributários falar em nome do Fisco ficando a perceber-se que o governo pretendia conhecer os saldos das contas de todos os sujeitos passivos. Como isso gerou um certo borborinho, o governo apressou-se a esclarecer que essa informação apenas respeitaria aos indígenas com contas bancárias com saldo igual a 50 mil euros ou superior.

Como o borborinho continuasse, a geringonça mandou dizer através de fonte não reveladas (e o Observador vai nessa) que «pretende cumprir os compromissos internacionais do Estado português nesta matéria e reforçar os mecanismos que são internacionalmente considerados necessários como meios de combate à fraude e evasão fiscal, ao branqueamento de capitais e ao financiamento da criminalidade organizada e do terrorismo».

Na verdade, a directiva comunitária que cria esses controlos só se aplica aos estrangeiros residentes em Portugal e aos portugueses residentes no estrangeiro e não a todos os portugueses.

SERVIÇO PÚBLICO: A geometria não euclidiana do GES

Diagrama do Expresso
Esquema montado durante pelo menos duas décadas por Ricardo Salgado e a sua clique, com numerosos cúmplices pela acção e pela omissão, para fazer circular e multiplicar o dinheiro.

22/08/2016

Mitos (239) - A troika deixou os portugueses mais pobres e mais desiguais

Há dois anos, com base em dados do período 2007-2011 do estudo da OCDE «Rising inequality: youth and poor fall further behind», Insights from the OECD Income Distribution Database, June 2014, desmontei neste post a parte do mito antes da intervenção da troika, demonstrando que nesse período:
  • em relação aos rendimentos disponíveis as desigualdades diminuíram;
  • os mais afectados foram os ricos; 
  • os idosos tiveram ganhos nos rendimentos disponíveis;
  • a «austeridade neoliberal» foi menos penosa do que a «austeridade socialista» do Dr. Soares
Agora, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística, o Expresso num artigo intitulado «Pós-troika: mais poder de compra e menos desigualdades?», com um extraordinário ponto de interrogação supérfluo pelos dados citados no texto e só explicado pela doutrina oficial do jornalismo de causas, vem reconhecer que «após três anos de troika, o mercado de trabalho em Portugal sofreu algumas alterações. Já depois da intervenção externa no país, o salário mínimo subiu e também os rendimentos médios tiveram uma melhoria. Houve uma subida de 4,5% em dois anos. Ou cerca de 3,2% em termos reais».

Como explicar que, contrariamente à lengalenga e ao discurso da esquerdalhada, os portugueses estejam hoje melhor do que antes do início da crise em 2008 e, sobretudo, depois de 4 anos de intervenção da troika?

Fonte: Trading Economics

A resposta é dada pelo diagrama que mostra que entre 2007 e a actualidade a dívida pública portuguesa duplicou, significando que o Estado português fez uma redistribuição do rendimento à custa dos credores, nomeadamente FMI, BCE e CE. Em conclusão, os portugueses estão melhor hoje porque Portugal está pior, o que significa que os portugueses estão melhor no presente à custa de ficarem pior no futuro.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: A igualdade a todo o custo custa a liberdade e sem liberdade há mais desigualdade

«Em Portugal, não há uma economia privada, uma sociedade civil ou uma classe dominante que dirija o país e comande o Estado. É o contrário. Sempre foi. À esquerda ou à direita, com interesses nacionais ou estrangeiros e com ou sem a Igreja, é o Estado que comanda. Por isso é tão frequente encontrar quem exerça o poder com o Estado, pelo Estado e através do Estado. É um Estado para todas as estações. E todos os azimutes. Nas últimas décadas, o Estado fez a guerra e a descolonização, fez a revolução e a contra-revolução, nacionalizou e reprivatizou a economia.

(...)

O trabalho, a justiça, a cultura e a igualdade são valores de esquerda. Ou antes, também são de esquerda. Mas a liberdade vem à cabeça. Pelo menos com a esquerda democrática. Quando um partido ou um governo substitui, entre as prioridades políticas, a liberdade pela igualdade, não restam dúvidas: esse partido ou esse governo está a abandonar a democracia! A igualdade não é uma arma de luta pela liberdade. Com a igualdade, é difícil defender a liberdade. Pelo contrário, com liberdade, podemos combater a desigualdade. A liberdade é mesmo a principal arma de luta pela igualdade.»

Liberdade e igualdade, António Barreto no DN

Ocorre-me o pensamento de António Alçada Baptista que serve de epígrafe a este blogue:
«Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.»

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (45)

Outras avarias da geringonça.

É uma fatalidade. Só o governo acredita, melhor, diz acreditar, nas suas metas. A UTAO estima que a dívida pública tenha subido para 131,6% no fim do 1.º semestre já acima da meta do governo no final do ano (124,8%).

É claro que, com toda a naturalidade, a situação portuguesa vista de fora inspira as maiores reservas. Como ao Commerzbank que vê Portugal e Espanha em «planetas diferentes». É natural, basta olhar para o diagrama seguinte com os yields a 10 anos para ter de concordar com esse juízo que a gerigonça talvez possa ignorar. Contudo, já será mais difícil ignorar o que pensa a DBRS, a agência de rating que é a única a manter a dívida portuguesa acima do nível junk e dela depende o acesso ao crédito do BCE. E o que diz a DBRS? Diz que está «preocupada» o que em reitinguês quer dizer cuidem-se que estamos a considerar o downgrade.

21/08/2016

ESTÓRIA E MORAL: Os pastorinhos da economia dos amanhãs que cantam têm um défice estrutural de memória

Estória

Era uma vez um pastorinho da economia dos amanhãs que cantariam mas não cantaram e, pelos vistos, não cantarão. Chamava-se Nicolau Santos e tinha o blogue  «Keynesiano, graças a Deus», no Expresso, onde escrevia coisas que o John Maynard se ressuscitasse lhe diria Nicolau, Sir, you got stuck in the 30s.

Desta vez escreveu um artigo baptizado «O que dá vender empresas a estrangeiros». Escrevi baptizado, em vez de intitulado, em homenagem ao seu episódio com o vigarista Baptista da Silva que constitui o conto do vigário mas notável do século XXI, o que não é dizer pouco neste país onde há imensa gente a viver de contos do vigário.

Nesse artigo Nicolau Santos atira-se ao «hipermercado das ideias económicas (onde) há quem defenda que não interessa a nacionalidade de quem detém as empresas bla bla bla» e para demonstrar a justeza da sua tese, que parece ser a de que o que interessa é nacionalidade das empresas, apresenta dois exemplos, a PT e a Cimpor, com a mesma infelicidade que evidenciou a escolha de Baptista da Silva para demonstrar uma outra sua tese.

Quanto à PT, recordemos que o seu activo mais valioso (uma participação de 50% na Vivo) foi vendido à Telefónica pela agência Sócrates, Lula & Cª, por conta e ordem de Ricardo Salgado, para tapar o buraco do GES, em troca imposta pelo governo de Sócrates da compra de um chaço falido chamado Oi que servia de abrigo aos empresários amigos de Lula e que com esta operação se iniciou a irremediável queda do que Nicolau chama «uma bandeira de Portugal nos mercados externos», bandeira que, na verdade, se limitava à Vivo. Ver a este respeito os inúmeros posts do (Im)pertinências onde esta saga foi acompanhada.

Quando à Cimpor remeto para este post recordando que a Caixa, o lugar geométrico do socialismo bancário, e o BCP, nessa época dominado pela clique socrática que o assaltou, que detinham participações na Cimpor, aceitaram a OPA da Camargo à Cimpor e recusaram uma proposta de Pedro Queiroz Pereira, um empresário desalinhado do regime.

Por último, recordo que a venda dos ridiculamente chamados centros de decisão nacional foi levada a cabo pelos seus maiores defensores (ver a série de posts «A defesa dos centros de decisão nacional») por razões muito simples: a falta de capital português e o pesadíssimo e crescente endividamento ao estrangeiro, produto de várias décadas de desequilíbrio das contas externas resultante das políticas económicas das várias modalidades de socialismo «keynesiano».

Morais

Uma moral fabricada nos centros de decisão nacional: Nicolau foi buscar lã e saiu tosquiado.

Outra moral fabricada na pérfida Albion por Sir Fred Hoyle, um astrónomo com mais jeito para os provérbios do que para a astronomia: «Things are the way they are because they were the way they were».

20/08/2016

Curtas e grossas (36) - António Costa, um falhado

Se um primeiro-ministro tivesse apeado à custa de manobras várias o seu concorrente à liderança do seu partido, tivesse perdido as eleições que acusou o concorrente de não conseguir ganhar, se tivesse aliado com os partidos que mais tinham combatido o seu, se tivesse falhado uma a uma as promessas de crescimento, de reestruturação da dívida, etc., se tivesse proporcionado um espectáculo ridículo de incompetência e insensatez como a recapitalização da Caixa e a nomeação da sua administração, o que diriam dele a comentadoria, os opinion dealerso jornalismo de causas, as corporações que parasitam o Estado sucial e toda a nomenclatura do regime?

Diriam que o homem é um falhado. Por que o poupam? Porque ele é um deles, um novo situacionista sem alternativa à vista de outro que garanta que tudo continua na mesma.

SERVIÇO PÚBLICO: O papel da dupla Animal Feroz-Dono Disto Tudo na sabotagem da OPA da Sonae à PT

Era um segredo de Polichinelo para quem tivesse seguido atentamente o processo, o conluio Sócrates-Ricardo Salgado na sabotagem da OPA da Sonae à PT em 2007. Deixou de ser com as declarações de Paulo Azevedo aos investigadores da Operação Marquês publicadas pelo Observador.

Vale a pena ler a dezena de páginas A4 do artigo «Paulo Azevedo, o homem que antecipou o fim do GES sete anos antes» para se confirmar a extensão da teia de cumplicidades que vão desde a participação activa na sabotagem até aos numerosos prudentes silêncios de Conrado. Muito revelador do que são os interesses e conluios corporativos é a afirmação de Paulo Azevedo de que «a informação da degradação financeira do grupo (GES) ..., seria do conhecimento generalizado dos bancos portugueses e só a influência que Ricardo Salgado tinha no sistema de negócios português terá permitido que a derrocada do império da família Espírito Santo apenas tivesse ocorrido em 2014».

Crescimento da dívida durante o consolado de Sócrates
Não há universos paralelos nem realidades alternativas, se houvesse e fosse possível recuar no tempo e evitar a sabotagem, teríamos tido a queda do GES quatro anos antes da intervenção da troika que teria sido provavelmente antecipada e pouparia a 4 anos de delírios de José Sócrates, de assalto ao orçamento e ao crescimento explosivo da dívida.

19/08/2016

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (15)

Outras preces.

Palavras para quê? É um artista português.

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (138) - Então? Não se indignam por eles não quererem «gajas»?

«Santos Silva critica Ban Ki-moon por este preferir uma mulher como sucessora»

«Temos muitas líderes mulheres distintas e eminentes em governos nacionais ou em outras organizações ou mesmo em comunidades empresariais, políticas e culturais, e em todos os aspetos da nossa vida. Não existe nenhuma razão para que isso não aconteça nas Nações Unidas», comentou Ban Ki-moon numa declaração politicamente correcta que deveria ser aplaudida de pé pela esquerdalhada.

Por que razão Santos Silva, o MNE em exercício, o tal que gosta de malhar na direita, acompanhado por uma legião de defensores da igualdade de sexos géneros, se insurgiu contra Ban Ki-moon? Obrigado por perguntaram. A resposta é simples: o próximo SG da ONU deveria ser uma mulher a menos que o nosso candidato seja um homem.

18/08/2016

Surpreendente! Quem diria?

MPLA reelege José Eduardo dos Santos

ACREDITE SE QUISER: O BE do ano passado não é o mesmo deste ano e o PCP também não

Se o Pedro do ano passado não é o Soares deste ano, é natural que o BE do ano passado não seja o mesmo deste ano e o PCP também não.

Pelo menos é o que nos diz o Expresso, o semanário do regime e uma autoridade em matéria de geringonça, logo no título da peça: «Passos acusa, Costa responde (e BE e PCP fingem que não é com eles)». Dado o interesse historiográfico da coisa e considerando que a peça do Expresso só está disponível para assinantes vou citar o trecho relevante acerca da mudança de paradigma de bloquistas e comunistas mostrando assim grande desvelo pela doutrina Somoza. Aqui vai.

«A 14 de agosto de 2015, o INE divulgou os dados da evolução da economia no segundo trimestre desse ano: 1,50% de variação homóloga, 0,4% de crescimento em relação ao trimestre anterior. Jorge Pires, do PCP, considerou que era “crescimento anémico, muito aquém das necessidades". 

Três meses depois, já a seguir às eleições, o Instituto de Estatística voltava à carga, com os dados relativos a julho, agosto e setembro: 1,4% de crescimento homólogo, variação em cadeia quase nula (+0,1%). Os comunistas voltaram à carga, considerando que o crescimento apregoado pela coligação durante a campanha eleitoral era uma ficção. “Afinal tudo aquilo que foi intensamente dito aos portugueses não passava de um grande embuste”, denunciou António Filipe, considerando que "a evolução da economia portuguesa caracteriza-se pela estagnação e pela desaceleração". 

Do lado do BE, o discurso era parecido. Ao olhar para os números do terceiro semestre, os últimos da responsabilidade da direita antes de eleições, Mariana Mortágua afirmou: “Os dados contradizem toda a narrativa de sucesso económico que foi apresentado por PSD e CDS durante campanha. A economia não está a crescer, está a estagnar”. Perante os 1,4% de subida do PIB, a economista do BE afirmou que o que existe é uma “economia estagnada e incapaz de recuperar da crise que viveu nos últimos anos”.

Meses antes, Pedro Filipe Soares, tinha igualmente desvalorizado os dados do primeiro trimestre de 2015 que foram os mais positivos que o país conheceu em muito tempo: crescimento homólogo de 1,7% e variação em cadeia de +0,5%. Uma melhoria que “não está a responder ao essencial", acusou o líder parlamentar do BE, pois “a vida real das pessoas mostra que os salários não chegam para pagar as contas no final do mês”.

Nesse dia de maio de 2015, quando foram revelados os dados do primeiro trimestre, o PCP olhava para os 1,7% e frisava que “o crescimento económico é inferior à previsão do Governo". Mais: segundo o comunista Paulo Sá, “este crescimento económico é insuficiente e não traduz uma melhoria das condições de vida dos portugueses, mas apenas uma acumulação de riqueza nas grandes empresas e nos grupos económicos".»

E pronto. Agora não me peçam para, à luz disto, explicar os resultados destas sondagens. Se insistirem, lá terei de responder que, se não é possível saber se um povo tem a oposição que precisa (só se vê depois), é indisputável que tem sempre o governo que merece.

17/08/2016

Os poderes mágicos do optimismo

«Afinal é este governo que acredita nos poderes mágicos do otimismo, porventura depois de terem lido meia dúzia de best sellers de autoajuda: se acreditares que vai correr bem, então vai correr bem. E, se não correr, a comunicação social amiga finge que sim e os papalvos dos eleitores pensarão que as suas desgraças individuais não se replicam pelo resto da população.»

«A ministra da festa cor-de-rosa e da reforma agrária», Maria João Marques no Observador

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (14)

Outras preces.

Devemos invejar o Japão, não por terem um PIB per capita PPP 40% superior ao português – afinal conseguem isso em parte à custa de serem vítimas do karoshi, mas apenas pelo facto prosaico do seu imperador Akihito só fazer declarações quando tem alguma coisa a comunicar. Desde 1989 só o fez duas vezes, a segunda para declarar que iria renunciar para se reformar por sentir já não dar conta do recado.

Talvez por isso os japoneses são tão produtivos, imagino. Se o imperador Akihito tomasse o exemplo do nosso presidente dos afectos que em qualquer manhã mais sossegada faz mais declarações do que Akihito em 30 anos, certamente os japoneses só poderiam ouvi-lo à custa de arruinarem a produtividade.

Se os portugueses não forem completamente tontos, as declarações do presidente Marcelo tenderão, gradualmente, a entrarem por um ouvido e saírem por outro, até um dia em que escutarão com muita ansiedade e redobrada atenção apenas os primeiros segundos da sua próxima declaração esperando, em vão (receio), ouvi-lo anunciar que irá seguir o exemplo de Akihito.

Lost in translation (276) – Estão a falar de países diferentes com línguas diferentes

Respondendo às críticas de Passos Coelho na sua homilia anual no Pontal sobre o esgotamento da geringonça e a estagnação da economia, António Costa ripostou ad hoc à entrada do quartel de bombeiros de Arouca (um local apropriado para ripostar) que não, não era nada disso, o seu governo estava a «reconstruir o país» e a fazer a «inversão da trajectória económica» e a oposição só anunciava desgraças, que aliás não se verificavam.

Para quem escreve todas as semanas uma Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça, as declarações de Costa foram uma surpresa. Por coincidência, quando li esta citação de Costa tinha acabado de ler o post «Aniversário do Plano Macroeconómico do PS» de O Insurgente do qual tomo a liberdade de reproduzir os diagramas, confiando que Confúcio saberia do que estava a falar se tivesse dito «uma imagem vale mais do que mil palavras», apesar de ter vivido sem televisão. Escrevo se tivesse dito, porque dizem os sinólogos, os caracteres que supostamente significariam isso na verdade significam outra coisa.

A reconstrução do país e a inversão da trajectória segundo Costa

Créditos: Insurgente

16/08/2016

ACREDITE SE QUISER: O Pedro do ano passado não é o Soares deste ano. A Constança é a mesma

Há quem tenha citado as críticas de um Pedro Soares de um Bloco de Esquerda à «incompetência do Governo (que) não pode encontrar justificação na meteorologia» por ter deixado arder não sei quantos milhares de hectares de floresta.

Ora acontece que o Pedro Soares do Bloco de Esquerda que produziu tais críticas não é o mesmo Pedro Soares do Bloco de Esquerda a falar sobre os incêndios deste Verão que o outro atribuiu à incompetência do governo. O Pedro Soares do Bloco de Esquerda que falou sobre os incêndios e os atribuiu à incompetência do governo é o Pedro Soares do Bloco de Esquerda do ano passado. O Pedro Soares do Bloco de Esquerda deste ano não falou sobre os incêndios e não falou porque não havia nada para falar, pois se os incêndios foram devidos à meteorologia.

Em contrapartida, a Constança Urbano de Sousa, professora da UAL no Verão passado, é a mesma Constança Urbano de Sousa, ministra da Administração Interna este Verão, que, segundo o JN, «quer incendiários a pagar custos do combate». Pode começar pelo retardado, drogado e desempregado, suspeito do fogo posto no Funchal.

Mitos (238) - O governo PSD-CDS e as PPP

Fonte: Pinho Cardão no 4R
«Esta ideia (a de que renegociação das PPP foi uma área onde o governo anterior falhou), tão generalizada na opinião pública portuguesa, é errada.

E é errada porque o necessário é impossível. O necessário seria não ter assinado tantos contratos ao longo de mais de uma década com pagamentos postecipados para um futuro que parecia longínquo mas que para nós, pagadores de impostos em anos de crise, se tornou presente. A ideia das PPPs, tão acarinhadas por alguns governos mas principalmente pelo de José Sócrates, era simples, nas mentes de políticos de vistas curtas. As PPPs eram obras públicas pagas com dívida que não ficava registada nas contas do estado mas sim nas contas do parceiro privado. Nós fazemos a festa antes das eleições, quem vier depois de nós que pague a conta. Publica-se um défice razoável e enganador porque a verdade ficou escondida nos livros de contabilidade de uma sociedade veículo qualquer. Compramos votos hoje a pagar com impostos futuros.

Continue a ler «O Necessário é Impossível» no Blasfémias.

Chávez & Chávez, Sucessores (50) – Realizações do socialismo bolivariano (actualização)

Outras obras do chávismo.

Ler no NYT
É este o modelo da geringonça, ou pelo menos de 2/3 dela.

15/08/2016

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: «Atribuir a culpa do nosso insucesso a outros guia-nos ao próximo fracasso»

«Pois é. Tendo a crer que, três décadas passadas, não mudámos muito. Telma, e regresso à sua autobiografia, escreve que “atribuir a culpa do nosso insucesso a outros guia-nos ao próximo fracasso”. Se ela o tivesse feito, há muito que teria desistido, pois não pode vencer sempre e cometeu muitos erros. Mas sabemos que não desistiu, e estas palavras valem tanto mais quanto é verdade que quando acabava de escrever o seu livro estava também a recuperar de mais uma operação ao joelho e o que tinha por mais incerto era conseguir regressar ao topo a tempo dos Jogos Olímpicos. Conseguiu, para bem dela e de nós todos.

Mas nós todos é que não somos assim. Passamos mesmo a vida a fazer o contrário do que ela aconselha. A crise do país não foi culpa do nosso governo de então, foi da crise internacional – disse-se isso na altura e continua-se a repetir hoje. A crise do endividamento privado não resultou de decisões de quem quis comprar aquilo para que não tinha dinheiro, mas apenas produto dos maliciosos bancos, que andaram a atazanar as pessoas.

O crescimento que nos prometeram não regressou, mas já estamos a ouvir as desculpas: a culpa é do governo anterior, pois o abrandamento vinha detrás; ou então a culpa é de Bruxelas, que obrigou a mudar o orçamento; ou ainda a culpa é dos juros baixos (como podia ser dos juros altos) ou do petróleo barato (como podia ser do petróleo caro).

A nossa floresta voltou a arder? A culpa é de quem não limpa as matas, como antes foi dos madeireiros, ou dos reaccionários, ou das celuloses, ou da falta de meios. Nunca é de quem podia ter mudado as políticas há dez anos e não o fez.

Temos sempre um motivo para choramingar. Há mais turistas e centenas de obras de reabilitação nas cidades históricas? Ai meu deus que os alugueres estão a ficar caros. Há empresas que inovam, da Uber aos rapazes dos tuk-tuk? Aqui del-rei que o negócio dos taxistas está pelas ruas da amargura. Os exames nos vários graus de ensino revelam debilidades que não gostamos de ver? Acabe-se com os exames, não fiquem as criancinhas traumatizadas.»

«O país da choraminguice. E o país de Telma Monteiro», José Manuel Fernandes no Observador

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (44)

Outras avarias da geringonça.

Começo pela anunciada segunda visita de Costa a Tsipras para discutir a reestruturação da dívida e remeto para este post de ontem que me dispensa de mais comentários.

E, por falar em reestruturação da dívida, da qual mais de 12 mil milhões é detida pelo FEFSS, vem a propósito lembrar que os funcionários públicos contratados nos últimos anos estão abrangidos pelo regime geral da SS pelo que a CGA deixou de ter novos subscritores e, em consequência, o número de pensionistas já ultrapassou o número de activos e a CGA passou a ser um esquema Ponzi em estado puro - dentro de alguns anos acontecerá o mesmo ao regime geral. Dir-se-à que isto não tem nada a ver com a geringonça, mas passa a ter porque o PS foi governo a maior parte dos últimos 42 anos e todos os parceiros da geringonça metem a cabeça na areia e negam a insustentabilidade da SS ou, o que é a mesma coisa, dizem que criarão novos impostos para a financiar.

14/08/2016

SERVIÇO PÚBLICO: Algumas perguntas sobre a segunda visita de Costa a Tsipras

Segundo o semanário SOL, António Costa vai estar a 9 de Setembro em Atenas com Tsipras, Hollande e Renzi para discutir uma «agenda alternativa às políticas de austeridade impostas por Bruxelas por pressão dos estados da Europa do norte». Um dos pontos da agenda é, sem surpresa, a reestruturação da dívida ou, mais precisamente, a reestruturação da dívida é a agenda, o resto é só para compor.


Primeira pergunta: que reestruturação que estará em causa? O perdão da dívida? A Grécia já teve o seu perdão de mais de 100 mil milhões de euros em 2011. Redução dos juros? Portugal e a Grécia já o tiverem por várias vezes e pagam hoje taxas muito mais baixas do que antes da crise financeira. Reescalonamento das maturidades? Portugal e a Grécia já o tiverem por várias vezes.

Segunda pergunta: também são para reestruturar os mais de 100 mil milhões de euros detidos pelos bancos portugueses, pelo Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) e por particulares portugueses?

Terceira pergunta: em particular, também são para reestruturar as duas emissões de OTRV de 750 milhões de Maio e 1,2 mil milhões de Agosto destinadas a particulares portugueses e subscritas por muitas dezenas de milhares de famílias?

Quarta pergunta: aquele pateta que está hoje no governo e que há 5 anos disse: «Estou marimbando-me para os bancos alemães (…) Ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos a dívida” e se o fizermos “as pernas dos banqueiros alemães até tremem”» já terá percebido que os bancos alemães se estão marimbando para ele e para a dívida portuguesa de que detêm uma parte ínfima e as pernas que tremeriam são as dos banqueiros portugueses, dos contribuintes portugueses que pagariam o resgate dos bancos portugueses e dos pensionistas portugueses que veriam evaporar-se uma parte significativa das reservas da segurança social?

Mitos (237) - O problema do fundamentalismo islâmico não são os infiéis, são os islamitas

"Um intelectual é tão frequentemente um imbecil que devíamos sempre, à partida, tê-lo como tal, até que tenha provado o contrário
Georges Bernanos
1. Não há dois Islāos. Está tudo no mesmo, a face tolerante e a intolerante, guerreira e sanguinária. Há um só Islão, que os muçulmanos — e só eles, não “nós”, não o “outro” — têm de libertar do que contém de obscurantista, obsoleto e intolerável.

Ignorarmos ou fingir que a tragédia do Islão e dos muçulmanos não é marcada por essa dimensão religiosa só contribui para adiar a consciência e prolongar a passividade relativamente a uma realidade que os muçulmanos têm de enfrentar.

Se o Islão não contivesse essa dimensão de intolerância, violência e guerra santa, não era possível a fanatização em massa a que se assiste. É essa dimensão de um Islão desde sempre refém de poderes e ambições políticas, que que seja usado por líderes, bem esclarecidos e pragmáticos esses, com projectos políticos coerentes e historicamente sustentados. Um desses projectos sempre recorrente é o sonho fantasmático do regresso ao califado. É à luz dessa ambição e desse projecto que se pode compreender toda o quadro da guerra na Síria, no Iraque e na Líbia conduzida pelo Exército Islâmico e a atracção de tantos combatentes às suas hostes.

(...)

Continue a ler «Que fazer com o Islão?», um corajoso artigo contra a corrente de Guilherme Valente no Observador

13/08/2016

Chávez & Chávez, Sucessores (49) – Realizações do socialismo bolivariano (actualização)

Outras obras do chávismo.

A caminho da sociedade socialista (versão bolivariana)


Fonte: Economist

ESTADO DE SÍTIO: Habituem-se (4)

Uma sondagem  Eurosondagem do regime para o semanário do regime

Se, apesar deste aviso e deste lembrete e deste alarme, ainda pensais que, numa bela manhã de nevoeiro, o povo, percebendo que a governação da geringonça nos levará a percorrer um caminho já quase familiar de corda ao pescoço de novo até Bruxelas, se levantará como um só homem, perdão, como uma só pessoa do «género» humano, abdicando deste saboroso e distendido intermezzo e da renovação do living room, das férias nas Caraíbas, da troca do chaço, da substituição do hifi, do ipod, do iphone e do ai o caraças que aí vem a troika outra vez, se levantará, dizia eu, em poderosas manifs semelhantes às cariocas e paulistas, se não no clima pelo menos no ímpeto, exigindo a impugnação da geringonça, se ainda pensais, dizia eu, é melhor aproveitardes as ganas para renovardes o living room, trocardes chaço, o hifi, o ipod, o iphone e o ai o caraças porque, se vier aí a troika, deixai-a vir, depois logo se vê.

12/08/2016

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: O Leónidas do século XXI

Secção Still crazy after all these years

Ontem Michael Phelps facturou a sua 13.ª medalha de ouro individual nos 200 m livres ultrapassando assim qualquer ser vivo e até mesmo os mortos. Leónidas de Rodes que participou em 4 Olimpíadas, só ganhou 12 medalhas de ouro, as últimas há 2.168 anos.

Leva 5 afonsos e uma entrada directa para o Olimpo.


Quem também merece uma medalha é o ex-ministro da Economia, ausente em parte incerta, Manuel Pinho - o dos corninhos -  que há 8 anos apareceu numa foto montada na primeira página do DN na companhia do Leónidas.

ESTÓRIA E MORAL: Se pára de se mover, subsidia-se

Estória 

Era uma vez uma cidade com um centro histórico degradado, casas em ruínas de proprietários sem dinheiro para as recuperar por décadas de rendas fixadas administrativamente. Gradualmente, as coisas foram mudando e muitas dessas casas foram compradas por gente com iniciativa que as recuperou e as começou a utilizar para aluguer de curta duração a turistas, aproveitando o afluxo de estrangeiros, que em parte temos de agradecer ao fundamentalismo islâmico que os afastou doutros destinos.

Passado algum tempo, o governo do país onde se situa essa cidade, pressionado pelos partidos apoiantes que não gostam de iniciativas e, sobretudo, não gostam de gente que ganhe dinheiro com as iniciativas, anunciou que vai fixar uma quota aos proprietários de casas com aluguer de curta duração para reservarem uma parte não especificada para o aluguer de longa duração.

Moral

«A visão do governo sobre a economia pode ser resumida em poucas frases curtas: 'Se se movimenta, taxa-se. Se continua a movimentar-se, regula-se. Se pára de se mover, subsidia-se'.»

Conversa fiada (17) – Manobras de diversão que são insultos à inteligência

A coisa é tão parva que só pode ter sido encomendada pelo chefe Costa para distrair o povo das viagens do SE dos Assuntos Fiscais por conta da Galp e do agravamento solar do IMI. Antes dos incêndios, claro, porque agora já não faltam distracções.

O ministro Adjunto, Eduardo Cabrita, declarou enfaticamente que a geringonça iria corrigir uma gravíssima falha do governo anterior, a saber: «as isenções automáticas de IMI atribuídas a quem tem baixos rendimentos permitiram que estrangeiros e emigrantes sem rendimentos em Portugal deixassem de pagar, só em abril, 57 milhões de euros deste imposto às câmaras».

O jornalismo de causas correu a propalar esta gravíssima injustiça sem se dar ao trabalho de constatar que a isenção de IMI por baixos rendimentos (até 15.295 euros por ano) só se aplica aos imóveis com valor patrimonial tributário até 66.500 euros. Fica assim por explicar quem serão os estrangeiros e emigrantes cheios de grana interessados em comprar um T0 na Reboleira com valor patrimonial tributário até 66.500 euros.

11/08/2016

A mentira como política oficial (19) - O milagre das 35 horas

Uma boa gestão dos recursos humanos iria garantir que da redução do horário para 35 horas semanais não resultariam mais contratações nem aumento da despesa, foi a lengalenga que Costa e Centeno nos contaram durante vários meses.

Nem os próprios terão acreditado nesta treta como agora se veio a saber. Desde Março o governo dispõe de um estudo sobre o impacto da redução estimando que um quarto das entidades públicas precisará de reforçar os efectivos e «o Executivo vai responder a estas necessidades com contratados a prazo, tendo de garantir 3.621 empregos na Saúde e na Educação. [..]  na Educação serão renovados 2.621 contratos que terminavam no final deste mês. Na Saúde serão contratados “de forma faseada” mil novos enfermeiros. Na Justiça, o Governo preferiu aumentar as horas extraordinárias, revela o memorando sobre o impacto das 35 horas

Sem surpresa, o MF manda dizer que bla bla bla isso não terá consequências na execução orçamental. Podemos apostar singelo contra dobrado que todas estas previsões sairão furadas.

Chávez & Chávez, Sucessores (48) – Realizações do socialismo bolivariano (actualização)

Outras obras do chávismo.

Algumas medidas, talvez inspiradas por el pajarito, que o regime socialista-bolivariano comandado por Nicolás Maduro, o herdeiro do coronel Chávez, tomou para combater a fome no país que tem as maiores reservas de petróleo do mundo:

  • Aumentou o preço da gasolina em 1.500% e desvalorizou o bolívar em 300%. O dólar cambial passou de 6,30 a 10 bolívares
  • Criou o Ministério do Poder Popular para as Comunas e a Agricultura Urbana. Propôs a criação de "galinheiros verticais". Consiste em criar animais em casas particulares.
  • A mesma ideia aplica-se aos produtos agrícolas. Os venezuelanos devem criar hortas verticais para consumo privado.
  • Criou Comités Locais de Abastecimento e Produção (Clap) que distribuem comida a quem está afiliado no Partido Socialista da Venezuela. Os privilegiados queixam-se que têm cada vez menos comida
  • Decretou trabalhos forçados. As empresas públicas e privadas são obrigadas a ceder trabalhadores para irem para o campo produzir alimentos
  • Militarizou a economia ao dar o controlo dos Clap ao ministro da Defesa, que tutela a Grande Missão de Abastecimento Soberano e Seguro.Há relatos de militares que confiscam alimentos

(Fonte: Observador)

Recordemos a propósito que temos em Portugal e na Espanha dois partidos admiradores da autocracia venezuelana que se, tivessem oportunidade, fariam dos dois países Venezuelas sem petróleo: Bloco de Esquerda e Podemos.

10/08/2016

CASE STUDY: Um imenso Portugal (34)

[Outros imensos Portugais]

Enviado por JARF
Evidentemente que é uma paródia e vale o que vale uma paródia. É claro que o dinheiro correspondente ao défice deixado pelo PT não se evaporou - foi enterrado em elefantes brancos e nos bolsos da rede de corrupção montada pelo PT de onde saiu para pagar gastos sumptuários, isto é consumos que, segundo as teorias vigentes na Mouse School of Economics, fazem crescer a economia.

Já o ouro trazido pelos portugueses foi de facto extraído aos brasileiros e teve mais ou menos ou mesmo destino: elefantes brancos, que com uma pátina de 400 anos são considerados monumentos nacionais, e sustento de uma corte ociosa e parasitária.

Em 1926, quando caiu a 1.ª República os cofres estavam vazios. Em 48 anos o salazarismo deixou à democracia em herança cerca de 866 toneladas de ouro - deve ser a isso que a esquerdalhada chama «pesada herança do fascismo» - por coincidência uma quantidade comparável à que o Portugal colonial extraiu do Brasil. Durante os 42 anos seguintes, o Estado sucial vendeu cerca de 60% da herança.

Dúvidas (170) - Será a anti-mafia italiana mafiosa?

Italy’s anti-mafia: All in the family

«Members of Italy’s anti-mafia groups are among the most respected people in the country. Yet they are now under investigation themselves. Judges, businessmen and members of civil-society groups have been accused of taking bribes, extortion and misusing public funds. The drive to purge the anti-mafia movement of undesirable elements should help restore public confidence, writes our Italy correspondent»

Mitos (236) - A lengalenga do politicamente correcto sobre a vitimização do «afro-americano» resiste mal aos factos

A eterna vitimização do negro

«O típico videoclip de hip-hop é assim: um cantor negro e os seus amigos andam pelas ruas acenando Glocks, 38s e Magnums enquanto dão palmadinhas em bundas ao léu. A instrumentalização machista do corpo feminino e a glorificação das armas estão no centro da canção negra por excelência. Portanto, quando se fala em armas nos EUA, convém perceber que a cultura do gatilho feliz não é exclusiva dos brancos, dos hillbillies, dos sulistas confederados. Os negros também têm a sua NRA, chama-se hip-hop. O curioso é que é raríssimo ouvirmos algum americano do mainstream mencionar esta evidência da cultura negra. Se criticar um muçulmano ou um determinado aspeto de comunidades muçulmanas, um indivíduo corre o risco de ser rotulado de "islamofóbico". Se criticar um negro ou um determinado aspeto da cultura negra, o risco é maior, porque o rótulo será mais simples e corrosivo, "racista". O exercício que vou fazer de seguida também só pode ser "racista" aos olhos da narrativa vigente.

Todos os dias ouvimos falar nos números que provam que a polícia americana é racista. Mas será mesmo assim? Metade dos mortos em tiroteios com a polícia são brancos, a outra metade é composta por todas as minorias; contudo, se compararmos o rácio entre mortos e o peso demográfico de cada comunidade, vemos que um negro tem 2,5 mais chances de ser morto pela polícia do que um branco. Este segundo dado estatístico é jogado aos céus todos os dias. Sucede que a montante deste dado encontramos outros factos menos comentados: a taxa de crimes violentos é muito mais elevada entre negros do que em qualquer outra comunidade. 40°/o dos agentes do FBI abatidos em serviço foram baleados em confrontos com negros, quando os negros representam apenas 13% da população geral. Nos 75 maiores condados dos EUA, 57% dos assassinatos foram executados por negros, quando a comunidade negra representa apenas 15% da população geral desses condados.

Uma professora do Manhattan Institute, Heather Mac Donald, autora do livro "The War on Cops", estudou estes e outros números que tornam a realidade um pouco mais complexa do que a narrativa maniqueísta do Black Lives Matter. Querem mais exemplos? Ainda há dias, José Manuel Fernandes mencionou este dado: em 2014, 6.065 negros foram vítimas de homicídio, contra 5.397 vítimas das restantes comunidades. A quase totalidade dos negros foi assassinado por outros negros. Portanto, o problema está muito longe de ser a "polícia racista". O problema é que a cultura de violência é muito mais forte junto de negros do que junto de brancos, hispânicos, indianos, coreanos, etc. Resta saber porquê. Racismo? Talvez. Mas aqui temos de alertar para dois pontos. Primeiro, o racismo não é monopólio dos brancos, também há racismo entre hispânicos e negros, asiáticos e negros. Segundo, se o racismo é uma causa, porque é que os hispânicos e asiáticos não são tão violentos como os negros? Antes de apontar o dedo ao sistema (e há muito para apontar), a comunidade negra devia fazer uma autocrítica, que podia começar, por exemplo, pela recusa do próprio conceito de "comunidade negra" ou de "afro-americano". Porquê o afro? Porquê esta insistência na divisão da sociedade em tribos?»

Henrique Raposo, no Expresso

09/08/2016

DIÁRIO DE BORDO: já dei que chegue para o peditório dos incêndios (mas continuo sem juízo)

Com mil desculpas, retorno a este enfastiante tema que todos os anos parece exaltar os mídia portugueses. Antes de prosseguir, confesso que a causa próxima desta minha recaída foi este artigo de João Miguel Tavares, um jornalista com quem costumo estar de acordo, que pretende tirar consequências de um estudo da UE sobre incêndios florestais nos países da bacia do Mediterrâneo que, em minha opinião, não podem ser tiradas.

Não se pode comparar a percentagem de área ardida em Portugal com as correspondentes percentagens totais de Espanha, França, Itália e Grécia. Basta olhar para uma carta de curvas isotérmicas no Verão para constatar que o norte da Espanha e a maior parte da França jogam noutro campeonato.

Isotérmicas em Julho (fonte)
Se considerarmos o tipo de floresta, onde em Portugal predominam pinhais e eucaliptais, então teremos de concluir ser absolutamente natural que Portugal tenha mais incêndios e uma área ardida proporcional muito superior. Por isso, convocar «todos os ministros do Ambiente e ministros da Administração Interna (António Costa incluído) que ocuparam os cargos entre 2000 e 2013» não deve servir de muito.

Antes de prosseguir sobre o tipo de florestação, façamos um ponto de situação dos incêndios florestais para concluir que não há nada para concluir, a não ser a influência de meteorologia.

Fonte: Relatório ICNF

Chegado aqui, espero merecer a benevolência do leitor, por vir, pela quarta vez, publicar um post com 13 anos, que espero esclareça a outra vertente do problema: o tipo de florestação.

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (LVII) – A Grécia ainda existe?

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

Para quem só segue os mídia portugueses, parece que desde Setembro do ano passado, quando se realizaram as segundas eleições e o governo Syriza-Anel aceitou medidas mais duras do que as recusadas anteriormente, a Grécia foi gradualmente obliterada das notícias, com excepção do período em que Costa para afagar o ego berloquista (equivocou-se porque já nessa altura o BE tinha descolado do Syriza) foi a Atenas prestar tributo a Tsipras. Não admira, se nos lembrarmos que os mídia portugueses estão infestados de jornalistas de causas que nos tentaram vender durante nove meses o approach grego à crise, para fugirem dele como o diabo da cruz, quando se tornou impossível esconder os resultados.

Recordemos, pois, o que se vai passando na Grécia pelas palavras de Alexis Papachelas, editor do ekathinerini, num artigo significativamente titulado «Doubly deceived»:

«Politically speaking, many people were deceived, both by the current administration as well as a group of center-right politicians. While the former promised the world, the latter went against their own government, reassuring everyone that an administration led by Alexis Tsipras would be a painless and positive experience. Now the victims of the crisis, people who belonged to the former middle class, are not sure with whom they should be more angry. Their finances have been exhausted, while at the same time they are experiencing the speedy decline of a country becoming accustomed to lower standards across all vital sectors. They never thought that Greece would reach such a state of decay.»

08/08/2016

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (43)

Outras avarias da geringonça.

«Quem te avisa teu amigo é». A geringonça não aprende com a sabedoria popular e continua com os mesmos não amigos a que vai juntando novos, como o comissário europeu Günhter Oettinger que mandou dizer que a «ameaça de corte nos fundos estruturais do orçamento europeu é séria» e que devemos pôr as contas em ordem «com urgência».

A UTAO, um dos antigos não amigos, vem outra vez desmentir o governo, que prometeu mais medidas em troca da não sanção e acrescenta que, não só tem de aplicá-las no equivalente a 0,25% do PIB este ano, como ainda terá de aplicar medidas adicionais no caso de haver desvios (you can bet on that). Desvio que a própria UTAO já antecipou ao estimar em 2,88 mil milhões o défice do primeiro semestre em contabilidade nacional, que é o que importa para Bruxelas, colocando o défice do ano acima de 3% do PIB e muito acima da meta dos 2,5%. A isto o governo responde pela boca da S-G Adjunta do PS: são «fantasmas sobre a realidade económica do país» - tomemos nota para memória futura.

Curtas e grossas (35) «A antiga quarta classe valia quase uma licenciatura de hoje»

Quem disse tal coisa não foi um sujeito frustrado que, por erros seus, má fortuna, se ficou pela quarta classe. Quem disse, em entrevista ao jornal SOL, foi Jorge Calado, uma luminária licenciada em engenharia química pelo IST, doutorado em Oxford, professor na universidade de Cornell (Cornell nos EUA e não Cornwell no RU), melómano, fotógrafo amador, colunista habitual do Expresso, entre outras coisas. Ele deve saber do que fala.

É claro que há várias razões para isso, a principal das quais é a banalização dos graus académicos que no caso português foi agravada pelo processo de Bolonha que visava permitir aos jovens universitários chegar mais cedo ao mercado de trabalho mas na sua aplicação às universidades portugueses perdeu-se pelo caminho o grau de bacharelato, muitas licenciaturas encolheram para 3 ou 4 anos e nas equivalências das que já tinham 4 ou 5 anos conseguiu-se em muitas universidades uma equivalência ao mestrado com umas cadeirinhas suplementares ad hoc. Com este processo de Bolonha à portuguesa, filho ilegítimo das obsessões harmonizadoras da UE e da chico-esperteza nacional, bacharéis são promovidos a licenciados, licenciados são promovidos a mestres e, já agora, os mestres serão promovidos a doutores e os doutores ambicionam um pós-doc.

Declaração de interesse: apesar de erros meus, má fortuna, fiz uma licenciatura nos tempos do fascismo (enquanto trabalhava para me sustentar e à família) e suspeito que Jorge Calado é bem capaz de estar (quase) certo.

07/08/2016

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (13)

Outras preces.


Segundo o levantamento do Expresso, derramado em 2-páginas-2 broadshit broadsheet do caderno principal, o presidente Marcelo em cinco meses já se agitou o suficiente para encher um mandato, ouso dizer dois mandatos. Ora, vejamos:
  • Percorreu 13 mil km de automóvel e visitou 53 locais em Portugal
  • Voou 35 mil milhas e visitou 12 cidades estrangeiras
  • Teve freguesia para 121 audiências em Belém
  • Fez 23 inaugurações 
  • Pendurou 67 condecorações 
  • Foi objecto de 55 mil notícias
  • Ocupou 1,5 mil horas na TV
Pela minha parte está dispensado, pode descansar o resto do mandato e desistir do segundo.

ARTIGO DEFUNTO: O jornalismo de causas ao serviço da geringonça


Primeiro o departamento de propaganda trombeteou através dos jornalistas amigos que a «providência cautelar interposta pelo Colégio Senhor dos Milagres foi julgada improcedente pelo Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Leiria».

Depois, o Tribunal de Coimbra decidiu a favor dos colégios várias providências cautelares, o ministério da Educação «deduziu incidente de suspeição do juiz titular dos autos» e vários jornais acusaram o juiz Tiago Lopes Miranda de conflito de interesses por ter decidido a favor dos colégios, um deles frequentado por uma filha. Como não podia deixar de ser, também o Sindicato dos Professores da Região Centro disse suspeitar da parcialidade do juiz.

Vale a pena ler, pelo menos o que o Público escreveu a este respeito, onde começa assim uma das várias peças que dedicou ao assunto:
«Anti-aborto, católico e com seis filhos, entre os 14 e os 29 anos, o juiz que o Ministério da Educação não considera isento para decidir da questão dos colégios começou a sua carreira judicial do lado do Ministério Público. Nascido há 54 anos em Coimbra, no seio de uma família também apegada à religião, (…) Um opúsculo dedicado à sua família e editado pelo Movimento Rotário no ano seguinte conta que casou com uma professora de educação moral e religiosa católica, “tendo o matrimónio sido abençoado com seis filhos”. “Foi a fé que acabou por nos unir” (…)»
Estão lá os vómitos característicos do jornalismo de causas num estilo que não envergonharia o Diário da Manhã dos tempos do salazarismo, mutatis mutandis: onde está anti-aborto estaria pró-aborto, onde está católico estaria anti-cristo, onde está Movimento Rotário estaria MUD/oposição/CDE/etc. tudo temperado com insinuações de ligação aos comunistas.

Nos dias seguintes a poeira assentou e ficou a saber-se:
  • A juíza do Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria que indeferiu uma providência cautelar interposta pelo Colégio Senhor dos Milagres «foi dirigente e fez parte de Governos do PS»;
  • O juiz acusado de parcialidade não tinha filhos a estudar em nenhum dos colégios em que interveio e o Jornal de Notícias, que tinha referido o conflito de interesses na sua primeira página, viu-se compelido fazer uma nota da Direcção onde se desculpa por ter agido «de boa-fé, acreditando numa fonte ligada ao governo, que reputava de credível». 

06/08/2016

CASE STUDY: A economia é o que o homem quiser

Alguém terá dito que a economia é a ciência que nos permite fazer previsões e explicar com toda a segurança porque falham. Será isso e muito mais, como vários exemplos recentes evidenciam. É também a «ciência» que nos permite «explicar» o passado porque, Orwell dixit, «quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado».

A um dos exemplos recentes já aqui fiz referência: o estudo conduzido pelo professor Louçã, esse farol da economia de causas, que sem troika o défice seria zero. Não se riam porque se olharmos para o fundo da coisa a criatura até é capaz de ter razão. Pois não é verdade que sem troika e sem dinheiro para pagar as importações em dois ou três anos ficaríamos em estado de inanição e, com uma grande naturalidade, o défice poderia ser zero?

O outro exemplo é também um estudo encomendado, desta feita por Ricardo Salgado, realizado por «investigadores do ISEG» com um método inventado por «um professor de Harvard» onde se demonstra que sem resolução do BES «a economia portuguesa teria crescido pelo menos 2% no último ano, acima dos 1,5% de crescimento do PIB que foi registado e até da média da zona euro e da União Europeia». Não se riam, outra vez, porque as 3 luminárias do ISEG poderão ter razão. Pois se a resolução do BES consistiu em considerar incobráveis uns milhares de milhões de euros que eram irrecuperáveis, se mantivéssemos a ficção que seriam recuperáveis continuaríamos a pensar que teríamos um dinheiro que na verdade não tínhamos mas, para o caso, o que importa é pensar que se tem o que nos permitiria continuar a consumir e, como se sabe, do consumo nasce o crescimento.

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (9.º capítulo)

Dada a profusão de doenças amplamente documentada aqui no (Im)pertinências afligindo a multidão de sofredores portugueses (entre os quais se incluem os médicos vítimas do burnout), poder-se-ia pensar não haver maleita que não nos afligisse.

Mais devagar. Há o karoshi que mata cada vez mais gente no Japão e que não fez até hoje uma só vítima entre nós. Aposto que nunca fará, pelo menos entre os funcionários públicos.

05/08/2016

A doutrina Somoza na prática política de comunistas e bloquistas

«PCP considera que as viagens do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais pagas pela Galp são uma “atitude criticável”. O Bloco de Esquerda vê a situação como “eticamente reprovável”», citou o Expresso.

O PCP, desde sempre, e o BE, desde que o professor Louçã criou a marca, pediram vezes sem conta, babando-se de indignação, pelos motivos mais triviais, a demissão de todo o bicho careta que passou por qualquer dos governos anteriores ao da geringonça.

Apesar dessa tradição, neste caso de claríssimo conflito de interesses na aceitação pelo SE dos Assuntos Fiscais de uma oferta de uma empresa que tem um diferendo fiscal de 100 milhões, os primeiros entendem que a demissão «é uma decisão do governo» e os segundos subitamente atacados de pudor «não fazem sugestões públicas desse cariz ao Governo» (veja-se aqui a lista de «BE pede demissão…» que o Insurgente inventariou).

É mais um caso prático da doutrina Somozahe may be a son of a bitch, but he's our son of a bitch»).

SERVIÇO PÚBLICO: «Se a questão decisiva da economia portuguesa é saber por que não cresce o investimento, qual a razão dessa terrível situação?»

«Ora os valores do investimento dão os sinais mais aterradores, nunca vistos na nossa economia. Depois da maior queda da história registada, que o reduziu quase a metade (contraiu 42% do terceiro trimestre de 2001 ao primeiro de 2013), seguiu-se uma recuperação medíocre e insuficiente. Apesar de a economia estar a crescer desde 2013 e a taxa de desemprego ter descido cinco pontos percentuais, de 17,5% para 12,4%, o investimento total caiu em cinco dos últimos treze trimestres e registou uma taxa homóloga -0,6% no princípio deste ano. Acumulado, só subiu 13% desde o início de 2013. O seu peso no produto, que andava acima de 30% nos anos 1970, era de 25% quando entrámos na CEE em 1986 e 28% quando entrámos no euro em 1999, anda agora pelos 15%. Valores assim são evidentemente inferiores aos mínimos que permitem manter o stock capital. Podemos pois dizer com segurança que Portugal está a desinvestir em termos líquidos desde 2011, deixando degradar a capacidade empresarial instalada.

[...]

Mas afinal, se a questão decisiva da economia portuguesa é saber por que não cresce o investimento, qual a razão dessa terrível situação? A resposta está precisamente no enviesamento dos debates e temas que ocupam as autoridades. Quem é que, português ou sobretudo estrangeiro, quererá investir num país com esta governação? Os empresários não são estúpidos e sentem bem o clima político. Num mundo globalizado é difícil um país atrair empreendimentos de valor, mesmo quando se empenha nesse sentido. Quando se ignora a questão, dedicando-se a distribuir benesses que ainda não foram produzidas, os investimentos não só não vêm, mas até se perdem os que se tinham. Assim não é difícil explicar por que o investimento não cresce. Estranho é que ainda exista algum.»

Excerto de «A pergunta decisiva», João César das Neves no DN

Massajando as meninges dos leitores

Como se fosse pouco o material jornalístico enviesado, publicado em papel e online, com a moda dos emails com notícias surgiram novas oportunidades de massajar as meninges dos leitores. Ontem citei aqui a «anteVisão» da Visão, hoje cito o Expresso Curto de ontem do mesmo grupo, a propósito da situação política espanhola:
«O mais curioso (esquizofrénico, até) é perceber que o PP, envolvido em escândalos de corrupção e apropriação indevida de fundos que tocam inclusivamente no líder, continua a ser o mais votado e o que mais deputados elege - o que diz mais do PSOE do que do PP.»
E interrogo-me se o jornalista que escreveu a peça também teria ficado esquizofrénico por após 4 anos a enterrar o país, e já com inúmeros casos de suspeita de corrupção do seu líder, o PS de José Sócrates ter conseguido nas eleições de 2009 continuar a ser o mais votado e o que mais deputados elegeu. E ainda, após mais 2 anos em que levou o país à bancarrota, o PS ter conseguido ser o segundo mais votado e, até sair do governo, José Sócrates ter tido um saldo positivo de opiniões.

E, já agora, ainda não dei conta que o jornalista em causa tenha fica esquizofrénico após 6 meses de governo da geringonça a aldrabar os eleitores, Bruxelas e os seus aliados, o sucessor de Sócrates continuar com um saldo positivo de opiniões e o PS manter as intenções de voto.

O amigo do seu inimigo não é necessariamente seu inimigo (a menos que você seja maoísta)

Como que um contraponto deste post.

Uma primeira dúvida: para os detractores da democracia a nomeação e a eventual eleição de uma criatura como Donald Trump, capaz de «a series of brutish and moronic gaffes», como sobre ele escreveu o Economist Espresso, reforça o seu repúdio por esse regime? Regime que é o pior com excepção de todos os outros, acrescentam os seus defensores.

Uma segunda dúvida: o que poderá levar um profissional talentoso do cinema, conservador inteligente e sensato como Clint Eastwood a declarar que em alternativa a Hillary Clinton votará num sujeito insensato, populista, demagogo e politicamente perigoso? É melhor ouvi-lo na entrevista à Esquire:

«But he's onto something, because secretly everybody's getting tired of political correctness, kissing up. That's the kiss-ass generation we're in right now. We're really in a pussy generation. Everybody's walking on eggshells. We see people accusing people of being racist and all kinds of stuff. When I grew up, those things weren't called racist. And then when I did Gran Torino, even my associate said, "This is a really good script, but it's politically incorrect." And I said, "Good. Let me read it tonight." The next morning, I came in and I threw it on his desk and I said, "We're starting this immediately."»

04/08/2016

Lost in translation (275) – NIMBY ou obsoleta é a jornalista

Pergunta-se num email de «anteVisão» enviado a propósito do próximo número da Visão dedicada às plataformas de petróleo no Algarve, «estamos mesmo preparados para vir a conviver, em breve, com as plataformas de petróleo e gás natural?», pergunta que nunca foi feita aos que por esse mundo fora convivem com as plataformas para nos venderem o combustível com que circulamos nas nossas briosas auto-estradas, cozinhamos as nossas comidinhas e aquecemos as nossas casinhas.

A acrescentar à pergunta inspirada no princípio NIMBY (Not In My Back Yard), muito do gosto das luminárias solidárias com o resto do mundo, incentiva-se o leitor a perceber «os malefícios ambientais da obsoleta técnica de fraturação hidráulica (fracking)». Dando de barato os malefícios ambientais do fracking, que nada faz crer sejam mais maléficos do que os da extracção pelos processos convencionais em terra e no mar, chamar obsoleta a uma técnica que em termos operacionais foi a última a ser usada intensivamente é menos adequado do que chamar obsoleta à jornalista que escreve tais dislates.

BREIQUINGUE NIUZ: Se os seus não funcionam, não se preocupe. Um dia vai poder comprar outros


Subitamente, ontem de manhã, a IBM veio dizer-nos que aquelas coisinhas cinzentas que alguns de nós têm nos miolos vão deixar, um dia talvez não muito distante, de fazer falta e que qualquer monte de lata pode ter neurónios melhores do que os nossos (enfim, melhores do que os neurónios de alguns de nós). Ora leia-se o resumo no Daily Dispatch da Economist:

Artificial neurons: No-brainer
Scientists have long dreamed of recreating the human brain. This morning researchers at IBM announced that they had built a working artificial version of a neuron, the spindly, highly interconnected cells that do most of the heavy lifting in the brain. The architecture of neurons is already simulated for complex computing; physical versions baked into chips would offer faster and cheaper processing, writes our science correspondent.

Ou leia-se o artigo completo.

SERVIÇO PÚBLICO: A globalização está a chegar ao terrorismo islâmico

Para quem tenha estado distraído e imagine que o fundamentalismo islâmico é um tigre de papel e que os atentados que têm flagelado a Europa se vão evaporar como o presidente Marcelo evapora crises (bom, na verdade, as crises de que fala o presidente Marcelo também não se evaporaram a não ser nas presidenciais meninges), será melhor pensar duas vezes.

Para ajudar, pode ler «How a Secretive Branch of ISIS Built a Global Network of Killers» um longo artigo do New York Times de uma dúzia de páginas A4, baseado numa entrevista a um recrutado pelo Estado Islâmico preso em Bremen, de onde se conclui que a prioridade desta organização terrorista deixou de ser construir um Estado autónomo na Síria e passou a ser semear atentados terroristas um pouco por todo o mundo, com prioridade na Europa e especialmente Reino Unido e Alemanha, usando o seu staff local. De onde, ver com o coração a questão dos refugiados, como nunca deveria ter sido vista, passará a ser uma visão irresponsável.

03/08/2016

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: De como o anti-salazarismo de ontem produziu os novos situacionistas de hoje

«O estatuto de anti-salazarista tornou-se num dos maiores paradoxos da democracia portuguesa: o facto de se ter feito equivaler anti-salazarismo a combate pela liberdade levou a que terroristas, ladrões, violadores e orgulhosos servidores de regimes totalitários estrangeiros (a que alguns até transmitiram informações militares) acabassem a ser apresentados como defensores da democracia, regime que alguns dos anti-salazaristas abominavam ainda mais que Salazar.

[...]

Mas agora que a máquina fiscal detém mais informação sobre as nossas vidas do que a PIDE alguma vez conseguiu sobre os cidadãos, mesmo os que caíam na sua alçada, agora que já vimos como a decrepitude física e intelectual chega a todos, agora que estamos a caminho de mais uma falência, agora que os populismos tomaram conta da agenda, é mais que chegado o tempo de nos confrontarmos com o óbvio: boa parte da mediocridade do nosso presente e muitos dos nossos actuais bloqueios nascem do facto de boa parte dos líderes da nossa democracia e das nossas elites terem acreditado e feito acreditar que bastava declararem-se anti-salazarista para serem melhores portugueses e saberem o que era melhor para Portugal. Não bastava, como se viu e como se vê

Excertos de «Salazar, 48 anos depois» de Helena Matos no Observador

Nota:
Helena Matos não usou o termo novos situacionistas que ela própria cunhou e nós adoptámos, mas bem podia.

CONDIÇÃO MASCULINA / CONDIÇÃO FEMININA: Barack e Bill, traídos pelo body language

«Obama distribuiu elogios para um lado e para outro, no seu já conhecido ritmo muito bem compassado de discurso, através da sua irrepreensível dialética e com recurso à sua decidida gestualidade… Até que chegou ao momento em que repetiu a falha de Bill Clinton! Quando diz, “É por isso que eu posso dizer com confiança que nunca houve um homem ou uma mulher, nem eu, nem o Bill [Clinton], nunca houve ninguém mais qualificado do que Hillary Clinton para servir como Presidente dos EUA”, Obama fugiu à verdade.

Obama não acredita no que está a dizer. Os seus gestos delatam que não está a ser sincero. Tal como Bill Clinton no momento em que este negou ter tido relações sexuais com Monica Lewinsky, também Obama utilizou o dedo indicador em riste da mão direita para pontuar o seu ‘statement’. Tal como Bill, Obama é canhoto. Quando falamos espontaneamente com o corpo, é a nossa mão “forte” que aparece mais expressiva, destacada e espontânea. Quando o discurso é trabalhado, a tarefa de gesticular parece que salta para a mão racional. Este pormenor indica que não estamos a ser genuínos. Denuncia que houve ensaio.

Tal como Bill, também Obama acenou com a cabeça enquanto refere uma frase de negação. No caso de Bill Clinton, a cabeça acenou para dizer que o ex-Presidente “não” teve relações com Lewinsky. Obama acenou afirmativamente com a cabeça para negar conhecer alguém mais qualificado do que Hillary para presidir aos EUA. Quando o corpo diz uma coisa e as palavras outra, podemos tomar os gestos como mais fiáveis. O discurso é ensaiado. O corpo nem sempre se adapta a determinados papéis. Talvez Obama estivesse a pensar na Michelle para o cargo, mas atrevo-me a dizer que não acredita verdadeiramente que Hillary seja a mais indicada para conduzir o destino dos EUA.»

Muito bem observado por Maria João Ribeiro em «Barack e Bill: o mesmo erro!». Mesmo os homens melhores mentirosos, como estes dois, quando falam de umas mulheres têm dificuldade de enganar outras.

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (67) – Back to the Wild West


Dando de barato que há países mais violentos do que os EU (como a Venezuela) apesar da proibição de armas, dando de barato que até em países ultracivilizados como a Noruega se dão mass shootings, dando de barato que as armas não disparam sozinhas e todos os outros argumento do costume, incluindo as tradições americanas e o «constitutional carry» que dá aos cidadãos americanos o direito a transportar armas escondidas sem licença, há uma certa dose de insensatez quando nos últimos meses em vários Estados se vive num clima semi-paranóico envolvendo a polícia e num estado como o Texas, depois de dois incidentes com armas no fim-de-semana na capital Austin, entra em vigor uma lei que permite aos portadores de armas licenciadas, incluindo estudantes, serem portadores de armas nas universidades públicas, salvo se estas o não permitirem.

02/08/2016

DIÁRIO DE BORDO: A justiça socialista e os factores de agravamento do IMI

Recebi de um amigo o email seguinte, também dirigido a três outros amigos comuns que vivem numas casinhas viradas a sul e a um quarto amigo que vive numa casinha com vista para o Parlamento.

«Justiça socialista: 
Enquanto A, D, J e eu seremos provavelmente agravados pelo novos factores agravantes (exposição solar), B será (provavelmente) aliviado por ter a sua mansão virada para uma ETAR!»

Mitos (235) – A notícia da bancarrota camuflada do Deutsche Bank é bastante exagerada

aqui referi as teorias da conspiração congeminadas pelos especialistas da geringonça sobre a existência de uma cabala do FMI com o BCE e o ministro das Finanças alemão para camuflar o descalabro eminente do Deutsche Bank, apontando o dedo para disfarçar à banca portuguesa e italiana que, como todos sabemos, desfrutam de uma solvência inabalável.

Citei então o artigo da Economist «Deutsche Bank - A floundering titan» que apontando as vulneralidades do banco não confirma as teorias cabalísticas dos especialistas da geringonça. Para completar a informação deveriam os especialistas consultar o relatório da EBA (European Banking Authority) com os resultados do stress test divulgados 6.ª feira à noite ou, pelo menos, ler o que sobre eles escreveu a Bloomberg num artigo cujo título é «Deutsche Bank Fares Better in EBA Stress Test Than in 2014».

Como o referido artigo mostra, o rácio capital/activos do Deutsche Bank depois do stress test é 7,8% o que, não sendo bom, compara com os 7% do BCP, sujeito a um teste que, citando O Insurgente, «tem tanto stress como uma funcionária do departamento de pescas de Castelo Branco», não esquecendo que as dimensões e a dispersão de risco nos mercados em que actuam os dois bancos não têm comparação nenhuma.

ACREDITE SE QUISER: El, Gê, Bê, Tê. O quê?

Fiquei a saber pelo Público (cheguei lá por aqui), sempre atento à diversidade sexual, perdão diversidade de género, que o Bloco de Esquerda organiza no seu «parque com praia fluvial» a sua Universidade de Verão que inclui uma festa «LGBTQIA+» onde, para usar as palavras de jornalista/militante que cobre (sem duplo sentido) o evento, «a política também passa pelo WC», se fumam estereótipos e se promove o «tocar em alguém do mesmo género».

Para quem, como eu, no que respeita a sopa de letras do sexo, perdão do género, ainda vai no LGBT, convirá saber o que significa afinal «LGBTQIA+».

Embora o “+” seja uma categoria aberta onde cabem todos os quês, os quandos, os comos, os ondes e os com quem o homem (e a mulher, claro) quiser, arrisco-me a prever que novas identidades serão autonomizadas. Por exemplo, os praticantes de sexo com animais (acrescenta-se a letra “A”), ou de sexo com alienígenas (acrescenta-se a letra “M” de marciano, se o “A” já tiver sido usado), etc. Quando os últimos preconceitos já tiverem sido ultrapassados, acrescentarão o “C” de crianças para os pedófilos e convida-se o precursor Daniel “Le Rouge” Cohn Bendit para uma prelecção na Universidade de Verão.

Mal posso esperar que quando o BE ascender ao governo da geringonça, ver convidados socialistas eméritos a fazer prelecções na Universidade de Verão e a serem tocados por alguém do mesmo género enquanto jogam Pokémon. E, já agora, porque não convidar também o presidente Marcelo para uma prelecção sobre os afectos?

01/08/2016

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (42)

Outras avarias da geringonça.

A farsa das sanções chegou ao fim do primeiro acto com a gerigonça inchada de equívocos e sem sanções, como era de prever. Um dos equívoco foi o do plano B que não era para haver e afinal houve: medidas adicionais de 0,25% do PIB (cerca de 466 milhões de euros) e outras, se necessárias para atingir o défice de 2,5% em 2016, as quais poderão ser reforçadas quando for apresentado em 15 de Outubro o relatório da CE (ver aqui as recomendações da Comissão ao Conselho).

A parte mais divertida do plano B é dado pelo espantoso título do Público, normalmente um veículo da propaganda da geringonça: «Comissão elogia promessa de mais austeridade que Governo garante que não fez». É claro que os factos não são um obstáculo para o ilusionismo de Costa que logo a seguir à aprovação das recomendações da Comissão twitou «Não há novas medidas».

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: É possível que haja uma diferença entre uma fraude intelectual e as teses tele-evangelistas mas é difícil descobrir

Primeiro foi o Pertinente que me tirou as palavras da boca ao referir-se aqui ao «milagre de um dos associados da geringonça, o tele-evangelista professor doutor Louçã, que coordenou um estudo de milagreiros onde se prova que sem troika o défice seria zero. É uma espécie de milagre de Fátima só com pastorinhos da economia dos amanhãs que cantam e sem Nossa Senhora.»

Depois foi José Ferreira Machado, ex-director da Nova School of Business and Economics e actual director de Business & Management da Regent’s University de Londres, que escreveu no jornal SOL sobre o mesmo milagre:

«Francisco Louçã, um político de extrema-esquerda que agora ganhou a respeitabilidade (?) do rótulo de professor de economia, lançou um livro onde defende a tese espantosa que, se não fosse a troika, as contas públicas teriam equilibradas. A aritmética é de merceeiro (ou, mais eruditamente, surpreendentemente linear e a coeficientes fixos vinda de um académico que vez carreira com os tópicos da complexidade e não-linearidade): se existissem menos X desempregados e se tivessem emigrado menos Z jovens, os impostos que eles pagar iam equilibrariam as contas. E se a minha avó estivesse viva....? Mas mais importante do que a metodologia, é o escamotear de dois factos basilares. O primeiro respeita à criação de emprego: como criar empregos para os jovens que emigram ou para os que perdem empregos fruto da concorrência internacional. Certamente não basta querer, pois todos o querem. A estagnação económica é muito anterior à vinda da troika e mesmo à crise de 2008 e tem sido um traço marcante da evolução portuguesa neste século. Finalmente, importa não esquecer que foi o défice e a incapacidade de o financiar que trouxe a troika a Portugal, a chamamento do Governo da República. »