Já poucos acreditam nos políticos com graus académicos ornamentais que fazem o circuito das feiras a comer sandes de carne assada e pastéis de bacalhau ou a tournée de prova dos tintos. Ou que fingem interessar-se pela Lavoura (com maiúscula) ou que fazem campanha nos mercados municipais a dar beijinhos às peixeiras.
Contudo, parece haver ainda um resíduo de fé numa nova geração de políticos ilustrados com graus académicos prestigiados, por vezes em universidades estrangeiras, que aparentam ter vida para além do orçamento. Essa nova geração com outra cultura, outras ideias e outras práticas, assim reza a profecia, irá substituir gradualmente os velhos políticos.
É uma profecia comovente, mas, como é costume nas profecias, se calhar tem uma baixa probabilidade de se concretizar. Vem esta profecia a propósito de um desses novos políticos que aqui no (Im)pertinências já fez gastar muita tinta desde os tempos longínquos em que a criatura emergiu da sombra na encarnação de secretário de estado adjunto do primeiro-ministro Passos Coelho.
Trata-se, pois, de Carlos Moedas que nos últimos dias confirmou que, aparte os graus académicos, o inglês fluente e o à vontade no "estrangeiro" e alguns tiques, reúne muitos dos atributos que fazem dos políticos portugueses o que eles costumam ser.
Por exemplo, costumam ter uma ideia da Europa como a Óropa dos subsídios e o seguro contra todos os riscos que a preguiça e a falta de iniciativa imaginam ter subscrito, como o homem que se orgulha que «vai duplicar os fundos comunitários para ciência» e exorta «Portugueses devem ir buscar mil milhões aos apoios à inovação».
Por exemplo, costumam ser desprovidos de coluna dorsal, como o homem que é um bajulador emérito que, jogando no tabuleiro do PS, mete a língua no ouvido de Costa dizendo-lhe «foram cinco anos com uma relação institucional com o primeiro-ministro que correu sempre tão bem».
Como já tinha jogado no tabuleiro de Marcelo que encomendou à sua porta-voz, que faz as vezes de jornalista do Expresso, uma enjoativa peça com um título que, quando se discutia a sucessão de Passos Coelho, era todo um programa - «Marcelo sonha com ele para o PSD».
Por exemplo, quando prepara cuidadosamente com jogos de bastidores o seu limbo de dois anos após a fim do mandato na CE, pondo, como diz o povo, o palito no bolo das Fundações Gulbenkian e Champallimaud através da citada porta-voz de Marcelo no semanário de reverência.
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
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Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
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31/08/2019
12/04/2019
DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (14) - Nos buracos negros, por direito próprio
Outros portugueses no topo do mundo.
É mais uma confirmação do postulado de Ti Célito: os portugueses são os melhores dos melhores, em tudo e, inevitavelmente, ou principalmente, nos buracos negros.
O primeiro dos portugueses é Hugo Messias, um português de 33 anos, trabalha no ALMA (Atacama Large Millimeter Array), a cinco mil metros de altitude no meio do deserto do Atacama, no Chile, a colectar e verificar dados sobre dois buracos negros, o da galáxia M87 e o Saggitarus A*, dados que são enviados para o Instituto Max Planck e o MIT.
O segundo é Carlos Moedas, o comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, e não precisa de apresentações. O que tem ele a ver com o buraco negro, perguntareis. Tem tudo, lembro eu. Em primeiro lugar, fez parte do governo que lidou com o buraco negro deixado por José Sócrates e agora falou em Bruxelas do buraco negro fotografado pela primeira vez.
Temos assim, a juntar a tantos outros, não apenas mais um, mas desta vez dois portugueses no topo do mundo: «o português por detrás da primeira fotografia de um buraco negro» e o português que «esteve na apresentação da primeira fotografia de um buraco negro, em Bruxelas, onde sublinhou a importância da imagem captada pelo telescópio Event Horizon».
É mais uma confirmação do postulado de Ti Célito: os portugueses são os melhores dos melhores, em tudo e, inevitavelmente, ou principalmente, nos buracos negros.
O primeiro dos portugueses é Hugo Messias, um português de 33 anos, trabalha no ALMA (Atacama Large Millimeter Array), a cinco mil metros de altitude no meio do deserto do Atacama, no Chile, a colectar e verificar dados sobre dois buracos negros, o da galáxia M87 e o Saggitarus A*, dados que são enviados para o Instituto Max Planck e o MIT.
O segundo é Carlos Moedas, o comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, e não precisa de apresentações. O que tem ele a ver com o buraco negro, perguntareis. Tem tudo, lembro eu. Em primeiro lugar, fez parte do governo que lidou com o buraco negro deixado por José Sócrates e agora falou em Bruxelas do buraco negro fotografado pela primeira vez.
Temos assim, a juntar a tantos outros, não apenas mais um, mas desta vez dois portugueses no topo do mundo: «o português por detrás da primeira fotografia de um buraco negro» e o português que «esteve na apresentação da primeira fotografia de um buraco negro, em Bruxelas, onde sublinhou a importância da imagem captada pelo telescópio Event Horizon».
24/02/2019
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Um comissário para todo o serviço (2)
Secção Albergue espanhol
Confessamos (outra vez): aqui no (Im)pertinências o comissário Carlos Moedas tem vindo a provocar urticária. A primeira vez que surgiu no nosso radar em plena crise do resgate foi a descerrar uma lápide em Beja com o seu nome, a pretexto de ser lá da terra, numa escola sem alunos (um projecto do tempo de Sócrates), na qualidade de secretário de estado adjunto do primeiro-ministro.
Ainda restava alguma boa impressão na segunda vez que nos apareceu, (...) Para nós foi sempre a descer. E quando pensávamos que já não desceria mais, ... (a partir daqui é ler o post anterior)
Agora que já sabemos que pode descer mais, não nos surpreendemos com as promoções que o semanário de reverência lhe fez esta semana. Aqui vão elas:
Corrige-se assim a avaliação da prestação de carreira de Moedas, segundo a pontuação impertinente, com cinco em vez de quatro urracas pela frouxidão, mantêm-se os cinco pilatos por querer colocar cartas em todos os tabuleiros e leva cinco em vez de três chateaubriands por confundir a sua promoção com os deveres do cargo e o interesse do país, a que acrescem dois ignóbeis.
Confessamos (outra vez): aqui no (Im)pertinências o comissário Carlos Moedas tem vindo a provocar urticária. A primeira vez que surgiu no nosso radar em plena crise do resgate foi a descerrar uma lápide em Beja com o seu nome, a pretexto de ser lá da terra, numa escola sem alunos (um projecto do tempo de Sócrates), na qualidade de secretário de estado adjunto do primeiro-ministro.
Ainda restava alguma boa impressão na segunda vez que nos apareceu, (...) Para nós foi sempre a descer. E quando pensávamos que já não desceria mais, ... (a partir daqui é ler o post anterior)
Agora que já sabemos que pode descer mais, não nos surpreendemos com as promoções que o semanário de reverência lhe fez esta semana. Aqui vão elas:
Repare-se como Moedas substituiu Tsipras nos favores da viúva de Miguel Portas.
26/12/2018
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Um comissário para todo o serviço
Secção Albergue espanhol
Confessamos: aqui no (Im)pertinências o comissário Carlos Moedas tem vindo a provocar urticária. A primeira vez que surgiu no nosso radar em plena crise do resgate foi a descerrar uma lápide em Beja com o seu nome, a pretexto de ser lá da terra, numa escola sem alunos (um projecto do tempo de Sócrates), na qualidade de secretário de estado adjunto do primeiro-ministro.
Ainda restava alguma boa impressão na segunda vez que nos apareceu, em plena crise do resgate, como porta-voz do governo numa conferência de imprensa onde apresentou um relatório do FMI («Portugal rethinking the state—selected expenditure reform options») recheado de medidas para apertar ainda mais o cinto. Fê-lo com o ar de totó sem a mínima ideia do impacto que essas medidas iriam provocar nos portugueses a quem a esquerdalhada apresentava como uma maldade da direita as medidas negociados pelo governo de Sócrates, recorde-se. Cúmulo da patetice, referiu-se ao repositório de mais maldades da direita com «um relatório muito bem feito», como se estivesse a falar para os alunos do mestrado de finanças da Católica.
Confessamos: aqui no (Im)pertinências o comissário Carlos Moedas tem vindo a provocar urticária. A primeira vez que surgiu no nosso radar em plena crise do resgate foi a descerrar uma lápide em Beja com o seu nome, a pretexto de ser lá da terra, numa escola sem alunos (um projecto do tempo de Sócrates), na qualidade de secretário de estado adjunto do primeiro-ministro.
Ainda restava alguma boa impressão na segunda vez que nos apareceu, em plena crise do resgate, como porta-voz do governo numa conferência de imprensa onde apresentou um relatório do FMI («Portugal rethinking the state—selected expenditure reform options») recheado de medidas para apertar ainda mais o cinto. Fê-lo com o ar de totó sem a mínima ideia do impacto que essas medidas iriam provocar nos portugueses a quem a esquerdalhada apresentava como uma maldade da direita as medidas negociados pelo governo de Sócrates, recorde-se. Cúmulo da patetice, referiu-se ao repositório de mais maldades da direita com «um relatório muito bem feito», como se estivesse a falar para os alunos do mestrado de finanças da Católica.
21/12/2017
ARTIGO DEFUNTO: Jornalismo de "referência" é o jornalismo de causas adoptado pelo jornal que se diz de referência (6)
Continuação de (1), (2), (3), (4) e (5)
Na sua edição do passado dia 8, o Expresso ultrapassou-se a si próprio, dedicando as duas páginas centrais do caderno principal à promoção de Carlos Moedas e a receptáculo dos recados do comentador Marcelo, agora residente em Belém. São peças tão repelentes que precisei de alguns dias a vencer a minha repugnância para escrever este post.
Passo a citar alguns nacos mais putrefactos de uma das peças com um título que é todo um programa «Marcelo sonha com ele para o PSD»:
«Pelo menos um dos fundadores do partido (…) vislumbra no atual comissário português em Bruxelas uma forte hipótese para, num futuro não muito longínquo, suceder na liderança social-democrata, seja a Rui Rio, seja a Santana Lopes.
Desconsolado com as duas candidaturas na forja para suceder a Pedro Passos Coelho, Marcelo Rebelo de Sousa não tem disfarçado em privado o entusiasmo com que acompanha a carreira de Carlos Moedas, que considera um caso raro de competência, rigor, inovação e cosmopolitismo. Marcelo vê em Moedas uma carta "fora do baralho".
(…) apareceu alguém diferente, com um discurso de rutura e que funcionou como uma lufada de ar fresco capaz de mobilizar atenções e apoios e de retirar o partido de uma letargia prolongada. Nos anos 80, esse nome foi Aníbal Cavaco Silva. Algures nos anos 2000, Marcelo admite que possa ser Carlos Moedas.
(…) No estilo, são muito diferentes. Moedas, ao contrário de Cavaco, não é um carismático. Mas tem mais mundo e tem um trato tu- cá-tu-lá que o analista Marcelo prefere à distância dos frios. No léxico (e na visão) marcelista, diz-se que Carlos Moedas "encaixa na política mais cosmopolita e dos afetos".
"Quer vir?"
Que o Presidente da República gosta da sua companhia é indisfarçável. Quando o comissário vem a Lisboa basta telefonar a Marcelo e juntam-se em Belém a conversar.»
Esqueçam o Código Deontológico do Jornalista, esqueçam o Código de Conduta dos jornalistas do Expresso, esta é apenas uma amostra que diz tanto sobre a subserviência do jornalismo ao serviço de causas obscuras como sobre os conflitos de interesse e a instrumentalização recorrente da presidência da República por Marcelo Rebelo de Sousa para servir a sua agenda pessoal.
Na sua edição do passado dia 8, o Expresso ultrapassou-se a si próprio, dedicando as duas páginas centrais do caderno principal à promoção de Carlos Moedas e a receptáculo dos recados do comentador Marcelo, agora residente em Belém. São peças tão repelentes que precisei de alguns dias a vencer a minha repugnância para escrever este post.
Passo a citar alguns nacos mais putrefactos de uma das peças com um título que é todo um programa «Marcelo sonha com ele para o PSD»:
«Pelo menos um dos fundadores do partido (…) vislumbra no atual comissário português em Bruxelas uma forte hipótese para, num futuro não muito longínquo, suceder na liderança social-democrata, seja a Rui Rio, seja a Santana Lopes.
Desconsolado com as duas candidaturas na forja para suceder a Pedro Passos Coelho, Marcelo Rebelo de Sousa não tem disfarçado em privado o entusiasmo com que acompanha a carreira de Carlos Moedas, que considera um caso raro de competência, rigor, inovação e cosmopolitismo. Marcelo vê em Moedas uma carta "fora do baralho".
(…) apareceu alguém diferente, com um discurso de rutura e que funcionou como uma lufada de ar fresco capaz de mobilizar atenções e apoios e de retirar o partido de uma letargia prolongada. Nos anos 80, esse nome foi Aníbal Cavaco Silva. Algures nos anos 2000, Marcelo admite que possa ser Carlos Moedas.
(…) No estilo, são muito diferentes. Moedas, ao contrário de Cavaco, não é um carismático. Mas tem mais mundo e tem um trato tu- cá-tu-lá que o analista Marcelo prefere à distância dos frios. No léxico (e na visão) marcelista, diz-se que Carlos Moedas "encaixa na política mais cosmopolita e dos afetos".
"Quer vir?"
Que o Presidente da República gosta da sua companhia é indisfarçável. Quando o comissário vem a Lisboa basta telefonar a Marcelo e juntam-se em Belém a conversar.»
Esqueçam o Código Deontológico do Jornalista, esqueçam o Código de Conduta dos jornalistas do Expresso, esta é apenas uma amostra que diz tanto sobre a subserviência do jornalismo ao serviço de causas obscuras como sobre os conflitos de interesse e a instrumentalização recorrente da presidência da República por Marcelo Rebelo de Sousa para servir a sua agenda pessoal.
12/12/2017
DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Pendurados no Estado, o Costismo como guterrismo perneta e um manobrista em Belém
«Entre a direita pendurada no Estado e a esquerda pendurada no Estado, a esmagadora maioria do eleitorado (cada vez mais dominado por pensionistas e funcionários públicos) prefere a versão socialista. Por isso, fechado o ciclo cavaquista em 1995, o PSD passou a ser o suplente do PS. Governou apenas quando o PS apodreceu. As duas vezes (2002-2005 e 2011-2015) foram experiências desastrosas. Em vez de reformismo, houve cortes orçamentais. Em vez de novas ideias, houve reciclagem de ideias velhas. Em vez de abertura à sociedade civil, optou-se cada vez mais pelo aparelho puro e duro.»
Excerto de «A crise do PSD (I): o sorpasso», Nuno Garoupa no DN
E não há solução? Haver há, mas não com nenhum dos Marretas saídos da naftalina.
«Ao escolher ficar exclusiva e permanentemente apoiado na bengala comunista-bloquista, Costa tornou o seu Governo ainda mais frágil e refém de interesses instalados do que o de Guterres já fora. O resultado da necessidade deste último de comprar a boa vontade de todos não foi só a sua fama de “indeciso”, mas também os 70 mil novos funcionários públicos que se juntaram à mesa do orçamento entre 1996 e 2000, o aumento da despesa pública, e o défice de 4,3% que deixou a quem veio depois.
Mas, ao menos, podia dar-se ao luxo de ser “indeciso”, porque podia escolher o que e a quem ceder.
Já Costa sabe que tem de dar o que quer que os únicos que o podem sustentar dele pretenderem, sob pena de perder o poder, a única coisa que o seu “pragmatismo” não pode aceitar. O resultado da “capacidade negocial” de Costa será o fortalecimento dos sindicatos do PCP, o agravamento dos problemas estruturais do país, a continuação da degradação dos serviços públicos e uma desconfiança da população em relação aos políticos ainda maior que a que já hoje se faz sentir. Pior que o “guterrismo”, talvez só mesmo um “guterrismo” perneta.
É claro que este poderá ser suficiente para Costa renovar a sua estadia em São Bento em 2019, talvez até para obter uma maioria absoluta na Assembleia, se o que os eleitores desejam é um Governo que se limite a fazê-los sentir que as coisas já não estão tão complicadas como estavam há uns anos atrás, mesmo que nada tenha realmente mudado. Mas isso não será suficiente para evitar que, mais tarde ou mais cedo, as coisas se compliquem ainda mais, e deixe de ser possível fingir que não.»
Excerto de «Um “guterrismo” amputado», Bruno Alves no Económico
E não há solução? Não, não há. Há sempre um Costa à espera de vaga no PS.
«Desta feita, em jeito de presente de aniversário, Marcelo Rebelo de Sousa convidou o histórico e deveras competente assessor de imprensa do PSD, Zeca Mendonça, para a assessoria de imprensa da Presidência da República. Ora, o Presidente que diz ser o político mais independente de todos leva para a sua equipa a pessoa que melhor conhece e domina a máquina do PSD – em pleno processo eleitoral nesse partido! Ou seja: Marcelo quer estar por dentro da luta entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio. Mais: Marcelo apoia Santana Lopes, mas já está a queimá-lo para 2019, lançando (de forma inaudita e só possível em Portugal) Carlos Moedas como o futuro do PSD. E resta esperar para perceber qual será a “facada final” que Marcelo dará (ou tentará dar) na candidatura de Rui Rio. Para nós, é a grande incógnita da política portuguesa nos próximos dias, em plena época natalícia.»
Excerto de «Os 69 de Marcelo», João Lemos Esteves no ionline
E não há solução? Não, não há. Elegeram-no, agora aguentem até 2026.
Excerto de «A crise do PSD (I): o sorpasso», Nuno Garoupa no DN
E não há solução? Haver há, mas não com nenhum dos Marretas saídos da naftalina.
«Ao escolher ficar exclusiva e permanentemente apoiado na bengala comunista-bloquista, Costa tornou o seu Governo ainda mais frágil e refém de interesses instalados do que o de Guterres já fora. O resultado da necessidade deste último de comprar a boa vontade de todos não foi só a sua fama de “indeciso”, mas também os 70 mil novos funcionários públicos que se juntaram à mesa do orçamento entre 1996 e 2000, o aumento da despesa pública, e o défice de 4,3% que deixou a quem veio depois.
Mas, ao menos, podia dar-se ao luxo de ser “indeciso”, porque podia escolher o que e a quem ceder.
Já Costa sabe que tem de dar o que quer que os únicos que o podem sustentar dele pretenderem, sob pena de perder o poder, a única coisa que o seu “pragmatismo” não pode aceitar. O resultado da “capacidade negocial” de Costa será o fortalecimento dos sindicatos do PCP, o agravamento dos problemas estruturais do país, a continuação da degradação dos serviços públicos e uma desconfiança da população em relação aos políticos ainda maior que a que já hoje se faz sentir. Pior que o “guterrismo”, talvez só mesmo um “guterrismo” perneta.
É claro que este poderá ser suficiente para Costa renovar a sua estadia em São Bento em 2019, talvez até para obter uma maioria absoluta na Assembleia, se o que os eleitores desejam é um Governo que se limite a fazê-los sentir que as coisas já não estão tão complicadas como estavam há uns anos atrás, mesmo que nada tenha realmente mudado. Mas isso não será suficiente para evitar que, mais tarde ou mais cedo, as coisas se compliquem ainda mais, e deixe de ser possível fingir que não.»
Excerto de «Um “guterrismo” amputado», Bruno Alves no Económico
E não há solução? Não, não há. Há sempre um Costa à espera de vaga no PS.
«Desta feita, em jeito de presente de aniversário, Marcelo Rebelo de Sousa convidou o histórico e deveras competente assessor de imprensa do PSD, Zeca Mendonça, para a assessoria de imprensa da Presidência da República. Ora, o Presidente que diz ser o político mais independente de todos leva para a sua equipa a pessoa que melhor conhece e domina a máquina do PSD – em pleno processo eleitoral nesse partido! Ou seja: Marcelo quer estar por dentro da luta entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio. Mais: Marcelo apoia Santana Lopes, mas já está a queimá-lo para 2019, lançando (de forma inaudita e só possível em Portugal) Carlos Moedas como o futuro do PSD. E resta esperar para perceber qual será a “facada final” que Marcelo dará (ou tentará dar) na candidatura de Rui Rio. Para nós, é a grande incógnita da política portuguesa nos próximos dias, em plena época natalícia.»
Excerto de «Os 69 de Marcelo», João Lemos Esteves no ionline
E não há solução? Não, não há. Elegeram-no, agora aguentem até 2026.
18/11/2016
Pro memoria (327) - «Luz no fundo do túnel», disse ele
«Moedas diz que pela primeira vez há “luz ao fundo do túnel”»
«Comissário europeu e ex-secretário de Estado-adjunto de Passos Coelho diz que "pela primeira vez" Portugal está no bom caminho em relação ao défice e que já se começa a ver "luz ao fundo do túnel". (Observador)
Carlos Moedas já demonstrou não ter muito jeito para a política (o episódio da sua conferência de imprensa sobre o relatório do FMI em 2013 é lendário) e parece tentar compensar a falta de jeito esforçando-se por parecer político, dizendo coisas que até os políticos profissionais hesitariam em dizer. Com esta conseguiu dizer numa só frase dois disparates/mentiras (cortar conforme o gosto): (1) se há coisa que os portugueses em geral e os políticos em particulares, dia sim dia não, vêem são «luzes no fundo do túnel»; (2) quanto ao «está no bom caminho», se ele não sabe como o défice de 2016 está a ser fabricado aplica-se a primeira alternativa, se sabe aplica-se a segunda.
25/07/2016
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (41)
Outras avarias da geringonça.
A semana que passou foi tão fértil em produções fictícias da geringonça que é difícil destacar uma. Escolho o orçamento participativo inventado pela máquina de propaganda de Costa que permitirá aos cidadãos decidir onde gastar 3 milhões de euros ou o equivalente a 0,004% da despesa total - leu bem: quatro euros em cada cem mil euros euros de despesa.
Mas também poderia escolher o folhetim Caixa. Ficou a saber-se que a administração demissionária apresentou ao ministro das Finanças em Dezembro um plano de recapitalização sem dinheiro público. A menos que a administração da Caixa já nessa altura tivesse atacada de paranóia, e nesse caso deveria ter sido imediatamente demitida, é difícil de entender o silêncio de Centeno. Pior não parece possível, mas talvez seja porque o BCE considerou o novo plano de António Domingues «não credível».
A semana que passou foi tão fértil em produções fictícias da geringonça que é difícil destacar uma. Escolho o orçamento participativo inventado pela máquina de propaganda de Costa que permitirá aos cidadãos decidir onde gastar 3 milhões de euros ou o equivalente a 0,004% da despesa total - leu bem: quatro euros em cada cem mil euros euros de despesa.
Mas também poderia escolher o folhetim Caixa. Ficou a saber-se que a administração demissionária apresentou ao ministro das Finanças em Dezembro um plano de recapitalização sem dinheiro público. A menos que a administração da Caixa já nessa altura tivesse atacada de paranóia, e nesse caso deveria ter sido imediatamente demitida, é difícil de entender o silêncio de Centeno. Pior não parece possível, mas talvez seja porque o BCE considerou o novo plano de António Domingues «não credível».
10/07/2016
Bons exemplos (111) – Durão Barroso, uma espécie de Mourinho-Horta Osório
No mesmo dia em que escrevi sobre Horta Osório, ficou a saber-se que Durão Barroso foi nomeado presidente não executivo da Goldman Sachs International e conselheiro da Goldman Sachs, depois de ter passado pelos crivos das autoridades de supervisão bancária americana e britânica. Recorde-se que a Goldman Sachs, segundo a esquerdalhada uma entidade diabólica, não costuma recrutar patetas. Entre outros passaram por lá António Borges, Carlos Moedas, Mario Monti (ex-comissário europeu e ex-primeiro-ministro italiano), Mario Dragui (actual presidente do BCE).
Não tinha intenção de escrever sobre esta nomeação de uma criatura que, depois dos 10 anos como presidente da CE da UE, deve ser o político português com maior notoriedade internacional, até ver a profusão de reacções indignadas. Para só citar algumas: eurodeputados socialistas franceses sortidos não citados, designados por «França» e Marine Le Pen (Público), Jerónimo de Sousa (Negócios), Catarina Martins (DN).
Os argumentos são desesperadamente patéticos e não há um único que se esforce por demonstrar a existência de um conflito de interesses na passagem de um cargo sem responsabilidades financeiras especiais num órgão político-administrativo comunitário para um cargo não executivo num banco internacional de investimento.
Não tinha intenção de escrever sobre esta nomeação de uma criatura que, depois dos 10 anos como presidente da CE da UE, deve ser o político português com maior notoriedade internacional, até ver a profusão de reacções indignadas. Para só citar algumas: eurodeputados socialistas franceses sortidos não citados, designados por «França» e Marine Le Pen (Público), Jerónimo de Sousa (Negócios), Catarina Martins (DN).
Os argumentos são desesperadamente patéticos e não há um único que se esforce por demonstrar a existência de um conflito de interesses na passagem de um cargo sem responsabilidades financeiras especiais num órgão político-administrativo comunitário para um cargo não executivo num banco internacional de investimento.
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bons exemplos
17/10/2014
Dúvidas (52) – O que faria funcionar o Moedas?
«O Moedas, o Moedas! Eu punha já o Moedas a funcionar», disse José Manuel Espírito Santo Silva. Ricardo Salgado não perdeu tempo e fez de imediato a ligação telefónica para o pôr a funcionar. «Carlos, está bom? Peço desculpa por esta a chateá-lo a esta hora.»
O Carlos dispõe-se a falar com José de Matos da CGD e com o ministro da Justiça do Luxemburgo onde estava a iniciar-se uma investigação por fraude a várias empresas do GES. «Obrigado, Carlos, um abraço», terminou o Dono Disto Tudo.
Gravação de uma reunião em 2 de Junho do Conselho Geral do GES, divulgada pelo jornal SOL
O Carlos dispõe-se a falar com José de Matos da CGD e com o ministro da Justiça do Luxemburgo onde estava a iniciar-se uma investigação por fraude a várias empresas do GES. «Obrigado, Carlos, um abraço», terminou o Dono Disto Tudo.
Gravação de uma reunião em 2 de Junho do Conselho Geral do GES, divulgada pelo jornal SOL
03/10/2014
Bons exemplos (88) – O homem fez o seu caminho
O caminho de Carlos Moedas, desde há um ano e meio quando apresentou as conclusões de «um relatório do FMI que recomenda(va) obrigar os portugueses a viver de acordo com as suas posses (e as suas dívidas) … com o ar de um jovem e brilhante analista financeiro que está a falar de yields da dívida portuguesa e de spreads dos Credit Default Swaps (CDS)», como então aqui se escreveu no (Im)pertinências, até à sua inauguração no fosso das víboras e leões do Parlamento Europeu, não foi temporalmente longo mas foi suficiente para ganhar o calo indispensável para perceber que a comunicação é o conteúdo, o meio e a audiência, e assim exceder as expectativas de muita gente, y compris moi-même. (ler aqui a descrição da sua performance)
Bem-vindo ao clube dos políticos.
Bem-vindo ao clube dos políticos.
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eu diria mesmo mais
11/09/2014
O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (93) – A infâmia e a estupidez
O eurodeputado Carlos Zorrinho disse à agência Lusa que «o PS conseguiu travar pasta para social para Moedas». «Entre os socialistas, há quem esteja aliviado por o português não ter uma pasta económica», observou o Observador. Enquanto isso, António Galamba, da direcção do PS, considera que à escolha de Moedas apenas pode ser aplicado um adjectivo: “Ridículo”.
No contexto dos padrões domésticos da luta política ficar aliviado por Carlos Moedas não ter uma pasta económica ou considerar ridícula a sua escolha estará dentro do limite admissível à gente medíocre, ressabiada e mau carácter que anda por aí pendurada na política. Com um pouco mais de esforço, julgo até ser possível descontar uma acção, noutro contexto antipatriótica, de tentar travar uma pasta para a criatura.
Há, porém, um limite para tudo. E está para além desse limite a estupidez de confessar orgulhosamente a infâmia a uma agência de notícias.
No contexto dos padrões domésticos da luta política ficar aliviado por Carlos Moedas não ter uma pasta económica ou considerar ridícula a sua escolha estará dentro do limite admissível à gente medíocre, ressabiada e mau carácter que anda por aí pendurada na política. Com um pouco mais de esforço, julgo até ser possível descontar uma acção, noutro contexto antipatriótica, de tentar travar uma pasta para a criatura.
Há, porém, um limite para tudo. E está para além desse limite a estupidez de confessar orgulhosamente a infâmia a uma agência de notícias.
12/08/2014
TRIVIALIDADES: Indignações a propósito de nomeações
Andam por aí umas almas indignadas pelo facto de a «Mãe da Estratégia de Lisboa» como escreveu um seu admirador na entrada «Maria João Rodrigues» da Wikipedia (na versão inglesa, note-se!), pelo facto de a Senhora ter protestado com veemência no artigo biográfico-promocional que o Expresso lhe proporcionou publicar contra a nomeação de Carlos Moedas.
Indignação porquê? Então não pode ter legítimas aspirações face à sua brilhante carreira? Ora veja-se o referido artigo da Wikipedia. E sua pertença ao círculo da esquerda bem pensante não significa nada? Pois não é desse círculo que devem sair os nossos dirigentes? Não é lá que reside a legitimidade para nos governar. O resto são arrivistas sem pedigree vindos do interior do Alentejo ou de outras paragens ignotas e nalguns casos fazendo um tirocínio de exploração do povo na Goldman Sachs.
Entretanto, com o desmentido por «fontes comunitárias ouvidas pelo Expresso» (segundo o princípio do equilíbrio de lóbis, a seguir ao artigo da Dr.ª Maria João teria de aparecer uma notícia plantada pela outra tendência), «a senhora Rodrigues, a eurodeputada que tem estado a escrever artigos nos jornais, nunca esteve na wish list do senhor Juncker. A senhora Albuquerque sim, ela não.»
Agora que já gozei com o assunto, acrescento que tratando-se de políticos podem estar todos a mentir. A diferença é que uns mentem melhor. Talvez o Jean-Claude tenha apalpado previamente a Maria João, como deve ter apalpado muitas outras senhoras para tentar fazer a quota. Isso não impede que seja muito estúpido a Maria João vir queixar-se de assédio nas páginas no Expresso. E também não impede que seja muito censurável e de mau gosto vir deitar abaixo outro português só porque não pertence ao clube dela.
Esclarecimento:
Uma senhora insultou-me por ter usado o verbo «apalpar» que, segundo ela, seria ofensivo da dignidade feminina. Expliquei que o verbo «apalpar» tinha sido usado no sentido de «sondar» e tendo a minha alma ultrapassado há décadas os dilemas inerentes à «condição feminina» e à igualdade de sexos, usei o termo que usaria se o objecto da apalpação pelo Jean-Claude fosse o Carlos Moedas.
Indignação porquê? Então não pode ter legítimas aspirações face à sua brilhante carreira? Ora veja-se o referido artigo da Wikipedia. E sua pertença ao círculo da esquerda bem pensante não significa nada? Pois não é desse círculo que devem sair os nossos dirigentes? Não é lá que reside a legitimidade para nos governar. O resto são arrivistas sem pedigree vindos do interior do Alentejo ou de outras paragens ignotas e nalguns casos fazendo um tirocínio de exploração do povo na Goldman Sachs.
Entretanto, com o desmentido por «fontes comunitárias ouvidas pelo Expresso» (segundo o princípio do equilíbrio de lóbis, a seguir ao artigo da Dr.ª Maria João teria de aparecer uma notícia plantada pela outra tendência), «a senhora Rodrigues, a eurodeputada que tem estado a escrever artigos nos jornais, nunca esteve na wish list do senhor Juncker. A senhora Albuquerque sim, ela não.»
Agora que já gozei com o assunto, acrescento que tratando-se de políticos podem estar todos a mentir. A diferença é que uns mentem melhor. Talvez o Jean-Claude tenha apalpado previamente a Maria João, como deve ter apalpado muitas outras senhoras para tentar fazer a quota. Isso não impede que seja muito estúpido a Maria João vir queixar-se de assédio nas páginas no Expresso. E também não impede que seja muito censurável e de mau gosto vir deitar abaixo outro português só porque não pertence ao clube dela.
Esclarecimento:
Uma senhora insultou-me por ter usado o verbo «apalpar» que, segundo ela, seria ofensivo da dignidade feminina. Expliquei que o verbo «apalpar» tinha sido usado no sentido de «sondar» e tendo a minha alma ultrapassado há décadas os dilemas inerentes à «condição feminina» e à igualdade de sexos, usei o termo que usaria se o objecto da apalpação pelo Jean-Claude fosse o Carlos Moedas.
01/08/2014
ARTIGO DEFUNTO: O que é hoje verdade, amanhã pode ser mentira
«Maria Luís dada como certa em Bruxelas. Portugal já terá comunicado nome da ministra das Finanças para a equipa de Juncker» (Expresso às 22:35 de ontem)
«Carlos Moedas indicado para comissário português» (Negócios hoje às 8:46)
«Carlos Moedas indicado para comissário português» (Negócios hoje às 8:46)
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artigo defunto
12/01/2013
ESTADO DE SÍTIO: Será o Estado irreformável?
«O relatório do FMI teve este efeito: uniu a oligarquia do regime. Da direita à esquerda, do Governo à oposição, quase toda a gente levantou a pá de Aljubarrota. Manuel Alegre lembrou até o ultimato de 1890. Carlos Moedas foi a proverbial exceção. Não se esperava outra coisa. O FMI foi ingénuo. Partiu do pressuposto de que o Estado é uma empresa com certos objetivos, como o de garantir o acesso à educação e à saúde, e sugeriu maneiras de o Estado cumprir a sua missão com mais sucesso e sem fazer sofrer tanto o país. Ora o Estado não é bem isso. É a forma como nos relacionamos uns com os outros, e o meio através do qual a oligarquia política controla a população. Os objetivos descritos pelo FMI são secundários, em relação às razões de ser principais do Estado: permitir-nos vidas desligadas; com menos responsabilidades, e dar recursos à oligarquia para criar clientelas e fomentar dependências. Por exemplo, o funcionalismo, que o FMI trata como mão de obra, serve de facto como base social ao regime. Sem este Estado, haveria mais responsabilidades para os cidadãos e menos poder para a oligarquia. Estamos perante uma questão política, e não empresarial.
11/01/2013
DIÁRIO DE BORDO: A língua portuguesa tem muitas subtilezas…
… e o meu ofício não é o de escriba. Só por isso, não me admirei dos mal-entendidos que o meu post sobre a performance de Carlos Moedas suscitou junto de amigos comuns. Tentando reparar o que, espero, não seja irreparável, vou remeter para a leitura de uma peça de Pedro Sousa Carvalho, no Económico, com o significativo título de «O sorriso de Carlos Moedas», que escreve com mais jeito uma parte do que queria dizer e de onde respigo estes dois parágrafos:
10/01/2013
CASE STUDY: As propostas do FMI ou de como os portugueses lidam muito mal com a realidade, adoram o consenso e repudiam as mudanças (2)
[Continuação daqui]
Gostava de escrever o que vou escrever de uma maneira diferente, porque tenho Carlos Moedas em boa conta como profissional e académico competente, pelo menos à distância, mas não seria a mesma coisa. Quero dizer: poderia não se perceber bem devido às subtilezas da língua portuguesa.
Gostava de escrever o que vou escrever de uma maneira diferente, porque tenho Carlos Moedas em boa conta como profissional e académico competente, pelo menos à distância, mas não seria a mesma coisa. Quero dizer: poderia não se perceber bem devido às subtilezas da língua portuguesa.
17/11/2012
Carlos Moedas e a sua lápide
Já escrevi por várias vezes
(aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui)
sobre a saga do aeroporto de Beja, uma obra de José Sócrates, que só abre aos domingos. Fiquei agora a saber pelo Público que «depois de um aeroporto sem aviões, Beja inaugura escola sem alunos», escola que não é bem uma escola é a 2.ª fase do edifício da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Beja, cujo projecto foi aprovado nos primeiros tempos de José Sócrates e agora concluído.
Como já se percebeu, o mausoléu vai ficar às moscas e passará a ser um «espaço do país» segundo o presidente da dita escola, o qual, diga-se em seu abono, não concordou com o elefante branco. O que deveria um governo sensato, alheio ao elefante, fazer na sua inauguração? Fugir dele a sete pés e mandar o chefe de repartição da escola descerrar uma placa do tipo «Aqui jaz um animal inventado pelo Eng. José Sócrates e o seu ministro da Inducação».
Em vez disso, apareceu na inauguração, a pretexto de ser da terra, Carlos Moedas, secretário de estado adjunto do primeiro-ministro, a descerrar uma lápide com o seu nome, ligando-se indelevelmente ao elefante e branqueando com a sua presença mais esta tumba para 6 milhões de euros.
Como já se percebeu, o mausoléu vai ficar às moscas e passará a ser um «espaço do país» segundo o presidente da dita escola, o qual, diga-se em seu abono, não concordou com o elefante branco. O que deveria um governo sensato, alheio ao elefante, fazer na sua inauguração? Fugir dele a sete pés e mandar o chefe de repartição da escola descerrar uma placa do tipo «Aqui jaz um animal inventado pelo Eng. José Sócrates e o seu ministro da Inducação».
Em vez disso, apareceu na inauguração, a pretexto de ser da terra, Carlos Moedas, secretário de estado adjunto do primeiro-ministro, a descerrar uma lápide com o seu nome, ligando-se indelevelmente ao elefante e branqueando com a sua presença mais esta tumba para 6 milhões de euros.
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a nódoa cai em qualquer pano,
elefantes brancos,
gestão pública
28/01/2012
Os portugueses dispensam mais cantigas dos amanhãs que cantam
É certo que foi conversa para a estranja, na circunstância o Wall Street Journal, mas Carlos Moedas anunciar que a descida da despesas primária e do défice estrutural (por agora, ainda sem as verdadeiras reformas, apenas uma miragem) irá permitir a redução dos impostos, parece-me um pouco exagerado, como Mark Twain classificou o anúncio da sua morte. Nas últimas décadas já nos foram anunciados suficientes oásis, princípios do fim da crise, fins da crise, prosperidades sem esforço e sem limites.
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mais do mesmo,
prognósticos só no fim do jogo
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