Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
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30/06/2019

Ou Júdice é mentiroso, ou Soares dos Santos teve uma epifania

Há uns dois meses citei aqui Pedro Soares dos Santos, o actual presidente da Jerónimo Martins que, segundo José Miguel Júdice, «disse a quem o quis ouvir: “Acredito muito no Dr. António Costa"».

Note-se que ele não disse, temos de o aguentar, nem disse antes Costa que o Jerónimo ou a Catarina. Nada disso. Ele foi citado como tendo dito “Acredito muito no Dr. António Costa".

Passados dois meses o que nos diz Pedro Soares dos Santos em entrevista ao Observador? Não, ele não diz que tem dúvidas ou já não acredita no Dr. António Costa. Nada disso. Ele diz, entre outras coisas que contrariam frontalmente o ilusionismo de Costa e o seu Portugal cor-de-rosa, o seguinte sobre os resultados de três anos e meio da governação: 

«O país faliu, goste-se ou não se goste de dizer isto. O país faliu. Depois tivemos um processo doloroso, muito doloroso para todos, que foi o sair da troika, do controlo da troika e de todas as políticas que nos estavam a ser impostas. Conseguiu-se, com mérito das pessoas, com esforço da sociedade civil, em toda esta luta. Mas, depois, parou-se no tempo. E isto é o que me preocupa, porque há uma coisa que, no fim deste processo todo, não foi resolvido: a dívida. E com os níveis de dívida que existem a liberdade não existe para se fazer as políticas certas para os crescimentos. (...)

Quem estava atento, quem viveu este processo de assalto ao BCP, que agora começa a confirmar, de certa forma, que foi isso — isto não é novidade nenhuma. Isto é, talvez, porque faliram, porque também a Caixa Geral de Depósitos faliu, e isso é muito importante perceber que os portugueses foram muito injustiçados porque estão a pagar a falência dos bancos.»

12/06/2019

Pro memoria (391) - Filipe Pinhal, o primeiro que não teve um apagão de memória

«Filipe Pinhal, que foi afastado do BCP na luta de poder dentro da instituição financeira, diz que as mudanças na administração do banco privado só aconteceram porque tiveram o apoio do “triunvirato” José Sócrates, Teixeira dos Santos e Vítor Constâncio.» (Negócios)

Finalmente, alguém não teve um apagão de memória a respeito do assalto do BCP, tema que inspirou resmas de post aqui no (Im)pertinências, como por exemplo o seguinte de há 10 anos:

A estória é conhecida. Joe Berardo compra acções do Millenium bcp com empréstimos, primeiro da Caixa (onde à época era presidente Santos Ferreira, o actual presidente do Millenium bcp que sucedeu a Filipe Pinhal, homem de confiança de Jardim Gonçalves), do BES (por esta e por outras razões Filipe Pinhal escreveu o que escreveu sobre Ricardo Salgado, o banqueiro do regime socialista) e do Santander. Depois do afastamento da administração Filipe Pinhal, o próprio Millenium bcp financiou Berardo na compra de mais acções do próprio banco. Santos Ferreira reeditava assim um processo semelhante ao de Jardim Gonçalves.

A coisa correu mal porque as acções do Millenium bcp, que Berardo deve ter comprado a um preço médio de cerca de 2 euros, foram caindo até quase 50 cêntimos. Correu mal para Berardo e para os bancos que o financiaram, a quem Berardo tinha oferecido como garantia as próprias acções do bcp. O Santander, que não faz parte complexo político-empresarial socialista português (nem do espanhol), perante a insuficiência da garantia exigiu um reforço e dispunha-se a executar a dívida se tal não acontecesse. Pelo caminho Berardo ofereceu como garantia, que o Santander recusou mas os bancos do regime aceitaram, a colecção de arte que o governo de Sócrates alojou no CCB a expensas dos sujeitos passivos.

O desfecho do episódio, revelado pelo Expresso e não desmentido por Berardo, foi o Millenium bcp, cujo Conselho de Remunerações é presidido por Berardo, prestar uma garantia à primeira interpelação (on first demand) ao Santander, pessoalmente aprovada por Santos Ferreira, que já tinha aprovado empréstimos, primeiro na Caixa e depois no Millenium bcp.

Que este emaranhado de conflitos de interesse pareça normal neste país é apenas um sintoma de como o governo de José Sócrates contribuiu para tornar este país ainda mais anormal.

08/06/2019

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Não há constância maior do que a de Constâncio

Secção Musgo Viscoso

Vítor Manuel Ribeiro Constâncio, várias vezes secretário de Estado e ministro, incluindo ministro anexo, duas vezes governador do Banco de Portugal da primeira das quais transitou directamente para secretário-geral do PS. Como governador decretou o fim das crises e do «problema monetário macroeconómico» e teve uma notável participação na equipa de assalto ao BCP.

Soube-se agora que em 2007, na sua segunda passagem pelo BdP como governador, durante o assalto ao BCP o CA do BdP, por si presidido, reuniu-se «com apenas um único ponto na agenda: autorizar a operação que daria a Berardo um reforço da sua posição no BCP de 3,99% até 9,99%, com um financiamento de 350 milhões de euros a libertar pela Caixa, mediante a promessa dos títulos adquiridos».

Sem nenhuma surpresa, «a informação foi ocultada dos deputados na Comissão Parlamentar de Inquérito à CGD, onde Constâncio disse ser “impossível” que o Banco de Portugal soubesse que a CGD ia financiar Berardo antes de o crédito ser dado». (Público via Observador)

Já premiado algumas vezes aqui no (Im)pertinências, é justo volta a atribuir-lhe cinco pilatos por ter elevado ao seu pináculo a arte de lavar as mãos do assunto, cinco ignóbeis pelo extremo descaramento sonso com que descarta as suas responsabilidades e cinco bourbons como prémio de carreira.

21/05/2019

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Distraído, mentiroso ou medroso? (3)

Uma continuação por outras palavras daqui

Secção Musgo Viscoso

Tentando lavar a sua roupa interior ainda com vestígios da sua obra e da que foi cúmplice enquanto ajudante de Sócrates para as Finanças, obra que começou pela nomeação de Vara para a administração da Caixa, recusada pelo seu antecessor Campos e Cunha, demitido por essa razão por Sócrates, e continuou com o assistir impávido ao assalto ao BCP (*), Teixeira dos Santos aproveitou o Fórum Desafios e Oportunidades para dizer que «não nos podemos esquecer do que há 20 anos se tornou quase um paradigma, pelo menos entre as elites bem pensantes económicas, que achavam que precisávamos de ter centros de decisão nacional» o que, segundo ele, explicaria o expediente «de os bancos arranjarem empresários portugueses que personificassem estes tais centros de decisão nacional e de os financiarem para que pudessem existir.»

Com esta narrativa para estúpidos, digna do seu chefe Sócrates, uma vez mais Teixeira dos Santos merece cinco urracas pela falta de tomates, cinco bourbons por continuar igual a si próprio, cinco pilatos por ter passado o tempo a lavar as mãos das responsabilidades, e cinco ignóbeis por desta vez já ter percebida que não é distraído, é mentiroso e medroso.

Em alternativa ao estilo Berardo que se ri, com toda a razão e a maior desfaçatez, nas trombas dos deputados tendes o estilo songamonga do cúmplice de Sócrates na bancarrota do Estado Sucial que insulta a vossa inteligência. Pela minha parte, se me obrigarem a escolher, prefiro o Berardo.

(*) Para recordar o caso BCP releiam-se as seguintes séries de posts: «A parte submersa do iceberg Millenium bcp»; «Cronologia de um golpe»; «La strategia del ragno»; «Móbil do assalto ao BCP»; «Sequelas do assalto ao Millenium bcp».

20/05/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (188)

Outras avarias da geringonça e do país.


A carga fiscal aumentou? Depende do que seja, como a democracia norte-coreana para o Sr. Jerónimo

A carga fiscal subiu 0,3% em 2017 para 34,4% e em 2018 subiu 1% para 35,4%. Pelo menos é o que dizem o INE e os economistas que não se licenciaram na Mouse School of Economics. O Dr Centeno indigna-se e discorda criando uma fórmula alternativa que tem em conta o défice e os impostos futuros, fórmula que é até hoje a sua criação teórica mais original. O que, vá-se lá saber porquê, me fez lembrar a boutade da auto-estrada mexicana aqui recontada pelo outro contribuinte impertinente.

19/05/2019

SERVIÇO PÚBLICO: "Para a esquerda o passado começa hoje"

«Berardo, tal como Salgado, são homens do tempo de Sócrates. Para os homens que estiveram com Sócrates no governo e que agora governam eles são uns empecilhos, fantasmas que se obstinam em desmontar a Regra Número 1 para entender Portugal: à esquerda o passado começa hoje. Em 2011, o governo socialista fez um pedido de ajuda externa. Ainda o ano não tinha acabado e já o mesmo PS se manifestava contra o programa que ele mesmo tinha negociado. Em 2012 a culpa da crise já não era da falência mas sim das medidas tomadas para a evitar… Em 2019, mostram-se indignados com Berardo, o mesmo Berardo seu parceiro no assalto ao BCP. Não duvido que dentro de uns anos serão os primeiros a indignar-se com os incêndios de 2017 ou os lucros conseguidos pelos novos capitalistas de Estado. Sim, como dizem os espanhóis sobre as bruxas que los hay los hay. Os capitalistas de Estado, claro. Das bruxas não sei nada.

A Regra Número 2 é a que estabelece: se as pessoas quisessem perceber tinham percebido. A ideia piedosa que anima muitas pessoas de que um dia, quando os outros tomarem conhecimento dos factos , então tudo será diferente é isso mesmo: uma ideia piedosa mas nada mais. Não foi por falta de esclarecimento que em 2011 um milhão e meio de pessoas votou em José Sócrates. Não foi por falta de esclarecimento ou de avisos que o país faliu. Não é por as pessoas não perceberem que em Portugal os problemas se avolumam. É sim por as pessoas terem percebido que viver enganado é mais cómodo. pelo menos durante um tempo, do que enfrentar as decisões inerentes à hora do desengano.»

Excerto de «E Berardo deixou-os nús», Helena Matos no Observador

17/05/2019

SERVIÇO PÚBLICO: Berardo no país dos berardos

«Passei grande parte dos últimos anos angustiado e a interrogar-me: se esta gente é assim, como pode Portugal ter futuro? Este pensamento tinha a ver com os ’empresários’ e políticos que ia conhecendo, e com quem, por via da minha profissão de jornalista, tinha de trabalhar diretamente ou de contactar com assiduidade.

E tenho, por isso, uma notícia desagradável a dar: não se pense que José Berardo é o pior exemplo daquilo que a sociedade portuguesa pode apresentar. Há pior, muito pior, nesse campeonato do descaramento, da incultura, da boçalidade, da irresponsabilidade social e de uma criminosa maneira de viver a vida à conta do erário público e dos bancos.

A coleção de capatazes que não sabem, não se lembram, não viram, não possuem, não fizeram, cuja agenda só marca almoço, jantar e traficar, e que até são capazes de sacudir um último pingo de dignidade para salvarem o dinheiro que escondem em offshores é bastante mais vasta, não se esgota na miserável novela que tem decorrido no Parlamento a propósito dos roubos públicos perpetrados nos últimos anos. Berardo, insisto, apenas abusou da sorte porque sempre viveu a vida com este descaro que agora todos os portugueses já conhecem e da maneira mais chocante.

15/05/2019

DIÁRIO DE BORDO: Processo disciplinar a Berardo? O Joe é a criatura, não é o criador e o criador são vários...

«Berardo provoca mal-estar em Belém. Comendador pode perder condecorações»

«CDS propõe processo disciplinar para retirar condecoração a Berardo»

O Joe é a criatura, não é o criador e o criador são vários...

Só dois exemplos (esquecendo a multidão de acólitos, como Ricardo Salgado, Santos Ferreira, Vara, etc. - um enorme etc.):

14/04/2019

Arranjem um lugar ao rapaz. Ele merece! (3)

Outros apelos para arranjarem um lugar ao rapaz: (1) e (2)

Com esta é a terceira vez que faço este apelo ao governo, à geringonça, enfim, a quem de direito, para oferecer um lugar, de porta-voz, de consultor de imagem, de guru, de conselheiro, de estratego, seja lá do que for, ao jornalista de causas / militante / comentador / analista,  ex-comunista, ex-Plataforma de Esquerda, ex-Política XXI, ex-bloquista, ex-Livre, ex-Tempo de Avançar, ufa!, Daniel Oliveira.

Com toda a justiça, como se percebe uma vez mais pelo seu escrito «Joe Berardo, o comendador da garagem» onde desfaz a criatura, «um homem que parecia vigarista, cheirava a vigarista, falava como um vigarista mas era um comendador», dizendo dela o que Cristo não disse dos fariseus, e onde aponta o dedo acusador a Ramalho Eanes, Jorge Sampaio e até a Chirac que fizeram dele comendador e, por isso, segundo Daniel Oliveira, o tornaram palatável aos bancos que lhe emprestaram dinheiro para comprar acções do BCP, deixando-lhes nas mãos um gigantesco calote e como garantia papel que não vale uma dízima do que lhe emprestaram.

E o milagre, sim, é um verdadeiro milagre, fruto da sua vocação de bactéria diligente-mor da fossa séptica socialista, é que o camarada Daniel consegue escrever tudo isso sem uma única vez evocar ter sido o governo de Sócrates a ceder-lhe o centro de exposições do CCB por 10 anos, prometendo-lhe pagar meio milhão de euros por ano e obrigando-se a comprar a colecção no final, se Berardo a quiser vender, e sem evocar que o mesmo governo de Sócrates o colocou em 2007 ao serviço do assalto ao BCP (ver I, II, e III), encarregando Santos Ferreira, Armando Vara e Ricardo Salgado de lhe emprestarem dinheiro através da Caixa, do BES e do próprio BCP, para comprar acções do BCP.

Como aliás o Joe nunca escondeu, dizendo para quem o quis ouvir «nunca lhes fui lá pedir dinheiro. Eles [os bancos] é que vieram oferecer. Fiz um volume de negócios em três ou quatro anos que acho que foi de quase seis mil milhões de euros. ‘O sr. Berardo quer comprar acções?’ Era assim. Era o que estava na moda

Digam lá, não é verdade que um lugar de bactéria diligente-mor se está a tornar inadiável?

08/04/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (182)

Outras avarias da geringonça e do país.

Citar a desvergonha da comissão parlamentar da transparência das funções públicas, depois de três anos e mil horas de discussão, ter cedido à promiscuidade entre o estatuto de deputado e o de lóbista encartado, sob a forma de sócio de sociedade de advogados, vai para além do escopo desta crónica dedicada aos estragos que a geringonça causa ao país, porque desta vez os estragos também são responsabilidade doutras agremiações.

Por falar de comissões parlamentares, nas audições de Carlos Costa e Victor Constâncio têm sido recorrentes os problemas de memória de ambos, com a pequena diferença que o primeiro actuou tarde e más horas e o segundo actuou pontualmente para facilitar o assalto de Sócrates ao BCP (ver I, II, e III) e, quando confrontado com a sua inacção na supervisão dos bancos, desculpou-se que não era o pelouro dele porque «estava essencialmente concentrado na política monetária» o que me remete para a sua famosa declaração Mississipi no discurso de tomada de posse em 2000 onde concluiu que «sem moeda própria não voltaremos a ter problemas de balança de pagamentos iguais aos do passado. Não existe um problema monetário macroeconómico». Só não foi um prognóstico irremediavelmente idiota porque acertou na parte «iguais aos do passado», já que a bancarrota de 2011 foi muito mais grave do que as anteriores.

07/04/2019

Lost in translation (319) - No perder está o ganho

«As imparidades estão muito sobreavaliadas. A atual administração tem de gerir estes ativos porque tem ali resultados potenciais muito significativos» disse distraidamente Manuel de Oliveira Rego, ex-Revisor oficial de contas da CGD, querendo significar com «resultados potenciais muito significativos» perdas não tão avultadas quanto tinha previsto.

Exemplo:

Joe Berardo é o cromo a quem o governo de Sócrates cedeu o centro de exposições do CCB por 10 anos, lhe prometeu pagar meio milhão de euros por ano e se obrigou a comprar a colecção no final, se Berardo a quiser vender, depois dos governos anteriores terem gasto, entre 1996 e 2005, 1,5 milhões de euros para alojar as tralhas do Berardo em Sintra.

Sócrates no seu assalto ao BCP (ver I, II, e III) em 2007 encarregou os seus parceiros Santos Ferreira, Armando Vara e Ricardo Salgado (dos quais só o segundo está preso) de emprestarem dinheiro a Berardo através da Caixa, do BES e do próprio BCP, para comprar acções do BCP, dadas como garantia dos empréstimos, acções que poucos anos depois valiam menos de um décimo do valor garantido.

Foi assim que Berardo deixou um calote de 350 milhões à Caixa. Para seguir o raciocínio do ROC Oliveira Rego, admitamos que a Caixa registou em relação a este malparado uma imparidade de 300 milhões e que anos mais tarde Berardo tivesse dado como garantia uma parte da sua tralha de arte que hipoteticamente poderia ser transaccionada por 80 milhões. De onde, os 300 milhões de imparidade, já dados como perdidos, poderiam ficar reduzidos a 270 milhões. É a esta hipotética redução de 30 milhões na perda que o ROC baptiza de «resultados potenciais muito significativos».

Como costumava dizer o meu avô, no perder está o ganho.

04/02/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (173)

Outras avarias da geringonça e do país.

Se tivesse de fazer a escolha difícil do melhor título entre os muitos que a boa imprensa oferece ao governo de Costa, a semana passada teria escolhido «Governo abriu 53 mercados fora da UE e exporta cerca de 200 produtos». Parece uma das piadas que fazemos aqui nesta crónica, como por exemplo: a economia cresceu pelas milagrosas acções do governo que mandou turistas para cá e produziu bens e serviços que exportou para lá; agora, a economia arrefece por causa da conjuntura internacional.

Que a Caixa continua a ser uma das putains de la République ficou uma vez mais confirmadíssimo com os episódios à volta da auditoria da EY cujo relatório a administração dessa putain pediu para expurgar de «informação ao abrigo do sigilo bancário». Isto num país com um governo que obriga os bancos a comunicar ao fisco todas as contas de valor superior a 50 mil euros, que nomeou presidente da Caixa um vice-presidente de Santos Ferreira, em cujo mandato a putain emprestou a fundo perdido aos empresários do regime com vários propósitos, incluindo o de comprar acções do BCP para onde transitou Santos Ferreira acolitado por Armando Vara. Uma Caixa cuja administração nomeou para auditar os actos das anteriores administrações (a que pertenceu o actual presidente) a sociedade de advogados Vieira de Almeida que, por feliz coincidência, teve como clientes vários dos beneficiários da prodigalidade da putain, incluindo Manuel Fino, um dos implicados no assalto ao BCP com dinheiro emprestado pela mesma putain. [O caso do empréstimo de 231 mil euros a taxa zero por um prazo que ultrapassa a esperança de vida da filha de Vara é um episódio digno do tipo Lava Jato]

23/01/2019

Dúvidas (253) - Como é que foi possível? pergunta ele

Pergunta-nos Pedro Santos Guerreiro, o director do semanário de reverência, no email Expresso Curto:

«Como é que um relatório de auditoria sobre 15 anos de gestão na Caixa Geral de Depósitos revela agora o que 15 relatórios de auditorias anuais não revelaram?

Como é que tantas notícias publicadas naqueles anos sobre os casos agora confirmados não conseguiram que alguém entrasse por ali adentro para verificar o desmando?

Como é que apesar dessas notícias foi possível que os dois administradores mais importantes da Caixa, ambos ligados ao PS de Sócrates que então governava, saltassem para o BCP, liderando assim os dois maiores bancos portugueses?»

Assim de repente, ocorre-me responder que talvez tenha sido porque, devido a razões que me escapam, a audiência do (Im)pertinências ainda é menor do que a do Diário de Noticias e limita-se a umas poucas milhares de almas que essas, sim, leram pelo menos alguns das muitas dezenas de posts que aqui publicámos a esse respeito, entre os quais os seguintes, na primeira década de vida do (Im)pertinências:

27/09/2004 SERVIÇO PÚBLICO: O clientelismo como política de clientes.
02/08/2005 ESTÓRIA E MORAL: uma primeira impressão com segundas intenções
03/08/2005 SERVIÇO PÚBLICO: a ventoinha do PS começa a trabalhar (ACTUALIZADO)
12/08/2005 TRIVIALIDADES: salto à vara
04/01/2008 ESTADO DE SÍTIO: do conúbio do estado napolónico-estalinista com o empresariado de olho vivo e pé ligeiro
09/01/2008 A parte submersa do iceberg Millenium bcp
02/10/2008 A mão pesada versus a mão invisível
08/10/2008 Deserto? Jamais! Pescadinha de rabo na boca.
21/12/2008 O toque de finados para os elefantes brancos
21/02/2009 ESTADO DE SÍTIO: La putain de la republique
27/02/2009 ESTADO DE SÍTIO: La putain de la republique (2) - sans virgules
14/05/2009 Mais um a caminho
12/06/2009 CASE STUDY: Sócrates & Pinho, uma dupla de sucesso nos negócios – o caso La Seda
28/07/2009 CASE STUDY: Sócrates & Pinho Santos, uma dupla de sucesso nos negócios – La Seda (ACTUALIZAÇÃO)
05/10/2009 Estado empreendedor – (10) sequelas do assalto ao Millenium bcp
12/11/2009 SERVIÇO PÚBLICO: «Cronologia de um golpe»
19/12/2009 Lost in translation (14) - uma espécie de condicionamento industrial socialista
12/02/2010 ESTADO DE SÍTIO: la strategia del ragno
23/02/2010 Lost in translation (32) – Rigor? Já fizemos engenharia orçamental no passado. Voltaremos a fazê-lo no futuro, queria ele dizer. (V)
26/03/2010 O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (13) – amarrados ao Vara
05/07/2010 CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Os objectivos e a estratégia
23/07/2010 O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (21) – cada tiro, cada melro
04/10/2010 CAMINHO PARA A SERVIDÃO: As rameiras do regime
06/10/2010 CAMINHO PARA A SERVIDÃO: As rameiras do regime (2)
25/07/2011 Lost in translation (114) – esta manhã acordei e senti-me um homem novo, terá dito ele com os seus botões
14/02/2012 Uma Caixa de Pandora
19/02/2012 Uma Caixa de Pandora (2)
10/04/2012 A defesa dos centros de decisão nacional (7) - a procissão já saiu do adro mas ainda há muitos penitentes com promessas por pagar
10/08/2012 Estado empreendedor (68) – outro PIN auto-abortado
02/10/2012 Uma Caixa de Pandora (3)
22/10/2013 Estado empreendedor (76) - Sequelas do assalto ao Millenium bcp (III)
25/08/2014 Pro memoria (189) – Quase um quinto do PIB consumido em 6 anos para manter os bancos a flutuar

Outra pergunta pertinente, desta vez de Rui Rio, o líder que teve uma epifania nocturna a semana passada: «Governo já sabia de irregularidades na CGD? Se sim, “é grave”» Mais outro que não frequenta o (Im)pertinente.

23/12/2018

CASE STUDY: O assalto ao BCP pela clique socialista de José Sócrates onze anos depois

O (Im)pertinências dedicou cerca de uma centena de posts a este tema (por exemplo aqui), uma das maiores vergonhas do regime que envolveu além do maestro José Sócrates, homens de mão como Santos Ferreira e Vara, facilitadores como o ministro anexo Vítor Constâncio (à época governador do BdP), homens do negócio socialista como Joe Berardo e muitos outros. Aproveitando a efeméride, Filipe Pinhal, administrador do BCP e no final sucessor de Jardim Gonçalves, escreveu no jornal SOL o artigo seguinte.

08/07/2017

Lost in translation (293) - "Crise" neste contexto pode traduzir-se por Sócrates e o PS


Ora leia-se o que escrevi há 8 anos no post «Estado empreendedor – (10) sequelas do assalto ao Millenium bcp»:

A estória é conhecida. Joe Berardo compra acções do Millenium bcp com empréstimos, primeiro da Caixa (onde à época era presidente Santos Ferreira, o actual presidente do Millenium bcp que sucedeu a Filipe Pinhal, homem de confiança de Jardim Gonçalves), do BES (por esta e por outras razões Filipe Pinhal escreveu o que escreveu sobre Ricardo Salgado, o banqueiro do regime socialista) e do Santander. Depois do afastamento da administração Filipe Pinhal, o próprio Millenium bcp financiou Berardo na compra de mais acções do próprio banco. Santos Ferreira reeditava assim um processo semelhante ao de Jardim Gonçalves.

A coisa correu mal porque as acções do Millenium bcp, que Berardo deve ter comprado a um preço médio de cerca de 2 euros, foram caindo até quase 50 cêntimos. Correu mal para Berardo e para os bancos que o financiaram, a quem Berardo tinha oferecido como garantia as próprias acções do bcp. O Santander, que não faz parte complexo político-empresarial socialista português (nem do espanhol), perante a insuficiência da garantia exigiu um reforço e dispunha-se a executar a dívida se tal não acontecesse. Pelo caminho Berardo ofereceu como garantia, que o Santander recusou mas os bancos do regime aceitaram, a colecção de arte que o governo de Sócrates alojou no CCB a expensas dos sujeitos passivos.

O desfecho do episódio, revelado pelo Expresso e não desmentido por Berardo, foi o Millenium bcp, cujo Conselho de Remunerações é presidido por Berardo, prestar uma garantia à primeira interpelação (on first demand) ao Santander, pessoalmente aprovada por Santos Ferreira, que já tinha aprovado empréstimos, primeiro na Caixa e depois no Millenium bcp.

Que este emaranhado de conflitos de interesse pareça normal neste país é apenas um sintoma de como o governo de José Sócrates contribuiu para tornar este país ainda mais anormal.

10/03/2017

ESTADO DE SÍTIO: A costela jacobina do PS e o «assalto ao castelo»

Com o beneplácito de Belém, o PS cerca os últimos vestígios de independência e procura minar o Conselho de Finanças Públicas. Comunistas e berloquistas vão mais longe e propõem a sua exterminação.

Como o BdP não se pode exterminar, nem a geringonça quer correr o risco de demitir Carlos Costa invocando falha grave e entrando em rota de colisão com o BCE, tenta-se, com o ruidoso apoio da tropa de choque comunista e berloquista, obrigar a criatura a demitir-se acusando-o de inacção no caso do BES (leia-se a propósito este artigo de João Vieira Pereira), recusando as suas propostas de nomeação para a administração e, cereja em cima do bolo, nomeando para o Conselho Consultivo do BdP Francisco Louçã, o tele-evangelista do trotskismo, inimigo da Europa e do euro, acompanhado por Murteira Nabo e Luis Nazaré, duas luminárias da nomenclatura socialista.

Enquanto isso, a imprensa amiga faz rufar os tambores. «Carlos Costa tem de se demitir» titula, por exemplo, Daniel de Oliveira, jornalista de causas/militante/comentador/analista, ex-comunista, ex-Plataforma de Esquerda, ex-Política XXI, ex-bloquista, ex-Livre, ex-Tempo de Avançar, cobrindo assim todo o leque da geringonça.

E, para o caso do homem não se demitir, colocam-se de reserva falhas graves. Só o pastorinho da economia dos amanhãs que cantam Nicolau Santos coleccionou sete. Sim, é o mesmo pastorinho que enfiou o barrete do vigarista Baptista da Silva, e que, como aqui escrevi há nove anos, fez o frete de limpeza dos detritos do Millenium bcp dos ombros do ministro anexo Constâncio, escrevendo no Expresso um artigo laudatório com o assombroso título «Greenspan defende Vítor Constâncio».

Ao mesmo tempo, Carlos César, presidente dos socialistas, com o descaramento habitual, considera que as «falhas do BdP “foram em segunda instância falhas da governação” de Passos», sem tirar as consequências do que diz que seria considerar os governos de Guterres e Sócrates responsáveis pelas falhas de governação do ministro anexo Vítor Constâncio, uma personalidade, agora estacionada em Frankfurt, que entre 1986 e 1989 saltitou entre a liderança do PS e a governação do BdP, voltando a esta em 2000 durante dez anos consecutivos.

13/07/2016

CASE STUDY: quem é o deus ex machina da Ongoing? (18)

Repetindo-me: quando em 2009 escrevi o primeiro post da série «quem é o deus ex machina da Ongoing?» a razão da pergunta e a pergunta em si mesma poderiam ser obscuras para a maioria dos portugueses que não faziam a menor das ideias de que o resgate pela troika os esperaria dois anos depois, e que decorridos outros quatro anos assistiriam ao colapso dos Espírito Santo, os Donos Disto Tudo.

O que há então de novo? Há o PER, o Processo Especial de Revitalização ao abrigo do qual a Ongoing se propõe que os bancos lhe perdoem 97% da dívida. E quais bancos? Fica quase tudo entre o Novo Banco, que herdou crédito do BES com a maior fatia, e o BCP. E porquê estes?

A parte do BES não carece de explicação, o que alguém deveria explicar é como foi o crédito da Ongoing parar ao Novo Banco que, segundo os critérios do resgate, deveria ter ficado no «banco mau», isto é no BES,  A parte do BCP também se explica facilmente pela participação da Ongoing como testa de ferro dos Espírito Santo no assalto ao BCP (ver este post inaugural da série e ainda este e este sobre o móbil do assalto).

Fica então apenas por explicar como tem sido possível uma parte da comentadoria do regime ainda não ter percebido aonde têm ido desaguar os rios de dinheiro dos contribuintes que os governos têm derramado no sistema bancário. Só essa parte, porque a outra parte da comentadoria (a que percebeu perfeitamente) não precisa de ser explicada - são os opinion dealers e é esse o seu modo de vida.

24/05/2016

Estado empreendedor (100) – Controlo público, disse ele (continuação)

Em retrospectiva (actualizada com os resultados de 2015):

«Marcelo apoia Governo na tarefa de defender Caixa como “instituição de controlo público"»


Prejuízos acumulados entre 2008 e 2015: -2,5 mil milhões de euros
Note-se que o facto de em 2015 de os prejuízos se terem transformado num pequeno lucro de 12 milhões, que para a dimensão das contas da Caixa é a mesma coisa que um prejuízo de montante parecido, e uma vez que a margem financeira apenas aumentou de 65 milhões, a melhoria dos resultados deve-se ao acréscimo no exercício do montante das provisões e imparidades se ter reduzido em mais de 700 milhões, milagre de que seria prudente duvidar.

Últimos desenvolvimentos:

«Caixa. Governo aceita injeção pública de quatro mil milhões de euros»


Há quem defenda a privatização da Caixa e há quem se indigne com a torrefacção do dinheiro dos sujeitos passivos e exija uma gestão pública de qualidade, esquecendo que governos comunistas, socialistas, sociais-democratas e «neoliberais» garantiram a qualidade de todas as administrações nomeadas nos últimos 42 anos, como o Botas e o padrinho do presidente Marcelo já tinham garantido no passado - melhor garantia, reconheça-se.

Contudo, nem uns nem outros explicam se a Caixa tivesse sido privada ou tivesse uma gestão pública por um híbrido de S. Mateus (o padroeiro dos bancos e das finanças) com um mago banqueiro como o engenheiro Jardim Gonçalves, quem teria sabotado a OPA da Sonae-France Telecom à PT, quem teria acolhido Armando Vara na administração, quem teria financiado o assalto ao BCP via Berardo e a Ongoing (isto é os Espírito Santo), quem teria enterrado 5 mil milhões nas sucursais de Espanha e França, quem deteria 7,5 mil milhões de dívida pública, quem aceitaria amortizar empréstimos com acções valorizadas 25% acima do valor de mercado (Cimpor para Manuel Fino), quem emprestaria dinheiro a José Sócrates para ir estudar para Paris, quem teria financiado projectos inviáveis do complexo político-empresarial socialista, entre muitas outras operações (algumas delas relatadas por estes vossos correspondentes durante mais de uma década - é só fazer uma pesquisa por «Caixa»). E, já agora, quem poderia ter emprestado mais uns milhares de milhões ao GES se não fosse o «neoliberal» Passos Coelho não ter aceite o pedido de Ricardo Salgado para «facilitar» um empréstimo da Caixa poucos meses antes da bancarrota?

E para os que defendem a privatização da Caixa não se ficarem a rir, se a Caixa tivesse sido privada quem garantiria que não lhe aconteceria o mesmo do BPN, do BPP, do BES ou do Banif?

Vá lá! Expliquem-me!

25/03/2016

Pro memoria (300) - Tiveram um apagão de memória

«O acompanhamento justifica-se não só pela questão legal, mas porque o Estado é também parte interessado. É pela irresponsabilidade do PSD e do anterior primeiro-ministro em relação a estes assuntos, que estamos todos a pagar caro os erros desse desleixe – como é exemplo vivo disso o caso do BANIF» disse João Galamba, lente da Mouse School of Economics e secretário nacional do PS cujo secretário-geral José Sócrates acolitado por Santos Ferreira e Armando Vara assaltou o BCP, o maior banco privado português.

«Não só é legítimo como também é importante que o primeiro-ministro se preocupe com a banca nacional» disse na SIC Miguel Sousa Tavares, compadre de Ricardo Salgado, o Dono Disto Tudo e em particular do BES.

«Justifica-se essa intervenção, a pensar na estabilidade do sistema financeiro (…) e uma vez que se trata de cumprir a Constituição a posição do Presidente só pode ser de apoio a esse cumprimento», disse o presidente da República professor Marcelo, amigo de Ricardo Salgado e com uma «eterna namorada» que última reunião antes do resgate do BES «tomou a palavra para realçar a honra … de integrar o Conselho de Administração». Cumprir a Constituição? Honra? Valha-nos Deus.

O que há de comum no software mental das três luminárias citadas quando se pronunciam sobre a mais amplificada e para angolano ver do que real intervenção de António Costa nas movimentações em curso na banca?

Tiveram um apagão. A memória sumiu-se e com ela a lembrança dos 36 anos que vão de 1975 a 2011 de intensa intervenção dos governos na banca assumindo diversas formas: desde a nacionalização e a tutela dos bancos públicos (mais de 90% da banca) nos quase 20 anos seguintes, até à atracção fatal entre a banca do regime e o poder incluindo o escandaloso conúbio entre os socialistas e os Espírito Santo com as consequências conhecidas, passando pelo assalto da clique socialista comandada pela dupla Sócrates-Vara ao BCP, o maior banco privado.

Actualização:
Para além das agitações mediáticas, a intervenção do par Costa-Marcelo não parece ter tido efeitos práticos nas negociações cujo fracasso o Financial Times anunciou. Tudo indica que a Padeira de Aljubarrota angolana quer mesmo ficar com a participação do BPI no BFA, participação que representando a maior parte dos seus lucros.tem dado imenso jeito ao BPI.

20/03/2016

ESTADO DE SÍTIO: Costa, o Zé Du do Puto

1.ª página do Expresso de 18-03
Quem tenha ouvido falar de Christine Deviers-Joncour e não tenha perdido a memória dos assaltos da clique sócio-socrática ao BCP perceberá que um título alternativo para este post seria: «BCP, la putain de la République».

Para recordar o caso BCP releiam-se as seguintes séries de posts: «A parte submersa do iceberg Millenium bcp»; «Cronologia de um golpe»; «La strategia del ragno»; «Móbil do assalto ao BCP»; «Sequelas do assalto ao Millenium bcp».

Quem não tenha perdido a memória reconhecerá nos últimos meses o padrão habitual das Orchestral Manoeuvres in the Dark a desenrolarem-se no Expresso agora mais visíveis nas primeiras páginas e no chuto para cima do mano Ricardo (que aliás estava a mostrar-se mais independente do que o costume).