As greves e manifs são legítimas? DependeA greve dos motoristas de matérias perigosas fez desaparecer os combustíveis de algumas bombas e fez aparecer as verdadeiras faces de alguns políticos e das organizações que os albergam.
Dos políticos, saliento o primeiro-ministro que proferiu pelo menos dois pensamentos só à primeira vista surpreendentes. «O interesse do país nunca tira férias» disse o que foi de férias no pico dos incêndios onde morreram dezenas de pessoas por incúria e incompetência da administração de que ele é o chefe. E, ao defender que «em democracia não há direitos absolutos», confirmou-nos que não é um democrata, o que alguns de nós já tinham percebido, mostrou-nos a sua mão dura na requisição civil e, claro, deixou-nos o aviso que, se lhe der jeito e o deixassem, seria bem capaz de reinstaurar a censura, sem grande oposição em geral e no meio jornalístico em particular, salvo algumas raras almas que classificam a acção do governo na greve como «Agit-prop sem vergonha nenhuma».
Das organizações políticas, além do PS, cujo governo colocou a administração pública ao serviço do «patronato» na distribuição de combustível, e da hipocrisia habitual dos mutantes berloquistas, saliento o caso do PCP e do seu braço sindical CGTP que retomaram o papel de sabotadores de greves que já tinham assumido há 45 anos. Durante o PREC, fizeram-no por controlarem o governo e o país de onde resultava que todas as greves que não fossem da sua iniciativa eram anti-patrióticas. Agora reincidiram, com menos razões porque já não controlam o país e cada vez menos o aparelho sindical e o seu móbil foi apenas sabotar o sindicato concorrente sentando-se ao colo do «patronato».
Fumamos, mas não inalamos
Fumei, mas não inalei, foi o que disse Bill Clinton a propósito da sua relação dos tempos da universidade com a Marijuana, relação que antecedeu a outra com Miss Lewinsky no gabinete oval - a este respeito não resisto a invocar a tese de há 16 anos do outro contribuinte sobre a ligação deste caso com a segunda intervenção americana no Iraque.
Pois bem, o camarada Jerónimo fez-me recordar o fumei, mas não inalei quando, depois de quatro anos de ménage a trois (ou a quatre se incluirmos o apêndice PEV), declarou peremptoriamente «não há nenhuma maioria parlamentar nem nenhum Governo de esquerda ou de maioria de esquerda. Não há Governo apoiado pela CDU». O que me leva a outra recordação, a da piada de Benjamin Disraeli a propósito das estatísticas, que adaptada daria neste caso algo como: há três tipos de mentiras: mentiras, malditas mentiras e mentiras dos comunistas.


