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14/10/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (1)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Et maintenant que vais je faire?

Durante 150 semanas publiquei a «Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça» à qual, por falta de comparência até então da avaria irreparável, sucedeu durante outras 58 semanas a «Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País».

Realizadas as eleições, os parceiros do PS na ménage à trois perderam no conjunto mais de 170 mil votos (os comunistas suportaram dois terços dessa perda), perdas que só parcialmente foram compensadas pelos 124 mil votos ganhos pelo PS - 124 mil depois de quatro anos de governação numa conjuntura irrepetível por longos anos é muito poucochinho, não é verdade Dr. Costa? Desses resultados desastrosos concluíram os parceiros do PS que afinal a relação poliamorosa tinha sido como a estória da fusão entre o porco e a galinha para fazer uma omelete de presunto em que os berloquistas e comunistas fariam o papel do porco.

Percebido qual o seu papel, os comunistas recusaram desempenhá-lo e os berloquistas imaginaram vender o seu presunto mais caro, preço que o PS não quis pagar. E Costa concluiu que só com um fornecedor o preço do presunto ficaria demasiado alto e encenou uma negociação cujo propósito ficou claro quando deixou de fora da equipa socialista Pedro Nunes Santos, o mestre-de-obras da construção da geringonça e seu putativo sucessor em concorrência com o favorito Medina.

Avariada assim, segundo parece, a geringonça e decidido a prosseguir uma espécie de serviço público gratuito com uma outra crónica, qual seria o seu título? Consumido pela dúvida, ocorreu-me que segundo a lenda o padre Bartolomeu de Gusmão fez várias experiências, quase todas mal sucedidas, com um zingarelho cuja configuração exacta se perdeu nos tempos, ficando para a história com o aspecto que um discípulo do padre, um infante que viria a ser o 2.º Marquês de Abrantes, desenhou com a concordância do mestre para confundir os curiosos. A esse zingarelho botaram-lhe o nome de Passarola de Gusmão. E foi assim que, decidido a continuar com uma crónica, a alusão à Passarola de Costa se me impôs com naturalidade.

24/02/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (20)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Para os amigos tudo, para os inimigos nada, para os outros cumpra-se a lei

A jornalista de causas Maria Flor Pedroso já foi objecto da nossa atenção em várias ocasiões (como aqui) e nunca por boas razões. Chamei-lhe prima, mas ela é apenas filha do padrasto do Dr. Costa, o que é indiferente - estamos sempre a falar da família socialista ou dos seus amigos. Maria Flor, que se havia demitido depois de tentar intervir no programa "Sexta às 9", em sinal de reconhecimento foi promovida pela Administração da RTP, segundo o jornal SOL, não uma, não duas, não três mas quatro vezes de uma assentada.

Se, para os amigos, o Dr. Costa é homem para telefonar para os promoverem, para os inimigos o Dr. Costa telefona para os despedirem, como fez à jornalista Ana Leal quando era ministro da Administração Interna.

As mulheres dos césares não precisam de ser sérias, nem mesmo de o parecerem

Como em tempos escrevi numa das crónicas, com a venda à família da sua empresa Produções Fictícias, com uma cláusula de reversão que lhe permite recuperar a sua posição, terminou o conflito de interesses de Nuno Artur Silva - um amigo do peito do Dr. Costa - que tirou o chapéu de administrador da RTP e colocou o de secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media. Liberta do conflito de interesses, a RTP adjudicou às Produções Fictícias dois "projectos" um de 20 mil e outro de 390 mil euros.

A esperança é a última a morrer

A minha esperança é a eutanásia aprovada em 5 (cinco) projectos de lei venha a jazer no Diário da República sem aplicação. E porquê essa desesperada esperança? perguntareis vós que me aturais todas as semanas. Porque a ministra da Saúde garantiu em relação à execução da eutanásia (nunca a palavra execução foi tão adequada) que «o Serviço Nacional de Saúde, aqui como noutras áreas, está preparado para responder». As palavras-chave são como noutras áreas.

O Dr. Centeno é (mais) um grande ilusionista

A semana passada a imprensa amiga louvaminhou a evolução dívida pública e do endividamento da economia. O Impertinente entende que a louvaminha é mais exagerada do que a notícia da morte de Mark Twain, e concluiu:
  • a dívida pública líquida continuou a aumentar em 2019, tendo o Ronaldo das Finanças escamoteado o aumento da dívida bruta à custa da redução da almofada financeira;
  • o endividamento das empresas manteve-se, trocando dívida interna por externa, ou seja aumentando-se a dependência financeira face ao exterior.

11/11/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (5)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Geringonça suprimida. Viva a passarola

«Onde está o celebrado território programático da convergência histórica das esquerdas?» perguntou-se Sérgio Sousa Pinto, respondendo: «A 'geringonça' apareceu para suprimir uma ilegitimidade. Suprimida a ilegitimidade, supriu-se a 'geringonça'».

Web Summit - as dormidas já ninguém nos tira

Por muito que as trombetas da imprensa amiga soprem (quase todos os jornais com excepção do SOL se auto-excitaram com a coisa), o certo é que é essencialmente um evento turístico que dá muito jeito para fazer entrar uns cobres e, vá lá, um palco para as nossas elites merdosas exibirem o seu provincianismo cosmopolita convencidas da sua notoriedade global. Vem a propósito dizer que os mídia internacionais, com poucas e secundárias excepções se borrifaram para o evento: sem querer fazer passar um indicador como facto estabelecido, o certo é que a pesquisa no Google «web summit lisbon site:.com» na secção notícias no último mês mostra 152 referências.

E, claro, também dá jeito para o Paddy facturar uns euros na venda das camisolas fabricadas pela empresa da sua mulher. Sendo inquestionável que faz entrar uns cobres a estimativa entre os 111 e os 176 milhões é pura fantasia porque, em vez de medir o impacto marginal das estadias dos participantes que representam cerca de 70% das receitas, medem o valor bruto, como se sem Web Summit, os hotéis, os restaurantes e os transportes ficassem vazios.

O PS como barriga de aluguer de causas fracturantes

Para além dos múltiplos efeitos habituais nocivos da governação socialista, em consequência da dependência de Costa do suporte do BE a identidade do género e as outras obsessões do berloquismo entraram pela porta da frente na agenda do governo anterior. Suprimida a geringonça, essas causas começaram a entrar pela porta dos fundos, como a eutanásia que não fazia parte do programa do governo e agora vai ser objecto de uma iniciativa legislativa do grupo parlamentar do PS, segundo o Expresso.

02/12/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (8)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Era uma vez um Centeno

Pelo menos desde a posse do governo, a queda no estrelato socialista do Ronaldo das Finanças era já visível para os observadores mais atentos. Agora é visível para quase toda a gente que não é cega,

Quando se for embora para o aconchego do BdP, Centeno levará consigo as cativações e as culpas da paralisia do Estado Sucial e o PS renascerá purificado pronto para a distribuição do maná orçamental.

Boa Nova

«Portugal quer investir €2500 milhões na indústria espacial até 2030», anunciou o semanário de reverência, sendo metade financiada pela Agência Espacial Europeia e um quarto pelos "privados" (o que no patuá socialista significa a parte produtiva do país). Interrogou-se o Impertinente, e eu com ele, pois se nem um aparelho de raio X a cair de podre substituem, vão mandar para o espaço um quarto do orçamento anual do SNS?

Em defesa do SNS, sempre

E a propósito do quarto do orçamento do SNS a enviar para o espaço, quanta baba de indignação teriam os geringonços vertido se durante o anterior governo as mortes por complicações a gravidez duplicassem de um ano para outro? Ou se não houvesse cirurgiões nas urgências do Hospital de Faro. Muita, certamente.

E o que dizer das conclusões do relatório «O Estado da Saúde da UE» da Comissão Europeia que vem fazer luz sobre a mitologia do SNS que a esquerdalhada vem alimentando desde a sua criação? A despesa pública na saúde é em Portugal dois terços da média da UE e continua a descer. A percentagem das despesas com saúde directamente pagas pelos utentes em Portugal é 27,5% contra 15,8% na UE. Em 2017 não tinham médico de família 600 mil portugueses.

23/12/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (11)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Costa, o Ilusionista Mor do Reino

Depois de declarar virada a página da austeridade, tirar da cartola um programa “neoliberal”, declarar que «não é de esquerda promover défices e aumento da dívida» e depois de quatro anos de governo surpreender-se por «ainda ninguém ter sido julgado no caso do BES», mostraria que Costa é um ilusionista de classe mundial, não fosse o caso de a audiência que o aplaude ser pouco exigente - já aplaudiu um Sócrates e outros artistas do mesmo calibre.

Errata: a prima não era prima, era filha do padrasto

Por devoção ao rigor, devo fazer uma correcção à crónica da semana passada onde, a propósito das intervenções no programa "Sexta às 9" no caso do lítio e no caso ISCEM (e, acrescento agora, no caso dos bónus da TAP) pela ex-directora da RTP Maria Flor Pedroso, a apelidei de «prima do Dr. Costa». Parece não ser verdade. Em vez disso, fontes geralmente bem informadas escreveram que ela é apenas filha do padrasto do Dr. Costa. Engano que, estou certo, é desculpável. Afinal a nódoa cai em qualquer pano, como se viu pelo exemplo do cento de jornalistas amigos da verdade que subscreveram o abaixo-assinado garantindo que a Senhora era uma jornalista sem mácula depois daqueles casos que seriam suficientes para manchar três carreiras.

«Temos resultados, temos contas certas».

Foi uma semana desoladora para o nosso antigo herói Centeno. Gralhas no orçamento, mentiras na carga fiscal, chutos para a frente na receita consignada ao Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social e erros materialmente relevantes na Conta Geral do Estado de 2018 apontados pelo Tribunal de Contas.

Talvez frustrado com as gralhas, o Ronaldo das Finanças em entrevista ao Expresso respondeu grosso ao Dr. Rio, depois deste ter confundido as despesas em contabilidade pública e em contabilidade nacional, com um «não sabe nada de economia – e muito menos Finanças públicas - ou nunca viu fazer um Orçamento do Estado» e insinuando que a oposição tem «um complexo de Pavlov». Não é que seja mentira, mas, dito assim, é um pouco violento e inesperado para um "técnico" que só está a fazer tempo para o sossego do BdP.

30/03/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (25) - Em tempo de vírus (III)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Estamos em guerra?

Sim, é o que diz o governo por bocas várias, incluindo a da ministra da Saúde e até do Dr. Mário Centeno que com as suas cativações e outros expedientes orçamentais deixou o exército para esta guerra sem munições.

É normal. A história mostra que os governos quando se sentem entalados frequentemente inventam um inimigo externo, a maior parte das vezes para tentar entalar os inimigos internos.

Os ricos que paguem a crise

Vocifera em coro quase toda a nomenclatura do regime, invocando as supostas obrigações de solidariedade da Óropa para com o Portugal dos Pequeninos e exigindo coronabonds. É uma espécie de reedição do mote maoista do PREC os ricos que paguem a crise.

O Dr. Costa entrou no coro como solista no papel de “pedinte mal criado”, engrossou a voz e apelidou de «repugnante» o discurso do ministro das Finanças de um dos ricos que, diz o Dr. Costa, defendeu que se deveria averiguar o que andaram os pedintes a fazer com o dinheiro durante de 6 anos de crescimento da Zona Euro. Pela parte portuguesa respondi aqui: o Dr. Costa gastou-o em acções da mais pura solidariedade socialista para promover o bem-estar da sua freguesia eleitoral.

E quem são os ricos? perguntareis e eu respondo com o diagrama seguinte: são os azuis. O que, por casual coincidência, faz dos vermelhos os pobres, como na vida real.

16/12/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (10)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Apreciamos a liberdade da nossa imprensa

Depois do caso do lítio que o programa "Sexta às 9" da RTP, o canal governamental, foi forçado a apresentar só depois das eleições pela directora Maria Flor Pedroso, prima do Dr. Costa (cá está, outra vez, a grande família socialista), temos o caso do Instituto Superior de Comunicação Empresarial, onde lecciona Maria Flor Pedroso, e de cuja proprietária é amiga (lá está, os amigos são uma espécie de prolongamento da família), a quem avisou e aconselhou sobre as investigações inconvenientes da jornalista Sandra Felgueiras (uma metediça, está visto).

Não fora o movimento (lá está, espontâneo) de 113 indignados jornalistas que se mobilizaram num abaixo-assinado (lá está, o abaixo-assinado como arma de luta), e a directora da RTP e prima do Dr. Costa estaria ameaçada de ser injustamente impedida de continuar a exercer o seu múnus patriótico. Logo agora, que o primo Dr. Costa destacou o antigo administrador da RTP, dono de um fornecedor de conteúdos para RTP e seu fiel amigo (lá está, os amigos são para as ocasiões) para a secretaria de Estado dos Mídia onde se prepara para lançar uma «campanha de sensibilização» para educar os jornalistas a produzirem e os leitores a consumirem informação rigorosa (lá está, a coisa já tinha sido pensada por Eric Arthur Blair quando imaginou o ministério da Verdade).

É uma vergonha pretender proibir a palavra vergonha

Talvez cumprindo a sua vocação de grande educador do povo, o Dr. Ferro Rodrigues com o seu chapéu de segunda figura do Estado Sucial admoestou e ameaçou o deputado do Chega por usar as palavras «vergonha» e «vergonhoso» demasiadas vezes a propósito da governação do Dr. Costa o que, no seu entender, significava «desprestigiar as instituições democráticas».


É muita ousadia para quem já esteve «cagando para o segredo de justiça» e pertence ao grupo parlamentar socialista cujos deputados já usaram 259 vezes a palavra vergonha só na última década.

O tiro ao Centeno tornou-se o desporto oficial

No primeiro mandato o bode expiatório foi o governo "neoliberal" papel que passados cinco anos já prescreveu. Foi preciso, portanto, encontrar um substituto. Está encontrado e, por coincidência, é o herói do primeiro mandato - o Ronaldo das Finanças. Não apenas os seus colegas de governo sopram dissidências para os jornalistas amigos como até a Dr.ª Ferreira Leite, uma antiga ministra das Finanças, classificou de «faz de conta» o orçamento e exortou os colegas do Dr. Centeno a verem-se livres dele, mostrando que não apenas faz o serviço socialista quando o PS está na oposição, como mostrou durante os 4 anos do governo do seu partido, mas igualmente quando o PS governa. O Dr. Costa deveria agradecer-lhe criando uma comissão para a Dr.ª Manuela presidir.

A coisa até já passou a fronteira e chegou a Bruxelas onde, numa reunião do Conselho Europeu com o Ronaldo presente com o chapéu da Zona Euro, este e o Dr. Costa se pegaram a propósito do orçamento europeu que o primeiro exaltou e o segundo detractou para espanto dos presentes que não estavam habituados a tal coisa. Até o circunspecto semanário de reverência dedica quase uma página ao tema.

07/01/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (13)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O choque da realidade com a Boa Nova

Anunciada em Fevereiro a redução do preço dos passes sociais para reduzir as emissões de dióxido de carbono, um resultado bastante duvidoso como aqui se tem mostrado, a coisa tem vindo a ser sucessivamente adiada na Área Metropolitana do Porto (AMP) e a última promessa do presidente da AMP e do entertainer do ministério do Ambiente de arrancar em 1 de Janeiro voltou a ser adiada para as calendas. Sem problema, digo eu, porque é uma poupança mais de despesa pública do que se reduzem as emissões de CO2.

«Em defesa do SNS, sempre»

Cansados de esperas e de falta de resposta pela degradação do SNS, revoltam-se os «utentes», expressão que em socialês designa os contribuintes que não têm seguro de saúde nem meios de recorrerem aos hospitais privados. Revoltam-se e, em vez de tentarem darem umas galhetas ao Dr. Costa e umas palmadas na ministra, agridem os médicos e os enfermeiros. Segundo a Ordem dos Médicos foram quase mil casos até Setembro e segundo a Direcção-Geral de Saúde no primeiro semestre a média mensal foi superior a 100 casos

Enquanto deixa degradar-se o tão amado SNS, a ministra da Saúde responde com tretas e discurso ideológico aos problemas e depois de defender a «dedicação exclusiva» substituiu-a por «dedicação plena recompensada», que nem ela saberá o que seja, e promete «trabalhar no sentido de ter uma estratégia até ao final do mês de Janeiro» para tratar da violência contra os profissionais de saúde, ou seja, mais tretas e mais ideologia ao som da Internacional Socialista hino que a temível Dr.ª Temido confessa ouvir aos berros para se acalmar.

Privados? E não se pode exterminá-los?

A semana passada foi marcada pela arremetida de leão do ministro Santos Silva, o tal que gosta de malhar na direita e, talvez por falta de direita para malhar, resolveu investir contra a «fraquíssima qualidade da gestão» das empresas portuguesas que responderam pela boca da CIP que o ministro deveria estar calado porque fez e faz parte da «fraquíssima administração política de sucessivos governos», ao que o ministro reagiu com uma saída de sendeiro penitenciando-se hipocritamente.

20/04/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (28) - Em tempo de vírus (VI)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Senhor Contente, Senhor Feliz, a mesma luta?

Aproprio-me outra vez desta rábula, que me parece perfeita para etiquetar o par a quem competiria conduzir os trabalhos de desencalhe do Portugal dos Pequeninos requeridos por erros nossos e a má fortuna, mais os primeiros do que a segunda, e que, em vez disso, o estão a encalhar cada vez mais.

Um e outro dedicam-se agora à competição de popularidade, nela usando nela o talento que o Senhor lhes emprestou para produzir sound bites em entrevistas, aparições e eventos em que se desdobram todo o santo dia. Chegará a altura em que tentarão empurrar um para o outro as responsabilidades pela provável maior crise económica desde Dona Maria II, sendo certo que neste momento a balança pende mais para o lado de S. Exª. que, movido pela hipocondria e pela compulsão irreprimível de protagonismo, inventou um estado de excepção mais apropriado a um PREC do que a medidas para combater uma gripe.

Mestres do ilusionismo

Em intensa competição com S. Ex.ª, o Dr. Costa aviou em menos de um mês uma dezena de entrevistas e conferências de imprensa e até fez uma performance na "Cristina" e outra no "Goucha". E ainda teve tempo para fazer o número do rebelde sem causa, contrariando Bruxelas e convidando os portugueses a fazer férias cá dentro. Atingiu o pináculo da prestidigitação tirando da cartola, a propósito dos aumentos da função pública, núcleo central da sua freguesia eleitoral, a fórmula «pode não haver condições, como pode haver». Teria feito sucesso nos tempos em que nas feiras da província, regiões a que hoje se chama interior, eram animadas por uma criatura a quem chamavam "vendedor da banha da cobra".

O Lehman Brothers do Dr. Costa

Ponto de situação em constante actualização: 66 mil empresas em lay-off; um milhão de trabalhadores em lay-off,  353 mil desempregados. «Tudo somado» diz o Dr. Centeno são 20 mil milhões de euros só este ano. Tudo somado? Nem pensar. E ainda ao que somar à soma há que subtrair a quebra da produção de bens e serviços que resultante das medidas criadas pelos medos e falta de coragem da dupla Senhor Contente, Senhor Feliz.

Perguntava há um mês e meio o outro contribuinte se o Covid-19 não seria para o Dr. Costa o que o Lehman Brothers foi para o Eng. Sócrates. E eu respondo, sem dúvida, embora com algumas diferenças, a começar pela génese de crises profundamente diferentes e a acabar na quebra de produção que vai ser um múltiplo da crise de 2011. Há contudo uma coisa em comum: o Dr. Costa tentará usar a pandemia como o Eng. Sócrates usou o Lehman Brothers, isto é como um álibi para então justificar anos de desgovernação e, no caso presente, para justificar medidas de combate à pandemia inadequadas e excessivas que estão a matar a economia.

«Nunca estivemos tão bem preparados»

O Dr. Centeno não tem as desculpas dos ignorantes para dizer estas baboseiras, quando na UE28 somos em termos de posição líquida de investimento internacional o 2.º país mais vulnerável, a seguir ao Chipre, e o 3.º na dívida pública, a seguir à Grécia e Itália (segundo o Expresso que em matérias de mostrar buracos é uma fonte credível).

13/01/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (14)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Cada Estado tem a justiça que merece

No caso do Estado Sucial do Portugal dos Pequeninos a instrução dos processos de criminalidade grave ou organizada está entregue ao Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC, ou, na gíria do juridiquês, o Ticão) que dispõe de 2-juízes-2. Em média são produzidos processos que enchem vários milhares de páginas e consomem meia dúzia de anos para preparar a acusação. A distribuição dos processos pelos 2-juízes-2 é feita por um algoritmo que se suporia de Inteligência Artificial mas na verdade está mais próximo da Estupidez Natural porque, segundo o jornal SOL, «chega a dar erro oito vezes antes de escolher o nome do juiz».

Perante este estado de coisas da justiça, em boa verdade co-responsabilidade dos socialistas do PS e dos socialistas do PS-D, não é preciso ser-se adepto das teorias da conspiração para suspeitar que há  razões inconfessáveis da nomenclatura governativa que podem explicar a falta de vontade de mudar esse estado da justiça.

O passado persegue o Dr. Costa

No tempo em que o Dr. Costa foi MAI do Eng. Sócrates adjudicou a compra dos helicópteros russos Kamov de combate aos incêndios florestais, compra que foi decidida por um júri de que fez parte o Dr. Lacerda Machado, um conhecido amigo do Dr. Costa que também foi administrador da Geocapital, parceira da TAP na compra catastrófica da Varig Engenharia e Manutenção, advogado da Motorola que venceu o concurso do SIRESP e actualmente reside no conselho de administração da TAP, depois de ter aconselhado o governo sobre a reversão da privatização parcial.

Desde então, os benditos Kamov estiveram quase sempre avariados e estão absolutamente parados há dois anos. Como se fosse pouco, a Everjets, a empresa que foi contratada em 2014 para a operação dos helicópteros apresentou em 2018 por exigência da Protecção Civil uma garantia bancária falsa, descobriu agora o semanário de reverência, com dois anos de atraso em relação à TVI.

«O verdadeiro discípulo é aquele que supera o mestre»

Só o futuro poderá confirmar se o pensamento em epígrafe de Aristóteles se aplica inteiramente a Medina. Por agora, podemos garantir que o discípulo se esforça e disso são exemplos o programa de renda acessível, essencialmente operação de propaganda sem resultados práticos, e agora a Lisboa Capital Verde Europeia que, entre outras iniciativas importantíssimas, inclui a construção de uma praia artificial no Tejo, cuja falta era sentida por todos os que vivem e se deslocam em Lisboa, sobretudo quando sob a canícula de Verão dentro de um carro encalhado num dos frequentes engarrafamentos na 77.ª cidade mais congestionada do mundo (em 403), a par com Nizhny Novgorod na Putinlândia.

02/03/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (21)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O Dr. Costa pode ser uma vítima das sequelas do Covid-19

É esse o prognóstico do Impertinente que não costuma esperar pelo fim do jogo. Tenho dificuldade em não concordar.

Por falar em Covid-19, quando a Directora-Geral da Saúde apresenta um cenário tipo cisne negro de um milhão de infectados (na China o número de infectados até agora foi 80 mil, com uma população 140 vezes maior), além de revelar uma grande falta de siso, estará já a preparar o Lehman Brothers do Dr. Costa? Ou então, para avançar uma teoria conspiratória, o Dr. Costa encomendou à Dr.ª Graça uma diversão para os portugueses não se darem conta do relatório da Comissão Europeia «Assessment of progress on structural reforms, prevention and correction of macroeconomic imbalances» acabado de publicar que no habitual dialecto eufemístico bruxelense mostra um retrato da situação do país que o Dr. Costa não deve ter apreciado.

O multiplicador socialista existe mesmo

Os multiplicadores da Mouse School of Economics existem mesmo. Já eram conhecidos vários casos, sendo mais notáveis a multiplicação da Ota, o investimento em autoestradas que multiplicou a dívida em vez do PIB, o multiplicador de pinhais, o multiplicador dos custos das PPP, o multiplicador de ASPON (Assessores de Porra Nenhuma), o multiplicador eléctrico.

A semana passado ficou conhecido um outro. A antiga estação desactivada de Miramar da RTP foi vendida em 2016 por 600 mil euros e está agora anunciada a sua venda pelo comprador de então por 12,3 milhões, ou seja um multiplicador de 20, superior ao célebre multiplicador de autoestradas de Marvão Pereira que detinha o recorde (18).

Pior do que um passado comunista é um presente socialista

Abafado pela exaltação de um crescimento em 2019 0,2% pp superior ao previsto foi o facto de ser o crescimento mais baixo dos 15 países chamados da Coesão, e de Portugal ter sido ultrapassado por mais uma vítima do comunismo soviético: a Polónia.

24/03/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (24) - Em tempo de vírus (II)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Esta é mais uma crónica especial sobre a resposta do governo do Dr. Costa ao Covid-19 e seus impactos na saúde e na economia.

O Dr. Costa do Covid-19 é um poucochinho menos mau do que o Dr. Costa do virar da página da austeridade

Pelo menos comparando-o com S. Exª. o PR, que vitimado pela sua hipocondria se enclausurou e passou a comunicar com os jornalistas na varanda de casa e a informar o país, por uma ligação Skype do mais rasca que já se viu, a sua proposta de estado de emergência, proposta que mais pareceu um álibi para a sua clausura.

O Dr. Costa sempre conseguiu manter uma poucochinho mais de gravitas e desta vez não se saiu mal nas suas comunicações. Mas o mal estava feito nos quatro anos anteriores onde se limitou a viver dos dividendos do turismo e das exportações, não fez uma só reforma e se dedicou a «repor os direitos» da sua clientela eleitoral deixando o aparelho administrativo de rastos, em particular o SNS incapaz de responder até ao business as usual quanto mais a uma situação de crise epidémica como a actual.

Cesse tudo quanto a antiga musa canta

Não acreditem em cenários miríficos de uma recessãozita mundial. Em relação à economia americana, mesmo as previsões mais realistas do Morgan Stanley de queda de 30% do PIB no 2.º trimestre e um aumento da taxa de desemprego dos 3-4% actuais para 12,8%, vão ser certamente ultrapassadas.

Aqui no Portugal dos Pequeninos vai ser uma hecatombe económica e financeira em cima de um endividamento pesado (em Janeiro o endividamento total público e privado voltou a aumentar 1,5 mil milhões atingindo 722,5 mil milhões), uma economia descapitalizada e uma produtividade medíocre. O turismo que representa quase um sexto do PIB em termos de impacto directo e um impacto total que pode atingir 25% do PIB vai sofrer um rude golpe. As exportações vão igualmente ser fortemente afectadas.

No conjunto, segundo a estimativa de Abel Mateus, que na circunstância temo seja optimista, haverá uma queda anual de 5,4% do PIB o que adicionado ao crescimento antes previsto de 1,9%, equivale a um impacto de 7,3%  resultante da pandemia. Em consequência, segundo Abel Mateus, a taxa de desemprego aumentará 5 a 7,5 pontos percentuais voltando ao níveis da crise anterior.

O cenário de Abel Mateus corresponde aproximadamente ao mais optimista dos três cenários da  Universidade Católica: quedas do PIB de 4%, 10% ou 20%  e aumento do desemprego para 8.5%, 10.4% e 13,5%. No vosso lugar, apostaria no último cenário.

A medicina do Dr. Costa para a ecoanomia

E que respostas tem o governo do Dr. Costa para enfrentar a inevitável crise? Em duas semanas anunciou sucessivamente medidas várias que começaram por 100 milhões (até parece mentira mas não é), continuaram com 200 milhões, 2.000 milhões, 9.200 milhões e 10 mil milhões. É o que se chama andar atrás dos acontecimentos e não augura nada de bom.

Não estamos preparados para enfrentar esta crise. Na verdade, já não estávamos preparados para enfrentar a longo prazo a situação "normal".

17/03/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (23) - Em tempo de vírus

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Esta é uma crónica especial que esteve para não ser publicada. Ao publicá-la, com atraso, tornou-se impossível omitir o tema Covid-19, ou melhor não tratar da resposta do governo do Dr. Costa e dos impactos na saúde e na economia.

Um governo atropelado pelo vírus

Evidentemente que o governo não tem nenhuma responsabilidade pelo surgimento do Covid-19 em Portugal. Tem responsabilidade, e muita, por uma resposta hesitante e tardia, quando deveria saber que não existindo vacinas para este vírus, as únicas medidas eficazes de contenção são os constrangimentos à movimentação e ao agrupamento das pessoas. Medidas que só nos últimos dias começaram timidamente a ser tomadas.

É sem dúvida inaceitável que uma DGS tenha começado a meio de Janeiro, quando a China já tinha declarado a epidemia e fora da China já havia pessoas infectadas, garantir ser pouco provável que o vírus chegasse a Portugal, para em finais de Fevereiro falar de um cenário de um milhão de infectados, e poucos dias depois voltar a desvalorizar o impacto da epidemia.

«Estamos preparados»

É claro que não estavam preparados. O SNS, que em tempos normais já sofria de uma notória incapacidade de resposta, soçobrou completamente. A desorientação da ministra e da sua equipa devia envergonhar o Dr. Costa, os amigos que o rodeiam e o PS em massa. Para dar um só exemplo, a linha SNS24, um Call center como muitos outros, algo que deveria ser simples de manter a funcionar, ficou completamente paralisado.

Ainda não é o mafarrico, mas já se sente o cheiro das brasas

É agora claro que os impactos do Covid-19 serão tão profundos que a pandemia vai ser para o Dr. Costa o que o Lehman Brothers foi para o Eng. Sócrates, isto é o fim de um ciclo de aparente prosperidade, o início do fim do governo socialista e, inevitavelmente, o álibi para o Dr. Costa se tentar desresponsabilizar pela governação de 5 anos que deixa Portugal com uma economia extremamente vulnerável, uma dívida pública gigantesca de 250 mil milhões, praticamente o dobro de antes da falência do Lehman Brothers, com uma despesa pública corrente superior em mais de 10% à anterior à crise, uma economia descapitalizada, metade da produtividade média da UE e praticamente estagnada, fortemente dependente do turismo (um sexto do PIB e 10% do emprego).

Ronaldo das Finanças, a primeira vítima do Covid-19

Uma das consequências da pandemia é, com elevada probabilidade, que o Dr. Centeno, uma pessoa tecnicamente muito bem preparada que se revelou um político com poucos escrúpulos, ansioso por se abrigar numa tença no BdP, sabendo que os milagres que ele anunciou teriam os meses contados mesmo sem o Covid-19, com os impactos económicos e financeiros do Covid-19, ou bem vai ter de adiar a sua saída, ou bem o Dr. Costa o deixa sair e perde o pouco que lhe resta da sua autoridade como primeiro-ministro.

18/11/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (6)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O Dr. Costa pode não ser o maior mentiroso (a concorrência é muito grande) mas tem um notável sentido de humor

Confrontado no parlamento pelo criador do Chega sobre ter dito que «os professores de Português que não tivessem colocação poderiam emigrar“, o Dr. Costa negou e o fact-checking confirmou que disse. Sorte a dele porque uma expressão equivalente custou a Passos Coelho a indignação patriótica de toda a esquerdalhada.

No mesmo debate quinzenal, Costa, compensando a fraca memória como primeiro-ministro de um governo que aumentou a carga fiscal e em particular aumentou os impostos indirectos 18,4% em três anos, mostrou um notável sentido de humor ao dizer que «Impostos são aquilo que permite que o país se modernize». E nós, maldosos e ingratos, a pensarmos que os impostos são aquilo que permite ao PS manter sossegada a sua freguesia eleitoral.

L’État c’est nous

Ressuscitando a geringonça, PS, BE e PCP tomaram a posição comum de retirar a palavra aos partidos recém chegados ao parlamento Chega, Iniciativa Liberal e Livre nos debates quinzenais, nas interpelações ao Governo e no debate sobre o estado da Nação, invocando o regimento que na legislatura passada havia sido excepcionado para o PAN.

"Privados"? Não se pode exterminá-los?

Os estatutos da Cruz Vermelha dizem que é uma é uma «instituição humanitária não governamental, de carácter voluntário e de interesse público, que desenvolve a sua actividade devidamente apoiada pelo Estado». «Não governamental» seguido de «apoiada pelo Estado» significa em socialês oficial um departamento do Estado Sucial.

Por isso, não admira que a hipótese do Hospital da Cruz Vermelha ser gerido por «privados» tenha sido afastada com repulsa. Sem necessidade, digo eu, porque com prejuízos de mais de 200 mil euros não sei se haveria «privados» interessados. Com involuntário a-propósito Sócrates escreveu na revista brasileira Carta Capital «o PS está grávido do Estado».

04/05/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (30) - Em tempo de vírus (VIII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O síndrome de Estocolmo continua a infectar os portugueses

A semana passada salientámos o fenómeno do crescimento da popularidades dos líderes europeus com a adopção das medidas de combate à pandemia, que também se propagou por cá.

Agora as últimas sondagens confirmaram: o PS estará à beira da maioria absoluta com 42% e quase 20 pontos percentuais de vantagem sobre o PS-D liderado por um Dr. Rio tão apostado em apoiar o governo que até transfere votos para o Dr. Costa. Todos os restantes partidos estão em perda, com excepção do Chega e o IL que crescem à custa do PS-D e do CDS.

«O mundo mudou 360 graus em dois meses»

O Dr. Costa podia ter dito que mundo mudara 30 ou 45 ou 90 ou 180 ou, vá lá, 270 graus. Em vez disso, com a ligeireza de quem teve zero a geometria elementar, garantiu à TSF que o mundo mudara 360 graus. Talvez ele quisesse referir-se a si próprio que mudou ficando no mesmo sítio, com o mesmo parlapié a contar as mesmas estórias da austeridade que não virá e da solidariedade da Óropa que nos salvará de dar corda aos sapatos e fazer pela vida e com a mesma falta de vergonha que lhe permitiu acusar o governo de Passos Coelho de não respeitar a Constituição e dizer que agora «confinamento é para manter diga o que disser a Constituição».

Encalhado numa ruga do contínuo espaço-tempo

A semana passada o Dr. Pedro Nuno Santos, fundador do pedronunismo, terror dos banqueiros alemães e candidato in waiting a sucessor do Dr. Costa, receoso de ter sido esquecido com o foco na pandemia, saiu da penumbra e produziu no parlamento um vigoroso discurso em que prometeu «tirar obras públicas da gaveta», ameaçou os accionista da TAP com «outra música» e acusou-os de má gestão. Convém lembrar que em 2015 quando a TAP foi "privatizada" a dívida era de 1.100 milhões e a receita de 2.000 milhões e agora, depois de uma paragem de 2 meses, a dívida reduziu-se para 900 milhões e a receita aumentou para 3.400 milhões, com um aumento da frota de 75 para 107 aviões (ver este esclarecedor artigo de Marques de Almeida no Observador).

«Queda monumental»

Com as exportações do ano a caírem 12%, segundo a estimativa optimista do BdP, o turismo a cair 50% em Março, a produção industrial a cair 7,2% em Março (num caso como no outro, em Abril cairá muito mais), 20 mil empresas a pedirem acesso às linhas de crédito e 95 mil empresas a aderirem ao lay-off, até já os habitualmente distraídos consumidores perceberam a borrasca a caminho - o indicador de confiança do INE registou o valor mais baixo desde Setembro de 2014.

E qual será o resultado com mais uns meses de medidas de confinamento excessivas? (cfr a série de posts sobre o Covid-19). Campos e Cunha (auto-demitido ministro das Finanças de Sócrates), um economista pouco dado a excessos, fez umas contas simples e concluiu que «se no final do ano considerarmos que, tudo somado em Dezembro, o país parou o equivalente a dois meses inteiros (versão otimista), então a queda do PIB seria de 17%». Pela minha parte, como o Dupont (ou o Dupond), diria mesmo mais, uma versão muito optimista.

30/12/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (12)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O estado do Estado Sucial administrado pelos socialistas

Primeiro o governo socialista cancela em 2016 a construção da barragem de Girabolhos que, segundo a Ordem dos Engenheiros, se tivesse sido construída teria limitado a extensão das cheias do rio Mondego. No ano seguinte, em 2017, após o desastre do combate aos incêndios florestais o governo gasta com alarido quase um milhão de euros para criar um sistema de avisos por SMS.

Decorridos dois anos, há duas semanas, com o rio Mondego a ameaçar cheias, a Protecção Civil não envia mensagens de alerta por «falta de pessoal para dar resposta». Falta de pessoal para usar um sistema de envio automático de mensagens? Falta de pessoal depois de durante o primeiro mandato o governo do Dr. Costa ter contratado mais 40 mil novos funcionários públicos para fortalecer a sua clientela eleitoral?

Também a ADSE se queixa de falta de pessoal para tratar 650 mil reembolsos pendentes.

Falta de pessoal que não foi sentida para enviar uma esquadra de apparatchiks para "inspeccionar" as zonas atingidas pelas cheias. A esquadra foi comandada pelo palhaço que ocupa o ministério do Ambiente que no decurso da "inspecção" avisou as «aldeias (que) vão ter de ir pensando em mudar de sítio», enquanto garantia que os diques que ruíram serão «completamente concluídos no prazo de dois meses», garantia que vale o que costumam valer as garantias dos palhaços.

«Em defesa do SNS, sempre»

A mensagem de Natal, com o SNS como tema único, foi uma demonstração da completa falta de decoro do Dr. Costa n.º 2 que se apresentou virgem de quatro anos da inacção do Dr. Costa n.º 1.

A DGS lá se baralhou nas estatísticas de mulheres mortas devido a complicações na gravidez, Afinal os números do ano passado são mais baixos e são mais altos em 2017 e em 2016 são o dobro! No total dos 3 anos passaram de 32, que já eram muito maiores do que a média, para 36. Por curiosidade. registe-se que o semanário de reverência Expresso, uma espécie de Acção Socialista, escreveu na última página do seu número de sábado que «o que parecia ser um abrupto aumento do número de mortes (...) na verdade, o total do ano passado foi de 15». O jornalista de serviço a esta "notícia" deve ser mais uma daquelas bactérias diligentes da fossa séptica socialista de que o exemplo mor é o daquele rapaz ex-comunista, ex-Plataforma de Esquerda, ex-Política XXI, ex-bloquista, ex-Livre, ex-Tempo de Avançar.

09/12/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (9)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Ronaldo das Finanças, de bestial a besta...

Esta operação de mudança do género bom para o género mau a que está a ser submetido Centeno é muito esclarecedora sobre duas características deste PS: a instrumentalização do pessoal político fora do círculo de confiança de Costa e a correia de transmissão montada nos jornais.

«Centeno volta a falhar prazo para tornar as contas públicas mais transparentes» e «Tribunal de Contas acusa ministério de Centeno de falta de liderança na reforma das Finanças Públicas» são dois títulos impossíveis de ler até recentemente, ambos respeitando o mesmo facto conhecido há quatro anos: os chutos para a frente da reforma da contabilidade pública por um Ronaldo das Finanças a quem não interessa nada a transparência das contas. «Centeno do Eurogrupo censura esboço orçamental de Centeno», é outro título impossível, sobretudo de um dos Diários do Governo.

... mas ainda tem amigos...

... nalguns jornais que celebram com grande euforia o recuo de 252,3 para 251,4 mil milhões (0,36%) da dívida pública em Outubro. Recuo que é um avanço de 50 mil milhões desde o início do programa de resgate.

... e também no Expresso que lhe dedica duas páginas e meia ilustradas com três fotos 30x14cm num artigo com chamada na primeira página que é todo um desígnio «Centeno com porta aberta para no mandato no Eurogrupo». Porta aberta, porém, com um quid: «tem de continuar nas Finanças».

Sabendo-se que Centeno não é parvo e, uma vez falhada a sua candidatura ao FMI, sendo conhecida a sua vontade de presidir ao BdP (onde tem umas contas a acertar), é improvável que queira continuar nas Finanças, agora que estão praticamente esgotados os truques, está no horizonte a maldita realidade a caminho de fazer a cobrança e o governo do Dr. Costa precisa desesperadamente de derramar dinheiro em cima dos problemas. De onde talvez se deva concluir que com amigos destes o Dr. Centeno não precisa de inimigos.

09/03/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (22)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

«Em defesa do SNS, sempre»

Se o SNS antes do Covid-19 já estava doente, a epidemia está a potenciar as suas deficiências ao mesmo tempo que confirma a incompetência da ministra e a preocupação exclusiva da agenda mediática por parte do Dr. Costa.

O cenário de um milhão de infectados seguido da sua correcção, o anúncio do «estamos preparados» seguido do «esgotaram a capacidade» (ver este Serviço público impertinente), a linha SNS24 que não atende um quarto das chamadas, a médica que telefona 44 vezes sem resposta, o médico que esteve de prevenção 556 horas num só mês, são alguns dos muitos exemplos na semana passada da falência do ministério da Saúde.

O Tribunal de Contas, confirmando o seu papel de «força de bloqueio», como lhe chamava o professor Cavaco, quando o TC foi presidido pelo professor Sousa Franco antes de ser ministro das Finanças de Guterres e esquecer as suas anteriores prédicas, diagnosticou um cenário caótico na gestão do Hospital das Forças Armadas que fica assim alinhado com os hospitais civis.

O crescimento é "poucochinho"

Com o crescimento previsto pela CE de 1,7%, o segundo menor entre os chamados países da coesão, o Fórum da Competitividade estima que se o crescimento nestes países nos próximos quatro anos for igual à média dos quatro anos anteriores, Portugal será ultrapassado pela Hungria, Roménia, Polónia e Letónia e será um dos quatro mais pobres da UE.

Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos

Ou, mais precisamente, hoje já se percebe que começarão a faltar as conquilhas e amanhã já sabemos que não as haverá. As previsões das exportações e do crescimento começam a ser revistas (por agora ainda timidamente, para não despertar o pânico). Sem esquecer o turismo que sofrerá um enorme impacto do Covid-19 - no caso português, a redução de 10% do turismo (admite-se que possa chegar aos 25%) significará uma quebra de 1,6 mil milhões de euros nas receitas e a perda de 15 mil postos de trabalho.

13/04/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (27) - Em tempo de vírus (V)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Mestres do ilusionismo

Jura Nelson de Souza que «não vamos deixar cair nenhum grande investimento». Isto dito por um ministro do Planeamento de um governo que nas vacas gordas orçamentou o ano passado 4.853 milhões de investimento público e executou menos 900 milhões, só mesmo o Expresso pode levar a sério.

Nomeadamente, diz-nos ainda o semanário de reverência, que o «Ferrovia 2020 tem 69% do investimento em marcha». Como os restantes 31% ainda estão na fase de projecto, supõe-se que os 69% em marcha significam que já existe projecto, daí até à obra mover-se com a economia parada é precisa uma enorme fé só ao alcance dos crentes.

Não, isto não foi causado pelo coronavírus, foi causado pelo vírus socialista

No estudo relativo à 11.ª missão de avaliação ao pós-programa de resgate a CE são destacadas as maiores ameaças: problemas estruturais da despesa com (1) os salários da função pública (resultantes, recorde-se, das "reposições", 35 horas etc.), (2) a segurança social e (3) a despesa com saúde, problemas que tornam difícil a redução de uma dívida pública cujo rácio é um dos mais elevados do mundo. A quarta ameaça são os riscos para a estabilidade financeira com o aumento do crédito hipotecário e ao consumo. Com as consequências das medidas em curso para conter a pandemia tudo isto é história que apenas devemos recordar para concluir que partimos descalços para esta "guerra", como lhe chama o Dr. Costa, porque o socialismo vendeu as nossas botas.

Também as exportações já estavam a desacelerar antes da pandemia, e o défice da balança comercial de bens até Fevereiro aumentou 170 milhões para 1.547 milhões.

É claro que também não teve a ver com a pandemia a última queda da taxa de poupança das famílias para 6,7% do rendimento disponível, que compara com 13,0% da Zona Euro. Como disse o honorável capitalista Warren Buffett, é quando a maré baixa que se vê quem tem calções e no nosso caso nem cuecas, só talvez uns testículos mirraditos.

10/02/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (18)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O ilusionismo como forma de vida

O PAN propôs a suspensão do projecto da linha circular do Metro de Lisboa, aprovada com os votos de PSD, Bloco, PCP e Chega, com o propósito de ser comparada com a alternativa da extensão até Alcântara. Ao que o PS protestou com as aldrabices do costume: os rios de dinheiro que se perderiam com indemnizações aos empreiteiros e outros custos resultantes da suspensão de um projecto que ainda nem está concluído, não existe obra, nem sequer contratos.

Tudo isto passa ao lado do mais importante que seria prolongar a rede de metro para cobrir a zona metropolitana de Lisboa oferecendo aos habitantes dos subúrbios alternativas aceitáveis à utilização dos 370 mil carros que entram diariamente em Lisboa, em vez de afundar dinheiro para os urbanitas alfacinhas andarem a circular dentro de Lisboa.

A mercearia orçamental

Além das suspensão do projecto da linha circular do Metro de Lisboa, o debate parlamentar do orçamento foi uma oportunidade não desperdiçada para demonstrar aos cépticos a vacuidade da actividade da Assembleia da República que poderia ter inspirado a Otto von Bismarck a boutade que lhe é atribuída «quanto menos o povo souber como são feitas as salsichas e as leis, mais tranquilo dormirá». Em resumo, foi uma demonstração das habilidades do Dr. Costa e da sua generosidade que distribuiu a pedido da "oposição" benfeitorias ao povo, tais como um cheque de 100 euros para comprar bicicleta e creches gratuitas para 56 mil crianças.

O Estado Sucial como máquina de extorsão

É claro que tudo na vida tem um preço e por isso a «UTAO diz que carga fiscal é "ainda maior" do que o previsto»? Qual é o problema? Manda-se o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais anunciar «uma grande baixa de impostos». Quando? No próximo ano. No próximo ano? Sim, no próximo ano, quando os eleitores já se tiverem esquecido, como se esqueceram da página da austeridade virada e das muitas outras tretas do Dr. Costa.

Ainda não é o mafarrico, mas já se sente o cheiro das brasas

No ano passado as exportações crescerem 3,6% e as importações cresceram 6,6%. Em consequência, o défice comercial de bens aumentou 2,8 mil milhões de euros para 20,4 mil milhões de euros, o que nos trás de volta aos anos pré-resgate: 24,0, 18,2 e 19,5 mil milhões de euros foram os défices de 2008 a 2010. A diferença é que hoje temos, por enquanto, o turismo para adiar o desastre.