Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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A apresentar mensagens correspondentes à consulta É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens
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26/05/2019

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (13.º capítulo) - Tal como o prof Centeno quer recalcular a carga fiscal, devemos recalcular a produtividade do trabalho

Outras doenças a que resistimos heroicamente.

Há uma dúzia de anos publiquei sete posts sobre o estado de saúde da nação e no último ponto de situação a multidão de sofredores era composta por:
  • 4 milhões hipertensos,
  • 38% com reumatismo ou artrite,
  • 15 a 20.000 com parkinsonismo,
  • 130 mil homens com cancro na próstata,
  • 200.000 fibromiálgicos,
  • 1.200.000 com fadiga crónica (estimativa do Impertinências),
  • 4.000 electricistas com doenças profissionais,
  • 30.000 portugueses que sofrem dos intestinos,
  • 14 milhões de dias de baixa por ano devido a problemas respiratórios,
  • 15 a 20% da população com prurido, vermelhidão e lacrimejo na primavera,
  • 4.000 (1 em cada 2.500 pessoas) que sofrem duma das mais de 40 doenças neuromusculares,
  • 1.500 crianças com doenças reumáticas de causa desconhecida,
  • 44.000 dias de falta por doença (15 dias por ano e alma) dos funcionários da Judite,
  • 1 em cada 4.000 recém nascidos que sofre de fibrose quística,
  • mais de um milhão de mulheres (1 em cada 5) e cerca de 300.000 homens (1 em cada 15) que sofrem de varizes,
  • 5% das mulheres que sofrem da síndrome dos ovários poliquísticos,
  • meio milhão de portuguesas e portugueses que sofrem de apneia do sono,
  • 1 em 200 que sofrem de epilepsia,
  • 500.000 diabéticos.
Depois disso ainda inventariei mais os seguintes sofredores:
Quando pensava já não haver portugueses suficientes para tanta doença, reparei que a SPEDM aumentou o número de diabéticos de 500 mil para 1 milhão, nem todos diagnosticados (pergunto-me se não estão diagnosticados como se sabe que são diabéticos?) e a mesma SPEDM informa-nos em anúncios publicados na imprensa que «as doenças da tiroide afectam mais de 1 milhão de portugueses».

Diz-se que a nossa produtividade é miserável e continua a cair (em 2018 desceu 0,2% e na UE subiu 0.9%). É injusto concluir isso porque se calcularmos a produtividade em relação ao pequeno número de portugueses que não foram atingidos por uma qualquer das imensas maleitas que nos afligem concluiremos seguramente que temos uma das produtividades mais altas da Europa, quiçá do mundo.

13/02/2019

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (12.º capítulo)

Outras doenças a que resistimos heroicamente.

«As portuguesas estão exaustas» titula o semanário de reverência para citar o estudo “As mulheres em Portugal, hoje” encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. As portuguesas?

Quantas são as mulheres portuguesas exaustas? Todas? Muitas? Só algumas? Segundo o semanário «uma em cada dez portuguesas admite tomar medicamentos para a ansiedade, para os distúrbios do sono ou antidepressivos.» Serão estes 10% de portuguesas as portuguesas exaustas? E as outras que não tomam o Xanax estarão exaustas?

O estudo foi baseado num inquérito através da Internet que abrangeu 2.428 mulheres com idades entre os 18 e os 64 anos, o que desde logo exclui do universo do inquérito a maioria das mulheres portuguesas, exaustas ou não exaustas, que não têm acesso à Internet. Por exemplo, teriam as «senhoras cá de casa» sido inquiridas? Se tivessem sido, não tomando o Xanax teriam sido consideradas no grupo das exaustas?

Apesar de tanta exaustão, «quase metade (47%) das mulheres afirma-se feliz. Aquelas que se sentem mais felizes são: “as proprietárias de algum negócio ou empresa, as trabalhadoras independentes qualificadas”− apenas 14% − e as chefes de departamento, diretoras ou membros de um conselho de administração”, refere o estudo». Se a quase metade das mulheres mais felizes são as citadas, as quais representam na sociedade portuguesa uma percentagem ínfima das mulheres, qual a validade deste estudo para se medir a exaustão ou qualquer outro indicador sobre as mulheres portuguesas?

E os homens? Quanto teremos um estudo sobre a exaustão dos homens? Na verdade não é preciso. Devem estar em risco de burnout, apesar de só 23% se ocuparem das tarefas domésticas.

Deve ser por isso que a produtividade, que é uma miséria em termos relativos, ainda diminui com tanta exaustão e burnout.

12/02/2019

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (11.º capítulo)

Outras doenças a que resistimos heroicamente.

Além de «um terço da população sofre de ansiedade ou depressão» e de «um em cada três trabalhadores está em risco de 'burnout'», temos ainda 3.900.000.000  que, segundo o semanário de reverência, «reportaram ter pelo menos uma doença crónica das citadas nesta lista: hipertensão arterial, enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, disritmia cardíaca, diabetes, insuficiência renal crónica, cirrose, hepatite crónica, asma, doença pulmonar obstrutiva crónica, dor crónica, osteoporose, artrite reumatoide, artrose, cancro, depressão, ansiedade crónica, úlcera gástrica ou duodenal, colesterol elevado e alergia.»

Da lista confirmo que sofro pelo menos de alergia crónica ao sucialismo e ao jornalismo de causas. Ou talvez seja uma intolerância, porque a reacção ao bacilos de um e de outro não depende do sistema imunitário.

18/01/2019

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (10.º capítulo). Virada a página da austeridade o burnout é geral

Outras doenças a que resistimos heroicamente

Já não são só os professores universitários. Segundo «os dados mais recentes da Ordem dos Psicólogos e da Associação Portuguesa de Psicologia da Saúde Ocupacional, relativos a 2016, estimam que cerca de 14% dos profissionais no ativo em Portugal sofriam de burnout e 82% estavam em risco elevado de exposição à doença.» (Expresso)

O facto de os dados mais recentes já terem 3 anos não indiciará que os psicólogos também já estão em burnout? E se só 4% dos profissionais no activo não estão em burnout como estarão os profissionais no passivo? E o que se passará com os funcionários públicos que viram o virar da página do Costa reduzir-lhes o horário de trabalho de 40 para 35 horas? Sofrerão mais do que os sujeitos passivos vulgaris?

Teaser: não deixem de conhecer «as 12 etapas que levam o trabalhador de um estado de paixão até ao colapso - na edição do semanário [de reverência] do próximo sábado».

26/09/2018

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (12.º capítulo) - Duas vezes um terço não são dois terços

Outras doenças a que resistimos heroicamente.

Sem esquecer as inúmeras outras maleitas que atacam os portugueses (ver link acima), já sabíamos que «um terço da população sofre de ansiedade ou depressão» e «dois terços dos médicos em Portugal estão em situação de exaustão». Ficámos também a saber através de um estudo da Deco (uma entidade creditadíssima para este tipo de estudos) que «um em cada três trabalhadores está em risco de 'burnout'». Fica a dúvida este último terço faz parte do primeiro que sofre de ansiedade ou depressão ou se devemos somá-los e fica outra dúvida ainda mais angustiante: para tratar o primeiro e o terceiro terços será suficiente o terço de médicos que ainda não estão exaustos?

29/11/2016

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (11.º capítulo). Estará tudo doido?

Outras doenças a que resistimos heroicamente


Números são considerados "surpreendentes": em 2008, menos de 20% da população tinha problemas de saúde mental. Agora são mais de 30%. Há mais jovens afectados. E mais homens a consumir antidepressivos e ansiolíticos.»

Pergunto-me, será por isso que o «PS chega aos 43% e fica perto da maioria absoluta»? Não vos inquieteis / congratuleis (usar conforme prescrição do médico de família), só o peru morre na véspera. Como aqui foi recordado «em Março de 2010, a um ano da declaração de falência e do resgate pela troika, Sócrates, apesar de 60% dos portugueses acharem que ele mentira ao parlamento, ainda teria 40% dos votos, o que não evitou que nas eleições do ano seguinte os socialistas fossem afastados do governo.»

Se um terço dos portugueses em geral estão meios doidos, dois terços dos médicos não vão poder fazer nada por eles porque estão em burnout, segundo um estudo da Ordem dos Médicos e do ICS da UL. Em pouco mais 4 meses é um enorme progresso em relação às conclusões do estudo da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos que só encontrou 40,5%.

09/09/2016

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (10.º capítulo). O burnout dos professores vulgaris Linnaeus

Outras doenças a que resistimos heroicamente

Eu sabia. Era apenas uma questão de tempo e foi mais cedo do que esperava. Não são só os médicos e os professores universitários a sofrerem de burnout.

Segundo um também utilíssimo estudo «As motivações e preocupações dos professores» da Fundação Manuel Leão, 13,5% dos professores gostariam de aposentar-se antecipadamente e entre os que dão aulas há 31-35 anos são 33% e os com mais de 35 anos de serviço são 43%. Além disso, 8,9% preferiam fazer outra coisa e 8,1% só continuam a dar aulas por não terem outra alternativa. Em suma, um em cada três professores preferia deixar de ensinar.

Afinal, onde está o burnout perguntarão? Ele está lá, só que, diferentemente dos professores universitários e dos médicos mais ilustrados a este respeito, os professores vulgaris Linnaeus apesar de sofrerem da maleita não o sabem por ainda não conhecerem o termo, assim como Monsieur Jourdain qui faisait de la poésie sans le savoir.

08/09/2016

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (9.º capítulo). O burnout dos professores universitários

Outras doenças a que resistimos heroicamente

É preciso actualizar o estado de saúde da nação e acrescentar à multidão de sofredores mais uma classe: a dos professores universitários.

Segundo um oportuno e utilíssimo estudo da Universidade Portucalense, «mais de metade (62%) dos professores universitários estão com sintomas de stress e fadiga física, em burnout.»  E porquê, santo deus? Porque, explica o estudo, têm uma carga horária (16 horas) «superior à recomendada, acrescida da necessidade de conciliar as aulas com a investigação e orientação de alunos, podendo acumular funções burocráticas ou de maior responsabilidade». (fonte)

Se o burnout dos médicos se explica pela quantidade pantagruélica de doentes e pela variedade de doenças de que sofrem os portugueses, como se explica o burnout dos professores universitários? Pensando no assunto, encontrei uma explicação oposta à dos médicos. Se estes estão sobre a pressão do excesso de doentes e doenças, sabendo que dos milhares de licenciaturas, mestrados, doutoramentos, pós-doc, pré-Bolonha, Bolonha e pós-Bolonha, há inúmeras ofertas (parece que é assim que se diz) que têm um reduzido ou mesmo nulo número de alunos, imagino que os professores universitários delas encarregados ficarão em estado de angústia existencial, estado que ao fim de um semestre provoca o burnout.

Em tempo: a propósito das ofertas sem procura, segundo o jornal ihá 197 cursos de licenciatura e mestrado integrado que ficaram com 10 ou menos alunos colocados na 1.a fase de acesso ao ensino superior. Destes, em 45 não foi colocado nenhum aluno.

06/08/2016

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (9.º capítulo)

Dada a profusão de doenças amplamente documentada aqui no (Im)pertinências afligindo a multidão de sofredores portugueses (entre os quais se incluem os médicos vítimas do burnout), poder-se-ia pensar não haver maleita que não nos afligisse.

Mais devagar. Há o karoshi que mata cada vez mais gente no Japão e que não fez até hoje uma só vítima entre nós. Aposto que nunca fará, pelo menos entre os funcionários públicos.

02/07/2016

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (8.º capítulo). O burnout dos médicos

Há uma dúzia de anos publiquei sete posts sobre o estado de saúde da nação e no último ponto de situação a multidão de sofredores era composta por:
  • 4 milhões hipertensos, 
  • 38% com reumatismo ou artrite, 
  • 15 a 20.000 com parkinsonismo, 
  • 130 mil homens com cancro na próstata, 
  • 200.000 fibromiálgicos, 
  • 1.200.000 com fadiga crónica (estimativa do Impertinências), 
  • 4.000 electricistas com doenças profissionais, 
  • 30.000 portugueses que sofrem dos intestinos, 
  • 14 milhões de dias de baixa por ano devido a problemas respiratórios, 
  • 15 a 20% da população com prurido, vermelhidão e lacrimejo na primavera, 
  • 4.000 (1 em cada 2.500 pessoas) que sofrem duma das mais de 40 doenças neuromusculares 
  • 1.500 crianças com doenças reumáticas de causa desconhecida, 
  • 44.000 dias de falta por doença (15 dias por ano e alma) dos funcionários da Judite, 
  • 1 em cada 4.000 recém nascidos que sofre de fibrose quística, 
  • mais de um mi1hão de mulheres (1 em cada 5) e cerca de 300.000 homens (1 em cada 15) que sofrem de varizes, 
  • 5% das mulheres que sofrem da síndrome dos ovários poliquísticos, 
  • meio milhão de portuguesas e portugueses que sofrem de apneia do sono, 
  • 1 em 200 que sofrem de epilepsia,
  • 500.000 diabéticos. 
À primeira vista era assustador. Se não fosse a acumulação de doenças nalguns portugueses haveria doenças para todos. Felizmente para o bem da minoria dos saudáveis, muitos portugueses acumulam várias doenças.

Evidentemente que com a doença tão espalhada não espanta que os nossos médicos estejam sob grande pressão, apesar do seu número pletórico (426,1 por cem mil habitantes) ser o 5.º mais alto da Europa - ainda assim está abaixo da nossa posição no parque automóvel e na rede rodoviária -, mas não tão alto quanto o da Grécia que é o maior (628).

Não tendo mãos a medir com tanta doença, segundo um estudo da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, 40,5% dos médicos está em estado de burnout (exaustão emocional) principalmente entre os 26 e os 35 anos (as idades em que as meninges ainda estão tenrinhas). Teremos pois de adicionar à lista com o burnout dos médicos.

01/10/2004

CASE STUDY: Um país diferente? (4)

Depois destas, destas e destas, as últimas questões, a propósito do Statistical pocketbook do Eurostat «Living conditions in Europe (1998-2002)».

Habitação
Percentagem de lares:
Vivendo em moradias com rendimento do lar (1999) Portugal UE(15)
menor que 60% da mediana.........................82%(*)...49%
(*) a 2ª mais alta
maior ou igual a 140% da mediana.................44%(*)...54%
(*) a 4ª mais baixa

Proprietários da habitação com rendimento do lar (1999)
menor que 60% da mediana.........................82%(*)...50%
(*) a 5ª mais alta
maior ou igual a 140% da mediana.................70%(*)...71%
(*) a 2ª mais baixa

Habitações sobrelotadas (1999)...................21%(*)...10%
(*) a 3ª mais alta

Habitações sem condições sanitárias (+) com
rendimento do lar:
menor que 60% da mediana.........................96%(*)...35%
maior ou igual a 140% da mediana.................80%(*)...10%
(+) falta de pelo menos uma das seguintes: banho,
sanita interior, água quente
(*) a mais alta

Saúde
Percentagem da população que considera ter más
ou muito más condições de saúde (2001)
maiores de 16 anos...............................19,4%....11,4%
maiores de 65 anos...............................54,6%....25,8%

Percentagem da população (16-64) que declara ter
problemas persistentes de saúde ou uma invalidez (2002)
Homens...........................................20,1%....16,4%
Mulheres.........................................21,6%....16,3%

Novos casos de SIDA por milhão de habitantes
1995.............................................78,2.....65,0
2001............................................102,5.....23,3

Acidentes de trabalho
Acidentes com baixa superior a 3 dias por
100.000 trabalhadores (2000)..................4.863(*)..4.016
(*) a 4ª mais alta

Acidentes mortais.................................9(*).....5
(*) a mais alta

Acidentes nos transportes (1999)
Taxa bruta não corrigida de mortalidade..........27,6(*)..18,1
(*) a mais alta

Participação social
Percentagem da população cujas actividades diárias
incluem dar assistências não remunerada a:
A crianças
- Homens..........................................8(*)....19
(*) a mais baixa
- Mulheres.......................................28.......31
A outros
- Homens..........................................1(*).....5
(*) a mais baixa
- Mulheres........................................6........8


Mais perguntas impertinentes:

  • Como explicar que são os portugueses com menores rendimentos que mais vivem em moradias - quase sempre sua propriedade? (A propósito veja o post Um país de proprietários ou um país de insolventes?
  • Para quê ser proprietário de casas sobrelotadas e maioritariamente sem condições sanitárias?
  • Será possível que só 4% das casas dos lares com menores rendimentos tenham essas condições mínimas?
  • Restam dúvidas sobre as demonstrações empíricas do Impertinências da falta de saúde dos portugueses? (ver os sete capítulos de «É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença»)
  • Porque diabo temos uma produtividade tão baixa e nos matamos a trabalhar - literalmente?
  • Será que somos o país com a cultura mais feminina da Europa porque são as mulheres que tomam conta de nós, desde que nascemos até que morremos?

14/07/2004

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (7º capítulo). A saga continua.

Passou a euforia da Órópa. Campeonato já foi e nomeação de José Manuel Barroso, anteriormente conhecido por doutor Durão Barroso, perdeu interesse afogada na unanimidade. Voltamos à vil e apagada tristeza do dia-a-dia: governos que são demitidos, oposições que se demitem, oposições que exigem, oposições que apontam perigos ameaçadores e, milagre dos milagres, putativos governos que se movem - para a província, para o país real.

Para preparar a entrada nesta fase depressiva da doença bipolar que contamina a alma lusa, nada melhor do que fazer um balanço das maleitas que nos afligem.

Ponto de situação (ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui):
4 milhões hipertensos,
38% com reumatismo ou artrite,
15 a 20.000 com parkinsonismo,
130 mil homens com cancro na próstata,
200.000 fibromiálgicos,
1.200.000 com fadiga crónica (estimativa do Impertinências),
4.000 electricistas com doenças profissionais,
30.000 portugueses que sofrem dos intestinos,
14 milhões de dias de baixa por ano devido a problemas respiratórios,
15 a 20% da população com prurido, vermelhidão e lacrimejo na primavera,
4.000 (1 em cada 2.500 pessoas) que sofrem duma das mais de 40 doenças neuromusculares
1.500 crianças com doenças reumáticas de causa desconhecida,
44.000 dias de falta por doença (15 dias por ano e alma) dos funcionários da Judite,
1 em cada 4.000 recém nascidos que sofre de fibrose quística,
mais de um mi1hão de mulheres (1 em cada 5) e cerca de 300.000 homens (1 em cada 15) que sofrem de varizes,
5% das mulheres que sofrem da síndrome dos ovários poliquísticos,
meio milhão de portuguesas e portugueses que sofrem de apneia do sono,
1 em 200 que sofrem de epilepsia.
Segundo as últimas informações, devemos ainda adicionar 500.000 diabéticos a estas multidões de sofredores.

29/06/2004

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (6º capítulo). A saga continua.

Agora que os portugueses ainda estão na fase eufórica do campeonato da Órópa, sob influência do síndrome do rectângulo de Alvalade, é bom lembrar que, ao virar duma qualquer esquina, uma doença espera por nós.

Ponto de situação (ver aqui, aqui, aqui, aqui e aqui): 4 milhões hipertensos, 38% com reumatismo ou artrite, 15 a 20.000 com parkinsonismo, 130 mil homens com cancro na próstata, 200.000 fibromiálgicos e milhão e duzentos mil com fadiga crónica (estimativa do Impertinências), 4.000 electricistas com doenças profissionais, 30.000 portugueses que sofrem dos intestinos, 14 milhões de dias de baixa por ano devido a problemas respiratórios, 15 a 20% da população com prurido, vermelhidão e lacrimejo na primavera, 4.000 (1 em cada 2.500 pessoas) que sofrem duma das mais de 40 doenças neuromusculares e 1.500 crianças com doenças reumáticas de causa desconhecida, 44.000 dias de falta por doença (15 dias por ano e alma) dos funcionários da Judite.

Segundo as últimas informações da preciosa fonte dos cadernos de saúde dos semanários, podemos adicionar 1 em cada 4.000 recém nascidos que sofre de fibrose quística, mais de um mi1hão de mulheres (1 em cada 5) e cerca de 300.000 homens (1 em cada 15) que sofrem de varizes, 5% das mulheres que sofrem da síndrome dos ovários poliquísticos, meio milhão de portuguesas e portugueses que sofrem de apneia do sono e 1 em 200 que sofrem de epilepsia.

Duas notas finais, como diz o professor Marcelo: registo com preocupação mais duas doenças sexistas (as varizes e os ovários poliquísticos) e, com surpresa acrescida, o fracasso eleitoral do Movimento pelo Doente, talvez só compreensível por estarem de baixa a maioria dos seus eleitores.

Post scriptum:
«Embora muitos médicos se mostrem preocupados com o palato, com a úvula e respectivas dimensões, muitas vezes negligenciam a língua», lembra-nos sensatamente o 17º caderno (Saúde Pública) do saco de plástico, a propósito da apneia ou doutra coisa qualquer. É um bom conselho que aqui acolho: blogonautas de todos os azimutes não negligenciem a língua.

12/06/2004

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (5º capítulo).

Os cadernos de saúde dos semanários são uma fonte inesgotável para o conhecimento das doenças dos portugueses. A eles tenho recorrido intensamente, como aqui, aqui, aqui e aqui.

O ponto de situação: 4 milhões hipertensos, 38% com reumatismo ou artrite, 15 a 20.000 com parkinsonismo, 130 mil homens com cancro na próstata, 200.000 fibromiálgicos e milhão e duzentos mil com fadiga crónica (estimativa do Impertinências), 4.000 electricistas com doenças profissionais, 30.000 portugueses que sofrem dos intestinos, 14 milhões de dias de baixa por ano devido a problemas respiratórios.

A estes números podemos acrescentar esta semana 15 a 20% da população com prurido, vermelhidão e lacrimejo na primavera, 4.000 (1 em cada 2.500 pessoas) que sofrem duma das mais de 40 doenças neuromusculares e 1.500 crianças com doenças reumáticas de causa desconhecida.

Algumas profissões, como os já citados electricistas, parecem mais vulneráveis à doença. É o caso das 2.621 almas policiais e administrativas que se encontram inscritas na folha de pagamentos da Judite, que têm por ano 44.000 dias de falta por doença (15 dias por ano e alma). Saber que o director da PJ já anunciou um gabinete de apoio psicológico para é uma boa notícia - mens sano in corpore sano.

Quando escrevo estes posts dedicados à doença, lembro-me do doi-me +, que depois duma crise de flatulência foi internado numa clínica psiquiátrica. Desejo-lhe um rápido restabelecimento.

Lembro-me também do Movimento pelo Doente e da sábia pergunta que se pode encontrar no seu site: «o Sistema Nacional de Saúde em Portugal enferma de graves deficiências?» Sem dúvida, respondo. O SNS está gravemente doente.

30/05/2004

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (4º capítulo).

Estou a repetir-me, mas a doença nos portugueses é uma fonte inesgotável de vitalidade. Depois disto, daquilo e daquele outro, aqui estou, outra vez, a demonstrar por a + b que assim é.

Aos 4 milhões de portugueses hipertensos, 38% com reumatismo ou artrite, 15 a 20.000 com parkinsonismo, 130 mil homens com cancro na próstata, 200.000 fibromiálgicos e milhão e duzentos mil com fadiga crónica (estimativa do Impertinências), e aos 4.000 electricistas com doenças profissionais, podemos adicionar 30.000 portugueses que sofrem dos intestinos. Hum, hum. Esta é mais uma estimativa por baixo. Ficamos todos também a saber que os nossos problemas respiratórios são responsáveis por 14 milhões de dias de baixa por ano.

[Dois breves desabafos. Não admira que tenhamos imensos problemas respiratórios, possivelmente causados pelos tais 30.000 portugueses. Com aquelas baixas todas, também me surpreende como é que o nosso PIB per capita ainda está acima do Sudão.]

E eu fiquei a saber que, ao contrário do que imaginava, a fibromialgia também é sexista - só um em cada dez fibromiálgicos é homem. Quem sabe se, para compensar, 9 de cada dez fatigados crónicos são homens?

Informam-nos também que todos os anos temos mais 14.000 portugueses com enfarte agudo do miocárdio e 4% das nossas crianças são estrábicas.

O que vale é que daqui a pouco, às 10 H da manhã, podemos todos apanhar ar e fazer exercício na Marcha Nacional contra a Osteoporose na Figueira da Foz. A minha empregada Ermelinda pensava que a marcha era promovida pelo Floco de Esquerda para combater uma multinacional, que, segundo ela, quer tomar conta do nosso petróleo. Qual petróleo? Perguntei. Que pergunta!, disse ela.

[Terceiro desabafo. Não admira que, com estas doenças e confusões, as pessoas fiquem nervosas e se descontrolem, como aconteceu durante a visita à Feira do Livro do doi-me + acompanhado da senhora sua Mãe e da menina Sara. Os meus desejos de melhoras e que o acontecido não tenha mais consequências.]

27/05/2004

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (3º capítulo).

Recapitulando o que escrevi aqui e aqui, a doença dos portugueses é um sintoma não de morbidez, mas de grande vitalidade.

Aos 4 milhões de portugueses hipertensos, 38% com reumatismo ou artrite, 15 a 20.000 com parkinsonismo, 130 mil homens com cancro na próstata, 200.000 fibromiálgicos e milhão e duzentos mil com fadiga crónica (estimativa do Impertinências), podemos agora acrescentar 4.000 electricistas com doenças profissionais, segundo a sua Federação (FSTIEP) que tem 20% dos seus sócios com tendinites e outras maleitas.

Agradecimento:
Ao doi-me + pelos seus votos das minhas melhoras, que retribuo gostosamente, esperando que já tenha recuperado dos incómodos que a ruidosa turba tripeira lhe causou.

22/05/2004

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (2º capítulo).

Como escrevi aqui, a doença dos portugueses é um sintoma não de morbidez, mas de grande vitalidade.

Sem esquecer os 4 milhões de portugueses hipertensos, os 38% que sofrem de reumatismo ou artrite e os 15 a 20.000 doentes de Parkinson, que referi, a Associação Portuguesa de Urologia informa-nos que 130 mil homens sofrem de cancro na próstata. Mas esta é uma má notícia para a igualdade entre os sexos.

Uma doença que parece não ser sexista é a fibromialgia que, segundo a Associação Nacional contra a Fibromialgia e o Síndrome de Fadiga Crónica, aflige mais de 200.000 portugueses, incluindo a doutora Maria Elisa, que até teve baixa na assembleia da República.
Sem querer questionar a competência da ANCFSFD, 200.000 sofredores parece-me uma estimativa muito por baixo. Talvez 200.000 fibromiálgicos. Mas quantos mais fatigados crónicos? Arriscaria um mínimo de um milhão e duzentos mil, tantos quantos os utentes da vaca marsupial pública adicionados dos desempregados.

Dedicatória
Este post é uma homenagem ao blogonauta doutor João Mendes Cruz do doi-me +, a quem dou os meus parabéns pela prodigiosa ejaculação que coroou a sarapitola que a arrebatadora paixão da doutora Sara lhe proporcionou nesta manhã de sábado.

09/05/2004

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (continua).

Ao contrário do que se poderia distraidamente supor, a doença dos portugueses é um sintoma não de morbidez, mas de grande vitalidade. Já o tratei várias vezes antes e durante a vida do Impertinências e volto agora, prometendo continuar este tema tão estimulante.

Em 13 de Março de 2002, deu entrada no Tribunal Constitucional o requerimento de constituição dum novo partido político baptizado de Movimento pelo Doente. Pelo que veremos de seguida arrisca-se a ser um partido maioritário.

Há um ano o ministro Bagão Félix estimava que, a média diária de faltas por doença fosse 410.000, ou 7,6% da população "activa".

No final do ano passado, citei aqui um estudo da Fundação de Ciência e Tecnologia apontando 36% das crianças portuguesas entre os 7 e os 9 anos com excesso de peso e um relatório do Eurobarómetro referindo que 38% dos portugueses sofrem de reumatismo ou artrite, 22% de hipertensão e 10% de diabetes.

Em relação à hipertensão, o número apontado há dias pelo Portugal Diário era de 4 milhões de portugueses hipertensos, ou seja 40% da população residente e não já os 22% do Eurobarómetro. Mais 1,8 milhões de hipertensos em 6 meses? Talvez não seja um exagero, considerado o estado funesto em que se encontra a alma portuguesa. Se não forem hipertensos, serão hipertesos, a quem os bancos, mais cedo do que tarde, aumentarão a pressão arterial.

Se a hipertensão não fosse suficiente para nos afligir, ficámos a saber pelo suplemento Saúde de O Independente da passada sexta-feira que temos entre 15 a 20.000 doentes de Parkinson. O que também só surpreende os distraídos – basta olhar para os nossos políticos gerontes.
(Work in progress)