Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
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08/03/2019

ACREDITE SE QUISER: Factos (alternativos ou não) que confirmariam muita coisa

Os factos (não se sabe se são todos os factos):

«A Impresa anunciou que procedeu ao reembolso da totalidade do empréstimo obrigacionista, no valor de 30 milhões de euros, que vencia este mês (Novembro de 2018).  O pagamento foi feito com o montante que encaixou com a venda do edifício Impresa, depois do grupo ter falhado a emissão de obrigações que visava precisamente substituir este empréstimo realizado em 2014.

A dona da SIC queria avançar com uma nova emissão de obrigações no valor de 35 milhões de euros para substituir a emissão que vencia agora. Porém, a 21 de Julho do ano passado, anunciou que tinha desistido da operação que tinha como objectivo alargar o prazo de reembolso de parte da dívida do grupo liderado por Francisco Pedro Balsemão (na foto).

A forma que a empresa arranjou para concluir o reembolso anunciado esta segunda-feira, a 13 de Novembro, foi, assim, através da venda do edifício Impresa, em Paço de Arcos, ao Novo Banco. O montante envolvido na operação foi de 24,2 milhões de euros.

Como fonte oficial da Impresa tinha dito ao Negócios na altura, a venda do edifício "servirá para pagar o empréstimo obrigacionista e para financiar a obra de expansão do edifício Impresa".»

(Jornal de Negócios)

Outros factos (que podem ou não ser factos alternativos, que não por acaso explicariam bastante bem a parcialidade e a falta de distância da SIC e do semanário de reverência em relação ao governo de Costa):

Recebido via WhatsApp

24/02/2019

Títulos inspirados (85) - A inteligência artificial como sucedâneo da falta de inteligência natural


«Governo recorre à inteligência artificial para exportar mais» titulou o semanário de reverência para promover a «estratégia» do governo que vai usar «o e-commerce, o bigdata, o design thinking e o machine learning, etc.» (ou seja and so on). Estratégia de internacionalização da economia que «nunca teve tanta escala e coordenação» nas palavras do secretário de Estado Brilhante Dias, em promoção.

O brilhante Dias não explicou como conseguiram os industriais do vestuário e do calçado e outros exportadores de sucesso exportar sem tal estratégia e desprovidos de «o e-commerce, o bigdata, o design thinking e o machine learning, etc.», nem quais os produtos que o governo irá fabricar para exportação, para além das tretas em que é um fabricante de referência.

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Um comissário para todo o serviço (2)

Secção Albergue espanhol

Confessamos (outra vez): aqui no (Im)pertinências o comissário Carlos Moedas tem vindo a provocar urticária. A primeira vez que surgiu no nosso radar em plena crise do resgate foi a descerrar uma lápide em Beja com o seu nome, a pretexto de ser lá da terra, numa escola sem alunos (um projecto do tempo de Sócrates), na qualidade de secretário de estado adjunto do primeiro-ministro.

Ainda restava alguma boa impressão na segunda vez que nos apareceu,  (...) Para nós foi sempre a descer. E quando pensávamos que já não desceria mais, ... (a partir daqui é ler o post anterior)

Agora que já sabemos que pode descer mais, não nos surpreendemos com as promoções que o semanário de reverência lhe fez esta semana. Aqui vão elas:


Repare-se como Moedas substituiu Tsipras nos favores da viúva de Miguel Portas.

Corrige-se assim a avaliação da prestação de carreira de Moedas, segundo a pontuação impertinente, com cinco em vez de quatro urracas pela frouxidão, mantêm-se os cinco pilatos por querer colocar cartas em todos os tabuleiros e leva cinco em vez de três chateaubriands por confundir a sua promoção com os deveres do cargo e o interesse do país, a que acrescem dois ignóbeis.

03/02/2019

ARTIGO DEFUNTO: Como se afagam as meninges do público em ano de eleições

A manipulação da opinião pública pela opinião publicada travestida de jornalismo é uma constante do semanário de reverência (e, é claro, de outras centrais do jornalismo de causas). Veja-se esta subtileza que descrevo a seguir.

Na página 11 do caderno de Economia do Expresso há um artigo onde se pode ler que para o governo renacionalizar os CTT - o novo desígnio da esquerdalhada - não é necessária autorização da Comissão Europeia, desde que se faça a preços de mercado, neste caso às cotações de bolsa. E há um outro artigo onde se acrescenta que nunca até agora houve uma renacionalização na União Europeia.

Na primeira página do caderno de Economia do Expresso há uma chamada para esses artigos na página 11. São concebíveis vários títulos para essa chamada, por exemplo: a renacionalização dos CTT não precisa de autorização de Bruxelas ou até agora na houve renacionalizações na União Europeia. O título escolhido foi: «Bruxelas não impede regresso dos CTT ao Estado», implicitando subliminarmente que o governo já teria consultado Bruxelas e obtido luz verde.

A par da manipulação subliminar, o semanário de reverência brinda-nos com as menos subtis promoções de ministros e secretários de Estado exaltando a sua obra com fotos de grande formato. Esta semana tivemos direito à promoção do secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, a propósito da redução dos passes sociais, e à do secretário de Estado da Internacionalização sob um título mirabolante indiciando uma perigosa deriva megalómana «Queremos liderar o carro eléctrico a nível mundial».

31/01/2019

ARTIGO DEFUNTO: Cada exemplar do Expresso Curto é um número e cada número é um exemplar

O Expresso Curto, para quem não saiba, é um email diário do semanário de reverência que funciona como um teaser para as notícias do dia. Por via de regra, não costuma ser um modelo de jornalismo profissional objectivo e isento.

Como o Pif Paf, a revista brasileira de Millôr Fernandes dos anos sessenta, cada exemplar do Expresso Curto é um número e cada número é um exemplar, sem o humor do Pip Paf. O de hoje é da autoria de Germano Oliveira, editor executivo - no semanário de reverência há mais editores do que generais nos exércitos sul-americanos.

O número de hoje é mais exemplar do que os outros. É um panfleto esquerdóide sem um pingo de objectividade. Só não é um vómito cor-de-rosa, como o falecido comunista Castrim baptizou o jornal Comércio do Funchal do princípio dos anos 70 ocupado pelo esquerdismo infantil, porque o Expresso Curto não tem essa cor. É um vómito branco.

Um curto excerto: «Na Sodoma que é o Twitter de Trump está lá esse escárnio para prosélitos, que tem tanto de sagaz para entusiasmar a base de fanáticos do presidente americano (LOL) como para assustar os que andaram na escola e leem livros ... Trump não é asno absoluto e o tweet saloio que escreveu...».

25/01/2019

Chávez & Chávez, Sucessores (71) - O inferno chávista visto pelo jornalismo de causas

Outras obras do chávismo.

«Não há narrativas fáceis para o que se passa há vários anos naquele país sul-americano, por muito que haja a tentação de tudo acantonar na habitual e simplista dicotomia bons e maus. Não há inocentes, na Venezuela. Não há, sequer, uma oposição. Há um conglomerado de oposições, quase sempre muito divididas como reflexo dos muitos e contraditórios interesses representados. E há um setor de extrema-direita, cada vez mais radicalizado, a assumir o palco, empurrado e alimentado por atores externos, cuja intervenção desejam.

A Venezuela vive uma situação política, social e económica desastrosa, seja quais forem as razões que cada um entenda privilegiar para justificar o caos instalado, com exponencial aumento da pobreza, colapso dos serviços públicos, hiperinflação e crescente violência nas ruas.»

Esta narrativa de Valdemar Cruz no Expresso Curto é o máximo que o jornalismo de causas que escrevinha nos jornais consegue produzir sobre o inferno chávista quando já é impossível esconder a realidade. Repare-se: simplista dicotomia bons e maus, não há inocentes, sector de extrema-direita (uma designação suave para fascismo), alimentado por actores externos (cá está Trump e o Império do Mal), seja quais forem as razões. E onde pára o socialismo chávista responsável pela miséria e pela opressão?

O que dizer a este branqueamento? Felizmente, por cá ainda não temos Jerónimo e Catarina em S. Bento e, por isso, podemos procurar a resposta dentro do próprio semanário de reverência onde coexistem jornalistas que não foram contaminado pela lengalenga esquerdista, como Henrique Raposo que há 5 meses escreveu no Expresso Diário:

«Em nome da tradição, os intelectuais de esquerda portugueses sempre apoiaram facínoras. Mas o apoio à Venezuela é um salto em frente. Não se trata de uma mera traição da decência e da verdade, é uma traição a centenas de milhares de portugueses ou de luso-descendentes, que, curiosamente, continuam por descobrir pelo jornalismo português. No fundo, no fundo, o português da Venezuela também tem um problema: não é grego, não foi “oprimido” por Merkel ou pela troika ou por Passos.»

23/12/2018

Dúvidas (246) - Empresária do Ano 2018?

O Expresso elegeu Empresária do Ano 2018 Paula Amorim, filha do empresário Américo Amorim falecido o ano passado.

Estará o semanário de reverência a corrigir a falha do ano passado por não ter eleito Paula Amorim Herdeira do Ano 2017?

10/12/2018

O grande problema da democracia, segundo um anti-democrata

«O grande problema do nosso sistema democrático é que permite fazer coisas nada democráticas democraticamente.» 
Pensamento de  José Saramago, hoje evocado na newsletter do semanário de reverência, Saramago  que nunca viu nenhum grande problema nos regimes autocráticos comunistas e que durante o PREC, quando estava em curso a instalação de uma «democracia popular», dirigiu um jornal de onde expulsou os jornalistas desalinhados.

21/11/2018

ARTIGO DE DEFUNTO: A arte de manipular as meninges dos leitores

«Juiz proíbe Administração Trump de recusar asilo a imigrantes
O Presidente Donald Trump emitiu um decreto a 9 de novembro, no qual negava asilo à maioria das pessoas que cruza a fronteira, numa resposta às caravanas de migrantes que condenara antes das eleições de novembro»

A notícia acima do Expresso foi replicada quase ipsis verbis por vários outros jornais portugueses. Como se pode ler neste artigo do NYT, que pratica jornalismo de causas (*) mais informado e mais inteligente do que o corrente no Portugal dos Pequeninos, o que se passou foi o seguinte:

  • A lei americana não concede aos imigrantes o direito ao asilo; concede o direito a um pedido de asilo que será examinado, aprovado ou recusado pelas autoridades americanas;
  • Confrontada com o afluxo maciço de imigrantes hondurenhos, Trump emitiu uma proclamação limitando o exame dos pedido de asilo aos imigrantes «who enters the United States at a port of entry and properly presents for inspection»;
  • Os imigrantes clandestinos ficaram, portanto, sem acesso ao pedido de asilo, a menos, evidentemente, que o viessem a apresentar at a port of entry and properly presents for inspection;
  • O juiz federal Jon S. Tigar do Tribunal Distrital em São Francisco ordenou na segunda-feira à administração para retomar a aceitação de pedidos de refúgio de imigrantes, independentemente de onde ou como eles entraram nos Estados Unidos.

Moral da estória: Trump não recusou o asilo a imigrantes, recusou analisar os pedidos de clandestinos. O juiz não o proibiu de fazer o que ele não tinha feito; o juiz obrigou a administração a analisar todos os pedidos de asilo. O juiz não obrigou - nem poderia obrigar - a aceitar o asilo a emigrantes.

(*) Repare-se como Baptista-Bastos, ao preconizar o jornalismo de causas em que «não há factos. Os factos correspondem à visão do mediador, do repórter», foi um precursor das fake news e das alternative news muito antes da Breitbart News.

28/08/2018

ARTIGO DEFUNTO: O semanário de reverência perdeu a pouca vergonha que tinha

«A propaganda descarada prossegue. Escrevemos há duas semanas aqui no “i” que o “Expresso” já não esconde o seu proselitismo a favor de António Costa – será um aliado do PS na busca da maioria absoluta. Pois bem, depois da entrevista de Pedro Duarte, logo após a longa entrevista de Verão habitual de António Costa em ano antecedente a actos eleitorais, eis que o “Expresso” resolveu escrever mais um verso no seu poema de amor ao PS. Desta feita, publicou no sábado de manhã a promessa eleitoral que António Costa haveria de divulgar no sábado à tarde. É uma jogada política clássica: primeiro, lança-se a proposta na comunicação social amiga para criar a onda de expectativa, para depois anunciá-la em comício partidário aproveitando (e maximizando) o foco mediático que a manchete do “Expresso” proporcionou. Isto é pura propaganda (digna da Coreia do Norte) pela terceira semana consecutiva

João Lemos Esteves no jornal i

Quanto mais se afunda financeiramente o grupo Impresa de Balsemão, mais aumenta a subserviência ao PS e a tentativa de se ligar à máquina do Estado Sucial.

17/06/2018

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (82) - Por onde têm andado os jornalistas do semanário de reverência?


Alguém pode explicar, se faz favor, a estas criaturas que o êxodo do centro para a periferia não começou agora, começou há cinco décadas por várias razões entre as quais leis do arrendamento parecidas com as que a esquerdalhada quer ressuscitar. O êxodo começou há cinco décadas e, não por acaso, começou a inverter-se precisamente a partir do momento em que as leis do arrendamento foram «liberalizadas» (vade retro satana!) - ler aqui o contributo velho de 15 anos do Impertinente para a compreensão do êxodo do centro para a periferia à luz da teoria do caos.

11/05/2018

ARTIGO DEFUNTO: Jornalismo de reverência

«O que Marcelo quer é esterilizar os jovens trans»

Júlia, trans dirigente do BE e codirectora da Acção Pela Identidade
e Alice, activista trans membro dos colectivos Panteras Cor de Rosa e Transmissão,
entrevistadas pelo semanário de reverência a causas várias
Um exercício de agitprop de esquerdismo infantil onde se atribuem propósitos absurdos ao comentador-presidente que, coitado dele, só pretende tempo de antena, ser popular e um segundo mandato (se não houver incêndios com mortos).

29/12/2017

Gratificação por serviços prestados

«Governo escolhe Nicolau Santos para presidente do conselho de administração da Lusa»

Para quem nos acompanha não será novidade que Nicolau, um decano do jornalismo de causas de saída do semanário de reverência, é o nosso pastorinho favorito da economia dos amanhãs que cantam, a quem dedicámos resmas de posts e por isso saudamos a sua subida ao olimpo da produção de boas notícias. É uma promoção inteiramente merecida.

21/12/2017

ARTIGO DEFUNTO: Jornalismo de "referência" é o jornalismo de causas adoptado pelo jornal que se diz de referência (6)

Continuação de (1), (2), (3), (4) e (5)

Na sua edição do passado dia 8, o Expresso ultrapassou-se a si próprio, dedicando as duas páginas centrais do caderno principal à promoção de Carlos Moedas e a receptáculo dos recados do comentador Marcelo, agora residente em Belém. São peças tão repelentes que precisei de alguns dias a vencer a minha repugnância para escrever este post.

Passo a citar alguns nacos mais putrefactos de uma das peças com um título que é todo um programa «Marcelo sonha com ele para o PSD»:

«Pelo menos um dos fundadores do partido (…) vislumbra no atual comissário português em Bruxelas uma forte hipótese para, num futuro não muito longínquo, suceder na liderança social-democrata, seja a Rui Rio, seja a Santana Lopes. 

Desconsolado com as duas candidaturas na forja para suceder a Pedro Passos Coelho, Marcelo Rebelo de Sousa não tem disfarçado em privado o entusiasmo com que acompanha a carreira de Carlos Moedas, que considera um caso raro de competência, rigor, inovação e cosmopolitismo. Marcelo vê em Moedas uma carta "fora do baralho".

(…) apareceu alguém diferente, com um discurso de rutura e que funcionou como uma lufada de ar fresco capaz de mobilizar atenções e apoios e de retirar o partido de uma letargia prolongada. Nos anos 80, esse nome foi Aníbal Cavaco Silva. Algures nos anos 2000, Marcelo admite que possa ser Carlos Moedas. 

(…) No estilo, são muito diferentes. Moedas, ao contrário de Cavaco, não é um carismático. Mas tem mais mundo e tem um trato tu- cá-tu-lá que o analista Marcelo prefere à distância dos frios. No léxico (e na visão) marcelista, diz-se que Carlos Moedas "encaixa na política mais cosmopolita e dos afetos". 

"Quer vir?"
Que o Presidente da República gosta da sua companhia é indisfarçável. Quando o comissário vem a Lisboa basta telefonar a  Marcelo e juntam-se em Belém a conversar.»

Esqueçam o Código Deontológico do Jornalista, esqueçam o Código de Conduta dos jornalistas do Expresso, esta é apenas uma amostra que diz tanto sobre a subserviência do jornalismo ao serviço de causas obscuras como sobre os conflitos de interesse e a instrumentalização recorrente da presidência da República por Marcelo Rebelo de Sousa para servir a sua agenda pessoal.

16/12/2017

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (3)

Outros portugueses no topo do mundo.


O que pensariam os portugueses dos jornais holandeses se lessem num deles que o Jero teve a Óropa a seus pés durante 5 anos? Ou dos jornais luxemburgueses se lessem num deles que o Jean-Claude teve a Óropa a seus pés 8 anos como presidente do Conselho Europeu e 4 anos como presidente da Comissão Europeia?

É de um ridículo patético, demasiado até para o semanário de reverência, que cada vez mais se assume como o Acção Socialista e explora o complexo de inferioridade nacional.

09/12/2017

Poses no Semanário de Reverência

Passos Coelho em pose de fuga depois de ter destruído os Serviços Públicos em foto do Semanário de Reverência


Catarina Martins em Pose de Estado defendendo os Serviços Públicos em entrevista ao Semanário de Reverência

03/11/2017

ARTIGO DEFUNTO: Delito de opinião é escrever falsidades para justificar causas

«Puigdemont continua em Bruxelas e o que fará de seguida continua a ser uma incógnita. Espanha está com um problema terrível e uma questão começa a colocar-se. Os governantes presos são meros delinquentes, ou a sua prisão decorre de um delito de opinião? E isso é aceitável na União Europeia?» escreveu o jornalista de causas independentistas Valdemar Cruz na newsletter do semanário de reverência.

Delito de opinião? Que se saiba ninguém foi acusado por ser favorável à independência. Os membros do governo regional catalão são acusados por organizarem um referendo inconstitucional e por declarem a independência de uma região da Espanha, um Estado unitário segundo a constituição referendada por todos os espanhóis, incluindo os catalães.

Que os jornalistas tenham opiniões é inevitável e que tenham causas é perfeitamente aceitável. Que os jornalistas usem a sua profissão que lhes dá acesso à manipulação das meninges para as manipularem as meninges dos seus leitores é completamente inaceitável, sobretudo quando aviam as suas causas embrulhadas em «notícias». 

24/09/2017

ARTIGO DEFUNTO: Jornalismo de "referência" é o jornalismo de causas adoptado pelo jornal que se diz de referência (5)

Continuação de (1), (2), (3) e (4)

Na página 2 do caderno de Economia do Expresso podemos encontrar a "notícia" aqui ao lado, de onde um leitor distraído concluiria que o STJ «recusou» a entrega de documentos pedidos pela CPE, legitimando assim a golpada da geringonça para esconder os podres da Caixa.

Uma leitura do acórdão do STJ esclarece-nos que não houve recusa nenhuma porque este tribunal se limitou a constatar que:

(1) devido à referida golpada, a CPE consumiu o prazo para a sua existência de onde «parece dever concluir-se, em primeira linha, por exigência legal, que a comissão parlamentar de inquérito, requerente neste processo, se encontra extinta»;

e

(2) «A extinção da requerente – não havendo lugar à habilitação desta, nem se devendo prefigurar que a mesma se haja fundido no Plenário -, tornando impossível a continuação da lide, determina a extinção da instância.»



Na página 26 do caderno principal do mesmo semanário já não se trata só de jornalismo de causas, neste caso da causa «barriga de aluguer».

Trata-se da promoção da «colocação de um útero no mercado de arrendamento» por muito que o Expresso escreva o contrário e informe que a renda monetária neste caso é zero.

03/09/2017

ARTIGO DEFUNTO: Jornalismo de "referência" é o jornalismo de causas adoptado pelo jornal que se diz de referência (4)

Continuação de (1), (2) e (3)


O recorte do lado esquerdo é da primeira página do caderno principal do semanário de reverência e dirige-se aos leitores que se ficam pelo título e aos leitores que lêem o texto e não fazem a menor ideia de que a notação que o título diz que «melhora» é uma coisa e o outlook ("perspectiva") é outra, sendo que no conjunto estes leitores provavelmente representam a maioria, e tenta subliminarmente convencê-los de mais uma realização do governo de Costa.

O recorte do lado direito é da segunda página do caderno de economia e dirige-se aos leitores distraídos e aos que procuram ver a confirmação dos prognósticos que lhes impingiram, sendo que no conjunto também estes leitores provavelmente representam a maioria. Esta "notícia" é ainda mais pornográfica do que a outra quando confrontada com outra imprensa menos alinhada que noticia ter a dívida em Julho aumentado 100 milhões atingindo 249,2 mil milhões de euros.

Até mesmo para os padrões de alinhamento do luso-jornalismo, o semanário de reverência está a exceder-se na manipulação. Enfim, talvez estejam a tentar reestruturar os 160 milhões de dívida bancária com um empréstimo de Caixa e a rezar para melhorar a cotação das acções que perderam 60% do seu valor durante o ano passado e mesmo depois do anúncio da vendas das revistas ainda estão 40% abaixo da cotação de Janeiro do ano passado. Moral da estória: é preciso ganhar dinheiro para pagar o preço da independência.