Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
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31/08/2019

Com este pessoal político, Portugal, que tem algum passado e pouco presente, dificilmente terá um futuro diferente

Já poucos acreditam nos políticos com graus académicos ornamentais que fazem o circuito das feiras a comer sandes de carne assada e pastéis de bacalhau ou a tournée de prova dos tintos. Ou que fingem interessar-se pela Lavoura (com maiúscula) ou que fazem campanha nos mercados municipais a dar beijinhos às peixeiras.

Contudo, parece haver ainda um resíduo de fé numa nova geração de políticos ilustrados com graus académicos prestigiados, por vezes em universidades estrangeiras, que aparentam ter vida para além do orçamento. Essa nova geração com outra cultura, outras ideias e outras práticas, assim reza a profecia, irá substituir gradualmente os velhos políticos.

É uma profecia comovente, mas, como é costume nas profecias, se calhar tem uma baixa probabilidade de se concretizar. Vem esta profecia a propósito de um desses novos políticos que aqui no (Im)pertinências já fez gastar muita tinta desde os tempos longínquos em que a criatura emergiu da sombra na encarnação de secretário de estado adjunto do primeiro-ministro Passos Coelho.

Trata-se, pois, de Carlos Moedas que nos últimos dias confirmou que, aparte os graus académicos, o inglês fluente e o à vontade no "estrangeiro" e alguns tiques, reúne muitos dos atributos que fazem dos políticos portugueses o que eles costumam ser.

Por exemplo, costumam ter uma ideia da Europa como a Óropa dos subsídios e o seguro contra todos os riscos que a preguiça e a falta de iniciativa imaginam ter subscrito, como o  homem que se orgulha que «vai duplicar os fundos comunitários para ciência» e exorta «Portugueses devem ir buscar mil milhões aos apoios à inovação».

Por exemplo, costumam ser desprovidos de coluna dorsal, como o homem que é um bajulador emérito que, jogando no tabuleiro do PS, mete a língua no ouvido de Costa dizendo-lhe «foram cinco anos com uma relação institucional com o primeiro-ministro que correu sempre tão bem».

Como já tinha jogado no tabuleiro de Marcelo que encomendou à sua porta-voz, que faz as vezes de jornalista do Expresso, uma enjoativa peça com um título que, quando se discutia a sucessão de Passos Coelho, era todo um programa  - «Marcelo sonha com ele para o PSD».

Por exemplo, quando prepara cuidadosamente com jogos de bastidores o seu limbo de dois anos após a fim do mandato na CE, pondo, como diz o povo, o palito no bolo das Fundações Gulbenkian e Champallimaud através da citada porta-voz de Marcelo no semanário de reverência.

20/08/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (185) - Considerem-se avisados


«Desde 1975 que não se assistia a ameaças tão contundentes à liberdade de expressão, aos direitos de informação, associação e à greve. (...)

O PS está a mudar. Perigosamente. Está a ceder às esquerdas radicais, antidemocráticas ou totalitárias. As mais profundas convicções democráticas e liberais que marcaram o carácter do PS estão a sofrer uma erosão manifesta, causada pelo apetite de poder e pela influência ideológica do Bloco. (...)

Convencido de que o seu ADN é um salvo-conduto para a democracia, o PS português está a perder qualidades. Dá sinais de aceitar que existem limites severos à liberdade de expressão, de que as Forças Armadas podem intervir em conflitos laborais e de que os tribunais são bons substitutos para a arbitragem e a negociação. Em questões como a segregação racial, o racismo, a desigualdade étnica e social, o assédio sexual e a violência doméstica, os socialistas estão a considerar crime o que muitas vezes é mera afirmação ou opinião. (...)

Estamos a viver tempos difíceis para a democracia e para as liberdades, designadamente a liberdade de expressão. O PS está a perder gradualmente a sua tradição liberal, a sua veia tolerante e a sua marca democrática que parecia inamovível. O PS está a deixar que as suas pulsões escondidas, jacobinas, de intervenção estatal, de condicionamento da livre expressão e de intolerância apareçam à superfície e se transformem em método de acção. A liberdade, em Portugal, não depende só dos socialistas, mas está por eles muito marcada. Se faltar o seu contributo republicano, democrático e liberal, poderemos ter de viver tempos cinzentos que julgávamos ultrapassados por muitos anos. Num país, como o nosso, em que a direita liberal é tão escassa e volúvel, a esquerda democrática é essencial. Mas, se é a primeira a não respeitar as suas boas tradições, então temos um problema!»

Excertos de «Ameaças», António Barreto no Público

09/08/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (184) - O PS como elevador sucial

«Não podendo ascender socialmente a trabalhar, não sendo Portugal também um grande paraíso para investir, resta uma solução: meter-se num partido de poder, o que em Portugal nos últimos 20 anos é basicamente inscrever-se no Partido Socialista. Inscrever-se no Partido Socialista e encontrar os padrinhos certos é o caminho mais rápido para a ascensão social (que o diga o ajudante de padeiro, afilhado político de Pedro Nuno Santos, promovido a assessor no Ministério da Administração Interna). Pertencer ou ser próximo do Partido Socialista pode garantir acesso aos melhores empregos na Função Pública e aos melhores negócios com o Estado. A meritocracia fica para trás, subjugando-se à lealdade política, à subserviência e ao servilismo. Controlando o estado uma parte tão grande da economia, directa e indirectamente, é difícil ter sucesso sem acesso à rede de primos e afilhados dos partidos de poder.»

Excerto de «#ComPrimos», Carlos Guimarães Pinto no Observador

08/06/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (183) - Uma falta de memória só igualada pela falta de vergonha

«O PS quer um “dia da memória” porque sabe não haver nenhuma. Se houvesse, toda a gente se lembraria das figuras que os nossos estimáveis governantes fizeram naqueles desgraçados dias, sob o alto patrocínio de Sua Excelência, o Senhor Presidente da República. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria da grotesca indiferença do dr. Costa, disfarçada sob um ar pesaroso e interrompida para anunciar aos saltinhos a candidatura do autarca lisboeta. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria do “focus group” convocado pelo primeiro-ministro para medir os efeitos dos incêndios na sua popularidade. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria dos bonitos calções que o primeiro-ministro envergou numa praia espanhola enquanto os cadáveres arrefeciam. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria da valentia da então ministra da Administração Interna, uma criatura hoje sem nome que à época, e entre lágrimas, se proclamou a principal vítima de tudo aquilo. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria da eficácia do lendário SIRESP e dos míticos Kamov, não por acaso duas heranças do dr. Costa. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria de que, em Pedrógão, um Estado voraz falhou na solitária tarefa que lhe devia competir: assegurar, na medida do possível e do razoável, a segurança física dos cidadãos. Se houvesse memória, enfim, o dia da dita seria dispensável. Assim, é apenas repugnante.»

Os dias nacionais da amnésia, Alberto Gonçalves no Observador

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Não há constância maior do que a de Constâncio

Secção Musgo Viscoso

Vítor Manuel Ribeiro Constâncio, várias vezes secretário de Estado e ministro, incluindo ministro anexo, duas vezes governador do Banco de Portugal da primeira das quais transitou directamente para secretário-geral do PS. Como governador decretou o fim das crises e do «problema monetário macroeconómico» e teve uma notável participação na equipa de assalto ao BCP.

Soube-se agora que em 2007, na sua segunda passagem pelo BdP como governador, durante o assalto ao BCP o CA do BdP, por si presidido, reuniu-se «com apenas um único ponto na agenda: autorizar a operação que daria a Berardo um reforço da sua posição no BCP de 3,99% até 9,99%, com um financiamento de 350 milhões de euros a libertar pela Caixa, mediante a promessa dos títulos adquiridos».

Sem nenhuma surpresa, «a informação foi ocultada dos deputados na Comissão Parlamentar de Inquérito à CGD, onde Constâncio disse ser “impossível” que o Banco de Portugal soubesse que a CGD ia financiar Berardo antes de o crédito ser dado». (Público via Observador)

Já premiado algumas vezes aqui no (Im)pertinências, é justo volta a atribuir-lhe cinco pilatos por ter elevado ao seu pináculo a arte de lavar as mãos do assunto, cinco ignóbeis pelo extremo descaramento sonso com que descarta as suas responsabilidades e cinco bourbons como prémio de carreira.

28/04/2019

O milagre dos cravos transforma vigaristas em incompreendidos, ditadores em democratas e o governo em oposição

Os cravos apareceram após 64 anos e ainda por aí
andam cada vez mais murchos (Créditos)
«Não há incredulidade ou cepticismo que não se rendam diante do milagre dos cravos: em Portugal, basta colocar um cravo ao peito para os terroristas passarem a combatentes pela liberdade; os vigaristas a incompreendidos; os ditadores a democratas; os medíocres a intelectuais e os parasitas a solidários.

Mas a esta transfiguração que já estávamos mais ou menos habituados acresceu este ano um mistério que a teologia não explica mas a política esclarece: os ministros e os parceiros do Governo puseram cravo ao peito e de imediato deixaram de ser Governo para se tornarem oposição. Na avenida da Liberdade, cravo na mão, a ministra da Saúde já não é a ministra que tem de explicar como foram retirados nomes das listas de espera para se tornar numa manifestante defensora do mesmo SNS que deixa degradar a níveis nunca vistos.  Já o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes transfigurou-se em jovem e desfilou com os manifestantes da Juventude Socialista que gritavam: “Queremos revolução, socialistas em acção“. Sendo certo que a única revolução que está  por fazer em Portugal é precisamente a que derrube a ditadura fiscal presidida pela secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais, cabe perguntar se o senhor secretário de Estado dos Assuntos Fiscais quando miraculado em jovem manifestante nos toma por parvos ou se faz parvo? Por fim o ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, desembaraçado do Porsche, além do cravo muniu-se de calças de ganga, o que para o caso faz do seu um milagre  ainda mais promissor.»

O milagre dos cravos, Helena Matos no Observador

25/04/2019

DIÁRIO DE BORDO: Um 25 de Abril impertinente

O meu 25 de Abril foi o dia em que comecei a descobrir que as coisas não eram o que pareciam ser.

Em que comecei a descobrir que o país estava coalhado de democratas, socialistas e comunistas nunca antes vistos, nascidos nos escombros do colapso por vício próprio do edifício decadente do Estado Novo. Pouco a pouco, nos dias e meses seguintes, para minha surpresa, o coalho derramou-se pelo país numa maré do coming out, como lhe chamaríamos hoje. Em cada empregado servil, venerador, de espinha dobrada e mão estendida, havia um heróico sindicalista pronto a lutar pelos direitos dos trabalhadores e pelo «saneamento» do patrão.

Em que comecei a descobrir como tinha sido possível o marcelismo ter-se mantido de pé 6 longos anos, depois do Botas ter caído da célebre e providencial cadeira. Que nunca tinha havido uma oposição digna desse nome. Que a mole imensa do povinho lá tinha feito pela vidinha, esgueirando-se pelas frestas das fronteiras, pelas cunhas da tropa e pelas veredas das guerras do ultramar.

Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama não era uma ditadura suportada por uma direita retrógrada e infinitamente estúpida. Nem era uma ditadura provinciana, bafienta, decadente, de brandos costumes, que mantinha um número de presos políticos que envergonharia qualquer ditadura à séria (112, depois dum mês agitado de prisões).

Em que comecei a perceber que também não era a guerra colonial, que em 25 anos fez o equivalente ao número de mortos de 4 ou 5 anos de guerra rodoviária. Nem a guerra cujo fim foi uma humilhante fuga às responsabilidades (nem mais um só soldado para as colónias, berravam os bloquistas avant la lettre) que desencadeou em Angola, Moçambique e Timor a enorme hecatombe humana dos 20 anos seguintes.

Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama era a resposta à pergunta: como foi possível a uma tal ditadura manter-se quase 50 longos anos sem ter sido seriamente ameaçada?

Em que comecei a perceber que o 25 de Abril foi princípio do fim das nossas desculpas como povo. Que nada adiantaria sacudir a água do capote, e mandar a coisa para cima dos eles que escolhemos para nos desgovernarem.

E foi neste 25 de Abril que descobri que já não me restava pachorra para aturar, mais um ano, as comemorações do gang do esquerdismo senil que se julga proprietário da data.

[Este post foi publicado no trigésimo aniversário da chamada revolução dos cravos. Hoje poderia escrever o mesmo, mas não foi preciso porque já estava escrito.]

18/04/2019

Ele é incompetente mas não por ter sido pedreiro. Ele é incompetente por continuar a ser pedreiro

«De ajudante de pedreiro a ministro. De eurodeputado a comissário europeu. Pedro Marques já foi promovido ao seu nível de incompetência.»

«Like & Dislike: Pedro Marques e o princípio de Peter», Pedro Sousa Carvalho no Jornal Eco

Declaração de interesse: nunca foi pedreiro de profissão, apesar de já ter posto pedras em cima de outras pedras e de várias coisas - por exemplo em cima de um assunto como este.

09/04/2019

CASE STUDY: Costa virou a página, o governo português é pioneiro e está à frente na conciliação entre vida profissional e familiar

Durante 10 (dez) anos, entre 1985 e 1995, os 3 (três) governos de Cavaco Silva, dois dos quais em maioria absoluta, nomearam 15 (quinze) familiares. Vinte anos depois António Costa declarou que iria virar a página da austeridade, perdeu as eleições, aliou-se a comunistas e bloquistas para votar uma moção de censura ao governo da coligação vencedora, foi nomeado primeiro-ministro por Cavaco Silva e, em apenas 3 (três) anos, o seu governo nomeou 5 (cinco) dezenas de familiares e amigos. Como hoje se sabe, não virou a página da austeridade, virou a página da nomeação de familiares e amigos e está à frente da União Europeia fazendo do seu governo um modelo de conciliação entre vida profissional e familiar.

A família socialista por Alexandre Afonso (via Insurgente)

Imagem
Parlamento Europeu aprova nova lei de conciliação entre vida profissional e familiar
O Parlamento Europeu aprovou a nova diretiva sobre a conciliação entre a vida profissional e familiar, com a qual a União Europeia espera que seja fomentada a utilização de licenças para assistência à família por parte dos homens
(Newsletter JusJornal)

02/04/2019

Dúvidas (261) - Por que não distribuir-lhes 62 passes Navegantes?

«António Costa tem 11 motoristas ao seu serviço, e cada um com um ordenado bruto de mais de dois mil euros. No total, o gabinete do primeiro-ministro conta com 62 membros.»

A coisa foi denunciada no Facebook de Joana Amaral Dias, a charmosa e emperiquitada ex-berloquista, que se apressou a limpar a folha de Costa empurrando a origem dos maus costumes para o passado. «Claro que não foi este primeiro-ministro que inventou esta moda das mordomias», escreveu, consciente que no seu ramo de negócio os socialistas podem ser sempre parasitados pelo radical chic.

31/03/2019

CASE STUDY: O nepotismo e a endogamia do luso-socialismo como modalidade da kakistocracia

Por coincidência no mesmo dia 29, separados por poucas horas, foram publicados dois comentários sobre o nepotismo e a endogamia na sociedade e em particular na política portuguesa: «Cleptocracia de qualidade» de Nuno Garoupa, no Público, e «Há novidade, sim, Dr. António Costa» de Rui Ramos, no Observador.

Rui Ramos foca-se mais em particular no nepotismo e na endogamia do governo socialista português e, embora aceite que um e outra têm estado geralmente presentes na política portuguesa, vê-os no caso do governo actual como um fenómeno exacerbado a um nível nunca antes atingido.

Nuno Garoupa vê o nepotismo e a endogamia como característicos da sociedade portuguesa mas considera que não conduzem necessariamente à kakistocracia, isto é ao governo dos piores, por oposição à meritocracia. E, segundo ele, por razões históricas e culturais, o sistema político português é uma kakistocracia. Concordo que é o governo dos piores e discordo das consequências do nepotismo e da endogamia que, a meu ver, se lhes dermos o tempo que já lhes demos, enviesam de tal modo os processos de escolha que conduzem inevitavelmente ao governo dos medíocres e, com mais tempo, ao governo dos piores.

Na minha humilde opinião de analista social de fim de semana, ambos têm razão no essencial. Rui Ramos tem razão ao salientar o grau excepcional de nepotismo e de endogamia neste governo socialista que não tem precedentes históricos. Nuno Garoupa tem razão em caracterizar o sistema político português como «uma “kakistocracia” e cleptocracia legitimadas nas urnas» e por isso considera responsáveis todos os partidos políticos.

Acrescento que, como a igualdade entre os animais da quinta de Orwell, os partidos são todos responsáveis mas há uns mais responsáveis do que outros. E nisto o Partido Socialista deixa os outros a grande distância, sobretudo nos governos de Sócrates e Costa, o primeiro que potenciou o compadrio, como variante do nepotismo, e levou o país à bancarrota, e o segundo que pratica todas as variantes do nepotismo e está a criar as condições para nova bancarrota.

28/03/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (181) - Uma espécie de socialismo africano do soba Costa (II)


«O marido de uma governante, o marido de uma deputada, um filho de um ex-deputado do PS, a mulher de um assessor e amigo do primeiro-ministro e até a nora de um ex-deputado socialista aumentam a teia familiar do Governo. No total são já mais de 40 pessoas envolvidas, direta e indiretamente, na grande família socialista do executivo de Costa.» (Observador)

27/03/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (180) - Uma espécie de socialismo africano do soba Costa


O social-tribalismo de Costa já é notícia internacional. O jornal El País, de inspiração socialista, apesar disso não se furtou a escrever ontem:
«La endogamia política de un país pequeño con una clase dirigente escasa ha llegado hasta el extremo de que se sienten en el mismo Consejo de Ministros un matrimonio, y un padre y una hija.»
A imprensa portuguesa desalinhada, nomeadamente Correio da Manhã e Observador, desenterrou o caso clássico de Carlos César, aprofundou o de Duarte Cordeiro e tratou o novo caso de Marcos Perestrello, obrigando a imprensa alinhada a tocar ao de leve no assunto para fingir independência. Aqui fica um resumo pro memoria.

Carlos César, presidente e líder parlamentar do PS 
  • O filho Francisco é líder parlamentar do PS-Açores
  • O genro é presidente da Casa da Autonomia dos Açores
  • A nora Rafaela é chefe de gabinete numa secretaria regional no Governo dos Açores
  • O irmão Horácio foi assessor de vários governos do PS
  • A sobrinha Inês foi contratada pela Gebalis de Lisboa.
Duarte Cordeiro, o novo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares
  • Nomeou seu assessor Pedro Anastácio, filho do deputado do PS Fernando Anastácio 
  • Nomeou chefe de gabinete a mulher do seu amigo e ministro das Infraestruturas Pedro Nuno Santos 
  • A sua mulher foi nomeada pelo Governo para dirigir o Fundo de Inovação Social.
Marcos Perestrello, ex-secretário de Estado da Defesa e actual deputado e secretário nacional do PS
  • A mulher foi nomeada chefe de gabinete da Ministra da Cultura
  • O irmão foi nomeado pelo ministro do Trabalho vogal da Movijovem.

21/03/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (179) - Os amores socialistas

«Não vale a pena estar aqui a repetir o ineditismo e a escandaleira desta quantidade absurda de relações familiares, que fazem o Governo de António Costa parecer a Casa de Habsburgo. (...)

Por cá, aquilo que mais importa é a poesia do amor, e o amor, como está na Bíblia, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. Por favor, não inventem boas práticas éticas que o passam abalar. Pedro amava Duarte que amava Susana. Duarte amava Pedro que amava Catarina. Todos amavam António, desde os tempos da Câmara de Lisboa. O António foi para o Governo. O Pedro foi para o Governo. O Duarte foi para o Governo. A Catarina foi para o Governo. E a Susana foi nomeada pelo Governo. Felizmente, ninguém ficou fora desta história. Tal é a força do amor.»

Duarte ♥ Susana ♥ Pedro ♥ Catarina ♥ António, João Miguel Tavares no Público

13/03/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (178) - Com algumas excepções

«Dito isto, parece-me inquestionável que cabe ao Partido Socialista a maior quota de responsabilidade pelos maus resultados da governação do país, nomeadamente a partir dos governos de António Guterres. Seja porque foi o PS que esteve mais tempo no governo, seja porque foi no PS que se desenvolveu um modelo de poder endogâmico e pouco democrático, isto é, um casamento quase perfeito entre a cúpula partidária e os interesses económicos e outras instituições da sociedade, mais ou menos secretas, como seja a maçonaria e o Opus Dei, secretismo que entrou na cultura do partido até aos nossos dias. (...)

Depois do enorme desastre político, económico, financeiro, social e ético dos governos de José Sócrates, temos o governo do PS de António Costa, que tem sido um fiel continuador dos governos anteriores do PS. Digo-o com tristeza mas com uma forte convicção, ainda que saiba que, como aconteceu com os governos de José Sócrates, muitos portugueses se tenham deixado iludir outra vez, seja pela propaganda, seja pela aparente recuperação económica – ainda que reconheça da parte do atual governo um maior rigor nas contas públicas, porventura por força da União Europeia e porque também não existe alternativa possível em vista da dívida do Estado.

O Partido Socialista de hoje não é uma cópia exata do PS do último quarto de século, mas é certamente o seu fiel continuador. Existe a mesma tentação de controlo sobre o sistema político e o Estado e têm crescido as formas de controlo sobre a sociedade, o que é favorecido pela ideologia estatizante dos restantes partidos que formam a geringonça. Há a mesma navegação à vista, agora ainda mais atrabiliária por força das contradições entre os partidos da maioria. Cresceu a endogamia dirigente, agora através de um círculo restrito de familiares e de amigos, nuns casos mais desgastados por muitos anos no poder e noutros escolhidos pela sua fidelidade ao chefe e não pelas suas qualidades e experiência, resultando em seguidores acríticos e frequentemente incompetentes.(*) O ex-ministro Pedro Marques, agora cabeça-de-lista ao Parlamento Europeu, representa bem esta nova juventude partidária chegada ao governo, que alia uma perigosa ignorância ao desejo de poder, com as mesmas qualidades para a propaganda e para a mentira e a mesma incapacidade para o debate e para a critica.»

Defender a democracia – recusar a geringonça, Henrique Neto no Jornal i

(*)
Exemplo da exclusão de quem não faz parte do círculo restrito de familiares e de amigos: «Francisco Assis demite-se de cargo europeu após ser impedido de falar pelo PS»
Exemplo de protecção pela fidelidade ao chefe: «O tribunal já pediu três vezes ao Parlamento que levante a imunidade a José Magalhães, arguido num processo. O deputado do PS Pedro Delgado Alves está incumbido do parecer mas ainda não fez.»

09/03/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (177) - Se o PS acabasse com as fake news as outras news acabariam com o PS

«O PS (o PS dos boatos sobre Sá Carneiro, o PS do livro censurado de Rui Mateus, o PS da Casa Pia, o PS das inúmeras habilidades do “eng.” Sócrates, o PS dos telefonemas irados ou doces aos directores de informação, o PS que manda na linha editorial dos jornais a ponto de os tornar irrelevantes ou extintos, o PS que deu à Lusa uma credibilidade idêntica à do saudoso “O Crime”, o PS que inventou a ERC, o PS dos resgates à banca e dos saques ao contribuinte, o PS das negociatas disfarçadas de “desígnios”, o PS sem vergonha da vergonha dos incêndios de 2017, o PS das austeridades viradas na retórica e agravadas na prática, o PS do blogue Câmara Corporativa, do sr. Abrantes e de incontáveis jagunços que saltitam nas “redes sociais” e nos espaços de “opinião pública”, o PS da propaganda descarada, o PS dos paquistaneses travestidos de militantes, o PS que branqueia o rosto do líder como branqueia cada embrulhada em que se mete, o PS das prosperidades que terminam em bancarrota, o PS dos srs. Centeno, Ferro e César, o PS que mais do que qualquer outro partido se confunde com o sinistro “aparelho de Estado”, o PS enfim que, há dias, criou a agência espacial portuguesa) quer acabar com as “fake news”

O Costa da Cristina, Alberto Gonçalves no Observador

03/03/2019

A gestão socialista do lixo alfacinha

Fotos publicadas no último mês (Google Imagens)
Será falta de pessoal? Coloquemos o lixo no contexto de Parkinson na câmara de Lisboa e recordemos que quando Costa tomou posse havia uns dez mil apparatchiks.

Fonte: Mapa de Pessoal 2016
Passados 9 anos, já com o herdeiro Medina, a capacidade de manutenção de tenças mantinha-se. É uma tença por cada 55 residentes - o dobro de Madrid ou Barcelona.

E se, ainda assim, faltarem lixeiros podem perfeitamente reciclar (afinal estamos a falar de lixo) 124 ASPON (ASsessores de POrra Nenhuma) que por lá estão estacionados nos gabinetes de apoio aos vereadores e aos partidos com os quais poderiam utilizados 41 camiões de recolha de lixo.

24/02/2019

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Um comissário para todo o serviço (2)

Secção Albergue espanhol

Confessamos (outra vez): aqui no (Im)pertinências o comissário Carlos Moedas tem vindo a provocar urticária. A primeira vez que surgiu no nosso radar em plena crise do resgate foi a descerrar uma lápide em Beja com o seu nome, a pretexto de ser lá da terra, numa escola sem alunos (um projecto do tempo de Sócrates), na qualidade de secretário de estado adjunto do primeiro-ministro.

Ainda restava alguma boa impressão na segunda vez que nos apareceu,  (...) Para nós foi sempre a descer. E quando pensávamos que já não desceria mais, ... (a partir daqui é ler o post anterior)

Agora que já sabemos que pode descer mais, não nos surpreendemos com as promoções que o semanário de reverência lhe fez esta semana. Aqui vão elas:


Repare-se como Moedas substituiu Tsipras nos favores da viúva de Miguel Portas.

Corrige-se assim a avaliação da prestação de carreira de Moedas, segundo a pontuação impertinente, com cinco em vez de quatro urracas pela frouxidão, mantêm-se os cinco pilatos por querer colocar cartas em todos os tabuleiros e leva cinco em vez de três chateaubriands por confundir a sua promoção com os deveres do cargo e o interesse do país, a que acrescem dois ignóbeis.

07/02/2019

ESTADO DE SÍTIO: Com uma tropa destas nem precisamos de inimigos



O militar ouvido pela comissão parlamentar de inquérito aos roubos de Tancos que RAP ridiculariza neste seu programa é o Coronel de Infantaria David Teixeira Correia que foi Comandante da Unidade de Apoio da Brigada de Reacção Rápida, unidade responsável por garantir a segurança dos paióis de Tancos.

É difícil imaginar que um oficial superior do Exército se humilhe até ao ponto em que este o fez, mostrando passividade, incompetência e negligência tão extremas que já seriam inadmissíveis num sargento lateiro. São as forças armadas de um Estado Sucial gordo, ocupado por corporações e capturado por elites extractivas, incapazes e corruptas, que o sugam e tornam incapaz de assegurar as suas funções essenciais.