Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
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30/08/2019

O silêncio dos culpados

Desde há algumas semanas, o processo Marquês praticamente desapareceu dos mídia e as frequentes intervenções de José Sócrates protestando inocência e desvendando cabalas deixaram de ser notícia.

O que significa o silêncio de Sócrates? Algumas explicações no domínio das teorias da conspiração:
  1. Estamos no verão e os jornalistas amigos estão a banhos
  2. O arguido converteu-se ao evangelismo e assumiu a culpa
  3. Durante as férias judiciais o processo está parado
  4. O trabalho de desmantelamento das provas pelo juiz a quem saiu à terceira tentativa o processo no sorteio prossegue a bom ritmo e o José está optimista quanto ao desfecho
  5. Estamos em plena campanha eleitoral e o Dr. Costa exigiu ao Eng. Sócrates que ficasse calado e este trocou o silêncio pela assistência da máquina do PS na desinfecção do seu currículo.

20/08/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (185) - Considerem-se avisados


«Desde 1975 que não se assistia a ameaças tão contundentes à liberdade de expressão, aos direitos de informação, associação e à greve. (...)

O PS está a mudar. Perigosamente. Está a ceder às esquerdas radicais, antidemocráticas ou totalitárias. As mais profundas convicções democráticas e liberais que marcaram o carácter do PS estão a sofrer uma erosão manifesta, causada pelo apetite de poder e pela influência ideológica do Bloco. (...)

Convencido de que o seu ADN é um salvo-conduto para a democracia, o PS português está a perder qualidades. Dá sinais de aceitar que existem limites severos à liberdade de expressão, de que as Forças Armadas podem intervir em conflitos laborais e de que os tribunais são bons substitutos para a arbitragem e a negociação. Em questões como a segregação racial, o racismo, a desigualdade étnica e social, o assédio sexual e a violência doméstica, os socialistas estão a considerar crime o que muitas vezes é mera afirmação ou opinião. (...)

Estamos a viver tempos difíceis para a democracia e para as liberdades, designadamente a liberdade de expressão. O PS está a perder gradualmente a sua tradição liberal, a sua veia tolerante e a sua marca democrática que parecia inamovível. O PS está a deixar que as suas pulsões escondidas, jacobinas, de intervenção estatal, de condicionamento da livre expressão e de intolerância apareçam à superfície e se transformem em método de acção. A liberdade, em Portugal, não depende só dos socialistas, mas está por eles muito marcada. Se faltar o seu contributo republicano, democrático e liberal, poderemos ter de viver tempos cinzentos que julgávamos ultrapassados por muitos anos. Num país, como o nosso, em que a direita liberal é tão escassa e volúvel, a esquerda democrática é essencial. Mas, se é a primeira a não respeitar as suas boas tradições, então temos um problema!»

Excertos de «Ameaças», António Barreto no Público

13/08/2019

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Outro Zugzwang desta vez ao Dr. Pardal

Secção Tiros nos pés

O mês passado foram as duas criaturas que estão nos lugares dos líderes da inexistente oposição a quem Costa, colocando a máscara de governante responsável, deixou em posição de Zugzwang no caso da recuperação do tempo dos professores.

Esta semana foram o Dr. Pardal e os seus motoristas que morderam o isco convocando uma greve que vai morrer na praia, aproveitando Costa para colocar outra vez a sua máscara de governante responsável, acrescentando o quantum satis de governante com autoridade (democrática, está claro) e avançando com a requisição civil.

«Greve dia 1: Costa a todo o vapor, oposição parada» titula o Expresso, que nestas coisas nunca se distrai. Por outras palavras, Costa de uma cajadada mata três coelhos: Rio e Cristas, que já estavam mortos, acrescentando-lhe o Dr. Pardal e os seus motoristas.

Mais um afonso para Costa por ter reincidido em encostar a oposição à parede, acrescentando-lhe agora os motoristas, três ignóbeis pelas suas manobras e quatro chateaubriands por estar convencido que a governação do Portugal dos Pequeninos consiste na manobra dos pequeninos.

09/08/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (184) - O PS como elevador sucial

«Não podendo ascender socialmente a trabalhar, não sendo Portugal também um grande paraíso para investir, resta uma solução: meter-se num partido de poder, o que em Portugal nos últimos 20 anos é basicamente inscrever-se no Partido Socialista. Inscrever-se no Partido Socialista e encontrar os padrinhos certos é o caminho mais rápido para a ascensão social (que o diga o ajudante de padeiro, afilhado político de Pedro Nuno Santos, promovido a assessor no Ministério da Administração Interna). Pertencer ou ser próximo do Partido Socialista pode garantir acesso aos melhores empregos na Função Pública e aos melhores negócios com o Estado. A meritocracia fica para trás, subjugando-se à lealdade política, à subserviência e ao servilismo. Controlando o estado uma parte tão grande da economia, directa e indirectamente, é difícil ter sucesso sem acesso à rede de primos e afilhados dos partidos de poder.»

Excerto de «#ComPrimos», Carlos Guimarães Pinto no Observador

02/08/2019

E quando se pensava que já tinha sido atingido o supremo descaramento, Costa volta a superar-se (mais uma vez)

Uma espécie de sequela daqui.

Não vou contar as estórias das golas inflamáveis, dezenas de vezes contadas nos últimos dias, da dúzia de familiares socialistas envolvidos, da alteração à medida da lei das incompatibilidades, da tentativa de Costa exportar a questão para a PGR, nem mesmo a estória com mais de 20 anos desenterrada pelo Observador da apresentação pelo mesmíssimo Costa, então secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, de uma proposta de lei do Governo de alteração do regime de incompatibilidades com as mesmíssimas regras que o mesmíssimo Costa agora questiona.

Vou apenas registar o padrão comportamental socialista que consiste em confundir a lei com a ética, a que chamam republicana, confusão estribada na superioridade moral que se atribuem, como a esquerda em geral, mas, temos de reconhecer, com maior arrogância, como se fossem proprietários do regime.

24/07/2019

Curtas e grossas (52) - O argumento definitivo contra o nacionalismo como doutrina

«Uma pessoa percebe os erros do nacionalismo quando se vê obrigada a partilhar a nacionalidade com o ministro Eduardo Cabrita»

Helena Matos no Blasfémias

Evidentemente que o argumento é igualmente válido quando se substitui o nome da criatura pelo do seu chefe ou qualquer outro nome da grande família dos dirigentes socialistas,

15/07/2019

SERVIÇO PÚBLICO: Ele e os outros não viram, não ouviram, não sabiam de nada

«O Costa não tem 'tomates' para isso.» «Ele é um merdas.» (*)
«António Costa não achou estranho o licenciamento do Freeport? Nem teve um momento de perplexidade perante o processo de licenciatura de José Sócrates? Nunca lhe causou surpresa o estilo de vida do primeiro-ministro? A intervenção na TVI? A CGD? O BCP? A PT?… Nada. Nadinha. (...)

Mas o problema das declarações de António Costa não se esgota nesta inverosimilhança, aparentemente grosseira. Na verdade, para lá desta revelação quase anedótica sobre o que não percebeu, António Costa tenta habilmente passar a ideia de que os factos só foram conhecidos num depois que não se sabe ao certo quando aconteceu mas que há-de ter sido “depois”. Só que não foi depois. Foi “durante”, pois praticamente desde que José Sócrates se tornou primeiro-ministro que começaram a vir a público notícias que levantavam muitas dúvidas sobre a sua maneira de proceder.
Ao contrário do que declarou António Costa, os socialistas não só conheciam essas revelações como atacavam quem as fazia. Eram os tempos da “devassa”. Os diplomas de curso de Sócrates e as suas fichas na AR apresentavam várias incongruências? O que é que isso interessava? Era uma devassa. Como era possível José Sócrates manter aquele nível de vida? Lá vinha a devassa. O unanimismo soviético que os socialistas garantiam a Sócrates permitiu-lhe fazer o que quis

«PS, o partido com défice de atenção», Helena Matos no Observador

(*) José Sócrates nas escutas da Operação Marquês citadas pelo jornal SOL há dois anos.

09/07/2019

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (LXVII) - Relembrando a visita de estudo de Costa

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

A propósito da derrota do Syriza nas eleições do fim de semana passado, relembrando os tempos em que a «vitória do Syriza (era) um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha».

Tradução do pensamento do Alexis: Porquê me fará este gajo lembrar o Papandreou?
Fica por esclarecer qual o sinal de mudança que dá a derrota do Syriza.

27/06/2019

ACREDITE SE QUISER / ARTIGO DEFUNTO: Isso explica, se não tudo, muita coisa (mas agora é outra coisa)

Este post é uma espécie de continuação deste outro (embora não pareça).

Há dois dias citei uma notícia do Público que apresentava Portugal como «o terceiro país do mundo onde mais se acredita no Governo».

A minha fé no discernimento do bom povo português é limitada e por isso admiti precipitadamente que o bom povo poderia muito bem acreditar na trupe de ilusionistas que povoa o governo e o aparelho dirigente socialista.

Estava enganado e venho agora penitenciar-me, não da minha falta de fé no discernimento do bom povo português, que permanece intacta, mas da minha falta de atenção ao que a estupidez e ausência de escrúpulos do jornalismo de causas é capaz de produzir. Como produziu neste caso em que o estudo da fundação dinamarquesa Aliança de Democracias apontava para a conclusão oposta, o que levou o Público a rectificar mais tarde a notícia.

Apropriado de O Insurgente
Já agora, para limpar a minha folha, sempre acrescento que não me tenho enganado a respeito da trupe de ilusionistas, que como se pode ver na imagem da esquerda se apressou a enfeitar-se com a fake news para pouco depois ir a correr ao Twitter apagar a celebração.

14/06/2019

Um Rio cada vez mais parecido com um socialista (5) - Está praticamente indistinguível

Outras parecenças: (1), (2), (3), (4)

Recordando, já se sabia que Rui Rio é uma espécie de socialista tresmalhado e que a sua escolha de lugares-tenentes como Barreiras Duarte, Elina Fraga, Salvador Malheiro, etc., aproxima aquilo a que chama ética da ética republicana do Homo Socialisticus vulgaris. Mais recentemente, a seguir à palhaçada em que Costa fingiu ser um Passos Coelho preocupado com o rigor orçamental, veio dizer que não sabia de nada, que nem era deputado and all that bullshit, no que foi logo desmentido por Fernando Negrão e Margarida Mano, líder e vice-presidente do grupo parlamentar do PSD.

Agora, Álvaro Amaro, ex-presidente da Câmara da Guarda, vice-de Rui Rio e eurodeputado, que já era arguido no processo Rota Final foi constituído arguido num caso de «fraude na obtenção do subsídio que financiou a festa de carnaval em 2014».

Percebem-se cada vez com mais dificuldade as declarações de probidade da criatura e percebe-se cada vez melhor a sua obsessão de domesticar a justiça.

08/06/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (183) - Uma falta de memória só igualada pela falta de vergonha

«O PS quer um “dia da memória” porque sabe não haver nenhuma. Se houvesse, toda a gente se lembraria das figuras que os nossos estimáveis governantes fizeram naqueles desgraçados dias, sob o alto patrocínio de Sua Excelência, o Senhor Presidente da República. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria da grotesca indiferença do dr. Costa, disfarçada sob um ar pesaroso e interrompida para anunciar aos saltinhos a candidatura do autarca lisboeta. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria do “focus group” convocado pelo primeiro-ministro para medir os efeitos dos incêndios na sua popularidade. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria dos bonitos calções que o primeiro-ministro envergou numa praia espanhola enquanto os cadáveres arrefeciam. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria da valentia da então ministra da Administração Interna, uma criatura hoje sem nome que à época, e entre lágrimas, se proclamou a principal vítima de tudo aquilo. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria da eficácia do lendário SIRESP e dos míticos Kamov, não por acaso duas heranças do dr. Costa. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria de que, em Pedrógão, um Estado voraz falhou na solitária tarefa que lhe devia competir: assegurar, na medida do possível e do razoável, a segurança física dos cidadãos. Se houvesse memória, enfim, o dia da dita seria dispensável. Assim, é apenas repugnante.»

Os dias nacionais da amnésia, Alberto Gonçalves no Observador

07/06/2019

ESTADO DE SÍTIO: Depois do cobrador do traque, o espião que veio do fisco

 Depois do cobrador do traque, o espião que veio do fisco
Num país cujos cidadãos prezassem a liberdade e a privacidade, isto faria perder as eleições aos partidos que criam, ou deixem que se criem, estes mecanismos de extorsão. Não é assim num país em que a maioria dos cidadãos espera do Estado que lhes proporcione umas migalhas que sobram da vaca marsupial pública do produto da extorsão à classe média (a quem chamam «os ricos»).

29/05/2019

ACREDITE SE QUISER: O cobrador do traque

«Condutores foram apanhados de surpresa com operação STOP que Autoridade Tributária e Aduaneira e GNR fizeram na manhã desta terça-feira em Valongo para apanhar contribuintes incumpridores. (...)

A operação STOP foi realizada na localidade de Alfena, em Valongo, e foi, entretanto, mandada cancelar pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais (SEAF), António Mendonça Mendes. Sobre esta decisão da tutela, o advogado da VdA comenta que o SEAF “fez muito bem”. De acordo com a agência Lusa, que citou uma fonte do fisco presente em Alfena, a iniciativa foi denominada Ação Sobre Rodas e visou “intercetar condutores com dívidas às Finanças, convidá-los a pagar e dar-lhes essa oportunidade de pagarem”. “Se não tiverem condições de pagar no momento, estamos em condições de penhorar as viaturas”, mencionou a mesma fonte.» (Expresso)

10/05/2019

Um Rio cada vez mais parecido com um socialista (4)

Outras parecenças: (1), (2), (3)

Recordando, já se sabia que Rui Rio é uma espécie de socialista tresmalhado e que a sua escolha de lugares-tenentes como Barreiras Duarte, Elina Fraga, Salvador Malheiro, etc., aproxima aquilo a que chama ética da ética republicana do Homo Socialisticus vulgaris.

Sem bem se recordam, Rui Rio, imediatamente a seguir à palhaçada em que Costa fingiu ser um Passos Coelho preocupado com o rigor orçamental, veio dizer que não sabia de nada, que nem era deputado and all that bullshit
 
A versão de Fernando Negrão e Margarida Mano, líder e vice-presidente do grupo parlamentar do PSD,  é um poucochinho diferente. Segundo eles disseram ao grupo parlamentar ontem de manhã, «Rui Rio acompanhou a par e passo tudo o que aconteceu na famosa reunião da comissão de educação, em que foi aprovada a contagem integral do tempo de serviço dos professores, com os respetivos benefícios remuneratórios e de tempo de carreira. (Expresso). 

Escolham quem é o mentiroso. Se for Rio, devemos concluir que está em melhor posição para disputar a Costa o lugar de primeiro-ministro.

07/05/2019

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: PS, o partido dos líderes que emagrecem as vacas gordas e as abandonam no prado

«O exemplo de Mário Soares [que não fugia nos momentos difíceis] não foi, no entanto, seguido pelos líderes do PS que vieram a formar Governo depois dele, tendo todos eles optado por se demitir perante as dificuldades. Foi assim que Guterres, depois de ter perdido umas simples eleições autárquicas, proclamou que o país tinha entrado num pântano e fugiu dele a alta velocidade. Foi assim com José Sócrates que, tendo atirado o país para a bancarrota, se demitiu quando viu ser aprovada pela Assembleia uma simples resolução parlamentar contra o PEC4. E é assim agora com António Costa que, perante a simples iminência de ser aprovado pela Assembleia um diploma a determinar uma reposição da carreira perdida pelos professores, ameaçou com a sua demissão - isto quando não havia sequer garantias de que o diploma fosse promulgado ou chegasse a entrar em vigor. E, se tal acontecesse, poderia ser revogado pelo Governo, uma vez que se trata de uma matéria em que este tem competência concorrente com o Parlamento. A conclusão que daqui se retira é que, depois de Soares, todos os líderes do PS só parecem dispostos a governar em período de vacas gordas, abandonando o barco ao primeiro sinal de tormenta.»

Excerto de «Agarrem-me senão demito-me», Luís Menezes Leitão no Jornal i

01/05/2019

O antigo presidente de la putain de la République apiedado com o "engenheiro" que o nomeou

«O engenheiro está num momento particularmente delicado da vida dela. (dela?) E deixe-me que lhe diga que eu não quero, com o que digo aqui, piorar a situação em que se encontra», disse ontem à comissão parlamentar de inquérito à recapitalização da Caixa, sorridente, com o seu cinismo florentino e a arrogância de quem sente a garantia da impunidade (se ele caísse, caíram centenas e eles sabem-no), referindo-se a José Sócrates que não era «visita de casa». Santos Ferreira, o amigo do peito de Guterres que se prestou a ser homem de mão do animal feroz, por ele nomeado em parelha com o agora preso Armando Vara, via o ministro das Finanças Santos Teixeira que substituiu Campos e Cunha que se tinha recusado a nomear a dupla.

Santos Ferreira, membro da grande família socialista desde a fundação, presidente da Caixa, la putain de la République, em cujo mandato foram aprovadas uma dúzia das operações mais ruinosas, incluindo o investimento da CGD em Vale de Lobo e o crédito a Joe Berardo, para comprar acções do BCP no âmbito do assalto a este banco, que acabou com Santos Ferreira a transitar de presidente da Caixa para presidente do BCP com vista a transformar este em mais une putain de la République.

Como disse Paulo Azevedo, a propósito da OPA da Sonae sobre a PT, «de uma forma ou outra, estavam todos feitos».

28/04/2019

O milagre dos cravos transforma vigaristas em incompreendidos, ditadores em democratas e o governo em oposição

Os cravos apareceram após 64 anos e ainda por aí
andam cada vez mais murchos (Créditos)
«Não há incredulidade ou cepticismo que não se rendam diante do milagre dos cravos: em Portugal, basta colocar um cravo ao peito para os terroristas passarem a combatentes pela liberdade; os vigaristas a incompreendidos; os ditadores a democratas; os medíocres a intelectuais e os parasitas a solidários.

Mas a esta transfiguração que já estávamos mais ou menos habituados acresceu este ano um mistério que a teologia não explica mas a política esclarece: os ministros e os parceiros do Governo puseram cravo ao peito e de imediato deixaram de ser Governo para se tornarem oposição. Na avenida da Liberdade, cravo na mão, a ministra da Saúde já não é a ministra que tem de explicar como foram retirados nomes das listas de espera para se tornar numa manifestante defensora do mesmo SNS que deixa degradar a níveis nunca vistos.  Já o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes transfigurou-se em jovem e desfilou com os manifestantes da Juventude Socialista que gritavam: “Queremos revolução, socialistas em acção“. Sendo certo que a única revolução que está  por fazer em Portugal é precisamente a que derrube a ditadura fiscal presidida pela secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais, cabe perguntar se o senhor secretário de Estado dos Assuntos Fiscais quando miraculado em jovem manifestante nos toma por parvos ou se faz parvo? Por fim o ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, desembaraçado do Porsche, além do cravo muniu-se de calças de ganga, o que para o caso faz do seu um milagre  ainda mais promissor.»

O milagre dos cravos, Helena Matos no Observador

26/04/2019

Nada se perde, salvo as cabeças guilhotinadas

Lavoisier e sua mulher em 1788,
Metropolitan Museum of Art, NY
No próximo dia 8 de Maio completam-se 225 anos do assassinato de Antoine Laurent de Lavoisier, justamente considerado o pai da química moderna, também economista e filósofo.

Lavoisier enunciou pela primeira vez a lei da conservação da matéria («rien ne se perd, rien ne se crée, tout se transforme»), decompôs a água e identificou e baptizou o oxigénio.

Tudo isso foi feito nos escassos 45 anos de idade que viveu antes de ser guilhotinado depois de um julgamento sumário durante o Terror, acusado de ser inimigo do povo e traficar tabaco adulterado (na verdade podia ter sido qualquer outra coisa).

Antes do Terror tinha sido comissário das finanças da Convenção encarregado de reformar a cobrança de impostos, talvez o verdadeiro motivo por que lhe cortaram a cabeça.

Nas palavras do presidente do tribunal revolucionário que o condenou: «La République n'a pas besoin de savants ni de chimistes; le cours de la justice ne peut être suspendu

24/04/2019

Lost in translation (321) - Tenho esperança que ele transforme a acusação numa solução homeopática, quis o animal feroz significar

«Há um juiz que respeito e que considero independente», disse em entrevista à TVI José Sócrates, o alegado criminoso preferido dos mídia que lhe concedem mais tempo de antena desde pelo menos D. João II, referindo-se a Ivo Rosa o juiz da Operação Marquês a quem saiu na rifa dirigir a fase de instrução onde o ex-primeiro-ministro socialista é «acusado de 31 crimes e de acumular 24 milhões de euros na Suíça».

12/04/2019

A mentira como política oficial (46) - O segredo de polichinelo da negociação do programa de resgate

Uma boa medida da eficácia da máquina de agritprop do Partido Socialista foi a mentira, construída com a ajuda do que é hoje a geringonça e a armada de jornalista de causas instalada nas redacções, contando com a incompetência da coligação PSD-CDS para a desmascarar, sobre quem foram os responsáveis pela negociação do memorando e o programa de resgate da troika.

Poul Thomsen, director do departamento europeu do FMI e primeiro responsável pela equipa da troika em Portugal, em entrevista ao Público foi muito claro sobre o papel do governo de Sócrates. Ora leia-se:
«Quando a crise chegou a Portugal, houve claramente um sentido de unidade dentro do corpo político. Quando negociei o programa aqui com o governo socialista, ao mesmo tempo discuti discretamente - mas com o total conhecimento do Governo - com o então principal partido da oposição. E houve um claro entendimento sobre o que é que a maioria política em Portugal poderia apoiar. E isso permitiu que, quando se deu uma mudança de governo mais tarde, não se realizassem praticamente mudanças no programa.»
Na verdade, tratou-se de um segredo de polichinelo da classe política, que a oposição que viria mais tarde a constituir a geringonça escondeu cuidadosamente dos olhos da populaça que entre indignações e lamentações não se deu conta de nada - como disse um poeta qualquer, vivem sem dar por nada e morrem sem dar por isso.