16/06/2026

Crónica da passagem de um governo (54a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
PSU, uma discussão para entreter e exercitar a demagogia

Há alguns meses que se discute a agregação, exigida pela CE (e pela lógica), de uma dúzia de subsídios numa coisa chamada PSU (Prestação Social Única), discussão que tem sido terreno para o combate entre a doutrina subsídio-dependente e a demagogia ignorante. Estão em causa, por exemplo, € 285 euros mensais do RSI e outras miudezas que quando agregadas custarão menos de 600 milhões por ano, o equivalente a um pouco mais do que as perdas que a Caixa registará com a falência do projecto La Seda, uma menina-dos-olhos do governo Sócrates que envolveu vários membros da grande Famiglia Socialista, incluindo o marido da Dr.ª Elisa Ferreira, várias vezes ministra, deputada pelo PS ao parlamento português e ao europeu e comissária europeia.

É dificilmente ultrapassável  o descaramento das tretas de várias luminárias socialistas classificando como «trabalho forçado» a obrigação dos subsidiados exercerem uma actividade de solidariedade social, a exemplo do que já estava previsto no regime do RSI criado pelo governo socialista do Eng. Sócrates.

O ideal seria os imigrantes contribuírem para a economia portuguesa, mas na terra deles

De acordo com o Estudo do ICS-ULisboa (Expresso) a atitude dos portugueses face à imigração tornou-se menos negativa: dois terços dos inquiridos consideram que os imigrantes contribuem positivamente para a economia e só um quarto acreditam na tese do Dr. Ventura de que os imigrantes privam os portugueses dos serviços públicos, apesar de quase metade acreditarem nas outras teses do Dr. Ventura de que os imigrantes aumentam a criminalidade e fazem fracos os fortes portugueses.

Aumentar o salário mínimo só precisa de um decreto. Aumentar a produtividade é um pouco mais difícil


[Esperando que Confúcio estivesse certo e que uma imagem vale por mil palavras, em intenção das almas atreitas ao pensamento milagroso que acreditam que se aumenta a produtividade aumentando os salários ou que a riqueza se pode aumentar sem aumentar a produtividade ou que a produtividade se pode aumentar sem aumentar o desempenho dos trabalhadores]

O mistério das rendas muito altas e que não atraem os investidores

Deveria dar que pensar ao governo e às luminárias que desperdiçam o seu talento a imaginar soluções para o mercado de arrendamento habitacional, que a altura a que chegaram as rendas não seja suficiente para os investidores do build-to-rent sejam praticamente inexistentes em Portugal e noutros países preencham uma parte significativa da oferta (Alemanha, Suíça, Reino Unido, Áustria, Países Baixos e até a Espanha que actualmente tem 25 mil habitações operacionais e 30 mil em construção). Não será por acaso, nesses países o peso das habitações próprias é muito inferior e nenhum iluminado se lembrou de lançar o programa de crédito jovem com garantia pública.

Quem disse que os socialistas abominam o “privado”?

Multiplicam-se os ex-ministros socialistas que renegam a sua desconfiança, na melhor hipótese, ou repúdio, na mais frequente, pela iniciativa privada e optam por projectos profissionais e empresariais na área de onde foram ministros. Por exemplo, o Dr. Fernando Medina, o Dr. Duarte Cordeiro, o Dr. João Galamba, entre muitos outros que a revista Sábado inventariou.

Canários na mina de carvão. O dinheiro está a ficar mais caro


Desde o início do ataque aos aiatolas, que era para durar uns dias e já vai em 105 dias, o Euribor 6 m aumentou quase meio ponto percentual.

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS» / «Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro»

O Índice de Saúde Sustentável 2025/26 da NOVA-IMS e da biofarmacêutica AbbVie revela uma redução ligeira da actividade, invertendo a tendência de melhoria desde 2021 (fonte).

Se o SNS tem falhas não será por falta de dinheiro dos “utentes” cujos impostos pagam 87% da despesa do Estado com a saúde (os restantes 13% são financiados com outros impostos, como o IRC) e ainda suportam directamente 38% da despesa total em Saúde, providenciada pelo sector privado. A primeira percentagem é a mais elevada e a segunda percentagem é a terceira mais elevada da UE (fonte)

A acrescentar às razões que os portugueses já tinham para não confiar no SNS, o governo acrescentou-lhes várias e, entre elas, a nomeação de 7 em cada 10 dos presidentes de ULS próximos do PSD.

(Continua)

2 comentários:

  1. «na tese do Dr. Ventura de que os imigrantes privam os portugueses dos serviços públicos»

    Falácia do espantalho. O que o Dr. Ventura diz é que os imigrantes sobrecarregam os serviços públicos, levando a que alguns portugueses levem mais tempo a ser atendidos nos hospitais e centros de saúde, ou a arranjar vaga para os seus filhos nas creches. Isto é a realidade, não é “tese” nenhuma. E também é muito diferente daquilo que o (Im)Pertinente escreveu sonsamente!


    «apesar de quase metade acreditarem nas outras teses do Dr. Ventura de que os imigrantes aumentam a criminalidade»

    Mais uma vez, não é “tese”. É de tal forma realidade que tanto os (des)governos do PS, como os (des)governos do PSD, se recusam a divulgar as estatísticas correspondentes. Nos países onde as estatísticas de criminalidade foram separadas por raça/etnia (e.g. Alemanha, Áustria, EUA), os imigrantes estavam sempre sobre-representados, sem excepção. Mais do que isso: os filhos e netos dos imigrantes, que já nasceram “nacionais” e deveriam estar perfeitamente integrados, tendem a cometer muito mais crimes do que o seus pais e avós, que nasceram no estrangeiro. Isto é facto, não tese.


    «e fazem fracos os fortes portugueses.»

    Perfeito disparate. O que o Dr. Ventura diz é que a imigração maciça leva ao aumento dos conflitos sociais e à criação de leis severamente limitativas da liberdade, em particular da liberdade de expressão. E isto também é verdade. Basta ver que ainda esta semana o Parlamento rejeitou um projecto de lei feito pelo SOS Racismo e mais meia-dúzia de brasileiros raivosos que pretendia que os portugueses fossem ainda mais amordaçados no seu próprio país, sob pena de prisão até 8 anos. As penas seriam especialmente severas para os agentes dos média e da academia, algo que deveria preocupar especialmente o (Im)Pertinente.

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    1. Já agora, a propósito desse projecto de lei que, felizmente, foi chumbado, tanto o José Manuel Fernandes como o Prof. João Pedro Marques alertaram para as gravíssimas consequências que a sua aprovação acarretaria:

      https://observador.pt/opiniao/racismo-e-aquilo-que-um-homem-quiser/

      https://observador.pt/opiniao/cuidado-senhores-deputados/

      O (Im)Pertinente continue a enfiar a cabeça na areia e a fingir que está tudo bem! Só não se surpreenda se um dia alguém lhe bater à porta a pedir contas pelo que escreve neste blogue!

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