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08/06/2026

Crónica da passagem de um governo (53a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Os portugueses só apreciam as reformas que dão pensões…

É mais difícil encontrar uma criatura pública que não reclame reformas do que um lince ibérico à solta. No entanto, se há coisa que os portugueses detestam, são reformas, apesar de poucos políticos assumirem publicamente essa falta de gosto, com a notável excepção do Dr. Costa, que algures em 2017 disse aos microfones da Rádio Renascença «A expressão reformas estruturais arrepia-me. Qualquer cidadão normal fica logo alérgico.» Daí, suspeito, a sua bem-sucedida carreira.

De onde, permito-me concluir, não se pense que a escassez de reformas do governo do Dr. Montenegro o vá apear, tanto mais que os numerosos anúncios são, em princípio, compensação suficiente para manter sossegado o eleitorado. O que traria o desassossego não seria a falta de reformas, mas as “reformas estruturais” e, sobretudo, a falta de subsídios de todas as naturezas.

É por isso que o governo não poupa aos contribuintes a extorsão para o pagamento de subsídios para compensar o aumento do preço dos combustíveis (uma política completamente errada), sendo o último desses aos agricultores,

… o que não escapa ao olho perspicaz do Dr. Ventura

Daí que, com a vantagem de não ser governo nem, suspeito, estar com muita pressa de o ser, o Dr. Ventura tenha proposto em Abril a descida da idade da reforma, corrigindo a pontaria depois de admoestado pelo Dr. Passos Coelho para a reforma com 40 anos de descontos ou 65 anos de idade, proposta apimentada com o limite máximo das pensões fixado em € 4.500 limite que abrangeria provavelmente menos de 0,1% do número de pensões.

A “reforma” que todos os governos não falham: aproximar o salário mínimo do salário mediano a caminho do salário médio

Por falar em reformas, o BdP, atravessando a fase interventiva que sempre acompanha um novo governador, chama a atenção no seu boletim de Junho para os riscos dos sucessivos aumentos do salário mínimo o aproximaram cada vez mais do salário mediano (isto é, do montante em que o número de salários mais baixos e mais altos é aproximadamente o mesmo) aumentando a relação (índice de Kaitz, que era o mais alto em 2024 na Zona Euro) entre os dois, de 87% em 2019 para 91% em 2025. Dito de outra maneira, o incentivo para os trabalhadores dos escalões mais baixos de salário melhorarem o seu desempenho é cada vez menor, o que é uma preciosa ajuda para manter a produtividade do trabalho em 76% da média da UE, a 6.ª mais baixa.

Já agora, sublinhe-se que tem sido o aumento do salário mínimo que mais contribuiu para Portugal ter tido nos dois últimos anos o segundo maior crescimento real dos salários nos países da OCDE.

Derrapagem é o outro nome para a gestão das obras do Estado sucial

A derrapagem do prazo de expansão do Metro de Lisboa, que era para estar concluída sucessivamente no final de 2023, no primeiro trimestre de 2025, no final de 2026 e, por último, no início do próximo ano, só é superada pela derrapagem do custo da obra, que, na última revisão, estava 80% acima do orçamento inicial (fonte).

(Continua)

1 comentário:

Luís Lavoura disse...

o incentivo para os trabalhadores dos escalões mais baixos de salário melhorarem o seu desempenho é cada vez menor, o que é uma preciosa ajuda para manter a produtividade do trabalho em 76% da média da UE

Pronto, cá temos, agora a baixa produtividade do trabalho em Portugal deve-se ao fraco desempenho dos trabalhadores. Só faltava mais esta!