02/06/2026

Crónica da passagem de um governo (52b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 52a)

Boa Nova. Os alicerces das reformas do Dr. Matias estão prontos até ao verão

O Dr. Matias pode não ter jeito para fazer reformas, mas ninguém lhe pode negar um talento excepcional para fazer anúncios, como se lê nos artigos encomendados pela sua equipa aos jornalistas amigos. Por exemplo, este artigo com o título «Estado: Alicerces da reforma estão construídos até ao verão» que nos garante que «a rentrée será feita num novo quadro» e nos informa que o governo já extinguiu ou fundiu 35 entidades e reduziu 300 cargos dirigentes, mas não nos esclarece o que foi feito dos dirigentes.

A FA vai reformar os F16 e pretende substituí-los por F35

A Força Aérea já fez saber que para substituir os F16 prefere os F35. A 180 milhões a peça, o pretendido lote de 28 ficaria por uns 5 mil milhões, lote que, desconfio, daria para a primeira semana de guerra. Ora aqui está um tema que o ministério das Reformas poderia tomar a seu cargo e estudar uma solução alternativa mais adequada aos países em via de subdesenvolvimento. Por exemplo, seria muitíssimo mais barato encomendar à Ucrânia uns milhares de drones, incluindo assistência técnica, pelo preço de um F35.

Boa Nova. Crescimentos de 3,5 ou 4% ao ano

O Dr. Montenegro considerou que Portugal «tem capacidade para crescer 3,5 ou 4 por cento ao ano de forma consecutiva» e «vale a pena criar instrumentos» para o conseguir.

Choque da Boa Nova com a realidade

O Portugal dos Pequeninos cresceu nos últimos 10 anos a uma taxa média de 2,25%, nos últimos 3 anos cresceu em média 2,4%, e a economia estagnou no 1.º trimestre, apesar do aumento do investimento devido nos processadores do centro de dados de Sines, ainda antes dos impactos da guerra do Golfo Pérsico, a CE baixou as suas previsões deste ano para 1,7%, e as perspectivas para 2027 não são muito diferentes.

O desempenho medíocre dos últimos anos foi apesar de circunstâncias irrepetíveis, como os 15 mil milhões já recebidos do PRR e um crescimento insustentável do turismo. Esgotadas essas circunstâncias irrepetíveis, o Dr. Montenegro vem dizer-nos que o crescimento poderá ser uma e meia ou duas vezes maior do que o conseguido, quando começarem a ser reembolsados os empréstimos do PRR, equivalentes a quase 28% dos montantes recebidos. Qual é o milagre que tem no bolso um Dr. Montenegro que até agora não fez uma reforma com impacto no crescimento potencial?

Serão os imigrantes os canários na mina de carvão da economia portuguesa?

Não se deve dar crédito a conclusões apressadas, baseadas em entrevistas do jornalismo de causas a meia dúzia de pessoas, segundo as quais os imigrantes começam a sair de Portugal em massa. Ainda assim, a informação de que mil TVDE estão parados em Lisboa por falta de motoristas, na sua maioria imigrantes, deve significar algo.

E o que vão fazer os chuis depois de libertos das tarefas administrativas?

Por um lado, o governo fala em aumentar os efectivos policiais no quarto país da UE com mais polícias por 100 mil habitantes, por outro, o mesmo governo quer libertar os polícias do trabalho administrativo.

5 comentários:

  1. «a informação de que mil TVDE estão parados em Lisboa por falta de motoristas, na sua maioria imigrantes, deve significar algo.»

    Para isso, a "informação" teria de ser verdadeira, o que é altamente duvidoso. É que aqui, no Norte de Portugal, a esmagadora maioria dos TVDE são conduzidos por homens brancos, pelo que não se percebe muito bem como é que, em Lisboa, havendo igualmente montanhas de homens brancos, há tanta falta de condutores.

    O que eu desconfio é que as empresas do sector não querem pagar salários decentes… as e os monhés, não estando presos a Portugal, puseram-se na alheta e foram para paragens mais promissoras.

    Com efeito, diz-nos o Expresso:

    «Tiago Sousa, da organização do protesto [dos TVDE], disse à agência Lusa que, nos últimos cinco anos, "houve uma inflação de 20% em todos os produtos, houve o aumento das tarifas da Bolt em 10%, da Uber em 5%" e entretanto fazem-se viagens "a menos de 40% do que há cinco anos atrás, o que está a tornar a atividade inviável".

    De acordo com Tiago Sousa, do canal TVDE do Tuga, qualquer motorista de TVDE, está a fazer "médias superiores a 12, 13 horas por dia para conseguir levar menos do que um ordenado mínimo para casa".
    »

    E depois os direitinhas de serviço ficam muito admirados por ainda haver tantos comunas e xuxas... queriam que toda a gente trabalhasse por tuta e meia, não era?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. no Norte de Portugal, a esmagadora maioria dos TVDE são conduzidos por homens brancos, pelo que não se percebe muito bem como é que, em Lisboa, havendo igualmente montanhas de homens brancos, há tanta falta de condutores

      Também não se percebe muito bem porque é que há tanta falta de médicos e de professores na Grande Lisboa e no Algarve, quando no Norte eles abundam.

      Eliminar
    2. Está enganado. Há MUITA falta de médicos no Norte, sobretudo no interior.

      E também já há falta de professores nalgumas áreas, pelo simples motivo de que essas áreas ficaram cheias da tal "diversidade" que o Luís e o (Im)Pertinente dizem serem boas para Portugal.

      Em suma, está a compar o que não é comparável.

      Eliminar
  2. Se os imigrantes se vão embora em grande número, isso pode ser por os postos de trabalho em Portugal estarem a escassear - mas essa explicação é contraditória com o alegado facto de haver falta de motoristas de TVDE.
    Há explicações alternativas para a debandada dos imigrantes, que nada têm a ver com qualquer crise económica:
    (1) Uma data de imigrantes ricos que aspiravam adquirir nacionalidade portuguesa a breve trecho viram-se defraudados e decidiram partir.
    (2) Uma data de imigrantes pobres que tinham vindo para Portugal com declaração de interesse vêem-se impossibilitados de regularizar a sua situação pelo caos no SEF e pelas alterações legislativas e vêem-se forçados a partir.
    Conclusão: é preciso estudar o caso com mais cuidado antes de tirar quaisquer conclusões.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não há qualquer indicador fiável de que os imigrantes se estejam a ir embora.

      O (Im)Pertinente é que gosta muito de fazer aquilo que critica sistematicamente nos outros, i.e. tomar o que fulano, beltrano ou sicrano disseram como facto consumado. Mas, é claro, ele só faz isso quando lhe convém, politicamente falando.

      Eliminar