Garantia Jovem. Unintended consequences
O montante das garantias públicas para compra de habitação aprovadas que em 2024 atingiram 1.200 milhões de euros aumentou para 2.000 milhões de euros em 2025 e até Novembro do ano passado os créditos com garantia pública representaram 26,5% do crédito concedido (fonte).
Não deveria ser surpresa para ninguém que, num mercado como o da habitação em que a oferta é insuficiente para cobrir a procura, os incentivos à procura só poderiam ter como um efeito um aumento desmesurado dos preços. Aumento que vai prejudicar quem ainda não dispõe de habitação, já que quem dela dispõe terá o seu património valorizado. E quem ainda não dispõe de habitação são precisamente os jovens que se pretendiam ajudar.
Canários na mina de carvão
A DBRS é uma agência que fez de muleta de Draghi e do BCE durante o resgate para que pelo menos uma agência não considerasse a dívida pública portuguesa como lixo, de onde resultaria que o BCE não pudesse comprar obrigações do Tesouro português. Apesar dos excedentes orçamentais, que têm muito a ver com o passado e pouco com o futuro, a agência amiga DBRS manteve o rating e alertou para os impactos das tensões no comércio internacional e os problemas internos da habitação (fonte).
A proposta para o período 2028-2034 da Política Agrícola Comum (PAC) – um programa essencialmente destinado a desincentivar os agricultores, principalmente franceses, de marcharem com os seus tractores sobre Bruxelas – prevê uma redução em relação ao período 2021-2028 de 13% para Portugal (fonte).
O turismo, até agora florescente, começa a dar sinais de estagnação e em 2025 o número de dormidas apenas aumentou 1,7%, o sexto crescimento mais baixo da UE (fonte).
Os especuladores de bolsa, que estão sempre com um olho no burro e outro no cigano (Dr. Ventura, não precisa agradecer) não se mostram muito excitados com as perspectiva das cotadas portuguesas, apesar do PSI ter tido o ano passado uma valorização de 29%. Por isso, segundo a CMVM, a exposição da bolsa ao short selling aumentou em 12 meses de 0,96% para 1,58% (ver este post sobre o fenómeno do short selling na Euronext Lisboa em 2024).
Ainda não chegaram as vacas magras e já há fila no peditório
Apesar de alguns canários já estarem a piar, ainda não é caso para alarmes. Por isso, é relativamente surpreendente que a restauração, um dos sectores que mais beneficiou com o turismo, tenha um sentimento de “crise” queixando-se das “grandes superfícies”. Talvez seja apenas a posicionarem-se para o peditório cíclico em que vive o empresariado doméstico.
Ferrovia
A exemplo do governo do Dr. Costa que deixou o Ferrovia 2020 com 37 mil dias de atraso no total dos troços, o governo do Dr. Montenegro faz o possível para deixar tudo na mesma e nesta altura prevê-se que as obras do plano Ferrovia 2020 apenas estejam concluídas em 2027. O que não tem falhado são as visitas do ministro da Infra-Estruturas, Dr. Pinto Luz, à linha Évora-Elvas que já tem seis anos de atraso, foi lançada três vezes teve duas visitas do governo. (fonte)
Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»
Afinal, o aumento dos partos em ambulâncias e à porta dos hospitais talvez resulte mais do esforço do jornalismo de causas para aumentar as vendas do que dos factos. Os partos fora dos hospitais foram 302 em 2023 e 303 em 2024, ou seja, 36 em cada mil nascimentos (fonte). Seja como for, não estou certo que o SNS possa fazer muito por isso, a não ser que, como já escrevi, tivesse em cada grávida um detector de rotura da bolsa amniótica e um contador de contracções.

Com toda esta euforia nos média causada por tantos nascimentos nas ambulâncias, já me tinha questionado porque nunca tinham apresentado os dados dos anos anteriores ao fenómeno.
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