Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

31/01/2016

Bons exemplos (106) – Uma manifestação (pouco frequente) de independência de espírito de MST

É conhecido o ódio de estimação de Miguel Sousa Tavares a Cavaco Silva. Por boas ou más razões, esse ódio não o impediu de «assinar por baixo das razões invocadas por Cavaco para o seu veto político» à lei da co-adopção dos casais homossexuais, na sua coluna semanal no Expresso. É um bom exemplo de independência de espírito para compensar os seus amores de estimação por José Sócrates e a sua falta de distância do compadre Ricardo.

Do que MST não se vai livrar é do incêndio nas redes sociais e no jornalismo de causas que ateou ao escrever, a propósito da co-adopção e da doutrina politicamente correcta que a suporta, esta frase assassina:
«O estimável jornal "Público" - que, nestas matérias, é sempre um farol do bem-pensar (e, ele próprio, um exemplar da co-adopção editorial, tal a sua manifesta falta de testerona na Redacção)».

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (17)

Outras avarias da geringonça.

Estas crónicas arriscam-se a ter uma vida mais curta do que imaginava quando comecei a escrevê-las. Por uma de duas razões, ou ambas. Se e quando a geringonça se desconjuntar, o que dependendo do desfecho da odisseia do orçamento pode estar menos longe do que se imaginava, estas crónicas perdem o propósito. Como podem perdê-lo se o governo e a sua gerigonça se desacreditarem ao ponto de se começar a construir um «consenso», atrás do qual a maioria dos portugueses se gosta de esconder, entre os opinativos – os nativos que vendem opiniões ou opinion dealers residentes. Enquanto isso, aqui vai a n.º 17.

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (XLVII) – A obra feita, um ano depois

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

Ainda a propósito do aniversário da vitória do Syriza nas eleições de 25 de Janeiro do ano passado, a jornalista (desalinhada) Eva Gaspar publicou no Negócio um «Raio-X ao estado da Grécia» de onde extraio o quadro seguinte.
E o que mais está diferente? «Não obstante toda a retórica durante a campanha eleitoral, o Syriza e o Anel (seu aliado no governo) são acusados de fazer o mesmo "assalto" aos lugares da administração, empresas e bancos públicos que tanto criticavam. O caso mais recente envolve o líder da "juventude" do Syriza que nomeou a mãe, o irmão e a namorada para lugares no Estado.» Estamos conversados.

30/01/2016

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (58) – Os ritmos alucinantes de trabalho


«… durante a campanha eleitoral recolheram mais de 44 mil assinaturas para que isso fosse feito... e portanto derrotar a maioria absoluta do PSD... as expectativas levam a que os trabalhadores queiram a curto prazo a aplicação das 35 horas porque não aguentam os ritmos alucinantes de trabalho que têm...»

Ana Avoila, funcionária Pública e membro da Direcção do Setor da Função Pública de Lisboa do PCP, membro do secretariado Permanente da Direcção do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores, Coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, candidata pelo Partido Comunista às Europeias de 2009 (Fonte RTP, via Insurgente)

SERVIÇO PÚBLICO: De como a igualdade hic et nunc leva à desigualdade irremediável e perpétua

Foi há dias tornado público um estudo do Conselho Nacional da Educação patrocinado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos onde se conclui que «Portugal é de todos os países da Europa aquele que mais associa chumbar com um baixo estatuto socioeconómico e cultural da família. As escolas portuguesas parecem estar a ser incapazes de fazer um trabalho de nivelamento de oportunidades, principalmente se nos lembrarmos que é até ao 6.º ano que a maioria dos chumbos acontecem».

Não é novidade nenhuma e mostra bem como o sistema educacional público português contribui para reduzir, ainda mais, a já reduzida mobilidade social. Qualquer criatura com dois dedos de testa não precisa que lhe expliquem que uma criança ou um jovem proveniente de um estrato social baixo, com pais com pouca ou nenhuma literacia, numa percentagem apreciável separados, para quem, em muitos casos, a escola é mais um depósito do que um sítio onde se combate a fatalidade, tem um enorme handicap face uma criança ou um jovem com pais de nível educacional elevado que dão importância à escola e incentivam a aprendizagem.

O efeito do ensino facilitista hipotecado ao sindicalismo e à Fenprof em relação à segunda criança ou jovem, é um obstáculo superável com maior empenho dos pais, mais explicações ou, em último caso, mudança de escola. Em relação à segunda significa a sua condenação ao aparente sucesso escolar à custa do laxismo com garantia de insucesso na vida profissional e na vida em geral.

É por isso que a abolição de exames, o rebaixamento do nível de exigência aos professores, a recusa de avaliação do seu desempenho, as práticas de facilitismo e os discursos idiotas das Catarinas Martins deste país condenam as crianças e jovens pobres a serem mais pobres e falhados do que os seus pais.

É mais um exemplo da lei das «unitended consequences» que, a pretexto da igualdade hic et nunc, levam a esquerdalhada a contribuir para a desigualdade irremediável e perpétua.

29/01/2016

SERVIÇO PÚBLICO: Autópsia de um componente da geringonça

«O prestígio do Partido Comunista Português começou a diminuir depois da guerra, com as purgas de Estaline aos judeus da Rússia e aos “desviacionistas” da Hungria a da Checoslováquia. Sem a ameaça de Hitler, as barbaridades do Generalíssimo já não eram engolidas com a mesma credulidade. O PCP não percebeu isto e nem sequer seriamente notou como estava a ser tratado pelos seus próprios “simpatizantes”, que desprezavam a orientação dos funcionários e lhes chamavam batatulinas*. Claro que o “Partido” (só havia aquele) ainda exercia uma considerável influência sobre a vida cultural do país (pelo que ela valia) e pouco a pouco ia infiltrando e dominando o movimento estudantil. Mas já Cunhal tinha de protestar contra os movimentos “pequeno-burgueses” de “fachada socialista”, que apareciam na Universidade e um pouco fora dela.

O “25 de Abril” permitiu que o PC se apoderasse de umas dúzias de oficiais, que ele catequizara a tempo na clandestinidade ou que genuinamente se julgavam “revolucionários”. Isto que naquele tempo serviu para envolver o país numa aventura sem sentido, no fim não chegou para mais do que para legar à democracia uma constituição programática e absurda. De 1975 em diante o PC arrastou uma existência mesquinha e acabou reduzido a umas Câmaras no Alentejo, com uma população envelhecida e sem qualquer importância estratégica e a uma dúzia de sindicatos do funcionalismo público e de companhias do Estado. A sua morte natural parecia próxima.

Só que o PCP é uma máquina financeiramente pesada e, para se sustentar, precisou de uma aliança tácita com o PS. Suponho que entre os velhos militantes ninguém desculpará a Jerónimo de Sousa essa cedência ao inimigo histórico do Partido e que a gente mais nova deixou de ter qualquer razão ideológica ou sentimental para morrer agarrada a um cadáver. Chamar, como Jerónimo, uma “rapariga engraçadinha” a uma adulta de 40 anos mostra que ele passou para lá da mais modesta compreensão do mundo real. Se o PC se vai esfumar sossegadinho no seu canto ou se vai arrastar o PS na sua queda (como os “duros” querem) é o que resta apurar. Seja como for, a agonia do comunismo irá com certeza produzir uma guerra na esquerda, que pode levar o regime à ruína.

* Infelizmente, não sei a origem desta palavra, mas sei que significava “fanático burro”

«As desgraças do PCP», Vasco Pulido Valente no Público

Pro memoria (292) - Depois de frequentar as aulas de Pacheco Pereira, Costa domina a quadratura do círculo


«Primeiro-ministro garantiu ser possível cumprir, com o Orçamento do Estado para 2016, as promessas eleitorais, os acordos à esquerda e as regras que o País assumiu com Bruxelas»

Um amigo com quem trabalhei uns trinta anos atrás costumava dizer, a propósito da preparação de orçamentos, «o papel aceita tudo». Hoje diria, «o Excel aceita tudo».

Quem não aceita tudo é a tutela de Bruxelas que os socialistas nos deixaram em 2011, juntamente com a bancarrota. Contas feitas, a diferença entre os delírios multiplicatórios de Centeno e as contas a olho por cento dos eurocratas são pelo menos 2,8 mil milhões de euros correspondentes à redução do défice estrutural de 0,6% do PIB e um aumento à pala das reposições, reversões e multiplicações de mais de 1%.

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (129) – L'état c'est nous


Pro memoria (291) – Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (outra vez)


28/01/2016

O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Alternativa aos biombos de Renzi

A propósito dos biombos de Renzi.



(Enviado por JARF)

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Imprudente e inverosímil

«E se há uma coisa de que podemos ter a certeza é de que as contas de qualquer Orçamento nunca batem certo. Este não é diferente. Arriscava mesmo a dizer que estamos perante um exercício cuja escala de veracidade varia entre o pouco prudente e o inverosímil. Com uma paragem obrigatória no irrealista. Isto conforme os óculos mais à esquerda ou mais à direita que colocar para ler o documento.»

«Os outros já cortaram no papel higiénico», um artigo de João Vieira Pereira no Expresso cuja leitura completa se recomenda.

Lost in translation (261) – O politicamente correcto quer controlar o pensamento da gente normal com a sua newspeak


Se me contassem não acreditaria. Nem mesmo acreditaria em Maria João Marques (em quem costumo acreditar) se não citasse a fonte no seu artigo. E a fonte é este outro artigo que por sua vez remete para as «Guidelines for Best Practices: Creating Learning Environments that Respect Diverse Sexual Orientation, Gender Identities and Gender Expressions,» um manual coalhado de bullshit nas suas mais de 20 páginas, publicado pelo governo da província canadiana de Alberta do qual destaco esta pérola:
«School forms, websites, letters, and other communications use non-gendered and inclusive language (e.g., parents/guardians, caregivers, families, partners, “student” or “their” instead of Mr., Ms., Mrs., mother, father, him, her, etc.).» 
Se a coisa continuar assim, juro que me alisto na primeira guerrilha que for criada pelo Movimento de Libertação da Tutela das Mentes pelo Politicamente Correcto (MLTMpPC) para combater estes delírios dos controladores de mentes.

27/01/2016

BREIQUINGUE NIUZ: Bem hajam ó eurocratas por travarem os delírios do multiplicador

«Bruxelas não aceita Orçamento do Estado 2016»

(Económico)

CASE STUDY: O(s) (des)multiplicador(es) de Centeno

Começam a conhecer-se os contributos de Mário Centeno para as finanças públicas do Novo Tempo.

O multiplicador

Segundo a formulação do Jornal de Negócios: «Por cada euro de estímulos, retoma devolve quatro.» É certo que ainda estamos longe do multiplicador dos doutores Pereira e Jorge Andraz que foi o suporte teórico das SCUT, cujo êxito se prolongará pelas próximas décadas: por cada milhão de euros que o governo investisse em infra-estruturas rodoviárias o efeito acumulado no PIB seria de 18 milhões de euros, a longo prazo. (*) Mas estamos a caminho e, se à época os distraídos ainda não sabiam como iria acabar, agora todos têm obrigação de saber.

O desmultiplicador

Se o multiplicador multiplica 1 euro de incentivos por 4, o desmultiplicador desmultiplica 1 euro de incentivos no OE 2016 em apenas alguns cêntimos (não revelados). É pelo efeito desmultiplicar que, segundo Centeno, este orçamento apesar dos incentivos representa «um significativo esforço de contenção da despesa pública, o maior dos últimos anos».

Reacções às inovações de Centeno

É claro que sempre haverá quem não esteja à altura de compreender as finanças públicas do Novo Tempo de Centeno. É o caso do Conselho de Finanças Públicas que no seu parecer considera que as previsões do POP têm «riscos relevantes (…) decorrentes de previsões que se revelem optimistas» e, pior do que tudo, alertar que «o crescimento assente na procura interna, designadamente no consumo privado, corresponde a uma tendência bem documentada no passado».

A Moody’s diz a mesma coisa por outras palavras: «estratégia económica focada no consumo privado e no aumento dos salários acima do crescimento da produtividade poderá resultar no regresso aos antigos desequilíbrios da economia Portuguesa». A Fitch considera os pressupostos irrealistas e ameaça descer a notação se o défice não for reduzido.

Este cepticismo não nos deve surpreender, Afinal o Conselho de Finanças Públicas está infiltrado de neoliberais e as agência de rating, bom... as agência de rating ... será preciso dizer mais alguma coisa? Lembremo-nos de como tudo corria bem há 5 anos antes de as agências de rating começarem a conspirar contra o governo socialista de então e do papel dos neoliberais que chumbaram o PEC4.

(*) Como os mais avisados certamente terão reparado, os doutores Pereira e Jorge Andraz  não se aperceberam que a multiplicação seria da dívida pública e não do PIB, mas isso foi um pormenor.

ACREDITE SE QUISER: O governo italiano submete-se aos aiatolas e esconde séculos de história europeia

Rome spares Iranian president's blushes by covering nude statues 

Sculptures in Capitoline Museum obscured by large white panels for Hassan Rouhani’s meeting with Italian PM.

Italian officials keen to spare the Iranian president, Hassan Rouhani, any possible offence on his visit to Rome covered up nude statues at the city’s Capitoline Museum, where Rouhani met Matteo Renzi, the Italian prime minister.

(Guardian)

26/01/2016

ESTADO DE SÍTIO: A geringonça está em modo “espiatório”

«O executivo quer que a Autoridade Tributária tenha acesso às contas bancárias dos seus clientes. Atualmente, os bancos já facultam dados ao Fisco, mas essa troca de informação deve vir a ser reformada. Além dos rendimentos, passará a incluir-se o saldo das contas, assim como outros indicadores.» (jornal i)

Dúvidas (143) – Os subscritores não são todos iguais?

Trinta deputados do PS (21) e PSD (9) subscreveram o pedido ao Tribunal Constitucional de fiscalização sucessiva da suspensão do pagamento das subvenções vitalícias a ex-deputados cujo agregado familiar tivesse um rendimento mensal superior a 2 mil euros. É uma vergonha para os signatários?

Parece ter sido principalmente para Maria de Belém que foi quase a única citada pelos mídia e, por essa e por outras razões, foi «castigada» com uma votação inferior a 5% que a impediu de receber a subvenção pública que previa de 790 mil euros.

Porém, se percorrermos a lista dos signatários encontramos dois ministros do actual governo (Ana Paula Vitorino e João Soares, o filho do pai) e várias outras personalidades com tanto ou mais notoriedade do que Maria de Belém e que desempenham ou desempenharam lugares políticos e públicos de destaque  .

Porquê os mídia se abstiveram de citar estas luminárias? É a doutrina Somoza?

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Chumbado a posteriori

Secção Tiros nos pés

A estória é conhecida. Em 25 de Agosto Maria Luís Albuquerque disse «se o ano acabasse agora esse crédito fiscal de sobretaxa será de 25%, mas se me pergunta a minha expectativa é que o resultado possa ser ainda melhor do que esse.» Um mês depois, a nove dias das legislativas o governo sobe a fasquia para 35%. Dois dias depois, Passos Coelho garante que «estamos em condições em 2016 de cumprir».

Quatro meses depois, temos a certeza que «não há qualquer devolução da sobretaxa de IRS paga em 2015». A diferença entre 25% e 35% não é grande, mas diferença entre 25% ou 35% e 0 é enorme. Das duas, uma: ou o governo era competente mas mentiu ou o governo não mentiu mas foi incompetente.

Morais

«Nunca se mente tanto como em véspera de eleições, durante a guerra e depois da caça» (Otto von Bismarck)

»A mentira para ter alcance e profundidade, tem que trazer à mistura alguma verdade» (António Aleixo)

Mitos (219) - O contrário do dogma do aquecimento global (XI)

Continuação de (I), (II), (III), (IV), (V), (VI), (VII), (VIII), (IX) e (X).

Em retrospectiva, que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Uma vez mais, o ano passado foi decretado o ano mais quente de sempre desde 1880 (ver o NOAA, por exemplo). Talvez, mas convém colocar algum cepticismo nestas conclusões científicas porque já não é a primeira vez que os dados são aldrabados por boas causas.

Ainda assim, o homo sapiens só por cá anda há uns 200 mil anos e as acções humanas com impacto potencial no clima têm uns 150 anos. Entretanto, esta bola em que vivemos já roda há uns 4 a 5 milhões de anos durante os quais o clima variou imenso. E ainda antes da Revolução Industrial actuaram e ainda actuam várias causas potenciais de aquecimento do planeta não atribuíveis directamente à acção do homem moderno.

Por exemplo, há uns 15 mil anos, os índios que então habitavam o actual Canadá, andavam a pé, não tinham nem automóveis, nem indústria, exterminaram os mamutes e extinguiram a pradaria substituída pela tundra.

Por exemplo, estima-se que as flatulências dos bovinos, essencialmente metano, um gás 25 vezes mais nocivo para o efeito de estufa do que o dióxido de carbono, são responsáveis por 14% do aquecimento global desde o princípio da Revolução Industrial. As emissões com origens em veículos representam nos Estados Unidos uns 20% do total. A nível mundial, possivelmente  representam menos que os traques e os arrotos das vacas.

Por estas e por outras, o bom senso aconselha a um quantum satis de cepticismo para equilibrar as certezas dos fiéis das várias seitas e, em particular, da seita da Christiana Figueres, secretária executiva da UN Framework Convention on Climate Change.

25/01/2016

Pro memoria (290) – Quem ganhou e quem perdeu as eleições presidenciais?

A resposta simples e óbvia para quem ganhou foi dada esta madrugada por The Economist Espresso: «O pândita televisivo favorito dos portugueses». Não ganhou sozinho. O segundo grande vencedor foi o Sr. Vitorino Silva, aka Tino de Rans, com 152 mil votos (3,28%).

Perderam todos os outros candidatos com derrotas de vários tamanhos. A maior de todas foi a do ex-padre e actual comunista Edgar Silva que apenas capturou 183 mil votos (3,95%) dos 446 mil de que o PCP (8,25%) ainda é proprietário. A segunda maior derrota foi a de Maria de Belém que acabou com menos de 197 mil votos (4,24%) - 1/3 das primeiras sondagens.

Porém, não foram só os candidatos que perderam, também os partidos que se esconderam por trás. A começar pelo PCP que viu a sua base eleitoral nas eleições presidenciais ainda mais reduzida do que o costume e sofrendo uma pesada derrota cujas consequências, muito provavelmente, serão agudizar as contradições da geringonça.

O grande perdedor seguinte foi o Partido Socialista que dos seus 1,75 milhões de votos nas últimas eleições não conseguiu reter nos dois candidatos apoiados à sorrelfa mais do que 1,26 milhões, ou seja perdeu meio milhão de votos, apesar do maná já oferecido e o prometido por Costa em apenas 2 meses. Ainda que somássemos os votos de Vitorino Silva e de Henrique Neto terão sido perdidos mais de 300 mil. (*)

Há quem considere que o Bloco de Esquerda foi um vencedor ao comparar os votos 469 mil votos de Marisa Matias com os 292 mil de Francisco Louçã. Contudo, esta comparação não faz muito sentido porque desta vez o BE está numa dinâmica de forte crescimento e, valha-nos Deus, não podemos comparar o sex-appeal do tele-evangelista com o da menos esganiçada das esganiçadas (concedo, sou um sexista-machista-fáxista empedernido). O que se passou é que o BE não segurou mais de 80 mil votos.

Finalmente, para concluir o menos óbvio e o mais polémico, os grandes vencedores foram os cépticos do regime que, com o apoio dos desinteressados, apoio que só não foi entusiástico porque, como se sabe, os desinteressados não se se entusiasmam facilmente, aumentaram o seu score em quase 700 mil de 4,27 milhões para 4,96 milhões, ultrapassando também em meio milhão o número dos que lá foram depositar os seus votos afectuosos para recompensar as ondas de afecto que os 10 candidatos derramaram pelo país durante um mês que pareceu uma eternidade.

(*) Aditamento:
O desastre do PS pode ter sido muito maior se, como alguns indícios apontam e alguns ex-dirigentes do PCP reconhecem, tiver havido uma migração de votos do PCP (parte dos 260 mil perdidos) para Sampaio da Nóvoa. Nesse caso a perda do PS pode ter-se aproximado dos 750 mil eleitores. Não foi uma vitória por «poucochinho», foi uma derrota por muitíssimo.

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (XLVI) – O novo Tsipras

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

Completa-se hoje um aniversário sobre a vitória do Syriza nas eleições. Alguém se recorda das bandeiras agitadas por esta agremiação esquerdista e da excitação do jornalismo de causas e da esquerdalhada? E da excitação de Costa («Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha»)? Não? Então pode clicar no link acima para uma recapitulação. Um ano depois, a Grécia, o Syriza e o seu querido líder Tsipras desaparecerem do discurso da esquerdalhada e quase desapareceram dos mídia.

Tsipras, quando aparece, é como uma reencarnação social-democrata daquele Tsipras radical. O novo Tsipras foi visto pela última vez em Davos, no Fórum Económico Mundial no mesmo painel do ministro das Finanças alemão Wolfgang Schäuble, onde disse que qualquer eurocrata costuma dizer:
«Temos de ter uma Europa democrática, solidária, temos também de aumentar os nossos orçamentos para reduzir a desigualdade social. Temos de ter um sistema europeu de garantia de depósitos. Temos de encontrar uma solução partilhada para os nossos problemas comuns, como o desemprego. É tempo de voltar aos princípios fundadores da União Europeia».

24/01/2016

AVALIAÇÃO CONTÍNUA. Como não «Reformar a Administração Pública»

Secção Assault of thoughts

Se não fosse a página da Ordem dos Economistas onde foi transcrito, não teria reparado num artigo do Público onde sete luminárias escrevem sobre a reforma da administração. Vão de Ferreira do Amaral a João Salgueiro, passando por Félix Ribeiro, cobrindo assim, se considerarmos os seus passados, um “amplo” espectro político que vai do centro-esquerda à extrema-esquerda, saltando por cima dos comunistas que não se metem nestas coisas.

Até eu, que tenho pouca fé nas luminárias, fiquei decepcionado. É difícil imaginar uma coisa mais desenxabida, redonda, cinzenta, sem uma ideia – se não acreditam, façam favor de ler. Estamos perdidos, pensei com os meus botões. Se la crème de la crème das nossas elites pensantes quanto se juntam só são capazes de produzir estas coisas chochas, o que podemos esperar do povo ignaro?

Agora que a geringonça está a abolir os exames e temos um outro examinador – o picareta falante – a caminho de Belém, as avaliações parecem-me cada vez mais indispensáveis. Aqui vão elas na escala impertinente: quatro urracas, quatro pilatos e cinco bourbons para as luminárias.

Declaração (im)pertinente de voto – escolhendo-se, só se pode escolher o que está à escolha (3)

Já fizemos no passado pelo menos duas declarações de voto (aqui e aqui). Desta vez, talvez haja uma segunda oportunidade, porque à primeira não vamos escolher.


À segunda, se for caso disso, escolheremos pelo critério habitual.


Impertinente ............................................ Pertinente

23/01/2016

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Ser de direita e de esquerda no Reino de Pacheco

«Por causa do exacerbamento ideológico do PREC, ainda hoje ninguém se atreve a reconhecer que é de “direita” (com a excepção de Paulo Portas). Ser de “direita” ainda hoje serve de insulto e convoca o desprezo. Pior do que isso, cobre tendências diferentes de um grande bloco de opinião, que só se define pelo facto de não ser de “esquerda”. Autoritários, democráticos, liberais, dirigistas cabem todos nesse grande cesto de opróbrio. 

De resto, nunca houve na verdade uma “esquerda”. Houve desde o princípio facções, com uma caracterização teórica miudinha, separadas por um odium theologicum, difícil de imaginar para quem não leu Marx ou Lenine e o rebanho dos seus seguidores. Quem é capaz de explicar o que separa, por exemplo, o Bloco e o PC? Ninguém; nem sequer, desconfio, os desmiolados que por lá andam. Ou as divisões do PS não directamente relacionadas com a carreira e as promoções da militância mais zelosa do seu próprio interesse? E, no entanto, o sopro romântico da “esquerda” continua eficaz na sociedade romântica em que vivemos. É essa a sua força essencial, que se distribuiu ao acaso pelos “corações sensíveis”. Politicamente quase nunca faz sentido ou é seguramente classificável. Mas persiste na sua barafunda. Ser de “esquerda” não deixou de ser um certificado de virtude.»

Posições, Vasco Pulido Valente no Público

Mitos (218) – Os chineses só investem em países endividados (2)

Em retrospectiva, na verdade o mito completo é: os chineses só investem em países endividados, aproveitando os saldos e com o propósito de controlarem essas economias vulneráveis. É um mito cultivado pela esquerdalhada doméstica em geral (que, como se sabe, cultiva 99% dos mitos inventariados), pelo PS (enquanto está na oposição) e até por alguns empresários que não gostam dos chineses (por exemplo Soares dos Santos).

No post anterior só referi os investimentos chineses na Europa, agora é a vez dos Estados Unidos. Em pouco dias, dois grupos chineses foram às compras:
  • Dalian Wanda Group comprou por USD 3,5 mil milhões o estúdio Legendary Entertainment (que produziu o Parque Jurássico e vários outros blockbusters);
  • Haier Group comprou por USD 5,4 mil milhões a divisão de electrodomésticos da General Electric. 
E não é que o o governo de Barack Obama não mexeu um dedo para evitar a venda de dois ícones ianques? Tivessem eles o Costa e aquele realizador especialista em aviação…

Títulos inspirados (54) - «Calma, ainda não é o fim do mundo. É só o Plano Orçamental Português»

[Este post poderia ser uma sequela deste]

Foi com o título acima que Nicolau Santos, o nosso pastorinho favorito da economia dos amanhãs que eram para cantar e choraram e ele acham vão voltar a cantar, escreveu um texto no Expresso Diário de que respigo os dois primeiros parágrafos que evidenciam a surpresa e o desgosto da criatura perante o desinteresse dos opinion dealers pelo POP.

«O ministro das Finanças apresentou hoje o Plano Orçamental Português. E a avaliar pelo desinteresse dos jornalistas de topo da área económica ou já decidiram que o documento não serve para nada ou não concordam com as atuais orientações da política económica. 
Sou jornalista há 35 anos e se não vi a apresentação de todos os Orçamentos do Estado desde que comecei a trabalhar, seguramente que assisti a mais de 25. E não me lembro de ver o Salão Nobre das Finanças tão despido de colegas da comunicação social e tão ausente dos pesos-pesados desse mesmo jornalismo como hoje. Ao contrário, durante a fase de Vítor Gaspar e de Maria Luís Albuquerque a sala tinha sempre lotação esgotada. Mas também é verdade que este não é ainda o Orçamento do Estado para 2016.»

Em socorro do pastorinho, para mitigar a sua angústia, avanço com algumas explicações possíveis para o desinteresse:
  • Estão absorvidos pelas presidenciais; 
  • Foram de fim-de-semana mais cedo; 
  • Bruxelas vai mandar a coisa para trás;
  • Ninguém acredita no orçamento, é só uma formalidade; 
  • Seja como for, não vai ser cumprido.

22/01/2016

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (57) - Ó tempo volta para trás (ao PREC), dá-me tudo o que eu perdi.. tralala


Veja-se aqui a abundância e o perfil das ejaculações do órgão legislativo AR no último mês.

ELE VISTO POR ELES: Alguém que já teve todas as opiniões pelo menos uma vez

«Despite his affiliation, Mr Rebelo de Sousa, a mercurial figure who claims to read two books a day and sleep for at most five hours, promises to avert political crises and nurture Portugal’s new anti-austerity order. His appeal is broad. No surprise, opponents say, for someone who’s held every opinion at least once.»

The Economist Espresso de hoje

ESTÓRIA E MORAL: De como não basta ter razão

Estória

Não fará sentido os investidores profissionais suportarem os custos das suas más decisões? Fazer faz, sobretudo quando a alternativa são esses custos serem suportados pelos contribuintes, como seria o caso dos 2 mil milhões de euros de obrigações do BES na posse de vários grandes bancos e fundos internacionais se o BdeP não tivesse resolvido transferi-las do Novo Banco para o velho BES o que é o mesmo que dizer que esses investidores não verão um cêntimo.

Porém, o capital não tem moral nem coração e por isso o problema é que um país encalacrado com dívidas perde a soberania e tem muita dificuldade em fazer manifestações dela. Assim, esses investidores puxaram dos galões e tiveram reuniões a semana passada com o BdeP que, percebendo tardiamente o que viria a seguir, se dispôs a compensá-los, como relatou o Financial Times.

Entretanto, esses mesmos investidores, que não ficaram felizes com as compensações prometidas, reuniram ontem para decidir se a decisão do BdeP será considerado um evento de crédito e, se for o caso, se accionarão os seus Credit Default Swaps (CDS) que poderão envolver muito mais do que os 2 mil milhões (estima-se 50 emissões obrigacionistas no total de 18 mil milhões). A decisão ficou suspensa como uma espada de Dâmocles em cima da cabeça de Carlos Costa, o que teria pouca importância se não fosse o caso da perda da cabeça dele poder custar o fecho dos mercados aos bancos portugueses e, pior do que isso, a subida aos infernos dos yields da dívida pública portuguesa. A propósito, vejamos o que se passou no último mês com a dívida portuguesa a 10 anos em comparação com a espanhola:

Fonte: Bloomberg

Moral

«Speak softly and carry a big stick» (um provérbio africano citado por T. Roosevelt), que é como quem diz não basta ter razão. Ter dinheiro (ou não ter dívidas) ajuda muito.

Pro memoria (289) - «O 25 de Abril e a História» (3)

[Continuação de (1) e (2)]

«Com estes começos e fundamentos, falta ao regime que nasceu do 25 de Abril um mínimo de credibilidade moral. A cobardia, a traição, a irresponsabilidade, a confusão, foram as taras que presidiram ao seu parto e, com esses fundamentos, nada é possível edificar. O actual estado de coisas, em Portugal, nasce u podre nas suas raízes. Herdou todos os podres da anterior, mais a vergonha da deserção. E com este começo tudo foi possível depois, como num exército em debandada: vieram as «passagens administrativas», sob capa de democratização do ensino; vieram «saneamentos» oportunistas e iníquos, a substituir o julgamento das responsabilidades; vieram os bandos militares, resultado da traição do comando, no campo das operações; vieram os contrabandistas confessas e os falsificadores de moeda em lugares de confiança política ou administrativa; veio o compadrio quase declarado, nos partidos e no Governo; veio o controlo da Imprensa e da Radiotelevisão, pelo Governo e pelos partidos, depois de se ter declarado a abolição da censura; veio a impossibilidade de se distinguir o interesse geral dos interesses dos grupos de pressão, chamados partidos, a impossibilidade de estabelecer um critério que joeirasse os patriotas e os oportunistas, a verdade e a mentira; veio o considerar-se o endividamento como um meio «honesto» de viver. Os cravos do 25 de Abril, que muitos, candidamente, tomaram por símbolo de uma Primavera, fanaram-se sobre um monte de esterco.

21/01/2016

DIÁRIO DE BORDO: Em defesa do acesso dos idiotas à expressão da sua idiotice nas redes sociais



Queixou-se Henrique Raposo no seu blogue no Expresso (post «Não dá para desligar a internet?») das ondas de indignação que varrem as redes sociais a propósito e despropósito de qualquer coisa. Por exemplo, a propósito de uma piada da candidata Marisa Matias sobre os lagartos virem a ser campeões, ou de uma piada sobre o «cancro vip» ou dos comentários atrabiliários do sobrinho do Dr. Soares sobre a candidata Maria de Belém. HR termina a queixar-se que «a turba só quer sentir … raiva e pena, ódio e comiseração, dois extremos polares que não admitem contraditório». Termina a perguntar se «não dá para “desinventar” a internet?».

Respondo: não dá para “desinventar” e ainda bem. A começar porque sem internet talvez HR não soubesse quanto é vulgar a idiotice, a continuar porque não teríamos lido o seu post, a continuar ainda porque a internet não criou os idiotas, apenas lhes deu os meios de expor a sua idiotice, o que não é mau de todo porque só é possível contrariar a idiotice conhecida.

E a acabar porque a internet nos proporciona a liberdade de expressão numa espécie de mercado onde concorrem as ideias (e as idiotices, claro) pela atenção dos consumidores de ideias e dos analistas de ideias, dos opinion dealers e toda a parafernália de intermediários sempre presentes em todos os mercados e que neste caso opinam sobre a opinião. Sem essa liberdade precisaríamos de uma comissão que decretaria a opinião oficial, a opinião oficiosa e as opiniões toleradas. Qual seria o resultado? Não precisamos imaginar, basta ver o que se passa na China, na Coreia do Norte, na Venezuela, em Cuba, na Rússia, etc.

SERVIÇO PÚBLICO: Da próxima vez também não vai ser diferente (6)

[Uma espécie de continuação de «Too big to fail» - another financial volcanic eruption in the making (1) e (2) e de «Da próxima vez também...» (1), (2), (3), (4) e (5)]

Tenho dedicado esta série de posts a antecipar os resultados das políticas de quantitative easing (QE) e de taxas de juro evanescentes adoptadas pela Fed, primeiro, e depois copiadas, sucessivamente, pelo Banco de Inglaterra, pelo BCE e pelo Banco Central do Japão.

Escrevi que nas bolsas americanas aditivadas pelo QE e as taxas de juro da Fed, os valores do P/E Ratio (price-to-earning ratio, isto é a relação entre a cotação das acções e os dividendos pagos) atingiram níveis insustentáveis e, de facto, não sustentados pelo fraco crescimento dos lucros. Evolução semelhante se deu nas bolsas europeias, japonesas e, por último, chinesas (neste caso cumulativamente com outras razões). Também os preços nos mercados imobiliários, sobretudo americano e britânico, atingiram níveis estratosféricos.

Pois bem, como tudo o que sobe um dia desce, estamos desde o princípio do ano a assistir à queda das cotações em todos as bolsas e, após anos de experimentalismo dos bancos centrais, começámos a assistir à quebra do longo e pesado silêncio de gurus que agora anunciam o apocalipse. Exemplos: Larry Summers (ex-secretário do tesouro americano), George Osborne (chanceler britânico), George Soros (o homem da Quarta-Feira Negra que afundou a libra em 1992), Albert Edwards (da Société Générale, este com um pouco mais de moral), entre outros, sem esquecer os economistas do RBS (Royal Bank of Scotland) que há dias anunciaram o fim do mundo - os mesmos economistas que não previram o afundamento do próprio RBS em 2008.

Como escreveu há dias um jornalista (sem causas), se fosse, seria esta a primeira vez que gurus e analistas previram uma crise dos mercados. Não sei se o apocalipse está a caminho (duvido), até porque a economia mundial não está assim tão mal (as economias que estão mal são as dos produtores de matérias-primas), o que sei é que os inevitáveis ciclos dos mercados ao serem manipulados pelos bancos centrais nos últimos 8 anos podem ter ajustamentos violentos que de outro modo poderiam (talvez) ser aterragens suaves. Com ou sem apocalipse, os bancos centrais ao usarem intensamente o QE e manipularem as taxas de juros estão agora desarmados para reagirem – por exemplo, como espevitar os mercados baixando taxas de juro que estão próximas de zero?

Moral da estória, como disse um jogador qualquer: prognósticos só no fim do jogo.

20/01/2016

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O PREC da geringonça

«Infelizmente, ao contrário do que sucederia com o programa cautelar formal, deixámos de ter quem nos vigiasse, estabelecesse limites e impusesse um caderno de reformas a fazer. O governo anterior agradeceu e, a partir de 2014, trabalhou para ganhar as eleições, ao mesmo tempo que passava uma imagem de responsabilidade. Para se perceber isto basta ver como, de acordo com as previsões de Outono da Comissão Europeia, o défice estrutural português aumentou de 2014 para 2015. Ou seja, e como devia ser óbvio para todos, o governo andou em campanha durante pelo menos um ano.

Ironicamente, é agora o governo de Costa que beneficia da margem de manobra que este “programa cautelar” do BCE lhe dá. Mas em vez de usar a usar para corrigir o que tem de ser corrigido, indo mais longe onde é possível, como no ataque às rendas das PPP e de alguns monopólios e oligopólios, limita-se a andar para trás, criando todas as condições para que o passado recente se repita. 

Em vez de prudência, o governo de Costa dá-nos um PREC — Processo de Reversão Em Curso — apressado. Num só ano, reverte (parcialmente) a sobretaxa de IRS. Reverte o horário de trabalho da função pública. Reverte os cortes salariais na função pública. Reverte privatizações (ainda por cima, de empresas que davam imenso prejuízo). Reverte o IVA na restauração. Reverte metade da Contribuição Extraordinária de Solidariedade, que já só se aplicava a pensões acima de 4500€. Mais grave, reverte a discussão que se começava a fazer sobre a sustentabilidade da Segurança Social.» 

«O PREC de Costa», Luís Aguiar-Conraria no Observador

Dúvidas (142) – O teste da banha da cobra

Vendedor de banha da cobra, foto Eduardo Gageiro, Lisboa, 1957
Quantos eleitores resistirão aos insultos à inteligência e à infantilização que uma dezena de criaturas (vá lá, com desconto, umas 8 ou 9) candidatas a inquilinos de Belém vem perpetrando há umas semanas, multiplicando os abraços e beijinhos às criancinhas (parecendo pedófilos), aos velhinhos (parecendo herdeiros fazendo-se à herança), às portuguesas e aos portugueses distraídas e distraídos, respectivamente, que lhes passam ao alcance, sendo (quase todos) ou fingindo ser (o resto) gente de esquerda, fazendo-se passar por milagreiros que de Belém distribuirão maná ao povo ignaro?

Se resistirem mais de 50% o país não terá salvação.

Aditamento:
Se houvesse dúvidas sobre esta colheitas de candidatos, o debate de ontem revelou o alinhamento de quase todos eles com as políticas e as medidas já adoptadas e as anunciadas pela geringonça, políticas e medidas cuja continuidade garantirá o regresso da troika. Aposto singelo contra dobrado que, nessa eventualidade cada vez mais provável, todos os patetas que agora aplaudem se terão esquecido do contributo que os seus aplausos deram.

DIÁRIO DE BORDO: O Céu visto da terra (14)

[Outros céus vistos de outras terras]

Plutão [o objecto celestial favorito do (Im)pertinências] visto com cores artificiais distinguindo diferentes regiões

19/01/2016

BREIQUINGUE NIUZ: Portugal, «uma criança problemática», está a ver-se grego, outra vez, diz o Commerzbank

Prognóstico do Commerzbank da evolução do Portugal desgovernado pela geringonça (ler mais no Observador):
«Com as medidas agora anunciadas, a recuperação sustentável está em risco de tropeçar, uma vez mais. Ainda que a política orçamental expansionista possa ajudar a impulsionar a procura do setor privado no curto prazo, qualquer ímpeto positivo deverá ser cada vez mais neutralizado – ou, mesmo, ultrapassado – pelos efeitos de um aumento dos custos do trabalho e da redução das margens de lucro das empresas. As previsões do Governo de que as medidas se pagarão a si próprias no longo prazo não deverão materializar-se.
(...) o novo Governo certamente irá tentar evitar pedir um novo resgate – já que isso poderia colocar o país na mesma situação da Grécia na primeira metade de 2015 – pelo que poderá tentar recuar nas mexidas na política económica (...) tornar-se-ia provável um conflito com os apoiantes do Governo, da extrema esquerda, levando à perda da maioria parlamentar.»

Pro memoria (288) - «O 25 de Abril e a História» (2)

[Continuação de (1)]

«Os políticos aceitaram e aplaudiram a insurreição dos capitães, que vinha derrubar um governo que, segundo eles, era um pântano de corrupção e que se mantinha graças ao terror policial: impunha-se, portanto, fazer o seu julgamento, determinar as responsabilidades, discriminar entre o são e o podre, para que a nação pudesse começar uma vida nova. Julgamento dentro de normas justas, segundo um critério rigoroso e valores definidos.

Quanto aos escândalos da corrupção, de que tanto se falava, o julgamento simplesmente não foi feito. O povo português ficou sem saber se as acusações que se faziam nos comícios e nos jornais correspondiam a factos ou eram simplesmente atoardas. O princípio da corrupção não foi responsavelmente denunciado, nem na consciência pública se institui u o seu repúdio. Não admira por isso que alguns homens políticos se sentissem encorajados a seguir pelo mesmo caminho, como se a corrupção impune tivesse tido a consagração oficial. Em qualquer caso, já hoje não é possível fazer a condenação dos escândalos do antigo regime, porque outros talvez piores os vieram desculpar.

18/01/2016

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (XLV)

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

É possível enganar todos durante algum tempo; é possível enganar alguns sempre; não é possível enganar todos sempre. Os resultados de duas sondagens na Grécia que mostram a Nova Democracia, agora com o novo líder Kyriakos Mitsotakis, à frente do Syriza parecem mostrar uma vez mais a justeza deste aforismo.

Enquanto isso, teve lugar mais uma manifestação de protesto contra o aumento da idade da reforma para os 67 anos (actualmente a média está abaixo dos 60) e das contribuições para a segurança social, mas desta vez com apenas uns poucos milhares, o que talvez mostre o cansaço e a percepção de que manifestações, tal como as tristezas, não pagam dívidas.

Por cá a Grécia, o Syriza e o grande líder Tsipras desaparecerem dos mídia e estão longe os tempos em que o actual chefe da geringonça proclamava «vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha».

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (16)

Outras avarias da geringonça.

Continuando a cronicar os feitos da geringonça, esta semana começo pela saúde pela qual todos os componentes da geringonça revelam um grande desvelo. O governo resolveu «reverter» a transferência dos hospitais de Santo Tirso e de São João da Madeira para as respectivas Misericórdias locais por ter dúvidas sobre «os estudos e o modelo económico-financeiro que estão na base dos Acordos».

Também tenho dúvidas, a primeira das quais é porquê tendo terminado a austeridade, so they say, e com tantos cortes na saúde feitos pelo governo anterior, they say so, o governo do PS mantém o tecto do orçamento do SNS de 2016 igual ao de 2015?

DIÁRIO DE BORDO: O Céu visto da terra (13)

[Outros céus vistos de outras terras]

A estrela Hen 2-427 (o ponto brilhante no centro) e a nebulosa M1-67 que a rodeia a 15 mil anos-luz (Fonte: Wired)

17/01/2016

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: MST sobre a geringonça e o seu sleeping partner

«E sobra ainda este paradoxo político: os que passaram quatro anos a queixar-se de que a anterior maioria legislava não quereria saber da concertação social, são hoje os primeiros a desprezar a concertação social e a irem directamente ao Parlamento, onde os deputados comunistas ao serviço da CGTP e os do Bloco de Esquerda, para não ficarem atrás, se encarregam, sem mais, de transformar em leis da Assembleia as reivindicações sindicais. No meio, fazendo figura de sleeping partner, está o Governo de António Costa, cujo programa e cujas políticas próprias valem aquilo que os seus aliados de ocasião lhe consentem em cada momento - como se viu também a propósito da extinção geral dos exames. Parece que é esta a agenda política para a próxima legislatura: um governo que não ganhou as eleições governa, nem sequer com o seu programa, mas de acordo com o que lhe consente a vontade de forças políticas que representam menos de um quinto dos votos dos eleitores.»

Miguel Sousa Tavares, na sua crónica no Expresso

CASE STUDY: O multiplicador do dinheiro (1)

Uma das teorias que mais entropia instila nas meninges dos economistas e, por essa via, infecta as mentes dos políticos e opinion dealers, principalmente os de inspiração socialista, e assim confunde os sujeitos passivos, é a teoria dos multiplicadores.

Historicamente, os primeiros assinalados foram os multiplicadores bíblicos. Veja-se, por exemplo Mateus 14:13-21:
15. À tarde aproximaram-se dele os discípulos, dizendo: Este lugar é deserto e a hora é já passada; despede, pois, as multidões, para que, indo às aldeias, comprem alguma coisa para comer. 
16. Mas Jesus lhes disse: Não precisam ir; dai-lhes vós de comer.
17. Replicaram-lhe: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.
18. Disse-lhes ele: Trazei-mos cá. 
19. Tendo mandado à multidão que se assentasse sobre a relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, deu graças e, partindo os pães, entregou-os aos discípulos, e os discípulos entregaram-nos à multidão.
20. Todos comeram e se fartaram; e do que sobejou levantaram doze cestos cheios de pedaços.
21. Ora os que comeram, foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças.

16/01/2016

LOGBOOK: Change we need. Change we got

The Economist Espresso

Pro memoria (287) - «O 25 de Abril e a História» (1)

«Se alguém quisesse acusar os Portugueses de cobardes, destituídos de dignidade ou de qualquer forma de brio, de inconscientes e de rufias, encontraria um bom argumento nos acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril. Na perspectiva de então havia dois problemas principais a resolver com urgência. Eram eles a descolonização e a liquidação do antigo regime.

Quanto à descolonização, havia trunfos para a realizar em boa ordem e com vantagem para ambas as partes: o Exército Português não fora batido em campo de batalha; não havia ódio generalizado das populações nativas contra os colonos; os chefes dos movimentos de guerrilha eram em grande parte homens de cultura portuguesa; havia uma doutrina, a exposta no livro Portugal e o Futuro, do general Spínola, que tivera a aceitação nacional, e poderia servir de ponto de partida para uma base maleável de negociações. As possibilidades eram ou um acordo entre as duas partes, ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem, isto é, escalonada, ordenada e honrosa.

15/01/2016

CASE STUDY: Um imenso Portugal (20)

[Outros imensos Portugais]

Uma reportagem de 12 páginas da revista VEJA

Há pelo menos duas coisas em que o Brasil não é bem um imenso Portugal: tem uma mídia mais livre e independente (não admira; tiragens de um milhão por semana no caso da Veja) e uma justiça mais independente e, sobretudo, mais ágil e eficaz.

SERVIÇO PÚBLICO: O trilema de Žižek não é sempre aplicável

Há excepções
Já tem mais de uma semana, mas é tão raro acontecer que não tem prazo para ser relevado. Como é sabido, um dos delírios favoritos da esquerda em geral e das esquerdas socialista e revolucionária em particular é o do aumento do salário mínimo não ter consequências sobre o emprego e o desemprego e, na dúvida, se tiver, são positivas.

Não vou gastar latim a repetir o que se pensa sobre o assunto no (Im)pertinências. O tema já foi muitas vezes abordado: por exemplo aqui e aqui. Vou apenas relevar a honestidade intelectual de Luís Aguiar-Conraria, que, segundo creio, é, e considera-se ele próprio, de esquerda, pelo seu artigo «Esquerda, salário mínimo e hipocrisia» no Observador, cuja leitura atenta se recomenda e onde em suma conclui:
«A hipocrisia do governo e dos sindicatos está em esperarem que este decréscimo não se note. Por exemplo, se o desemprego descer dos actuais 11,9% para 11,5%, poderão dizer que o salário mínimo aumentou e que ainda assim o desemprego diminuiu. Nunca dirão que, sem o aumento do salário mínimo, o desemprego poderia descer ainda mais, muito provavelmente para 11%. Ou seja, este aumento do salário mínimo, mais do que destruir empregos, o que vai fazer é que pessoas actualmente no desemprego tenham ainda mais dificuldade em voltar a trabalhar, agravando ainda mais o desemprego de longa duração, o qual é, a par do desemprego jovem, o nosso maior flagelo

DIÁRIO DE BORDO: O Céu visto da terra (12)

[Outros céus vistos de outras terras]

A nebulosa do Caranguejo, também conhecida por Messier 1, NGC 1952 e Touro A, é um dos objectos astronómicos mais estudados. É o que resta de uma explosão de supernova observada por astrónomos chineses em 1054. (Fonte: Wired)

14/01/2016

Pro memoria (286) - A quem vos disser que o problema dos migrantes e refugiados deve ser resolvido com o coração recomendai-lhe um transplante (2)

[Uma espécie de sequela de Esclarecendo os conceitos e colocando em perspectiva a crise de migrantes e refugiados para a Europa e de (1)]

«The mass sexual assault on New Year’s Eve could mark a turning point in the refugee crisis. More than 500 women have now reported being molested or robbed in Cologne that night. Germany’s justice minister says that crimes on such a scale were probably organised. Of the suspects, almost all are of north African or Arab background; most are refugees. Furthermore, a man shot dead attempting to attack a police station in Paris turned out to be a refugee registered in Germany. Angela Merkel, the chancellor, and her governing coalition are now talking about cracking down on lawbreaking refugees and deporting them (harder than it sounds). In Cologne, groups of men have attacked foreigners, injuring two Pakistanis and one Syrian, and in demonstrations hooligans from the far right clashed with those from the left. Fear, anger and division are putting Germany’s “welcome culture” under unprecedented strain.»

«A less welcome culture: migration after Cologne», The Economist Espresso

Em consequência do relativismo moral que se instalou nos meios pensantes europeus, os incidentes de Colónia que começaram por ser enfiados para debaixo do tapete e continuaram a ser desvalorizados com o argumento que há assédio em todo o mundo ocidental, como se todos as sextas-feiras em cidades europeias bandos de centenas de energúmenos molestassem umas dezenas de mulheres. Por último, a bem-pensância descobriu que a coisa se compunha desde que lhe prantassem um nome. Descobriram então que a coisa se chamava em árabe «Gameâ Taharrush» (ver aqui Insurgente). Já podemos dormir tranquilos.

Aditamento:
Hoje, o mesmo o Economist Espresso dá-nos a conhecer que um júri de linguistas alemães considerou «Gutmensch» (algo como Bom Samaritano) a palavra mais feia de 2015 porque mostra a a ingenuidade dos alemães e denigre a tolerância e o altruísmo - uma extrema ironia para os «do-gooders» alemães.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: «Os Nóvoas dependem dos Madoffs»

«Não há nada mais sebastianista do que a esquerda atual, que lá vai saltando de D. Sebastião em D. Sebastião. Parece um querubim a saltar de nuvem em nuvem. Hollande e Tsipras representaram esse papel, foram dois estupendos saltitões, saltaram de utopia em utopia até caírem na realidade. Realidade, essa, que a esquerda portuguesa continua a confundir com a tal "austeridade", essa espécie de sub-fascismo que aflige as almas "neoliberais". Em Portugal, o que resta deste nevoeiro místico que aguarda o advento do salvador está anichado no candidato da Aula Magna, que, neste momento, é apenas sub-apoiado pelo PS. Este sub-apoio, diga-se, é uma das novidades desta sub- campanha.

Nóvoa simboliza aquelas pessoas que estão presas nesta contradição há anos: até ao meio- dia, insultam o tal capitalismo de casino, recolhendo os frutos da boa imprensa; depois do meio- dia, defendem uma governação viciada nesse capitalismo (dizem que é keynesianismo), rejeitando, por exemplo, qualquer travão ao endividamento dos estados. Ou seja, dizem que o capitalismo é péssimo, mas depois rejeitam qualquer medida que distancie os estados desse capitalismo. Não por acaso, a esquerda não investe na ideia defendida por muitos liberais clássicos como Martin Wolf: retirar aos bancos a capacidade de criar dinheiro eletrónico; o poder de cunhar moeda (real ou virtual) deve ser monopólio dos bancos centrais, não pode ficar à mercê das alavancagens virtuais de bancos privados; se estivesse mesmo interessada em atacar o capitalismo dos nossos dias, a esquerda portuguesa estaria neste momento a cantar hossanas a um referendo que se realizará na Suíça - a Iniciativa Vollgeld defende o fim deste capitalismo virtual. Ora, a esquerda passa ao lado desta crítica concreta ao capitalismo, porque a sua governação depende da burla virtual dos Madoffs. É nos mercados financeiros que a esquerda encontra o dinheiro que serve de base às suas promessas eleitorais, mais salários, mais direitos, mais isto e aquilo.

Nóvoa entra, portanto, no terreno da comédia quando diz que defenderá sempre a Constituição contra os credores internacionais. Em 2016 ainda é preciso explicar aquilo que devia ter ficado claro logo em 2008: a crise do capitalismo virtual é sobretudo a crise da esquerda socialista, porque a despesa socialista (ex.: salários, obras) é feita com o dinheiro que os Nóvoas pedem emprestado aos Madoffs. A Constituição não faz dinheiro. Quando diz que defenderá sempre a Constituição contra os credores, Nóvoa revela que é uma de três coisas: não sabe o que está dizer, conhece a realidade mas está a mentir, quer imprimir moedas de Escudo algures em Belém. É um ingénuo, um hipócrita ou um político nacionalista? Julgo que não passa de um ingénuo orquestrado por hipócritas e por um perigoso e crescente nacionalismo de esquerda.
»

Henrique Raposo no Expresso

A despropósito, quem não depende dos Madoffs é o candidato Paulo Morais que garantiu ontem que se for eleito no próximo ano lectivo os livros do ensino básico serão gratuitos. Paulo Morais depende das suas meninges que, como se vê, fazem a sua inchada mente confundir a função constitucional do presidente da República com a de primeiro-ministro.

13/01/2016

ACREDITE SE QUISER: Verguemo-nos perante a autoridade do académico

«Os jovens do Daesh não são muito diferentes dos recrutas da Legião Estrangeira», disse, segundo o Expresso Diário, «António Dias Farinha, provavelmente o académico português mais conhecedor da História e Cultura dos países muçulmanos, dirige o Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos da Universidade de Lisboa».

E eu a imaginar que dos 600 mil (até 1963) soldados que passaram pela Legião Estrangeira a maioria eram alemães, seguidos dos italianos, franceses, espanhóis e suíços e mais recentemente nacionais da Europa de Leste e dos Balcãs, na sua maioria gente a querer mudar de vida e apagar um passado (por vezes criminoso), e que no meio dessa multidão deveriam contar-se pelos dedos os muçulmanos e, entre eles, um jihadista deveria ser mais difícil de encontrar do que uma agulha num palheiro. Mas é claro que tenho de me vergar perante a autoridade do «académico português mais conhecedor da História e Cultura dos países muçulmanos».

Lost in translation (260) - É em Itália. Podia ser em Portugal

São todos PIGS, mas há uns mais PIGS do que outros

When I go to a young entrepreneurs’ group in America, I meet entrepreneurs. In Italy, I primarily meet trust-fund kids who area there thanks to their parents, not their accomplishments. We need a change of mentality.» 
Luigi Zingales, um economista italiano da Escola de Negócios Booth da Universidade de Chicago, comentando o estado da economia italiana, citado pela Economist.

12/01/2016

SERVIÇO PÚBLICO: Ventoinhas que sopram o défice tarifário

The windmills of your mind
«O capitalismo de compadrio entre o lóbi eólico e os posteriores governos veio, ao abrigo desse regime e com preços elevadíssimos, criar o monstro elétrico. Portugal é o quinto país do mundo em potência eólica instalada por habitante!

Manuel Pinho também se gabava de termos a maior fotovoltaica do mundo (com painéis chineses importados)! Publiquei então nesta coluna "O Escaldão Solar". Tal constitui um ótimo exemplo da nossa precipitação em investir precocemente em tecnologias ainda não maduras, com efeitos negativos na competitividade e sem qualquer vantagem para a nossa economia! Os países inteligentes, na nossa situação, esperariam pela maturidade da tecnologia para começar a investir.

Acontece que a fotovoltaica teve posteriormente descidas de custos e já será interessante para o autoconsumo em produção descentralizada.

Mas à boleia disso e depois desses elevados excessos de potência renovável intermitente, anunciam-se agora grandiosos investimentos em fotovoltaicas no Alentejo.

O argumento destes promotores é de que essa energia será exportada para a Alemanha que bem precisa dela para substituir a energia nuclear, mas isso vai depender do reforço das interligações europeias para a levarmos até lá. Tal vai levar algum tempo e não deverão obviamente ser os nossos consumidores a pagar isso. Tais projetos, se avançarem já, só conseguirão ter financiamento bancário ao abrigo da venda garantida da produção no regime da PRE ( Produção em Regime Especial), ou seja os nossos consumidores a pagar uma energia que não necessitam...

Com mais renovável intermitente no regime da PRE, a dívida tarifária (soma dos défices anuais) irá explodir. Basta saber ler os relatórios da ERSE para compreender a bomba-relógio que virá aí...
»

Excerto de «As quintas solares» artigo no Expresso de Luís Mira Amaral

Pro memoria (285) – O Estado, esse Moloch. Ontem, como anteontem, e hoje como ontem (2/2)

«A mentalidade não mudou. É a que se habituou a viver irresponsavelmente, não da iniciativa e da actividade próprias, mas das benesses do Estado-Providência, e a não estabelecer relação entre o que se produz e o que se recebe.

Ao mesmo tempo, os rendimentos do Estado não aumentaram com as nacionalizações. Para isso seria preciso que as empresas nacionalizadas fossem geridas com o mesmo espírito que as empresas privadas, isto é, no sentido de criar uma margem de lucro para investimento. Isso só era possível se houvesse espírito empresarial. Ora este faltava tradicionalmente no nosso país, em virtude, justamente, do seu passado de monopolismo de Estado. O Estado está habituado em Portugal a gerir serviços não competitivos, como os caminhos-de-ferro e os correios, empresas quase por definição deficitárias e a quem não interessa o saldo da sua actividade, visto que o Estado-Providência compensa os défices. Mas desde que o Estado se torna todo ele uma empresa capitalista num mundo de concorrência (o que acontece sempre que ele vira «Socialista»), tem de se tornar competitivo, tem de procurar a margem de lucro a não ser que confie numa providência internacional que cubra os seus saldos negativos. Criámos, assim, um Estado- empresa, sem termos passado nem hábitos empresariais. Como cobrir o défice? Recorrendo à Providência, ou seja, aos empréstimos que não podemos pagar. Durante algum tempo julgámos mesmo que esses empréstimos nos eram devidos por obrigação, e praticámos uma espécie de chantagem em relação aos prestamistas solicitado: se não nos emprestarem o dinheiro, perde-se a liberdade em Portugal. A Europa connosco! Venha, pois, o empréstimo em nome da Internacional Socialista! O empréstimo, não para o desenvolvimento da empresa, mas para evitar a sua falência isto é, a falência da liberdade. Esta maneira não empresarial de pôr a questão cifra-se em transferir para a Providência a responsabilidade da empresa. Confirma a nossa ausência crónica de espírito empresarial. Equivale a abdicarmos da responsabilidade pelo nosso destino.

Nunca nenhum Governo socialista europeu pôs a questão nestes termos, porque os governos socialistas ou sociais- democratas na Inglaterra, na Suécia, na Áustria, etc., chegaram ao Poder em sociedades capitalistas evoluídas. Herdaram, juntamente com o desenvolvimento económico 0 espírito empresarial acumulado por séculos de empresa privada. Esse espírito e essa experiência foram em parte transferidos para o Estado, donde resultou que desde logo o Estado foi concebido como uma empresa, responsável pelo seu deve-e-haver. Tendo acontecido exactamente o contrário em Portugal, encontramo-nos perante uma situação que tem duas saídas.

Uma é a imposição administrativa. Obrigar os parasitas que enchem os quadros do Estado e as empresas nacionalizadas a trabalhar debaixo do terror administrativo e policial, para atingirem uma norma que permita a acumulação de capital.

Esta solução equivale à ditadura e, além disso, é muito aleatória, porque nada nos garante que os ditadores encontrem sempre as melhores soluções económicas. Semelhante ditadura, aliás, teria de ter apoios internacionais, que na presente conjuntura mundial só poderiam ser outras ditaduras chamadas «socialistas».

Outra solução é desenvolver em Portugal a empresa privada, com tudo o que isso implica. Isto é, tentar inverter a nossa habituação histórica, obrigando cada português a ser responsável pela sua situação económica, abolindo definitivamente a ideia fixa do Estado-Providência. Esta é, parece-me, a alternativa que actualmente se põe ao nosso país e importa vê-la sem antolhos. A situação política em Portugal no próximo futuro será dominada por este problema. A solução será empresarial ou ditatorial.
»

«A alternativa», capítulo de «Filhos de Saturno», de António José Saraiva (publicado originalmente no Diário de Notícias de 29-12-1978)

11/01/2016

DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.

David Bowie, aka Ziggy Stardust, Aladdin Sane, Pierrot e uma dezena de outras personas, o camaleão, encena a sua própria morte poucos dias depois de completar 69 anos e publicar o seu último albúm (Blackstar)

CASE STUDY: Um imenso Portugal (19)


Poucos dias depois de a segunda das grandes agências de rating ter degradado a notação do Brasil para «lixo», demitiu-se o ministro das Finanças Joaquim Levy, uma avis rara com ideias mais ou menos liberais perdida no galinheiro do governo do PT. Demitiu-se em desespero por não conseguir aplicar as suas políticas face a previsões de continuação da recessão (2,5% a 3% em 2016, prevendo-se que no final de 2016 a economia terá encolhido 8% face ao primeiro trimestre de 2014), à queda de 31% do real em 2015 e de 12,4% das bolsas, ao crescimento do endividamento e à inflação, actualmente em 10,5% e que se espera ser em breve mais alta do que a taxa de aprovação da presidente.


Como chegou o Brasil a este ponto? Certamente com a ajuda da queda dos preços das matérias-primas que desceram mais de 40% em relação ao máximo em 2011, devida à contracção da procura chinesa, e com uma grande ajuda do governo durante o primeiro mandato Dilma Rousseff que aumentou as pensões e os benefícios fiscais às empresas amigas do PT, dilatando o défice do orçamento de 2% em 2010 para 10% em 2015.

Consequência de uma legislação laboral inspirada no corporativismo de Mussolini, a produtividade na indústria é a quarta mais baixa dos 41 países da OCDE.

A pensão mínima - igual ao salário mínimo - aumentou 90% nos últimos 10 anos e a idade da reforma é 60 anos para homens e 55 para mulheres e no caso de professores 55 e 60 respectivamente. Não admira, por isso, que a despesa com pensões seja 12% do PIB, uma percentagem maior do que a do Japão com população muito mais envelhecida.

No aspecto fiscal, a carga tributária cresceu de 25% em 1991 para 36% do PIB em 2015, o tempo médio necessário para as empresas cumprirem as obrigações fiscais atinge a média pantagruélica de 2.600 horas por ano, sete vezes a média da América Latina. Cerca de 90% da despesa pública está «congelada» pela Constituição. Onde é que já vimos isto?

Fatalmente, o peso da dívida pública aumentou de 53% para 70% (espera-se que atinja 93% em 2019), o que poderá não parecer muito elevado na Europa mas é-o para um país em vias de subdesenvolvimento que tem de pagar juros que custam 7% do PIB. Onde é que já vimos isto?

Por falar em constituição, a brasileira de 1988 tem 70.000-palavras-70.000 o que envergonha até as nossas abundantes 32.000-palavras-32.000 que são quantas precisámos para fabricar o misto de declaração de princípios marxistas, manual de organização política, lista de direitos adquiridos e contrato colectivo de trabalho da nossa Constituição.

[Fontes: Briefing Brazil’s Crisis, Economist; Trading Economics]

DIÁRIO DE BORDO: O Céu visto da terra (11)

[Outros céus vistos de outras terras]

Galáxia NGC 5195 com um gigantesco buraco negro (canto superior direito da imagem), foto da NASA (Fonte:Wired)  .

10/01/2016

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Os judeus belmontenses e a lei de Gresham

Confesso que ignorava quase tudo sobre a comunidade judia de Belmonte. O pouco que fiquei a saber provém da leitura do artigo do Expresso «O êxodo dos judeus de Belmonte».

Dos 300 em 1985 restam hoje só 55 judeus entre os 3 mil belmontenses. É uma comunidade em decadência, com pouca iniciativa e ilustração que não se distingue de muitas outras do Portugal do interior, sofrendo os efeitos nefastos da consanguinidade resultante da endogamia durante gerações, para escapar às perseguições.

É uma maldição. Nós que reprimimos e perseguimos os judeus e os expulsámos de Portugal nos finais do século XV, deitando pela borda fora o fermento social que poderia proporcionar uma comunidade culta, próspera, diligente e empreendedora que se distinguia da brutidade do povoléu, ficámos com os mais fraquitos. É uma espécie de lei de Gresham aplicada à evolução das sociedades.

Pro memoria (284) – O Estado, esse Moloch. Ontem, como anteontem, e hoje, como ontem (1/2)

«Em Portugal, o Estado teve sempre um grande papel económico. Não falando das origens, em que a economia dependia da guerra, houve a empresa da índia, em grande parte monopólio da Coroa, a empresa do Brasil, também com os seus monopólios estatais, e os empréstimos externos garantidos pelo Estado, por meio dos quais se realizaram as obras públicas. A história económica portuguesa seria, em grande parte, a história de um capitalismo de Estado, se não lhe faltasse o espírito competitivo, próprio da empresa capitalista.

Ao Estado competia principalmente a distribuição da riqueza, distribuição que se fazia segundo critérios de clientelas do Poder. O dinheiro não era distribuído em função da actividade produtiva, mas sim em função do aprazimento da Corte, da influência política de certas famílias, etc.

Por outro lado, os bens da Igreja, descontando a época inicial das Ordens arroteadoras de terras, como Cister, eram também usufruídas por não produtores e sustentavam uma numerosa parasitagem.

Donde resulta que a iniciativa privada teve sempre em Portugal um papel restrito e apagado. O que entre nós houve sempre foi uma intervenção primacial do Estado e, em consequência disso, uma tendência para a pedinchice, para as clientelas, para a disputa do poder político, corno meio de alcançar benefícios económicos. Quando, após o 28 de Setembro, e principalmente o 12 de Março de 75, o Estado se apoderou dos bancos e de numerosas empresas, não se criou uma situação nova em Portugal, antes se intensificou alguma coisa que estava nos hábitos ancestrais dos Portugueses: a posse de um largo sector da economia pelo Estado e a distribuição dos dividendos não segundo a capacidade dos empresários, mas segundo a pressão das clientelas do Poder. E tal como o monopólio de Estado no Antigo Regime, prolongado no liberalismo, tinha dado origem a uma numerosa parasitagem, assim aconteceu no Portugal dito socialista. O Estado foi solicitado por uma multidão de candidatos ao «empregozinho», que deram entrada graças à cunha política, e camadas sucessivas de gente in activa, conforme as conjunturas políticas, foram tomando lugar à mesa do orçamento. Um velho vício nacional agravado, porque mult1pl1cado por quatro partidos, isto é, quatro dispensadores de emprego.


«A alternativa», capítulo de «Filhos de Saturno», de António José Saraiva (publicado originalmente no Diário de Notícias de 29-12-1978)

(Continua)

09/01/2016

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (15)

Outras avarias da geringonça.

Preâmbulo atrasado
Quando entrámos na bancarrota depois dos anos de desvario, 9 em cada 10 portugueses imaginando-se num paraíso da economia social foram apanhados de calças na mão e, como acontece nas doenças graves, percorreram penosamente as fases de negação, revolta, negociação, depressão e, finalmente, aceitação.
Fechado (mal) este ciclo, estamos agora a caminho de mais um período de ilusões que só pode terminar mais ou menos da mesma maneira.
Por isso, como uma espécie de serviço social para resgatar os meus pecados, atribuí-me a missão de ajudar os distraídos a antecipar o choque com a realidade publicando esta série de posts que já vai na 15.ª  edição. ____________________________________________________________________________________________

Para inaugurar 2016, Costa escreveu um artigo de opinião com o auspicioso título «Ano novo, tempo novo» onde enumera as grandes realizações do seu governo «nos primeiros 20 dias de governação», a saber: suprime ou reduz a sobretaxa de IRS para 1,6 milhões de famílias, actualiza mais de 2 milhões de pensões, elimina e devolve os cortes dos vencimentos dos funcionários públicos, aumenta o salário mínimo, repõe o complemento solidário para 440 mil portugueses, aumenta o abono de família, etc., um enorme etc. que vai desde a adopção de crianças por homossexuais à abolição de exames de alunos e da avaliação de professores, passando pelo aborto gratuito.

Como se não bastasse, Costa vai ainda «criar melhores condições de investimento das empresas, com o pagamento de cem milhões de euros de fundos comunitários nos primeiros cem dias de governo». Leram bem? Cem milhões, uns 0,4% da Formação Bruta de Capital Fixo! É pouco? É. É por isso que Costa anuncia «a criação de uma estrutura de missão para a capitalização das empresas» que se espera faça aparecer os euros necessários para dotar as empresas do capital que não têm.

Tudo isto, claro, Sem Custos para o Utilizador, porque «o crescimento da procura assente na melhoria do rendimento das famílias» tornará supérfluo o «seu endividamento para o consumo e a compra de casa própria» tornando assim disponível o crédito «para o financiamento do investimento produtivo». Porquê ninguém ainda se tinha lembrado disto?

Terá Costa consciência que as suas políticas são a poção mágica já experimentada em Portugal (e na Grécia, e no Brasil, etc.) que nos levou por três vezes à bancarrota nos últimos 40 anos? Se for assim, Costa é um aldrabão compulsivo à altura do seu antecessor Sócrates e só pretenderá salvar a sua cabeça. Se não for assim, Costa é um pateta terminal que, imaginando evangelicamente estar a salvar o país, o enterrará uma vez mais.

Sabe-se lá porquê, Costa omite da sua lista outras das suas realizações. Lembremo-las.

Foram ontem «repostos» pela geringonça os feriados adquiridos: dois religiosos, o de Corpo de Deus, o dia de Todos os Santos, e dois civis, Implantação da República e Restauração da Independência. E pode estar a caminho mais outra reposição: 25 dias úteis de férias (dependendo da assiduidade).

Os jornais citaram economistas anónimos da Mouse Square School of Economics que entendem que estas reposições não têm impacto sobre o PIB, porque, para eles, o PIB não depende do produto e este não depende da quantidade de trabalho. Se dependesse, como menos cinco ou seis dias de trabalho em 230 possíveis representam mais de 2% , ainda que, num cenário pessimista (ou optimista, conforme a perspectiva), metade da população empregada não produzisse nada nesses dias, o PIB poderia cair mais de 1%, ou seja 1,7 mil milhões. Em alternativa, diria a Mouse Square School of Economics, as empresas contratariam mais trabalhadores para compensar a queda da produção o que teria o efeito positivo de diminuir o desemprego – e, acrescentariam os incréus, o efeito negativo de aumentar os custos de produção, o que no caso dos bens transaccionáveis e da exportação reduziria a competitividade das empresas. Sem esquecer que no mundo real, na maioria das actividades industriais, a paralisação nos feriados significa uma perda irrecuperável de produção.

No que respeita ao ensino, prosseguem em grande velocidade as reformas iniciadas com a abolição de exames e da avaliação dos professores, reformas em que se «desfez em 40 dias a política de educação de Crato». O «Ministro da Educação promete novo modelo de avaliação para esta semana» disseram-nos na 2.ª feira, coisa só possível num país lusófono a caminho do socialismo, onde cada ministro da educação faz o possível e o impossível por «desfazer» a instrução pública a pretexto das suas paixões pela educação compartilhadas na sua união de facto com a Fenprof.

Hoje, sábado, não sei se o ministro já tirou o novo modelo da gaveta. Se tirou, vai ter de revê-lo se a semana de 35 horas na função pública que o seu chefe está a dever ao PCP para manter a geringonça a funcionar for aprovada e «deixar escolas com falta de funcionários» para aplicar o novo ou o velho modelo.

Por último, resta lembrar que a realização mais previsível destas políticas já foi de certo modo antecipada pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) ao divulgar «que no último mês do ano passado foram utilizadas todas as verbas que restavam da almofada financeira do Estado para 2015». E confirmada pelo aumento anunciado pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública de 500 milhões para 7 mil milhões (até ver) das necessidades líquidas de financiamento do Estado em 2016.

E apesar de todas estas realizações da geringonça, o PCP ainda não está feliz. Ao seu candidato, ex-padre que trocou Jesus Cristo por Estaline, não lhe parece «que tenhamos um Governo de esquerda». Não sabemos se por isso ou por causa daquela dúvida enunciada por Bernardino Soares e partilhada pelo candidato, o PCP votou contra a condenação dos crimes da Coreia do Norte.