Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

31/08/2013

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Devem ser as janelas

«A banalidade do bem 

Solidez e carisma zero põem líder alemã no caminho de mais uma reeleição

Um bocado de gente se acha no direito de dizer a Angela Merkel, a primeira-ministra da Alemanha, o que ela deve fazer. A lista começa com presidentes variados, passa por líderes europeus de esquerda e de direita e chega até Karl Lagerfeld, o desbocado cérebro criativo da Chanel que resolveu dizer que a única pessoa de nacionalidade alemã mais importante do que ele não se veste bem. Está aí uma crítica perfeitamente justa.

ACREDITE SE QUISER: A alface, o magala e «o piropo como violência de género»

Quando criança, há muito tempo, impressionei-me muitas vezes com cartunes de uma série com o nome em português «Acredite se quiser» (a versão brasileira, creio, de uma franquia de Robert Ripley criada em 1918 e chamada «Believe It or Not!») representando factos mirabolantes e inacreditáveis, segundo parece quase todos comprovados. Nesta nova área do (Im)pertinências, serão coleccionados factos com mérito para serem incluídos na franquia de Ripley se ela ainda existisse.

30/08/2013

CASE STUDY: Um minotauro espera a PT no labirinto da Oi (9)

[Outras esperas do minotauro: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7) e (8)]

Sem surpresa, surge à luz do dia pela mão da revista Veja (*) mais um mega escândalo envolvendo a Oi e o PT e, por via da sua participação de controlo, a PT de Zeinal Bava a quem o (Im)pertinências dará 5 afonsos se conseguir sair do labirinto intacto – já não digo transformar a Oi numa empresa asséptica, moderna e rentável porque isso estará para além do talento de um Bava.

«Deputado do PT oferece "honorários" a conselheiro da Anatel para atuar a favor da Oi
Autor da proposta indecente, Vicente Cândido é considerado "petista orgânico" e tem, entre seus amigos, sócios da empresa de telefonia, que tem interesse em resolver a situação de multas superiores a 10 bilhões de reais»

(*) Um exemplo de sucesso de jornalismo profissional e independente, com uma tiragem semanal de mais de um milhão de exemplares. Poderia ser um modelo para os regeneráveis de entre os jornalistas de causas domésticos, serviçais e medíocres.

Mitos (132) - Racistas inesperados (9)

«The white man is our mortal enemy, and we cannot accept him. I will fight to see that vicious beast go down into the lake of fire prepared for him from the beginning, that he never rise again to give any innocent black man, woman or child the hell that he has delighted in pouring on us for 400 years

Louis Farrakhan, líder da «Nação do Islão» que declarou Barack Obama como o Messias: «You are the instruments that God is gonna use to bring about universal change, and that is why Barack has captured the youth. And he has involved young people in a political process that they didn't care anything about. That's a sign. When the Messiah speaks, the youth will hear, and the Messiah is absolutely speaking

Nem todos os obamas de Obama fazem felizes os obamófilos: episódio (70) – Obama, o melhor amigo de Bush (II)

Uma espécie de sequela daqui.

Como aqui escreve o Pulitzer George Will, a retórica retorcida de Barack Obama, a respeito da intervenção na Síria ou de qualquer outra opção difícil que requeira guts, ilustra os perigos da loquacidade, que é a sua especialidade. Seja como for, se finalmente o homem se decidir a intervir depois de ter tornado o processo decisório num fenómeno de marketing a intervenção terá tudo para ser um falhanço político, se não mesmo militar.

29/08/2013

BREIQUINGUE NIUZ: TC julga inconstitucional a requalificação e a mobilidade especial da função pública

Tribunal Constitucional decide ser o Estado irreformável, segundo a constituição saída do PREC. Assim, para o pagar será necessário aumentar impostos até ao ponto em que, à míngua de recursos de um país em inanição para o sustentar, o Estado será condenado à morte por asfixia. Espera-se que alguém suscite a inconstitucionalidade do serviço da dívida pública e o TC decida em conformidade.

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (75) – Um navio de loucos, habitado pelos restos furiosos do socratismo (II)

Reutilizo o subtítulo deste post, com as palavras de João Miguel Tavares, para descrever a tentativa de recuperação da obra socrática ficcionada de consolidação das contas públicas - uma «mistificação hilariante», como lhe chamou Jorge Costa no Insurgente.

DIÁRIO DE BORDO: já dei que chegue para o peditório dos incêndios (outra vez)

Peço desculpa aos leitores do (Im)pertinências por republicar pela 3.ª vez o mesmo post já publicado em 2005 e 2006. Invoco em minha defesa não haver nada de novo a respeito de incêndios florestais e possivelmente nem todos leitores actuais tiveram a oportunidade de ler os meus devaneios de então.

Agora que se está a encerrar a estação dos incêndios florestais, se atenua o ruído mediático e se esfriam as mioleiras, é altura dum balanço.

28/08/2013

CASE STUDY: A pátria do capitalismo é o inferno dos capitalistas (12)

Anjos caídos recentemente: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10) e (11).

Javier Martin-Artajo, um dos dois empregados da JPMorgan Chase em Londres suspeitos de esconderem perdas de centenas de milhões de dólares com operações em bolsa, cuja extradição foi pedida recentemente pelo governo americano, foi ontem preso em Espanha onde se encontra de férias. Martin-Artajo não aceita a extradição (e, por isso, o governo espanhol provavelmente também não) e prefere ser julgado em Espanha, esperando certamente maior benignidade por parte dos tribunais espanhóis. (Financial Times)

@RTISTA CONVIDADO: O realismo mágico de Peter Doig (3)

Peter Doig, Orange Sunshine, 1995, óleo sobre tela, 276 x 201cm

DIÁRIO DE BORDO: He had a dream… I have a dream

Há precisamente 50 anos, um pastor protestante e activista fez um discurso na escadaria do Lincoln Memorial para 250 mil pessoas onde repetiu nove vezes «I have a dream». A frase seguinte é uma das menos citadas e é em minha opinião a mais importante:
«I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.»
Fizeram-se progressos imensos um pouco por todo o mundo e as pessoas são cada vez menos julgadas pela cor da sua pele - se esquecermos o politicamente correcto ou marxismo cultural que, ao defender a discriminação positiva, continua a praticar o racismo por outros meios. Por uma outra influência do politicamente correcto - o relativismo moral - não se fizerem grandes progressos no que respeita à parte afirmativa daquela frase de Martin Luther King que se poderia reescrever assim:
«I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will be judged by the content of their character.»

27/08/2013

Estado empreeendedor (72) – O Estado fornecedor e o Estado cliente

Tudo indica que seria uma questão de tempo e a empresa pública Estaleiros Navais de Viana do Castelo afundar-se-ia na inviabilidade económica. Como Pinho Cardão aqui recorda, com a preciosa ajuda do Governo Regional dos Açores, presidido pelo inefável Carlos César, que por razões fúteis modificou o projecto original do «Atlântida» de 80 para 700 lugares, e de seguida recusou aceitar o navio por não cumprir os requisitos de velocidade em consequência dessa alteração, a ENVC entrou em colapso financeiro ao ter investido muitas dezenas de milhões de euros numa construção que se transformou num mono. Já agora registe-se também que essa decisão do Governo Regional foi bem aceite pelo PSD e CDS, a oposição à época.

José Sócrates tentou sem sucesso vender o mono (chegou a anunciar a venda) ao falecido coronel Chavéz e o actual governo anulou o plano de reestruturação que permitiria mimizar o desastre da ENVC e tem tentado vender a empresa até agora sem resultado.

Pro memoria (129) – O carrossel, o Magalhães e a justiça sem pressas

A J. P. Sá Couto, a empresa fabricante do copycat laptop ClassMate da Intel, entre nós baptizado de Magalhães, cuja promoção de vendas esteve a cargo de José Sócrates, é um dos 41 acusados de associação criminosa e fraude fiscal qualificada na mega operação «carrossel» um dispositivo montado para a evasão fiscal ao IVA.

En passant, registe-se que as fraudes foram cometidas há mais de 10 anos e só agora vão chegar a tribunal, sem pressas e sem stress. Por razões obscuras, os crimes não prescreveram. O que falhou?

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (7) - Ioseb Besarionis dze Jugashvili continua vivo no hipocampo dos bloquistas

«Podemos dizer que (Louçã) foi um grande impulsionador e um quadro que tinha uma grande vivacidade e que mais sabia de política - o quadro político mais antigo - mas também foi em parte um destruidor porque ficou cego com a necessidade de apressar o processo de transformar o Bloco de Esquerda num partido mediático e eleitoralista. O sistema de organização tem impedido o Bloco de ser um partido de militantes. Não quero falar muito da palavra estalinismo. Mas a cultura estalinista está muito presente no Bloco

João Cabral Fernandes, fundador em 1973 da Liga Comunista Internacionalista (LCI) mais tarde rebranded Partido Socialista Revolucionário, e finalmente objecto de uma OPA pelo Bloco de Esquerda (ionline).

Ioseb Besarionis dze Jugashvili, mais conhecido por José Estaline, o Lucífer dos trotskystas, mandou Ramón Mercader, um comunista catalão, assassinar em 1940 Leo Trotsky, no México onde se encontrava exilado. Trotsky fundara dois anos antes a Quarta Internacional, a alma parens doutrinária da LCI e do PSR, de Francisco Louçã, de João Cabral Fernandes e dos trotskystas das várias tendências.

26/08/2013

NÓS VISTOS POR ELES: E se a «austeridade» funcionasse?

«It’s therefore instructive to look at what’s happened to Greece, Portugal and Spain since austerity was adopted or imposed.

But for their membership of the euro club, these countries would have countered their lack of competitiveness by devaluing their currencies. That’s not possible inside the euro zone so, instead, they’ve been cutting their labor costs in a way that’s been dreadfully painful. So has it worked? Nick Kounis and Aline Schuiling at the Dutch state owned-bank ABN Amro have been delving into the international trade data for June published on Friday by Eurostat, the statistical office of the European Union. And it does appear that the patients are responding to the medicine.


Mitos (131) - Racistas inesperados (8)

«It is almost needless to observe that, in the same measure in which opium has obtained the sovereignty over the Chinese, the Emperor and his staff of pedantic mandarins have become dispossessed of their own sovereignty. It would seem as though history had first to make this whole people drunk before it could rouse them out of their hereditary stupidity».

Karl Marx, «Revolution in China and in Europe», May 20, 1853

25/08/2013

DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.

Morreu António Borges, académico, reitor do INSEAD durante 8 anos, e profissional reconhecido internacionalmente.

DIÁRIO DE BORDO: Vanitas, vanitatum et omnia vanitas

Depois de prolongadas «aventuras nocturnas pelo património do Estado na capital” à procura de “uma sede digna”», o Dr. Paulo Portas parece ter encontrado no Palácio das Laranjeiras um pouso à altura do seu imenso ego. Antes de ir de férias, apressou-se a pousar para a posteridade em postura de Estado pousando para o fotógrafo em duas posudas fotos, uma na 1.ª página, em que surge em pose de reflexão institucional, e outra ocupando metade da página 7 do Expresso, em pose de trabalho patriótico. Os dois artigos, obra laudatória do jornalismo de causas amigo, têm títulos gongóricos e mortalmente ridículos (se o ridículo matasse): «Portas dirige “torre de controlo” para acelerar investimento» e «A “sala oval” do n.º do Governo».

Felizmente para o país, o governo não tem dinheiro para «acelerar investimento» e por isso a «sala oval» vai ficar apenas para acelerar a vaidade do seu inquilino.

Exemplos do costume (14) - O que a inteligência nacional pensa é por vezes biblicamente estúpido

Como que a confirmar as preferências estéticas da «inteligência nacional», no mesmo jornal, umas páginas antes do exercício de lucidez de José Ferreira Machado, a escritora e directora da Casa Fernando Pessoa, Inês Pedrosa discorda do «cheque-ensino», que segundo ela beneficiaria os ricos porque «põe a escolha da escola na mão dos pais», e, talvez traída pelo seu subconsciente, como argumento a outrance, conta a anedota, que o velho Orwel poderia ter contado no seu «Animal Farm» - uma fábula sobre a União Soviética, pátria do socialismo que parte da «inteligência nacional» muito apreciou publicamente no passado e ainda hoje em privado - , do criador de porcos cansado de ser multado por inadequação da ração ter dito ao inspector: passarei a dar aos porcos «100 euros e eles vão comer onde quiserem».

É um bom exemplo de como as luminárias esquerdizantes vêem o povo ignaro e confundem a «igualdade» abstracta, utópica e inalcançável, imposta por um Estado colectivista por elas tutelado que iluminaria as mentes dos pobres e faria escolhas em seu nome, com a igualdade de oportunidades que um Estado liberal deve proporcionar aos seus cidadãos.

O que a inteligência nacional pensa é por vezes biblicamente estúpido.

24/08/2013

ESTADO DE SÍTIO: Direitos adquiridos implicam obrigações impostas…

… como nos lembra um panfleto da Águas do Porto aqui reproduzido pelo Insurgente:

«No caso do Porto, o preço pago pelo consumidor teve ainda os encargos da Águas do Porto com o pagamento de um complemento de reforma (que acresce à normal pensão de reforma do Estado) que é entregue a trabalhadores dos ex-SMAS; um direito especial que foi consagrado numa lei de 1927 quando ainda não havia segurança social.

Este complemento à reforma abrange antigos trabalhadores, com direitos de transmissão para cônjuges e descendentes do sexo feminino, desde que estas nunca tenha casado. Estes montantes, com um valor máximo de 1.750€ mensais, pagos 15 meses por ano, acrescem à reforma normal paga pelo Estado

Mitos (130) - O modelo de crescimento baseado na ciência

Califórnia ou Flórida

«O Algarve regista este ano um assinalável boom turístico. São obviamente boas notícias numa óptica conjuntural - veja-se o impacto na redução do desemprego - mas relembram-nos aquilo que são importantes trunfos do nosso país, quando comparado com destinos alternativos: a paz social e a hospitalidade das gentes.


@RTISTA CONVIDADO: O realismo mágico de Peter Doig (2)

Peter Doig, Concrete Cabin, 1994, óleo sobre tela, 198 x 275cm

23/08/2013

CASE STUDY As funções zingarilho do ministério da Inducação

«Ensino básico perdeu quase 13 mil alunos num ano» (o deus dos jornalistas saberá porquê este título num artigo onde se refere uma perda total no ensino básico e no secundário de 82 mil alunos). «Faltam funcionários» é  um outro título do mesmo jornal cuja lógica deverá resultar da aplicação pela DERN de uma das funções zingarilho, na circunstância a 4.ª função: quanto menos X, mais Y.

ESTÓRIA E MORAL: From Russia with love

Estória

O canal russo Russia Today convidou o jornalista americano James Kirchick para um programa sobre Bradley Manning, o soldado que entregou documentos secretos ao Wikileaks e foi condenado a 35 anos de prisão. O Russia Today esperava certamente que James Kirchick participasse de bom grado na baixaria aos States contribuindo para relativizar os atentados às liberdades na Rússia do czar Putin.

Em vez disso, James Kirchick aproveitou para condenar a perseguição dos homossexuais e perguntou à entrevistadora como «consegue dormir à noite quando há jornalistas na Rússia que são frequentemente acossados e até mortos pelo Governo».



Moral

Ir buscar lã e sair tosquiado.

Mitos (129) - Racistas inesperados (7)

«Paul, the candidate of the Jardin des Plantes - and the animals … Being in his quality as a nigger a degree nearer to the rest of the animal kingdom than the rest of us, he is undoubtedly the most appropriate representative of that district

Friedrich Engels, numa carta de 26 de Abril de 1887 para Laura, segunda filha de Marx, casada com Paul Lafargue que era candidato por uma circunscrição onde se situava o Jardin des Plantes e o Zoo de Paris

ESTADO DE SÍTIO: O fisco paternalista

Anda por aí uma discussão a pretexto de uma possível redução do IVA da restauração para o anterior valor de 13%. Confesso que me escapa o racional dessa discussão em tudo aquilo que vá para além da lógica do lóbi da restauração - obviamente uma lógica semelhante ao do lóbi das fraldas ou dos editores ou de quaisquer outros. Ou da lógica dos lóbis partidários que obviamente tentam fazer felizes os eleitores e os patrocinadores.

22/08/2013

A atracção fatal entre a banca do regime e o poder (12) – Submarinos ao fundo

[Mais atracções fatais: pesquisa Google]

Seria estranho que o auto-intitulado banco do regime não estivesse envolvido em quase todos os negócios do regime. O caso dos submarinos é mais um em que uma empresa do GES dos Espírito Santo aparece envolvida. Soube-se agora, passadas três semanas (um indício da fortíssima influência do GES no aparelho de Estado que consegue manter tanto tempo o segredo de justiça), que o presidente e 2 administradores da Escom foram constituídos arguidos no caso dos submarinos por corrupção activa, tráfico de influências e branqueamento de capitais.

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Se foi isso, então vai ser fácil sair do «aqui»

Secção George Orwell

«Foi uma política de baixos salários que nos trouxe até aqui» disse Rui Nabeiro, o neto do fundador da Delta, em entrevista ao Económico, aparentemente querendo significar que o «aqui» é a recessão que se seguiu a uma década de estagnação, à falência das políticas de investimento público e de promoção do consumo, ao endividamento das empresas e das famílias e à bancarrota do Estado que culminaram na intervenção da troika e na alienação da soberania.

Rui Nabeiro não se deu ao trabalho de concluir que para tal maleita a aplicação do remédio deveria ser aumentar os salários, ainda que a produtividade tenha vindo a descer há mais de uma década.

Por este pensamento inovador da Delta School of Economics, atribui-se a Rui Nabeiro cinco merecidos chateaubriands, em homenagem ao visconde e escritor de quem é dito ter um dia abençoado a divina providência por fazer passar os rios pelo meio das cidades.

DIÁRIO DE BORDO: Homofóbico? Moi?

De vez em quando, um ou outro leitor do (Im)pertinências questiona-nos sobre a inclusão da homofobia no moto que define o blogue. Segundo esses leitores, a homofobia é incompatível com o nosso proclamado livre pensamento. Se calhar é, mas o que queremos dizer com homofobia é que, apesar de aceitarmos a homossexualidade (seria estúpido recusar um facto da vida) e não a estigmatizarmos, consideramos a sua prática um comportamento desviante e a sua promoção eticamente reprovável. Para evitar mal-entendidos alterámos o moto.

21/08/2013

Notícia é um cão morder um jornalista

É por isso que os mídia não escrevem sobre os jovens que morrem com overdose, em acidentes por excesso de velocidade ou a praticar bangee jumping e escrevem sobre o jovem estagiário que morre «após trabalhar 72 horas seguidas» - na verdade pode ter sido pela epilepsia de que sofria, mas isso não daria uma boa notícia.

Um dia como os outros na vida do estado sucial (11) - Política paroquial: depois do corpo, a alma

Primeiro o corpo, depois a alma
As versões dividem-se. Uns dizem que houve cheques nas missas com homilias a cargo de Fernando Ruas, o ainda presidente da câmara de Viseu e da Associação Nacional de Municípios. Outros dizem que ouve missas para um lado, cheques para outro e não houve homilias.

Já tinha havido oferta de electrodomésticos pelo emérito Major Valentim Loureiro numa campanha eleitoral para prover às necessidades do corpo dos eleitores, chegou agora a vez de lhes tratar da alma.

Lost in translation (184) – Desactualizada, disse ele

«Considero que de facto a Constituição está completamente desactualizada e não é apenas por razões de natureza doutrinárias, digamos assim. Mas mesmo sem essas razões de natureza ideológica está desde logo desactualizada por duas razões: foi feita num tempo em que não havia globalização, em que não estávamos na União Europeia e em que tínhamos moeda própria» disse Bagão Félix ao Económico.

As razões referidas por Bagão Félix, juntas ou separadamente, seriam suficientes para considerar desactualizadas a esmagadora maioria das constituições, a começar pela Constituição Americana com os seus 7 artigos originalmente aprovados em 1787 pela Convenção de Filadélfia, a continuar pela Constituição do Estado Federado Alemão (com uma ligeira modificação suportou a reinserção do Leste) aprovada em 1949 com os seus 146 artigos e 40 páginas, e a acabar na Constituição do Reino Unido, desde há séculos formalmente inexistente.

Talvez Bagão Félix quisesse significar que a nossa Constituição, com os seus 296 artigos e quase uma centena de páginas é simplesmente o caderno de encargos político do PREC revisto 8 vezes e adoptado pelos novos situacionistas. Como tal, tem o propósito de eternizar esse tempo histórico e, por isso, estava «desactualizada» no próprio dia 2 de Abril de 1976 em que foi aprovada.

SERVIÇO PÚBLICO: Otmar Issing, um alemão com soluções austríacas?

«Em séculos anteriores foi a concorrência dentro da Zona Euro que gerou um dinamismo e uma prosperidade sem paralelo em grande parte do Continente. Mas este foi também um período de guerras na região. No entanto, isto não significa que a centralização seja a melhor – e muito menos a única – forma de garantir a paz.


20/08/2013

Pro memoria (128) - Como não se reformar o Estado Social (2)

Sendo certo que todas as correntes políticas e luminárias do regime convergem no sentido de que é indispensável uma reforma do Estado Social, tem sido para mim um mistério qual é a reforma que defendem. Apenas consegui em tempos perceber como essas criaturas entendem que não se deve reformar o Estado Social, a saber:

Nem todos os obamas de Obama fazem felizes os obamófilos: episódio (69) – Cobra, disse ele

Barack Obama continua a desiludir os obamófilos. O último deles foi Oliver Stone, o realizador esquerdizante de alguns bons filmes e outros nem por isso. Quando discursava no clube dos correspondentes estrangeiros em Tóquio, disse Stone (lido aqui, via Insurgente):
«Obama is a snake … He’s a snake. And we have to turn on him. … The Boston Marathon, they were so busy tracking down potential protestors…that they missed the bombers. It’s never about terrorists, it always becomes about the way J. Edgar Hoover did it; he brought all the weight of government to bear against protestors. He didn’t like protestors. He thought they were left-wing communists. He never could find the proof, but by the time the Vietnam War came around, as you know, 500,000 people were on the list, and they were being eavesdropped on. And where are we now? Same place.»

Mitos (128) - Racistas inesperados (6)

«I mean, you got the first mainstream African-American who is articulate and bright and clean and a nice-looking guy. I mean, that’s a storybook, man.»

Joe Biden, vice-presidente referindo-se a Barack Obama

19/08/2013

Lost in translation (183) – O Pontal e a inflação dos adjectivos

Quando Passos Coelho, na sua persona de líder do PSD, faz um equilibrado e realista discurso no Pontal, quase estraga tudo ao classificar 2012 como «um ano verdadeiramente terrível» usando um adjectivo terrível em vão, porque ninguém sabe se os anos que se seguem não serão mesmo terríveis – por exemplo, se e quando tivermos num prazo curto de reduzir a dívida para 60% do PIB ou, em alternativa, se e quando formos obrigados a sair da Zona Euro.

Seja como for, a verdade é que as notícias sobre o annus terribilis são ligeiramente exageradas, como poderia ter dito Mark Twain se por cá vivesse. Difícil tem sido para a parte dos desempregados que já não têm subsídio de desemprego nem biscastes. O resto do povo, ou está na mesma ou recuou uma década e ninguém diria de 2003 que foi um ano terrível.

Quem também abusou dos adjectivos foi a oposição amplificada pelo jornalismo de causas que, a propósito de Passos Coelho ter dito uma verdade de La Palice (para acomodar uma eventual inconstitucionalidade de algumas medidas será necessário aumentar os impostos), quase acusou a criatura de assédio sexual aos juízes do TC.

SERVIÇO PÚBLICO: Terá sido por causa da promoção no Dia do Trabalhador?

A Forbes, uma revista que está para o capitalismo como a Monthly Review está para o comunismo, considerou uma empresa portuguesa a 16.ª empresa mais inovadora do mundo e a 3.ª mais inovadora da Europa. Surpreendentemente, a empresa em causa não é nenhuma daquelas empresas de culto dos pastorinhos da economia dos amanhãs que cantavam. Pelo contrário, essa empresa, por várias razões, incluindo ser uma empresa que vende mercearias e já fez uma promoção no Dia do Trabalhador, não é nada apreciada pelos pastorinhos. 

Fonte: Forbes

PUBLIC SERVICE: If you pay peanuts you get monkeys. Otherwise you may get monkeys too

Fontes: Portugal - Estatuto Remuneratório dos Deputados (14 meses de remuneração total ilíquida
sem “outros abonos e direitos”; restantes países - Economist

18/08/2013

Mitos (127) - Racistas inesperados (5)

«… it is now completely clear to me that he, as is proved by his cranial formation and his hair, descends from the Negroes from Egypt, assuming that his mother or grandmother had not interbred with a nigger. Now this union of Judaism and Germanism with a basic Negro substance must produce a peculiar product. The obtrusiveness of the fellow is also nigger-like

Karl Marx numa carta de Julho de 1862 para Friedrich Engels, referindo-se ao socialista Ferdinand Lassalle

@RTISTA CONVIDADO: O realismo mágico de Peter Doig (1)

Peter Doig, Canoe-Lake, 1997, óleo sobre tela, 200 x 300cm

17/08/2013

SERVIÇO PÚBLICO: Desiguais, mas não muito

Um dos temas favoritos da esquerdalhada é a suposta esmagadora e crescente desigualdade salarial em Portugal. Crescente talvez, esmagadora nem por isso.
Fonte: Economist
Repare-se também na diferença moderada entre os salários mais baixos e a mediana dos salários (isto é, um valor tal que metade dos trabalhadores têm um salário mais baixo ou igual e a outra metade um salário mais alto).

16/08/2013

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: A cobertura do briefing como instrumento de luta do jornalismo de causas

Briefings fatais


«Depois da saída de Miguel Relvas, substituído por Marques Guedes e Poiares Maduro, o Governo teve a peregrina ideia de fazer uns briefings à americana, em que os governantes dariam informações (em on ou em off) aos jornalistas.

As coisas começaram mal.

Primeiro foram as confusões sobre o on e off, e a hora a que os briefings deveriam realizar-se marcada inicialmente para as 14h00, o que não fazia qualquer sentido.


ESTADO DE SÍTIO: A comédia da limitação dos mandatos autárquicos

A comédia da aplicação da limitação dos mandatos autárquicos, que só nos tribunais de Lisboa no que respeita a Fernando Seara já vai em 3 decisões judiciais diferentes, desacreditaria o regime se ele não estivesse já irremediavelmente desacreditado.

Ficaria agoniado se continuasse a escrever o que penso sobre este tema – em qualquer caso também não é preciso porque Pinho Cardão já disse o que havia para dizer, e bem.

Mitos (126) - As pensões públicas são sustentadas pelo FEFSS que não deve comprar dívida portuguesa (2)

Continuação de (1)

Deve haver uma explicação para a convergência de opiniões de pastorinhos da economia dos amanhãs que cantavam, por exemplo Nicolau Santos, o patrono do caderno de Economia do Expresso, de associações de reformados da classe A (CIDSENIOR) e da classe B (APRE) que se dispõem a ir a tribunal  (os restantes reformados não têm associações nem opiniões próprias e entregam-se nas mãos do PS e do PCP), e de liberais académicos no que respeita à inconveniência do último despacho de Vítor Gaspar sobre a aplicação até 90% das reservas do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) em dívida pública portuguesa.

15/08/2013

DIÁRIO DE BORDO: a passarada que me visita (20)

Três estorninhos-pretos (Sturnus unicolor) e um pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula), à espera de vez para entrar no banho

CASE STUDY: Um minotauro espera a PT no labirinto da Oi (8)

[Outras esperas do minotauro: (1), (2), (3), (4), (5), (6) e (7)]

Talvez tudo tenha começado com a falta de dinheiro dos accionistas da PT, com o BES à cabeça (há anos a comprar dívida pública para financiar a obra socrática), que os levou em 2010 a aceitar negociar a venda da Vivo à Telefonica, a pretexto de, se recusassem, a PT seria alvo duma OPA hostil. Registe-se que o próprio governo, com uma golden share, estava a ser pressionado pela Comissão Europeia  para alienar a participação de um Estado já nessa altura à beira da bancarrota que haveria de ser visível em Abril do ano seguinte com o pedido de intervenção da troika.

14/08/2013

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (20)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14), (15), (16), (17), (18) e (19)

O resultado da consolidação do Portugal Que Se Queixa (PQSQ) com o Portugal Que Trabalha (PQT) no 2.º trimestre foi um pálido crescimento de 1,1% do PIB que sucede a 10 trimestres com o PIB a cair. Pálido porque o PQSQ se continuou a queixar e o pouco que foi conseguido foi à custa do PQT, sobretudo do sector exportador - a sua parte mais dinânica.

Dúvidas (25) – Não seria suficiente para tocar a buzina do desconfiómetro?

Em Janeiro de 2012, isto é há 18 meses, a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças publicou o seu Boletim informativo sobre o Sector Empresarial do Estado relativo ao 2.º Trimestre 2011, onde inseriu vários quadros com informações sobre os contratos swaps. Com estes dados não se perceberia já nessa altura o potencial de perdas das bombas deixadas pelo governo socialista?~

13/08/2013

Pro memoria (127) – Tomai nota para quando começarem a falar de derrapagem da dívida

Com a aplicação no próximo ano do novo sistema europeu de contas nacionais (SEC 2010) em substituição do actual (SEC 95), haverá uma reclassificação do perímetro das administrações públicas que passará a incluir a CP, os hospitais, as responsabilidade pelas pensões transferidas dos fundos de pensões da banca e certos contrato swap.

O resultado da alteração do perímetro das administrações públicas, segundo a estimativa do Económico, é um aumento de 16 mil milhões da dívida pública. Preparem-se para o jornalismo de causas em nome da oposição rufar os tambores quando chegar a altura e, na falta de Vítor Gaspar que desistiu de os aturar, atribuir à sua sucessora esta anunciada «derrapagem».

Mitos (125) - Racistas inesperados (4)

«I do not admit for instance, that a great wrong has been done to the Red Indians of America or the black people of Australia. I do not admit that a wrong has been done to these people by the fact that a stronger race, a higher-grade race, a more worldly wise race to put it that way, has come in and taken their place.»
(Winston Churchill - declaração à Peel Commission 1937)

DIÁRIO DE BORDO: a passarada que me visita (19)

A melra despenteada (Turdus merula)
Uma melra (ou mélroa) residente com um defeito genético que lhe empluma o dorso. Convive bem com os outros bichos humanos e expulsa os intrusos da mesma espécie.

12/08/2013

Mitos (124) – A nacionalização do BPN «não custou nada» (Teixeira dos Santos)

Deixando os mitos do capitalismo, recordemos os do socialismo doméstico. Por cá, José Sócrates e Teixeira dos Santos nacionalizaram o BPN por razões de «risco sistémico» e até hoje o único risco sistémico visível foi o risco do sistema dos amigos do regime que entregaram os seus pés-de-meia ao emérito Oliveira e Costa poderem ficar sem eles.

Teixeira dos Santos, garantiu em 2009 que a nacionalização do BPN «não custou nada», e o nada já vai em mais de 7 mil milhões. Isto é, sem dúvida, um mito simétrico do mito capitalista, podendo neste caso falar-se com toda a propriedade de socialização dos prejuízos.

Mitos (123) – O TARP foi a socialização dos prejuízos (4)

Outros exemplos do mesmo mito: (1), (2) e (3)

Recorde-se que, para a esquerda europeia, o TARP (Troubled Asset Relief Program) foi montado pela administração Bush para salvar a bolsa dos capitalistas da economia de casino.

Depois de mais de um ano a ter resultantes trimestrais superiores a USD 10 mil milhões, a AIG anunciou recomeçar a pagar dividendos e comprar acções próprias pela primeira vez desde 2008, quando foi intervencionada pelo governo americano que tomou uma participação de 80%, entretanto já vendida com mais-valias.

Atravessando para o outro lado do Atlântico, também se ficou a saber que o UKAR, o bad bank com os activos tóxicos de outros bancos ingleses intervencionados devolveu mais 1,9 mil milhões de libras atingindo o total devolvido 6,6 mil milhões de libras dos 48,7 mil milhões que o governo inglês injectou. Segundo o seu CEO, o processo de devolução irá continuar e estará terminado em 10 anos.

CASE STUDY: A pátria do capitalismo é o inferno dos capitalistas (11)

Anjos caídos recentemente: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9) e (10).

Na pátria do capitalismo, o governo americano pretende pedir a extradição e prender dois empregados da JPMorgan Chase em Londres, suspeitos de esconderem perdas de centenas de milhão de dólares com operações em bolsa.

Noutras pátrias do capitalismo, as coisas não estão melhores para os capitalistas e seus lacaios.

A PwC foi accionada por mil milhões de euros pelos administradores de falência da Quinn Insurance, uma das seguradoras no centro da crise financeira irlandesa, por não ter identificado e reportado incumprimento grave e frequente das regras de solvência.

O Financial Reporting Council (FRC), o regulador inglês do equivalente aos nossos revisores de contas, considerou o ano passado que Deloitte não respeitou os conflitos de interesse da sua dupla participação como auditor e consultor na venda da MG Rover à Phoenix Four. A Deloitte contestou a decisão do FRC, mas a semana passada uma arbitragem internacional não lhe deu razão. Seguir-se-á inexoravelmente um pedido de indemnização de muitos milhões de libras.

11/08/2013

SERVIÇO PÚBLICO: «Um swap sobre a verdade»

«Pais Jorge nunca devia ter aceitado fazer parte do Governo. Noutra altura qualquer a sua presença num Executivo não seria sequer questionável. No atual contexto político foi um desastre. Esclarecido este ponto falemos sobre algumas verdades esquecidas sobre este caso e os contratos de swap.

As empresas públicas reclassificadas (aquelas que passaram a ter de consolidar as suas contas com o Estado como a RTP ou o Metro de Lisboa) fizeram 88 operações com swaps que acabaram por ser reestruturadas pelo menos 128 vezes. Estes contratos tiveram o seu expoente máximo durante o governo de José Sócrates e eram feitos para cobrir o risco das taxas de juros. Como recebiam milhões no início do contrato ajudavam as contas das empresas públicas no ano em que eram feitos. O crime (receber logo e pagar depois) foi perpetuado na altura, não agora.


As minhocas não são todas iguais. Há umas que se vêem melhor do que outras

Minhocas? Quais minhocas?
«No caso BPN mexe-se na terra e sai minhoca por todo o sítio», concluiu Cândida Almeida, antiga responsável do DCIAP, antiga membro da Comissão de Honra da candidatura de Mário Soares à Presidência da República e actualmente colocada no STJ (where else?).

Saúde-se a visão de águia que agora vê tanta minhoca e nos seus tempos de procuradora não viu uma única a sair de casos como o diploma da UI, projectos na câmara da Covilhã, Cova da Beira, compra dos apartamentos do Héron Castilho, Freeport, Face Oculta, TVI, Taguspark-Figo.

Presunção de inocência ou presunção de culpa? (14) – Mais presunções a respeito da banca do regime

[Outras presunções acerca dos banqueiros do regime: (9), (10), (11) e (13)]

Depois de Ricciardi, líder do BESI, ter sido constituído arguido na investigação às privatizações da EDP e REN, está agora o DCIAP a investigar o rasto de um depósito da Sonangol no Crédit Suisse, para pagar a venda da participação do GES na Escom, no valor de 85 milhões de euros, através da sociedade Akoya envolvida no caso Monte Branco de fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Repetindo-me: já não estamos a falar apenas da alegada promiscuidade entre a gente do BES e os governos, nem da alegada participação nas manobras de assalto ao BCP. Com o caso da alegada evasão fiscal de Ricardo Salgado, travestida de alegado esquecimento fiscal, sem falar da pouco patriótica alegada fuga de capitais, e com o caso de alegado uso de informação privilegiada e alegado tráfico de influências por quem assessoria a compra de empresas, e com mais este caso agora a ser investigado estamos alegadamente a entrar no domínio criminal. Se esta gente fosse aquilo que alegadamente pretende mostrar que é, já teriam havido demissões e, se Portugal fosse um país sério, o BdeP já teria há muito posto em causa a alegada idoneidade profissional de vários membros da administração.

ARTIGO DEFUNTO: Um jornalista bom no género mau (2)

Uma percentagem apreciável do espaço e do zelo dos últimos números do Acção Socialista, perdão do semanário Expresso, tem sido dedicada a esgravatar a «mentira» da ministra das Finanças e as supostas acções de venda dos swaps pelo ex-secretário de estado que veio do Citi. Esta semana não é excepção. Estranhamente, em nenhum sítio se encontra qualquer referência ao desvelo com que várias instâncias do governo PS foram concedendo a esses swaps, desde os assessores económicos de Sócrates (pelo menos um deles é também assessor de Seguro), até ao ministro Teixeira dos Santos, passando pelo chefe de gabinete Luís Patrão até ao impoluto secretário de estado Costa Pina, o mesmo que fez o célebre despacho de Janeiro de 2009 sobre o qual se mantém o mais púdico silêncio.

10/08/2013

SERVIÇO PÚBLICO: O caso swap, um concurso de tiro no pé

O primeiro tiro foi no pé da ministra Maria Luís Albuquerque ao garantir que «nada constava na pasta de transição» em vez de dizer não servia para nada o que constava (a não ser pedir mais informação). Foi um convite ao PS e ao jornalismo de causas para fazerem a demonstração fácil que o nada era alguma coisa.

O segundo tiro no pé foi também da ministra ao convidar Joaquim Pais Jorge, que se enredou nas palavras e acabou a pedir a demissão, dando ao coro mais argumentos.

Bons exemplos (66) – Foram muitos os pecadores e só dois confessaram

Até hoje, que me lembre, de entre a multidão de criaturas que passaram pelos 25-governos-25 que nos desgovernaram nos últimos 39 anos e, portanto, responsáveis em doses variáveis pelo estado actual do país, só duas assumiram alguma parcela de responsabilidade por terem feito o que prometeram não fazer ou porque não fizeram o que prometeram fazer: António Guterres, primeiro-ministro do XIV governo, numa entrevista na RTP o ano passado e Miguel Frasquilho, secretário de estado do Tesouro do XV governo, numa entrevista no Económico publicada ontem, onde admitiu não ter o governo de Durão Barroso cumprido o prometido – referia-se apenas à redução de impostos.

Por isso podemos concluir, sem grande margem de erro, que qualquer dos outros mais de mil sujeitos que passaram por um ou mais desses 25 governos ou não perceberam os malefícios de que foram cúmplices ou não têm em grande consideração as vítimas desses malefícios.

09/08/2013

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (74) – A culpa está a morrer solteira, outra vez?

«A Assembleia da República contratou um perito em legislação, por 18 mil euros, para um grupo de trabalho que pretende simplificar o regime legal português. Alexandre Sousa Pinheiro foi contratado por ajuste directo.» (Negócios). Suspeito que não vai dar em nada, mas 18 mil euros por 6 meses também não é uma exorbitância para um «perito em legislação».

Por falar em perito em legislação, lembrei-me de um outro, João Pedroso, advogado, dirigente do PS, irmão de Paulo Pedroso, o ex-ministro do Trabalho de Guterres, que entre 2005 a 2007 foi contratado duas vezes para fazer o mesmo manual de direito da Educação, nunca acabado. Da segunda vez foi-lhe paga uma tença mensal de 20 mil euros, mais de 13 vezes superior à primeira. O resultado foram umas dezenas de pastas com fotocópias cujo custo total ultrapassou 300 mil euros – as fotocópias mais caras do mundo. E por falar nisso, alguém sabe em que estado se encontra o julgamento de João Pedroso e de Maria de Lurdes Rodrigues, a ex-ministra da Educação de José Sócrates que o contratou?

Dúvidas (24) - Se é assim tão grave tentar vender swaps especulativos, qual a gravidade de os ter comprado?

Se, como diz como diz o coro, Joaquim Pais Jorge, o secretário de estado do Tesouro recém-demitido, nunca deveria ter sido nomeado por, alegadamente, mas ainda não suficientemente demonstrado, ter tentado vender ao governo de José Sócrates swaps de natureza especulativa para esconder défice e dívida, o que devemos fazer aos gestores de dezenas de empresas públicas, ao secretário de estado do Tesouro Costa Pina, ao ministro das Finanças e ao primeiro-ministro de um governo responsável, como escreveu o Impertinente pela contratação «de swap especulativos nas empresas públicas, cujo duplo propósito era, como hoje se sabe, financiar as empresas pela porta das traseiras e esconder dívida pública na parte das empresas que já estavam incluídas no perímetro orçamental»?

Talvez começar por uma acção judicial por gestão danosa do interesse público.

E, se não for perguntar demasiado, devemos também responsabilizar o governo de José Sócrates por ter nomeado Joaquim Pais Jorge membro das Comissões de Negociação dos contratos das concessões rodoviárias Interior Norte, Beira interior, Algarve, Norte Litoral, Beiras Litoral e Alta, Douro Litoral e Litoral Centro, e representante da EP na Associação Mundial da Estrada? De facto, como aqui recorda o Blasfémias, essa nomeação teve lugar apesar de uns anos antes o mesmo Joaquim Pais Jorge ter alegadamente tentado vender os tais swaps ao governo de José Sócrates que recusou indignado por não ser dado a esse tipo de manobras (centenas de posts do (Im)pertinências dedicadas à engenharia orçamental de José Sócrates demonstram o contrário) e pretender diminuir o défice com «contenção da despesa pública», como aqui recorda a Visão.

SERVIÇO PÚBLICO: Cheque-ensino – uma boa intenção, mas ainda é cedo para deitar foguetes

O MEC parece estar a preparar a alteração do regime de contratualização entre o Estado e as escolas privadas, que incluirá «contratos simples de apoio às famílias» os quais, segundo o Público que teve acesso ao projecto de DL, poderão proporcionar a introdução de «cheques-ensino», uma medida no caminho para a liberdade de escolha e a concorrência entre escolas e sistemas público e privado.

A fé do (Im)pertinências nas capacidades reformadoras deste governo é bastante limitada, e por isso o optimismo a este respeito seria descabido, mas não faria sentido acolher mal uma medida desde sempre defendida pelo (Im)pertinências (ver aqui, aqui ou aqui, por exemplo) ou fazer antecipadamente a história do seu funeral.

08/08/2013

Lost in translation (182) - «Secretário de Estado foi incriminado, dizem as Finanças»

Com este título dá o Expresso a notícia que o ministério das Finanças afirma ter sido forjado o documento divulgado pela SIC onde consta o nome de Joaquim Pais Jorge com «uma alteração … introduzida deliberadamente por terceiros à proposta original do Citigroup».

Fiquei intrigado como teria o secretário de estado sido incriminado pelas Finanças se estas afirmam ser o documento com base no qual ele seria incriminado uma falsificação. Só se o secretário de estado do título é o outro secretário de estado Costa Pina que autorizou nuns casos e recomendou noutros a contratação de swaps pelas empresas públicas. Deve ser isso.

SERVIÇO PÚBLICO: E, se calhar, também há duas Espanhas em Espanha

Is Spain's Experiment About to Succeed?

Skeptics Who Doubted Austerity and Reform Could Work Should Take Notice


SERVIÇO PÚBLICO: Há dois Portugais em Portugal (2)

Continuação de (1)

Como já por aqui se escreveu várias vezes, há pelo menos dois Portugal no Portugal.

Há o Portugal dependente (e nalguns casos parasitário).

Há o Portugal que protesta contra a austeridade quando aumentam as despesas correntes primárias (5,1% no 1.º semestre deste ano) e o défice só não derrapa porque os impostos aumentaram ainda mais. Há o Portugal que chama «um roubo» à aproximação das pensões da CGA (funcionários públicos que pagaram contribuições inferior a 10% dos restantes trabalhadores e que se reformaram com 90% do último salário com 36 anos de descontos) às pensões da Segurança Social.

E há o outro Portugal.

Há o Portugal que trabalha e produz (produção industrial aumentou 2,1% em Julho), cria empregos (a população empregado aumentou de 72,4 mil, o número mais elevado desde 1998) e reduz o desemprego pela primeira vez em dois anos (para 17,4% em Junho, com menos 9 mil desempregados em Junho, sobretudo jovens). Há o Portugal que compra mais automóveis (mais 4,2% até Julho) reduzindo o crédito (4,5% nas famílias) e o malparado (famílias e empresas, 0,3% e 1,3% respectivamente).

Actualização:
A OCDE perspectiva a melhoria da economia portuguesa nos próximos seis a nove meses.

07/08/2013

ESTÓRIAS E MORAIS: A verdade, a mentira, o quarto poder e a quinta-coluna (2)

Estória

A estória já conhecida, teve hoje um epílogo provisório. Escrevo provisório porque a sanha de esgravatamento travestida de escrutínio continuará.

O que terá ficado em princípio encerrado é o capítulo Joaquim Pais Jorge que teve o segundo melhor final possível – uma demissão rápida. O melhor final possível teria sido falar a verdade sem reticências, mesmo que essa verdade fosse confirmar que tinha participado em reuniões com o governo Sócrates para lhe apresentar instrumentos financeiros para maquilhar o défice e a dívida pública. Afinal isso não teria acrescentado mais ciência à que o governo de então já dispunha, como se confirma com a profusão de contratos swap especulativos nas empresas públicas, cujo duplo propósito era, como hoje se sabe, financiar as empresas pela porta das traseiras e esconder dívida pública na parte das empresas que já estavam incluídas no perímetro orçamental.


Moral

«It is always good policy to tell the truth, unless of course you are an exceptionally good liar». (Jerome K. Jerome)

ESTÓRIAS E MORAIS: A verdade, a mentira, o quarto poder e a quinta-coluna

Estória

A estória é conhecida. Os dois governos socialistas de José Sócrates autorizaram as empresas públicas (em Janeiro de 2009 o secretário de estado do Tesouro chegou ao ponto de implicitamente recomendar num despacho a contratação de swaps para financiamento), nomeadamente de transportes, a colocar mais de uma centena de contratos swap, incluindo umas dezenas de natureza pura e absurdamente especulativa (alguns com taxas fixas de 30%) os quais teriam resultado em mais de 3 mil milhões de prejuízo.

06/08/2013

ARTIGO DEFUNTO: Um provedor de causas

Pode o país dormir descansado que, com provedores do leitor que escrevem artigos militantes como este, o fascismo não levará a melhor. É um provedor de causas que escreve como um jornalista de causas, como se fosse, por exemplo, Baptista-Bastos - o inventor do conceito jornalismo de causas. Ocorre-me fazer ao provedor militante antifascista do Diário de Notícias, Óscar Mascarenhas, a pergunta célebre de Baptista-Bastos na sua série de entrevistas para o Público «Onde é que você estava no 25 de Abril?», atrasando-a ligeiramente: «Onde é que você estava quando o Saramago saneava jornalistas por razões políticas no Diário de Notícias

Só nós dois é que sabemos...

«O que o meu filho sofreu de Setembro do ano passado até agora, só eu e ele é que sabemos», confessou a Dr.ª Maria Helena Sacadura Cabral ao Económico. Diferentemente desta Mãe, o sofrimento dos portugueses com as performances do Dr. Paulo Portas no governo e fora dele, é do conhecimento geral.

Só nós dois é que sabemos
Pela minha parte, tenho de confessar, ao ler a entrevista, recordei uma velha anedota dos tempos do juramento de bandeira no final da instrução para a guerra colonial. Tratava-se de uma mãe que assistia ao desfile nessa cerimónia e, olhando desvanecida para o seu rebento que não acertava um só passo com os outros recrutas, comentava para quem a queria ouvir: «Vejam. Estão todos com o passo errado. Só o meu filho tem o passo certo».

Ressabiados do regime (6) – Porque lhes dão atenção e tempo de antena?

António Capucho continua a sua saga hipercrítica da governação. Desta vez, também não disse nada que os solistas seus colegas não tenham já dito, acompanhados pelo coro dos comentadores do regime. Defendeu perante a TSF, citado pelo Económico, que a equipa das Finanças deveria ser toda substituída a começar pela ministra e a continuar no secretário de estado do Tesouro que veio do Citi.

Em tese, não deixo de lhe dar alguma razão, sobretudo se o paradigma da governação em Portugal fosse outro diferente do que tem sido – incluindo os dois governos (VIII e IX) em que Capucho participou. Reconhecido isto, é para mim surpreendente que o hipercriticismo de Capucho tenha ficado desligado tantos anos, incluindo os 6 anos de governo de José Sócrates em que se preparou afincadamente a bancarrota, sem que ele se dignasse partilhar connosco o seu preclaro pensamento.

É ainda mais surpreendente que a criatura, inteligente e ilustrada como parece ser, não perceba que os mídia só lhe dão alguma atenção porque ele repete a lengalenga dos outros ressabiados que, por sua vez, repetem a lengalenga do discurso oficial oposicionista. Experimente ele sair desse cânone e verá que os mídia estarão nas tintas para as suas opiniões. Experimente, por exemplo, apontar o dedo à gestão danosa da equipa de Teixeira dos Santos, por exemplo no caso dos contratos swap, e logo verá que os microfones o evitarão como se tivesse infectado pelo vírus da gripe das aves.

05/08/2013

DIÁRIO DE BORDO: Dedicado aos Claptonmaníacos…

… e a quem em geral gosta de blues e, por essa e outras razões, não deveria perder o CD/DVD gravado ao vivo da performance «Play the Blues» (*) de Marsalis-Clapton, com a participação de Taj Mahal e acompanhados pelos músicos esplêndidos do grupo Marsalis, no Lincoln Center entre 7 e 9 de Abril de 2011. Foram avisados - não se queixem.


(*) Recomendado para a descontaminação de meninges infectadas pelos swaps socialistas.

Dúvidas (23) – Será que o jornalismo de causas ouviu as minhas outras dúvidas? (2)

Parece que as minhas dúvidas (aqui e aqui) foram escutadas mais uma vez. Desta vez alguém fez uma pergunta ao secretário de estado dos Transportes, ao que este, respondendo, aproveitou para informar que «havia contratos swap com juros implícitos de 30%.» Não será preciso um especialista em swap para perceber que com as taxas correntes nos últimos 5 anos converter uma taxa indexada, mesmo com um spread alto, numa taxa fixa de 30% significa embolsar pipas de massa nos primeiros anos para a seguir pagar pipas ainda maiores.

Evidentemente que a revelação destes actos de gestão danosa não impede que em nome dos seus autores se reincida até à exaustão na lengalenga dos emails e da spreadsheet enviados a Maria Luís Albuquerque. Pelo contrário, a contra-informação, servida pelo jornalismo de causas, irá redobrar de esforços para camuflar esses actos recorrendo ao spread shit.

Ocorre-me o exemplo de alguém que tendo esfaqueado uma criatura, abandonando-a a sangrar num beco, quando ela é encontrada pela polícia queixa-se que levaram muito tempo a chamar a ambulância e, por isso, ele não tem nada a ver com o caso e fica com o cadastro limpo.

Pode o benefício da dúvida evoluir para o prejuízo da certeza? (6)

[Continuação de (1), (2), (3), (4) e (5)]

Para poupar no latim, não vou escrever sobre Rui Machete e o caso SLN-BPN o que já escrevi sobre Cavaco Silva no mesmo caso em episódios anteriores deste post porque mutatis mutandis a estória é mais ou menos a mesma. O mutandis são menos acções e uma maior mais-valia. Vou apenas recordar que em Março de 2001, no mesmo ano em que Rui Machete e Cavaco Silva compravam a 1 euro acções oferecidas por Oliveira e Costa, já Camilo Lourenço alertava na Exame para o descarrilamento que se preparava no BPN.

É ilegal comprar a uma criatura, antes de ser presa, acções a 1 euro e 4 ou 5 anos depois, ainda antes de ser presa, vendê-las à mesma criatura a 2,5 euros quando se acredita que se trata de um negócio impoluto e de uma empresa à prova de escrutínio? Não é. Apenas não me parece que os portugueses devam confiar a governação do país a quem em adulto acredita no Pai Natal.

04/08/2013

Razão tinha o Tó Zé…

… em não aceitar o corte de 4,7 mil milhões. Ele já sabia que a solução estava na Judite.
«Cocaína apreendida desde 2000 vale 4,5 mil milhões de euros  ... equivale ao total de cortes que o Governo anunciou no Estado.» (Expresso)

CASE STUDY: Sondagens de causas

Sondagem nos dias 27, 28 e 29 de julho do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião
da Universidade Católica Portuguesa, com 1096 inquéritos válidos.


Sondagem nos dias 25 a 31 de julho de 2013 da Eurosondagem (*),
com 1020 entrevistas válidas para telefones da rede fixa

(*) Uma empresa de Rui Oliveira e Costa, dirigente do PS e comentador desportivo

Dúvidas (22) – Será que o jornalismo de causas ouviu as minhas outras dúvidas?

Interroguei-me na passada 6.ª feira sobre o zelo selectivo do jornalismo de causas e em particular porque ainda não tinha desenterrado as datas dos contratos swap de natureza especulativa e os nomes dos seus signatários, dos administradores das empresas que os contrataram e dos secretários de estado e dos ministros que os tutelavam na época.

Concedo que, entretanto, alguns jornais, incluindo o Expresso, noticiaram que Carlos Costa Pina, o secretário de estado do Tesouro de Teixeira dos Santos, e recém-indignado com as «mentiras» de Maria Luís Albuquerque, autorizou em Abril de 2006 um swap da EGREP, considerado o mais especulativo, prevendo um spread condicional de 4% se as taxas euro a 10 anos fossem inferiores às taxas a 2 anos. Puro jogo.

Exorto os militantes do jornalismo de causas, na clandestinidade até este governo tomar posse, a continuar a desenterrar os factos relacionados com os contratos swap e, em particular, a publicaram integralmente o despacho de Janeiro de 2009 do mesmo Costa Pina recomendando às empresas públicas a contratação de «instrumentos de gestão de cobertura de risco em função das condições de mercado».

03/08/2013

BREIQUINGUE NIUZ: Os portugueses já não vão em conversa fiada ou o PS precisa de mudar de líder

Não vejo outra explicação para, depois de dois anos a prometer aos portugueses que os amanhãs cantarão de novo quando chegar ao poder, o PS ter apenas mais 3% de intenções de voto do que um PSD que anda também há dois anos a infligir austeridade e sofrimento aos portugueses.

Que um CDS esteja reduzido com 3% de intenções de voto ao partido da lambreta não carece de explicação. Também se percebe sem dificuldade que o Partido Comunista e os travestis Verdes somados com o BE tenham quase um quinto das intenções de voto – que outra coisa se poderia esperar depois de séculos de colectivismo? Exagero meu? Repare-se que, com excepção dos partidos travesti Verdes e Bloco de Esquerda, todos os outros têm no nome comunismo, socialismo ou social e todos querem um Estado a que chamam Social.

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (6) - Faltava mas já não falta

O PSD defende as «liberdades do 25 de Abril» (o que o CDS - ou será o PP? – defende deixou de interessar quando passou de partido do táxi para partido da scooter), o Partido Socialista defende o «espírito do 25 de Abril», O Partido Comunista defende as «conquistas do 25 de Abril», o BE defende o «verdadeiro 25 de Abril». Faltava um partido para defender um «novo 25 de Abril». Já não falta. O Movimento Alternativa Socialista (MAS), constituído a partir da destilação do BE, acaba de ser reconhecido pelo Tribunal Constitucional como partido.

Conversa fiada (11) – Os empresários valorizam mais manter a taxa de IRC, dizem os fiscalistas

Segundo o Expresso, a «taxa do IRC não é o mais importante. Fiscalistas defendem que os empresários valorizam, sobretudo, a garantia de estabilidade legislativa indispensável para a segurança dos investimentos

Pergunta-se: será que os fiscalistas entendem que os empresários preferiam manter, durante por exemplo uma geração, a taxa de IRC genérica de 25% adicionada das derramas municipal e estadual que pode chegar a 31,5%? Se é assim, façam-lhes a vontade.

02/08/2013

Curtas e grossas (12) - As frases da semana

«A troika é uma tripulação intercalar que procura salvar o barco após formidáveis rombos socratinos
Miguel Cadilhe

«Durante os próximos 20-30 anos vamos ter austeridade. Os tempos da bagunça não voltam
Silva Lopes, que teve recentemente uma epifania, depois de ter louvado as manifs e culpado Merkel pelas nossas desgraças

Mitos (122) - Racistas inesperados (3)

«We're going to do for blacks exactly what blacks did for the revolution. By which I mean: nothing.»

«The Negro is indolent and lazy, and spends his money on frivolities, whereas the European is forward-looking, organized and intelligent.»

«Mexicans are a band of illiterate Indians.»

«Given the prevailing lack of discipline, it would have been impossible to use Congolese machine-gunners to defend the base from air attack: they did not know how to handle their weapons and did not want to learn».

Ernesto «Che» Guevara

Dúvidas (21) – De que depende o zelo do jornalismo de causas?

Se todos os dias o jornalismo de causas (com a prestimosa colaboração da Lusa) desenterra mais um email a informar ou alertar Maria Luís Albuquerque dos perigos imensos dos contratos swap subscritos pelas empresas públicas, como mais este email, porque não desenterra o jornalismo de causas (com a prestimosa colaboração da Lusa)?
  • As datas dos contratos swap de natureza especulativa e os nomes dos seus signatários, dos administradores das empresas que os contrataram e dos secretários de estado e dos ministros que os tutelavam na época;
  • O esquecido despacho de Janeiro de 2009, onde o secretário de estado do Tesouro Carlos Costa Pina, sugere às empresas públicas a contratação de «instrumentos de gestão de cobertura de risco em função das condições de mercado», leia-se swaps, numa altura em que não havia nem dinheiro do governo nem crédito e, portanto, os swaps que se sugeriam fossem contratados nunca teriam como finalidade proteger o risco das taxas de juros de empréstimos que não seria possível obter (ouvir esta entrevista a Cantiga Esteves a partir do minuto 9).

01/08/2013

ESTADO DE SÍTIO: O estado de decomposição da justiça do regime

As hipotéticas dúvidas sobre o estado de decomposição da justiça do regime, com sindicatos e greves de magistrados, gestão mediática do segredo de justiça, juízes com o avental das maçonarias, ligações promíscuas entre magistrados e partidos, e last but not least montanhas de processos, ficariam removidas ao saber-se que o Tribunal da Relação do Porto produziu um acórdão anulando o despedimento de um empregado da recolha do lixo por se ter detectado após um acidente ter uma taxa de alcoolémia de 2,3 g/l – quase 5 vezes o limite legal – com o seguinte fundamento:
«Note-se que, com álcool, o trabalhador pode esquecer as agruras da vida e empenhar-se muito mais a lançar frigoríficos sobre camiões, e por isso, na alegria da imensa diversidade da vida, o público servido até pode achar que aquele trabalhador alegre é muito produtivo e um excelente e rápido removedor de electrodomésticos».
Para memória futura, segundo o Público, o acórdão é da responsabilidade dos desembargadores Eduardo Petersen Silva, Frias Rodrigues e Paula Ferreira Roberto.

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (73) – Um navio de loucos, habitado pelos restos furiosos do socratismo

«O acordo de salvação nacional que o Presidente da República desejava não se concretizou, é verdade, mas concretizou-se algo muito importante: a demonstração de que o Partido Socialista, que levou o país à bancarrota, continua um navio de loucos, habitado pelos restos furiosos do socratismo, tomado pelos delírios juvenis de Mário Soares, e desgovernado pela quilométrica incompetência de Seguro, o homem que quer a troika mas não a austeridade

A troika e a "troica"”, João Miguel Tavares, Público