Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

30/09/2012

Mitos (84) – Take Another Plane ou Take Another Plan?

Segundo a mitologia oficial, a TAP era uma companhia valiosíssima, cobiçada por todo o mundo. Será valiosa pelo menos para a corporação dos seus pilotos, em particular, e do seu pessoal em geral. E também para os sujeitos passivos que têm financiado os 358 milhões de prejuízos acumulados (77 milhões só em 2011) e o passivo de 2,3 mil milhões, 1,17 vezes o valor do activo.

Como sempre, a realidade com as suas inevitabilidades que desesperam os grandes pensadores do regime, impõe-se aos mitos. Até ver há um único candidato elegível para comprar a TAP: Gérman Efromovich, dono da Avianca, uma companhia colombiana que já teve narcotraficantes como accionistas, um empresário com muito passado, algum presente e ninguém sabe se com futuro.

O camaleão do regime

Já por várias vezes, por exemplo aqui, mostrei a minha admiração pela surpreendente capacidade do CDS de produzir socialistas eméritos como Freitas do Amaral, Basílio Horta e, mais recentemente e menos emeritamente, Assunção Cristas. Socialistas e proto socialistas, como o professor Adriano Moreira, que é o caso de que agora me ocupo. Talvez não seja surpreendente, porque o «S» de «Social» está lá a avisar desde a fundação.

Contudo, o caso de Adriano Moreira é talvez o mais espantoso em termos camaleónicos. Tão espantoso que ainda mais me espanto por isso, espantosamente, não parecer espantar ninguém. Até agora.

No sábado, o Comendador Marques de Correia na sua rubrica «Ditosos filhos que tal pátria têm» na Gente do Expresso, releva a carreira de Adriano Moreira começada na oposição democrática ao salazarismo, continuada como secretário de Estado e ministro do Ultramar do regime, ao qual se supunha opor-se e ao serviço do qual abriu o campo de trabalho do Chão Bom em Angola (*). Do ministério do Ultramar transitou para a Escola Superior Colonial, como se chamava então o ISCSPU, agora ISCSP e emergiu no pós 25 de Abril como um dos ideólogos e líder do CDS. Actualmente, como se tem visto, pouco se distingue de Freitas do Amaral no seu percurso a caminho do socialismo, apenas interrompido aqui e ali por um refluxo explicado por alguma beliscadura ao seu inflado ego.

(*) E não o campo do Tarrafal em Cabo Verde, como erradamente refere o Comendador quando cita a portaria 18.539 de 17-06-1961, assinada pelo então ministro do Ultramar Adriano José Alves Moreira. Quem reabriu o Tarrafal foi o ministro Silva Cunha em 1965 pela Portaria n.º 21217 de 10-04-1965.

29/09/2012

ESTADO DE SÍTIO: Colocando «o Terreiro do Paço a abarrotar» em perspectiva

Dando por boa a média das estimativas surpreendentemente mais realistas que o Expresso pela primeira vez fez da capacidade do Terreiro do Paço, e supondo que «abarrotava» com os espontâneos que vieram em excursões de autocarro, a manif da CGTP teria tido umas 90 mil pessoas, provavelmente menos. Isso significa que, com ajuda unânime do jornalismo de causas, dos indignados, com centenas de autocarros espontâneos, a CGTP terá conseguido mobilizar 1 em cada 100 dos eleitores inscritos, 1,6 em cada 100 votantes nas últimas eleições, 3 em cada 100 eleitores da oposição ou 11 em cada 100 dos seus próprios eleitores.

É pouco? É muito? Depende. Durante o PREC, estimo que um número semelhante de activistas da esquerdalhada que se dividiam de manif em manif conseguiram manter o país em estado de excitação permanente durante o chamado verão quente de 1975, com os resultados conhecidos.

DIÁRIO DE BORDO: Cabelos brancos

Miral Amaral, ex-ministro de Cavaco Silva, «achava que o governo precisava de um tipo com cabelos brancos». Eu não estou tão certo disso. Não foram os gajos que hoje têm os cabelos brancos que nos trouxeram até aqui?

Cabelo branco é saudade / Da mocidade perdida / Ás vezes não é da idade / São os desgostos da vida.

Lost in translation (157) - Vender ilusões, vendo, mas sempre diferentes, quis ele dizer

Em Novembro do ano passado, António José Seguro disse «pelas contas do PS, há uma folga muito importante suficiente para cobrir quase na totalidade um dos subsídios de férias ou de natal, incluindo também os pensionistas

Em Março deste ano a folga parece ter-se evaporado e o homem já estava surpreendido pela «subida da despesa». A partir daí começa a queixar-se da derrapagem do orçamento.

Em Setembro, esquecida  a folga, diz que vota contra orçamento mas respeitará o compromisso com a troika. Mas também diz que «É preciso adaptar o memorando à realidade».

Depois do susto de lhe poder cair o poder no colo, termina o mês com «os próximos tempos serão de dificuldades» e «eu não vendo ilusões».

Mitos (83) – O contrário do dogma do aquecimento global (II)

(Continuação daqui)

LEMA: O contrário do dogma do aquecimento global não é o dogma do não aquecimento global. É a dúvida sistemática sobre a evolução do clima e os factores que a condicionam.

Pode ser o aquecimento global, pode ser o arrefecimento global, pode ser o ciclo das manchas solares, podem alterações do campo magnético, pode ser uma alteração do eixo terrestre, pode ser qualquer coisa induzida pelas actividades humanas ou não. As explicações variam consoante a ciência de causas em causa. O certo é que no dia 16 de Setembro a superfície gelada do Ártico não passava de 3,4 milhões de Km2, pouco mais de 1/5 do mínimo anterior em 2007.


Fonte: Economist, Sep 22

28/09/2012

Soares é cada vez mais um passivo para o PS (2)

(Continuação daqui)

Depois de semanas apelar à demissão, quando percebeu que o governo poderia mesmo cair no colo de um PS que nem ele acredita que desse conta do recado, Soares faz uma reviravolta e considera que a queda do Governo «podia ser grave porque a troika ainda deve algumas coisas de dinheiro que vai pagar…é melhor que não caia por enquanto

É esta criatura, a quem chamam «pai da democracia», que achava de si mesmo que o país o iria considerar um herói depois de fazer em 1984 o que agora condena? Que diz dos credores benevolentes, que emprestam dinheiro a um país que o seu partido (ajudado pelo PSD) tornou inadimplente, ainda deverem algumas coisas de dinheiro? Qual é a diferença para um troca-tintas cujas ideias flutuam ao sabor das suas conveniências?

CONCLUSÃO: Os cidadãos deste país não devem ter memória curta e deixar branquear as responsabilidades destas elites merdosas que nos têm desgovernado e pretendem ressuscitar purificadas das suas asneiras, incompetências e cobardias.

Lost in translation (156) – Devíamos chapar isso na cara dos articulistas, ponto

«O défice orçamental, sem medidas extraordinárias, em 2009 e 2010 foi praticamente igual 17 mil milhões de euros, o que representou 10,2% do PIB num ano e 9,8% no outro. Em 2012, aquilo que se estima, sem medidas extraordinárias é um défice de 10 mil milhões de euros, 6,1% do PIB. Desde 2010 até 2012, o défice, sem medidas extraordinárias, reduz quase sete mil milhões de euros em dois anos, o que são quase 3,7 pontos percentuais de PIB e, a primeira coisa que temos de assumir é que é um resultado muito bom em qualquer parte do mundo» disse Fernando Ulrich ontem na conferência da Exame,  eu concordo.

Não sei se concordo com Fernando Ulrich quando acrescenta «temos de nos orgulhar disto e usar isto como bandeira e chapar na cara desses articulistas do ‘Financial Times’ e outros que tais». A não ser que ele esqueça os articulistas do FT que raramente se lembram que nós existimos e deixe ficar os «outros que tais», ou seja o bando de jornalistas de causas que por aí escrevem sobre o que não sabem ou sobre o que lhes mandam.

O mesmo bando que durante mais de uma década em que a economia estagnou, os défices externos e do orçamento aumentaram sucessivamente e a dívida pública e privada se tornou pletórica, cantou os amanhãs radiosos, celebrou o «investimento» público e silenciou o caminho para a insolvência que percorremos.

Pro memoria (66) – «Quando Mário Soares defendia o plano do FMI»

Há dois meses na Sábado, o jornalista Vítor Matos fez uma retrospectiva da intervenção do FMI em 1983 pela mão de Mário Soares. Se os portugueses tivessem memória e os políticos vergonha, teríamos os mesmos problemas? Talvez, mas não seria a mesma coisa.

«Em Agosto de 1983, o Governo do Bloco Central PS-PSD, assinou um memorando de entendimento com o Fundo Monetário Internacional. Os impostos subiram, os preços dispararam, a moeda desvalorizou, o crédito acabou, o desemprego e os salários em atraso tornaram-se numa chaga social e havia bolsas de fome por todo o país. O primeiro-ministro era Mário Soares. Veja como o homem que hoje quer rasgar o acordo com a troika defendia os sacrifícios pedidos aos portugueses.

27/09/2012

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O cartel da 3.ª República

«Nesta altura é óbvio que o PS e o PSD-CDS são incapazes de dar volta à crise. Um interessante artigo no El Pais da semana passada explicava porquê. O ponto central é que temos uma classe política dita predatória, isto é, uma classe política que utiliza o Estado para maximizar as suas rendas privadas sem grande prestação de contas e com bastante impunidade. Um Estado pensado, desenhado e estruturado ao serviço dos interesses pessoais dos políticos. Como aconteceu? Para evitar a instabilidade e a crise institucional da 1.ª República, a democracia instalou um oligopólio político completamente fechado que opera em cartel, equilibrando os interesses instalados dos vários lóbis. Sem uma verdadeira contestação externa e operando em circuito fechado, mas com o dinheiro fácil dos fundos europeus e do crédito barato, o oligopólio corrompeu-se. O Estado social deu lugar ao Estado dos interesses e das rendas. O problema é que, para sair da crise, o Estado dos interesses e das rendas tem que ser parcialmente, ou mesmo totalmente, desmantelado. Desmantelar esse Estado é negar a essência da própria classe política predatória. Consequentemente não pode haver solução para a crise económica e financeira sem uma ampla reforma do sistema político. Desse ponto de vista, o completo e absoluto silêncio dos três principais partidos sobre o tema não surpreende

«Entender a crise política que evidentemente não pode ter fim», Nuno Garoupa no negócios online

O SNS poderá falecer dos cuidados intensivos (2)

(Continuação daqui)

Como se sabe, as recentes greves de médicos promovidas pelo bastonário-sindicalista tinham por fim defender o SNS, a exemplo, aliás, das greves dos professores que visam defender o ensino. Também se sabe que apesar dos 10% de estrangeiros a exercer medicina em Portugal, o bastonário acha que «dentro de pouco teremos 600 (médicos) a mais (os quais) … são prejudiciais para os doentes».

Talvez devido aos médicos a mais que o bastonário-sindicalista descobriu, «os hospitais públicos têm 164 vagas para recém-especialistas que nenhum médico quer. E os centros de saúde não conseguem preencher 110 lugares, por não haver no mercado médicos de família e de saúde pública, em início da carreira, para contratar. Ao todo, são 274 lugares que ficaram vazios no primeiro concurso aberto este ano para os quadros do Serviço Nacional de Saúde». (Expresso)

Em alternativa, temos a explicação do Expresso: «quase todos estes lugares são em unidades de saúde fora dos grandes centros urbanos, sobretudo no Alentejo e no Algarve. Aceitá-los obriga a estar longe de casa e sem nenhum aumento de salário, pois a remuneração para os recém-especialistas (destinatários do concurso) estão 'tabelados' em todo o SNS

A referida explicação tem o pequeno inconveniente de pressupor que os médicos se estão nas tintas para a defesa do SNS e o que querem mesmo é tratar das suas vidinhas o melhor possível, como toda a gente quer. Mas então as políticas de pessoal do ministério da Saúde só ganhariam em ter isso em consideração e promover a concorrência entre os médicos. Para tal daria muito jeito acabar com a limitação da oferta de vagas nas faculdades de medicina promovida pelo lóbi deste e dos outros bastonários-sindicalistas que o antecederam, práticas que levaram 1.300 estudantes portugueses a estudar medicina no estrangeiro.

DIÁRIO DE BORDO: Lagartixas namorando no meu calhau

Lagartixa ibérica (Podarcis hispanica)

26/09/2012

Mais uma investigação ao polvo socialista que não vai dar em nada

«A Polícia Judiciária esteve em casa de Mário Lino, António Mendonça e Paulo Campos a propósito de uma investigação no âmbito de um inquérito crime às Parcerias Público Privadas.» (Expresso)

Já passaram vários anos, mais alguns para tomar conta da ocorrência, outros tantos para investigar. Quando a coisa chegar aos tribunais, se chegar, estará na altura de prescrever.

O jornalismo de causas doméstico é mais estúpido e preguiçoso do que a média e não tem sentido de humor

Mitt Romney, durante uma sessão de recolha de fundos, a propósito de um incidente com um avião em que viajava a mulher, disse uma piada sobre as janelas dos aviões que não se podiam abrir para arejar. Toda a gente presente percebeu que era uma piada e se riu. A própria imprensa americana hostil ao candidato republicano também percebeu e não ligou ao assunto.

A nossa imprensa babou-se com a oportunidade de mostrar a suposta ignorância e estupidez de Romney, que por acaso tem jacto privado, é Juris Doctor e MBA por Harvard, homem de negócio com imenso sucesso, com um currículo político que inclui governador do Estado de Massachusetts e CEO dos jogos olímpicos de inverno de 2002 que salvou de um fracasso quase certo.

Só para citar um caso paradigmático, o esquerda.net em papel Público, deu-se ao trabalho de falar com uma professora de Física do IST para explicar porque não se podem abrir as janelas dos aviões e publicar um vídeo com um episódio da série The Twilight Zone. Foram precisas 8 horas para perceber a piada e publicar uma rectificação (não assinada, note-se).

SERVIÇO PÚBLICO: Podia ser muito pior (3)

[(1) e (2)]

A execução orçamental continuou a deteriorar-se com o agravamento do défice de 2.787 em Julho para 3.501 milhões em Agosto, pelas seguintes razões principais:
  • Do lado da receita uma queda em relação a 2011 dos impostos indirectos (essencialmente IVA) e das contribuições para a SS de cerca de 1.406 milhões no conjunto;
  • Do lado da despesa, apesar da melhoria do saldo primário que passou de -1.588 em 2011 para +767 milhões este ano, mesmo com o  aumento das transferências para a SS de 556 milhões, o saldo global agravou-se em relação a Julho, devido ao efeito conjunto do aumento de 677 milhões dos juros e da queda das receitas. Positiva, apesar de tudo, a redução do saldo global em 1.677 milhões em relação a 2011.

25/09/2012

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Explicações ao jornalismo de causas

Explicação imperdível de JCD no Blasfémias a um jornalista que faz comentário económico de algumas coisas sobre dívida pública que ele deveria saber.

O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: O La Fontaine dos alemães não é o mesmo dos portugueses

A propósito das reacções de alguns profissionais da indignação à referência às cigarras e formigas, feita pelo ministro da Administração Interna, e independentemente da hermenêutica em curso pelos patetas especialistas nessa ciência, venho lembrar que tais insectos existem em todo o lado mas com diferentes consequências e aproveito a oportunidade para republicar a versão actualizada da fábula.


A CIGARRA E A FORMIGA

Versão alemã

A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada.
A cigarra está cheia de frio, não tem casa nem comida e morre de fome.

Fim

24/09/2012

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (11)

[Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9) e (10)]

Fonte: Boletim Estatístico do BdP Set-2012

Tanto barulho para quase nada

Qual o efeito das alterações da TSU (aumento da taxa dos empregados de 11% para 18% e redução da dos empregadores de 23,75% para 18%)?

Segundo o governo serão criados 50 mil empregos. Segundo o estudo «Emprego e TSU: O impacto no emprego das alterações nas contribuições dos trabalhadores e das empresas» de Luís Aguiar-Conraria e outros economistas das universidades de Coimbra e do Minho, serão na melhor hipótese criados mil empregos e na pior perdidos 68 mil.

Não conheço o estudo do governo. Do outro estudo só fiz uma leitura superficial e, não sendo uma matéria familiar, só posso dizer que algumas das premissas me parecem pouco aderentes à realidade do mercado de trabalho em Portugal.

O que se pode concluir da disparidade das estimativas, para além do óbvio de dependerem das respectivas premissas? Quando se tem em conta os 4,7 milhões da população empregada no final de Junho, a disparidade é pouco significativa e as estimativas de criar 50 mil ou perder 68 mil empregos caiem no intervalo relativamente apertado [-1,45%, +1,06%].

Nesta altura, não resisto a citar o outro contribuinte do (Im)pertinências: «durante os 6 anos de «crescimento», nome com que o PS costuma designar a folia do endividamento, perderam-se 229,8 mil empregos em vez dos 150 mil prometidos recuperar só no 1.º governo». E a concluir que, face a este intervalo com amplitude de 370 mil empregos, o outro com 118 mil são amendoins. Tanto barulho para quase nada.

23/09/2012

DIÁRIO DE BORDO: Mãos desajeitadas mexendo numa bomba-relógio

Um dia tinha que acontecer e é de louvar a coragem de um que fala aberta e publicamente em nome das centenas de milhar que em surdina se lamentam.

Refiro-me à peça «Segurança social, o massacre» no Expresso em que Henrique Raposo defende a causa dos jovens que com as suas contribuições para a segurança social pagam «os excessos da geração de Maio de 68, essa brigada angelical que, de manhã grita, “ai, ai, o FMI” para depois andar; à noite, no El Corte Inglés a gastar o seu dinheirinho garantido pelo tal FMI». Jovens que segundo Raposo pensam «somos os explorados: com a nossa precariedade, a segurança laboral dos mais velhos, alimentamos um sistema de segurança social que, daqui a 30 anos, não vai ter dinheiro para as nossas reformas e … ainda temos que criar os nossos filhos

ARTIGO DEFUNTO: A agenda escondida do governo, segundo Miguel Sousa Tavares

«Há quase um ano que o venho escrevendo aqui: o programa económico deste Governo não se limita a tentar endireitar as contas públicas à custa de sacrifícios cuja insensibilidade e ineficácia são de bradar aos céus. Há também uma agenda escondida, que envolve uma vingança sobre a história, uma desforra de classe, quase uma alteração dos valores cívicos em que a Europa se funda.

 …

Porém, o objectivo de Passos Coelho e do seu quinteto de terroristas económicos (Gaspar, Moedas, António Borges, Braga de Macedo e Ferraz da Costa) é outro bem diferente: eles querem mudar o paradigma económico, mesmo que para tal tenham de destruir o país, como, aliás, estão a fazer. Fiel aos ensinamentos dos seus profetas americanos, esta extrema-direita económica que nos caiu em cima acredita que o Estado deve deixar de gastar recursos com quem não garante retomo e concentrar-se apenas em apoiar, ajudar, estimular e dar livre freio aos poucos negócios escolhidos que, assim, não poderão deixar de prosperar

A Grande Conspiração, Miguel Sousa Tavares no Expresso

Este folhetim de MST seria suficiente para diagnosticar-lhe paranoia andropáusica, não fora o caso de MST em 6 anos de governação socrática corrupta no caminho para a insolvência nunca ter tido um estado de alma a esse propósito.

22/09/2012

A troika berloquista contra a outra troika

O casal Catarina Martins e João Semedo da troika do Bloco de Esquerda, troika constituída pelo casal e o Padrinho Louçã, vai apresentar à próxima convenção a moção "A esquerda contra a dívida" que institui como prioridade o combate à outra troika (fonte: esquerda.net em papel).

Se houvesse dúvidas, poderíamos concluir que o tele-evangelista se reforma deixando bem entregue a central de fracturas com os seus equívocos habituais, a começar pela solução da liderança pelo casal, apresentada como a solução do século XXI, copiada do casal Aires Rodrigues e Carmelinda Pereira, militantes trotskistas (primos afastados dos trotskistas louçânicos) que em 1976 fundaram e desde então têm liderado o Partido Operário de Unidade Socialista (POUS).

Equívocos a que poderemos acrescentar o seu posicionamento contra a dívida que tem pelo menos oito anos de atraso, quando a dívida pública portuguesa ultrapassou em 2004 o limite de 60% (ó filhos, eu sei que a luta deles não é essa, estou só a ironizar). Ou a sua luta prioritária contra a outra troika que, a ter sucesso, cortaria o único financiamento externo de que dispomos e disporemos nos próximos anos e deixaria o Estado tão venerado por aquelas criaturas sem um cêntimo para pagar os salários dos funcionários públicos, condenando assim à fome a maioria dos militantes e simpatizantes berloquistas.

NÓS VISTOS POR ELES: A Grécia aqui tão perto

«In two short weeks Portugal has gone from being a model pupil, praised in Brussels and Frankfurt for steadfastly pressing ahead with a reform programme tied to a €78 billion ($101 billion) bail-out to a cautionary example of the dangers facing governments which attempt to push austerity beyond the tolerance of long-suffering voters.

In the 15 minutes that Mr Passos Coelho took to announce his scheme on television earlier this month, he performed the remarkable feat of uniting not only the opposition parties against his “intolerable” plan, but also trade unionists, big business and economists

The tipping point», Economist, Sep 22]

«"Portugal is sailing dangerously close to the wind," said Nicholas Spiro, managing director at Spiro Sovereign Strategy in London.

So far, Mr. Spiro said, Portugal's adherence to the bailout program has made investors confident that the country can avoid the path of Greece, which is struggling under a second international aid package after failing to emerge from a first.

"A political crisis could be the trigger of a reassessment of the credibility Portugal has achieved," Mr. Spiro said.»

Pension Uproar Sours Portugal's Recovery», Wall Street Journal, Sep 21]

21/09/2012

Soares é cada vez mais um passivo para o PS

A demonstração irrefutável de que Mário Soares é um caso de esquerdismo irremediavelmente senil, e um passivo para o seu partido, é a sua tese de que o governo deve ser substituído imediatamente, de uma forma ou de outra. «As pessoas todas (estão) a chamar gatunos aos membros do Governo … e o povo é quem mais ordena» e por isso o governo deve ir embora, diz.

Da demissão do governo PSD-CDS resultaria o envolvimento na governação do PS, de uma forma ou de outra, numa fase em que o seu desgaste inevitável seria enorme e ainda maior do que o do PSD, dada a proximidade da débacle socrática. Que Soares defenda essa solução por patriotismo é duvidoso por duas razões: Soares nunca mostrou ser um patriota e o PS no governo não poderia fazer muito diferente do que fazem o PSD-CDS.

Por isso, tal estratégica é um disparate para o PS, para dizer o mínimo, e a sua defesa incompreensível por parte de um político experimentadíssimo e habitualmente maquiavélico. «Claro que o governo tem condições para continuar», diz Almeida Santos, mostrando muito mais lucidez, e querendo dizer deixa-os lá a torrar que nós temos tempo.

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (10)

[Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8) e (9)]

Bloomberg
Economist


Também nos mercados de capitais tem sido o princípio do princípio, como se vê nos dois diagramas. Porém, nada está garantido e uma combinação do inevitável ajustamento dos mercados ao excesso de expectativas quanto ao ESM, ao OMT e aos discursos de Draghi, a nível europeu, por um lado, e ao neo-PREC e à deriva do governo, a nível doméstico, por outro, pode empurrar-nos de volta à estaca zero.

20/09/2012

Curtas e grossas (10)


«O desvario em que o país mergulhou nada tem que ver com a comunicação desastrada de medidas. Nem sequer com a composição dessas medidas. A gritaria apareceu por uma única razão: toda a gente quer Estado mas ninguém o quer pagar.»

«Deixem-me tentar resolver os problemas do país com um post» em O Insurgente

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Da falta de fundamento para discriminar os homossexuais

Secção Assault of thoughts

Rupert Everett, um conhecido actor inglês assumidamente gay, declarou não conseguir «pensar em nada pior do que ser educado por dois pais gays», secundado pela sua mãe que acredita que «uma criança precisa de uma mãe e um pai». Do ponto de vista da lógica aristotélica, isto demonstra que nem todos os gays são pedófilos ou manipuladores sem escrúpulos, e portanto demonstra a falta de fundamento para discriminar os homossexuais, enquanto tais e nessa condição.

É com o maior gosto que atribuo a Rupert Everett 5 afonsos pela frontalidade da sua declaração e pela coragem de enfrentar o lóbi dos gays empenhados em assegurar sua propagação através da doutrinação de crianças e jovens.

19/09/2012

Só nos faltava esta - de volta ao estado confessional e ao PREC

Por um lado, o bispo aposentado de Setúbal quer um governo de iniciativa presidencial (onde é que eu já ouvi isto?) e junta a sua à voz do outro bispo, não sei se aposentado, das forças armadas, o tal que acusa o primeiro-ministro de «vilania», «insensibilidade» e «insensatez».

Por outro, é a Associação dos Praças que «repudia veementemente estas políticas que estão a ser seguidas pois contradizem tudo o que jurámos defender, se necessário com o sacrifício da própria vida!» e exorta o primeiro-ministro a demitir-se e a emigrar.

É certo que o general Garcia dos Santos nos tenta tranquilizar dizendo que «não estamos na altura [para que] as forças armadas tomem uma posição fora daquilo que é o seu estatuto [considerando que] não pode haver neste momento outro 25 de Abril». Se o general nos tenta tranquilizar, não será porque deveríamos estar intranquilos, ao sabermos que os tropas que fugiram como ratos das ex-colónias deixando-as à mercê de lutas tribais que se prolongaram por décadas estão dispostos a morrer para defender os seus direitos adquiridos? E o que fazem os comunistas por trás das associações de praças e de sargentos?

Lá teremos que convocar uma maninfestação para defender a sociedade civil e o estado laico. Apesar de tudo, estou confiante que não vamos voltar ao PREC porque desta vez sucumbiríamos à fome – afinal o PREC só foi possível porque os restos do salazarismo sob a forma de reservas do Banco de Portugal deram para pagar mais de um ano de importações.

SERVIÇO PÚBLICO: A nossa crise é um palco para o coro de lamentações

Passados 18 meses da assinatura do Memorandum of Understanding pelo governo de José Sócrates, representado no acto por Teixeira dos Santos e Silva Pereira (é sempre conveniente recordar), e de pouco mais de um ano depois da adopção das primeiras medidas, ouve-se já há meses em várias salas de espectáculos do país um coro de lamentações.

No coro, para citar só os solistas, destacam-se Mário Soares (o pai das duas anteriores intervenções do FMI em 1977e 1983), António José Seguro (o da folga que afinal se transformou um agravamento do défice) acolitado por Zorrinho, Cavaco Silva (a bocca chiusa), a soprano e os seus tenores favoritos, barítonos todo-o-terreno como Miguel Sousa Tavares e Marcelo Rebelo de Sousa, o professor Louçã, Jerónimo de Sousa, entre outros. A peça preferida do reportório é «Austerità non funziona» e entre as árias com maior sucesso encontramos «Disoccupazione cresce a macchia d'olio», «Le persone sono sempre più poveri», «Abbiamo bisogno di più soldi».

Os diagramas seguintes, extraídos de «This time is different» (*) ilustram o padrão de crises bancárias recentes desde a Europa até à Ásia, em termos de desemprego (aumento médio de 7%, duração média 5 anos), queda do PIB per capita (9% por cento na média de 2 anos), aumento da dívida pública de 86% nos 3 anos seguintes.



Se considerarmos esse padrão das crises e nos lembrarmos que a crise portuguesa é uma crise da dívida pública e privada que culmina mais de 10 anos praticamente sem crescimento com crédito abundante e barato, e se a tudo isto, que é imenso, adicionarmos um governo que é mau no género bom (segue-se a vários maus no género mau e foi o menos mau que conseguiram arranjar), talvez se perceba que no nosso caso as coisas estão para lavar e durar.

Lamentavelmente, entre as dezenas de palhaços da economia mediática a quem é oferecido tempo de antena, não me lembro de ter lido, ouvido ou visto algum a esclarecer o povo ignaro que os apertos do cinto vieram para ficar e tanto mais ficarão quanto mais os adiarmos e às reformas indispensáveis e dolorosas para a maioria das corporações que parasitam através do Estado quem produz riqueza neste país.

(*) «This Time Is Different – Eight Centuries of Financial Folly», Carmen Reinhart & Kenneth Rogoff, Princeton, 2009

18/09/2012

Retendo a parte relevante, que o resto é demagogia…

«Há eleitores que vão votar no Presidente aconteça o que acontecer. São os que estão com ele, que dependem do Governo, que acreditam que são vítimas, que acreditam que o Governo tem a responsabilidade de cuidar deles, que têm direito a cuidados médicos, a comida, a casa, a tudo o que imaginarem, que isso são direitos adquiridos e que o Governo tem de garantir-lhes», poderia ter dito Romney e ficado por aqui. [Lido no Público]

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Camilo Lourenço chamando os bois pelos nomes



Se os palhaços da economia mediática que há décadas andam a perorar na televisão tivessem falado com esta clareza e coragem, poderíamos não ter chegado onde nos encontramos.

[Visto aqui]

Poucos minutos depois deste post ser publicado o meu computador foi atacado. Não acredito em bruxas pero que las ay...

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Pensamento insolvente

O governo em funções é tão responsável pela situação actual do Estado como o administrador da massa falida é responsável pelo estado de falência.

17/09/2012

¿Por qué no te callas? (13) – O cavaquismo quer um governo de perdição nacional?

Começo por dizer que tenho António Capucho em boa conta. É um sujeito educado, parece ser íntegro, desempenhou com diligência competente os cargos que ocupou, incluindo o de presidente da câmara de Cascais, é de boas famílias e tem imenso pedigree, diferentemente de Passos Coelho que não parece possuir estes 2 últimos atributos e, por quem, não necessariamente por isso, Capucho parece partilhar com o cavaquismo desprezo e insatisfação bastante evidentes.

Na entrevista do ionline, onde esses sentimentos ressaltam, Capucho defendeu a demissão de Passos Coelho em qualquer das 3 alternativas que aponta: governo apoiado pela UGT e os parceiros sociais e com a abstenção do PS; governo de «salvação nacional» e dissolução do parlamento.

Não vou comentar o disparate da «salvação nacional» que deve ser uma obsessão freudiana do cavaquismo, apesar de o próprio se ter afirmado na política contra ele – mas nessa altura não era presidente da República. Sublinho apenas que não me lembro de Capucho ter quebrado o silêncio prudente durante os 6 anos de governos chefiados por um dos políticos com menos escrúpulos que Portugal já teve, governos que arruinaram o país, sem que isso aparentemente lhe tivesse tirado o sono.

DIÁRIO DE BORDO: Computadores avant la lettre (3)

Automatic Computer-Machine - Internal
U.S. Patent Number: 641,517; Filed: Sep. 23, 1899; Issued: Jan. 16, 1900; Inventor: Charles E. Keel [Fonte: TechRepublic]

16/09/2012

Pro memoria (65) – As reformas socialistas são até ao fim dos tempos

Uma das razões por que António José Seguro, ou o futuro líder António Costa, deve opor-se tenazmente ao aumento das contribuições que o governo neoliberal de Passos Coelho acolitado pelo reticente Paulo Portas, pretende adoptar, é a sustentabilidade da Segurança Social estar garantida por governos socialistas anteriores até ao final do século ou até 2050, consoante as versões.

«Este sistema garante - um século de estabilidade na prestação de direitos sociais fundamentais para a nossa população», jurou o saudoso Guterres em Novembro de 2001. A sua voz bem timbrada ainda pode ser ouvida aqui na TSF.

«As nossas medidas visam dar confiança, credibilidade e segurança ao sistema público e universal de Segurança Social, pelo menos até 2050», garantiu por sua vez José Sócrates, menos de 5 anos depois, em Maio de 2006, apresentando as suas alterações ao sistema que deveria manter-se até ao fim do século.

[MJM de O Insurgente identificou os links acima]

Da praça José Fontana até à praça Syntagma é sempre a descer. Até Merrion Square é sempre a subir.

Depois de um sábado de festa onde nos encontramos no domingo? No mesmo sítio de sábado, com o mesmo défice, a mesma dívida pública e a mesma dívida externa líquida, a mesma baixa produtividade, a mesma recessão, o mesmo desemprego.

Afinal o que mudou? Enviámos uma mensagem aos credores que sustentam há décadas a festa: «que se lixe a troika – queremos a nossa vida de volta». Por enquanto eles estão sem palavras, não sabem o que dizer. Aguardemos a resposta. Pode ser: lixem-se vocês que foram os vossos socialistas que nos chamaram – queremos o nosso dinheiro de volta.

15/09/2012

Pro memoria (64) – As medidas tapa-buracos

«Medidas anunciadas por Vítor Gaspar para 2012 e 2013, do lado da receita e da despesa (fonte: notícias online):

DIÁRIO DE BORDO: Os portugueses no seu melhor

Só na aparência é inesperado. Começaram por ser os do costume, com a sua lengalenga irresponsabilizante e idiotizante. Pouco a pouco, foram fazendo coro os da folga, os da austeridade, os que abriram o buraco, os que assinaram por baixo da troika, e a tropa cavaquista. Todos foram perdendo a vergonha, tudo devidamente amplificado por uma mídia contaminada pelo jornalismo de causas.


Repentinamente não há uma alma que não se junte ao coro para zurzir o governo. Não pelo que o governo não fez e por isso merecia ser zurzido. Mas pelo pouco que fez. Não é novidade. Quem se lembra do 25 de Abril lembra-se das multidões de situacionistas que em poucos dias renasceram democratas, socialistas e comunistas, conforme as conveniências da ocasião.


Como corolário, todo o séquito de gente que se passeou pelo poder aos diversos níveis, de presidentes da República a regedores de freguesia, e há décadas vem arrastando o país para a falência está a emergir branqueado das suas responsabilidades.

14/09/2012

A crise do Euro como cavalo de tróia para a Federação Europeia

A ideia da federação entrou em coma com o crescendo de sentimentos eurocépticos no eleitorado de quase todos os países, ficou nos cuidados intensivos desde o despoletar da crise, está agora a ressuscitar a pretexto da solução para a moeda única.

No seu discurso sobre o "Estado da União" Europeia, no Parlamento Europeu, José Manuel Barroso foi um pouco mais longe e foi um pouco mais claro e exortou os governos da EU a «avançar no sentido de uma Federação de Estados-Nação». E como se faria esse caminho? Segundo Barroso, constituindo partidos europeus concorrendo às eleições em cada «estado-nação» com o respectivo candidato a presidente da Comissão Europeia.

Percebe-se que, dado o seu papel, Barroso esteja condenado a apresentar estas ideias em alternativa a «continuarmos como até aqui». Mas será que, enquanto eurocrata mór, Barroso compreenderá os riscos de impor pela porta do cavalo aos povos europeus uma solução em que estes visivelmente, mais do que não acreditarem, repudiam. Com excepção, claro, dos portugueses, dos gregos e talvez dos espanhóis e dos italianos que pressionados pela falta de dinheiro aceitam quase qualquer coisa para prolongar o statu quo.

Perceberá Barroso que a crise da moeda única só surge porque há uma moeda única que foi adoptada desconsiderando as suas condições de viabilidade, desconsideração com consequências a que agora se pretende responder como mais do mesmo?

ARTIGO DEFUNTO: Jornal Público, um paradigma da imprensa independente

Imagine-se o jornal «A Bola», o jornal semi-oficial do Benfica, num relato de um jogo dos lampiões contra os dragões vencido por estes por 4 a 1, a titular «Benfica marcou um golo ao Porto». É mais ou menos isso que o Público fez com em entrevista a Abebe Selassie, chefe de missão do FMI, a que o jornal deu o título «Chefe de missão do FMI: "Simplesmente reduzir os salários não vai resultar"». Considerando que uma boa parte dos leitores neste tipo de notícias não passa do título, percebe-se a importância de ter «boa imprensa».

13/09/2012

ESTADO DE SÍTIO: Os utentes da RTP querem cortar as despesas

Nos últimos 5 anos terminados em 2011 a RTP torrou 1,17 mil milhões de euros de fundos públicos extorquidos aos contribuintes e, apesar disso, registou 92 milhões de perdas.

É a esta luz que deve ser lido o comunicado da comissão de trabalhadores da RTP que representa 2.000 utentes onde protesta pelo primeiro-ministro «desgastado» «só para se poupar a esse confronto (com os utentes da RTP), tenha imposto a realização da entrevista em S. Bento, com um custo adicional de milhares de euros para o erário público, injustificável em tempo de cortes na despesa».

Post post: os mesmos que se queixaram de ter de ir às 21 horas a S. Bento, acabarem a ir ao Rato às 20 horas gravar as lamúrias do Tozé. Não terá esta gente um pingo de vergonha?

¿Por qué no te callas? (12) – o melhor do cavaquismo tem um défice de coerência (2)

Este post poderia acabar aqui com um link para este outro, porque a situação é bastante parecida e envolve as mesmas pessoas.

É preciso um grande descaramento para alguém como Manuela Ferreira Leite vir comentar nestes termos as medidas do governo, apelar à sua rejeição pelos deputados da maioria, fazendo o frete ao amigo em Belém, tentando absolvê-lo da responsabilidade de vetar o orçamento que ele gostaria de fazer mas não tem tomates.

Manuela Ferreira Leite foi ministra de Estado, da Educação e das Finanças e partilha nessa qualidade das responsabilidade pelo afundanço deste país, responsabilidades acrescidas pelo seu papel de analista e comentadora que nunca antecipou o buraco para o qual temos vindo a caminhar há décadas e só o viu quando até os leigos já o viam. Não tem razão, não apresenta alternativas e, principalmente, não tem moral.

Os cidadãos deste país não devem ter memória curta e deixar branquear as responsabilidades destas elites merdosas que nos têm desgovernado e pretendem ressuscitar purificadas das suas asneiras, incompetências e cobardias.

ADITAMENTO:
Para confirmar factual e cabalmente a completa falta de decoro de Manuela Ferreira Leite quanto à substância e à forma das suas críticas, remeto para o post «Manuela Ferreira Leite, uma política de provas dadas» de O Insurgente onde se recordam algumas das muitas asneiras e trapalhadas da sua responsabilidade durante os dois anos e três meses em que ocupou o ministério das Finanças.

Bons exemplos (39) – Qual a diferença entre a justiça brasileira e a portuguesa?

Obrigado pela pergunta.

A justiça portuguesa faz milhares de diligências, ouve centenas de testemunhas, instrui durante anos processos com milhares de páginas e no final conclui que há corrupção, mas não há corruptos, ou não há provas, ou há crime mas a pena fui cumprida pela prisão preventiva, ou há crime mas prescreveu. E assim colecciona casos como a Cova da Beira, Apito Dourado, Freeport, Face Oculta, TVI, Taguspark, Herdade dos Salgados, Submarinos, you name it.

A justiça brasileira consegue entrar na toca do lobo, acusa, julga e começou a condenar os gestores do Mensalão, o aparelho pêtista de Lula para comprar os votos dos deputados. Entre os passarões a ser julgados encontra-se José Dirceu, o braço armado de Lula (não, não é só uma figura de estilo, dado o passado do homem), e amigo do peito daquela gente da Ongoing, cujo deus ex machina são os Espíritos, como se sabe (ver aqui o dossiê da Veja).

Clique para ampliar

12/09/2012

Bons exemplos (38) - Qual a diferença entre o capitalismo americano e o socialismo português?

Obrigado pela pergunta.

O socialismo português é amigo dos capitalistas corruptos e obriga os contribuintes a assumirem as perdas que esses capitalistas deixam nas empresas. Exemplos: BPN e BPP, tudo por junto mais de 6 mil milhões de euros.

O capitalismo americano, até mesmo na versão Obama, corre com os capitalistas corruptos ou incompetentes, mete dinheiro nas empresas, nomeia uma administração independente e competente, recupera as empresas e no final vende a sua parte com lucro. Exemplo: AIG – o mês passado o governo realizou uma mais-valia de USD 17,5 mil milhões na venda de activos da AIG e prepara-se para vender mais USD 18 mil milhões de acções e realizar uma mais-valia (ver detalhes aqui).

DIÁRIO DE BORDO: Acabou-se o tempo do governo

Os sinais acumulam-se, não no horizonte, mas mesmo aqui à nossa frente. Acabou-se o tempo do governo. Pode ser que ainda se arraste alguns meses ou até às eleições autárquicas mas deixou de ter condições para fazer as reformas de fundo que até agora mal esboçou e até mesmo para continuar a tomar as medidas tapa-buracos orçamentais.

Há várias razões para ter chegado aqui neste estado, mas politicamente talvez a mais importante tenha sido a falta de clareza durante a campanha eleitoral sobre a situação do país e a severidade das medidas necessárias. Dir-se-á, se o tivesse feito não teria ganho as eleições. Pois não e o país só ganhava em ter o PS a executar o PAEF e as medidas tapa-buracos e a pagar por isso desgastando-se, tal como o PSD está agora esgotado. Em vez disso, temos o Seguro a perorar sucessivamente folgas, crescimentos e todo o arsenal de tretas, enquanto o Costa lhe prepara a cama na sombra, esperando a oportunidade para surgir à luz do dia virgem das responsabilidades endossadas ao estudante de filosofia em Paris, pelo passado cada vez mais esquecido, e ao actual líder, pela oposição frouxa no presente.

Podem acontecer muitas coisas daqui para a frente mas se, como é provável, as reformas políticas na UE indispensáveis para viabilizar o euro continuarem ao menor ritmo possível, apenas para anestesiar os mercados, aumentará a possibilidade de Portugal sair da Zona Euro para substituir a espiral recessiva em que está a cair, arrastado pelas medidas tapa-buracos e a falta de reformas de fundo, por uma espiral inflacionista que imporá as reformas como uma espécie de castigo divino que é a única via para se mudar alguma coisa neste país. Já vimos isso antes, em 1977 e 1980.

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (9)

[Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7) e (8)]

Fonte: Destaque de 10-09, INE
Nos 3 meses terminados em Julho a taxa de cobertura das importações continuou a melhorar e passou de 83,0% em Abril-Junho para 85,7% em Maio-Julho, apesar da redução das importações estar a desacelerar, significando que a melhoria da balança comercial se ficou a dever mais ao aumento das exportações. Assinale-se que a taxa de cobertura intra e extracomunitária foi a mesma graças ao aumento ao crescimento das exportações para fora da União Europeia (designadamente PALOPS). Registe-se também que entre os maiores aumentos das exportações se encontram «Máquinas, outros bens de capital e seus acessórios» (23,2%).

11/09/2012

De boas intenções está o inferno cheio (12) – O mausoléu da Kaiserstrasse 29 vai ficar abarrotado (2)

A fé dos contribuintes do (Im)pertinências na sustentabilidade a longo prazo da Zona Euro é muito limitada e as instituições da União Europeia fazem pouco para a fortalecer. Desta vez, foi a proposta da Comissão para a supervisão dos bancos europeus ser gradualmente transferida para o BCE, já aqui comentada. Pior do que isso, é a possibilidade de o ex-ministro anexo Vítor Constâncio vir a ser nomeado peloureiro da supervisão. Pelo menos o próprio já parece andar a trabalhar para isso, como indiciam os manipulados plantados nos jornais (um exemplo).

Infelizmente, os delicados negócios políticos por trás destas nomeações para as instituições da Óropa podem dar vencimento às pretensões de Vítor Constâncio. Recorde-se que o currículo do homem, enquanto responsável pela supervisão da banca portuguesa, inclui os conhecidos casos do BPN e BPP, sem esquecer o seu papel no assalto do PS ao BCP. Sem esquecer também a famosa declaração Mississipi no discurso de tomada de posse em 2000 onde nos ilumina com um paradigma que deveria ficar nos anais da economia:
«Sem moeda própria não voltaremos a ter problemas de balança de pagamentos iguais aos do passado. Não existe um problema monetário macroeconómico e não há que tomar medidas restritivas por causa da balança de pagamentos. Ninguém analisa a dimensão macro da balança externa do Mississipi ou de qualquer outra região de uma grande união monetária.»
Comparem-se estes critérios paroquiais de nomeação para as altas instâncias financeiras da UE, com o que se está a passar no processo de substituição de Mervyn King, actual presidente do Banco de Inglaterra, em que a mais conceituada revista inglesa de economia e finanças defende que entre os candidatos se deveria encontrar o brasileiro Arminio Fraga e o polaco Leszek Balcerowicz.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O lóbi da cóltura ataca de novo

Leia-se esta radiografia de Pacheco Pereira ao lóbi da cóltura, a agremiação das artes independentes. Assino por baixo, com a reserva de que o lóbi não precisou do governo ou de Relvas para acordar e muito menos para se reanimar – a referência de Pacheco Pereira é puramente gratuita e só se compreende pelo ódio de estimação que alimenta com fervor à gente que está no governo.

10/09/2012

CASE STUDY: O governo e a circunstância (1)

Ortega y Gasset era ele e a sua circunstância. O governo é o governo e a nossa circunstância. Não sendo responsável pelas circunstâncias anteriores, Passos Coelho é responsável por não ter dito a verdade durante a campanha quanto à sua gravidade e às medidas necessariamente dolorosas para enfrentar essas circunstâncias. Ou porque mentiu ou porque não foi capaz de compreender a gravidade e antecipar as medidas indispensáveis.

Se tivesse compreendido as circunstâncias, antecipado as medidas e dito toda a verdade não teria ganho as eleições, porque a maioria do eleitorado ainda estava na fase da negação. Seríamos hoje governados pelo PS, liderado por António José Seguro, o nosso François Hollande, com a diferença de não ser graduado pela HEC Paris nem pela ENA (sim, o homem é um enarca – la crème de la crème), mas pela UAL. Esta era a circunstância. Mas talvez pudesse e devesse falar mais verdade, ou menos mentira, especulo a posteriori. Isto já seria o governo e a minha especulação.

Onde pára o crédito às empresas? A pescadinha de rabo na boca

O que fizeram os bancos com a enxurrada de empréstimos do BCE e de fundos públicos para recapitalização? Emprestaram aos particulares para comprarem mais casinhas? Felizmente não. Emprestaram aos particulares para comprarem mais automóveis importados? Felizmente não. Emprestaram às empresas exportadoras? Infelizmente não. Emprestaram a outras empresas? Infelizmente não.

Emprestaram às empresas públicas para ser enfiado nos buracos negros dos seus balanços? Infelizmente sim. Pior do que isso, compraram dívida pública aos magotes. Segundo o Instituto Bruegel, citado pelo jornal SOL, os bancos portugueses em 4 anos triplicaram a sua exposição à dívida pública que actualmente é de 37 mil milhões ou mais de 20% do total.

09/09/2012

CASE STUDY: Elefantes brancos em Espanha (23)

Ao longo de alguns meses, o (Im)pertinências publicou uma retrospectiva de 22 elefantes brancos em Espanha, muitos deles promovidos pelas comunidades autónomas. Segundo os números divulgados pelo Expresso, devemos acrescentar o resultado da manada de elefantes que é uma dívida das 17 regiões de 200 mil milhões de euros, equivalente a 13% do PIB espanhol ou 20% da dívida pública no final do ano passado.

Várias das regiões já fizeram o peditório ao governo central: Catalunha (a rainha da bazófia regional) 5 mil milhões; Múrcia 300 milhões; Valência 4,5 mil milhões; Andaluzia um adiantamento de mil milhões. Previsivelmente, todas as outras 13 estão já na fila de espera.

DIÁRIO DE BORDO: Computadores avant la lettre (2)


Computing Scale-Poise - External

U.S. Patent number: 487,824; Filed: Feb. 15, 1892; Issued: Dec. 13, 1892; Inventor: J. W. Culmer; Assignee: The Computing Scale Company

«In 1892, J.W. Culmer filed a patent for a device he called a "Computing Scale-Poise". The patent describes the devices as follows: "My said invention comprises a sliding device which contains in itself the computing mechanism, the operation of which is effected by the sliding of such device upon the scalebeam of a weighing-scale or the movement of such device in its adaptation for computing the value of articles otherwise measured."»

[Fonte: TechRepublic]

08/09/2012

Conversas em família. Marcelo Caetano, regressa que estás perdoado.

O professor Adriano Moreira, talvez o nosso político socialista mais antigo, tem um talento inigualável para produzir redondilhas de antologia, como estas citadas pelo Público, demonstrativas de um pensamente original, a propósito da crise, da austeridade and all that jazz, que, como todos sabemos, nos caiu em cima, vinda sabe-se lá de onde, sem o venerável professor se ter dado conta:

«O país está a sofrer uma tal carga fiscal e uma carga fiscal em que eu sei as razões que o Governo dá, penso que os sacrifícios devem ser feitos, mas o ministério tem que ser realmente das Finanças, não pode ser do Orçamento e o ministério é principalmente ministério do Orçamento.»

«O ministério do Orçamento aquilo com que está preocupado é com a dívida, a dívida soberana, o pagamento da dívida soberana. Mas as consequências na economia real, que não pode ser ignorada por qualquer intervenção financeira, essas consequências na vida real que nós podemos prever são extremamente inquietantes.»

«E uma das coisas que qualquer Governo precisa de assumir é que ele é responsável pelo programa que assina e pelo imprevisível e imprevisto.»

Deixo para o fim o sound bite mais inspirado: «A fome não é um dever constitucional».

Títulos inspirados (9) – Contas feitas

«Contas feitas, Passos corta um salário a todos os trabalhadores», titula o Acção Socialista Expresso para nos informar que, pressionado pela redução dos défices crónicos e da dívida pletórica deixados pelos governos de José Sócrates, Passos Coelho resolveu transferir 5,75% da contribuição da segurança Social dos empregadores para os empregados do sector privado e adicionalmente aumentar 1,25% na parte destes, em alternativa a despedir mais de 100 mil funcionários públicos.

Estado empreendedor (69) – pior é difícil

Só nos 7 primeiros meses deste ano as 5 empresas públicas do perímetro orçamental receberam empréstimos de 1,7 mil milhões de euros, assim distribuídos (em milhões de euros): Estradas de Portugal 695, Refer 392, Metro de Lisboa 378, Metro do Porto 147 e Parque Escolar 90.

Como se isso fosse pouco, foi agora revelado pelo Negócios que «as empresas do sector empresarial do Estado realizaram um conjunto de contratos de derivados financeiros, avaliados em 16 mil milhões de euros – quase dez por cento do PIB – que em Junho registavam perdas potenciais de cerca de 2,5 mil milhões de euros, ou seja, quase 16% do valor dos contratos. A esmagadora maioria dessas perdas estão em duas empresas: o Metro de Lisboa e o Metro do Porto. E boa parte dos contratos foram assinados pouco depois de se ter desencadeado a crise, em 2008, e tinham como objectivo proteger a empresa do que os gestores da altura consideraram ser um risco de subida da taxa de juro. Como as taxas de juro desceram, em vez de subirem, como antecipavam os gestores, neste momento têm de pagar aos bancos a diferença e, no fim do contrato, poderão ter de registar as perdas remanescentes. Mas, além desses contratos, há outros que são puras aplicações e aumentam o risco a que as empresas estão expostas

Como é possível estas criaturas que ocupam os conselhos de administração das empresas públicas terem decidido proteger-se do risco de subida das taxas de juros. Taxas de juros que, desde o colapso do Lehman Brothers em Setembro de 2008, não fizeram outra coisa senão descer?

São apenas mais exemplos dos resultados nefastos e da delapidação de recursos que resulta da intervenção do Estado a caminho do socialismo no funcionamento da economia.

07/09/2012

Estaria a criatura a pensar no regulamento do Gulag? (2)

Outros Gulags: (1)

Ontem uma deputada comunista enviou ao governo uma pergunta sobre um anúncio publicado no sítio do IEFP em que uma entidade privada se propõe contratar um enfermeiro para «apoio psicológico e na recuperação da mobilidade … (que) esteja preparado para interagir com os serviços médicos/hospitalares locais … (e) disponível para preparar refeições, limpar a casa e cuidados mínimos do jardim».

Apesar de ser uma pergunta ao governo, a deputada não espera pelas respostas e vai logo classificando a proposta da entidade privada como um «um ataque e uma desvalorização» do governo, acusando-o de «retirar direitos aos trabalhadores, aumentar a exploração e a precariedade e desvalorizar os trabalhadores». Podia comentar a «desvalorização» implícita que a deputada comunista faz das profissões de cozinheiro, faxineiro e jardineiro mas não vou por aí.

Não sei se a deputada é contemporânea do Gulag, mas pelo menos tinha a obrigação de saber que é preciso muita lata sua e do seu partido para se enfeitar com ridículas lengalengas a respeito dos trabalhadores, mais próprias do esquerdismo politicamente correcto, sem nunca ter renegado o tributo ao PCUS, ao regime soviético e aos seus Campos e Colónias Correctivas de Trabalho (Gulag). Trabalhos forçados para repressão dos incréus na bondade do paraíso socialista, recorde-se.

06/09/2012

NÓS VISTOS PELOS OUTROS: Um colonialismo corrupto e incompetente (2)

[Continuação]

«In the copious free time left over from playing this elaborate game of I-can't-hear-you with their nominal sovereign, the viceroy and his senior officials were free to get on with the real business of the colony: extorting money from all and sundry and dressing up like idiots. Do Couto's descriptions of the pomp and ceremony of the colony are saturated with contempt. The viceroy ventured forth from his palace carried in a sedan chair, heralded by a fanfare of flutes, trumpets and drums and accompanied by a large retinue of flunkeys. As for the circle of hangers-on, do Couto says, their 'velvet capes, doublets and pantaloons of the same, silken hose, gold buckle hat, gilded sword and dagger, cleanshaven faces and high topknots, it seems to me, would have made the good king die of shame'. Meanwhile, the ordinary soldiers stationed in Goa slept in open boats and lived on rotten rice, salted fish and pol1uted water. Military discipline disintegrated: fencing schools became dance studios; impoverished soldiers of lower ranks were seen begging in the streets.

There was a variety of ways in which the rulers of the colony managed to enrich themselves. The most easily observed one was 'old debts' or dividas velhas. The viceroy could, nominally in an emergency, requisition anything he needed - grain, rice, timber from local subjects in return for receipts which could later be cashed in. Getting these certificates redeemed proved to be impossible, and the victims had to sel1 them to the viceroy's favourites at a quarter of their face value. The warships, at least those that were kept in a functional state of repair, spent much of their time sailing up and down the coast shaking down the captains of forts and territories for money. And they charged passing ships so much for berths and provisions that traders would do almost anything to avoid having to put in at a Portuguese-held port.

It was a hell of a way to run an empire. Do Couto's account of the goings-on in Portuguese Asia - which he only managed to distribute after many attempts to suppress publication or steal the manuscript - was told in the form of an imagined dialogue between a veteran soldier who had served in Portugal's Indian colony and a fidalgo who had been its governor-general. At one point the soldier says of the neighbouring Indian rulers: 'If [they] did not have their hands tied, Gentlemen, I am certain this business would have been over long ago - thank God they are kept in rein by the Great Mughal, who menaces their kingdoms. We ought to say masses for his health.

In the event, it was competition from the British and the Dutch that ensured Portugal would become an abbreviated chapter in the colonial history of Asia. What did for the empire was not just the actions of a few reprobates, but the perverse incentives of the entire system. A powerful nobility was spoiled and indulged and given a monopoly on the officerships of the military and the governorships of the colonies. Insulated from competition and accountability, it developed a collective culture of plunder

False Economy – A Surprising Economic History of the World, Alan Beattie, 2009

05/09/2012

NÓS VISTOS PELOS OUTROS: Um colonialismo corrupto e incompetente (1)

«The British and Dutch East India Companies, as we have seen, took over from the Portuguese, who had constructed a trading empire through carving out footholds in various corners of Asia. Reading contemporary accounts of just how decadent and corrupt the Portuguese colonial officers had become, it is painfully clear why the British and the Dutch could take over in Asia.

Portugal had forged trading links with India towards the end of the fifteenth century through the explorer Vasco da Gama. By the m«iddle of the sixteenth century it had established Goa on the west coast as a fort and trading post. Goa was run by a viceroy who answered to the king in Lisbon, and most of the senior posts were held by fidalgos - the sons of the Portuguese nobility, who also made up the officer class of the military. This proved to be an arrangement highly unconducive to honest and efficient government.

The trading posts of Portuguese Asia were intended to finance themselves through rents charged to locals and levies charged on traders passing through the ports, with only the hefty profits from the actual trading of spices taken by the Crown back in Portugal. Thus the colonial outposts were largely left to their own devices. For a contemporary description of the results we have the highly disgruntled accounts of Diogo do Couto, who arrived in Goa in 1559 as a mid-ranking colonial official and became the official royal chronicler of Portuguese India. Apparently an honest man himself, he became increasingly appalled by the outright theft and abuse he encountered.

By the very nature of the Goan colony, the Portuguese king had a principal-agent issue of spectacular dimensions. Each term of colonial office lasted for just three years, and since it was over a year's sailing time from Portugal, it was dose to impossible to rein in a recalcitrant viceroy. On receiving an order from Lisbon, a viceroy could simply send a reply saying that the orders had been received and understood and of course he would like nothing more than loyally to implement the wishes of the Crown, but with the greatest respect, following whatever course of action was instructed would have an unfortunate side-effect detailed herein that he was sure the king's advisers had not intended and would wish to avoid, and how did they suggest that he proceed in light of this fact? By the time this had gone to Lisbon and a response come back, a new viceroy would be in place, who could set the clock back to the beginning by stating that he had not seen the original order, or claiming that the situation on the ground had now changed or that further details of the order had regrettably become necessary and could he be furnished with same by return of post

False Economy – A Surprising Economic History of the World, Alan Beattie, 2009

(Continua)

04/09/2012

CASE STUDY: Estava escrito nas estrelas (3)

Continuação de (1) e (2)

Pode não se concordar com a visão e as soluções propostas por Mario Draghi ou duvidar da sua viabilidade, como eu duvido, mas a sua entrevista ao «Die Zeit» é uma peça imperdível sobre o seu (e do governo alemão) pensamento para o futuro da Zona Euro e da União Europeia.

Para Draghi o futuro da Zona Euro e da União Europeia não depende, pelo menos a médio prazo, de uma união política, exigindo apenas um aprofundamento gradual da integração económica, de políticas fiscais comuns e supervisão central dos orçamentos nacionais, de políticas financeiras também comuns e de uma regulação central.

Segundo Draghi, tudo isso será possível «by calmly asking ourselves which are the minimum requirements to complete economic and monetary union. And in doing so», no final a União Europeia será uma «comunidade de fé». Não certamente por acaso, Draghi usa o termo Schicksalsgemeinschaft em entrevista a um jornal alemão e toca uma corda sensível dos alemães que parecem dispostos a abdicar de uma parte substancial da sua soberania se tiverem garantias que as instituições da união asseguram a adopção de políticas e valores consentâneos com a Deutschland über alles. Também não certamente por acaso, nem uma palavra sobre a mutualização da dívida, essa vaca sagrada dos PIGS, sem a qual ela onde Draghi diz Schicksalsgemeinschaft eles ouvem schadenfreude.

Dando de barato a bondade dessas medidas e políticas, está longe de ser evidente que sejam suficientes para transformar a Zona Euro numa zona monetária óptima com países tão heterogéneos, mercados de trabalho inflexíveis, sem mobilidade da mão-de-obra, barreiras linguísticas e culturais muito fortes como as existentes.

Talvez a visão de Draghi tivesse sido realizável na década de 80 quando foram lançadas as pedras fundamentais da construção do mercado único e se vivia um período de prosperidade e um élan pró-europeu. Agora isso é história e a urgência de soluções que evitem o afundamento dos PIGS no mar da recessão não se compadece com gradualismos.

03/09/2012

Presunção de inocência ou presunção de culpa? (8)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6) e (7).

Deve haver uma explicação, que me escapa, para as trivialidades das equivalências a martelo na licenciatura do Relvas ocuparam os mídia durante vários meses (ver aqui a enumeração das 8 páginas do célebre número do Expresso dedicadas ao este caso transcendente), se fazerem manifestações, aparecerem cartazes na volta à França e nos jogos olímpicos e sobre o caso Freeport (ou o caso dos submarinos ou o caso dos sobreiros), que tudo indica ter sido um dos mais graves casos de corrupção neste país, os mídia, com poucas excepções, guardarem de Conrado o prudente silêncio. Os mídia e os indignados.

Surpreendentemente, o Expresso publicou no sábado passado um resumo das «pontas soltas levantadas durante o julgamento do caso Freeport e a convicção formada pelos três juízes do Montijo no polémico acórdão». Se não leram vale a pena ler.


Clicar para ampliar

DIÁRIO DE BORDO: Computadores avant la lettre (1)


Recording Computing-Machine - Full

U.S. Patent number: 465,255; Filed: Nov. 11, 1890; Issued: Dec 15, 1891; Inventor: Dorr E. Felt
«In 1891, Dorr Felt invented a device designed to improve upon the existing "recording machines which compute." Felt described the improvements in his device as follows: "The leading object of my invention is to provide an improved recording-machine which will record the answer or result indicated by the numeral-wheels by pressing a knob instead of striking the amount of the answer on the keys
[Fonte: TechRepublic]

02/09/2012

De boas intenções está o inferno cheio (11) – O mausoléu da Kaiserstrasse 29 vai ficar abarrotado

O Comissário Michel Barnier vai apresentar uma proposta em 12 de Setembro para o Banco Central Europeu supervisionar centralmente a partir de Frankfurt todos os cerca de 6 mil bancos da Zona Euro.

Poderia a CE aprender alguma coisa com um país com uma estrutura descentralizada de supervisão de mais de 8 mil bancos, apesar de ser há séculos uma zona monetária óptima. Poderia mas não o faz. Duvida-se que o BCE para supervisionar os seus 6 mil bancos em 17 países, que incluem desde a Grécia até à Finlândia, numa zona monetária a anos-luz [ver este post do (Im)pertinências] de se poder comparar com os EU, dê conta do recado, mesmo com a legião de técnicos e burocratas que vai contratar para abarrotar o mausoléu da Kaiserstrasse 29.

Federal Reserve System

DIÁRIO DE BORDO: O melhor da arte urbana 2011 (31)


01/09/2012

CASE STUDY: Nem tudo Tudo está mal no desemprego (e no emprego), diz Zorrinho

[Sequência deste post]

O primeiro governo de José Sócrates que tomou posse em Março de 2005 inscreveu no seu programa a recuperação de «cerca de 150.000 postos de trabalho perdidos na última legislatura.» (Programa de XVII Governo (Capítulo I - Uma estratégia de crescimento para a próxima década, I. Voltar a acreditar, 1. Uma estratégia mobilizadora para mudar Portugal, página 8). Vejamos o que de facto se passou.

No final de 2004, 3 meses antes do 1.º governo socialista tomar posse, a população empregada era 5.122,8 mil e no final do 2.º trimestre de 2011 quando o PS deixou o governo era 4.893,0 mil. Ou seja, durante os 6 anos de «crescimento», nome com que o PS costuma designar a folia do endividamento, perderam-se 229,8 mil empregos em vez dos 150 mil prometidos recuperar só no 1.º governo. Dito de outro modo, o PS tinha como objectivo mínimo atingir 5.273 mil empregos e falhou por 380 mil (Fontes: PORDATA e INE).

O programa do XIX governo não contém nenhum objectivo explícito de criação de emprego ou recuperação de postos de trabalho perdidos.

No final do 2.º trimestre de 2011, quando terminou o 2.º governo Sócrates, a população empregada era de 4.893,0 mil. No final do 2.º trimestre deste ano a população empregada era de 4.688,2 mil. Ou seja em plena vigência do PAEF, negociado entre a troika e o PS, durante o mandato do governo actual perderam-se 204,8 mil empregos. É um bom resultado? Claro que não, mas que outra coisa se poderia esperar de uma insuportável austeridade, como a classifica o PS, que com a sua governação a tornou inevitável?

Perante a actual taxa de desemprego de 15,7%, concluiu o líder parlamentar do PS Carlos Zorrinho, Coordenador Nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico 2005-2009 e Secretário de Estado da Energia e da Inovação do 2.º governo Sócrates:
«Todos os portugueses sentem e sabem que o Governo falhou e é, a partir desse falhanço que se têm que perspetivar políticas para o futuro, no trabalho que vai ser feito agora pela ‘troika’»
Como caracterizaria Zorrinho o desempenho em matéria do emprego dos governos do PS em que participou? Um falhanço enorme?

DIÁRIO DE BORDO: Grande Saltitão contra Grande Parlapatão

Um Romney flip-flopper, mesmo aditivado com um Ryan, arrisca-se a não conseguir mobilizar todo o potencial eleitorado republicano e, ainda mais dificilmente, o eleitorado independente para conseguir derrotar o Grande Parlapatão. Por isso, muito provavelmente Michelle Obama ficará mais 4 anos a tratar dos legumes na sua horta da Casa Branca.

Para 2016, o GOP já tem um bom candidato. Condoleeza Rice no seu discurso na Convenção Republicana colocou-se sobre os tacos de partida.
«And on a personal note– a little girl grows up in Jim Crow Birmingham – the most segregated big city in America - her parents can’t take her to a movie theater or a restaurant – but they make her believe that even though she can’t have a hamburger at the Woolworth’s lunch counter – she can be President of the United States and she becomes the Secretary of State.»