Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

31/10/2010

Estado empreendedor (36) – o PS como agência de emprego

[Infografia publicada no caderno Confidencial do Sol

Entre 2005 e 2009 a população total empregada manteve-se praticamente constante, tendo aumentado apenas de 5.554,900 para 5.582.700, isto é 27.800 empregados ou 0,5%. No mesmo período o emprego no sector empresarial do estado aumentou 54.308 efectivos ou 56,4% por cento, isto é 10 vezes mais.

Que é feito do PRACE? (3) – lambendo as feridas auto-infligidas

aqui e aqui se comentaram as medidas previstas na proposta de OE 2010 de extinção, reorganização ou reestruturação de 50 organismos, dos quais 9 já estariam extintos, reorganizados ou reestruturados em consequência de medidas já tomadas no âmbito do PRACE ou outras. Faltou dizer o que apurou João Duque (Caderno Economia do Expresso): a 1.ª, a 4º, a 5.ª, a 6.ª, a 7.ª, a 8.ª medidas «e por aí fora» referem-se a organismos criados nos últimos 4 anos pelos governos de José Sócrates.

CASE STUDY: Anti-selecção

O que há de comum entre a notícia da inspecção da ASAE à cozinha da cafetaria de El Corte Inglés e a notícia da divulgação pelo Wikileaks de novos vídeos sobre acções militares aparentemente ilegais dos EUA no Iraque? À primeira vista, nada. Da primeira resultou o encerramento da cozinha e da segunda o conhecimento da guerra suja americana.

A anti-selecção (adverse selection ou anti-selection) é o resultado de informação assimétrica entre as duas partes numa relação contratual e é geralmente apontada como uma das falhas do mercado (aqui para nós, as falhas do mercado são essencialmente falhas das teorias do mercado assentes em premissas irrealistas). Apesar de existirem negócios em que a anti-selecção é favorável ao comprador (os seguros, por exemplo), na maioria dos casos a assimetria de informação favorece o vendedor que sabe mais do que o comprador do produto ou serviço que lhe oferece ou dos riscos que lhe estão associados.

Voltando à ASAE, porque se focaliza na restauração nos centros comerciais? Já alguém ouviu falar de inspecções aos milhares de tascas por esse país, cujas cozinhas parecem instalações sanitárias e cujos sanitários parecem pocilgas?

E quanto ao Wikileaks, focada nas acções de guerra americanas no Iraque, ou a quaisquer outras organizações com iniciativas deste género, já alguém ouviu falar duma organização semelhante que no passado ou actualmente tenha exposto documentos obtidos do interior dos exércitos denunciando atrocidades? Para não recuar ao tempo do Império Soviético, alguma dessas organizações expôs documentos do exército russo sobre as acções na Chechénia ou ainda mais recentemente na Geórgia?

Olhemos as ASAE deste mundo e as ONG do tipo Wikileaks, como fornecedores de informação. Todas essas organizações sabem bem que existem irregularidades, sejam o incumprimento de normas sanitárias ou o desrespeito pelas Convenções de Genebra, fora do seu foco de acção – principalmente fora desse foco. Como sabem a cooperação que podem esperar de restaurantes preocupados com a sua reputação e com dinheiro para pagar coimas e a cooperação no interior das FA americanas de whistleblowers diligentes, correndo riscos mínimos. E sabem ainda melhor as dificuldades de todas as naturezas e dos riscos (agressões dos tasqueiros e falta de dinheiro para as coimas e eventual abate pelas secretas, respectivamente) que teriam de enfrentar para inspeccionar tascas ou documentar as atrocidades do exército russo, respectivamente. Quem não saberá, ou na melhor hipótese apenas suspeitará, são os consumidores de informação que a «compram» sem desconfiar do enviesamento e imaginando que a ausência de más notícias resulta do cumprimento das normas sanitárias pelas tascas ou das convenções e leis sobre a guerra pelos exércitos.

30/10/2010

Bons exemplos (3)

«No Reino Unido, o Governo de coligação entrou em funcionamento em Maio de 2010. Tendo em conta trabalhos preparatórios anteriores e o programa de Governo, o ministro da Justiça fez saber a 23 de Junho que preparava uma reforma do mapa judiciário com encerramento de 157 tribunais (dos 530 existentes). São tribunais subtilizados, de forma que os recursos físicos e humanos possam ser transferidos para os tribunais congestionados, com uma poupança liquida de 15 milhões de libras por ano (mais 22 milhões em manutenção). Os municípios afectados não gostaram e fizeram saber a sua oposição. Depois de avaliadas as alternativas possíveis, o Governo anunciou a 15 de Setembro a manutenção do encerramento de mais de 150 tribunais. A 14 de Outubro foi anunciado que, aos tribunais encerrados, juntam-se agora dez departamentos e serviços do Ministério da Justiça. Tudo a implementar no primeiro semestre de 2011.

Palavras para quê? No Reino Unido, cinco semanas para encontrar e menos de um ano para implementar um novo mapa judiciário mais eficaz e mais racional, com custos e benefícios quantificados e avaliados. Em Portugal, três anos perdidos a pensar o novo mapa e seis anos supostamente para executar um mapa que já foi modificado antes de ser implementado. Sem custos e benefícios quantificados. Certamente a culpa é da crise internacional, dos malvados e incompetentes magistrados judiciais e das restantes vinte e sete razões que ilibam de responsabilidade o primeiro-ministro e o PS. Mas como promete o Governo Sócrates II, teremos excelentes resultados em 2014. E o Pai Natal existe


[A justiça na sua desgraça, Nuno Garoupa no Negócios online]

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (28) – com amigos destes…

A lixeira do Face Oculta revela-se um filão inesgotável da trapaça socialista. Além do que já se sabia, ficou a saber-se que a ex-secretária de Estado Ana Paula Vitorino terá sido «sensibilizada» pelo então ministro Mário Lino para a necessidade de ter em conta nos desaguisados entre Godinho e a REFER que o sucateiro era amigo do PS. Também se ficou a saber que José Manuel Mesquita vereador em regime de substituição na Câmara Municipal de Lisboa também «sensibilizou» a ex-secretária de Estado no mesmo sentido.

Os novos situacionistas continuam nas suas tocas, quais coelhos expectantes, só com as orelhas de fora, esperando para ver para onde sopram os novos ventos.

29/10/2010

Curtas e grossas (4)

Entendamo-nos: o orçamento (a proposta do PS com ou sem alterações) já foi aprovado por Berlim, Bruxelas e Belém (por esta ordem). As escaramuças entre S. Bento e S. Caetano são apenas exercícios de aquecimento para as próximas legislativas. Não é que as escaramuças não tenham importância. Têm. Só que essa importância pouco tem a ver com o orçamento. É o que faz o país ter sido transformado pelo PS, com uma mãozinha do PSD, num protectorado conjunto de Berlim e Bruxelas.

SERVIÇO PÚBLICO: OS PROVINCIANOS, segundo José António Saraiva

«O PROCESSO chamado 'Face Oculta' tem as suas raízes longínquas num fenómeno que podemos designar por 'deslumbramento'.
Muitos dos envolvidos no caso, a começar por Armando Vara, são pessoas nascidas na Província que vieram para Lisboa, ascenderam a cargos políticos de relevo e se deslumbraram.
Deslumbraram-se, para começar, com o poder em si próprio. Com o facto de mandarem, com os cargos que podiam distribuir pelos amigos, com a subserviência de muitos subordinados, com as mordomias, com os carros pretos de luxo, com os chauffeurs, com os salões, com os novos conhecimentos.
Deslumbraram-se, depois, com a cidade. Com a dimensão da cidade, com o luxo da cidade, com as luzes da cidade, com os divertimentos da cidade, com as mulheres da cidade.

ORA, para homens que até aí tinham vivido sempre na Província, que até aí tinham uma existência obscura, limitada, ligados às estruturas partidárias locais, este salto simultâneo para o poder político e para a cidade representou um cocktail explosivo.
As suas vidas mudaram por completo.
Para eles, tudo era novo - tudo era deslumbrante.
Era verdadeiramente um conto de fadas - só que aqui o príncipe encantado não era um jovem vestido de cetim mas o poder e aquilo que ele proporcionava.
Não é difícil perceber que quem viveu esse sonho se tenha deixado perturbar.

CURIOSAMENTE, várias pessoas ligadas a este processo 'Face Oculta' (e também ao 'caso Freeport') entraram na política pela mão de António Guterres, integrando os seus Governos.
Armando Vara começou por ser secretário de Estado da Administração Interna, José Sócrates foi secretário de Estado do Ambiente, José Penedos foi secretário de Estado da Defesa e da Energia, Rui Gonçalves foi secretário de Estado do Ambiente.
Todos eles tiveram um percurso idêntico.
E alguns, como Vara e Sócrates, pareciam irmãos siameses: Naturais de Trás-os-Montes, vieram para o poder em Lisboa, inscreveram-se na universidade, licenciaram-se, frequentaram mestrados.
Sentindo-se talvez estranhos na capital, procuraram o reconhecimento da instituição universitária como uma forma de afirmação pessoal e de legitimação do estatuto.

A QUESTÃO que agora se põe é a seguinte: por que razão estas pessoas apareceram todas na política ao mais alto nível pela mão de António Guterres?
A explicação pode estar na mudança de agulha que Guterres levou a cabo no Partido Socialista.
Guterres queria um PS menos ideológico, um PS mais pragmático, mais terra-a-terra.
Ora estes homens tinham essas qualidades: eram despachados, pragmáticos, activos, desenrascados.
E isso proporcionou-lhes uma ascensão constante nos meandros do poder.
Só que, a par dessas inegáveis qualidades, tinham também defeitos.
Alguns eram atrevidos em excesso.
E esse atrevimento foi potenciado pelo tal deslumbramento da cidade e pela ascensão meteórica.

QUANDO o PS perdeu o poder, estes homens ficaram momentaneamente desocupados.
Mas, quando o recuperaram, quiseram ocupá-lo a sério.
Montaram uma rede para tomar o Estado.
José Sócrates ficou no topo, como primeiro-ministro, Armando Vara tornou-se o homem forte do banco do Estado - a CGD -, com ligação directa ao primeiro-ministro, José Penedos tornou-se presidente da Rede Eléctrica Nacional, etc.
Ou seja, alguns secretários de Estado do tempo de Guterres, aqueles homens vindos da Província e deslumbrados com Lisboa, eram agora senhores do país.

MAS, para isso ser efectivo, perceberam que havia uma questão decisiva: o controlo da comunicação social.
Obstinaram-se, assim, nessa cruzada.
A RTP não constituía preocupação, pois sendo dependente do Governo nunca se portaria muito mal.
Os privados acabaram por ser as primeiras vítimas.
O SOL foi objecto de chantagem e de uma tentativa de estrangulamento através do BCP (liderado em boa parte por Armando Vara).
A TVI, depois de uma tentativa falhada de compra por parte da PT, foi objecto de uma 'OPA', que determinou a saída de José Eduardo Moniz e o afastamento dos ecrãs de Manuela Moura Guedes.
O director do Público foi atacado em público por Sócrates - e, apesar da tão propalada independência do patrão Belmiro de Azevedo, acabou por ser substituído.
A Controlinvest, de Joaquim Oliveira (que detém o JN, o DN, o 24 Horas, a TSF) está financeiramente dependente do BCP, que por sua vez depende do Governo.

SUCEDE que, na sua ascensão política, social e económica, no seu deslumbramento, algumas destas pessoas de quem temos vindo a falar foram deixando rabos-de-palha.
É quase inevitável que assim aconteça.
O caso da Universidade Independente, o Freeport, agora o 'Face Oculta', são exemplos disso - e exemplos importantes da rede de interesses que foi sendo montada para preservar o poder, obter financiamentos partidários e promover a ascensão social e o enriquecimento de alguns dos seus membros.
É isso que agora a Justiça está a tentar desmontar: essa rede de interesses criada por esse grupo em que se incluem vários "boys" de Guterres.
Consegui-lo-á?
Não deixa de ser triste, entretanto, ver como está a acabar esta história para alguns senhores que um dia se deslumbraram com a grande cidade.
Esta é a forma mais eloquente de definir um parolo provinciano com tiques de malandro, mas sempre de mão estendida, pior que os arrumadores que uma vez na vida se revelam minimamente úteis independentemente do ar miserável como se apresentam e se comportam quando não se lhes dá a famigerada moedinha.»

O (IM)PERTINÊNCIA FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Hoje é um de Abril?

«Telejornal de hoje:

ANA "investe" Eur 700.000 para criar uma ciclovia que dá acesso ao aeroporto.

E vem o José Sá Fernandes dizer que já viu pessoas a saírem do aeroporto e partirem de bicicleta. Será que tem noção do ridículo dessa afirmação?

Vejo já uma aplicação prática: construir uma ciclovia Lisboa/Madrid, paralela ao TGV. Eu também já vi espanhóis a andarem de bicicleta


[Enviado por AB]

28/10/2010

Desculpem, mas não percebi

«Caso imponha a redução salarial no banco central e absorva essas poupanças ou beneficie delas através do aumento dos resultados da instituição, o Estado estará a financiar-se através da emissão de moeda, acusa o parecer da comissão de trabalhadores (CT) do BdP, entregue ao ministro das Finanças.
Ou seja, o Estado não pode usufruir do corte de custos que venha a impor ao BdP, já que, para o Estado, essa receita permitiria reduzir o défice e as necessidades de financiamento públicas. O que, indirectamente, corresponderia a uma emissão de moeda, já que os proveitos têm origem na autoridade monetária, violando a proibição de financiamento monetário
.» (Negócios online)

Vamos ver se percebi: a CT do BdP, fazendo as vezes de consultor, considera que o eventual acréscimo do lucro do BdeP eventualmente resultante da eventual redução dos custos eventualmente proveniente da eventual redução dos salários dos empregados do BdP é equivalente à emissão de moeda? E se o BdP fizer um acordo com a Renova para a compra de papel higiénico (o preto por exemplo) com desconto, o eventual acréscimo do lucro do BdeP eventualmente resultante da eventual redução dos custos eventualmente proveniente da eventual redução gastos com papel higiénico também é equivalente à emissão de moeda?

SERVIÇO PÚBLICO: o défice de memória (6)

[Actualização deste, deste, deste e deste posts]

17-12-2008
O ministro das Finanças (MF) diz que o défice em 2009 será de 3% do PIB e não 2,2% .

05-02-2009
É aprovado pelo PS o Orçamento suplementar com uma previsão 3,9% do défice.

21-04-2009
O MF diz que «a despesa está perfeitamente controlada» e que o défice se mantém (3,9%)

15-05-2009
O MF diz que o défice será 5,9% em vez de 3,9%

04-07-2009
O MF mantém que o défice será 5,9%.

22-07-2009
José Sócratez diz que «está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor no défice do que eu».

09-10-2009
O MF mantém a previsão de 5,9%.

03-11-2009
A CE anuncia uma previsão de 8% e o MF admite a revisão da estimativa anterior (5,9%).

24-11-2009
Défice do Estado dispara para 8,4% do PIB em 2009, em resultado do orçamento rectificativo redistributivo apresentado à AR.

12-01-2010
O ministro admitiu que o défice de 2009 será superior a 8% do PIB.

26-01-2010
Responsáveis do PSD, que tiveram com o Governo negociações sobre o OE, garantiam que o défice iria passar de um valor próximo de 8,7 por cento em 2009.

27-01-2010
Teixeira dos Santos revelou ... que o défice de 2009 atingiu o valor histórico de 9,3% do PIB.

01-02-2010
«Decidimos aumentar o nosso défice não por descontrolo, mas para ajudar a economia, as empresas e as famílias», disse José Sócrates, sem explicar porque não tinha o governo sido capaz de antecipar o défice que resultou das suas decisões, nem como tendo as ajudas sido de menos de 2% do PIB causam um aumento do défice de 2,2% para 9,3%.

27-10-2010
«Sim, sou inflexível. O défice de 2011 tem de ser 4,6%» disse Teixeira dos Santos justificando a ruptura da negociação do OE 2010 com o PSD.

27/10/2010

ESTÓRIAS E MORAIS: Queixar-se de barriga cheia

Estória

Ao fim de muitos anos de limitação da abertura das grandes superfícies aos domingos e feriados, o governo percebeu (ou não percebeu, mas cedeu às pressões dos grupos de distribuição) finalmente que essa limitação não tinha efeitos na protecção do comércio tradicional. Condenado a prazo, com ou sem abertura das grandes superfícies aos domingos e feriados, o pequeno comércio está limitado a longo prazo a alguns nichos muitos especializados e, frequentemente, a uma clientela sofisticada e com poder de compra suficiente para pagar o prémio dum serviço personalizado e de qualidade. Acontece que o pequeno comércio fez tudo menos caminhar para esta conversão indispensável e continuou a oferecer uma gama generalista de produtos sem diferenciação, sem qualidade de serviço e com preços mais elevados.
Aparentemente a ampliação do horário teve sucesso e os hipermercados que já a adoptaram tiveram no domingo passado uma grande procura. Toda a gente parece ter ficado satisfeita - quem sabe se os pequenos comerciantes também aproveitaram a ocasião para fazer compras? Toda a gente? Não. Há pelo menos duas almas ouvidas pelo Diário Económico que ficaram traumatizadas. Uma economista disse «tínhamos conseguido algum nível de desenvolvimento, podemos dizer que é um critério as pessoas poderem ter um convívio familiar mais alargado e isto é andar para trás, diz enquanto empurra o carro de compras cheio até cima». Um técnico de telecomunicações disse «foi traumático».

Moral
A abertura aos domingos das grandes superfícies não prejudica os pequenos comerciantes, mas pode prejudicar a saúde mental dos pequenos patetas que se queixam das oportunidades que lhes oferecem.

26/10/2010

O estado empreendedor (28) - os negócios do senhor engenheiro com o amigo coronel Tapioca (REPUBLICADO)

Um dos amigos do peito com que José Sócrates fez negócios foi o czar da Bolívia coronel Hugo Chávez, que, enquanto se entretém a nacionalizar supermercados, vai ficando com uns milhões de bolívares das empresas portuguesas que foram na treta do senhor engenheiro. Milhões que se já valiam pouco, depois da desvalorização valem metade.

[Republicação do post de 22-01-2010, que continua actual em vista dos «irmãos» Sócrates e Chávez continuarem a anunciar negócios já anunciados]

BREIQUINGUE NIUZ: Uma grave lacuna só agora preenchida

O Instituto Politécnico de Setúbal apresentou os seus novos cursos para 2010-11, entre os quais uma licenciatura em Língua Gestual Portuguesa. [OJE]

Os Tea partiers e as elites

«For those who wonder why so many people have come to hate, or let me change it to profoundly dislike, "the elites," especially the political elite, here is one reason: It is because they have armies of accountants to do this work for them. Those in power institute the regulations and rules and then hire people to protect them from the burdens and demands of their legislation. There is no congressman passing tax law who doesn't have staffers in his office taking care of his own financial life and who will not, when he moves down the street into the lobbying firm, have an army of accountants to protect him there.

Washington is now to some degree the focus of the same sort of profound resentment that Hollywood liberals inspired when they really mattered, or seemed really powerful. For decades they made films that were not helpful to our culture or society, that were full of violence and sick imagery. But they often brought their own children up more or less protected from the effects of the culture they created. Private schools, nannies, therapists, tutors. They bought their way out of the cultural mayhem to which they'd contributed. Their children were fine. Yours were on their own.

This is part of why people dislike "the elites" and why "the elites," especially in Washington, must in turn be responsive, come awake, start to notice. People don't like it when they fear you are subtly, day by day, year by year, changing the personality and character of their nation. They think, "You are ruining our country and insulating yourselves from the ruin. We hate you." And this is understandable, yes?»

[Peggy Noonan: Why so many of us resent the 'elites']

25/10/2010

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (27) – As empresas públicas são apenas uma extensão do aparelho socialista e vice-versa (II)

A oferta de tenças em empresas públicas pela clique socrática, está a tornar-se um hábito. Desta vez, o beneficiário frustrado foi Narciso Miranda – não exactamente um exemplo de integridade – que confessou à Sábado terem-lhe oferecido, para ficar sossegado, o «cargo de presidente da Metro do Porto, presidente dos transportes públicos do Porto, presidente das Águas do Rio Douro e Paiva, presidente do ex-Instituto Nacional de Habitação e para uma eventual holding para gerir as infra-estruturas marítimo-portuárias».

Continua a não haver notícia de indignação por parte dos novos situacionistas, que assobiam para o lado.

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: A matemática, António Câmara e a hiperventilação

«A maior parte das pessoas aqui [na YDreams, supõe-se] é dez vezes melhor a matemática que qualquer americano que trabalhe na Google. Não há comparação. As pessoas cá não têm padrões, é inacreditável. Os exames de matemática em Portugal são mais difíceis que no MIT. Há o talento em Portugal para fazer isso, a questão é transformar isto num negócio gigantesco
[António Câmara, «mentor e CEO» da YDreams, ao i online]

A maior parte das pessoas aqui é dez vezes melhor a matemática que qualquer americano que trabalhe na Google, eu sou o Clark Kent e tenho uma namorada chamada Loris Lane.

NÓS VISTOS POR ELES: O mar, os portugueses e a hiperventilação

«Mas todos os países tem aproveitado as oportunidades que o mar oferece devido ao vasto conhecimento que acumulámos na Europa, excepto Portugal, que não existe. Bem talvez esteja a exagerar, mas a verdade é que Portugal não é visível nos assuntos do mar na cena internacional.

Lembro de um professor universitário [Ernâni Lopes] que falava nessa conferência de 2005 no hipercluster do mar [mais à frente Niko Wijnolst, refere-se ao hipercluster do mar como hiperventilação], mas era um exercício intelectual, e é isso que se tem feito muito mais em Portugal do que aproveitar concretamente as oportunidades.

Em geral, a nível internacional encontro muito poucos portugueses ligados aos negócios ou aos assuntos do mar, embora esteja ligado a várias redes nesta área.

Nestes processos é necessário o empenhamento do sector privado, que diz o que é, o que quer, o que necessita e que passa à acção e tenta mudar as coisas. E não sinto que esse espírito exista em Portugal.»
[Niko Wijnolst, presidente da Rede Europeia de Clusters Marítimos e da Dutch Maritime Network em entrevista no Expresso]

24/10/2010

SERVIÇO PÚBLICO: Salazar entalado entre duas repúblicas incontinentes

Pontos em destaque:
  • 1910 Implantação da República
  • 1914 Início da I Guerra Mundial
  • 1926 Golpe de 28 de Maio
  • 1928 Salazar ministro das Finanças
  • 1939 Início da II Guerra Mundial
  • 1968 Salazar cai da cadeira
  • 1986 Entrada na CEE
  • 1999 Entrada no Euro
[Infografia de Negócios online]

Curtas e grossas (3)

O que falta ao tacticismo ziguezagueante de Passos Coelho para ter sucesso no teatro da política mediática é substituir aquele ar meio postiço e aquela linguagem corporal rígida e empertigada por, ao menos, a aparência de convicção de um mentiroso consumado. Como José Sócrates, por exemplo.

23/10/2010

ARTIGO DEFUNTO: Jornalismos de causas e de interesses

Depois de 5 anos a melhorar, o Press Freedom Index da ONG Reporters Without Borders mostrou nos 3 últimos uma degradação significativa atirando Portugal para o 40.º lugar do ranking a seguir ao Surinam, Uruguai e África do Sul. É um resultado que não surpreende e reflecte as tentativas obsessivas de controlo dos media pelo governo de Sócrates e pelo partido Socialista e o sucesso da máquina de manipulação instalada com a ajuda da dependência do jornalismo de causas em relação aos aparelhos partidários e do jornalismo de interesses em relação ao poder económico, tudo facilitado pela subserviência endémica e a esperança duma tença.
Ano  - Ranking
2003 - 28
2004 – 25
2005 – 23
2006 – 12
2007 – 10
2008 – 18
2009 – 32
2010 - 40

Pro memoria (12) - Professor Marcelo, o troca-tintas do regime

A acrescentar às múltiplas trapalhadas do irrequieto professor Marcelo (jantar de vichyssoise e o Cristo que desceu à terra, entre muitas outras), registe-se para a história a estória relatada na Única do Expresso de 17-10:

«No ano seguinte, o OE de Sousa Franco foi salvo in extremis com a difícil colaboração do PSD de Marcelo Rebelo de Sousa, que, para se abster e o viabilizar, teve de arranjar um astuto estratagema. Para salvar a face, num cenário com evidentes paralelismos com a situação política actual, Marcelo Rebelo de Sousa propôs a António Guterres que introduzisse uma cláusula na proposta de OE com que o PSD não concordasse, para depois a retirar como sinal de cedência perante a pressão do principal partido da oposição. O pretexto acabaria por ser a colecta mínima (um precursor do Pagamento Especial por Conta). Marcelo arranjou até um slogan para a ocasião: 'Pena Máxima para a Colecta Mínima', e António Costa (actual autarca de Lisboa e já então um nome forte no aparelho socialista) acedeu a mentir aos jornais dizendo que o Governo fazia ponto de honra nessa medida económica. Pouco depois, Guterres anunciava que a colecta mínima seria retirada, perante o ar vitorioso de Marcelo.»

22/10/2010

Les retraites des lycéens



Beirute? Bagdade? Bande de Gaza? Pas du tout. Lycée de Nanterre. Les lycéens brûlent des voitures dans sa juste lutte pour leurs retraites à 60 ans.

O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Euro-English

The European Commission has just announced an agreement whereby English will be the official language of the European Union rather than German, which was the other possibility.

As part of the negotiations, the British Government conceded that English spelling had some room for improvement and has accepted a 5- year phase-in plan that would become known as "Euro-English".

In the first year, "s" will replace the soft "c".. Sertainly, this will make the sivil servants jump with joy. The hard "c" will be dropped in favour of "k". This should klear up konfusion, and keyboards kan have one less letter.

There will be growing publikenthusiasm in the sekond year when the troublesome "ph" will be replaced with "f".. This will make words like fotograf 20% shorter.

In the 3rd year, publik akseptanse of the new spelling kan be expekted to reach the stage where more komplikated changes are possible.

Governments will enkourage the removal of double letters which have always ben a deterent to akurate speling.

Also, al wil agre that the horibl mes of the silent "e" in the languag is disgrasful and it should go away.

By the 4th yer people wil be reseptiv to steps such as replasing "th" with "z" and "w" with "v".

During ze fifz yer, ze unesesary "o" kan be dropd from vords kontaining "ou" and after ziz fifz yer, ve vil hav a reil sensi bl riten styl.

Zer vil be no mor trubl or difikultis and evrivun vil find it ezi TU understand ech oza. Ze drem of a united urop vil finali kum tru.

Und efter ze fifz yer, ve vil al be speking German like zey vunted in ze forst plas.

If zis mad you smil, pleas pas on to oza pepl.
[Enviado por JB]

SERVIÇO PÚBLICO: Testes de (pouca) resistência (5)

[Continuação de (1), (2), (3) e (4)]

Há razões plausíveis para ter as maiores dúvidas sobre a fiabilidade dos testes de resistência (stress tests) realizados sob a égide do triunvirato Comissão Europeia, BCE e Comité de Supervisores Bancários Europeus. Apesar de não faltarem razões, algumas das quais já foram oportunamente referidas no (Im)pertinências, em todo o caso aqui vai mais uma.

O Allied Irish Bank (AIB) passou nos testes de Julho, se não com distinção, pelo menos com suficiência. Como explicar que, menos de 3 meses depois, o ministério das Finanças irlandês tenha sido forçado a injectar 3 mil milhões de euros no capital do AIB?

21/10/2010

O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Mensagem de Bento XVI ao Ministro das Finanças

Meu Filho, não PEC's mais!
[Enviado por JB]

Que é feito do PRACE? (2)

Dos 50 organismos para extinguir, reorganizar e reestruturar, 9 já estão ou deveriam estar extintos, reorganizados ou reestruturados em consequência de medidas já tomadas no âmbito do PRACE ou outras. É como nos filmes de cowboys (refiro-me aos boys das vacas não aos boys do PS), primeiro dá-se um tiro ao bandido e depois, por via das dúvidas, dá-se mais um – o tiro de misericórdia.

Bons exemplos (2)

O ministro britânico das Finanças George Osborne anunciou 83 mil milhões delibras de cortes na despesa nos próximos 5 anos, equivalentes a mais de metade do PIB português. «We confront the bills of a decade of spending» explicou. Serão eliminados 490 mil lugares na administração pública até 2015, os quais representam mais de 20% dos funcionários públicos.

Há um oceano de diferença entre políticas consistentes e políticos capazes que parecem gente séria e políticas oportunistas conduzidas por políticos troca-tintas que não parecem (e não são) gente séria.

20/10/2010

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: A culpa morre solteira e virgem

Secção Insultos à inteligência

Num artigo de opinião profeticamente intitulado «Empobrecimento relativo do país é inevitável», João Cravinho empurra as responsabilidades pela génese da crise portuguesa para os bancos com a ajuda do crédito barato resultante da adopção do euro, a «falta de iniciativa empresarial em Portugal» e Gorbachev. Este último porque fez implodir a União Soviética, implosão que abriu caminho para o investimento estrangeiro nos países do ex-bloco comunista, afastando-o de Portugal (porque seria?).

Os governos de Guterres e, em particular, o mesmíssimo agora articulista, membro do primeiro governo 1995-9 e inventor do conceito de SCUT, não tiverem nada a ver com o assunto. Donde se conclui pela superfluidade dos governos socialistas e, em particular, de João Cravinho, segundo ele próprio.

Pelo seu artigo de opinião, leva João Cravinho, um dos pensadores do regime, cinco afonsos pelo arrojo e 5 pilatos pela lavagem da culpa. Em alternativa, leva 5 chateaubriands, provando-se ser mais falta de memória e discernimento (Alzheimer?) do que de vergonha.

Lost in translation (68) - Os bancos nossos clientes estão muito satisfeitos, queria ele dizer

«Financiar o Estado está mais caro mas há clientes» titula o Negócios Online para sintetizar a mensagem do presidente do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público no colóquio no parlamento, sem especificar que o grosso desses clientes são os bancos portugueses que compram OT com qualquer maturidade até aos 10 anos com yields que chegam aos 6% e oferecem essas OT como colateral dos empréstimos de curto prazo do BCE a taxas de 1% - um horrendo asset mismatch que deveria pôr os cabelos da administração do BdP em pé.

19/10/2010

ESTADO DE SÍTIO: Erros e coelhos que saltam do OE

Ainda a tinta da proposta de OE não secou e já começamos a ver erros de palmatória e coelhos a sair da toca. O erro não foi coisa pouca - a omissão das transferências para as empresas públicas. O primeiro coelho, a la lettre, foi o coelho da Ascendi, do grupo Mota-Engil, na companhia de outros coelhitos e de grandes coelhos – os bancos do regime BES e CGD que financiaram a Concessão Norte e a SCUT Interior Norte; todos por junto vão receber 587 milhões a título de atrasos, erros de projecto, sobreposições de traçados (?), etc.

Outro coelho também do tipo PPP envolve o grupo Barraqueiro e o Metro Sul Tejo e certamente muitos milhões, por agora ainda não contados, a título de compensação por receitas inferiores às previsões – o costume. No meio de coelhos desta dimensão, quase passam despercebidos os 23 milhões orçamentados para seminários, publicidade e exposições, resultantes de um aumento de 6 milhões que inclui a presidência do conselho de ministro com um aumento de 500% - certamente para pagar os spin doctors, as agências de comunicação e uma parte da parafernália de fabricação de manipulados; só uma parte porque os gabinetes dos ministro estão povoados de pessoal a tempo inteiro a trabalhar para a central de manipulação.

Lost in translation (67) – No estado em que as coisas estão a confiança fica cara, queria ele dizer

«Este investimento significa, desde logo, postos de trabalho. Este investimento significa confiança na nossa economia e significa mais turismo», perorou José Sócrates na inauguração da nova base da Easyjet em Lisboa. E quanto custará confiança, perguntará o sujeito passivo já escaldado por outras inaugurações? Taxas aeroportuárias mais reduzidas e «incentivos» de três a cinco euros por passageiro, isto e o que mais adiante se ficará a saber.

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: A experiência conta muito


- 39 em cada 100 portugueses são patetas.
- Há muitos de facto. Porquê exactamente 39 em 100?
- Segundo o último estudo de opinião, 39% dos inquiridos têm uma opinião positiva de José Sócrates como primeiro-ministro.
- Isso não quer dizer que sejam patetas…
- Ah não? Então como explicas que esses 39% tenham uma opinião positiva dum político que nos últimos 5 anos nos contou patranhas enquanto nos conduzia ao buraco negro económico e financeiro em que nos encontramos?
- Talvez esses 39% acreditem que Sócrates já tem experiência no caminho para o buraco.

18/10/2010

A caminho dos amanhãs que choram os pastorinhos abandonam o barco (4)

[Continuação de (1), (2) e (3)]

Depois de 4 anos a cantar loas ao socratismo, desde a súbita aparição de Nossa Senhora da Economia Socialista, por alturas da derrota do PS nas eleições europeias, os pastorinhos da economia dos amanhãs que cantam continuam a surpreender-me.
Por uma talvez significativa coincidência, dois desses mais eméritos pastorinhos Daniel Amaral e Nicolau Santos escreveram a propósito da proposta de OE artigos com títulos pungentes: «O massacre» no Diário Económico e «Um sangrento massacre fiscal» no Expresso, respectivamente. Ambos parecem falar de cataclismos naturais que não resultaram de 5 anos de políticas erradas. Só os burros não mudam, eu sei, mas serão precisos 4-anos-4 para perceber?

Que é feito do PRACE?

O governo anunciou «50 medidas para extinguir, reorganizar e reestruturar institutos públicos». Mas o PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado) de Março de 2006 não tinha já extinguido, reorganizado e reestruturado?

BREIQUINGUE NIUZ: As portagens nas SCUT vão ser introduzidas «o mais depressa possível» (9)

Actualizando a primeira, a segunda, a terceira, a quarta, a quinta, a sexta, a sétima  e oitava retrospectivas e confirmando a espantosa incapacidade de realização dos governos de José Sócrates que constantemente se empluma precisamente com a sua alegada capacidade de realização.
  • 06-11-2004 Mário Lino revela que portagens nas Scut irão financiar todas as estradas
  • 20-05-2005 Mário Lino, ministro das Obras Públicas, admitiu que em breve se tenha que proceder à cobrança de portagens nas Scut
  • 07-11-2005 Mário Lino está já a desenvolver um novo modelo geral de financiamento da rede rodoviária nacional, que inclui as Scut, e que deverá ficar concluído em 2006.
  • 19-01-2006 Mário Lino revela que portagens nas Scut irão financiar todas as estradas
  • 18-10-2006, pouco depois das 11h, Mário Lino tornava-se o quarto ministro consecutivo a anunciar o fim das chamadas auto-estradas Scut
  • 30-08-2007 portagens pagas nas ... Scut, anunciada pelo ministro Mário Lino em Outubro do ano passado, só será concretizada, na melhor das hipóteses, em 2008
  • 02-05-2007 negociações para introdução de portagens nas Scut retomadas há um mês
  • 10-10-2007 Mário Lino: Governo vai introduzir portagens nas Scut até ao final do ano
  • 13-11-2007 a implementação de portagens nas três Scuts - até ao fim deste ano - poderá ser adiada para o primeiro trimestre de 2008.
  • 15-01-2008 o processo está «bastante avançado», devendo «estar concluído brevemente»
  • 27-02-2008 Negociações para introdução de portagens «bem encaminhadas», garante Mário Lino
  • 01-03-2008 as negociações com as concessionárias estão bem encaminhadas.
  • 27-05-2008 entrarão em funcionamento «o mais depressa possível».
  • 30-06-2008 «Se pudesse ter amanhã portagens nas SCUT eu fazia»
  • 06-07-2007 «o Governo está a implementar a introdução das portagens nas três SCUT já referidas»
  • 02-10-2008 as portagens nas chamadas SCUT`s vão ser introduzidas «o mais depressa possível» 
  • 27-01-2010 «Há condições para introduzir portagens nas SCUT no 1º semestre»
  • 22-04-2010 «serão introduzidas portagens nas Scut já a partir do próximo dia 1 de Julho» disse Teixeira dos Santos.
  • 29-06-2010 «O Governo tomou a decisão de adiar por trinta dias, até 1 de Agosto, a introdução de portagens nas SCUT Costa de Prata, Norte Litoral e Grande Porto»
  • 24-07-2010 O Governo «não pode aplicar as portagens nas SCUT a 1 de Agosto»
  • 09-09-2010 «Portagens em todas as SCUT até 15 de Abril» 
  • 14-10-2010 «É muita confusão … há um desconcerto …» diz Loreta Fernandez, uma jornalista espanhola da TVE que veio a Portugal para «tentar perceber» o que devem fazer os estrangeiros nas SCUT
  • 16-10-2010 «Portugal implanta el peaje más caro y caótico del mundo», titula El Mundo
  • 16-10-2010 «O processo de cobrança de portagens é caótico», diz a ANTRAM
Para o governo, «o mais depressa possível» significa pelo menos 6-anos-6 e a baderna que se viu e se vê, isto é o mais devagar possível e o pior possível. Estas portagens de José Sócrates são uma espécie de portagens de Santa Engrácia.

BREIQUINGUE NIUZ: A França é uma república

«Comparem-se os grevistas franceses com os agitadores Tea Party dos Estados Unidos na sua vontade de mudança. Os rebeldes americanos também são muitos, odeiam e desprezam furiosamente o governo em Washington, querem também derrubá-lo mas querem derrubá-lo nas urnas. Não lhes passaria pela cabeça fazê-lo contra o sufrágio universal, por marchas na rua ou por greve geral. Os Estados Unidos são uma democracia e a França é uma república

José Cutileiro, artigo Democracia e República no Expresso

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (26) – As locomotivas rosa usam gasóleo verde

«A Takargo [do grupo Mota-Engil cujo CEO é Jorge Coelho, o controleiro do aparelho socialista durante mais duma década] está a abastecer os seus comboios com gasóleo verde 20 cêntimos mais barato do que o rodoviário. Uma isenção desenhada para a CP, mas que acabou por beneficiar a Takargo e que leva a que todos os meses o Estado perca 200 mil euros de receitas fiscais. A Associação Nacional de Transportadores Rodoviários (ANTR), que já denunciou a situação ao Governo, diz que é um escândalo e uma situação de concorrência desleal.Todos os meses os comboios da Takargo abastecem, em Vilar Formoso, um milhão de litros de gasóleo verde. Os funcionários dispõem de um cartão, emitido pelo Ministério da Agricultura, com que realizam os abastecimentos. Uma isenção prevista na lei mas que foi concebida para a CP, que detinha a concessão para todo o serviço ferroviário nacional.» [DN]

17/10/2010

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (25) – As empresas públicas são apenas uma extensão do aparelho socialista e vice-versa

O deputado do PS Victor Baptista acusa André Figueiredo, chefe de gabinete de José Sócrates, de lhe ter oferecido em Abril «um lugar de gestor público no Metro, na CP ou na REFER, com um vencimento de 15 mil euros mensais» para desistir de se candidatar à presidência da federação de Coimbra do PS. Victor Baptista esperou seis meses até ter perdido as eleições por 5 votos para manifestar a sua indignação.

Apesar do intenso cheiro a putrefacção, as glândulas olfactivas dos novos situacionistas aguentam estoicamente.

BREIQUINGUE NIUZ: As portagens nas SCUT vão ser introduzidas «o mais depressa possível» (8)

Actualizando a primeira, a segunda, a terceira, a quarta, a quinta, a sexta e a sétima retrospectivas e confirmando a espantosa incapacidade de realização dos governos de José Sócrates que constantemente se empluma precisamente com a sua alegada capacidade de realização.
  • 06-11-2004 Mário Lino revela que portagens nas Scut irão financiar todas as estradas
  • 20-05-2005 Mário Lino, ministro das Obras Públicas, admitiu que em breve se tenha que proceder à cobrança de portagens nas Scut
  • 07-11-2005 Mário Lino está já a desenvolver um novo modelo geral de financiamento da rede rodoviária nacional, que inclui as Scut, e que deverá ficar concluído em 2006.
  • 19-01-2006 Mário Lino revela que portagens nas Scut irão financiar todas as estradas
  • 18-10-2006, pouco depois das 11h, Mário Lino tornava-se o quarto ministro consecutivo a anunciar o fim das chamadas auto-estradas Scut
  • 30-08-2007 portagens pagas nas ... Scut, anunciada pelo ministro Mário Lino em Outubro do ano passado, só será concretizada, na melhor das hipóteses, em 2008
  • 02-05-2007 negociações para introdução de portagens nas Scut retomadas há um mês
  • 10-10-2007 Mário Lino: Governo vai introduzir portagens nas Scut até ao final do ano
  • 13-11-2007 a implementação de portagens nas três Scuts - até ao fim deste ano - poderá ser adiada para o primeiro trimestre de 2008.
  • 15-01-2008 o processo está «bastante avançado», devendo «estar concluído brevemente»
  • 27-02-2008 Negociações para introdução de portagens «bem encaminhadas», garante Mário Lino
  • 01-03-2008 as negociações com as concessionárias estão bem encaminhadas.
  • 27-05-2008 entrarão em funcionamento «o mais depressa possível».
  • 30-06-2008 «Se pudesse ter amanhã portagens nas SCUT eu fazia»
  • 06-07-2007 «o Governo está a implementar a introdução das portagens nas três SCUT já referidas»
  • 02-10-2008 as portagens nas chamadas SCUT`s vão ser introduzidas «o mais depressa possível» 
  • 27-01-2010 «Há condições para introduzir portagens nas SCUT no 1º semestre»
  • 22-04-2010 «serão introduzidas portagens nas Scut já a partir do próximo dia 1 de Julho» disse Teixeira dos Santos.
  • 29-06-2010 «O Governo tomou a decisão de adiar por trinta dias, até 1 de Agosto, a introdução de portagens nas SCUT Costa de Prata, Norte Litoral e Grande Porto»
  • 24-07-2010 O Governo «não pode aplicar as portagens nas SCUT a 1 de Agosto»
  • 09-09-2010 «Portagens em todas as SCUT até 15 de Abril» 
  • 14-10-2010 «É muita confusão … há um desconcerto …» diz Loreta Fernandez, uma jornalista espanhola da TVE que veio a Portugal para «tentar perceber» o que devem fazer os estrangeiros nas SCUT.
Para o governo, «o mais depressa possível» significa pelo menos 6-anos-6 e a baderna que se viu e se vê, isto é o mais devagar possível e o pior possível. Estas portagens de José Sócrates são uma espécie de portagens de Santa Engrácia.

Sócrates contra Sócrates

Este vídeo é do 31 da Armada a quem devemos ficar gratos, todos e nomeadamente os papalvos eleitores do PS que continuam a ver no troca-tintas, que nos conduziu onde estamos hoje, o salvador que esperam fará o milagre de nos tirar do fosso onde nos levou uma coligação diabólica do neo-liberalismo com a oposição, as agências de rating e os mercados de capitais (não sei se estou a esquecer alguns dos culpados) segundo a narrativa da central de manipulação.

16/10/2010

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Estragar o negócio

Secção Tiros nos pés

Na proposta de OE que o governo vai apresentar ao parlamento, entre várias novas medidas de extorsão fiscal, há uma fará a felicidade da esquerdalhada. Como tudo o que faz a felicidade dessas criaturas, prevejo que seja um tiro no pé a médio prazo. Trata-se das holdings (SGPS) deixarem de poder deduzir os lucros das participadas se esses lucros não tiverem sido tributados na sociedade participada. A esta hora já os consultores fiscais estão a estudar o assunto e tratar de emigrar as holdings para outras paragens.

Merece o governo quatro bourbons, por continuar igual a si próprio, e cinco champalimauds por estar a estragar o negócio da extorsão a médio prazo sem dar por isso.

Mitos (22) – o buraco irlandês é maior do que o nosso?

Depende de qual buraco estamos a falar. Não será certamente o buraco do sistema público de segurança social onde o nosso fundo de estabilização (FESS) atinge a modesta cifra de 9,5 mil milhões para uma população de 10,6 milhões, correspondente a um valor per capita de 900 euros, que compara com uma cifra bem mais robusta de 24,1 mil milhões do National Pensions Reserve Fund para uma população de 4,6 milhões, correspondente a um valor per capita de 5.200 euros, ou seja 5,8 vezes o valor per capita português.

15/10/2010

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Há vida para além do spinning

«Seguindo o excelente spin do ministro da tutela, os jornais portugueses dizem que somos agora uma grande potência no mundo da ciência. Apresenta-se o ranking das melhores universidades do mundo, elaborado pela QS Top Universities, onde a melhor colocada é a Universidade de Coimbra, na invejável posição 356. O spin do ministro volta à carga. A mentira repete-se e repete-se. Um novo ranking, desta vez da SIR, repete o desastre anunciado. Agora a melhor universidade portuguesa é a Universidade Técnica de Lisboa, em 314. Mas a mentira vai continuar, sem que o problema estrutural seja resolvido!»

[Nuno Garoupa, Negócios online]

Bons exemplos

Anunciado há 3 semanas com a supressão de 177 quangos, o corte das banhas que os trabalhistas adicionaram à administração pública britânica tudo indica que vai de facto para a frente. Adicionalmente, o governo britânico vai reduzir as agências governamentais de 901 para 648 eliminando cerca de mil lugares. Como seria de esperar, o partido Trabalhista, criador desses lugares, não concorda.

Curtas e grossas (2)

Tea party – um ajuntamento amotinado de mentes simples com ideias simplistas, um epifenómeno da grande vitalidade da sociedade civil americana.

14/10/2010

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Se o ridículo fosse mortal teríamos uma baixa na associação Portugal Outsourcing

«Portugal é muito melhor do que a Índia» para fazer outsourcing, disse Frederico Moreira Rato, presidente da Portugal Outsourcing. Como pura publicidade a coisa tolerar-se-ia, se fosse dita em Londres, para onde a criatura se dirige. Os britânicos nem se dariam ao trabalho de pensar muito no assunto e veriam a coisa como um sound bite e se há atmosferas saturadas disso é a atmosfera de Londres. Acontece que Moreira Rato disse a coisa em Lisboa e provavelmente com ar de quem acredita mesmo. Aí a coisa vira masturbação e fica mortalmente ridícula.

Ridícula porque contra factos não há argumentos. Centenas de multinacionais de várias nacionalidades escolheram a Índia para localizar serviços desde baixa tecnologia (call centres, por exemplo) até média ou alta (software development centres) contratando centenas de milhar de técnicos. Alguns exemplos: BA, Amex, BEA, GE, Microsoft, SAP, HP, IBM, Intel, AMD, Oracle, Cisco, SAP e muitas outras. Porque foi a Índia preferida e não Portugal? A resposta é mão-de-obra qualificada e abundante (as universidades indianas produzem todos os anos muitas dezenas de milhar de graduados nas áreas científicas e tecnológicas) e, claro, barata.

Exagero? Nem por isso. Uma das empresas líderes do outsourcing, e não estou a falar de call centres ou de empresas de trabalho temporário tipo Manpower, estou a falar de IT infrastructure services e BTO (business process outsourcing), é a Infosys, uma empresa genuinamente indiana. Criada em 1981 por 7 pessoas com 250 dólares, factura hoje quase 5 mil milhões de dólares na Ásia, Austrália, Europa e América do Norte, emprega quase 115 mil pessoas e está cotada na Nasdaq.

«Portugal é muito melhor do que a Índia» só se for para o surfing. Ou então eu sou o Clark Kent e tenho uma namorada chamada Loris Lane. Ó doutor Moreira Rato, tenha dó de nós, já nos basta ter o rei dos lunáticos como primeiro-ministro.

Alguns obamas de Obama fazem felizes os obamófobos (1) – Quem é o Sr. Walker?

“CHANGE is going to come,” a hoarse Barack Obama insisted in Madison, Wisconsin on September 28th. It was the president’s third trip to the state in six weeks. Scott Walker, who is running for Wisconsin’s governor, is thrilled by the attention. “Every time he comes,” Mr Walker explains cheerfully, “we get a massive rush of volunteers.” (Economist Sep 30th]


Who’s Mr Walker? A Democrat candidate, I would say. Right?

Wrong. «Mr Walker is the Republican candidate

GIVING A CHANCE TO DETRACTORS: Welcome to our 21st Century!

Our communication - Wireless
Our phones - Cordless
Our cooking - Fireless
Our food - Fatless
Our Sweets - Sugarless
Our labor - Effortless
Our relations - Fruitless
Our attitude - Careless
Our feelings - Heartless
Our politics - Shameless
Our education - Worthless
Our Mistakes - Countless
Our arguments - Baseless
Our youth - Jobless
Our Ladies - Topless
Our Boss - Brainless
Our Jobs - Thankless
Our Needs - Endless
Our situation - Hopeless
Our Salaries - Less and less
Our protests - Useless

[Posted by JARF]

13/10/2010

Sempre é melhor do que ganhar à Islândia

A eleição de Portugal para o Conselho de Segurança não significa muito, dados os arranjos a que está sujeita. Em caso de dúvida, vejam-se quem são os actuais membros eleitos entre os quais se encontra Uganda, Gabão, Líbano, Bósnia e Herzegovina e Nigéria. Em todo o caso, significa que no final de contas ¾ dos membros da ONU votaram em Portugal.

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: As rameiras do regime (3)

[Continuação de (1) e 2)]

Conforme já havia sido pré-anunciado por Santos Ferreira, o comissário do polvo no BCP, a transferência das responsabilidades futuras (*) pelas pensões dos bancários está a caminho da Segurança Social. Transferência que por artes da providência socialista ajudará a tapar os buracos no OE e a abrir outros buracos na sustentabilidade do sistema de pensões que passa a ser financiado no que respeita aos bancários por 31,61% dos salários = 23,61% dos bancos e 8% dos bancários contra os 34,75% = 23,75% + 11% do regime geral. É o preço que o governo fará pagar aos contribuintes futuros do sistema.

Enquanto isso, percebe-se porquê outras rameiras do regime (CGD e BES) passaram da intransigente defesa do interesse estratégico da PT na Vivo para as delícias de receberem um cheque da Telefonica que ajudará a suportar a dor da perda. Ao mesmo tempo que uma outra rameira (PT) perde a vergonha de reconhecer que partilha a cama com outra rameira (BES) e resolve comprar ao fundo de pensões que, como rameira acabada, aceitou transferir para a Segurança Social, uma participação de 2,6% na segunda rameira (BES) que considera estratégica. Fica por explicar em que consiste o interesse estratégico dum grupo de telecomunicações ter uma participação num banco. Enfim, talvez seja o princípio do chaebol Granadeiro e Bava.

(*) Responsabilidades futuras e não, como escrevi no n.º 1 desta série, os fundos, isto é as responsabilidades por com serviços passados dos activos e por pensões dos reformados. Isso fica de reserva para tapar os inevitáveis buracos em 2011 ou 2012.

DIÁRIO DE BORDO: O microcosmos da Nikon (2)

Abdomen de abelha com pólen [Robert Markus – Instituto de Genética da Academia de Ciências Húngara]

12/10/2010

Estamos desgraçados sem remissão

Quando o único ministro considerado confiável pelo presidente da República e por número significativo de analistas e comentadores, confiável o suficiente para se esperar dele que faça sair o país do atoleiro onde nos enfiou uma equipa onde se encontra o mesmíssimo ministro, quando esse ministro, dizia eu, fez 7 estimativas diferentes do défice de 2009, justifica a extracção do fundo de pensões da PT de 2,6 mil milhões com mil milhões do submarino, de que afinal se contabilizam este ano só 500 milhões, submarino que faz parte da encomenda decidida por um governo do qual era ministro o seu actual chefe, encomenda que o mesmíssimo ministro, depois de mandar comprar um carro de 150 mil euros para as personalidades, diz não servir para nada, contra a opinião do seu colega da Defesa que aproveita para anunciar 1,5 mil milhões (ou 3 submarinos) para compra e modernização de aviões para a FA, quando chegamos a este ponto, estamos desgraçados sem remissão.

ESTADO DE SÍTIO: E se de repente?

E se de repente Sócrates se demitir a pretexto do eventual chumbo do orçamento? Ficaremos numa situação parecida com a Bélgica? – um não país, uma espécie de união europeia em formato pequenino, com um défice de quase 6% do PIB e uma dívida pública que supera os 100%, há 4 meses a tentar formar governo, em negociações infindáveis com os negociadores francófonos e valões a odiaram-se educadamente e insultarem-se polidamente.

11/10/2010

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (24) – É mais barato alimentar um burro a pão-de-ló

A Direcção-Geral das Contribuições e Impostos torrar 300 ou 400 mil euros (220 mil mais um custo indeterminado de alojamento de 900 chefes) para comemorar 160 anos a extorquir dinheiro aos sujeitos passivos seria um escândalo mesmo em tempo de vacas gordas. Escândalo apesar de tudo superado pelo feito da Anacom ao torrar 150 mil euros num jantar para «fomentar a coesão e a motivação» de um número de «colaboradores» certamente muito inferior ao de chefes da DGCI.

Não há sinais visíveis de indignação daquelas almas socialistas sensíveis.

LASCIATE OGNI SPERANZA VOI CH'ENTRATE: O fim do estado social (2)

[Continuação de (1)]

Segundo o juiz jubilado do Tribunal de Contas Carlos Moreno, em entrevista no Expresso a propósito do seu livro «Como o Estado gasta o nosso dinheiro», a dívida pública directa e a dívida das empresas públicas com participação directa da Direcção-Geral do Tesouro, cerca de 100 dum universo de 700 empresas (*), seria 132% do PIB no final de 2009, dos quais 81% é a dívida directa do Estado.

Se quisermos saber a dívida total do Estado, além de mais de um milhar de empresas públicas não dependentes da DGT, deveremos adicionar os compromissos com as parcerias público-privadas que Carlos Moreno estima em 50 ou 35 mil milhões, conforme se incluir ou não o TGV. Já vamos em 163% do PIB.

E não é tudo. Falta uma parcela pesadíssima constituída pelo valor actual das responsabilidades com serviços passados dos activos e das responsabilidades com pensões dos reformados da CGA e do regime geral na parte que não está provisionada, que é quase tudo – o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social representa pouco mais de 5% do PIB. Fazendo umas contas de merceeiro, se considerarmos: 5,5 milhões de activos com uma média de 20 anos de descontos, um salário médio da carreira de 800 euros e uma esperança de vida média de 20 anos após a reforma e 3,5 milhões de reformados com uma pensão média de 600 euros e uma esperança de vida média de 10 anos, o valor total das responsabilidades dificilmente seria inferior a 4-5 vezes o PIB de 2009.

Feita a adição, a dívida total e o défice de provisionamento de responsabilidades já incorridas deverá rondar 6-7 vezes o PIB ou o equivalente a 15-20 anos de receitas de impostos com uma carga fiscal insustentável superior à actual.

(*) Segundo os dados de João Duque aqui citados, o universo das empresas públicas é 1.182 e o de empresas municipais 343.

10/10/2010

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: As pensões, os submarinos e as SCUTS

Conversa em 2017 entre um reformado e um funcionário do departamento de recursos humanos da PT:
- Ó doutor Araújo e Sá, explique-me cá porquê a minha pensão não é actualizada há 3 anos.
- Ó homem, sei lá. Responde displicentemente o doutor Ferraz Carqueja Quintela Melgaz de Carrilho Araújo e Sá, um jovem seleccionado e formado através do programa Trainees PT, 7 anos antes.
- Não sabe? Então quem é que sabe?
- Pois terá que ser a Previdência.
- Que seja a Previdência. Mas as regras não são as mesmas do fundo de pensões?
- Bom,… sabe como estas coisas tiveram de ser… os submarinos…
- Os submarinos? Quais submarinos?
- Os submarinos, as SCUTS…
[Diálogo antecipado a partir da entrevista do Expresso ao ministro das Finanças:
Expresso: Mas só o fundo de pensões da PT são 2,6 mil milhões de euros?
Ministro: Mas só os submarinos são mil milhões e depois temos as centenas de milhões da Estradas de Portugal …]

L’Etat, l’Art et l’état de l’art

A uma mente distraída que ainda não tenha compreendido as razões do fascínio das tribos radical chic e esquerda caviar pela cóltura francesa ou melhor pela administração da cultura pelo estado francês, recomenda-se que vá ao King ver «A Dança - Le Ballet de l'Opéra de Paris» de Frederick Wiseman. Está lá tudo: le dirigisme (la directrice de danse Brigitte Lefèvre), le délègue syndical, les retraites, les intermittents et l’Etat, toujours l’Etat.

SERVIÇO PÚBLICO: Brainwashing ou de pequenino é que se torce o pepino

Educação Sexual: 6 mitos e 6 factos


MITO 1: Portugal tem a 2.ª maior taxa de gravidez adolescente da Europa.
 Facto 1: Portugal não tem a 2.ª maior taxa de gravidez adolescente. Piores, por exemplo, estão a França, a Dinamarca, a Suécia, a Noruega, a República Checa, a Islândia, a Eslováquia, o Reino Unido (mais do dobro de Portugal), e a Hungria (o triplo). Já agora, nos EUA, o maior consumidor e exportador de Educação Sexual, a taxa é quatro vezes maior do que a portuguesa.


MITO 2: Os conteúdos de Educação Sexual são totalmente científicos.
Facto 2: A biologia da reprodução, infecções sexuais (IST) e contraceptivos são matérias leccionadas há décadas. Que transmite, então, a Educação Sexual? Uma espécie de revolução sexual tipo Maio de 68, mas para crianças. Num livro divulgado em todas as escolas, propõe-se que alunos de 12 anos debatam em aula as seguintes questões: «Já fingiste um orgasmo?»; «Descreve-me a tua primeira experiência sexual»; «Tens fantasias sexuais?»; «O que te excita sexualmente!». Mais de mil escolas compraram material que propõe: masturbação solitária, em grupo, mútua. No Minho, um professor foi punido por recusar usar um livro que, entre outras coisas, propunha às crianças desenhar o corpo e as partes onde gostam de ser tocadas. No mesmo livro diz-se que as crianças precisam de conhecer «o vocabulário médico (pénis, vagina, relações sexuais), calão (f..., con... , car... )».


MITO 3: A Educação Sexual está cientificamente fundamentada nas ciências da educação e na psicologia. Ora, os pais não são técnicos.
Facto 3: Os materiais de Educação Sexual usam abundantemente os 'jogos de clarificação de valores' de Rogers/Coulson e os 'dilemas morais' de Kohlberg, cientistas famosos. E, de facto, os pais comuns desconhecem essas teorias. Mas note-se que Rogers/Coulson afirmaram ser muito perigoso expor crianças às suas teorias. E Kohlberg concluiu, das suas experiências na Cluster School: «As minhas ideias estavam erradas. O educador deve transferir valores e comportamentos, e não apenas serem facilitados ao jeito de Sócrates ou Carl Rogers». Que aconteceu, entretanto, na Cluster School? «Esta escola serviu para gerar ladrões, mentirosos e drogados, apesar de a escola ter apenas 30 alunos e contar com 6 professores e dúzias de consultores», conclui.


MITO 4: A eficácia da Educação Sexual, na prevenção da gravidez e do contágio de doenças, certamente foi avaliada cientificamente.
Facto 4: Não é verdade: na Educação Sexual escasseia o trabalho científico. Mais de 30 anos após o lançamento da Educação Sexual nas escolas dos EUA, Kirby tentou uma meta-análise sobre a eficácia dos programas e encontrou apenas 23 estudos com um mínimo de qualidade. Neste momento só é certo que: 1. Nenhum modelo é consensual; 2. Continua por provar que exista um modelo de 'sexo seguro' que diminua a gravidez adolescente e o contágio de 1ST.


MITO 5: A Educação Sexual deve ser obrigatória, tal como a Matemática é obrigatória.
Facto 5: A Matemática é obrigatória porque é exigida pela realidade. Um engenheiro precisa do cálculo diferencial e, por isso, precisa de saber derivar. Quem opta por não ter Matemática a partir do 9.° ano está a optar por não ser engenheiro. Mas quem prescinde do 'Maio de 68 para crianças' renuncia a quê? Às convicções sexuais do professor de Educação Sexual. A maioria dos pais ignora as convicções pessoais do professor de Matemática. Mas será que um ateu aceitaria, para professor de Educação Sexual do filho, um padre? E quantos casais aceitariam um activista gay? No modelo actual, tudo isto pode (vai) acontecer, sem que os pais possam impedir.


MITO 6: Os jovens têm actividade sexual e é preciso ajudá-los a praticar sexo seguro sem o risco da gravidez ou 1ST.
Facto 6: Qual é a segurança do 'sexo seguro'? A OMS declarou, em 2005 e 2007, que os contraceptivos hormonais combinados são cancerígenos nos seres humanos (grupo 1, o máximo). Onde estão os materiais sobre 'sexo seguro' que referem isso? Quem informa as adolescentes de que o risco de desenvolver cancro é máximo em quem toma a pílula durante quatro anos antes da primeira gravidez de termo? E quem alerta quanto à ineficácia do preservativo para evitar o contágio de praticamente todas as 1ST? E quem diz às crianças que a intimidade sexual é muito mais que prazer, químicos e borrachas? Mas os pais que não querem filhos expostos a estes riscos nada podem fazer. A partir desta altura haverá nas escolas gabinetes a proporcionar contraceptivos aos alunos sem conhecimento dos pais.

[João Araújo, Professor universitário, jornal Sol de 08-10-2010]

CITAÇÃO DO DIA:
«Brainwashing was made up of two processes:
  • One is the conditioning, or softening-up, process primarily for control purposes.
  • The other is an indoctrination or persuasion process for conversion purposes.»
[Edward Hunter, Brainwashing, Pyramid Books,1956]

09/10/2010

Curtas e grossas (1) – Uma espécie de coragem “republicana”

A coragem alegada por Sócrates no combate à crise de solvência consumada pela sua governação nos últimos 5 anos é comparável à coragem dos “republicanos” no combate à ditadura do Estado Novo saída do golpe militar de 28 de Maio de 1926 gerado pela governação “republicana” nos 16 anos anteriores.

Bombeiro incendiário

ESTADO DE SÍTIO: O aprendiz de feiticeiro

Ficou a saber-se que o governo torrou 330 mil euros para contratar a agência Kreab Gavin Anderson (KGA) por um processo bastante obscuro iniciado em Fevereiro. Segundo o ministério da Economia, trata-se de consultoria para melhorar a imagem de Portugal nos mercados financeiros. A avaliar pela evolução dos juros das OT a 10 anos, os conselhos da KGA têm sido inúteis e a única consequência visível da sua colaboração parece ter sido no domínio do lóbi conseguindo entrevistas ao governo no New York Times, na CNN e na Bloomberg.

[Fonte: Bloomberg]

Com esta abordagem o governo revela incompreensão do funcionamento dos mercados, a ideia ingénua que é possível enganá-los reiteradamente, e, sobretudo, uma vez mais, a crença nos poderes miraculosos da manipulação mediática, imagem de marca de Sócrates e dos seus governos. Crença que desloca o foco da acção política dos problemas de facto para o seu epifenómeno mediático. Se alguma inovação José Sócrates aportou à prática política portuguesa terá sido essa, a par da intensidade com que tem usado o princípio da prevalência absoluta dos fins sobre os meios. É um arremedo de príncipe maquiavélico a quem falta um maquiavel.

08/10/2010

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Sátrapa

Desta vez quem me tirou a palavra da boca foi o Pertinente, ao apelidar de sátrapas os apparatchiks instalados nos órgãos de gestão pública. Segundo o meu dicionário, «sátrapa» é o título dos antigos governadores de província, entre os persas, ou um homem poderoso, ou um grande dignitário ou um sibarita. Percebo a ideia, mas não me parece que aqueles 20 sátrapas sejam os mesmos sátrapas do meu dicionário. Por isso, por devoção ao rigor, vou adicionar mais uma entrada no Glossário das Impertinências.

Sátrapa
Um apparatchik instalado num dos 13.740 organismos públicos (contagem de Outubro de 2010) que custa em média o equivalente a pelo menos 200 utentes da vaca marsupial pública.

O estado das obras públicas

Meu deus, porque me fizeste tão belo?
[Foto i online

Um sátrapa público equivale a 210 funcionários

Enviaram-me uma lista de 20 administradores de empresas públicas e institutos públicos cujos salários, incluindo prémios, totalizam anualmente quase 53 milhões de euros. Segundo as contas feitas, com base num salário médio mensal dum funcionário público de 900 euros, os 54 milhões de euros pagariam o salário anual a cerca de 4.200 funcionários.

Se esses 20 administradores estivessem num mercado de trabalho sujeito à oferta e procura, este post teria um só parágrafo. Não sendo o caso, tenho que aceitar a indignação do funcionário público médio cujo trabalho durante um ano vale um dia de trabalho dum sátrapa médio.

DIÁRIO DE BORDO: O microcosmos da Nikon (1)

Larva de crustáceo do plâncton [Wim van Egmond - Micropolitan Museum in Rotterdam]

07/10/2010

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: O poder do tálamo

Segundo a Forbes, Michele Obama é a mulher mais poderosa do mundo. Eu não acho nada. Se ao menos fosse Angela Merkel (4.ª) ou Julia Gillard (58.ª). O que diriam as feministas assanhadas se nos anos 80 a Forbes tivesse considerado Denis Thatcher como um dos homens mais poderosos do mundo? Teriam queimado os sutiãs?

ESTADO DE SÍTIO: O «monstro» de Cavaco Silva engordado por Guterres e Sócrates

A melhor piada do ano

«I don't want a tomato picked by a Mexican. I want it picked by an American, then sliced by a Guatemalan and served by a Venezuelan in a spa where a Chilean gives me a Brazilian. Because my great-grandfather did not travel across 4,000 miles of the Atlantic Ocean to see this country overrun by immigrants.» [Los Angeles Times]
Stephen Colbert do Daily Show de Jon Stewart

Aquela não é a melhor piada do ano. É a segunda melhor. A melhor é um subcomité do Congresso americano ter convidado um comediante de origem inglesa a depor sobre o problema da imigração sem perceber que Colbert iria previsivelmente transformar o depoimento numa performance.

06/10/2010

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: As rameiras do regime (2)

[Continuação de (1)]

Já se sabe por quanto a Caixa vendeu o horrendo mausoléu-sede de estética Estado Novo ao fundo de pensões do seu pessoal: exactamente 251,8 milhões de euros [número apresentado pelo Oje]. Com esta engenharia financeira ajeitam-se os resultados deste ano com a mais-valia de 103,7 milhões resultante da venda, valor equivalente ao lucro do 1.º semestre, e parqueia-se nos activos do fundo para financiar as pensões do pessoal um imóvel invendável a não ser no contexto deste tipo de operações criativas entre empresas públicas. Não há notícia que os sindicatos ou a comissão de trabalhadores da Caixa tenham reparado na manobra.

ARTIGO DEFUNTO: O apóstata João

Depois de dois anos e meio na direcção, durante os quais o Diário de Notícias foi um diário da manhã après la lettre, a passar a mão pelo pêlo a José Sócrates e ao seu governo, João Marcelino começou recentemente a ganhar as suas distâncias, aparentemente a preparar-se para abandonar o barco antes de afundar. Como em tudo na vida, há um momento em que a quantidade se transforma em qualidade (uma bacoquice de Hegel que, contudo, fica bem citar), e esse momento, no caso de Marcelino, foi para mim o seu artigo de opinião de sábado passado que eu nunca teria lido não fosse o blasfemo João Miranda. É um artigo notável, no sentido em que seria notável a conversão ao judaísmo dum islamita.

Nesse artigo, Marcelino denuncia «os governos que nos trouxeram até aqui, engordando o Estado, promovendo o despesismo, empregando os beneficiários da "cunha", doando contratos leoninos aos amigalhaços, aplicando mal os impostos crescentes». Denuncia «confundir convicção com vontade de continuar a mandar seja qual for o custo» e conclui «neste momento não há, na sociedade portuguesa, confiança na classe política».

Por muito tardia que esta conversão de Marcelino me pareça, e parece, tento ver nela um lampejo de esperança. Não tanto de esperança que a verdade venha a revelar-se aos espíritos mais herméticos, mas mais de esperança que o abandono do navio pelos ratos prenuncie o seu afundamento.

05/10/2010

SERVIÇO PÚBLICO: A restauração da sopa do Sidónio

Sidónio Pais foi um militar maçónico que estranhamente não chegou a coronel, ficou-se pelo cargo de major, desempenhou vários cargos públicos, incluindo o de primeiro-ministro, promoveu a alteração da constituição, passando o regime parlamentar a presidencial e fez-se eleger em 1917 presidente da República. Tomou algumas medidas de carácter social sendo a mais conhecida a «sopa dos pobres» ou «sopa do Sidónio». Depois de várias medidas repressivas, como a conhecida «leva da morte», acabou da mesma forma de vários milhares de outros «republicanos»: morto a tiro no final de 1918. [ver mais aqui]

Reagindo ao corte de 5% na tença de 3.700 euros por mês e 60 euros por dia de ajudas de custo, o deputado socialista Ricardo Gonçalves soltou um grito de alma dilacerada - «quase não temos dinheiro para comer» - e implorou a abertura da cantina do parlamento à noite para o jantar.

Comovido pela desdita do deputado, aproprio-me da ideia que me foi sugerida por FRM e proponho aproveitar a comemoração dos 100 anos da República e «restabelecer a Sopa do Sidónio para resolver o problema do desgraçado».

Pro memoria (11) - See my leaps, don’t read my lips (III)

«Questionado na RTP (entrevista do dia 01-10-2010) se o Governo iria apresentar mais medidas de austeridade em 2011, Sócrates respondeu “com certeza que não»

Tomemos, pois, nota para conferir no próximo ano, ou ainda este ano.

04/10/2010

Pro memoria (10) - Os insultos de Sócrates à inteligência dos eleitores

Não costumo (não consigo) assistir às entrevistas a José Sócrates e não assisti à de sábado passado à TVI, estranhamente muito pouco comentada, talvez por estarmos todos já muito cansados de tanta mistificação. Por isso, li com muito interesse esta análise do i online:

1 - “Isso é partir do princípio de que teria sido melhor para o país tomar as medidas em Maio. Eu não estou convencido disso.”
Não. Atraso nas medidas agravou subida dos juros.
A especulação sobre a dívida portuguesa foi alimentada pela situação da Irlanda e pelos sinais errados que as contas públicas de Portugal foram emitindo. Bancos (Credit Lyonnais, por exemplo) e agências internacionais notaram o atraso português na consolidação orçamental. Espanha tomou medidas e teve recessão e mais desemprego, argumenta o primeiro-ministro. Portugal toma-as agora com maior esforço no PIB do que em Espanha e com recessão e subida do desemprego à vista. Entretanto, a imagem externa do país e a factura dos juros (paga pelos contribuintes) agravaram-se.


2 - “Quando as condições de mercado melhorarem nós poderemos renegociar essas colocações de dívida.
Não. Portugal não pode renegociar emissões já feitas.
José Sócrates defende que a factura dos juros da dívida emitida este ano poderá ser renegociada. Não é assim. “Demonstra uma profunda ignorância sobre o financiamento público”, aponta Cantiga Esteves, professor de Finanças no ISEG. As emissões foram feitas e dispersadas em mercado secundário a um juro fixo que não pode ser alterado. O governo poderia recomprar essas obrigações se os juros caíssem, mas pagaria mais por elas (porque quando os juros caem, o preço das obrigações sobe). Não há dúvida: a factura a pagar será mesmo mais alta.

3 - “Os contribuintes não vão pagar nada porque estes fundos [de pensões da PT] foram provisionados”
Não. É impossível dar hoje essa garantia aos portugueses.
Em primeiro lugar, os “cálculos actuariais” de que Sócrates falou são muito falíveis, como “têm demonstrado várias teses de mestrado em Finanças”, diz João Duque, professor de Finanças no ISEG. As taxas de mortalidade usadas estão sempre a mudar (com o aumento da longevidade) – esta é uma realidade dinâmica e o provisionamento feito pela PT pode não chegar. Segundo: o Estado vai gastar já o dinheiro que recebe da PT e terá mais tarde de taxar os portugueses para pagar as pensões. É um empréstimo que a PT (que propôs o negócio ao Estado) faz: a que taxa de juro? Não se sabe.

4 - “O facto de a nossa economia estar agora mais robusta dá mais garantias de que apesar destas medidas continuará a crescer”
Sócrates invoca o crescimento de 1,4% até Junho para defender a capacidade da economia de aguentar a austeridade orçamental. Está sozinho nessa análise. Economistas portugueses (da esquerda à direita) e estrangeiros (FMI, “Economist”, Barclays, etc.) apontam para uma recessão em 2011, indicando bloqueios estruturais ao crescimento. E depois de 2011? Jorge Coelho, do PS, explica ao i: “Isto não é problema que se resolva em dois ou três anos. Só se o défice baixar e a economia internacional animar é que podemos pensar em levantar voo. Mesmo assim, será um voo muito baixinho.”

5 - “Quando um governo diz que congela as pensões quer dizer que todos os pensionistas receberão em 2010 o que recebiam em 2009”
O chefe de governo fala da decisão de congelar as pensões, mas deixa de fora uma medida do seu governo: “Convergência da tributação dos rendimentos da categoria H [pensões de reforma] com regime de tributação da categoria A [trabalho]”. Por outras palavras: num ano de congelamento da prestação, o governo vai agravar a tributação de IRS sobre as pensões de reforma, aproximando-a do nível taxado aos rendimentos do trabalho. Na prática, haverá por isso uma redução real no valor das reformas, acrescido do desgaste provocado pela inflação.

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: As rameiras do regime

aqui escrevi sobre a rameira PT, cujos fundos de pensões servirão para encher com 2,6 mil milhões parte do buraco do OE não só de 2010 mas, sabe-se agora, de 2011, fifty-fifty. A PT é apenas uma rameira do regime entre muitas outras rameiras, como os bancos, com o BCP à cabeça, que se propõem transferir para a SS os seus fundos de pensões. É bom para eles que se livram de responsabilidades muito provavelmente subavaliadas, quer em termos de taxa de desconto, quer de mortalidades, e é bom para o governo porque garante a meta do défice de 2011, sem cortar muito mais na despesa, trabalhando assim para salvar as muito prováveis eleições em 2011. Só não é bom para os sujeitos passivos, alguns dos quais ainda não nasceram, obrigados a financiar nas próximas décadas pensões muito acima das pensões médias da SS com o que restar da transferência dos fundos depois de torrada a grana necessária para as incontornáveis emergências.

Neste contexto do gaste agora e pague depois e da contabilidade criativa, não admira que a Caixa tenha tirado da cartola uma manobra de engenharia financeira vendendo o edifício da sede social – aquele horrendo mausoléu de estética Estado Novo onde se alojam mais de 4.000 zombies – ao fundo de pensões que ela própria gere, fazendo entrar umas centenas de milhões de liquidez e eventualmente realizar mais-valias para arredondar os resultados (em 2008 a receita já tinha sido aplicada vendendo ao fundo de pensões por 121 milhões imóveis cujo valor de balanço era 62 milhões).

03/10/2010

SERVIÇO PÚBLICO: Testes de (pouca) resistência (4)

[Continuação de (1), (2)] e (3)]

As dúvidas sobre a fiabilidade dos testes de resistência dos 91 bancos europeus, oportunamente referidas no (Im)pertinências, avolumam-se na medida em que a avaliação do risco pelos mercados, traduzida pelo custo crescente dos CDS, mostra não ter sido restaurada a confiança com a publicação dos resultados. Algumas dessas dúvidas foram inventariadas recentemente pelo WSJ. Parte dessas dúvidas reside na demonstração, ou na falta dela, da dívida pública detida pelos bancos ou na sua classificação. Veja-se na nota (1) deste post do (Im)pertinências, como exemplo para o caso português, as consequências da classificação adoptada pelo BPI na apresentação dos melhores resultados. Outro exemplo notável, demonstrado pelo WSJ com o diagrama seguinte, é o da banca francesa em que a exposição à dívida dos países mediterrânicos foi subavaliada em 2/3:

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Festejar a ditadura terrorista?

«Em 2010, a questão é esta: como é possível pedir aos partidos de uma democracia liberal que festejem uma ditadura terrorista em que reinavam “carbonários” vigilantes de vário género e pêlo e a “formiga branca” do jacobinismo? Como é possível pedir a uma cultura política assente nos “direitos do homem e do cidadão” que preste homenagem oficial a uma cultura política que perseguia sem escrúpulos uma vasta e indeterminada multidão de “suspeitos” (anarquistas, anarco-sindicalistas, monárquicos, moderados e por aí fora)? Como é possível ao Estado da tolerância e da aceitação do “outro” mostrar agora o seu respeito por uma ideologia cuja essência era a erradicação do catolicismo? E, principalmente, como é possível ignorar que a Monarquia, apesar da sua decadência e da sua inoperância, fora um regime bem mais livre e legalista do que a grosseira cópia do pior radicalismo francês, que o 5 de Outubro trouxe a Portugal?»
[Vasco Pulido Valente, no Público de ontem]

Uma pergunta impertinente: em vez de comemorar a implantação da ditadura terrorista, não faria mais sentido, a exemplo da ditadura salazarista, comemorar a sua queda?