Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

31/03/2009

Triumph der Hoffnung

«As such, it is a triumph of hope over experience to believe that more government spending will help the U.S. today.»

[Open letter to President Obama sponsored by The Cato Institute]

O CAMINHO PARA A SERVIDÃO: O newspeak.

«Se não tivermos experiência pessoal deste processo (a perversão do significado do termo), torna-se difícil abarcar a magnitude desta alteração do significado das palavras, a confusão que provoca e as barreiras que cria a qualquer discussão racional. Há que ver para crer, como se um dos dois irmãos abraçasse uma nova fé e após algum tempo parecesse falar uma linguagem diferente, que impossibilita qualquer genuína tentativa de comunicação. E a confusão agrava-se porque esta alteração do significado das palavras que descrevem ideais políticos não é um acontecimento isolado mas sim um processo contínuo, uma técnica usada consciente ou inconscientemente para dirigir pessoas. Gradualmente, à medida que este processo prossegue, toda a linguagem vai sendo despojada, as palavras tornam-se receptáculos ocos destituídos de um significado preciso, podendo designar tanto uma coisa como o seu contrário, e são usadas apenas pelas associações emocionais que ainda suscitam.»
[F. Hayek, O caminho para a servidão]

30/03/2009

O CAMINHO PARA A SERVIDÃO: A verdade conveniente

«A propaganda hábil tem o poder de moldar (as mentes das pessoas) como queira e nem os mais inteligentes e independentes conseguem escapar por completo a essa influência se estiverem muito tempo isolados das outras fontes de informação.
As consequências morais da propaganda totalitária que teremos agora de considerar são, contudo, de um género ainda mais profundo. Destroem toda a moral porque minam os fundamentos de toda a moral, a noção de verdade e o respeito por ela. Pela própria natureza da sua tarefa, a propaganda totalitária não se pode restringir a valores, a questões de opinião e de convicções morais a que todos os indivíduos mais ou menos quase sempre se conformam, às ideias que regem a sua comunidade, mas tem de se estender às questões de facto, em que a inteligência humana está envolvida de uma forma diferente. E isto, em primeiro lugar, porque para levar as pessoas a aceitar os valores oficiais, estes têm de ser justificados. Ou tem de se demonstrar que estão relacionados com os valores porque as pessoas já se regem; segundo, porque a distinção entre fins e meios, entre o objectivo visado e as medidas tomadas para o alcançar, nunca é tão rigorosa e definida como uma discussão genérica destes problemas possa dar a entender; e porque, por isso, as pessoas têm de ser levadas a concordar não apenas com os objectivos últimos, mas também com as opiniões sobre os factos e as possibilidades em que se essas medidas se baseiam.»

[F. Hayek, O caminho para a servidão]

Aplicações alternativas

Se tivesses comprado, há um ano, 1.000 Euros em acções da Nortel Networks, um dos gigantes da área de Telecomunicações, hoje terias 59 Euros. Se tivesses comprado, há um ano, 1.000 Euros em acções da Lucent Technologies, outro gigante da área de telecomunicações, hoje terias 79 Euros. Se tivesses comprado, há um ano, 1.000 Euros da Super Bock (em cerveja, não em acções), tivesses bebido tudo e vendido as garrafas vazias, hoje terias 80 Euros.

Conclusão: No cenário económico actual, perdes menos dinheiro se ficares sentado a beber Super Bock o dia inteiro.

[Sugerido por AB]

À atenção da Unicer: favor transferir para a minha conta o equivalente a 100 grades.

29/03/2009

Se ele o diz

O liberalismo académico gosta de imaginar que os mercados são o deus ex machina das sociedades humanas. Em particular gosta de sonhar que os salários dos executivos são ditados pelos accionistas. Ouçamos o que tem para nos dizer a este respeito António Carrapatoso que, em vias de deixar o seu cargo na Vodafone, trata o tema com alguma franqueza e o suficiente conhecimento de causa.

«À partida as coisas seriam simples. Os salários e bónus dos gestores resultariam da lei da procura e da oferta relativa ao seu trabalho e ninguém teria nada a ver com o assunto, excepto os accionistas da organização em causa que, tendo aprovado o pacote de compensação, beneficiariam com a respectiva razoabilidade ou sofreriam com a falta desta.

Se a um determinado gestor fosse atribuído um salário base e um esquema de bónus muito atractivo seria porque os accionistas acreditavam no potencial deste gestor para acrescentar um valor substancial à organização. Se o gestor viesse a ganhar bónus extraordinários, então teria decerto também criado um valor extraordinário para a organização, beneficiando ainda a sociedade em geral. Mas, no mundo real, as coisas não funcionam como o teoricamente previsto.
»

(ler o resto aqui)

O CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal

«A escolha possível não é entre um sistema em que toda a gente tem o que merece, segundo um qualquer padrão legal absoluto e universal, e um outro em que o quinhão do indivíduo é determinado em parte pelo acaso ou pela boa ou má sorte, mas sim entre um sistema em que a vontade de uns quantos decide quem recebe o quê, e um outro que depende em parte da capacidade e empreendimento das pessoas interessadas e, em parte, de circunstâncias imprevisíveis. Num sistema de livre iniciativa, as hipóteses não são iguais, pois tal sistema baseia-se necessariamente na propriedade privada e (ainda que não com a mesma necessidade) na herança, com as diferenças de oportunidade que estes criam. Há motivos para reduzir esta desigualdade de oportunidades, na medida em que as diferenças congénitas o permitam e que se o possa fazer sem destruir o carácter impessoal do processo, no qual todos têm de arriscar e em que nenhuma opinião quanto ao que é legítimo e desejável se sobrepõe à dos outros.»
[F. Hayek, O caminho para a servidão]

28/03/2009

O CAMINHO PARA A SERVIDÃO: As perversões do Estado “justo”.

«Um resultado necessário, e só aparentemente paradoxal, desta igualdade formal perante a lei está em conflito – é, aliás, incompatível – com qualquer actividade do governo que vise deliberadamente a igualdade material ou substantiva de pessoas diferentes, e qualquer política que vise um ideal substantivo de justiça distributiva tem de acarretar a destruição do Estado de direito. Para produzir o mesmo resultado para diferentes pessoas é necessário tratá-las de forma diferente. Dar a pessoas diferentes as mesmas oportunidade objectivas não é dar-lhes a mesma hipótese subjectiva. Não se pode negar que o Estado de direito produz desigualdade económica – o que se poderá dizer em seu abono é que esta desigualdade não é concebida para afectar determinadas pessoas de determinada forma. É extremamente significativo e característico que os socialistas (e os nazis) tenham sempre protestado contra a justiça “meramente” formal, que se tenham sempre oposto a uma lei sem concepções sobre quão abastadas as pessoas devem ser, e que tenham sempre exigido a “socialização da lei”, atacado a independência dos juízes, e ao mesmo tempo dado o seu apoio a todos os movimentos do género Freirechtsschule que minavam o Estado de direito.»
[F. Hayek, O caminho para a servidão]

Adivinhe quem disse o quê

«O capitalismo humano sobrevive, o selvagem deve ser destruído.»

a) José Sócrates
b) Francisco Louçã
c) Papa Bento XVI

Se respondeu a), b) ou c) errou. Quem produziu o inspirado pensamento disse igualmente à Reuters que «há uma relação fantástica com a Sonangol e Angola, e o Estado português também está no dossier». Possivelmente onde se capitalismo humano deve ler-se capitalismo ao colo do governo e onde se lê capitalismo selvagem deve ler-se capitalismo tout court.

27/03/2009

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: a certeza da impunidade

Secção Still crazy after all these years

«Sempre gostei de ter dinheiro em casa, sempre gostei de numerário e tenho pena de não ter mais» disse ontem no tribunal o autarca Isaltino de Morais.

Pela franqueza e sobranceria face à mediocridade, incompetência e subserviência da justiça deste país, Isaltino merece 2 afonsos a juntar aos 5 alegados ignóbeis pelas alegadas traficâncias de que é acusado, ou suspeito, sei lá.

CASE STUDY: O ministro bombeiro

21-12-2008
«O plano de salvamento da Qimonda, hoje anunciado, vai permitir manter os dois mil empregos em Portugal e reforçar a transferência de tecnologia para o país, considerou o ministro da Economia, Manuel Pinho»

22-12-2008
«As acções da Qimonda encerraram a sessão a ganhar 48,54% na bolsa alemã, depois de terem disparado 151,05% durante a sessão, a reagir ao empréstimo de 100 milhões de euros concedido pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) à maior exportadora portuguesa.»

16-01-2008
«O ministro da Economia, Manuel Pinho, disse ontem que o banco português que vai atribuir um empréstimo à Qimonda ainda não concluiu a operação de financiamento à empresa. Pinho afirmou hoje que o Governo está “a acompanhar de perto a situação”.»

23-01-2009
(Pinho) «adiantou estar confiante que a “empresa tem todas as condições” para continuar a funcionar, devido à sua “elevadíssima qualidade”»

02-02-2009
«O actual processo de falência da empresa “poderá ter uma consequência, pois dá mais flexibilidade para a reestruturação das diversas partes do grupo, sendo que as melhores e mais competitivas são a unidade de Dresden e a de Vila do Conde”»

18-02-2009
«O ministro da Economia garantiu, esta terça-feira, que o Governo português tudo tem feito para salvar a Qimonda de Vila do Conde, mas acusou o executivo de Angela Merkel de nada fazer para salvar a empresa.»

19-02-2009
«O ministro da Economia Manuel Pinho reuniu-se hoje em Bruxelas com o seu congénere alemão, tendo no final afirmado que notou "abertura" da parte deste para tentar resolver o problema da Qimonda, defendendo que "é preciso ter fé"»

05-03-2009
«É um caso muito complexo, não quero levantar falsas expectativas, mas é muito positivo que partes muito importantes neste processo se mostrem muito positivas na busca de uma solução»

16-03-2009
«Há um grupo espanhol que mostrou interesse na aquisição da fábrica da multinacional Qimonda, confirmou hoje à agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde.»

26-03-2009
«Não haja a mínima dúvida: o apoio que nós demos, vamos tentar recuperá-lo até ao último tostão.»

27-03-2009
«Qimonda entregou hoje pedido de insolvência»

27-03-2009
«Numa primeira reacção do governo português, o ministro da Economia referiu já esperar pelo desfecho que se verificou na Qimonda/Portugal.»

O CAMINHO PARA A SERVIDÃO: O Estado (i)moral

«Assim que são previstos os efeitos concretos aquando da feitura da lei, esta deixa de ser um mero instrumento a ser utilizado pelas pessoas e torna-se, ao invés, um instrumento usado pelo legislador nas pessoas e para os seus fins. O Estado deixa de ser uma peça da máquina utilitária destinada a ajudar as pessoas no pleno desenvolvimento da sua personalidade individual e torna-se uma instituição “moral” – em que “moral” não é usado em contraponto com imoral, antes descreve uma instituição que impõe aos seus membros as suas concepções sobre todas as questões morais, sejam estas morais ou altamente imorais. Neste sentido, o Estado nazi, ou qualquer outro Estado colectivista, é imoral, enquanto que o Estado liberal não o é.»
[F. Hayek, O caminho para a servidão]

Nova entrada no Guiness

As fotocópias mais caras do mundo foram tiradas pelo advogado João Pedroso, por coincidência irmão do ex-ministro do governo Guterres, eminência socialista na reserva. Custaram 266 mil euros e levaram vários anos a tirar a partir dos Diários do Governo e da República.

Dirão que a obra merece uma entrada directa no Guiness. Errado. O que merece tal honra é a desfaçatez da adjudicatária das fotocópias, a ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues que no parlamento descontou a coisa com esta frase lapidar: «hoje o sr. deputado diz que ele é um incumpridor nato, mas isso não fazia parte do seu currículo na altura. É relativamente fácil avaliar hoje, mas na altura não era».

26/03/2009

O CAMINHO PARA A SERVIDÃO: O poder arbitrário já está instalado.

«O facto, muito em voga, de se concentrar na democracia o principal valor ameaçado, não é destituído de perigo. E é em grande parte responsável pela crença errónea e infundada de que enquanto a origem última do poder for a vontade da maioria, o poder não pode ser arbitrário. A falsa garantia que muitos obtêm desta crença é uma causa importante da inconsciência generalizada face aos perigos que enfrentamos. Não há justificação para se julgar que enquanto o poder for conferido por procedimentos democráticos, não pode ser arbitrário; o contraste sugerido por esta afirmação é rotundamente falso: não é a origem mas a limitação do poder que o impedem de ser arbitrário. O controlo democrático pode impedir o poder de se tornar arbitrário, mas não o faz pela sua mera existência. Se a democracia se resolve por uma tarefa que implique necessariamente o uso de poder que não pode ser dirigido por regras fixas, torna-se poder arbitrário.»
[F. Hayek, O caminho para a servidão]

25/03/2009

O CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Estamos quase lá

«Assim que o sector comunitário, em que o Estado controla todos os meios, excede uma determinada proporção do todo, os efeitos das suas acções dominam todo o sistema. Embora o Estado controle directamente a utilização de apenas uma grande parte dos recursos disponíveis, os efeitos das suas decisões na parte restante do sistema económico tornam-se tão grandes que acaba por controlar praticamente tudo de forma indirecta. Quando, como foi o caso da Alemanha em 1928, as autoridades centrais e locais controlam directamente a utilização de mais de metade do produto interno (53% segundo uma estimativa oficial alemã), indirectamente controlam quase toda a vida económica da nação. Então, praticamente não há um fim individual que não esteja dependente da acção do Estado, e “a escala social de valores” que norteia a nação deve incluir quase todos os fins individuais.»
[F. Hayek, O caminho para a servidão]

24/03/2009

Assino por baixo

"Se a maioria dos portugueses soubesse efectivamente como são feitas as "notícias", não comprava um jornal, não via um noticiário, a não ser como entretenimento, ou como obra de ficção."

O CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Uma nova área do (Im)pertinências

O Caminho para a servidão é uma nova área do (Im)pertinências, dedicada ao Portugal colectivista, que foi buscar o seu nome à obra de Friedrich Hayek de 1944. Quando foi publicada nesse ano The Road to Serfdom, já era visível o fim próximo do eixo alemão-italiano-japonês; por isso Hayek visava muito mais os germes do colectivismo que floresciam nas sociedades democráticas ocidentais (e a expansão do comunismo) do que os regimes nazi-fascistas na iminência do colapso.

A crise financeira e económica internacional que cavalgou a crise estrutural da economia portuguesa está a ser um poderoso álibi para o colectivismo imanente na sociedade portuguesa que impregna a partidocracia doméstica reforçar a sua influência a pretexto do alegado falhanço do alegado neo-liberalismo que, seja lá o que se entenda por tal, nunca fez parte das doenças que nos assolaram nem das mezinhas que tomámos, pelo menos desde Dona Maria II.

23/03/2009

DIÁRIO DE BORDO: Pensamento do dia (5)

"If morality represents how people would like the world to work, then economics shows how it actually does work."
Steven D. Levitt, Freakonomics

21/03/2009

SERVIÇO PÚBLICO: A crise financeira explicada em bom castelhano

O texto "Explicación a la crisis financiera que nos azota" do professor do IESE Leopoldo Abadía reproduzido num post do blogue Viajar por Internet de Nacho Giral é provavelmente uma das melhores e mais claras análises (não contaminadas pelo economês) da génese da crise financeira, sobretudo sabendo-se que foi escrito há mais de um ano.

[Dica de JB]

20/03/2009

Eles só começam a falar verdades quando desmontam do cavalo do poder, como diria o camarada Otelo

"Quando se constrói uma auto-estrada, um aeroporto, o que se pensa é que o benefício do projecto é todo o emprego e as matérias-primas que se empregam quando se vai construir. Ora, isto é o custo do projecto. Nenhum empresário vai fazer uma fábrica e dizer que o benefício de fazer a fábrica foi construí-la e colocar lá as máquinas.O benefício do projecto de uma fábrica é o rendimento que essa fábrica depois vai gerar: vai vender e vai ter as suas receitas e os seus lucros. Esse rendimento líquido vai ter de pagar os custos. Esta lógica de fazer grandes projectos porque vai gerar emprego é uma lógica invertida. O que interessa é o rendimento adicional que se vai gerar em Portugal.

No novo aeroporto, coloco os custos de construção de um lado, do outro vejo se vou gerar rendimentos suficientes, porque há aqui um custo de oportunidade: esses recursos estão colocados no aeroporto, não caem do céu, e com esses recursos podia construir outras coisas, complexos turísticos, fábricas, escritórios etc. Qual o rendimento gerado pelo novo aeroporto? O existente (Portela) está ainda longe de ter a capacidade totalmente utilizada. Se formos ao aeroporto de Heathrow, Londres, Chicago, há praticamente um avião a baixar de minuto a minuto e o movimento de Lisboa não tem qualquer comparação. Uma professora do IST, que fez um estudo dos aeroportos europeus, concluiu que o aeroporto português podia aumentar a sua utilização à volta de 30 por cento se fosse eficientemente utilizado. Portanto, em primeiro lugar, temos de utilizar da melhor maneira possível o que temos. E daqui a quantos anos vai duplicar ou triplicar a procura dos serviços aeroportuários? Não sei, mas tenho muitas dúvidas."


[Excerto duma entrevista ao Público de Abel Mateus, ex-presidente da Autoridade da Concorrência, actual professor da Universidade de Nova Iorque]

19/03/2009

DIÁRIO DE BORDO: E se Hayek tivesse razão contra Keynes?

Se o homo eoconomicus da economia neo-clássica me põe os cabelos em pé, a simplificação redutora e unidimensionalidade do «action man» dos austríacos, que partilha com o outro homo, deixam-me com mais dúvidas que certezas. Apesar disso, na polémica Hayek-Keynes a respeito da depressão de 1929 apostaria em Hayek que muito provavelmente tinha razão ao criticar as receitas de Keynes que, segundo ele, distribuíam pão hoje em troca da fome amanhã.

Se tinha então razão, Hayek também a teria hoje e se ressuscitasse faria certamente as mesmas críticas a políticas anti-crise semelhantes de inspiração keinesiana.

17/03/2009

O problema não é respeitar os contratos estúpidos. É problema são os incentivos estúpidos.

Percebe-se que as remunerações de 2008 da AIG não possam ser reduzidas em 2009. Os contratos, patati patatá.

O que não se percebe é que possam ter sido negociados em 2007, ou em qualquer outro ano depois de Cristo, bónus de mais de mil milhões de dólares devido numa hipotética situação futura em que AIG perderia mais de cem mil milhões de dólares.

Foram os accionistas que decidiram, dirão. Só no papel. Tal como na Rússia do procurador Medvedev, procurador do czar Putin, eleito com apoio dos oligarcas do KGB-FSB, quem decidiu foi a clique dirigente da AIG com o beneplácito de uma dúzia de CEO dos fundos que participam no capital da AIG.

16/03/2009

O MEU LIVRO DE CABECEIRA: O desconcerto das nações (3)

«A atenção concentrada no deslumbrante cortejo de progresso no final da Guerra Fria, ignorou os arames, as vigas e os andaimes que tinham tornado possível tal progresso. Não conseguiu reconhecer que o progresso não era inevitável mas contingente em relação aos acontecimentos – batalhas ganhas ou perdidas, movimentos sociais triunfantes ou esmagados, práticas económicas implementadas ou rejeitadas. A difusão da democracia não foi apenas o desenrolar de certos processos inelutáveis de desenvolvimento económico e político. Não sabemos sequer se existe tal processo evolucionário, com estádios previsíveis e causas e efeitos conhecidos.

O que sabemos realmente é que a deslocação global rumo à democracia coincidiu com a mudança história do equilíbrio de poder para o lado dos países e povos que preferiram a ideia democrática liberal, uma transferência que começou com o triunfo das potências democráticas sobre o fascismo na II Guerra Mundial e foi seguida por um segundo triunfo das democracias sobre o comunismo na Guerra Fria. A ordem internacional liberal que emergiu após estas duas vitórias reflectiu o novo balanço global esmagador a favor das forças liberais. Mas essas vitórias não eram inevitáveis e não garantem ser duradouras. Hoje, a reemergência de grandes potências autocráticas, juntamente com as forças reaccionárias do radicalismo islâmico, enfraquecer essa ordem e ameaça enfraquecê-la ainda mais nos anos e décadas que estão para vir.

Após a II Guerra Mundial, outro momento na história em quer as esperanças numa nova espécie de ordem internacional exuberavam, Hans Morgenthau advertiu contra quem imaginasse que a dado ponto «o pano final cairia e o jogo da política de poder não voltaria a ser jogado». Há seis décadas, os líderes americanos acreditavam que os Estados Unidos tinham a capacidade e a responsabilidade de utilizar o seu poderio para prevenir uma derrapagem de volta às circunstâncias que produziram duas guerras mundiais e inumeráveis calamidades nacionais. Reinhold Niebuhr, que sempre advertiu contra as ambições dos americanos e a fé excessiva no seu poderio, também considerava, com uma convicção muito sua, que «o problema do mundo não pode ser resolvido se a América não aceitar toda a sua parte de responsabilidade em resolvê-lo.»

Hoje, os Estados Unidos partilham essa responsabilidade com o resto do mundo democrático, o qual é infinitamente mais forte do que o era quando acabou a II Guerra Mundial. A futura ordem internacional será moldada por aqueles que tiverem o poder e a vontade colectiva para a configurar. A questão está em saber se as democracias do mundo se vão de novo erguer para enfrentarem tal repto.»


[O regresso da história e o fim dos sonhos, R. Kagan]

15/03/2009

BREIQUINGUE NIUZ: O segredo de polichinelo do senhor engenheiro.

Jean-Claude Trichet presidente do BCE, questionado por carta do deputado europeu Ribeiro e Castro sobre «que actos concretos promoveu o primeiro-ministro português que conduzissem àquele efeito» (redução das taxas de juros), negou pudicamente um segredo de polichinelo: o senhor engenheiro Sócrates é o seu verdadeiro mentor, como se sabe pelo menos desde que o nosso primeiro-ministro se descaiu no seu spot publicitário do Natal. «Criámos as condições para que baixassem os juros com a habitação» disse então distraidamente usando o plural majestático para acentuar que não queria a glória só para si.

14/03/2009

Sem que nada o fizesse esperar

Com 3 anos de atraso, ou seja 4 anos menos 1 de período de graça, foi produzido um dos melhores sound bites que é simultaneamente um excelente resumo da sua acção do governo. Inesperadamente foi produzido por Manuela Ferreira Leite que assim desmentiu uma opinião muito divulgada a seu respeito: a de que as suas ideias quando se percebem são más e quando são boas não se entendem.

«Portugal tem vivido numa espécie de longo intervalo publicitário», disse MFL. Podia e devia ter parado aqui. Porém , revelando um timing deficiente e uma má avaliação das competências manipulativas de José Sócrates e dos seus goebbles, acrescentou «só que a dureza da actual crise interrompeu a fantasia».

[Lido em primeiro lugar em O Insurgente]

13/03/2009

Alguém pode explicar-me

Como foi possível, em menos de 3 meses, investigar a maior fraude da história baseada no esquema Ponzi, reunir provas, acusar e levar a julgamento o alegado (notem bem que escrevo alegado) autor da alegada fraude? Ainda, por cima, o homem declarou-se culpado - talvez aliciado pelo procurador só ir pedir uma pena de prisão de 150 anos. E tudo isto sem a Drª Maria José Morgado!

Quem não conheça os detalhes da estória, pode ler o resumo do MarketWatch do Wall Street Journal.


Madoff to plead guilty, lawyer tells court
Architect of alleged $50 billion scheme faces up to 150 years in prison
By Alistair Barr, MarketWatch


SAN FRANCISCO (MarketWatch) -- Bernard Madoff is expected to plead guilty to multiple criminal charges and faces up to 150 years in prison for allegedly masterminding a $50 billion Ponzi scheme, his lawyer and federal prosecutors said Tuesday.

Madoff was charged with 11 felony charges including securities fraud, money laundering, false statements, perjury and theft from an employee benefit plan, prosecutors said in a statement.
Dow Jones Newswires' reporter Chad Bray talks with Kelsey Hubbard outside the federal district court house in New York about the felony charges against alleged swindler Bernard Madoff and the potential outcome of his arraignment Thursday."It is anticipated that he will plead guilty on Thursday," Ira Sorkin, Madoff's lawyer, said in an interview Tuesday. "I have no comment beyond that."
The charges carry a maximum sentence of 150 years, prosecutors noted.
Madoff, founder of Manhattan-based Bernard L. Madoff Investment Securities, or BLMIS, was arrested in December after the global credit crisis reveal an alleged Ponzi scheme that tricked thousands of investors including pension funds, charities and hedge funds and evaded detection by regulators for more than 20 years.
"This may give some emotional comfort to some victims, but for most of the victims, I don't think there is any punishment severe enough to satisfy them," Jim Cohen, a criminal law professor at Fordham Law School, said. "They lost their life savings, and it doesn't seem they will see any recovery of consequence."
Promising returns of up to 46% a year to lure new investors, while fabricating account statements and trade confirmations to fool existing clients, Madoff accumulated a massive investment business that claimed it managed almost $65 billion in roughly 4,800 accounts at the end of November.
"In fact, BLMIS held only a small fraction of that balance on behalf of its clients," Federal prosecutors said.
"While the alleged crimes are not novel, the size and scope of Mr. Madoff's fraud are unprecedented," Acting United States Attorney Lev Dassin said.


'Others'
Madoff marketed a "split strike conversion" strategy, which involves investing in shares of leading U.S. companies while hedging the positions with related options and frequently shifting out of the market into U.S. Treasury bonds.
But prosecutors say Madoff didn't invest the money. Instead, he used most of it to meet redemption requests from investors. He also took some of it in commissions to support the market-making and proprietary trading businesses of BLMIS. Millions of dollars of that money ended up in his pockets and the pockets of "others," prosecutors alleged.
"The filing of these charges does not end the matter," Dassin said. "Our investigation is continuing."
Madoff hired "numerous" employees to work in the back office of BLMIS's investment business, prosecutors alleged.
Madoff told these workers to tell clients about the firm's trading and create false monthly client account statements and trade confirmations to trick them into thinking their money was being invested and returns were being generated, prosecutors said.


New York to London to New York
Earlier this decade, Madoff also sent more than $250 million from a BLMIS client account in New York City to accounts held by a London-based affiliate called MSIL. That money was then sent back to the BLMIS account in New York or to another account in the city that was mainly used to fund BLMIS's operations, prosecutors claimed.
"Madoff directed these funds transfers, in part, to give the appearance that he was conducting securities transactions in Europe on behalf of the investors when, in fact, he was not," the prosecutors said in their statement.
"Madoff also directed the transfer of funds from the MSIL Accounts to purchase and maintain property and services for the personal use and benefit of Madoff, his family members, and associates," they added.

12/03/2009

A cada um o seu columbine

No mesmo dia, um adolescente alemão mata 15 pessoas e um homem americano mata 10. Ambos se suicidaram.

Inexplicavelmente, estas coisas acontecem nos EU de Barack Obama e, ainda mais inexplicavelmente, na Alemanha da Europa social. Contudo, já se percebe que nenhum realizador alemão se tenha proposto fazer de Michael Moore e aproveitar um dos 3 columbines ocorridos nos últimos anos (quase 70 mortos no total) para rodar um Bowling.

O MEU LIVRO DE CABECEIRA: O desconcerto das nações (2)

«A grande falácia da nossa era tem sido a crença de que uma ordem internacional liberal repousa no triunfo das ideias e no desenrolar natural do progresso humano. É uma noção imensamente atractiva, profundamente enraizado na concepção do mundo do Iluminismo da qual todos nós, no mundo liberal, somos produto. Os nossos cientistas políticos postulam teorias da modernização, com estágios sequenciais de desenvolvimento político e económico que conduzem ascensionalmente rumo ao liberalismo. Os nossos filósofos políticos imaginam uma magna dialéctica história, na qual a batalha de concepções do mundo ao longo dos séculos produz, no final, a correcta resposta democrática liberal. Naturalmente, muitos se inclinam a acreditar que a Guerra Fria acabou como acabou simplesmente porque uma melhor concepção do mundo triunfou, como tinha que ser, e que a ordem internacional que hoje existe não é mais do que o passo seguinte em frente na marcha da humanidade vinda da briga e da agressão rumo a uma coexistência pacífica e próspera.

Tais ilusões só são verdadeiras na parte em que são perigosas. Claro que existe força na ideia liberal e no mercado livre. A longo prazo e mantendo-se todos os factores iguais, devem prevalecer sobre as concepções do mundo alternativas, tanto por causa da sua capacidade para proporcionar os bens materiais, como – e mais importante, por causa da sedução de um aspecto mais poderoso da natureza humana, o desejo de autonomia e liberdade pessoal e de consciência.

É também lógico que um mundo de estados democráticos liberais produza uma ordem internacional que reproduza essas características liberais e democráticas. Esse tem sido o sonho iluminista desde o século XVIII, quando Kant imaginou uma «Paz Perpétua» partilhada por repúblicas liberais e construída sobre o desejo natural de todos os povos de paz e de conforto material. Embora alguns possam zombar, essa tem sido uma visão extraordinariamente mobilizadora. O seu espírito animou os movimentos de arbitragem internacional no final do século XIX e o entusiasmo mundial pela Liga das Nações no início do século XX e pelas Nações Unidas após a II Guerra Mundial. Tem sido uma visão assinalavelmente duradoura, não obstante os horrores de duas guerras mundiais, uma mais desastrosa do que a outra, e depois uma longa Guerra Fria que pela terceira vez desfez expectativas de progresso rumo ao ideal.

É um testamento de vitalidade desta visão iluminista o facto de as esperanças numa era completamente nova da história humana se terem apoderado das pessoas com tamanha força depois da queda do comunismo soviético. Mas um pouco mais de cepticismo estava a fazer falta. Afinal, a humanidade tinha realmente progredido tanto? O mais destrutivo século de todos os milénios da história humana estava mesmo a acabar; não estava enterrado num passado profundo, negro e antigo. A nossa era moderna, supostamente iluminista, produzira o maior dos horrores – as agressões maciças, as «guerras totais», as fomes, os genocídios, o conflito nuclear e os perpetradores destes horrores foram os países mais avançados e mais iluminados do mundo. O reconhecimento desta terrível realidade – a de que a humanidade não produziu um bem maior mas apenas formas piores do mal – foi fonte da discussão filosófica no século XX. Que razão haveria para acreditar que depois de 1989 a humanidade estivesse subitamente no ponto de viragem para uma ordem totalmente nova?»


[O regresso da história e o fim dos sonhos, R. Kagan]
(Continua)

11/03/2009

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Temos que perder a mesada - depois, logo se vê.

«Quer dizer que estamos perdidos? Claro que não. Apenas significa que não podemos contar com os políticos, coisa que sabemos desde a primeira dinastia. Entretanto, a economia e a sociedade terão de ir fazendo o necessário. Nesse sentido, a tuberculose até cria condições favoráveis para combater a obesidade. O novo rating e as taxas de juro superiores da dívida nacional implicam que a dieta será feita, quer se queira, quer não. É verdade que vem na pior altura, porque agrava as dificuldades da crise conjuntural. Mas isso também é algo que sabemos desde sempre. Quando as coisas são fáceis, metemo-nos em sarilhos, e só pomos a casa em ordem quando não há alternativa.

Este é o "teorema d'A Canção de Lisboa", formulado brilhantemente no primeiro filme sonoro português de 1933 de José Cottinelli Telmo. O "Vasquinho da Anatomia" só começou a estudar quando perdeu a mesada das tias. Nessa altura, quando tudo parecia perdido, deu a volta por cima e, com fado e um copo de tinto, até aprendeu o esternocleidomastoideu. É assim Portugal. Este teorema, aplicado em 1383, 1640, 1755, 1851, 1917, 1977 e 1983, será renovado em 2009.»


[O TEOREMA DE A CANÇÃO DE LISBOA, João César das Neves, no DN]

10/03/2009

Louçã e Jardim, a mesma luta

«O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, apelou hoje aos empresários para que cortem nos lucros em vez de dispensarem trabalhadores, de modo a manter minimamente vitalizado o mercado interno através da sustentação do poder de compra.» (Público)

Que o Bokassa das Ilhas não tenha proposto proibir quer as empresas lucrativas despeçam pessoal, é apenas uma demonstração de que a diferença (para melhor) que o separa de Louça é apenas uma questão de grau.

09/03/2009

DIÁRIO DE BORDO: O desconcerto das nações

Perdidas as ilusões do fim da história, da paz eterna, do concerto das nações sob a batuta do império benigno, tornou-se outra vez visível o desconcerto das nações e as semelhanças crescentes do século XXI com o século XIX, com novos protagonistas e, sobretudo, novas armas que teriam feito as delícias das potências emergentes do século XIX.

Pelo caminho, a Europa perdeu a hegemonia e mostra-se incapaz de lidar com (já nem se fala em confrontar as) as velhas novas potências, com os ressuscitados do comunismo. A Rússia acordada de um pesadelo de 10 anos e revigorada à custa do petróleo e do capitalismo de estado da clique KGB-FSB do czar Putin. O Império do Meio ressuscitado de um sono de séculos de séculos pelo sistema dos dois sistemas comandado pela clique do PCC.

Europa que se mostra igualmente incapaz de lidar com os herdeiros de Khomeini impregnados do fundamentalista shiita. Ou mesmo de conviver com a superpotência, ela própria à procurar da identidade perdida e no início dum longo período de acomodação à nova situação de partilha global.

[Recomendação de leitura: O regresso da história e o fim dos sonhos de Robert Kagan, ainda com a tinta fresca da Casa das Letras.]

08/03/2009

DIÁRIO DE BORDO: Pensamento do dia (4)

As mentiras são sonhos apanhados em flagrante delito.
[Claude Lelouch, pela boca de Jeremy Irons em And Now... Ladies and Gentlemen...]

06/03/2009

O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Tecnologias de informação pré-socráticas

Durante escavações nos EUA, os arqueólogos descobriram, a 100m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam do ano 1.000. Os americanos concluíram que os seus antepassados já dispunham de uma rede telefónica desde aquela época.

Entretanto, os espanhóis, escavaram também o seu subsolo, encontrando restos de fibras ópticas a 200m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham 2.000 anos de idade, divulgando triunfantes, que os seus antepassados já dispunham de uma rede digital à base de fibra óptica quando Jesus nasceu!

Uma semana depois, em Beja, no diário local, foi publicado o seguinte anúncio: Após inúmeras escavações arqueológicas no subsolo de Beja, Évora, Moura, Estremoz e Redondo, entre outras localidades alentejanas, até uma profundidade de 500m, os cientistas alentejanos não encontraram absolutamente nada. Assim se conclui que os antigos habitantes daquela região alentejana já dispunham, há 5.000 anos atrás, de uma rede de comunicações sem-fios, vulgarmente conhecida hoje em dia pela designação de 'Wireless'.


[Outra enviada pelo detractor e amigo AB que está a garantir a produção de humor do (Im)pertinências – é mais um engraçadinho como costuma escrever o Abrupto]

05/03/2009

O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: O 4.º segredo de Fátima


O Papa incógnito no Douro! Pouca gente saberá que o Papa tem uma casa de campo no Norte de Portugal e se veste de D. Maria para disfarçar. Lá se vai o segredo.

[Enviado por AB]

04/03/2009

Precisam-se (ainda mais) contabilistas

Não sabemos quantos polícias temos. Não sabemos quantos precisamos. Não sabemos qual o montante da dívida do governo aos construtores.

Ficámos a saber que também não devemos saber o que irá garantir a Segurança Social aos nossos filhos e netos, se os 70 a 80% do último salário prometidos pelo governo («uma referência a nível europeu», nas entusiásticas palavras do secretário de estado), se os 50% estimados pela OCDE («uma das pensões mais baixas do conjunto dos 30 países mais desenvolvidos do mundo»).

Enquanto não dão à costa os contabilistas para apurar os números reais, sugiro que, em termos relativos, se dê mais crédito à OCDE, que por vezes se engana nas previsões, em detrimento do governo que uma vez outra acerta nas previsões.

ESTÓRIA E MORAL: I'll scratch your back. Will you scratch mine?

Estória

«O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enviou uma carta ao homólogo russo, Dmitri Medvedev, sugerindo um recuo nos planos de instalação de partes do escudo de defesa antimíssil na Europa Central em troca da ajuda do Kremlin para resolver o polémico dossier nuclear iraniano». (Público)

Receio que Barack Obama não tenha compreendido que a agenda russa não tem, e nunca terá, enquanto estiver no poder a clique KGB-FSB comandada pelo czar Putin, nenhum ponto para ajudas ao ocidente em geral e aos EU em particular.

Moral

O apaziguador é aquele que alimenta o crocodilo com a esperança de ser o último a ser comido. (Winston Churchill)

03/03/2009

As opiniões dividem-se

Ainda ontem aqui confessava não saber se precisamos dos polícias que Paulo Portas defende que precisamos, mas estava seguro que precisamos de contabilistas. Devo estar a ficar parecido com o doutor Cavaco que quando primeiro-ministro confessava nunca ter dúvidas e raramente se enganar - o meu caso é, talvez mais, raramente ter dúvidas e nunca me enganar.

Esclarecida esta questão epistemológica, é altura de apresentar mais uma consequência da falta que nos fazem bons contabilistas. Defende a FEPICOP – Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas que o governo deve 1,9 mil milhões de euros aos seus associados. Contrapõe o governo pela boca do secretário de estado do Tesouro que são apenas 80 milhões de euros. Um dos dois mente, ou, mais provavelmente, ambos mentem.

Enquanto não dão à costa os contabilistas para apurar os números reais, sugiro que, em termos relativos, se dê mais crédito ao construtores cuja profissão os obriga, por vezes, a mentir em detrimento dos políticos cuja profissão os obriga, por vezes, a dizer a verdade.

02/03/2009

O Cosa Nostra de Vital Moreira

Alguém reparou que Marcelo Rebelo de Sousa ao comentar ontem no seu programa da RTP o prémio por serviços relevantes que José Sócrates atribuiu a Vital Moreira, ao indigitá-lo como n.º 1 da lista do PS para o parlamento europeu, chamou Cosa Nostra ao seu blogue Causa Nossa?

Lapsus linguae?

O estado policial do doutor Portas

Há um ano o ministro da Administração Interna anunciava a contratação de mais dois mil elementos para a GNR e PSP, que ficariam com cerca de 46 mil elementos. Em 2000 Portugal declarou 49.119 elementos do «Police personnel» no Seventh United Nations Survey of Crime Trends and Operations of Criminal Justice Systems. Não se percebe onde se perderem 3 mil. Se os números de 2000 estivessem certos, seríamos o quarto país no ranking dos «estados policiais» com 491 por 100 mil habitantes.

Vem agora o doutor Portas reclamar «o triplo do que o governo quer» durante uma visita à esquadra do Cacém (as esquadras desempenham agora para o doutor Portas o papel que no passado representaram as feiras). Em defesa dos seus argumentos, sustenta que o Cacém tem apenas 39 polícias para 80 mil habitantes, ou seja um rácio que um décimo do rácio médio nacional.

Não sei se precisamos de polícias, mas tenho a certeza que precisamos de contabilistas.

01/03/2009

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Com poucas papas na língua

Secção Assaults of thoughts

Não é todos os dias que um presidente executivo dum banco diz o que disse Fernando Ulrich na conferência «A Crise Económica e Financeira: Que Saídas» promovida pela Ordem dos Economistas na passada 6.ª feira.

Pôs em dúvida a bondade do investimento público como panaceia para a crise, pôs o dedo na gangrena do endividamento externo, na insegurança crescente, no caos do licenciamento urbanístico e, last not least, confessou que «já agora gostava de saber o que se passou naquele processo de decisão» (do Freeport). É claro que temperou o vitríolo com alguma vaselina para amaciar os danos no ego do senhor primeiro-ministro. Não se gosta, mas percebe-se que um gestor não pode ser lunático, tem que tocar o negócio para frente num país de economia de mercado com direcção central (seja lá o que isto for, não é coisa boa).

Leva 4 afonsos e só não leva 5 porque na frase «um bom primeiro-ministro» disse a mais «um bom». Não carecia.

Traduttore, traditore

O texto original do MarketWatch:
While Amazon.com's latest electronic book reader has drawn lush praise from reviewers, a more important business metric has emerged -- people who want to buy a Kindle 2 can actually get one now.

O mesmo texto traduzido pelo Babylon 7.0:
Embora Amazon.com's mais recente livro electrónico leitor chamou exuberante alabança de revisores, a mais importante empresa métrico surgiu -- as pessoas que pretendem comprar um acender 2o realmente consegue fazer agora.