Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

31/08/2008

A insustentável leveza do jornalismo doméstico

«Ciência desperdiçou dinheiro da UE» leio o título na página 10 do Confidencial do SOL. O que terá feito Mariano Gago desta vez? Leio o texto e fico a perceber que o ministro da Ciência e Inovação, em vez de torrar milhões de euros derretendo-os em cima de projectos lunáticos, poupou (até agora) esses milhões aos contribuintes europeus (a maior fatia) e aos contribuintes portugueses.

Título alternativo «Ciência salvou dinheiro da UE».

Depois de ter consumido durante meses rios de tinta a promover a excelência da Chipidea e a visão magnífica do seu CEO Epifânio da Franca que a vendeu o ano passado à MIPS Technologies, o Expresso informa no caderno Economia que a empresa vale agora menos de 1/3 do que a MIPS pagou por ela e que vai agora despedir 15% do pessoal para salvar o terço que resta. O Expresso informa ainda que «até à hora do fecho da edição não conseguiu contactar com Epifânio da Franca, o qual por improvável coincidência manteve durante meses a coluna «Inovar é preciso» precisamente no caderno Economia.

O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Leitura sugerida para a reentrée

Sugestão de AB, um convertido ao axioma de Dante: keep slim, stay home and cook dinner (a patroa dele não sabe da conversão).

30/08/2008

BLOGARIDADES: É preciso ter cuidado com estas verdades.

A propósito do divórcio, escreveu Pedro Arroja no Portugal Contemporâneo «a verdade de forma razoavelmente aproximada» sobre este tema, desperdiçando assim uns minutos dos seus 8.000 dias de esperança de vida. Termina dando-nos conta da «grande dificuldade em compreender como pessoas que nunca criaram uma família, ou que foram incompetentes para criar uma família ou para manter um casamento, como é público acerca do primeiro-ministro português, ousam alterar as leis que regulam a família e o casamento».

Eu, que já sou avô há anos, se viver até à idade em que viveu o meu pai, ainda me restam uns 11.000 dias de vida. Posso, assim, desperdiçar mais levianamente algum do tempo que me resta e especular sobre o que seria se a dificuldade de compreensão de Pedro Arroja se estendesse a todos os domínios em que o primeiro-ministro e os seus ministros nunca criaram nada ou foram incapazes de manter o que criaram. Deveríamos pedir-lhes que se abstivessem de alterar as leis que regulam a multidão de coisas nesses seus vastíssimos domínios de incompetência? Por exemplo, devemos pedir ao engenheiro Sócrates que se limitasse a legislar sobre a lei dos partidos, o regulamento da assembleia da República e coisas assim (por razões que não tenho tempo para explicar não incluo na lista o ambiente)? Ou deveríamos ter pedido ao doutor Cavaco que nos seus 10 anos de governo se limitasse a alterar as leis sobre a família e o casamento, o estatuto do Banco de Portugal, a lei das Finanças Locais e sobre algumas outras áreas onde devemos reconhecer-lhe o mínimo de competência?

Aqui fica, pois, mais uma «verdade de forma razoavelmente aproximada. Quem quiser compra, quem não quiser não compra. E não há mais conversa

29/08/2008

Provando o próprio veneno

Não é que se possa confiar sem reservas nas estatísticas de causas que regularmente o Governo nos oferece, mas é provável que o aumento de 10% da criminalidade anunciado pelo ministro da Presidência seja tão rigoroso quanto podem ser rigorosas as estatísticas neste país. Não por causa da reduzida credibilidade do Governo, mas por uma razão bem mais prosaica: fenómenos desta natureza evoluem normalmente com uma lentidão face à qual o incremento anunciado num só ano já representa uma mudança relevante.

Mas é claro que o histerismo com que neste mês de Agosto a mídia tratou este tema e a percepção pública do fenómeno da criminalidade e o sentimento generalizado de crescente insegurança contrastam em absoluto com os tais 10%. Na dúvida, talvez a maioria opte por não acreditar nas estatísticas, nem no Governo. A ser assim, será caso para pensar que o feitiço do mediático (neste caso relativamente espontâneo) se voltou contra o feiticeiro - o Governo que à força de usar intensamente o feitiço (neste caso deliberada e manipulativamente) acaba por ser sua vítima.

28/08/2008

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: todo um programa numa só frase

Secção George Orwell

A propósito da segurança e das declarações do professor Cavaco (neste momento a fazer as vezes da doutora Ferreira Leite que está de férias), Francisco Louçã esclarece-nos que «tem de ser punido o assalto em que o assaltante leva dez mil euros», tal como «os crimes em que o banqueiro mais ilustre leva também ele milhões de euros que são dos bolsos das pessoas» (Público).

Segundo o evangelho desta espécie de tele-evangelista (Sarmento Rodrigues), também chamado de apóstolo da mentira (Bagão Félix), a extorsão de dinheiro por um criminoso (desculpem, um alegado criminoso) às suas vítimas é equivalente ao lucro legal e legítimo obtido, em condições aceitáveis de concorrência num mercado (relativamente) aberto, por um banqueiro em operações contratuais em que as partes podem livremente escolher e decidir.

Parece estranho? Não é. Resulta simplesmente do facto de para o doutor Louçã a liberdade contratual é irrelevante, como são irrelevantes a maioria das outras liberdades (exceptuam-se a liberdade de abortar e a liberdade de manifestação enquanto o doutor não for entronizado como O Grande Líder). O que importa é a Justiça. Qual justiça? A justiça que ele e os seus correlegionários entendem que é boa para o povo. O povo não concorda? É porque não está esclarecido. O doutor Louçã e a sua trupe estão aí para o esclarecer.

Cinco bourbons e outras tantos chateaubriands para o líder berloquista. Não faço a coisa por menos.

A simbiose entre o estado assistencialista e as criaturas subsídio-dependentes (2)

Não conheço um outro país onde um jornal económico apresente, com toda a naturalidade, um título assim:

27/08/2008

Enquanto o urso ruge

Enquanto o urso ruge as ovelhas encolhem-se amedrontadas, sem saber o que fazer. Hesitam entre salvaguardar o pasto ou seguir o cão pastor, ele próprio ocupado com as suas carraças. Cada uma delas apazigua, alimentando o crocodilo na esperança de ser a última a ser comida, teria dito Winston Churchill se ainda por cá andasse.

26/08/2008

ARTIGO DEFUNTO / ESTADO DE SÍTIO: a serventia dum ministro da ecoanomia

A hipótese mais benigna ainda é a fotografia do doutor Pinho ser pura montagem Photoshop. Revelaria uma completa falta de escrúpulos do visado e/ou dos jornalistas de causas do Diário de Notícias, mostrando um cinismo que os observadores distraídos costumam confundir com inteligência, mas, ao menos, deixaria o doutor Pinho inocente do ridículo mais mortal que é assumir que a serventia dum ministro da ecoanomia consiste essencialmente em boiar ao lado de celebridades.

A simbiose entre o estado assistencialista e as criaturas subsídio-dependentes

Não conheço um outro país onde um jornal económico apresente, com toda a naturalidade, um título assim:

25/08/2008

TRIVIALIDADES: Um quilo de chumbo pesa mais do que um quilo de palha?

Há muitos modos de avaliar o desempenho das equipas olímpicas. O mais interessante, do meu ponto de vista, é o rácio medalhas por participante que mede a «densidade média» da competência desportiva no conjunto das modalidades em que a equipa participa. Talvez não por acaso, os 4 países mais medalhados (EU, China, Federação Russa e GB) têm todos um rácio no estreitíssimo intervalo 0,16-0,18. Talvez não por acaso, também, Portugal é o quarto «menos denso» entre os 10 menos dos 86 que obtiveram pelo menos uma medalha.

Os 10 mais

Os 10 menos

[Fonte ZOHO DB & Reports, via doutor maradona]

24/08/2008

CASE STUDY: os mitos da educação pública (1)

Até recentemente, isto é até o ministério da Educação reduzir o grau de dificuldade das provas e conseguir o milagre duma média de 14 valores no exame de matemática do 9.º ano, os resultados nesta disciplina eram miseráveis, como sucessivamente mostraram os relatórios trienais do PISA (Programme for International Student Assessment), com excepção do ano em que o governo Guterres resolveu não participar para não abalar a auto-estima dos nossos jovens, cujas tenras meninges não suportariam, receava, o confronto com a dura realidade.

Uma vez mais, a realidade mostra que o mito da fragilidade do ego dos nossos estudantes do secundário é completamente destituído de fundamento. É o que se conclui da comparação do score em matemática (466) conseguido pelos alunos portugueses que se posiciona em 26.º lugar em 30 países da OCDE, com o score da Self-Efficacy (S.E.) (*) que nos coloca em 9.º lugar. Os nossos alunos são ignorantes em matemática, vivem sem dar por isso, como disse o poeta Aleixo, e mantêm uma fé inabalável na excelência das suas competências.

(*) «Unlike efficacy, which is the power to produce an effect (in essence, competence), self-efficacy is the belief (whether or not accurate) that one has the power to produce that effect.» (ver mais aqui)

Range of rank of countries/economies on the mathematics scale (PISA 2006)
(Clicar para ampliar)

23/08/2008

Desfazendo ideias feitas - o mito da eficiência da banca portuguesa (outra vez)

aqui escrevi sobre este mito, a propósito do estudo "Cost Efficiency of Leading European Banks 2007" da Arthur D. Little. Correndo o risco de me repetir, sempre vos digo que o mesmo estudo de 2008 revela igual situação dos bancos portugueses que continuam, a par dos alemães, a serem os menos eficientes na Europa.

Note-se que o problema dos alemães é completamente diferente do nosso: eles têm um banco por cada 34.000 habitantes, o que compara com os cerca de 400.000 em Portugal. Mesmo que cada uma das cerca de 100 caixas de crédito agrícola contasse - absurdamente, dada a partilha da estrutura comum da Caixa Central - como um banco independente, ainda assim teríamos cerca de 80.000 habitantes por banco.


22/08/2008

O conto do vigário como inovação que acrescenta valor

Se o Magalhães, «primeiro computador portátil com acesso à Internet montado em Portugal», que não é primeiro computador portátil com acesso à Internet montado em Portugal, equipado com o «último processador da Intel», que não é o último processador da Intel, que tem seu «lançamento mundial» aqui no burgo, lançamento que já teve lugar em 2006, Intel que escolheu Portugal, que afinal foi quem escolheu a Intel, Intel que terá uma fábrica em Portugal segundo o governo, que nunca existirá, segundo a Intel, resta-nos tratar da embalagem. Sendo assim, é lógico concluir que o Magalhães também não vai produzir físicos e matemáticos. Assim como as linhas de montagem de automóveis do fassismo não produziram engenheiros mecânicos, nem designers. Assim como o carro eléctrico de José Sócrates só produzirá linhas de montagem mais pequenas do que as do Botas.

Mas que dizer se Mário Lino conseguir vender o «computador português», ou seja a embalagem do computador da Intel, ao Coronel Chavéz? Seria a incorporação pura e dura do know-how nacional. Simplesmente genial.

21/08/2008

SERVIÇO PÚBLICO: inadimplência geral

Segundo o Boletim Estatístico de Agosto do BdeP, a evolução no final do 1.º semestre relativamente ao mesmo período do ano passado, foi:

  • O saldo negativo da balança de transacções correntes aumentou mais de um terço, ultrapassando 10 mil milhões de euros ou seja mais de 6% do PIB

  • O crédito mal parado das empresas aumentou 11%

  • O crédito mal parado de particulares aumentou 20%

  • O endividamento das autarquias aumentou 90 milhões de euros.

  • Ao contrário da economia que, como se queixou o engenheiro Sócrates ao Coronel Chavéz, está estancada, a dívida sangra abundantemente.

    Um português voador

    Volta Nelson. Estás perdoado.

    20/08/2008

    SERVIÇO PÚBLICO: «estancada», disse ele

    «Por um lado, a procura externa terá apresentado um contributo menos negativo, dado o abrandamento mais intenso das importações relativamente ao das exportações, mas, por outro lado, a procura interna terá abrandado, em resultado da forte desaceleração do consumo privado. Relativamente ao comércio internacional, registou-se, em termos nominais, um abrandamento de ambos os fluxos, de 12,3% para 9,0% no caso das importações e de 4,8% para 3,4% no das exportações. O abrandamento das importações em volume terá sido ainda mais expressivo do que o registado em termos nominais em consequência da aceleração dos preços do petróleo no 2º trimestre. Ao nível da procura interna, o consumo privado terá desacelerado no 2º trimestre, em resultado da deterioração observada quer no consumo corrente, quer no duradouro, mas principalmente no segundo. De acordo com a informação disponível, o investimento ter-se-á apresentado relativamente estável no 2º trimestre, observando-se uma recuperação na componente de construção e um agravamento nas componentes de máquinas e equipamentos e de material de transporte. Do lado da oferta, a informação dos Indicadores de Curto Prazo (ICP) apresentou evoluções contrárias entre os vários sectores, entre o 1º e o 2º trimestre. O indicador de clima económico, já disponível para Julho, e o indicador de actividade económica, disponível para Junho, agravaram-se significativamente.»
    [Síntese Económica de Conjuntura de Julho de 2008 do INE]

    Traduzindo o economês, a procura interna e externa estão a deprimir-se, mais a primeira do que a segunda. O consumo diminui, o que seria uma boa notícia se o investimento aumentasse, o que, não sendo o caso, é uma má notícia. Espera-se que o engenheiro Sócrates interrompa por momentos a sua performance de grande manipulador e partilhe com os portugueses a confidência que fez ao «amigo» Coronel Hugo Chávez: «a economia portuguesa está estancada». Seria um bom ponto de partida para deixar de tratar os portugueses como atrasados mentais e começar a procurar seriamente soluções.

    19/08/2008

    O insucesso do sucesso

    «Redução do tráfego nas SCUT diminui encargos do Estado com estas vias», titulou o Diário Económico, subentendendo que a coisa é tanto melhor quanto menos se pagar aos concessionários. No limite, se não houvesse tráfego, e supondo que nesse caso nada haveria a pagar aos concessionários, a construção dumas centenas de quilómetros de AE teria sido um inútil desperdício de recursos. Na óptica do ministro e do jornal teria sido um notável sucesso.

    SERVIÇO PÚBLICO: O efeito do tempo sobre os objectivos do governo. (Parte II)

    «O primeiro-ministro José Sócrates reafirmou esta manhã o objectivo de fechar esta legislatura com a criação de 150 mil postos de trabalho.»

    O nosso objectivo? Qual objectivo?

    «A agenda económica do Governo tem como objectivo aumentar, de forma sustentada, o crescimento potencial da nossa economia para 3%, durante esta legislatura. Só com o crescimento da economia poderemos resolver o problema do desemprego e combater as desigualdades sociais. Portugal deve ter como objectivo recuperar, nos próximos quatro anos, os cerca de 150.000 postos de trabalho perdidos na última legislatura.» (Programa de XVII Governo (CAPÍTULO I UMA ESTRATÉGIA DE CRESCIMENTO PARA A PRÓXIMA DÉCADA, I. VOLTAR A ACREDITAR, 1. Uma estratégia mobilizadora para mudar Portugal, página 8)

    No seu programa o governo escreveu recuperar 150 mil postos de trabalho. Não escreveu criar 150 mil novos postos de trabalho. Gerar novos postos de trabalho é o mesmo que recuperar postos de trabalho perdidos? Se fosse a mesma coisa, a geração de novos postos de trabalho poderia reconverter o tecido económico mas seguramente não resolveria o problema do desemprego que é o propósito declarado do governo.

    [Republicação parcial do post de 15/02/2008]

    18/08/2008

    AVALIAÇÃO CONTÍNUA: o milagre de Santo Tirso

    Secção George Orwell

    Segundo o presidente da Câmara de Santo Tirso, o call center que a PT irá criar «vai diminuir a curto prazo em cerca de 25 por cento a taxa de desemprego». Segundo a visão do autarca, será entre os 5.500 desempregados de Santo Tirso, provenientes de empresas inviáveis que fecharam, muitos deles possivelmente analfabetos funcionais, que a PT irá encontrar os assistentes que esclarecerão as minudências das telecomunicações aos seus clientes.

    Mais adiante o autarca esclarece o mistério quando confidencia ao jornalista de causas presente na «cerimónia de assinatura do protocolo» que este «é um sinal muito positivo do interesse que o primeiro-ministro dedica à região e aos seus problemas do emprego e do trabalho». É um toque surrealista a lembrar os tempos do fassismo em que os ministros desciam regularmente do Terreiro do Paço até ao povo usando as forças vivas para anunciar a boa-nova.

    Quatro chateaubriands não são, porventura, demais para premiar a confusão que vai na cabeça do autarca e 3 ignóbeis são, porventura, de menos para premiar o manteiguismo da criatura.

    17/08/2008

    Depois da guerra fria, o duche frio?

    «Há 30 anos a Europa tinha medo de uma invasão soviética. Hoje, a Europa receia ficar sem gás russo. Em 1978, os europeus temiam uma guerra. Em 2008, os europeus temem um duche frio. A Europa aguentou o espectro do Exército Vermelho, e venceu em 1989. Agora, essa mesma Europa não consegue suportar a ideia de passar uns dias sem esquentador. Que decadência, senhores: a Gazprom está a conseguir aquilo que as divisões de Estaline e Brejnev nunca alcançaram.»
    («Dorian Gray em Tbilissi» de Henrique Raposo, no Expresso)

    Não, o que está em causa é bem mais do que uns dias sem esquentador e não é coisa que se resolva com retórica. Sim, mas é resultado duma política de capitulação. Já que falamos disso, não foi a Europa que venceu o espectro do Exército Vermelho - foram os EU contra uma parte significativa da Europa, incluindo muitos dos seus dirigentes de hoje que, por essa altura, gritavam nas ruas «better red than dead».

    16/08/2008

    Conhecer a situação real ou ser feliz? Das duas, escolha uma.

    «A Economia portuguesa apresenta um desempenho relativamente bom face à conjuntura adversa», felicitou-se o doutor Teixeira dos Santos em conferência de imprensa, convertido em ministro megafone, esquecendo-se (compreensivelmente) de comparar os crescimentos homólogos do 2.º trimestre. Guess why? Talvez porque tendo a economia portuguesa encolhido no 1.º trimestre de 2008 face ao 4.º de 2007, contra a tendência europeia no mesmo trimestre, Portugal ficaria sempre melhor no retrato do crescimento trimestral do que no homólogo.




    Países com menor crescimento do que Portugal no 2.º trimestre (*): Dinamarca, Estónia, Irlanda, Itália, Letónia.

    Países com maior crescimento (*):
    Bélgica, Bulgária, República Checa, Alemanha, Grécia, Espanha, França, Chipre, Lituânia, Luxemburgo, Hungria, Malta, Holanda, Áustria, Polónia, Roménia, Eslovénia, Eslováquia, Finlândia, Suécia, Reino Unido.

    (*) Assumindo para os países sem dados disponíveis que o crescimento no 2.º trimestre não será muito diferente do 1.º.

    13/08/2008

    Um ciber-ataque dos herdeiros de Estaline aos seus compatriotas

    «Several Georgian state computer servers have been under external control since shortly before Russia's armed intervention into the state commenced on Friday, leaving its online presence in dissaray.

    While the official website of Mikheil Saakashvili, the Georgian President, has become available again, the central government site, as well as the homepages for the Ministry of Foreign Affairs and Ministry of Defence , remain down. Some commercial websites have also been hijacked.

    The Georgian Government said that the disruption was caused by attacks carried out by Russia as part of the ongoing conflict between the two states over the Georgian province of South Ossetia.
    » (ver mais aqui)
    Imaginaria Ioseb Besarionis Dze Jughashvili, petit nom Josef Stalin, criador do NKVD, a que sucedeu o KGB, a que sucedeu o FSB, já sob a batura do czar Putin, imaginaria Estaline que os seus herdeiros no comando do que resta do império soviético bombardeariam virtualmente os sites da sua pátria Geórgia? Isso nunca viremos a saber, mas podemos apostar com segurança que não hesitaria em bombardear de facto os sítios físicos da sua pátria, se tal fosse necessário para perpetuar o seu poder e da clique que o sustentava.

    12/08/2008

    CASE STUDY: acertar na doença e errar na cura

    Joseph E. Stiglitz (Virar à esquerda para crescer) tem em grande parte razão no diagnóstico que faz. «Os preços altos da energia e dos bens alimentares e um sistema financeiro em desagregação – são, em grande medida, resultado de más políticas. O recente crescimento económico dos EUA nem foi sustentado nem abrangente. Muitos norte-americanos estão mais pobres hoje do que há sete anos (ver o gráfico lá em baixo). A Nova Direita, tipificada na administração Bush-Cheney, é de facto o velho corporativismo com nova cara. Eles acreditam num Estado forte, com poderes executivos robustos, mas dirigido para a defesa de interesses estabelecidos e pouco interessado nas leis do mercado.»

    Ainda que as doenças possam ser essas, a medicina não ajuda. «A Esquerda tem um programa coerente, que oferece não só maior crescimento, mas também justiça social. Para os eleitores, a escolha deveria ser fácil». Mas não é. E eles lá sabem porquê.

    .........Regresso às origens
    ...............[Fonte: Economist, 26-07]

    11/08/2008

    À atenção dos nossos netos e bisnetos

    O investimento de € 1,8 mil milhões previsto pelo governo para seis concessões rodoviárias (AE Transmontana, Douro Interior, Baixo Alentejo, Baixo Tejo, Litoral Oeste e Algarve Litoral), das 9 do pacote betuminoso, será ultrapassado no mínimo em cerca de 40% se (um SE de tamanho XL) a adjudicação fizer aos concorrentes com propostas mais baixas. (Público)

    Se a isto adicionarmos uns ajustamentozinhos, vamos chegar facilmente à fasquia dos € 3 mil milhões. Apesar de tudo (porque o essencial do risco ficará do local dos concessionários) talvez não ultrapasse metade do que resultaria das habituais correcções por trabalhos a mais, rectificações dos autos de medição, compensações diversas, revisões de preços, etc., às quais se aplicaria o rácio universal de escorregamento das obras públicas (100%). Como nenhum dos elefantes brancos se vai pagar a si próprio, as compensações a pagar aos concessionários vão evidentemente estar em linha com o valor do investimento. Os nossos netos e bisnetos, além do ónus de sustentarem legiões de avozinhos a agitarem as pelancas nas piscinas de hidro-ginástica, ainda terão que pagar uma parte considerável da prodigalidade dos governos eleitos pelos seus descuidados avós.

    10/08/2008

    BLOGARIDADES: não estou de acordo

    Só Heath Ledger interessa? Concordo que é um Joker muito melhor do que o canastrão Jack Nicholson - nada difícil. Mas o Christian Bale um rapaz talentoso capaz de várias reencarnações não interessa nada? Terá alguns pontos fracos (*), mas quem os não tem?

    (*) Não estou a falar de alegamente ter batido na mãe e na irmã. Como não as conheço, tenho que admitir que pode ter sido por uma boa causa.

    09/08/2008

    A rendição ao politicamente correcto

    «We're not the public service of Canada, we're not just another department. We are the Canadian Forces, and our job is to be able to kill people
    Disse o general Rick Hillier, a propósito da participação canadiana no Afganistão, quando foi nomeado chefe do estado maior das forças armadas canadianas há três anos. Depois dum trabalho notável de reforma das FA canadianas, Hillier demitiu-se o mês passado, com alívio mal disfarçado do governo de Stephen Harper que nunca apreciou o estilo directo de Hillier.

    Do seu sucessor general Walter Natynczyk não são conhecidas declarações semelhantes. A decisão mais notável que parece ter tomado foi montar um quiosque de recrutamento no festival «Gay pride» de Toronto.

    08/08/2008

    TRIVIALIDADES: O socialismo castrista visto do jardim zoológico de Havana

    Passado algum tempo da tomada do poder por Fidel Castro em 1959, os cartazes do tempo de Batista no jardim zoológico de Havana «Por favor não alimente os animais» foram mudados para «Por favor não coma os alimentos dos animais» e assim se mantiveram à queda do muro de Berlim. Com o desmantelamento do império soviético e o consequente corte da ajuda de Moscovo ao regime castrista, os cartazes foram novamente mudados para «Por favor não coma os animais». Com o passar do tempo, os animais carnívoros, à míngua de alimento adequado, foram-se sendo habituados pelos seus tratadores a uma dieta vegetariana. Com o início do boom turístico, que Castro foi forçado a aceitar para ter os dólares necessários para pagar as importações, aos cartazes «Por favor não coma os animais» foram adicionados outros em várias línguas: «Senhor turista por favor não coma à frente dos animais».

    07/08/2008

    Faça você mesmo (troque as voltas aos «especuladores»)

    «American consumers are bypassing Big Oil and Big Auto, they are going directly to the electric car. They are not waiting for fancy new start ups to come out with traditional looking cleantech vehicles. How is this happening? By buying golf carts. More and more American towns are making them legal street vehicles. Some entire states also allow golf carts on roads. Some town police departments are using them for street patrols.» (ZDNet)

    BREIQUINGUE NIUZ: os especuladores não param

    «Petróleo atinge os 115 dólares e entra em "bear market"»

    06/08/2008

    DIÁLOGOS DE PLUTÃO: não sofremos da maleita porque, a bem dizer, nunca chegámos a ter saúde

    - Já sabes? A produção industrial caíu 10% em Espanha. Eles estão a braços com uma bela crise, para não lhe chamar recessão.
    - E também estão de caras com uma bela inflação. Sem esquecer que já torraram o superavit do orçamento e vão a caminho dum belo défice. Eu bem te disse.
    - Esqueci-me. Disseste o quê?
    - Que era só uma questão de tempo porque o fortíssimo crescimento da economia espanhola durante 10 anos esteve assente em bases frágeis. Boom da construção, crédito fácil, mão-de-obra barata dos emigrantes, etc.
    - Tens toda a razão. O caso deles é parecido com o nosso. Só nos faltou o fortíssimo crescimento. E o superavit, mas sobrou-nos o défice.

    05/08/2008

    Estão (estamos) a pagar as consequências de (eles) irem para a cama uns com os outros e todos eles com os seus clientes (pas moi)

    Para quem andou anos a trocar as gratificações imediatas do consumo por entregas para um fundo de pensões que haverá (ia) de tapar os buracos crescentes da segurança social, ver o market value minguar cada dia não é uma experiência que se possa classificar de útil ou agradável.

    Fica-se, por isso, desagradado quando se recebe a publicação «Perspectivas», que só anuncia eufemísticamente mais desgraças nos mercados financeiros, acompanhada duma carta que tem a «expectativa de lhe proporcionarmos uma leitura útil e agradável». Ainda para mais quando a carta é do BPI Private Banking que acabou de sair da cama ainda quente que partilhou com o Millenium bcp.

    04/08/2008

    DIÁRIO DE BORDO: RIP

    Ontem foi o último dia na vida de Alexandre Soljenitsyne.

    03/08/2008

    Enganei-me no Magalhães. Não é um insulto à inteligência.

    Quando li o comunicado do governo que anuncia o Magalhães, «primeiro computador portátil com acesso à Internet montado em Portugal», que não é primeiro computador portátil com acesso à Internet montado em Portugal, equipado com o «último processador da Intel», que não é o último processador da Intel, que tem seu «lançamento mundial» aqui no burgo, lançamento que já teve lugar em 2006, Intel que escolheu Portugal, que afinal foi quem escolheu a Intel, Intel que terá uma fábrica em Portugal segundo o governo, que nunca existirá, segundo a Intel, quando li o comunicado, dizia eu, pensei que seria um insulto à inteligência.

    Um insulto à inteligência, em primeiro lugar dos jornalistas, que exporiam facilmente a construção ficcional do governo. Em segundo lugar dos cidadãos, ou dos eleitores, ou dos contribuintes (ou dos sujeitos passivos, como lhes chama o Impertinente). Passados 4 dias e lidos uma dúzia de jornais, posso garantir, sem sombra de dúvidas, que o e.escolinha (nome certamente escolhido por um daqueles spin doctors que não conseguiram chegar a criativos duma agência) não é um insulto à inteligência dos jornalistas.

    Vou esperar o fim da silly season para me pronunciar sobre o alegado (por mim) insulto à inteligência dos sujeitos passivos.

    [Diversos blogonautas trataram o tema. Em particular, realço o blasfemo Gabriel Silva que escreveu no post Acéfalos o que havia para escrever]

    01/08/2008

    DIÁRIO DE BORDO: a comunicação do presidente da República e as auroras boreais

    Ontem o professor Cavaco fez uma comunicação ao país que me fez lembrar a anedota do busto de Napoleão. Se o Impertinências nasceu como um blogue sério, na sua encarnação como (Im)pertinências é um blogue sem mácula, o que me impede de contar a anedota. Em sua substituição, publico uma foto da NASA de tempestades magnéticas que estão na origem das auroras boreais.