Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

30/06/2008

A propósito da reacção dos comunistas e dos bloquistas ao Código do Trabalho

Deve ser possível encontrar um racional subjacente à tese da esquerda marxista, tese (quase) sempre desmentida pela história económica, de que da maior flexibilidade dos mercados de trabalho resultam maior desemprego e salários mais baixos. Deve ser o mesmo racional que tornava inevitável nos países capitalistas mais desenvolvidos a revolução comunista, que afinal de contas veio a dar-se nos países atrasados pré-capitalistas.

29/06/2008

BREIQUINGUE NIUZ: Puf! O senhor engenheiro não precisa de lei

O senado romeno aprovou no dia 26 uma lei que obriga as televisões e rádios a incluir pelo menos metade de notícias positivas, evitando assim o «extraordinário poder nocivo (e os) efeitos irreversíveis na saúde e na vida das pessoas» das notícias negativas.

Sem lei mas com a ajuda dos seus spin doctors e da necessidade dos jornalistas tratarem das suas vidinhas, o senhor engenheiro Sócrates cumpriu sempre os mínimos. É o mercado de trabalho a funcionar.

28/06/2008

O sucesso do insucesso

A directora regional de educação do norte, apparatchik que se tornou célebre com a instauração de um processo disciplinar a um professor por ter contado uma anedota sobre José Sócrates, sugeriu agora aos conselhos executivos para excluírem da correcção das provas «aqueles professores que têm repetidamente classificações muito distantes da média (porque) os alunos têm direito a ter sucesso».

Uma conspiração para congelar a mobilidade social e perpetuar o parasitismo das elites merdosas que se impõem ao país e transmitem por via do esperma feliz, para usar a expressão de Warren Buffett, à sua prole o status que herdaram, não faria melhor do que esta clique que há mais de trinta anos se obstina a promover a mediocracia nas nossas escolas.

27/06/2008

ESTADO DE SÍTIO: para o governo do senhor engenheiro o aborto é uma forma de maternidade

Por razões profissionais, frequento o site do Diário da República Electrónico pelo menos uma vez por semana. Comecei por ler esta manhã em diagonal os sumários para escolher as ejaculações legislativas que não posso evitar (muito poucas). Cumpri o ritual mas confesso que nem reparei no Decreto-Lei n.º 105/2008 de 25 de Junho cujo sumário considerei anunciar mais uma das abundantes e insignificantes acções assistenciárias que o estado social nos proporciona a custos sumptuosos. A coisa rezava assim: «Institui medidas sociais de reforço da protecção social na maternidade, paternidade e adopção integradas no âmbito do subsistema de solidariedade e altera o Decreto-Lei n.º 154/88, de 29 de Abril».

Foi preciso visitar O Insurgente para realizar o que tinha perdido. Dispõe assim o Artº 4, nº2:

«O subsídio social de maternidade é garantido às mulheres nas situações de parto de nado-vivo ou morto, de aborto espontâneo, de interrupção voluntária da gravidez nos termos do artigo 142.º do Código Penal ou de risco clínico para a grávida ou nascituro.»

26/06/2008

CASE STUDY: quanto mais, menos

Frequentemente, o tema dos salários milionários de alguns gestores é tratado ou numa perspectiva moralista (e não é que a moral não tenha nada a ver com o tema, que tem) ou, mais raramente, pelo liberalismo académico, numa suposta perspectiva de mercado (e não é que o mercado não tenha nada a ver com isto, que tem, mas pouco). De acordo com a perspectiva moralista, os salários milionários são injustamente excessivos. Segundo a perspectiva liberal, são o que têm que ser, ponto final. Num caso como noutro, é uma vista do céu - do céu igualitário ou do céu dos mercados perfeitos. Um dia destes, Nuno Garoupa abordou o tema um pouco mais próximo do purgatório do Portugal do presente (A ineficiência dos salários milionários, Jornal de Negócios).

«Suponhamos pois que os salários milionários pagam em Portugal uma espectacular e significativa criação de valor para os accionistas ou para o Estado por parte desses gestores. O paradoxo está em que quando mais significativa é a criação de valor mais submergida está a economia portuguesa. Quando quase não havia salários milionários a economia portuguesa vivia momentos de expansão, agora que se generalizou a prática dos salários milionários a economia portuguesa estagnou para pelo menos duas décadas.

Existe uma explicação simples para este paradoxo. Em termos agregados, certamente a significativa criação de valor que justifica os salários milionários fez-se por predação, e não por ganhos de produtividade. Claro que existem muitos salários milionários que realmente pagam inovação, competência, risco com ganhos de produtividade importante (muito provavelmente esses gestores estão mesmo assim remunerados abaixo do valor da sua produtividade marginal). Mas a realidade da economia portuguesa não pode deixar dúvida, a grande maioria destes salários e pensões milionárias remunera a procura de rendas e quasi-rendas. As rendas e quasi-rendas geradas podem até justificar esses mesmos salários do ponto de vista dos accionistas, mas certamente não da sociedade. São uma externalidade negativa que impede o crescimento económico.
»
Um exemplo que poderia integrar a categoria dos EXTREMÓFILOS, inventada por Pacheco Pereira para a Alêtheia, é o da recém-demitida administração do Millenium bcp que facturou durante mais de 20 anos os salários mais milionários do país, enquanto destruia mais de metade do valor para os accionistas (os 4-5 euros porque os accionistas compraram as acções em sucessivos aumentos de capital entre 2000 e 2002 reduziram-se a menos de 2 euros).

25/06/2008

Somos todos turcos (hoje)













Somos todos turcos (hoje)
Impertinente
Pertinente

ARTIGO DEFUNTO: a ingenuidade notável

«A Airplus, concorrente da Portugal Telecom no concurso para os canais pagos da Televisão Digital Terrestre (TDT), está a pôr os trunfos todos em cima da mesa.
Estando para breve a pré-decisão do júri em relação a esta parte do concurso, a Airplus consegue um aliado de peso. Luís Nazaré, que saiu em Abril da presidência dos CTT, junta-se à Airplus, como figura de proa, mas sem poderes executivos. Hoje Luís Nazaré deverá ser anunciado como presidente não executivo da Airplus TV Portugal, apurou o Jornal de Negócios.
»

Notável não é o «trunfo» e «figura de proa» Luís Nazaré, sair da bolsa de excedentários do PS, em trânsito da administração dos CTT, directamente para a administração de um candidato ao concurso público da TDT. Notável também não é o doutor Pais do Amaral interessar-se pelos seus 20% que acabou de comprar na AirPlus e deter o know-how para «viabilizar» a coisa. Nada disto é notável e muito menos singular. Notável é a ingenuidade, chamemos-lhe assim, da jornalista de serviço ao relatar a coisa como a mais natural no mundo dos concursos.

Neste caso o ridículo pode mesmo ser mortal

«Quando vejo este carrossel de países em torno de Putin e Medvedev, fico indignado. A Europa torna-se ridícula.» Palavras de Jacques Delors ditas o domingo passado numa entrevista. É o que distingue um europeísta visionário da multidão de eurocratas que pululam entre Bruxelas e Estrasburgo, mais preocupados em manter os seus pequenos feudos e as suas tenças do que com a Europa, seja lá o que for a Europa.

24/06/2008

ESTADO DE SÍTIO: de queda em queda

Depois de ter deixado cair as reformas da administração pública, do SNS, da justiça, e a segurança dos cidadãos, o Governo deixa cair despedimento por inadaptação ao trabalho.

23/06/2008

O Sócrates deles é melhor do que o nosso Zapatero

Zapatero reduce un 30% la oferta de empleo público y congela el sueldo a los altos cargos [El País]

Compare-se o crescimento previsto do PIB e o superavit orçamental em Espanha com o nosso crescimento (metade) e o crónico défice do orçamento português.

22/06/2008

ARTIGO DEFUNTO: a revolta da ignorância (e da demagogia, já agora)

Quem tenha um módico de conhecimento do funcionamento duma empresa sabe que a facturas de bens vendidos ou serviços prestados não pagas pelos clientes, depois dum período de hibernação sob a forma de provisões, serão finalmente abatidas aos proveitos e, consequentemente, aos lucros. Em qualquer empresa que tenha os consumidores finais como clientes haverá um rácio médio de incobráveis que inevitavelmente terá que será considerado com um componente do custo a incluir no preço final do produto ou serviço pago pelo cliente.

Isto é tão trivial que até agonia explicar. Será? Então como explicar a histeria dos robins dos bosques que enxameiam a nossa política, dos jornalistas de causas e até de insuspeitas luminárias gritando a sua indignação perante a «proposta» da Entidade Reguladora do Sector Eléctrico (ERSE) que faria suportar pelos consumidores o que já é suportado? [Ver aqui a «revolta» do doutor Afonso Candal, o herdeiro do lugar da bancada do PS outrora do famoso Carlos Candal]

Contra esta idiotia generalizada, apenas se levantou no Sol a voz do doutor Sérgio Figueiredo, que dificilmente se pode considerar neutral, como ele próprio reconhece, uma vez que é o administrador-delegado da Fundação EDP.

20/06/2008

Aguardo ansiosamente os novos bloqueios

Na conferência de imprensa de ontem o ministro Mário Lino anunciou mais uma ejaculação legislativa, como costuma escrever o Impertinente, autorizando (?) o transportador a aumentar automaticamente (?) os preços contratados quando os combustíveis aumentarem mais de 5 por cento, e obrigando o cliente a pagar num prazo máximo de 30 dias, sob pena de contra-ordenação com coima.

É difícil imaginar medida mais arbitrária e intervencionista que até um governo chefiado pelo secretário-geral do PCP hesitaria em tomar. Ficamos à espera de novos bloqueios e acções de intimidação pelos consumidores dos serviços de transportes e dos credores do Estado para equilibrar as coisas.

19/06/2008

DIÁRIO DE BORDO: não há nada de (especialmente) errado com os nossos rapazes

Se alguma coisa está errada neste país não são os profissionais de futebol, onde se consegue extrair um grupo que está entre os 8 melhores da Europa. Se há coisa errada neste país é a mediocridade das nossas elites, dos nossos políticos, dos nossos intelectuais, dos nossos cientistas, dos nossos empresários, dos nossos dirigentes, dos nossos técnicos, que nos empurram para a merda há 5 séculos.

Acaba-se o sucesso no futebol como ersatz do sucesso na vidinha e fica o aumento da gasolina, o corte nas férias, as prestações atrasadas.

Uma pergunta inocente e politicamente incorrecta

Segundo o Público, «um homem morreu ontem depois de cair de um viaduto da Circular Regional Externa de Lisboa (CREL), em Pinheiro de Loures, informaram os bombeiros

O que estiveram a fazer no local «nove bombeiros da corporação de Loures, apoiados por três viaturas, e uma equipa da emergência médica»?

18/06/2008

BREIQUINGUE NIUZ: Estamos a convergir - é bom para a nossa auto-estima

«Estados Unidos, Malta e Portugal são os três países de um conjunto de 41 analisados por um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) onde as crianças com onze anos revelam maior excesso de peso.» (Sol)

A doença dos portugueses é um sintoma não de morbidez, mas de grande vitalidade, já o escrevi no (Im)pertinências várias vezes. Neste caso particular da obesidade infantil, isso ainda é mais verdade. Pois não será certo que reflecte um desvelo pelas nossas criancinhas que as põe no topo do ranking mundial, destaque só igualado, talvez, pelo sucesso dos nossos jovens profissionais de futebol?

16/06/2008

ESTÓRIA E MORAL: o som do silêncio

Estória

Durante vários dias o país teve as estradas bloqueadas pelos camionistas que, seguindo o exemplo dos armadores da pesca, puseram em prática acções que configuram o lockout proibido pela Constituição, perante a passividade das autoridades policiais. Enquanto isso o governo tentava apaziguar o crocodilo alimentando-o com a esperança de ser comido em último lugar, como teria dito outra vez Winston Churchill, se ainda por cá andasse.

Durante todo esse tempo, o silêncio da líder da oposição doutora Manuela Ferreira Leite foi ensurdecedor, dando razão aos seus detractores que a acusam de não ter ideias para o país. Tal não pareceu incomodar os seus spin doctors que, contudo, deveriam começar a olhar para a aparente falta de ideias da líder mais como uma ameaça do que uma oportunidade para a sua prolixa produção intelectual.

Moral

It is better to keep your mouth shut and be thought a fool than to open it and remove all doubt.

15/06/2008

E se de repente o futebol catalisasse a química política

E se a saída anunciada de Scolari, um treinador motivacional (dizem os especialistas), tiver um impacto significativo no rendimento da selecção (a fraca exibição da equipa e o resultado de há pouco com a Suíça indiciam essa possibilidade)? E se, por via disso ou doutra qualquer razão, a esperança morrer ingloriamente na praia, ou seja nos quartos de final? Acaba-se o sucesso no futebol como ersatz do sucesso na vidinha e fica o aumento da gasolina, o corte nas férias, as prestações atrasadas. E se a isso acrescentarmos as corporações outra vez na rua a exigir do governo mais umas migalhas do orçamento?

13/06/2008

ESTÓRIA E MORAL: um homem precavido

Estória

Como é sabido, o doutor Cadilhe depois de se candidatar a presidente do Millennium bcp, do qual já recebia uma pensão vitalícia (fala-se dumas dezenas de milhar de euros mensais) pelos poucos anos em que foi administrador, foi convidado a presidir ao BPN em substituição duma figura sinistra, também membro dum dos governos do professor Cavaco, em demissão sob pressão do BdeP, que entretanto se lembrou que lhe competia a supervisão da banca, depois do escândalo Millennium bcp.

Após ter garantido que as regras do Millennium bcp, que o fariam perder a pensão ao exercer funções noutro banco, seriam ajeitadas à sua situação, o doutor Cadilhe começou a constituir equipa. Sabendo que estão em curso no BdeP e na CMVM inquéritos ao BPN, o doutor Cadilhe precata-se e convida o doutor Rui Pedras do Conselho Directivo da CMVM até agora responsável pela investigação ao BPN.

Moral

Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

12/06/2008

O buzinão de Sócrates

«O direito de manifestação e de protesto pacífico e o recurso a formas de luta como a paralisação e a greve são, nos termos legais, inteiramente legítimos», disse hoje o primeiro-ministro depois de ter assistido impávido ao lockout dos transportadores com bloqueio das estradas e intimidação.

Acrescentou que «o Estado de direito não pode pactuar com a chantagem, a intimidação e a violação dos direitos e liberdades dos outros», depois de ter entregue o estado de direito ao poder das estradas e de baquear à chantagem, intimidação e violação dos direitos e liberdades dos outros.

As medidas do acordo ou bases de entendimento (esta discussão semântica terá durado um par de horas) constituem uma retirada em toda a linha, um prémio à chantagem, intimidação e violação dos direitos e liberdades dos outros e um incentivo à adopção da mesma estratégia por outras corporações. Estas medidas incluem coisas absurdas como:
  • Portagens reduzidas entre as 22h00 e as 7h00
  • Majoração das despesas de combustíveis no IRC
  • Indexação do frete ao aumento do Gasóleo e prazo de 30 dias
  • Imposto Único de Circulação de camiões congelado por três anos
  • Adopção de uma forma especial de pagamento do IVA
  • Apoios ao abate e renovação de frotas e à formação profissional

11/06/2008

PUBLIC SERVICE: slaughtering some of environmentalism's sacred cows

Inconvenient Truths: Get Ready to Rethink What It Means to Be Green

The environmental movement has never been short on noble goals. Preserving wild spaces, cleaning up the oceans, protecting watersheds, neutralizing acid rain, saving endangered species — all laudable. But today, one ecological problem outweighs all others: global warming. Restoring the Everglades, protecting the Headwaters redwoods, or saving the Illinois mud turtle won't matter if climate change plunges the planet into chaos. It's high time for greens to unite around the urgent need to reduce emissions of greenhouse gases.

Just one problem. Winning the war on global warming requires slaughtering some of environmentalism's sacred cows. We can afford to ignore neither the carbon-free electricity supplied by nuclear energy nor the transformational potential of genetic engineering. We need to take advantage of the energy efficiencies offered by urban density. We must accept that the world's fastest-growing economies won't forgo a higher standard of living in the name of climate science — and that, on the way up, countries like India and China might actually help devise the solutions the planet so desperately needs.

Some will reject this approach as dangerously single-minded: The environment is threatened on many fronts, and all of them need attention. So argues Alex Steffen. That may be true, but global warming threatens to overwhelm any progress made on other issues. The planet is already heating up, and the point of no return may be only decades away. So combating greenhouse gases must be our top priority, even if that means embracing the unthinkable. Here, then, are 10 tenets of the new environmental apostasy
.

10/06/2008

A factura da manipulação tarda, mas não falta

Qual é a responsabilidade do governo no aumento dos combustíveis? Nenhuma, se nos esquecermos do ISP e não nos lembrarmos que os utilizadores devem pagar os custos da poluição ambiental e, ainda neste caso, se também nos esquecermos que as receitas do ISP servem para tudo menos para melhorar o ambiente.

O que deve fazer o governo para conter o aumento dos combustível? Nada. A ser assim, porque esperam os armadores da pesca e os transportadores que o governo faça alguma coisa, isto é reduza o preço dos combustíveis? Talvez porque uns e outros se habituaram a ouvir os «200 palhaços que vão à televisão falar de economia» (César das Neves) e acreditam nos poderes miraculosos que o governo finge ter.

ESTADO DE SÍTIO: O que é que eles quiseram dizer?

Durante a sua viagem à Argélia, no seu papel de garoto propaganda (chamou-lhe um jornalista qualquer), o engenheiro Sócrates disse para o chefe de Estado argelino Abdelaziz Bouteflika «Portugal e Argélia partilham uma visão progressista das relações internacionais em que devem assentar os valores da paz». O que queria o senhor engenheiro dizer com «partilham» e «visão progressista»? Estaria o PM a falar para os órfãos do MFA?

«Hoje eu tenho que sublinhar, acima de tudo, a raça, o dia da raça, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas» disse o professor Cavaco Silva ontem em Viana do Castelo. Estaria o PR a falar para os órfãos da Mocidade Portuguesa?

«As responsabilidades que envolvem o exercício do Presidente da República recomendam um esclarecimento sobre aquilo que disse: ou se trata de um lamentável equívoco ou existe outra explicação para a utilização do termo», disse o camarada Jorge Cordeiro da CP do PCP. Estaria o membro da CP a falar para órfãos do PREC?

09/06/2008

A função zingarilho aplicável aos campeonatos europeus de chuto na bola

Segundo parece, o Euro 2008 terá um impacto na economia europeia de 1,4 mil milhões de euros, isto é 75% superior ao impacto do Euro 2004 organizado por Portugal. Em contrapartida, enquanto neste último o governo de Guterres torrou mais de mil milhões para construir 8 novos estádios, a maioria dos quais está actualmente destinado às moscas, no Euro 2008 a Áustria e a Suíça (tal como a Bélgica e a Holanda em 2000) partilharam a organização e construíram apenas 2 novos estádios. É caso para invocar a pertinência das funções zingarilho: quanto mais miséria, mais espavento.

Ocorre-me, a propósito, perguntar se no âmbito da Responsabilidade civil extracontratual do Estado e seus agentes prevista na Lei 67/2007 de 31-12 será ainda possível accionar judicialmente António Guterres e seu ministro-adjunto do primeiro-ministro com a tutela do Desporto, que por coincidência se chamava José Sócrates.

08/06/2008

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: da igualdade pirosa à igualdade pilosa dos géneros

Na minha geração, as feministas assanhadas queimavam os sutiãs (não é verdade, mas podia ser), não rapavam os pêlos dos sovacos e das pernas, nem o buço. Na geração dos meus netos, as netas das feministas assanhadas e as outras netas convencem os namorados a depilarem os pêlos das pernas, do peito e doutros sítios. É uma estratégia mais inteligente para o mesmo objectivo: a igualdade pilosa dos géneros.

07/06/2008

ESTADO DE SÍTIO: há um Goebbels no Portal do Cidadão (e em muito outros sítios)

Portugal é o 3º melhor ao nível da Banda Larga
De acordo com o Broadband Efficiency Índex, Portugal teve a terceira melhor performance dos 30 países da OCDE no grau de eficiência na adopção da Banda Larga. A Islândia e a Bélgica lideram o índex.

[Portal do Cidadão, 4 de Junho]

Portugal desce no “ranking” da Banda Larga da OCDE
Portugal desceu no “ranking” da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que revela os dados sobre a penetração da banda larga. Num “ranking” de 30 países, Portugal ocupa o lugar 24.

[Jornal de Negócios, 5 de Junho]

05/06/2008

O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: o desenvolvimento económico sem causas

Há dois anos o Banco Mundial reuniu uma comissão dedicada a estudar o desenvolvimento económico. Não para teorizar sobre receitas para o crescimento, mas para analizar em detalhe as razões do sucesso dos únicos 13 países do globo que conseguiram alcançar uma taxa de crescimento superior a 7% ao longo de pelo menos 25 anos consecutivos, a contar em 1950. O crescimento, dizem, não é um milagre, mas pode ser explicado e até repetido.

Como se pode imaginar são quase todos asiáticos (China, Hong Kong, Indonésia, Japão, Coreia (Sul), Malasia, Oman, Singapura, Taiwan e Tailandia) mas não só: Malta, Botswana e Brasil completam a lista. Poder-se-ia acrescentar India e Vietnam, que vão nos 15 anos.
Não há muito em comum entre eles, são grandes e pequenos, autoritários e democráticos, e razoavelmente espalhados pela Terra.
O resultado final deste exercício foi agora publicado e aponta para uma mescla DE recomendações heterodoxas, umas profundamente liberais, outras profundamente de esquerda.

O mercado, a mobilidade laboral, a globalização económica (este considerado como o principal) são essenciais mas também o termo da desigualdade dos géneros, a segurança económica a melhoria na educação e sua extensão a toda a sociedade, a arte de bem governar.... Foram em particular identificados cinco factores que todos esses países tem em comum. Com efeito todos:
1. Exploraram plenamente a abertura da economia mundial
2. Mantiveram estabilidade macroeconómica.
3. Apresentam altas taxas de poupança e de investimento.
4. Deixam aos mercados a aplicação dos recursos disponíveis a investir
5.Tem governos empenhados, credíveis e capazes.

As estratégias baseadas no mercado interno e na aprocura interna não podem ter sucesso, porque fácilmente atingem o limite. E não pode haver limite a prazo, e não autorga à economia a mesma liberdade para especializar-se no que melhor produz.

A democracia é que não parece ser um requisito imprescindível.

O meu papel consistiu em ler os jornais e fazer de relator para vocês: não participei nos trabalhos da comissão (deixei vaga a 21ª cadeira) que integrou académicos, políticos, governadores de bancos centrais, maioritáriamente de países em desenvolvimento. E dois prémios Nobel da Economia.

O crescimento não é um objectivo em si mesmo. Mas é importante porque é essencial para conseguir aquilo que preocupa toda a gente: redução da pobreza, emprego produtivo educação, saúde e oportunidade de ser criativo. É sob este último ponto de vista que a comissão e eu achamos que vocês têm todos razão.

(Os créditos vão para Walter Oppenheimer, autor do artigo a partir do qual compus a minha nota. Gostava até de transcrever o parágrafo final:

"A abertura à economia global á qualificada como a característica compartilhada mais importante e lição central deste relatório. Os países de alto crescimento beneficiam-se de duas formas: por um lado importam ideias, tecnologia e conhecimento do resto do mundo; por outro exploram a procura global para os seus bens, gerada num mercado grande e elástico. Para dizê-lo de forma simples, importam o que o resto do mundo conhece e exportam o que o resto do mundo necessita.")


[de um email de JARF que, não morrendo de amores pelos mercados, percebe que não se pode ter sol na eira e chuva no nabal]

04/06/2008

Greve dizem eles. Lockout digo eu.

Embarcações de pesca estão paradas como forma de protesto (?) contra o aumento do preço dos combustíveis. Nuns casos essas embarcações são propriedade de armadores que as mantém amarradas, geralmente com o apoio dos pescadores. No caso da pesca artesanal os pescadores, eles próprios proprietários das embarcações, fazem o mesmo.

Os jornais e o ministro da Agricultura e das Pescas falam em greve. Segundo a Wikipedia (definições pouco rigorosas, mas que para o caso servem):

  • Greve é a cessação colectiva e voluntária do trabalho realizada por trabalhadores com o propósito de obter benefícios, como aumento de salário, melhoria de condições de trabalho ou direitos trabalhistas, ou para evitar a perda de benefícios.
  • Lockout é a recusa por parte da entidade patronal em ceder aos trabalhadores os instrumentos de trabalho necessários para a sua actividade.
Se esta paralização da pesca for classificável, estará mais para o lado do lockout do que da greve. Acontece que segundo o Artigo 57.º da Constituição da República Portuguesa «é garantido o direito à greve» mas «é proibido o lock-out».

02/06/2008

SERVIÇO PÚBLICO: oito razões para nos alegrarmos com a alta dos preços do petróleo

SHADES OF GREEN
$8-a-gallon gas
Commentary: Eight reasons higher prices will do us a world of good

SAN FRANCISCO (MarketWatch) -- For one of the nastiest substances on earth, crude oil has an amazing grip on the globe. We all know the stuff's poison, yet we're as dependent on it as our air and water supplies -- which, of course, is what oil is poisoning.
Shouldn't we be technologically advanced enough here in the 21st Century to quit siphoning off the pus of the Earth? Regardless whether you believe global warming is threatening the planet's future, you must admit crude is passé.

Americans should be celebrating rather than shuddering over the arrival of $4-a-gallon gasoline. We lived on cheap gas too long, failed to innovate and now face the consequences of competing for a finite resource amid fast-expanding global demand.
A further price rise as in Europe to $8 a gallon -- or $200 and more to fill a large SUV's tank -- would be a catalyst for economic, political and social change of profound national and global impact. We could face an economic squeeze, but it would be the pain before the gain.
The U.S. economy absorbed a tripling in gas prices in the last six years without falling into recession, at least through March. Ravenous demand from China and India could see prices further double in the next few years -- and jumpstart the overdue process of weaning ourselves off fossil fuels.
Consider the world of good that would come of pricing crude oil and gasoline at levels that would strain our finances as much as they're straining international relations and the planet's long-term health:
(Continue a ler aqui)

01/06/2008

A diplomacia económica portuguesa em acção

Depois de Angola e da Venezuela, o governo, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, abre uma nova frente: Paraguai, Segundo o Expresso, Portugal já é o principal investidor europeu e o ministro antevê um futuro radioso para a cooperação entre os dois países. Haverá um fio condutor escondido que proporcione um racional alternativo à evidência?

ESTADO DE SÍTIO: mais dum mesmo, outra vez

Só distraídos poderiam esperar que algum dos três candidatos com hipóteses nas directas do PSD poderia seria outra coisa do que mais dum mesmo - um mesmo que é o mesmo de sempre com os retoques idiossincráticos dos candidatos e as pequenas diferenças que separam os seus correligionários.

O doutor Santana Lopes seria igual a si próprio e já nos mostrou suficientemente o seu self durante 30 anos. Talvez tivesse algumas ideias que exporia com reconhecida eloquência, mas provavelmente as suas ideias menos más não seriam novas e as suas ideias novas não seriam boas. O seu PPD/PSD já deu o que tinha a dar, ainda que o próprio Santana Lopes tenha virtualidades de nos animar durante mais uns 20 ou 30 anos.

O doutor Passos Coelho rapidamente deixaria cair as suas veleidades liberalizantes para ficar prisioneiro da realidade que é a do aparelho do PSD que apostou nele e a que ele próprio pertence há mais de 20 anos. Aparelho que se sustenta da ocupação do estado que tenta parasitar com a mesma gula vampírica de sempre.

A ideia mais elaborada que a doutora Ferreira Leite tem para governar o país, se lhe derem a oportunidade (um se de tamanho XL), é a reedição do cavaquismo com 20 anos de atraso, agora matizado com umas preocupações sociais. Recorde-se que o cavaquismo durante 10 anos compôs os cacos do estado que recebeu do Bloco Central e criou as fundações para o monstro voraz que hoje consome metade da riqueza produzida pelo país.

No final 4 anos de socratismo durante os quais o governo dissipou ingloriamente todo o crédito de que dispôs para fazer as reformas indispensáveis para o país sair do limbo, ficará o ressentimento de interesses ameaçados, mas nunca postos em causa, e de desigualdades sociais arbitrárias e inúteis de que não resultou maior competitividade. É este o país doente que espera a doutora Ferreira Leite e não se vê que as suas medicinas possam curá-lo.