Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

30/04/2007

SERVIÇO PÚBLICO: cada um tem o que merece?

Depois dos governos anteriores terem gasto, entre 1996 e 2005, 1,5 milhões de euros para albergar peças do Berardo em Sintra, o governo socialista do engenheiro Sócrates cedeu-lhe o ano passado o centro de exposições do CCB por 10 anos, prometeu pagar meio milhão de euros em cada um desses 10 anos, para ajudar à festa da fundação, e obrigou-se a comprar a colecção no final, se o Sr. Berardo lha quiser vender.

Para não se pensar que só o governo português faz mecenato com o dinheiro dos sujeitos passivos, recorda-se que, se nós temos o Berardo, os espanhóis tiveram o Thyssen, Heinrich e têm a sua 5.ª consorte Tita, antiga miss Espanha. Em 1989, o governo de Felipe Gonzalez (sempre o polvo socialista), pagou as pesetas equivalentes a 350 milhões de dólares por metade da colecção Thyssen que albergou nesta esplêndida galeria.

Se dizem da colecção Thyssen que tem obras menores de artistas maiores e obras maiores de artistas menores, que haveremos de dizer da colecção Berardo?

Obra menor dum artista maior / Obra menor dum artista menor

29/04/2007

DIÁRIO DE BORDO: qualquer coisa de esquizofrénico

Há qualquer coisa de esquizofrénico nos portugueses e a maleita é particularmente visível nos jornalistas. Comecei a prestar atenção ao fenómeno quando o arquitecto Saraiva, ainda nos seus tempos do Expresso, recuperou do período heróico do cavaquismo («o bom aluno», «Portugal está na moda») uma estirpe que infectou o jornalismo de causas: o culto do «homem novo» português. A infecção é notória nos semanários, onde é representada pelo seu criador no Sol e pelo doutor Nicolau Santos no Expresso.

A causa consiste em animar os portugueses, aumentar a sua auto-estima, supostamente abalada, mostrando-lhes que são tão bons como os melhores, descobrindo por entre as dobras dum tecido empresarial desfiado e carcomido a meia dúzia de empresas aiteque que são a inveja de toda a estranja. Ou desencantando umas dúzias de profissionais jovens, ou de meia idade quando escasseiam os jovens, que dão cartas nas multinacionais, que levam novos mundos ao mundo, e serão putativos paradigmas para as centenas de milhar de songamongas que aboboram por essas repartições e pelos restos de antigas empresas públicas que hibernam no interior das privadas que lhes sucederam.

Nos meios do futebol, onde os nossos patrícios parecem trazer ao colo os respectivos clubes, atinge-se a excelência no ridículo: ele é o Inter (já tinha sido o Barcelona e o Real Madrid) de Luís Figo, ele é o Manchester de Cristiano Ronaldo, ele é o Chelsea de Mourinho, etc.

Vá-se lá saber porquê, os patrícios sentem os olhos da comunidade internacional cravados nas suas costas. É um sentimento bastante patético porque não é difícil perceber a insignificância do país no desconcerto das nações e a imagem de homem doente da Europa, como escrevia o Economist há 2 semanas, que se nos colou.

A mim parece-me evidente que este afagar infantilizante do ego dos portugueses não conduz a mais do que uma satisfaçãozinha preguiçosa e negligente que alimenta o conformismo, apenas contrariado pela iniciativa na montagem de arranjinhos e esquemas para tentar mitigar a desgraça própria, que a alheia é lá com eles (*). Nenhuma pessoa, organização ou sociedade muda nesse estado de auto-consolação.

(*) Eles (socialês)
(1) Os culpados da nossa miséria (dos fascistas aos liberais, passando pelos comunistas e, sempre, os espanhóis, e, em alternância, o governo e a oposição).
(2) Os responsáveis pelo trânsito da miséria para a felicidade (quase todos os referidos).
Antónimos: EU (que não sou parvo e não tenho nada a ver com isso) e NÓS (EU, a minha MÃE, a minha patroa, os putos, os amigos, talvez o clube, e o partido, às vezes).

28/04/2007

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: apanhados











- Bom dia camarada, deixe-me abraçá-lo.
- (quem é este? deve ter saído do 24 de Abril)


[diálogo imaginário inspirado na foto do Expresso]

27/04/2007

SERVIÇO PÚBLICO: aprovação de orgânicas

O que é a reforma da administração pública para um governo socialista, na 2.ª metade do mandato em que prometeu reduzir em 75 mil o número de utentes da vaca marsupial pública, também conhecida pelo monstro do professor Cavaco?

A aprovação de orgânicas, pelos vistos. Só hoje foram sessenta e tantas, incluindo a orgânica duma criatura inorgânica chamada OPART, a saber:

Decreto Regulamentar n.º 44/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Presidência do Conselho de Ministros
Aprova a orgânica da Direcção-Geral das Autarquias Locais
Decreto-Lei n.º 116/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Presidência do Conselho de Ministros
Aprova a orgânica da Agência para a Modernização Administrativa, I. P.
Decreto-Lei n.º 117/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério dos Negócios Estrangeiros
Aprova a orgânica da Secretaria-Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros
Decreto Regulamentar n.º 45/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério dos Negócios Estrangeiros
Aprova a orgânica da Direcção-Geral de Política Externa
Decreto Regulamentar n.º 46/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério dos Negócios Estrangeiros
Aprova a orgânica da Direcção-Geral dos Assuntos Técnicos e Económicos
Decreto Regulamentar n.º 47/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério dos Negócios Estrangeiros
Aprova a orgânica da Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas
Decreto-Lei n.º 118/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério dos Negócios Estrangeiros
Aprova a orgânica do Fundo para as Relações Internacionais, I. P.
Decreto-Lei n.º 119/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério dos Negócios Estrangeiros
Aprova a orgânica do Instituto Camões, I. P.
Decreto-Lei n.º 120/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério dos Negócios Estrangeiros
Aprova a orgânica do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, I. P.
Decreto-Lei n.º 121/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério dos Negócios Estrangeiros
Aprova a orgânica da Comissão Nacional da UNESCO
Decreto Regulamentar n.º 48/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério dos Negócios Estrangeiros
Aprova a orgânica da Comissão Interministerial de Limites e Bacias Hidrográficas Luso-Espanholas
Decreto Regulamentar n.º 49/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério das Finanças e da Administração Pública
Aprova a orgânica dos Serviços Sociais da Administração Pública
Decreto-Lei n.º 122/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério das Finanças e da Administração Pública
Aprova o regime de acção social complementar dos trabalhadores da administração directa e indirecta do Estado
Decreto-Lei n.º 123/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Justiça
Aprova a orgânica da Direcção-Geral da Política de Justiça
Decreto Regulamentar n.º 50/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Justiça
Aprova a orgânica da Secretaria-Geral do Ministério da Justiça
Decreto-Lei n.º 124/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Justiça
Aprova a orgânica da Direcção-Geral da Administração da Justiça
Decreto-Lei n.º 125/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Justiça
Aprova a orgânica da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais
Decreto-Lei n.º 126/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Justiça
Aprova a orgânica da Direcção-Geral de Reinserção Social
Decreto-Lei n.º 127/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Justiça
Aprova a orgânica do Gabinete para a Resolução Alternativa de Litígios
Decreto-Lei n.º 128/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Justiça
Aprova a orgânica do Instituto de Gestão Financeira e Infra-Estruturas da Justiça, I. P.
Decreto-Lei n.º 129/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Justiça
Aprova a orgânica do Instituto dos Registos e do Notariado, I. P.
Decreto-Lei n.º 130/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Justiça
Aprova a orgânica do Instituto das Tecnologias de Informação na Justiça, I. P.
Decreto-Lei n.º 131/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Justiça
Aprova a orgânica do Instituto Nacional de Medicina Legal, I. P.
Decreto-Lei n.º 132/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Justiça
Aprova a orgânica do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, I. P.
Decreto Regulamentar n.º 51/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
Aprova a orgânica do Departamento de Prospectiva e Planeamento e Relações Internacionais
Decreto Regulamentar n.º 52/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
Aprova a orgânica da Secretaria-Geral do Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
Decreto Regulamentar n.º 53/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
Aprova a orgânica da Agência Portuguesa do Ambiente
Decreto Regulamentar n.º 54/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
Aprova a orgânica da Direcção-Geral do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Urbano
Decreto-Lei n.º 133/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
Aprova a orgânica do Instituto Geográfico Português
Decreto-Lei n.º 134/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
Aprova a orgânica das comissões de coordenação e desenvolvimento regional
Decreto-Lei n.º 135/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
Aprova a orgânica do Instituto da Água, I. P.
Decreto-Lei n.º 136/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
Aprova a orgânica do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, I. P.
Decreto-Lei n.º 137/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
Aprova a orgânica do Instituto Financeiro para o Desenvolvimento Regional, I. P.
Decreto Regulamentar n.º 55/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Economia e da Inovação
Aprova a orgânica do Gabinete de Estratégia e Estudos
Decreto-Lei n.º 138/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Economia e da Inovação
Aprova a orgânica da Secretaria-Geral do Ministério da Economia e da Inovação
Decreto Regulamentar n.º 56/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Economia e da Inovação
Aprova a orgânica da Direcção-Geral das Actividades Económicas
Decreto-Lei n.º 139/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Economia e da Inovação
Aprova a orgânica da Direcção-Geral de Energia e Geologia
Decreto Regulamentar n.º 57/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Economia e da Inovação
Aprova a orgânica da Direcção-Geral do Consumidor
Decreto Regulamentar n.º 58/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Economia e da Inovação
Aprova a orgânica das direcções regionais da economia
Decreto-Lei n.º 140/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Economia e da Inovação
Aprova a orgânica do IAPMEI - Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação, I. P.
Decreto-Lei n.º 141/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Economia e da Inovação
Aprova a orgânica do Turismo de Portugal, I. P.
Decreto-Lei n.º 142/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Economia e da Inovação
Aprova a orgânica do Instituto Português da Qualidade, I. P.
Decreto-Lei n.º 143/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Economia e da Inovação
Aprova a orgânica da Comissão de Aplicação de Coimas em Matéria Económica e de Publicidade
Decreto Regulamentar n.º 59/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Aprova a orgânica do Gabinete de Planeamento, Estratégia e Relações Internacionais
Decreto-Lei n.º 144/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Aprova a orgânica do Instituto da Construção e do Imobiliário, I. P.
Decreto-Lei n.º 145/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Aprova a orgânica do Instituto Nacional de Aviação Civil, I. P.
Decreto-Lei n.º 146/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Aprova a orgânica do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos
Decreto-Lei n.º 147/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Aprova a orgânica do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres, I. P.
Decreto-Lei n.º 148/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Aprova a orgânica do Instituto de Infra-Estruturas Rodoviárias, I. P.
Decreto-Lei n.º 149/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Aprova a orgânica do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves
Decreto Regulamentar n.º 60/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Aprova a orgânica do Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais
Decreto-Lei n.º 150/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Aprova a orgânica da Secretaria-Geral do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Decreto-Lei n.º 151/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Aprova a orgânica da Direcção-Geral do Ensino Superior
Decreto-Lei n.º 152/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Aprova a orgânica da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I. P.
Decreto-Lei n.º 153/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Aprova a orgânica da UMIC - Agência para a Sociedade do Conhecimento, I. P.
Decreto-Lei n.º 154/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Aprova a orgânica do Centro Científico e Cultural de Macau, I. P.
Decreto-Lei n.º 155/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Aprova a orgânica do Instituto de Investigação Científica Tropical, I. P.
Decreto-Lei n.º 156/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Aprova a orgânica do Instituto Tecnológico e Nuclear, I. P.
Decreto-Lei n.º 157/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Aprova a orgânica do Instituto de Meteorologia, I. P.
Decreto-Lei n.º 158/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Cultura
Cria e aprova os Estatutos do Teatro Nacional D. Maria II, E. P. E.
Decreto-Lei n.º 159/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Cultura
Cria e aprova os Estatutos do Teatro Nacional de São João, E. P. E.
Decreto-Lei n.º 160/2007. DR 82 SÉRIE I de 2007-04-27
Ministério da Cultura
Cria e aprova os Estatutos do OPART - Organismo de Produção Artística, E. P. E.

26/04/2007

O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: a homenagem arrojada

A minha homenagem a Pedro Arroja não foi bem recebida por vários leitores/detractores do Impertinências. Não percebo porquê. Passo a explicar, usando as palavras de algumas das minhas respostas por email.

Apesar de aceitar, com os detractores, que o grau de desconformidade do Arroja possa já para além do ponto de não retorno à sanidade, a verdade é que simpatizo, em graus variáveis, com quase todos os minoritários e Pedro Arroja não é excepção - numa determinada altura todos os agentes de mudança são minoritários. Isso não significa que estivesse disposto a aturá-lo.

Não estaria disposto a aturá-lo, por exemplo, e sobretudo, no que respeita à sua versão papista de anti-semitismo, que o Santo Ofício in illo tempore ou um fanático do Islão, nos dias que correm, poderiam subscrever, mas difícil de compreender num sujeito ilustrado confessadamente liberal.

Quanto à jóia e à patroa (e à dona) vejo a coisa como uma boutade em que o convencionalismo minoritário do Arroja contrasta com o convencionalismo maioritário politicamente correcto. Há 30 anos seria repulsivo, hoje serve como reagente para realçar o mimetismo feminista aos paradigmas do macho - coisa que classificaria como um grande sucesso na colonização do ideário feminista pelo machismo mais serôdio.

Seja como, ao escrever aquelas barbaridades, o Arroja tocou numa questão muito interessante, quase sempre olhada com os olhos do preconceito: o papel tradicional da mulher na família, que está mudança, numa sociedade portuguesa profundamente feminina, como mostram os estudos do Hofstede que tenho citado em vários posts desde já 3 anos (e que Arroja também citou recentemente).

25/04/2007

CONDIÇÃO MASCULINA: homenagem (póstuma) a um blasfemo

Aos olhos do homem católico, a sua mulher é uma mulher cara, levando-lhe invariável e religiosamente o vencimento por inteiro ao final de cada mês. Pelo contrário, a mulher protestante, aos olhos do seu marido, é uma mulher comparativamente barata, levando-lhe apenas uma fracção do seu vencimento ao final de cada mês, por vezes apenas metade.

É uma lei da natureza humana que as pessoas tratam tudo aquilo que lhes é caro com um desvelo, uma preciosidade, um carinho e um respeito que não consagram a tudo aquilo que é barato e, portanto, vulgar. Daí o alto estatuto que a mulher goza no seio da família católica e que não encontra paralelo no seio da família protestante.

O tratamento de jóia que o marido de tradição católica por vezes consagra à sua mulher está lá para lhe lembrar permanentemente que ela lhe custa os olhos da cara, e não tem correspondente em tratamento semelhante no mundo anglo-saxónico.

A forma como ele popularmente se refere a ela perante terceiros, como sendo a patroa, ilustra bem que, lá em casa, quem controla o dinheiro é ela, não ele. O título de Dona que a mulher da tradição católica adquire com o casamento - e que não tem correspondente na tradição protestante - revela que tudo aquilo que existe em casa é dela porque foi comprado por ela - embora quase sempre, e às vezes exclusivamente, com o dinheiro do marido.

São estes privilégios que algumas jovens portuguesas se preparam para abandonar em nome do igualitarismo que é típico do modelo familiar da tradição protestante. Mas se fosse só isto...


(do post Dona de Pedro Arroja, no Blasfémias)

BLOGARIDADES: vítima do 25 de Abril?

Não só o peru morre de véspera. Também Pedro Arroja que terminou na madrugada de 24 a sua polémica participação no Blasfémias, que assim fica mais pobre sem a sua produção dissonante.

Esquecendo os seus temas recorrentes que me fizeram uma certa urticária, como a fixação no papismo, o culto do Botas e o branqueamento do fassismo, os seus posts foram geralmente desalinhados, desconformes, heterodoxos e fora do baralho, quase impertinentes.

Recordo a sua proposta (não muito original), para reduzir a taxa de divórcios, do casamento a prazo (praticado por certas correntes islâmicas para dar cobertura religiosa e legal a uma queca fora do tálamo). Recordo também sua desassombrada visão sobre o custo (nem sempre investimento) que uma patroa representa para um pobre marido (ver o meu próximo post).

NÓS VISTOS POR ELES: será este um país normal?

Sócrates e a mentira
Miguel Angel Belloso, no Diário Económico

Durante os últimos três anos tenho visitado Portugal com alguma frequência questionando-me, muitas vezes, se este é um país normal. A título de curiosidade, posso afirmar que nasci e passei toda a minha vida em Espanha, sendo que, numa altura em que o país se encontra sob a batuta de Zapatero, estou inclinado a dizer que o meu país também não é normal. Assim sendo, estamos empatados. Começando por Portugal, quero expressar que existem alguns aspectos deste rectângulo acolhedor que me incomodam ligeiramente. O primeiro é a reminiscência comunista. O segundo, a hipocrisia dominante. É um facto insólito na Europa que o principal sindicato de Portugal continue a defender a propriedade pública dos meios de produção e dos serviços, que seja reticente perante o mercado e que se comporte como um activista anti-sistema – ao ponto da CGTP ter convocado uma greve geral contra o Governo de Sócrates, que se por alguma coisa se destaca é pela falta de ambição capitalista. A minha opinião acerca dos sindicatos portugueses, espanhóis e outros em geral é muito clara: são um cancro, um dos tumores que impedem o crescimento da economia, que minam o bem-estar dos cidadãos e do progresso social. Estes vivem, fundamentalmente, da subvenção publica, possuem uma representatividade marginal – porque, pelo menos em Espanha, o número de pessoas sindicalizadas é mínimo, sendo poucos os que pagam as respectivas quotas –, e apenas se preocupam em defender o ‘statu quo’: primeiro o seu emprego, que consiste basicamente em protestar e opor-se a tudo, e depois os de quem os têm e querem conservá-los a todo o custo, numa selva laboral mais hostil que nunca. O resultado é óbvio: graves prejuízos para os jovens, estudantes, imigrantes, ou seja, para todos os grupos que não estão instalados.

Antes também já referi, arriscando a minha reputação e talvez pecando por frivolidade, que este é um país frequentemente hipócrita. Levamos quase um mês a discutir o título académico de Sócrates e as eventuais irregularidades que rodeiam a sua licenciatura, despendendo bastante mais energia do que a necessária. Portugal é um país católico. Os políticos mentem mais do que falam - como se comenta em Espanha. Mas a nossa religião já resolveu este dilema. Primeiro mente-se, depois confessamo-nos fazendo actos de contrição, e o padre absolve-nos dos nossos pecados livrando-nos da penitência; se formos perseverantes comungamos, e depois voltamos a mentir porque a natureza humana não tem remédio, gozando a política de uma insanidade muito maior. Com tudo isto pretendo dizer que em Portugal, à semelhança do que acontece em Espanha, a mentira é um pecado venial e perfeitamente corrigível - uma situação completamente diferente da que se vive no mundo anglo-saxónico.

Concluindo e resumindo, vamos deixar de perder tempo a descobrir se o senhor Sócrates é, ou não, engenheiro. Como sou espanhol consigo perceber perfeitamente o cariz jocoso do assunto. Zapatero, por exemplo, que tem a sua licenciatura em Direito perfeitamente acreditada, passou vinte anos como deputado em Madrid a carregar num botão – SIM ou NÃO. Apesar deste ‘curriculum vitae’ espectacular hoje é, infelizmente para o país, o primeiro-ministro de Espanha. Percebo perfeitamente que esta seja uma situação difícil de aceitar por todas as pessoas honestas, mas bastante melhor preparadas, que desejariam ter um timoneiro bem mais capaz. ‘But it’s life’. Em Portugal, o facto irrefutável é que Sócrates é o primeiro-ministro. Deve ser julgado pelos seus actos, deixando de lado os seus títulos académicos. Portugal tem inúmeros desafios pela frente e vai passar muito tempo, caso se dedique a vencê-los, até que voltem a conjugar-se circunstâncias tão propícias e favoráveis: um Governo de maioria absoluta, um primeiro-ministro extremamente popular, uma oposição muito frágil e um país convencido – se bem que ainda reticente e preocupado –, da necessidade de reformas. Catolicamente falando, seria um pecado capital que Sócrates incorresse na passividade, na indolência, no comodismo e no pragmatismo.

Portugal é um país muito pequeno, com uma grande história, que navega entre duas águas. Uma é a que reflecte o recente relatório de Vítor Constâncio, o Governador do Banco de Portugal, estimulando a ambição reformista, destacando as deficiências da economia e da sociedade portuguesa – no mercado laboral, na educação, na Administração Pública. No outro lado encontra-se o sindicalismo comunista rançoso, a resistência à mudança profunda de Portugal, e quem sabe se do pragmatismo calculista do socialismo de Sócrates, talvez mais dependente de governar durante os próximos quatros anos do que aproveitar os que ainda lhe restam. Seria uma pena.

24/04/2007

CASE STUDY: o que há de singular no massacre de Virginia Tech?

É possível um estudante paranóico entrar numa universidade portuguesa com a caçadeira do pai e atirar sobre umas dezenas de pessoas e matar umas quantas? É possível. Afinal são observáveis paranóicos nas universidades portuguesas e há por aí 4 ou 5 milhões de caçadores, muitos deles com várias caçadeiras. Desses milhões, algumas centenas de milhar são pais de estudantes universitários, alguns deles paranóicos. Também há alguns pais com Kalashnikovs no sótão, mas não vou por aí.

É pois apenas uma questão de probabilidades. Qualquer uma das maiores universidades americanas têm tantos estudantes quanto todas as portuguesas. Uma pequena escola como o Virginia Polytechnic Institute and State University tem mais de 28 mil estudantes.

Então o que há de singular no massacre de Virginia Tech? Talvez as vítimas.

Imaginemos 32 vítimas imaginárias dum paranóico imaginário numa universidade imaginária portuguesa com 28 mil alunos. Quem seriam as vítimas? Se entre elas se encontrasse um professor de engenharia poderia ser o engenheiro António José Morais (o professor de 4 cadeiras do engenheiro Sócrates), que provavelmente teria tentado salvar o coiro escapando pela janela antes que o paranóico lhe enchesse o traseiro de chumbo. Dos alunos, 1/3 ou mais teriam uns apelidos indiciando origem social na classe A, outro terço na classe B e resto seriam constituído por uns pobretanas a fazer tempo para um emprego que nunca mais chega.

Quem foram as vítimas do massacre de Virginia Tech? Um professor de engenharia, sobrevivente do Holocausto, que se arriscou a não ser sobrevivente do massacre, que tentou salvar os alunos. Dos 32 mortos, um terço eram estrangeiros e/ou pertencentes a minorias étnicas.
[Página do Sol]

23/04/2007

SERVIÇO PÚBLICO: em boas mãos

Caso se confirme o encerramento da Universidade Independente (UnI), o dossier de aluno do primeiro-ministro, José Sócrates, irá ficar na posse de uma entidade indicada pelo Ministério do Ensino Superior. (Público)

No lugar do professor Mariano Gago, eu deliberaria constituir o engenheiro Sócrates fiel depositário da papelada. Who else?

22/04/2007

CASE STUDY: de bom no género mau a mau no género mau

O chanceler do Tesouro Gordon Brown ainda não desceu ao nível dos ministros das Finanças domésticos, mas desceria se Tony Blair lhe retardasse um pouco mais a mudança para 10, Downing street. Onde se espera que fique algum tempo, enquanto David the Camaleon ajusta a cor da sua pele a tons mais verdejantes, de acordo com os novos desígnios.

Enquanto isso, do outro lado da Mancha, Sarko e Sego seguem em frente, deixando para trás o fóssil Le Pen. Suspeito que vai ser um duelo de um medíocre no género bom contra uma má no género mau.

21/04/2007

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: num país em que parte significativa

Num país em que parte significativa do jornalismo poderia ter escrito, como escreveu Miguel Coutinho no Sol, «num país em que parte significativa da classe empresarial depende da boa vontade do Estado para fazer negócios, a avaliação do Governo, junto da comunidade empresarial, depende da capacidade política de um primeiro ministro», bla bla bla bla, está tudo dito acerca do governo, de parte significativa do jornalismo, de parte significativa dos empresários e de parte significativa do país.

SERVIÇO PÚBLICO: as pirâmides do estado napoleónico-estalinista (10) - prognósticos no fim do jogo

A expansão da Ota
Prof. Mário Lopes, no Semanário Económico
Num artigo publicado na última edição do Semanário Económico intitulado “O novo aeroporto de Lisboa” um ex Secretário de Estado dos Transportes escreveu “Apesar disso, concordo que a questão da eventual expansão da Ota, além de importante, terá a seu tempo de ser estudada. Parece-me, no entanto, não constituir neste momento matéria prioritária, não só porque o aeroporto ainda nem sequer começou a ser construído, como ninguém conhece as tecnologias e sistemas futuros, em matéria de construção e exploração aeroportuária e aeronáutica”. Pode no entanto perguntar-se para que servirá estudar a expansão do aeroporto depois de este estar construído, se já se sabe á priori que devido à orografia da zona não há qualquer possibilidade de expansão. Recorde-se que segundo os cálculos da NAER o aeroporto da Ota saturará 33 anos depois de entrar em funcionamento. Sabe-se que esta é uma perspectiva optimista: basta recordar que nos últimos 20 anos o número de passageiros na Portela aumentou 3,4 vezes.
As consequências económicas de estudar a questão da expansão da Ota depois da construção e não antes são gravíssimas, pois no essencial significa deitar pró lixo o investimento que se vai fazer na Ota. E esse investimento inclui não só os custos directos do aeroporto (3.700 milhões de euros previstos, mais cerca de 1.300 para derrapagens tendo em conta a natureza dos trabalhos a executar). Inclui também os custos dos acessos ferroviários, pois a linha do Norte não tem capacidade para suportar o TGV e o shuttle de acesso ao aeroporto, sendo necessário uma linha nova para o TGV, que custará cerca de 1.500 milhões de euros (cerca de 37 km de túneis e viadutos). Note-se que o custo previsto para um aeroporto numa zona plana na margem sul do Tejo foi estimado pelos Aeroports de Paris em 1.500 a 2.000 milhões de euros (mesmo com derrapagens 2.500 milhões de euros seria uma estimativa pessimista), e os acessos ferroviários poderiam ser feitos quase sem custos adicionais utilizando a ponte que terá de ser feita para o TGV Lisboa-Madrid. Assim a diferença é de cerca de 4.000 milhões de euros. A somar a este valor há outros prejuízos indirectos. Quando a Ota saturar se se fizer um novo aeroporto mais perto de Lisboa (por exemplo em Alcochete, Faias ou outro lugar, se ainda não estiverem urbanizados) quem estará interessado em ir para a Ota? O que se fará à cidade aeroportuária que entretanto crescerá na envolvente da Ota se esta deixar de ser precisa? E fazendo o TGV e o aeroporto que substituirá a Ota sem coordenação entre ambos, provavelmente o TGV Lisboa-Madrid não passará no aeroporto reduzindo a capacidade de atracção de passageiros da Estremadura Espanhola e o trajecto de Lisboa até ao aeroporto não será o mais curto e barato.
Conclui-se pelo exposto que o problema da expansão da Ota deve ser colocado enquanto ainda tem solução, ou seja, antes da construção, e não depois. Vejam-se outros casos de má gestão e desperdício dos dinheiros dos portugueses: a demolição de pequenos viadutos para alargar as auto-estradas, as estações do metropolitano de Lisboa que foram construídas para comboios de duas carruagens, ampliadas para quatro e depois ampliadas para seis carruagens, o IP5 cujo alargamento se começou a planear antes de estar concluído, etc. De todos os maus exemplos o aeroporto da Ota é de longe o pior pelas suas dimensões. Portugal dificilmente deixará de ser o país mais pobre e atrasado da Europa ocidental se cada geração consumir grande parte dos seus recursos a corrigir os erros da anterior.

ESTÓRIA E MORAL: benefícios colaterais da trapalhada

Estória

Entretido com as trapalhadas académicas do engenheiro Sócrates, o governo baixou os padrões de produção de ejaculações legislativas. A semana ejaculatória que ontem terminou foi um exemplo da fraqueza que consome o governo. Não na produção quantitativa, que continua pujante (mais de 150 actos legislativos), mas na fraca qualidade das ejaculações, aguadas e minguadas.

Avisos do MNE tornando públicos depósitos vários, portarias dos ministérios do Ambiente e Agricultura concessionando, anexando, desanexando zonas de caça e de pesca e pouco mais. Dizer que a peça mais sumarenta foi a portaria 476/2007 que alterou outra portaria que adoptou à experiência um aborto baptizado terminologia linguística para os ensinos básico e secundário (TLEBS), diz tudo.

Moral

Há males que vêm por bem.

19/04/2007

SERVIÇO PÚBLICO: o milagre da contenção das despesas (2)

Em matéria de orçamento, como noutras, há os agnósticos, como o Impertinências, que não acreditando em milagres em geral, também não acredita em particular nos milagres de contenção da despesa pública conseguidos à força do aumento da carga fiscal e da redução do investimento (redução que é uma boa medida numa má política orçamental).

Há os agnósticos, espécie rara, e há os gnósticos, como o doutor Constâncio. Gnósticos, mas sujeitos a crises de fé, como é o caso intermitente deste ministro anexo (profeta Louça dixit). Apesar das suas crises de fé serem mais frequentes durante os governo PSD, deve-se-lhe a justiça de dizer que elas também têm lugar durante os governos PS.

Foi agora o caso, no Boletim de Primavera do BdeP onde, talvez sofrendo da influenza própria da estação, se afirma que a redução do défice em 2006 foi conseguida fifty fifty pela redução das despesas e pelo aumento da receita (ver o capítulo 1. Introdução aqui)

Apesar da coisa aos olhos dos agnósticos ser de uma assombrosa simplicidade, face a esta lamentável falha da fé do BdeP, o ministro das Finanças apressou-se a especular a metafísica da coisa, adiantando como possível explicação o uso de uma série do PIB.

18/04/2007

ESTÓRIA E MORAL: le vieux con

Estória

Depois de ter desempenhado, como secretário de estado da Defesa de Bush, o papel de falcão, estar a desempenhar, como presidente do Banco Mundial, o papel de paladino anti-corrupção, como pôde o neocon Paul Wolfowitz ter-se atribuído o papel de con, tout court? Porquê envolver-se num escândalo de favorecimento da sua namorada, a quem conseguiu um belo salário de USD 200.000 no departamento de Estado, que é superior ao da patroa Condy?

É fácil criticar. Como pode um homem destes, com uma cara destas, com uns pés destes, ter uma namorada (Shaha al Riza) destas?













Moral

No pior pano cai a pior nódoa ou a necessidade aguça o engenho.

17/04/2007

16/04/2007

O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: três-em-um

Clique para ver a coisa num tamanho decente
A 26 de Janeiro de 2006 em Perth, na Austrália, uma multidão juntou-se numa praia local para assistir a um espectáculo de fogo de artifício.
Entretanto, uma trovoada começou a aparecer do lado direito. Mas o mais inesperado, foi entre estas duas manifestações de luz aparecer uma terceira, o Cometa McNaught, actualmente visível no hemisfério sul.
Um autêntico três-em-um que resultou nesta foto.

(de um email de JARF)

15/04/2007

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: o ministro anexo (póstumo)

Secção A título póstumo

Nunca me arrependo de valorizar as criações do doutor Louçã. Uma das mais recentes é o ministro anexo, ou da 25.ª hora - um ministro que não é ministro, mas um oráculo, que concede avales escritos em economês, juridiquês ou noutro dialecto, promessas de amanhãs que cantam do governo. O doutor Louçã cunhou a expressão a pensar do doutor Constâncio, e foi muito bem cunhada. Ocorreu-me, ao ler o longo depoimento «Sócrates: a prova oral» do professor Freitas do Amaral, numa página do Sol deste fim de semana, que a expressão ministro anexo também lhe seria muito bem aplicada, ainda que a título póstumo, por assim dizer.

É difícil fazer melhor. Na extensa e rebarbativa prosa do professor, o panegírico manteigueiro do engenheiro Sócrates é impossível de ultrapassar dentro dos limites da decência, até por um jovem quadro da JS. A síntese do Sol é uma boa síntese: «Quanto ao 'percurso académico' do cidadão José Sócrates, a defesa por ele apresentada foi, não apenas completa e satisfatória, mas mesmo brilhante».

Tenho dificuldade em crer que professor Freitas possa acreditar em todas as coisas patéticas que escreveu, passando ao lado das duas ou três coisas essenciais, a saber: o diploma é ou não legítimo, o engenheiro Sócrates teve ou não uma situação de favor no seu percurso universitário, mentiu ou não em toda esta trapalhada, fez ou não blackmail, desenvolveu ou não acções de ocultação do eventual ilícito.

Embora o professor Freitas já tenha sido premiado várias vezes aqui no Impertinências pelo seu passado e pelo seu presente, seria injusto não lhe atribuir mais uns bourbons, por uma vez mais nada esquecer nem aprender, e uns quantos chateaubriands por usar os seus reconhecidos talentos em causas deste jaez.

14/04/2007

SERVIÇO PÚBLICO: o milagre da contenção das despesas

Segundo o discurso oficial, o governo controlou o défice essencialmente pela contenção da despesa pública. «Mais de 70% da redução do défice deve-se ao lado das despesas», sentenciou, do alto da sua ciência financeira, o engenheiro Sócrates no último debate mensal no parlamento. O quadro seguinte parece evidenciar o quantum de fé necessário para acreditar nessa ciência.

A redução do défice de 2006 em 2,8 mil milhões de euros foi conseguida com um aumento da receita de 3,9 mil milhões (acréscimo nominal de 6,2%), suficiente para compensar o aumento de 1,8 mil milhões da despesas correntes. Estas últimas tiveram um acréscimo nominal de 2,7%, ou seja, em termos práticos, a preços constantes teriam igualado 2005. Dito de outro modo, o monstro do professor Cavaco não perdeu um átomo da sua pantagruélica magnitude.

Se em 2006 o governo tivesse mantido a carga fiscal de 2005, o défice de 2006 teria subido para 7,1 mil milhões de euros (ou 4,5% do PIB). Se adicionalmente o governo tivesse aumentado o tão celebrado investimento público na mesma proporção das despesas correntes, o défice teria subido para 8,0 mil milhões de euros (ou 5,1% do PIB). Lá teria ido o milagre para os quintos dos infernos.

13/04/2007

SERVIÇO PÚBLICO: há qualquer coisa de repugnante na agenda do politicamente correcto

Quem diz na agenda do politicamente correcto, diz na do relativismo moral ou do multiculturalismo, faces do mesmo decadentismo que corrói as sociedades ocidentais.

Culminando todas as conhecidas atrocidades que os «resistentes» à ocupação ianque do Iraque vêm cometendo, tornou-se conhecida nos últimos dias a utilização de crianças deficientes, especialmente treinadas para levaram a cabo atentados suicidas, da maior parte dos quais resulta, por absurdo, a morte de dezenas de iraquianos por cada americano atingido. Os «combatentes», como também são chamados estes terroristas dementes, prometem a essas crianças deficientes a entrada directa no céu.

É puro terror levado ao extremo mais absurdo - já não são apenas os alvos inocentes que são instrumentais, são os próprios agentes involuntários e inconscientes que os executam.

Perante isto, ou as centenas de milhar de vidas ceifadas pelas milícias islâmicas em Darfur, ou a banalização da tortura e muitas outras atrocidades diariamente cometidas em dezenas de países dirigidos por ditadores de todas as cores, quais são as prioridades da Amnistia Internacional? Inclui nas campanhas globais o stop torture and ill-treatment in the 'war on terror' (leia-se Guantanamo) e silencia o terror e a privação de liberdades fundamentais a que se dedicam todos os regimes despóticos.

12/04/2007

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: bom no género mau

Secção Insultos à inteligência

Pode não se gostar dele, mas é preciso reconhecer que o homem é o político mais competente a manipular a sua própria imagem. José Sócrates é um profissional nessa prática e mostrou-o na entrevista no canal estatal com os jornalistas da casa que transformou em ajudantes do show mediático. Dá 3 a 0 ao adversário mais próximo. Desta vez até conseguiu controlar a arrogância e parecer humilde e gentil.

É isso que faz dele perigoso, porque coloca essa competência ao seu próprio serviço, o que, sem cinismo, é compreensível, e ao serviço de políticas cujo fim último é agilizar o monstro do professor Cavaco e reconstruir um estado ainda mais sufocante do que aquele que recebeu dos seus predecessores que os portugueses das próximas gerações continuarão a carregar às suas costas. Este segundo desiderato, sem cinismo, é igualmente compreensível porque é essa a sua matriz - em boa verdade é essa a matriz de quase todos os políticos portugueses.

Leva 3 afonsos pela enorme desfaçatez e 3 chateaubriands por continuar a confundir o hipnotismo dos jornalistas e a ilusão dos eleitores com a solução dos problemas.

11/04/2007

CASE STUDY: porque são os políticos tão generosos com os juizes?

Hoje recebi por email uma daquelas convocatórias-fantasma para uma maninfestação de «luto pela morte da dignidade dos políticos» nos dias 22 e 23 de Maio, convidando o «todos ao saírem de casa vistam camisas/blusas pretas, e se você não tem, amarre um lenço preto no pescoço ou braço»

A coisa tresanda a farsa e alguns pequenos pormenores mostram que não passa duma adaptação dum panfleto brasileiro: repassem, contatos, janela 'de' sua casa, estamos propondo, todos ao saírem, «DEMONSTRE 'sua' indignação». A coisa confirma-se quando se abre o «Document Summary» do pdf e lê o título (ISTO AI) e o autor (Vinicius).

Se o texto do panfleto soa a falso, os factos de indignação são bem reais e conferem com a realidade portuguesa. A começar pela longa lista de juizes que foram reformados em 2005 com pensões acima de 5.000 euros, e a continuar com as mordomias dos deputados, chegando a vez do ex-vereador socialista Vasco Franco, reformado com uns vigorosos 50 anos e vários milhares de euros de pensão.

Pormenor curioso, no topo das listas dos aposentados da CGA aparecem juizes, uma vez mais, o que só pode dever-se ao facto de terem um generoso último vencimento, porque é nessa base que a pensão é (ainda) determinada.

Como julgo que não são os próprios a decidirem qual a sua tabela salarial, que aliás, creio, é diferente da do resto dos utentes da vaca marsupial pública (outra originalidade), estas generosas pensões só podem dever-se à reiterada generosidade dos vários governos das últimas décadas.

Chegados a este ponto, logo hoje que o primeiro ministro vai falar à nação sobre os seus atribulados títulos académicos, torna-se incontornável uma pergunta inspirada em mais uma teoria da conspiração: porque são os políticos tão generosos com os juizes?

10/04/2007

ESTADO DE SÍTIO: pior que não fazer a reforma certa, é não a fazer e acrescentar uma reforma errada (2)

Primeiro foram os balões-sonda (técnica desenvolvida nos tempos do fugitivo engenheiro Guterres) a ver o que dava aumentar os horários de trabalho e reduzir as férias dos utentes vitalícios da vaca marsupial pública (ver este post do Impertinências).

Entretanto vieram para ficar («à espera que o assunto morra por si») as trapalhadas dos diplomas do primeiro ministro. Agora o inefável secretário de Estado da Administração Pública doutor João Figueiredo, sempre ele, «em resposta a um comentário colocado pelo constitucionalista Vital Moreira, no blogue Causa Nossa» (pardon?), conclui que «mudar para 40 horas teria duvidosas vantagens em termos de aumento de produtividade», porque o problema «não é o do regime padrão, mas o do seu efectivo cumprimento e de níveis elevados de absentismo». (DE)

Dilacerado pelo dilema se deveria aumentar os horários para 40 horas e reduzir as férias para 22 dias úteis dos utentes vitalícios, ou reduzir para 35 horas e aumentar para 25 dias, respectivamente, as dos utentes contratados, o governo resolveu que uns não são filhos e os outros enteados e vai dar a todos o horário de 35 horas e as férias de 25 que podem atingir 31 dias úteis.

Em conclusão, o governo que não consegue fazer a reforma certa, consegue escolher a pior de duas reformas erradas. Não é fácil.

09/04/2007

ARTIGO DEFUNTO: há pressão e pressão

Há 2 anos e meio, durante um almoço entre um professor universitário e político e um presidente dum grupo de média, no qual o primeiro fazia o papel de comentador, ambos pertencentes ao círculo das 200 famílias (193 alfacinhas, meia dúzia do Porto e uma de Marco de Canavezes) que constituem la crème de la crème da nação, com uma elevada taxa de inbreeding, os dois ligados por laços parentais (a namorada de um é irmão da mulher do outro), durante o almoço, dizia eu, o presidente pede ao comentador para «"repensar" o conteúdo dos seus comentários dominicais». Este considera-se pressionado e, após a sobremesa, conclui: «Só vejo uma solução, eu saio.» (ver este post do Impertinências)

Isto foi pressão? Foi sim senhor.

Durante a «semana que durou a investigação do PÚBLICO, o 'Expresso' apurou que José Sócrates ligou, pelo menos, seis vezes ao jornalista que investigou a história» e sucederam-se «os telefonemas de assessores de imprensa para os jornalistas de vários jornais» (Público).

Isto foi pressão? Não foi não senhor.

08/04/2007

DIÁRIO DE BORDO: agradecimento pascal aos imigrantes

Porque abandonastes os escombros do comunismo, ou do colonialismo antigo ou do colonialismo recente, com a vontade de melhorar a vossa vida.
Porque aqui demandastes.
Porque sois apenas 5% da população e contribuís com 7% do PIB.
Porque muitos de vós sois mais diligentes do que muitos de nós.
Porque fazeis o que nós já não queremos ou não sabemos fazer.
Porque sois mais jovens, tendes mais filhos e trazeis o rejuvenescimento a esta nação velha e sem vitalidade.

07/04/2007

TRIVIALIDADES: da conspiração ao sexo oral

Uma editora esotérica propõe num email pascal leituras conspirativas e lascivas.













«E se Lisboa, essa cidade que tantos julgam conhecer tão bem, ocultasse uma face nunca antes vista, uma História não contada?»

«A «Cruzada contra o Graal», o livro que popularizou a lenda dos Cátaros e do Cálice Sagrado, revela uma visão apaixonante das obscuras guerras entre a Igreja Romana e os denominados “hereges” da Fé Cristã. Ao romper as barreiras do relato histórico e da ficção, o autor alemão Otto Rahn – que desapareceu misteriosamente aos 35 anos – desvenda os mistérios do pensamento occitano, numa obra que viria a tornar-se “um livro de culto”.»

«Que poderá ainda dizer-se de novo sobre o sexo oral? Na verdade, quase tudo.»

06/04/2007

ARTIGO DEFUNTO: mais um segredo de Polichinelo revelado

Em pleno folhetim do diploma, os jornais ganham coragem e vasculham esqueletos noutros armários. Desta vez, é a página de pequena intriga do Sol a meter o pau no doutor António Borges, «precursor de Sócrates em arredondar o currículo (afinal, parece que não é vice-presidente da Goldman Sachs)».

Descoberta tardia. Leia-se este post do Impertinências, velho de quase um ano:
Já algum jornal referiu que o doutor Borges entrou em Novembro de 2000, junto com mais 114 outras pessoas, para o Partnership Pool do Goldman Sachs e que o lugar que ocupa não é o de vice-presidente mas o de International Advisor, como se pode ler na página 113 do relatório de 2005?
Uma vez mais, o importante não é o homem ser ou não ser vice-presidente (até porque este posto numa multinacional não tem as funções executivas que o nome pode sugerir aqui na paróquia). O que pode ser importante é se o homem alega um posto que não tem e se mentiu ou não e se continua a mentir ou não. Se o que parece é, é mais um que não terá carácter, nem vergonha. Nem posto de vice-presidente, claro.

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: estamos cá uns para os outros

Ó dótor, ó companheiro, quero pedir-lhe um favorzinho.
Ó senhor major, é minha obrigação atender um pedido seu. Consider it done.
Como?
Não é nada. Estava a falar com os meus botões. Do que se trata?
É o Cintra que precisa que a Caixa despache um empréstimo que está encalhado. Dê lá um toquezinho aos gajos.
Com certeza, companheiro major. Tenho muito gosto em ser útil.
Obrigado dótor.
Ora essa, major. Estamos cá uns para os outros.
(Reconstituição não muito imaginária do diálogo entre o ex-ministro doutor Arnaut e o senhor major Loureiro, gravado nas escutas do Apito Dourado e citado pelo Sol)

05/04/2007

ESTÓRIA E MORAL: ainda as trapalhadas do diploma

Estória

As trapalhadas do diploma do engenheiro (ou licenciado em engenharia ou who cares) José Sócrates vieram para ficar. Desta vez é a alegada licenciatura num já célebre domingo ter tido lugar num ano (1996) em que a universidade Independente não recenseou nenhuma licenciatura, como explica o Público.

Nesta estória o importante não é o homem ter ou não ter diploma. Principalmente não é importante ter um diploma pela universidade Independente. O que pode ser importante é se o homem tem ou não um diploma fraudulento e se mentiu ou não e se continua a mentir ou não. Se (um se cada vez mais pequeno) o que parece é, o homem não terá carácter, nem vergonha. Nem diploma, claro.

Nesta estória, também pode ser importante a despesa da investigação ou pelo menos da divulgação, que tem estado praticamente só a cargo do Público, se ter iniciado após o desfecho da OPA, apesar dos factos já serem conhecidos em certos meios há muitos meses. É claro que mesmo se (um se de tamanho médio) admitirmos que o Público está a fazer um frete ao seu accionista, ou jornalismo de causas, isso não deve fazer esquecer que está também a prestar um serviço público ao divulgar informação relevante para avaliar o carácter (e não a escolaridade) do político que é primeiro ministro.

Moral

Apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo.

Nota: esta moral é talvez premonitária, mas ninguém pode garantir.

03/04/2007

CASE STUDY: uma OPA é uma opa (3) (com mangas)

Que a Portugal Telecom tenha gasto na defesa da OPA (essencialmente consultoria) mais 20% ou 6 milhões de euros do que a Sonaecom gastou no seu lançamento (que incluiu, além da consultoria, custos financeiros, fianças bancárias, etc.) é, só por si, uma medida do rigor da gestão de opada e opante. (Jornal de Negócios)

Reconheço que, apesar de tudo, podia ser muito pior se ainda por lá andasse o Visconde Barão Doutor Horta e Costa, a Enfatuada Vacuidade do double windsor e do roupão de seda com brasão.

02/04/2007

SERVIÇO PÚBLICO: sinais premonitórios do colapso da Ota

Contrariando a tese do governo, a ex-ministra do Ambiente Elisa Ferreira disse ao Sol que não chumbou Rio Frio nem aprovou a Ota, apenas considerou a 2.ª opção como menos desfavorável do ponto de vista ambiental.

Desmentindo o governo, que diz não conhecer outros estudos, uma equipa do IST disse ao Público que apresentou ao primeiro ministro um estudo preliminar de alternativas na margem sul que reduzem o investimento até 2,5 mil milhões de euros.

São mais umas pistas que, podendo não servir para o novo aeroporto, servirão construir para uma bela teoria da conspiração para explicar a fixação do governo na Ota.

01/04/2007

LOG BOOK: For the times they are a-changin'

In the 60s, people took acid to make the world weird. Now the world is weird and people take Prozac to make it normal.