Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

31/05/2004

CASE STUDY: Bankamatic, o funcionário do futuro, ou Turquia-Portugal, a mesma luta.

Há quem diga que o semanário Expresso é, semana a semana, mais pasquim. Não concordo. Nas suas dezenas de caderninhos há sempre informações úteis. Não me refiro aos cadernos do emprego e do imobiliário que, como é sua função, são da maior utilidade para quem precisa de ganhar dinheiro, e não encontrou um processo inteligente, ou para quem está com vontade de o gastar no cimento e tijolo mais caro do planeta.

Exemplos? Podia dar imensos. Por falta de tempo, vou dar só um.
O caderno Única (ainda não percebi a razão do feminino) informou-nos a semana passada da existência duma nova classe de funcionários públicos bankamatic, como escreveu o imaginativo jornalista que foi a Ancara de propósito para encontrar estes espécimens. Ficámos também a saber que bankamatic significa «ATM em turco» (Automatic Teller Machine é, como se sabe, uma expressão genuinamente turca).
E que missão têm os funcionários bankamatic? «O único trabalho que fazem é ir levantar o seu salário às caixas automáticas» («ATM em turco», recorde-se). Único, mas vital. Hoje há 30% de bankamatics, mas amanhã poderá haver muitos mais. Um dia que a Turquia seja admitida no clube europeu de velhas ricas e criadas pobres, poderão, quem sabe?, todos os funcionários ser reconvertidos em bankamatics.

A coisa poderá parecer, à primeira vista, absurda. Mas será mesmo? Não é melhor ter os bankamatics em casa, ou nas belas praia turcas, do que estarem a ocupar espaço nos edifícios públicos distraindo os outros 70%? Não se pouparão alguns subsídios, como os de almoço, lanche, transportes e outros? E as baixas que se deixam de ter? E os cuidados médicos e os medicamentos que se economizam com uma vida saudável ao ar livre, evitando os ambientes, geralmente pestíferos, das repartições enfumaçadas de tabaco turco?

Qual é interesse desta solução para o nosso país? Imenso. Só não vê quem não quer. Se já temos os sanitários e banhos turcos e as toalhas turcas, porque não as repartições turcas? O que nos falta? Quase nada. Mandar os nossos bankamatics para casa (as nossas praias têm água muito fria e poluída).

Nota final:
À consideração do professor Deus Pinheiro que poderá ainda fazer um aditamento à sua proposta de reforma administrativa.

30/05/2004

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (4º capítulo).

Estou a repetir-me, mas a doença nos portugueses é uma fonte inesgotável de vitalidade. Depois disto, daquilo e daquele outro, aqui estou, outra vez, a demonstrar por a + b que assim é.

Aos 4 milhões de portugueses hipertensos, 38% com reumatismo ou artrite, 15 a 20.000 com parkinsonismo, 130 mil homens com cancro na próstata, 200.000 fibromiálgicos e milhão e duzentos mil com fadiga crónica (estimativa do Impertinências), e aos 4.000 electricistas com doenças profissionais, podemos adicionar 30.000 portugueses que sofrem dos intestinos. Hum, hum. Esta é mais uma estimativa por baixo. Ficamos todos também a saber que os nossos problemas respiratórios são responsáveis por 14 milhões de dias de baixa por ano.

[Dois breves desabafos. Não admira que tenhamos imensos problemas respiratórios, possivelmente causados pelos tais 30.000 portugueses. Com aquelas baixas todas, também me surpreende como é que o nosso PIB per capita ainda está acima do Sudão.]

E eu fiquei a saber que, ao contrário do que imaginava, a fibromialgia também é sexista - só um em cada dez fibromiálgicos é homem. Quem sabe se, para compensar, 9 de cada dez fatigados crónicos são homens?

Informam-nos também que todos os anos temos mais 14.000 portugueses com enfarte agudo do miocárdio e 4% das nossas crianças são estrábicas.

O que vale é que daqui a pouco, às 10 H da manhã, podemos todos apanhar ar e fazer exercício na Marcha Nacional contra a Osteoporose na Figueira da Foz. A minha empregada Ermelinda pensava que a marcha era promovida pelo Floco de Esquerda para combater uma multinacional, que, segundo ela, quer tomar conta do nosso petróleo. Qual petróleo? Perguntei. Que pergunta!, disse ela.

[Terceiro desabafo. Não admira que, com estas doenças e confusões, as pessoas fiquem nervosas e se descontrolem, como aconteceu durante a visita à Feira do Livro do doi-me + acompanhado da senhora sua Mãe e da menina Sara. Os meus desejos de melhoras e que o acontecido não tenha mais consequências.]

29/05/2004

ESTÓRIA E MORAL: As abundantes ejaculações legislativas.

Estória
Todas as semanas, por dever de ofício, tenho que basculhar o site da Imprensa Nacional.
Continuo a pagar a assinatura, sob protesto, por não consumir o Diário da República em lascas de árvores devidamente trituradas e lexivadas.
Recordo que o acesso gratuito à legislação é, até agora, uma das duas únicas convergências entre mim o o Floco de Esquerda. Isso demonstraria, se fosse preciso, que não sou sectário.

Vem esta treta a propósito da renovada sensação pletórica que me invade durante o basculho das ejaculações dos órgãos legislativos, prolongadas por incontáveis páginas, com articulados, regulamentos, normas, regras, destinadas a moldar, até ao ínfimo pormenor, a vida dum cidadão. Com o sentido prático que os portugueses têm destas coisas, borrifam-se para 99% dessas ejaculações, o que torna a vida confusa, mas viável, apesar de tudo.

Moral
As leis em Portugal são duras, mas a prática é mole. (Filipe II de Espanha, I de Portugal)

28/05/2004

CASE STUDY: Auto-estima em demasia. / Self-esteem in excess.

Summary for the sake of
I already told the case. After withdraw from its colonies, Portugal didn’t recover of the sense of losing its past grandeur yet. Lately, economic regression and the foreseeable consequences of EU enlargement to the East, together with plenty of scandals of cronyism, corruption and child abuse with suspects in the political and social establishment, put the Portuguese under depression and their self-esteem in short supply. Recently, three approaches were proposed to remedy this malaise.
The first asks for a legion of psychiatrist doctors, spin doctors and other doctors to cure the damaged Portuguese psyche. The second, the leftist favorite, prescribes cannabis to everybody who couldn’t recover from the first approach. Get real, the third starts.

During a conference promoted a week ago by psyche zealots of the first approach, a pessimistic devotee of the get real kind (invited by mistake, I guess) argued that Portuguese problem was not self-esteem in short supply, but on the contrary it is self-esteem in excess – Portuguese love themselves too much. Otherwise, he explained, one couldn’t understand why the folks use to blame for their misery everyone except themselves. The suspects use to be a bunch of creatures such as Spaniards, communists, fascists, capitalists, and, a big AND, free market followers.
______________


O doutor Vasco Pulido Valente terá dito, numa conferência do Portugal Positivo que auto-estima, mais do que falta, os portugueses têm de sobejo. Ao longo da história, segundo ele, endossaram as culpas do cartório aos jesuítas, aos absolutistas, aos fascistas, aos comunistas, e, por último, aos políticos.
Com a devida vénia ao doutor Vasco, o testamenteiro dos Vencidos da Vida, o Impertinências pede licença para acrescentar os pedreiros-livres, os monárquicos e os republicanos (entre os absolutistas e os fascistas), os capitalistas monopolistas (entre os fascistas e os comunistas), sem esquecer os neo-liberais. Esta última espécie, de existência não provada, descenderia dos liberais, cujos traços nos círculos políticos portugueses são como pegadas nas Penhas Douradas dum hipotético Abominável Homem das Neves.


[Neo-liberal: (1) papando o tele-evangelista (2) em fuga / Neo-lib: (1) preying upon a poor leftist (2) fleeing]

Seria injusto omitir os espanhóis da lista de culpados de todos os tempos e, fatalmente, os iberistas, seus cúmplices.

Mas a singularidade mais notável da cultura portuguesa, no que toca a bodes expiatórios, é o ELES. O ente eles pode abranger, além dos putativos culpados pela miséria nacional, ainda os responsáveis por nos assegurarem uma transição rápida, suave e sem esforço dessa miséria ao paraíso do lá fora, da ÓRÓPA. O eles abrange, por isso, uma vasta gama de entes, desde os já citados até ao governo ou à oposição, conforme o caso.

Recordadas estas evidências, resta definir as coisas.

Auto-estima (politiquês)
Atributo cuja alegada falta serve de escapatória, de desculpa de mau pagador, a fazer pela vidinha, dar corda aos tamancos, trabalhar duro, contar consigo próprio, assumir riscos, não contar com ovos no cu da galinha.

Eles (socialês)
(1) Os culpados da nossa miséria (dos fascistas aos liberais, passando pelos comunistas e, sempre, os espanhóis, e, em alternância, o governo e a oposição). (2) Os responsáveis pelo trânsito da miséria para a felicidade (quase todos os referidos). Antónimos: EU (que não sou parvo e não tenho nada a ver com isso) e NÓS (EU, a minha MÃE, a minha patroa, os putos, os amigos, talvez o clube, e o partido, às vezes).

Órópa (politiquês)
A Europa do doutor Soares, do engenheiro Guterres et alia, a Europa social, dos direitos, das liberdades, dos subsídios, o seguro contra todos os riscos que a preguiça e a falta de iniciativa imaginam ter subscrito. Distingue-se da Europa do doutor Louçã, que tem mais charros e abortos, e da Europa do doutor Carvalhas, que ia do Atlântico aos Urais, mas já não vai.

27/05/2004

SERVIÇO PÚBLICO: Stalin@Amnesty International

«... que se pode dizer de uma organização (Amnistia Internacional) que ontem declarou que a situação de direitos humanos no mundo em 2003 foi a pior dos últimos 50 anos?
Nos últimos 50 anos, ocorreram genocídios como o do Ruanda; durante décadas, houve União Soviética e o "goulag"; na China, dezenas de milhões de pessoas morreram em operações como as do "Grande Salto em Frente" ou na "Revolução Cultural"; na América Latina, houve períodos onde as democracias se contavam pela palma de uma mão e as ditaduras dominavam, da Argentina a Cuba, do Chile ao Brasil; a Indonésia de Suharto praticou crimes sem nome; no Camboja, reinou um senhor chamado Pol Pot; e tudo isto, ou boa parte disto e muito, muito mais, ao mesmo tempo.»

(José Manuel Fernandes, Público)

Poderá dizer-se que essa organização está a ficar parecida com o Enarca PDG que está no cockpit dos Aeroports de Paris?

PUBLIC SERVICE: Stalin@Aeroports de Paris

«Aeroports de Paris (ADP) ... have removed all mention of the tragedy-struck Terminal 2E from their website within a day of the disaster. ... what is extraordinary is their revision of maps of the airport to make it look as if there never was a 2E.
...
The Soviets redid the photographs of officials on the reviewers stand of past May Day parades whenever Stalin had one of his former close colleagues shot. But they were never as quick as this to rewrite history.
»

(in TOLLROADSNews via Merde in France)

BLOGARIDADES: O homem à semana.

O Homem a Dias faz amanhã uma semana que está mudo. Passou a semanário? Será da «Sábado»?

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (3º capítulo).

Recapitulando o que escrevi aqui e aqui, a doença dos portugueses é um sintoma não de morbidez, mas de grande vitalidade.

Aos 4 milhões de portugueses hipertensos, 38% com reumatismo ou artrite, 15 a 20.000 com parkinsonismo, 130 mil homens com cancro na próstata, 200.000 fibromiálgicos e milhão e duzentos mil com fadiga crónica (estimativa do Impertinências), podemos agora acrescentar 4.000 electricistas com doenças profissionais, segundo a sua Federação (FSTIEP) que tem 20% dos seus sócios com tendinites e outras maleitas.

Agradecimento:
Ao doi-me + pelos seus votos das minhas melhoras, que retribuo gostosamente, esperando que já tenha recuperado dos incómodos que a ruidosa turba tripeira lhe causou.

26/05/2004

DIÁRIO DE BORDO: 3-0

Ao ganhar o campeonato europeu, o FêCêPê mostra que não é de auto-estima que precisamos. É de organização, trabalho duro, disciplina, arreganho, vontade de correr riscos e vencer.

Também tem outras coisas que não precisaria de ter, o que faz do FêCêPê bom no género mau. Não vem ao caso, mas já agora, como vagamente lagarto, sempre lembro que o SCP é mau no género bom, ao contrário do SLB que é mau no género mau.

Parabéns ao dragões e, como o futebol não é tudo na vida, um conselho: e que tal abandonar o mau costume da mania da perseguição?



Adicionamento:
Razão talvez tivesse a luminária colunista que dizia que o Scolari deveria fazer a selecção com a equipa do FêCêPê adicionada do Figo e do Pauleta.

PUBLIC SERVICE: UN pimps.

UN troops buy sex from teenage refugees in Congo camp
(via Merde in France)

Surprised? This is just another side business like UN undersecretary general's oil-for-bribe.

TRIVIALIDADES: Menos do que se diz e mais do que se pensa.

«Bush est moins bête que Moore ne le croit, et lui à moitié intelligent»
Jean Luc Godard, autor de alguns filmes (A bout de souffle, Pierrot le fou, e outros) e vários panfletos e manifestos, bastante menos estúpidos do que o «Columbine», na sua conferência de imprensa (cortesia de Merde in France)

SERVIÇO PÚBLICO: Abu Ghraib no Linhó.

Espancamentos e mortes nas cadeias portuguesas levantam suspeitas. Reclusos chegam a dormir algemados. Denúncias de violência que não chegam à justiça.

SERVIÇO PÚBLICO: O charro, a auto-estima e governo do Floco.

Consumo de droga dispara entre alunos do secundário.

Já que 80% não chegam a concluir o secundário, pelo menos aumentam a auto-estima e as chances do Floco de Esquerda vir um dia a ser governo.

25/05/2004

TRIVIALIDADES: A auto-estima a caminho de Belém?

Jardim prepara candidatura contra Cavaco Silva (Se Santana não avançar)

Ora aí está um grande passo para aumentar a auto-estima dos portugueses. Em Belém, melhor que a Kapital (se esta não avançar), só o Circo do Machico por 5 anos, renováveis.

TRIVIALIDADES: A auto-estima (outra vez).

O Portugal Positivo já está a dar frutos, por muito que isso custe ao doutor Pulido Valente.

O Diário da República (um dos repositórios da inovação no nosso país) publicou no nº 115 da Série I-B a Portaria n.º 510/2004 de 17-05 do Ministério da Ciência e do Ensino Superior que autoriza a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias a conferir o grau de mestre na especialidade de Treino de Jovens Desportistas».

Finalmente.

Se já tivessemos mestres no Treino de Jovens Desportistas talvez o professor Queiroz pudesse ter levado uma mão-cheia deles consigo para Madrid para treinar aquela equipa de mariconços que passam mais tempo ao espelho do que a suar no relvado. Quem sabe assim se evitaria o injusto despedimento?

Para quando os mestres no Treino dos Desportistas de Meia Idade?

BLOGARIDADES: Carapau de corrida.

Ao fim de um ano não há dúvidas. O Jaquinzinhos mostrou-se um verdadeiro carapau de corrida - um impertinente, por assim dizer.

Parabéns.

24/05/2004

TRIVIALIDADES: Ainda a falta de auto-estima. (ACTUALIZADO com fotos do prof e do bruto)

Segundo o Público, Florentino Pérez, presidente do Real, anunciou a contratação de Camacho, que treinara o clube durante dez dias na época 1998/99, e considerou que os maus resultados do clube nesta época se deveram à «falta de autoridade» de Carlos Queiroz. «Camacho tem essa autoridade moral, conhece a casa e, devido às suas condições pessoais, tem essa dose de autoridade que é muito necessária.»

Falta de autoridade? Ora essa. Falta de auto-estima, isso sim. Falta de auto-estima é, como todos sabemos, o problema nacional.

O que ninguém tira ao nosso Queiroz é a elegância dos seus Armanis, que o coloca noutra galáxia diferente dum mal-jeitoso brutamontes como o José António.

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(El último exponente de la "furia española" | Um Armani é um Armani)

TRIVIALIDADES: É mesmo vontade de dizer mal (continuação).

Indignei-me com a injustiça de considerar que a «Secreta portuguesa é a pior da UE» e sublinhei a incontornável transparência dos nossos espiões. Dúvidas? Leia-se na peça «O mistério da casa da Malveira», como o SIS, acompanhado da PJ, da GNR e de toda a vizinhança e alguns mirones vigia uma família muçulmana residente naquela localidade.

Transparência e coragem. Coragem demonstrada pelos nossos espiões, por exemplo, quando «no ano passado, 3 agentes almoçavam num restaurante local, (e) o seu carro foi assaltado. Ficaram sem algum material de vigilância e cassetes de vídeo». Julgam que eles se deixaram intimidar? Nada disso. No ano seguinte estavam novamente a almoçar no mesmo restaurante.

Que dizer? É a espionagem transparente.

23/05/2004

SERVIÇO PÚBLICO: Auto-estima? Vergonha de inventar desculpas, isso sim. (ACTUALIZADO)

Não vou escrever, como o Contra a Corrente, que amo este homem, mas acredito convictamente, há muito, que "Se Há Alguma Coisa de Que Nós Precisamos É de Menos Auto-estima".

Aditamento:
Já depois de ter publicado este post, fiquei com dúvidas sobre quem era o objecto do amor do Contra a Corrente (o Nuno Sá Lourenço? o doutor Pulido Valente?). Continuo sem dúvidas quanto à auto-estima que nos sobra e à vergonha que nos falta para dar corda aos sapatos e fazer pela vida.

SERVICE PUBLIQUE: Abu Ghraib à Marseille

'Ça commence par une mise à poil devant dix policiers dont deux femmes, l'humiliation gratuite pour te mettre en condition.' '... plus sinistres geôles que l'on puisse imaginer.' 'Pas le moindre trou ou cabinet pour faire ses besoins. Tu pisses contre le mur et tu dors dans ta pisse, sur du béton.' La victime de cette torture réclame 'la fermeture immédiate de cette prison souterraine tenue secrète'. Ce n'est pas à Abu Ghraib, mais à Marseille en Fwance.

(d'après Merde in France)

ESTÓRIAS E MORAIS / SHORT STORIES AND BIG MORAL: L'exception française.

Summary for the sake of
«Les intermitents du spectacle» are a sort of workers encompassing opera singers, Louvre museum porters, theatre electricians and all that jazz, to whom l’État Français allows several prerogatives, such as a special unemployment allowance. All these benefits in the name, I guess, of La Culture Française. Intermitents were invented after May '68 and since then their number increased to more than 100,000 souls.

They took profit of Cannes movies festival to boost their fighting for their privileges. For that they had the support of a famous French American couple of leftists – Messrs José Bové and Michael Moore.
[By the way, Mr. Moore won la Palme d’Or with his pamphlet «Fahrenheit 9/11»]

Once again the leftist flock is more concerned with the benefits and vested rights of privileged folks than with the ones they claim loudly to care of.


Estória
Os «intermitentes» são os trabalhadores franceses da cultura, que vão desde o barítono até à telefonista da Ópera ou ao porteiro do Louvre, e que na última contagem eram uma legião - nada menos de 100 mil, sempre a aumentar desde a criação da legião que remonta às sequelas do Maio 68. Imaginemos o que faria o nosso Professor Carrilho com esta mão-de-obra? Ficaria como o Jacques Lang, só que mais novo.

A legião dos intermitentes disfruta de mordomias únicas, que foram no ano passado reduzidas, como o direito ao subsídio de desemoprego com apenas 507 horas trabalhadas em 10 meses e meio (antes 12 meses) - umas míseras 12 horas por semana.

Não admira por isso que a legião se tenha revoltado, ameaçado fazer greve e mandar às urtigas a cultura francesa. Uma vez mais, desde que há um ano o governo lhes limitou as mordomias e, desta vez, durante o festival de Cannes, com o incontornável apoio da dupla José Bové-Michael Moore.

[O panfleto «Fahrenheit 9/11» de Moore ganhou a Palme d'or - só podia ser, com um título a la Truffaut que é uma lambidela no empertigado ego francês].

Moral
Com arte e engano vivo metade do ano, e com engano e arte, a outra parte (ditado popular)

22/05/2004

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (2º capítulo).

Como escrevi aqui, a doença dos portugueses é um sintoma não de morbidez, mas de grande vitalidade.

Sem esquecer os 4 milhões de portugueses hipertensos, os 38% que sofrem de reumatismo ou artrite e os 15 a 20.000 doentes de Parkinson, que referi, a Associação Portuguesa de Urologia informa-nos que 130 mil homens sofrem de cancro na próstata. Mas esta é uma má notícia para a igualdade entre os sexos.

Uma doença que parece não ser sexista é a fibromialgia que, segundo a Associação Nacional contra a Fibromialgia e o Síndrome de Fadiga Crónica, aflige mais de 200.000 portugueses, incluindo a doutora Maria Elisa, que até teve baixa na assembleia da República.
Sem querer questionar a competência da ANCFSFD, 200.000 sofredores parece-me uma estimativa muito por baixo. Talvez 200.000 fibromiálgicos. Mas quantos mais fatigados crónicos? Arriscaria um mínimo de um milhão e duzentos mil, tantos quantos os utentes da vaca marsupial pública adicionados dos desempregados.

Dedicatória
Este post é uma homenagem ao blogonauta doutor João Mendes Cruz do doi-me +, a quem dou os meus parabéns pela prodigiosa ejaculação que coroou a sarapitola que a arrebatadora paixão da doutora Sara lhe proporcionou nesta manhã de sábado.

21/05/2004

TRIVIALIDADES: O Gugenheim bracarense.

Esta noite, numa entrevista telefónica à Sic Notícias, o senhor Mesquita Machado questionado sobre o estádio do Braga - uma das piras onde foram torradas as massas dos contribuintes - justificou-se, explicando que também Bilbau gastou um montone de pesetas no Museu Gugenheim.



(Entrada principal do estádio bracarense - porta professor Marcelo - e topo norte do estádio)

BLOGARIDADES: Orizicultura.

A coisa só não vai parecer um retro-link porque eu não sou mestre e o orizicultor não é discípulo.
O Fodimedes (parece um daqueles nomes impostos pelo nosso padrinho, que nos perseguem a vida inteira, desde a creche até à sepultura, e a que só nos conseguimos habituar depois de chumbarmos pela 2ª vez no 9º ano), um dos orizicultores do Vareta Funda, a propósito do episódio da decapitação, chamou-me o impertinente mais pertinente da blogosfera.
Confesso, o que eu vou gostar mesmo de ser, quando for crescido, é o pertinente mais impertinente.

20/05/2004

BLOGARIDADES: A redenção pelas manas.

De que está à espera a doutora Charlotte para se redimir da promoção da prosa de grunho (grunho litteratus, talentoso, mas grunho) d'O Meu Pipi?

Por exemplo desta oportunidade de promover o bom-gosto, a suave ironia, o talento gráfico das manas Vitriólica e Majólica?



É certo que os grunhos devem ser um target importante, mas durante algum tempo, entretidos com o Pipi, não vão comprar nada.

19/05/2004

CASE STUDY: Atrelados à carroça do eixo Paris-Berlim.

O eixo Paris-Berlim continua activamente a tentar atrelar a União Europeia à sua carroça política e económica. Hoje tratamos do varal económico.

O eixo esforça-se por impingir a harmonização fiscal para impedir a concorrência dos novos países aderentes com impostos mais baixos que os tornam mais atractivos para o investimento directo.
[Ainda que a teoria económica evidencie que uma zona monetária óptima deverá ter um sistema fiscal único, também é verdade que o «óptimo» da zona monetária depende igualmente duma forte mobilidade do capital e da mão-de-obra, e, todos sabemos, que esta última defronta gigantescas barreiras linguísticas, culturais e corporativas.]
Nas circunstâncias actuais, é perfeitamente legítimo que esses países recusem o embuste da «harmonização» e reduzam os seus impostos. A longo prazo esse emagrecimento fiscal só será sustentável emagrecendo o aparelho administrativo do estado – uma boa notícia numa UE anquilosada por estados obesos e cadaverosos.

Ao mesmo tempo que quer impor a harmonização fiscal, o eixo Paris-Berlim continua a defender a manutenção da PAC – um monstro gerador de ineficiências, uma máquina de sugar dinheiro dos contribuintes para proteger da concorrência os agricultores europeus, com os agricultores franceses à cabeça. Berlim não ganha nada com o negócio, mas é o preço a pagar a Paris.

Um bom exemplo das ineficiências geradas pela PAC e do impacto brutal que tem nos países subdesenvolvidos (*) é o açúcar. O custo de produção do açúcar (de beterraba) na UE é o triplo do preço corrente no mercado internacional e o sêxtuplo do custo de produção do Brasil (açúcar de cana).
Quem perde com a PAC? Os países produtores (subdesenvolvidos). Quem ganha? Os grandes refinadores europeus: Beghin Say, francês, USD 236 milhões/ano , Sudzucker, alemão, USD 201 milhões/ano e Tate & Lyle, britânico, USD 158 milhões/ano.



O que faz a esquerdalhada? Lambe as botas dos agricultores, enche os bolsos dos «tubarões» e prolonga a miséria dos «explorados» nas ex-colónias. Um belo programa.

(*) Não gosto de usar o ridículo politicamente correcto país em desenvolvimento, por várias razões, a última das quais é que alguns desses países não se estão a desenvolver.

TRIVIALIDADES: É mesmo vontade de dizer mal.

»Secreta portuguesa é a pior da UE»

Pior como? Existe alguma outra com a transparência da nossa? Qual secreta europeia publica os nomes dos «espiões» nos jornais?

DIÁRIO DE BORDO: Na TSF «vale tudo».

A TSF, a rádio com causas, informa-nos que, no Afganistão, «segundo a revista alemã (Stern) valia tudo, desde o recurso a ataque com cães a tiros de morteiro nas proximidades dos presos para os amedontrar (atenção doutora Edite os rapazes precisam duma prelecção), ameaça de transferência para a base de Guantanamo, uso de ruídos em alto som, alteração brusca de temperaturas e privação do sono».

Tudo? Não será um exagero? Falta pelo menos a decapitação ao som de With God on our side.

STATE OF MEN: The utmost humiliation.

Reuters, through CNN, kindly informs you guys:
«A German inventor who developed a gadget that berates men if they try to use the toilet standing up has sold more than 1.6 million devices, his business manager said on Tuesday.
German women fed up with a man with a poor aim can turn to the ghost-shaped gadget, which lurks under the toilet rim and, if the seat is lifted, declares in a stern female tone:
"Hello, what are you up to then? Put the seat back down right away, you are definitely not to pee standing up ... you will make a right mess..."
Alex Benkhardt, 46, invented the "WC Ghost" and its creators are in negotiations to market it in Britain, Canada and Italy



You guys are not even allowed trying improving your aim. You assholes just put your stupid ass on the seat and let you miserable hanging dick pointing down. You deserve it. Besides, this way you are getting closer to muslin crouch way of pee and may be Mr. Being Laden saves you.

DIÁRIO DE BORDO: Porque somos atraídos pela autodestruição? As respostas do Cardeal Ratzinger.

Li há pouco o post (não tem link) do Valete Fratres! onde se citam o que poderiam ser as respostas do cardeal Ratzinger às minhas interrogações de ontem. A priori não esperaria partilhar pontos de vista com um cardeal, mas parecem-me justas as suas considerações.

Aparte Deus (sou agnóstico), reconheço que as nossas sociedades sofrem «the dissolution of man's primordial certainties about God, about himself and the world - the dissolution of conscience and of intangible moral principles».

É inegável que a Europa é actualmente «more open to values that are foreign than to its own principles» e que o Ocidente «se odeia» duma forma «patológica».

Também escrevi, por outras palavras, que o «multiculturalism, which is so constantly and passionately encouraged and supported, sometimes amounts to an abandonment and disavowal of what is our own».

Concordo que «the vigor of the Islamic faith contrasts with the decline of Christian culture in Europe. Similarly, ... the interest in Asian religious traditions reflects a failure of Europeans to grasp their own spiritual heritage».

Serão estes os sinais, já vistos no passado, duma «cultura em declínio»?

18/05/2004

DIÁRIO DE BORDO: Porque somos atraídos pela autodestruição?

Recebi por email o vídeo da decapitação do civil americano Nick Berg por um grupo de terroristas paranóicos aos gritos de Allahu akbar (deus é grande) uivando de alegria durante a matança. Não creio que seja anormalmente sensível, mas não consegui jantar.

O vídeo parece ter sido geralmente bem acolhido pela «opinião pública islâmica» e aplaudido pelos elementos mais radicais. No mundo ocidental, fora dos EU, não se conhecem reacções de grande repúdio. Pelo contrário, e fico por aqui.

As fotos dos abusos da tropa americana sobre alguns presos chocaram talvez mais as opiniões públicas ocidentais do que o mundo islâmico, para quem estes abusos devem parecer benignidades do tirano de serviço num dia em que acordou excepcionalmente bem-disposto. Já nem comento o coro sem vergonha da esquerdalhada que silencia há séculos os maiores crimes em nome das suas «causas».

Certamente muitos responsáveis irão ser punidos. Donald Rumsfeld pode ter o apoio público de George Bush, mas dificilmente se manterá como secretário da Defesa, se Bush for reeleito. Bush poderá ter perdido aqui as eleições. A opinião pública americana não tolerará outros casos no futuro.

Já se sabe, desde sexta-feira, que são falsas as fotos publicadas pelo Daily Mirror sobre as alegadas torturas pelo exército britânico, fabricadas num exercício de puro masoquismo e publicadas a cavalo do sensacionalismo ou do jornalismo com «causas».

Que monstros gerou a nossa civilização no seu ventre por masoquismo e auto-flagelação? Porquê as nossas sociedades dão guarida e alimentam o vírus da sua destruição? Que elites farisaicas mordem as mãos que as alimentam e lambem as mãos dos que as exterminariam na primeira oportunidade? O que pode levar pessoas instruídas a praticarem o relativismo moral e a adoptarem o multiculturalismo de pacotilha para justificar a insanidade de práticas religiosas e sociais que são a negação dos valores que dizem defender?

E no Islão? Quem condena a decapitação, a chacina, o terrorismo, o genocídio? Quem combate o fanatismo e a intolerância? Não se ouvem as vozes da discordância ou da censura.

Talvez as nossas almas mais sensíveis devessem dedicar um módico do seu tempo a este pequeno mistério.

17/05/2004

SERVIÇO PÚBLICO: Declaração de voto (ACTUALIZADO)

Comentei na passada sexta-feira o voto de pesar da assembleia da República. No dia seguinte, no programa Quadratura do Círculo da SIC, pareceu-me ouvir o doutor Pacheco Pereira dizer que no texto do voto se escreveu «curvam-se» (os deputados) ou «curva-se» (a assembleia). Não estou certo qual das versões terá sido dita.

Sendo na sua maioria uns seres medíocres que dificilmente teriam existência fora da AR, os deputados tinham obrigação de se curvar perante um homem polémico que pairou muito acima das suas cabeças e que fez mais pelo país do que qualquer grupo parlamentar jamais fez ou fará. E, nesse caso, deveriam ter votado por unanimidade qualquer texto com a expressão «curvam-se os deputados». Se a expressão fosse «curvam-se os deputados do PCP, do seu apêndice verde e do Bloco de Esquerda», o texto deveria ter sido aprovado por aclamação.

Pelo contrário, os deputados deveriam ter suprimido por unanimidade do texto a curvatura da assembleia, porque a assembleia representa os eleitores que eles não têm o direito de fazer «curvar».

Adicionamento:
Perguntam-me porque deveria a esquerdalhada «curvar-se». Respondo: seria uma espécie de pedido de desculpas post mortem. Não é verdade que muitos deles sustentam que se deve pedir desculpas aos escravos, aos índios, et alia? Porque não ao Champas a quem esbulhámos as empresas para as entregar à irresponsável gestão dum Estado semi-soviético?

16/05/2004

TRIVIALIDADES: O canicho. (ACTUALIZADO)

Ouvi, agora mesmo, no telejornal da 2, o doutor Carvalhas a debitar uma cassete num comício no Algarve com meia dúzia de gerontes. Esse senhor foi durante muitos anos o canicho do doutor Cunhal. O doutor Cunhal, foi ele próprio, durante ainda mais anos, o canicho dos czares soviéticos.

Esse senhor chamou ao senhor Blair, o político em exercício na UE mais parecido com um estadista, o «caniche do senhor Bush».

Isto demonstra que nem sempre a experiência é uma boa conselheira. Acessoriamente revela um certo pendor suspeito para o galicismo - sobre este último aspecto, o parecer da doutora Charlotte será definitivo.



TRIVIALIDADES: A briga no meio da mata (ACTUALIZADO).

Terminou, agora mesmo, uma briga no meio da mata. Eram uns gajos vestidos de vermelho e branco contra outros de riscas azuis e brancas. Um destes últimos parecia ter poderes sobrenaturais porque os vermelhos só o travavam à força de porrada. Havia também 3 marmanjos de preto, que não cheguei a entender o que faziam na arena.
Parece que ganharam os vermelhos, que tinham mais um gladiador do que os azuis às riscas.

Estranhamente pareceu-me vislumbrar na bancada principal da arena o doutor Sampaio, que creio ser ainda o presidente da República. Ao seu lado esquerdo estava uma senhora que me pareceu ser a dona Maria José, sua esposa. Ambos estavam ladeados por uns gajos com mau aspecto que, creio, já ter visto a vender Ómégas nas estações dos comboios.

Este país é muito estranho.

Adicionamento:
Há mais de uma hora que estou a ouvir buzinas a apitar e hordas vermelhas a gritar selvaticamente. Será ainda a briga da mata? Este país é mesmo muito estranho.

14/05/2004

SERVIÇO PÚBLICO: Posso fazer uma pergunta?

«Santana renova "paixão" por trabalho em Lisboa»

Retardado no seu caminho para Belém, pelo embargo do túnel, não seria possível o doutor Pedro poupar-nos a mais paixões e simplesmente fazer o trabalho que lhe pagamos para fazer?


«Voto a Champalimaud sem unanimidade»

Os deputados já tinham esgotado a unanimidade no voto de pesar pelo assassinamento higiénico do terrorista velhinho e paralítico?

SERVIÇO PÚBLICO: Corporate governance quer dizer governanço do corporativismo?

Conta-nos o Diário Económico, que é «a primeira Assembleia Geral (AG) do Instituto Português de Corporate Governance (IPCG), organização que reúne gestores e académicos e pretende contribuir para a implementação das melhores práticas de gestão em Portugal

«Entre os temas «quentes» que o IPCG se pretende debater estão as políticas de remuneração, o papel do presidente face ao do director executivo, os direitos dos accionistas minoritários e a aplicação do direito do ambiente nas empresas

E a quanto a transparência? E quanto a accountability? E quanto à corrupção activa e passiva? Já que falo de corrupção activa e passiva, irá o IPGC ocupar-se das práticas e paradigmas que previnam casos como o dos «desconhecidos» que receberam «luvas» em 1995 para a TAP comprar aviões à Airbus?

Pedro Rebelo de Sousa, impulsionador da ideia, disse ao DE que «a forte adesão que tivemos, não só de gestores de grandes empresas mas também de académicos, mostra que a comunidade empresarial portuguesa já tem uma grande maturidade e interesse nestas matérias, que lhes tocam de perto».

Até ver, a adesão dos académicos terá como efeito principal tornar a questão um problema académico.

Não vou escrever o que o doutor Vasco Pulido Valente há-de escrever, se não estiver distraído, que isto não é nada e, se for alguma coisa, era melhor que não fosse nada. Mas não estou certo se dou o benefício da dúvida ou o prejuízo da certeza.

CONDIÇÃO MASCULINA / STATE OF MEN: Ratos e homens (a vida imita a arte) / Of mice and men (life apes art)

Summary for the sake of
Last week I told you what Luís Fernando Veríssimo wrote about men’s hopelessness and uselessness. Sooner or later, he wondered, there will be only transvestites, a sort of men in captivity. With such a gloomy future I suggested you guys asked your wife to stop throwing away her old dresses because you might need them.

Did you think that this was writer’s fantasy or Impertinências' bullshit? Not one bit. This is serious, believe me and if you don’t, ask Doctor Tomohiro Kono.
A mammal has been born without the need for a male at any stage, courtesy of Doctor Tomohiro Kono and his team at Tokyo University, with mice for the time being.

They call it a kind of parthenogenesis, meaning: you guys, from now on, you are nothing as fathers, because fathers are no more needed, at least for mice, for a while.


(A hopeless wannabbe father trying hard to father someone)

aqui contei a tese do Luís Fernando Veríssimo e não vou contar outra vez. Se imaginaram que a estória do travesti como o futuro do homem era imaginação, enganaram-se. Pais já foram - nos ratos, por agora.

O resto da treta podem ler no Summary. Nestes tempos de globalização, quem não consegue ler inglês de praia também não merece ter filhos.

13/05/2004

SERVIÇO PÚBLICO: Os esqueletos no armário da revolução.

«... atado de pés e mãos, agredido por várias formas até ao ponto de desmaiar, sofreu tortura psíquica por saber que a sua mulher também estava presa, ouvir os seus gritos e assistir a actos indecorosos contra ela..."

2004? Um «resistente» iraquiano? Militares da hiperpotência invasora? Falujah?

Não.

Maio de 1975. José Jaime Coelho, ex-fuzileiro. Militares do Ralis. Ali mesmo ao lado do aeroporto da Portela.

Estas e outras aqui e em muitos outros lugares.

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Mesmo depois de morto Champas trata-nos da saúde.

Secção Perguntas impertinentes
António Champalimaud destinou um terço da fortuna (1/3 = 830 milhões de euros) à criação duma fundação para «desenvolvimento da actividade de pesquisa científica no campo da medicina»

Como explica a esquerdalhada este gesto dum dos seus ódios de estimação - Champas, o capitalista voraz e cruel?

Cinco afonsos post mortem para António Champalimaud

12/05/2004

LOG BOOK: Still loving that lovely Bride (Vol. 2)


(The Bride, again, ready for a roaring rampage revenge)


(Bill, still alive awaiting for five fingers heart punch)

BLOGARIDADES / BLOGARITIES: Bem-vindas meninas Vitriólica e Majólica / Miss Vitriolica, Miss Majolica, you are welcome

Via Blasfémias, que por seu turno lá chegou via Comprometido Espectador, ancorei em Miss Vitriolica Webb's Ite.




Entra directamente para os Blogues impertinentes, a lista dos portos de abrigo do Impertinências. Palavras para quê?

DIÁRIO DE BORDO: Não pode haver dois pesos e duas medidas. (Corrigido)

Durante o colóquio "Os media em situações de crise, conflito e guerra" na Universidade Autónoma de Lisboa, o general Garcia Leandro, director do Instituto de Defesa Nacional, a propósito da guerra no Iraque, a par de comentários incompreensíveis, como "O Watergate ao pé disto é uma brincadeira de crianças" (alguém urinou na sede da campanha do Partido Democrata?), fez pelo menos um outro que eu percebo e com o qual concordo inteiramente: «O que está em causa são os valores da cultura ocidental

É à luz desse valores que se deve exigir a punição dos executores e de todos os responsáveis (também Rumsfeld, se for caso disso) pelos abusos sobre prisioneiros iraquianos. É à luz dos mesmos valores que se deve exigir a captura e punição de todos os executores e responsáveis pelos crimes de terrorismo, qualquer que seja a «causa» em nome dos quais tenham sido cometidos.

O relativismo «multicultural» que invoca dois pesos e duas medidas é odioso e, no final, racista. Não graduar a gravidade dos crimes é eticamente inaceitável - explodir uma bomba num mercado não é exactamente a mesma coisa que urinar em cima de um prisioneiro.

CASE STUDY: O ensino do Direito em Portugal.

Quais são hoje os principais problemas para um escritório de advogados? perguntou o Semanário Económico ao doutor Agostinho Miranda, sócio de Miranda, Correia, Amendoeira & Associados, que se associou recentemente a Dibb Lupton Alsop, o 5º escritório inglês, presente em 22 países.

O doutor Miranda respondeu:
«Tem a ver com a falência do sistema de ensino do Direito e a circunstância de hoje ser muito mais difícil arranjar um bom advogado do que um bom cliente! É dramático o tempo gasto e o que custa recrutar pessoas que não respondem às solicitações. Um advogado com 14 valores, por exemplo, não sabe escrever. Não sabe mesmo pensar o Direito como instrumento de resolução de problemas. Não consegue distinguir o que é essencial do que é acessório, qual é o problema a resolver, não tem capacidade de apreender a lógica do cliente. É gravíssimo.»

À pergunta Tem-se degradado o ensino do Direito em Portugal?, a resposta foi:
«Sem dúvida, e de maneira escandalosa. Nos últimos cinco anos, para um mesmo nível de conhecimento, passou-se de 14 para 16 como nota média de curso. Se quer encontrar alguém com nível de conhecimento razoável, hoje, o limite mínimo de nota final é 16. Uma pessoa com 10 ou 12 é funcionalmente inepta.
...
Há manifestamente faculdades de Direito em Portugal que licenciam pessoas sem condições mínimas, que nunca deveriam advogados, como nunca deveriam ser juizes

10/05/2004

SERVIÇO PÚBLICO: A cantina não serve mais almoços. Cada um paga o seu.

O Abrupto recorda oportunamente as sevícias sobre prisioneiros da célebre PM a que não é alheio um dos avós do Bloco de Esquerda, o também célebre Major Tomé.

O Aviz transcreve um email antológico, a propósito do mesmo tema, sobre o primado das responsabilidades individuais na democracia.

DIÁRIO DE BORDO: Não há regra sem excepção.

Em regra estou em completo desacordo com as teses do Floco de Esquerda. Até hoje só me lembro de uma única com a qual concordei, e, ainda assim, para situações particulares - o aborto livre e gratuito para todos as portugueses e portugueses portadores de cartão do Floco.
É com grande alegria que hoje constato haver uma segunda tese que aprovo e, desta vez, sem reservas. Trata-se do acesso livre e gratuito através do site do Diário da República às leis deste país.
Podeis dizer que é uma concordância interesseira. E eu concordo. O interesse vale exactamente 120 euros por ano.

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Champas - Não há excepção sem regra.

Secção A título póstumo
Morreu no sábado passado António Champalimaud, um homem teso, uma rocha firme num mar de songamongas.
Aos 24 anos, numa idade em que os jovens songamongas que povoam a nação ainda estão agarrados às calças do pai e às saias da mãe, o Champas segura o leme da Empresa de Cimentos de Leiria para dois anos depois comandar a frota toda.
Cinco afonsos pela carreira de António Champalimaud

TRIVIALIDADES: O duelo anunciado das vacuidades.

Segundo uma sondagem citada pelo Expresso, o professor Manuel Maria Carrilho estava a apanhar o doutor Pedro Santana Lopes, ainda antes deste ficar retido no túnel embargado (a sondagem é anterior).
Se as coisas não estão muito boas para o doutor Pedro em Lisboa, onde ele pode contar com o voto das namoradas, ex, actuais e futuras, dos seguranças e dos DJs, o que será no país?
Por agora trata-se apenas de Lisboa. Um dia, todos sabemos, será o país, se ainda existir. Será o grande duelo das vacuidades: a vacuidade pedante contra a vacuidade ignorante. Será a felicidade das revistas da socialite e a grande oportunidade da política entrar nos salões de todos os cabeleireiros.

09/05/2004

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (continua).

Ao contrário do que se poderia distraidamente supor, a doença dos portugueses é um sintoma não de morbidez, mas de grande vitalidade. Já o tratei várias vezes antes e durante a vida do Impertinências e volto agora, prometendo continuar este tema tão estimulante.

Em 13 de Março de 2002, deu entrada no Tribunal Constitucional o requerimento de constituição dum novo partido político baptizado de Movimento pelo Doente. Pelo que veremos de seguida arrisca-se a ser um partido maioritário.

Há um ano o ministro Bagão Félix estimava que, a média diária de faltas por doença fosse 410.000, ou 7,6% da população "activa".

No final do ano passado, citei aqui um estudo da Fundação de Ciência e Tecnologia apontando 36% das crianças portuguesas entre os 7 e os 9 anos com excesso de peso e um relatório do Eurobarómetro referindo que 38% dos portugueses sofrem de reumatismo ou artrite, 22% de hipertensão e 10% de diabetes.

Em relação à hipertensão, o número apontado há dias pelo Portugal Diário era de 4 milhões de portugueses hipertensos, ou seja 40% da população residente e não já os 22% do Eurobarómetro. Mais 1,8 milhões de hipertensos em 6 meses? Talvez não seja um exagero, considerado o estado funesto em que se encontra a alma portuguesa. Se não forem hipertensos, serão hipertesos, a quem os bancos, mais cedo do que tarde, aumentarão a pressão arterial.

Se a hipertensão não fosse suficiente para nos afligir, ficámos a saber pelo suplemento Saúde de O Independente da passada sexta-feira que temos entre 15 a 20.000 doentes de Parkinson. O que também só surpreende os distraídos – basta olhar para os nossos políticos gerontes.
(Work in progress)

08/05/2004

LOG BOOK: If they don't deserve, cut it off.

«Tied Up in Court
A Kentucky judge has taken to ordering derelict dads who are thousands of dollars behind on child support two choices: vasectomy or jail. Family Court Judge D. Michael Foellger has delivered this ultimatum to six or seven men who fathered more than four children with at least three different women each, and who owed more than $10,000 in court-ordered support. "I don't think these men deserve to have any more children," said Foellger. None of the men have appealed and only one chose jail time. However, the American Civil Liberties Union said suggesting surgery is too much. "We're opposed to any type of sterilization that's forced or coerced by any government agency," said Kentucky ACLU's executive director

(Jenny McKeel, Furthermore Archive, Wired News)


(Guy with child support three months late)

AVALIAÇÃO CONTÍNUA / CONTINUOUS APPRAISAL: Neo quê? / Neo-lib, a very rare beast.

Summary for the sake of
PSD (Partido Social Democrata) is a domestic party and a creature that gives shell to every political creed, except far right, socialist left and communism in its many clothes. A bunch of PSD's former presidents alerted Durão Barroso, the man in charge, to the dangers of the so-called neo-liberalism. Neo-liberalism in the meaningless local political slang is something like don’t ask what government can do for you, just do it. Specimens of this would-be kind of souls are much more rare than the mythical lynx of Sierra Malcata, a beast never seen since many years. If so, why alert the man?

Secção Perguntas impertinentes
«Os antigos presidentes do PSD manifestam publicamente a sua confiança de que o partido, actualmente sob a liderança de José Manuel Durão Barroso, prossegue - com coragem e em circunstâncias nacionais e internacionais particularmente difíceis - a luta por reformas de cariz social-democrata, sem concessões a modas neoliberais nem a anquilosantes conservadorismos de esquerda ou de direita».
Sem concessões a modas neoliberais? Neo quê? Onde é que estão os liberais na política portuguesa? Se ainda não os encontraram, porque já procuram os neo?
Cinco merecidos chateaubriands para os antigos presidentes do PSD, por não perceberem que não é pelo tele-evangelista e o líder do anquilosante PCP encherem a boca com o liberalismo que ele passa a ter existência.
É mais fácil encontrar um casal de linces na serra da Malcata ou a fêmea do abominável homem das neves nas Penhas Douradas do que um liberal entre os políticos portugueses.


(Neoliberal apanhado desprevenido a almoçar / Neo-lib taken by surprise having lunch)

07/05/2004

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Infiéis. Todos diferentes, todos iguais.

Secção Res ipsa loquitor
Bin Laden oferece ouro pela morte de Annan e Bremer, o que mostra que não brinca em serviço e tanto se lhe dá como lhe deu que a ONU proteste inocência.
Cinco bourbons para o senhor Being Laden que, igual a si próprio, só considera o serviço concluído quando o último dos infiéis morrer enforcado nas tripas do penúltimo.

LOG BOOK: Another brick in the wall.




It works!

DIÁRIO DE BORDO: O zero alternativo.



A semana passada o PS de Cascais meteu na minha caixa de correio um panfleto vermelho tom Mao Ze Dong. O lema do prospecto era «Câmara PSD/CDS, 2 anos depois = Zero».

Apesar de alguns sinais positivos, como as queixas dos gaioleiros (são um bom indicador) e uma visível contenção do caos urbanístico com o abandono de projectos megalómanos, não tenho em grande conta a actual câmara, e, por isso, apreciaria uma alternativa credível nas próximas eleições.

Mas como poderá este PS local em vermelho tom Mao, com um passado recente de 8 anos de gestão corrupta, incompetente e inimiga dum urbanismo humanizado, ser uma alternativa seja ao que for? Uma gestão comandada pelo senhor Judas, que começou por ser um comunista espondilítico e acabou em lulu das tias e infractor fiscal compulsivo. Ter-se-ão eles sujeito à indispensável barrela?

06/05/2004

BLOGARIDADES: Inveja.

Uma amiga, admiradora do Floco de Esquerda, lamentava-se andamos a pagar para o Pacheco Pereira fazer blogues.

Vou mandá-la ler o post FAMA E PROVEITO publicado ontem de madrugada, onde o Abrupto nos confessa as privações a que se sujeitou durante cinco anos.

Confesso também, sem vergonha, alguma inveja, mas consolo-me falando para os meus botões se tenho que pagar para um bando de vacuidades circular no triângulo Lisboa-Bruxelas-Estrasburgo, ao menos que seja ilustrado, eu e mais umas dezenas de milhar, pelo derrame de erudição dum Abrupto.

No dia do aniversário do seu blogue parabéns ao Abrupto, que acaba neste preciso momento de espreitar numa janela dos Países Baixos.

LOG BOOK: Dear Mr. Mustafa.

Dear Mr. Mustafa

«I want to tell the people of the Middle East that the practices that took place in that prison are abhorrent and they don't represent America Bush told Dubai-based Al Arabiya television» and CNN quoted.

So, as I told you, someone will be punished other than you or the journalist who quoted you.

What I can't assure you is that you will keep having your cafe downtown Cairo peacefully should you feel badly about your Egyptian government and you have a talk about those feelings other than a pillow talk.

Sincerely yours

PUBLIC SERVICE: Last action hero.

«I was on Mr. Kerry's boat in Vietnam. He doesn't deserve to be commander in chief... (He) has suppressed his book, "The New Soldier," prohibiting its reprinting.»
John O'Neil in Opinion Journal, The Wall Street Journal (via Dissecting Leftism)


Last action hero with decorations

PUBLIC SERVICE: «UNconscionable»

«On Tuesday May 4th, Sudan was re-elected as a member of the UN Commission on Human Rights».
Surprised?
Look at such a wonderful human rights record:
+ a million people from Darfur have been displaced
+ 100,000 fleeing across the western border into Chad
+ over 10,000 have been killed
.

Human what? Rights? What rights?

05/05/2004

TRIVIALIDADES: A Luso-Google e los codazos del Oporto.

«PJ quer aceder a tudo o que circula na Internet»
A Google que se cuide. A nossa Judite está a chegar à Web. Ó doutor Mário já pode exigir o regresso dos nossos rapazes do Iraque - eles vão ser cá precisos. O doutor Lamego também, para ajudar e de castigo pela sua coluna infame pró-americana no Expresso.

«El Oporto, fiel a su estilo marrullero, se aprovechó del sibilino arbitraje de Collina»
La Voz de la Coruña 0 - Oporto 1 (codazo de Pier Luigi)

04/05/2004

DIÁRIO DE BORDO: As FP25 da pedofilia?

Carlos Cruz abandonou o Estabelecimento Prisional de Lisboa
Bibi, o arrependido, continua preso. Uma reedição do processo das FP25?

SERVIÇO PÚBLICO / PUBLIC SERVICE: Saber ou não saber. / To know or not to know.

«o que é que querem ... vocês também não sabem muito bem.»
A esquerdalhada só sabe o que não quer.


«America's marching feminists are not feminists at all, just far-Leftists. If they were really concerned about women, they would be attacking Islamic fundamentalists»
They are not at all concerned about women.


«The United Nations yesterday threw up a stone wall in the oil-for-food scandal, insisting that contracts between the world body and private companies should not be turned over to investigators.»
They know why.

CONDIÇÃO MASCULINA / STATE OF MEN: Travesti – o futuro do homem / Transvestites – the future of men.

Summary for the sake of
Luís Fernando Veríssimo, Brazilian writer Erico Veríssimo’s son, wrote in his weekly column that men are hopeless – something those more lucid members of the gender know for a while. Besides and even more serious, men will be soon also useless, Mr. Verissímo swears - something that even the more cynical guys didn't realize, yet.
In the end, spermatozoon will be produced in vitro and women can discard their guys. Out of the remains what should be closer to men are transvestites, a sort of men in captivity, he told us.
Fellows, ask your wifes to stop throwing away their old-fashioned dresses. You may need them.


Desta vez não foi a limpar as pratas que me apercebi da Única esperança do filho do Erico Veríssimo. Não foi a limpar as pratas, nem podia ser. O papel do caderno Actual do Expresso não é bom para isso, explicou-me a Patroa.
Assim falou Veríssimo filho:

«Única esperança
Defendo a tese de que a única esperança para a sobrevivência do género masculino sobre a Terra é o travesti. Se não fosse o travesti, estaríamos condenados à extinção em 20, no máximo trinta anos.
Já existem técnicas de reprodução humana em que um óvulo é fecundado com outro. Como o aperfeiçoamento destas técnicas permitirá um controle genético inalcançável por outros meios, o espermatozóide gradualmente perderá sua função no processo de procriação, e sua razão de ser. E quem fornece espermatozóides, com exclusividade, no mundo somos nós, machos. Estamos aqui para isto. A nossa função e razão de ser é esta. É verdade que, enquanto produzíamos os espermatozóides, fizemos outras coisas. Civilizações, sistemas filosóficos e jurídicos, pontes, represas, o teto da Capela Sistina, etc. (E desenvolvemos o processo suicida que dispensa o macho na reprodução da espécie). Mas tudo isto foi actividade secundária. Nosso negócio principal, transmitido de pai para filho desde o ano zero, é espermatozóides. E somos um monopólio em vias de descobrir que não há mais mercado para o nosso produto.
Não há o que fazer. Não podemos adaptar a planta para produzir outra coisa. Com o tempo, quando a própria Natureza se der conta de que somos um género supérfluo, começarão a nascer mais produtoras de óvulos do que homens. E cedo ou tarde as mulheres se perguntarão para que servem os poucos homens que sobrarem. As profissões tradicionalmente masculinas - leão de chácara, estivador, «chef», zagueiro central - ou serão automatizadas ou ocupadas por mulheres. Como parceiros sexuais, seremos facilmente substituíveis, também pela automatização ou por outras mulheres. O que impedirá as mulheres de começarem a eliminar os machos ao nascer, para evitar o estorvo e o custo da sua inutilidade?
Os travestis. Eles serão os últimos depositários das graças femininas em desuso. Manterão vivos o coquetismo, a futilidade estabanada, a inocência provocadora e tudo que os homens de outra era chamavam de feminilidade - e que nenhuma mulher, ocupada em ser dona do mundo, conseguirá parodiar tão bem. E garantirão a sobrevivência do nosso sexo, nem que seja no cativeiro.
»
(Luís Fernando Veríssimo, «Meu fantasma do Goya», na sua coluna «Do lado de lá» no Expresso de 1 de Maio)

02/05/2004

TRIVIALIDADES / TRIVIA: Cerveja nunca mais. Dá umas passas. / No more beer. Smoke a joint.

Summary for the sake of
The leftist flock has two chief flags: free abortion and free consumption of soft drugs. Conversely they just have started the demand for inhibition of advertisement of beer in the context of football events as Euro 2004.
I just started demanding free abortion for leftist couples.

O Floco de Esquerda considera que «o alcoolismo entre os jovens é dos problemas mais graves de saúde pública» e, por isso, «apresenta, como prometeu, um projecto de lei para proibir a publicidade do álcool associada à selecção nacional de futebol e outras equipes».
O Floco é impagável. Por um lado quer liberalizar a erva e as «leves». Por outro quer proteger os jovens grunhos da ingestão das cervejolas.
O Impertinências está quase a concordar com a liberalização completa e sem restrições do aborto gratuito no SNS, desde que pelo menos um dos putativos pais apresente o cartão do Floco.

01/05/2004

LOG BOOK: Easy question, easy answer.

"Shame on America. How can they convince us now that it is the bastion of democracy, freedoms and human rights?"
Mustafa Saad, reading morning papers in a downtown Cairo cafe Saturday, quoted by CBSNews.

Dear Mr. Mustafa,
United States should be considered a bastion of democracy, freedoms and human rights, precisely because your question is quoted by an US mainstream TV channel and someone will be punished other than you or the journalist who quoted you, and the Channel’s site could publish a photo with legend and words like these:


One Iraqi prisoner was told to stand on a box with his head covered, wires attached to his hands. He was told that if he fell off the box, he would be electrocuted, the Army says (Photo: CBS)

By the way, what means exactly «photo: CBS»? Was the reporter there at the moment?

TRIVIA: M. Bové strikes again (Part 2 – Motive)

Last week I told you the story of McDonald’s CEO Mr. Cantalupo allegedly died of a suspected heart attack was bullshit.
He was rather murdered by Mr. Bové. Further investigation led me to find out the hidden motive, besides the one everybody thought about – the fighting against hamburger.

Why this tragic murder was M. Bové's brainchild and it was perpetrated by himself? With sodium chloride, do you remember?
Mr. Bové’s hope was that the deceased would be replaced with the French McDonald’s Europe chief operator Monsieur Denis Hennequin. Ce Monsieur la is well known for his reputation of creator of «Croque McDo», a ham-and-cheese stuff adapted to the delicacy of the French capitulacionist palate. He is also a huge buyer of French mad cows from the high-subsidized French farmers to manufacture McBurguers à la française.

Those French cows are mad not for they are contaminated with Creutzfeldt-Jacob Disease – I’m not saying that they are not - but since French farmers use to copulate with them when coming home after their long journeys blocking roads with their tractors. You can imagine the suffering of a poor cow being fucked by someone who hasn’t a bath for weeks? Who wouldn't turn mad?

Guess why this horrendous crime was not denounced by other freedom fighters, such as Merde in France? Is M. Bové threatening sending those dirty farmers chez les combatants du livre commerce?
Anyway, this conspiracy was defeated and Mr. Charlie Bell, an obviously not French, sound and honest guy, was named Mr. Cantalupo’s successor.

(Do this version of Mr. Cantalupo passing seems to you a little bit crazy? See it as just the way M. Bové’s friends use to tell their bullshit about multinationals and the like.)


(French farmer with mad cows, coming home after a demonstration, preparing himself to get mad avec les vaches)